segunda-feira, 3 de setembro de 2012

A CHAVE DE HIRAM




Charles Evaldo Boller


A CHAVE DE HIRAM


Por Charles Evaldo Boller
A leitura do livro "A Chave de Hiram" é visto como leitura prejudicial por pessoas que, em razão de suas crenças, descartam a possibilidade aventada pelos autores de que Jesus Cristo é parte de linhagem real diferente da vertida pela Bíblia Judaico-cristã. Sem entrar no mérito da veracidade e seriedade das pesquisas que culminaram na proposta das mudanças na história da cristandade, os argumentos são válidos e consistentes como pensamentos novos. Que cada pessoa, debaixo da luz de seu próprio discernimento e crenças, com a visão de sua sã racionalidade e sensibilidade, mude sua forma de pensar. Se isto destruir dogmas absurdos é bom sinal; liberdade é objetivo central da Maçonaria. Significa progresso do pensamento e do conhecimento, cauteriza as chagas do obscurantismo que tanto mal promove ao longo da história. A educação e o conhecimento libertam! Polir a pedra é tarefa de todo maçom.
Todos carecem de polidez, virtude que marca a origem de outras virtudes. A polidez é insignificante e ao mesmo tempo importante; sem ela todas as outras virtudes seriam imperceptíveis. É na aparente insignificância da polidez que reside sua importância. Não se trata de refinada educação, tratamento impecável e boas maneiras, mas do acolhimento de novas ideias e posturas, de mais cultura. É o que significa polir a pedra; é polidez! O caminho da polidez é o ataque frontal, e com todas as forças mentais e psicológicas disponíveis, ao estudo pessoal dentro da capacidade individual e, com isto, progredir em conhecimento, desenvolver em polidez. O maçom alcança seu objetivo quando discute algo que muda seu modo de pensar.
Debates fomentam o crescimento maçônico; é o brunir da pedra até brilhar, ficar polida. Ingressa-se na ordem maçônica para beneficiar-se de um sistema de incremento da polidez, para se autoproduzir, e não apenas para ser membro do "sindicato". E que não fique apenas em meia dúzia de autores! Que absorva bibliotecas inteiras na tarefa de busca de polidez. Não se restrinja a temas exclusivamente maçônicos. Seja eclético! É trabalho, estudo, diversão! E não fique apenas nisso, coloque-se em uso prático o que se descobrir; dê exemplos; as enciclopédias estão repletas de conhecimentos, mas não possuem a capacidade de colocar tal preciosidade em ação.
Os irmãos autores do livro "A Chave de Hiram" pesquisaram e trabalharam para alicerçar dados aceitáveis. São corajosos ao exporem seus pensamentos para a cristandade. O objetivo dos autores não é a de semear discórdia entre maçons, mas apresentar novas ideias, novos formatos, questionar verdades em novos ciclos de tese, antítese e síntese.
Seriam estultos se suas pesquisas estivessem baseadas em argumentação sem sustentação histórica e científica. As comunidades acadêmicas e de pensadores os trucidariam! Foi graças ao seu treinamento maçônico que eles obtiveram discernimento diferente das comunidades acadêmicas e científicas que há tanto tempo estudam na mesma linha sem acrescentarem novidade na área, talvez por receio de enfrentar a ira de religiosos fundamentalistas ou mesmo da falta de visão; insight.
Independente de o historiador não usar de "achismos", seja ele técnico e alicerce suas reflexões em documentação de fonte segura e fidedigna, a história contada em qualquer tipo de registro histórico contém falhas de interpretação, erros e falsidades; não por falha do historiador. Mesmo se a fonte estiver registrada e fartamente documentada, a redação de evento histórico está sujeita aos ventos dos interesses do historiador, grupos de poder, filosofias, religiões e políticas. Muito do que lemos e interpretamos em documentos que o tempo preservou intactos, estão recheados de mentiras; já falsos em sua origem. A boa técnica exige do historiador métodos e procedimentos de correlação de fatos passados, e por ser parte especulativa e parte assertiva, a verdade histórica absoluta é quase impossível; resta duvidar sempre; na dúvida e na certeza, duvide! Segundo o pensamento grego, a verdade absoluta e eterna deve presidir o pensamento filosófico, mas até este deve ser permanentemente questionado. O pensamento deve ser reavaliado em base permanente pelos eternos ciclos de tese, antítese e síntese. Para evadir-se da possibilidade de gerar obscurantismo é recomendada ampla abertura para o lançamento de novas ideias, sempre as submetendo aos filtros que cada um dispõe.
Com o livro "A Chave de Hiram" não é diferente. Mesmo com o risco de a obra ser construída em resultado de promoção comercial, visando lucros, em hipótese alguma aceitar o preconceito fundamentado em crenças, dogmas, fantasias e absurdos de alguns para censurar, refutar ou invalidar o pensamento. A liberdade de pensamento é a coluna mestra de sustentação da Maçonaria. A pesquisa de novas ideias não divide a Maçonaria, tal procedimento a justifica. Divisão é natural em todas as organizações humanas, a Maçonaria não é exceção. A proposta da Maçonaria é a de promover a tolerância para fomentar a livre investigação da verdade, caso contrário ela é apenas mais uma simples organização filosófica.
