quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017


Egrégora Maçônica - Fenômeno da Força Incógnita

 

Com a vontade pura e a retidão de propósitos deverá estar o Iniciado Maçom revestido ao ingressar junto à soleira do Templo para início de mais uma jornada de trabalho. Esotericamente o fará sempre com o lado esquerdo ligeiramente avançado para que os caminhos do magnetismo destrocêntrico possam se manifestar com maior amplitude já logo de sua chegada para o convívio inicial com seus irmãos que o aguardam.

A primeira limpeza espiritual começa a ser desencadeada nesta hora, quando não por vontade própria, mas por dever anímico, o maçom deverá entrar em um processo de “escaneamento das impurezas profanas”, senão extirpando, pelo menos lutando para cauterizar de seu âmago as amarguras da vida externa.

É nessa hora que o primeiro passo de um fenômeno que adiante será descrito começa a se apontar. Daí temos a importância do sentido de introspecção de que o maçom deve estar imbuído, pois o elo de ligação que nos une como se verdadeiros irmãos fôssemos, começará dentro da mística maçônica a se formar. Os comportamentos profanos nesta hora hão de se cessar para dar lugar senão ao respeito a cerimônia que se inicia ao menos em respeito a ética maçônica de que todos indistintamente devem observar.

Esotericamente antes dos Ir:. adentrarem ao templo, com um único golpe mântrico do bastão no chão mosaico o Augusto Irmão Mestre de Cerimônias ordena que os espíritos se elevem, pois os trabalhos logo se iniciarão. Esotericamente com esse golpe mântrico o som de propaga e atinge o cérebro, já intimamente ligado ao significado egregoral que, - disciplina e ordena a mente - a aug:. sessão irá começar, o sinal foi dado.

Mas é na abertura da loja, com a leitura do salmo 133 do Livro Sagrado Bíblia pelo Irmão Orador que o fenômeno da EGRÉGORA toma força. É quando o salmo 133 acena com a agradabilidade da convivência em união fraterna, e a compara com “o óleo precioso sobre a cabeça o qual desce para a barba, a barba de Aarão... é como o orvalho do Hermon que desce sobre os montes de Sião...ali ordena o Senhor sua benção e a vida para sempre...” o que quer traduzir que o amor fraterno é comparado ao óleo santo de consagração e ao orvalho que umedece Jerusalém dando vida à natureza.

Assim deve ser a convivência fraternal, a tudo que permeia e umedece como a fina borrasca de um final de madrugada.

No preciso momento da abertura do livro sagrado e no curso da leitura de uma passagem do Livro da Lei conforme o grau em que se abre a loja, inicia-se a formação da EGRÉGORA, assunto objeto desta modesta peça que começa a ser detalhado cujo campo maçônico se interlaça com o da espiritualidade.

Para se crer e entender o significado da EGRÉGORA impõe-se primeiramente acreditar na existência do espírito. Neste sentido a Constituição de Anderson em seu Landmark (1) de número 20 exige do maçom uma crença na vida futura. E para não incorrer em erro substancial neste assunto de tamanha profundidade por este neófito “que não sabe ler nem escrever” e está longe de dominar, mas podemos ficar com a lição de Aristóteles (Estagira – Grécia 384 AC) e sua sabedoria grandiosa que distingue a alma do espírito: “A alma é o que move o corpo e percebe os objetos sensíveis; caracteriza-se pela auto nutrição, sensibilidade, pensamento e mobilidade; mas o espírito tem função mais elevada do pensamento que não tem relação com o corpo, nem com os sentidos”.

Para este discípulo de Platão, em sua inteligência universal, o Mundo surgiu de um Primeiro Motor - DEUS – IOD – (TETRAGRAMATON – nome sagrado e impronunciável do Senhor ). È ao mesmo tempo Potência e Ato. A primeira engrenagem do Universo.

Sob outro enfoque podemos dizer que o espírito apesar de não se constituir de matéria bruta é formado da união de um corpo físico, de um corpo mental (vital) e de um corpo astral (períspirito). Deste amálgama que ligado pela saliva divina surge o Homem. O Homem é espírito em movimento.

Mas é de uma zona física, períspiritica física, extracorpórea, que tangencia a cútis, é que partirá uma quantidade de energia, tênue e quase imperceptível, como um fio de névoa, para alguns até um estado quase que plasmático, como um rastro sutil de fumaça, formando um corpo protetor, livre de sua origem dos conceitos físicos de tempo-espaço.

Não emulado pela fé ou religião, mas força atômica, material e tangível. Um campo de força material. À saída destes corpos, sempre quando em assembleia reunida e neste caso, em Loja, dá-se o nome de EGRÉGORA.

Quanto à referência à doutrina, pode-se colher no ensinamento de J. Boucher a seguinte lição. “Chama-se egrégora uma entidade, um ser coletivo originado por uma assembleia, cada Loja possui a sua egrégora, cada obediência possui a sua, e a reunião de todas essas egrégoras forma a grande EGRÉGORA MAÇÔNICA”.