A Maçonaria simbólica de 1871 era vista assim por Albert Pike: "Se você ficou desapontado nos primeiros três graus da forma como os recebeu; e se pareceu a você que o desempenho não atingiu o prometido; que as lições de moralidade não são novas; a instrução científica é rudimentar e os símbolos foram explicados deficientemente; lembra de que as cerimônias e lições desses graus foram se acomodando cada vez mais no tempo, reduzindo-se e afundando na trivialidade da memória e capacidade limitada do mestre e instrutor para o intelecto e necessidades do iniciado; que eles vieram a nós de tempos onde os símbolos eram usados, não para revelar, mas para esconder, quando o aprendizado simples foi limitado a uns poucos seletos e os princípios mais simples de moralidade pareciam verdades recentemente descobertas; e que estes antigos e simples graus estão agora como as colunas quebradas de um abandonado templo druida, na sua rude e mutilada grandeza; e em muitas partes, também, corrompidas no tempo, desfiguradas por adições modernas e interpretações absurdas. Estes graus iniciais são a entrada para o grande templo maçônico, as colunas triplas do pórtico". - Estas "colunas triplas do pórtico" são os três graus simbólicos, a base, o sustentáculo de toda a estrutura do sistema de polidez da Maçonaria. Se a Maçonaria simbólica cai na trivialidade, as colunas de sustentação quebram e a Maçonaria Universal caminha para a aparência de "um abandonado templo druida".
A aventura continua nos graus filosóficos nos ritos que possuem tal extensão. Não são graus superiores; é falácia! Não distingue ninguém! Antes, espreme o maçom debaixo de grande responsabilidade: o de tornar-se mestre servidor. Os graus filosóficos caracterizam-se apenas pela continuação do que deveria acontecer no terceiro grau simbólico.
Nada mais! O maçom que alcança ao mais alto grau de seu rito deve abandonar insígnias, comendas e enfeites dourados, que só serviram como demarcação visível do caminho e passagem pelos degraus da escada de Jacó, para voltar a portar apenas a mais humilde e significativa das insígnias maçônicas: o avental do aprendiz maçom; assim continua e faz da arte de pensar, debater, estudar, o hábito permanente de sua vida; chegado ao topo, volta aos graus simbólicos e filosóficos inferiores para dar sustentação à base; sem alicerce a estrutura da edificação vem abaixo.
A Maçonaria cresceu vertiginosamente até a década de 1950, quando inicia sua corrosão e aumenta a evasão; é fenômeno universal! A evasão acentuada é em virtude da falta de desafios, de renovação do pensamento, de acomodação, sem interesse intenso em pesquisar, ler e abrir a mente para novos pensamentos. Quando a divisão em novos ritos e obediências promove novas linhas de pensamentos ela é correta, se a razão for dividir para conquistar poder, então a instituição segue o caminho da estagnação, mesmice, trivialidade; basta avaliar em qual destes caminhos cada loja segue, para determinar a capacidade de sobrevivência de seus obreiros na ordem maçônica.
A Maçonaria universal oferece amplas possibilidades ao crescimento de polidez de seus membros, mas eles devem trabalhar arduamente a pedra. Reportando-se a isso, certo ritual do Rito Escocês Antigo e Aceito verte o seguinte: "Um sistema de numerosos graus, onde o ensino é permanente, não pela palavra do presidente ou do orador, mas principalmente pelo trabalho do adepto". Quem trabalha é o obreiro, o adepto - não existe a figura do professor; não existe cardápio pronto, receita de bolo ou varinha mágica! Quem desenvolve polidez com auxílio de seus irmãos é o obreiro, e isto só ocorre na convivência, em debates e produção de material intelectual escrito. Aponta-se principalmente para a importância em manter a mente aberta para novos ou inusitados pensamentos; abrir portas diferentes ou novas. A sociedade muda pela força do pensamento e da consciência; e isto demanda trabalho!
O resultado certo é a produção duradoura de felicidade e paz para a humanidade pela evolução do conhecimento bem utilizado. O Grande Arquiteto do Universo ilumina os caminhos do homem que obtém sabedoria em resultado do uso do livre-arbítrio no esforço de obter polidez e discernimento de aplicação prática.
Bibliografia:
1. BRASIL, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do, Ritual do Grau 15 do Rito Escocês Antigo e Aceito, Cavaleiros do Oriente, da Espada e da Águia, Segunda Série de Graus Históricos e Capitulares, 1ª edição, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do Brasil, 64 páginas, Rio de Janeiro, 1925.
2. COMTE-SPONVILLE, André, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, tradução: Eduardo Brandão, ISBN 85-336-0444-0, 1ª edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 392 páginas, São Paulo, 1995.


Um comentário:

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