Rizzardo Da Camino em seu Grande Dicionário Maçônico ensina que Egrégora deriva do grego `egregorien` com o significado de velar ou vigiar. No Livro de Enoch está escrito que os anjos que haviam jurado velar sobre o Monte Hermon teriam se apaixonado pelas filhas dos homens, ligaram-se a elas.....que será tema de um próximo trabalho deste humilde ir:.

Papus, em seu magnífico “Tratado Elementar da Ciência Oculta” introduz a noção de que as egrégoras seriam imagens astrais geradas por uma coletividade.

Serge Marcotoune, iminente mestre do Martinismo russo, constata que a energia nervosa se manifesta por raios no plano astral. O plano astral estaria cheio de miríades de centelhas, flechas de cores das ideias-força. “Cada pensamento, cada ação a que se mistura um elemento passional de desejo, se transmite em ideia movimento dinâmica, completamente separada do ser que a forma e a envia, mas seguindo sempre a direção dada.

Essas ideias seguem sua curva traçada pelo desejo do remetente”. É por isso que precisamos controlar nossos desejos a fim de que eles não pesem sobre nós, acorrentando-nos, imprimindo à nossa aura cores diferentes. A meditação e a prece do iniciado regeneram seu ser, permitindo emitir ideias sadias e tranquilizantes para que no plano astral, os espíritos guias canalizem as ideias força para zonas determinadas.

Em A Chave da Magia Negra, Stanilas de Guaita afirma que no plano astral as coisas semelhantes aglutinam-se para criar um coletivo, graças às suas vibrações idênticas. “A egrégora, ser astral, possui seu eixo nesse plano e busca um ponto de apoio terrestre para se assegurar de formas estáveis”.

O maçom pode assim se aproximar dos seres superiores e elevados através somente do seu livre-arbítrio. No astral nascerão os germes das grandes associações, das grandes amizades, das grandes proteções.

Mas como as egrégoras estão em constante modificação, por força das variações das ideias força, não possuem um ponto de apoio.

Por isso a necessidade da concentração sem esforço durante a ritualística, para que essa egrégora possa permanecer o maior tempo possível ativa, constante e homogênea.

Emanuel Swedenborg diz que viajaremos em grupos unidos, sendo ensinados pelos diversos grupos de anjos que formam sociedades a parte agrupadas em um grande corpo por que segundo ele “o céu é um grande homem”.

O mestre Yeshuah(2), citado pelo apóstolo Mateus, disse: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei entre eles”.

G. Descomier ( Phaneg ) representante do Martinismo(3) Francês, escreveu que “todo coletivo constitui na verdade uma família no plano espiritual. Por isso jamais se deve responder ao ódio com o ódio, porque então as duas egrégoras formariam uma aliança estreita para o mal.

Egrégora é uma forma pensamento que é criada por pensamentos e sentimentos, que adquire vida e que é alimentada pelas mentalizações e energias psíquicas. É uma entidade autônoma que se forma pela persistência e intensidade de correntes emocionais e mentais. Pensamentos e sentimentos fracos criam egrégoras mal definidas e de pouca vida ou duração, porém pensamentos e sentimentos fortes criam egrégoras poderosíssimas e de longa duração.

Existem egrégoras positivas que protegem, atraem boas energias e afastam cargas negativas, e egrégoras negativas que fortalecem o mal, canalizam forças negativas e repelem forças positivas.

Locais sagrados como as localidades de Aparecida do Norte (Brasil), Lourdes (França) e Fátima (Portugal), têm egrégoras poderosíssimas, formadas pela fé e mentalizações dos devotos, que acumulam as energias psíquicas dos fiéis, e quando alguém consegue canalizar para si as energias psíquicas acumuladas na egrégora provoca o conhecido “milagre”. Esta é a explicação oculta da realização de grande parte dos milagres que acontecem. Os locais possuem egrégoras formadas pelas energias psíquicas de seus frequentadores que as canalizam em seu benefício através da fé.

A origem do termo EGRÉGORA é a mesma de "gregário", do latim gregariu: o que faz parte da grei, ou seja, rebanho, congregação, sociedade, conjunto de pessoas. No plano da espiritualidade usa-se o nome egrégora para designar um grupo vibracional, um campo de energia sutil em que se congregam forças, pensamentos ou vibrações com um determinado objetivo.

A egrégora pessoal é formada pelas energias psíquicas da pessoa e principalmente pelos seus pensamentos. Assim, uma pessoa psiquicamente equilibrada e com pensamentos positivos, cria uma egrégora positiva. Do mesmo modo, uma pessoa desequilibrada emocionalmente e negativa cria uma egrégora negativa. Porque a egrégora é como um filho coletivo que se realimenta das mesmas emoções que a criaram.

O maçom correto deve ter plena convicção de que as suas aspirações e desejos de bem, ainda que em pensamentos, nenhuma se perde. Nossa vida deve produzir idéias força poderosas. Esse é o segredo da prece dos ditos “fracos”.

A maçonaria aceita a presença da Egrégora em suas sessões litúrgicas. A egrégora é uma “entidade” momentânea que subsiste enquanto o grupo está reunido. Para que ela surja é necessária a preparação ambiental, formada pelo som, pelo perfume do incenso e pelas vibrações dos presentes.

Estas vibrações devem ser puras. O maçom deve eliminar, ainda no átrio, todos os pensamentos inapropriados para o culto maçônico. A ritualística e a liturgia(4), preparam o surgimento da egrégora, no exato momento em que o Irmão Orador termina a leitura em voz alta, do trecho do livro sagrado, a egrégora forma-se brotando do altar como tênue fio espiritual para adquirir corpo etéreo com as características humanas. Os mais sensitivos percebem esta entidade, ela se mantém silenciosa mas atua de imediato, em cada maçom presente, dando-lhe a assistência espiritual de que necessita, manipulando as permutas de maçom para maçom, construindo assim a Fraternidade(5). Para cada loja forma-se uma egrégora específica.

Os céticos não aceitam esta entidade, porém os estudos aprofundados revelarão a possibilidade de seu surgimento. Porém, esta entidade não deve ser motivo de adoração pois é uma entidade formada pela força mental e pelas vibrações do conjunto. A egrégora é a materialização da força do maço enquanto em loja.

CONCLUSÕES

A egrégora pode ser associada à consciência de grupo, mas ela é, ao mesmo tempo, algo mais do que isso. Aprendemos que quando dois ou mais se reúnem em um esforço     conjunto, é criado algo maior que a soma de seus esforços pessoais. Daí podemos comparar essa ideia à ideia de que o TODO é maior do que as partes que o compõem. Também não devemos nos esquecer que a egrégora de nossa Ordem inclui todos os maçons vivos e também aqueles que passaram pela transição e hoje vivem no Oriente Eterno. A egrégora é portanto o resultado de nosso pensamento criativo nos planos exotérico e esotérico do pensamento.


A egrégora surge em loja a partir do esforço e da meditação de cada irmão. É um ser diáfano(6), que apesar de compacto deixa transparecer a luz que mesmo emana e absorve. Ela atua equilibrando as desigualdades emocionais e espirituais dos IIr:. em loja. Grande é sua atuação na CADEIA DE UNIÃO. E somente em Loja existe e existe oriunda da formação assemblear, onde todos nós irmãos, somos condôminos deste fenômeno.

Representa na sua forma mais sublime a expressão “ESTAR A COBERTO”. Mais do que um manto protetor(7) configura para o maçom a materialização de sua fraternidade quando um pouco de si é ofertado, por um mecanismo sobrenatural e divino ao Irmão necessitado. Para tanto impõem-se as posturas mentais, espirituais e corpóreas mencionadas, não somente como um exercício de Virtudes Teologais (8) ( Fé, Esperança e Caridade) e Cardiais (9) ( Prudência, Temperança, Justiça e Coragem ), mas como também na visão Aristotélica de perfilar pelo caminho do justo meio o bem absoluto e teleológico do ser humano: a felicidade; que para nós pode ser simbolizada pelo alcançar do cume da ESCADA DE JACÓ, para que possamos um dia gozar com firme fé da glória do Grande Arquiteto Do Universo e ao seu lado tomarmos assento, para que possamos descobrir em cada Irmão nossos dons espirituais mais acanhados e possamos sempre nos orgulhar dos verdadeiros motivos que nos levam a estar em fraternidade, na esteira do pensamento do filósofo Immanuel Kant(10), em seu imperativo categórico “age de tal modo que a máxima de tua ação possa ser elevada, por sua vontade, à categoria de lei, e de lei de universal observância”. Tudo isso para que possamos sempre contribuir para o crescimento espiritual de nossa loja, alijando o comportamento profano que obscurece a formação da egrégora.

Oportuna ainda a citação das palavras do maçom emérito Rizzardo da Camino em sua obra “O aprendiz maçom”, atinente ao assunto posto em pauta e que diz respeito também a ética maçônica:

 “ Aqueles que ´nada veem`, que ´nada sentem` e que atuam “mecanicamente” que participam da cerimônia porque a isso foram conclamados pelo Venerável Mestre, devem aceitar o desafio de participação efetiva e espiritual. Então, só assim, hão de se dar conta que maçonaria não é um clube social ou recreativo.”

Que a paz profunda a todos invada.

 (1) Os landmarks da Maçonaria são um conjunto de princípios que não podem ser alterados para que se mantenha a unidade maçônica mundial, criado em 1723 por James Anderson.

 (2) Yeshua (ישוע) é considerado por muitos ser o nome hebraico ou aramaico de "Jesus". Este nome é usado principalmente pelos judeus messiânicos - ou por pesquisadores, historiadores e outras pessoas que creem ser essa a pronúncia original. O nome "Yeshua" deriva-se de uma raiz hebraica formada por quatro letras – ישוע (Yod, Shin, vav e Ain) - que significa “salvar”, sendo muito parecido com a palavra hebraica para “salvação” – ישועה, yeshuah – e é considerado também uma forma reduzida pós-exílio babilônica do nome de Josué em hebraico – יהושע, Yehoshua' – que significa “o Eterno que salva”.

 (3) Ordem Esotérica criada por Papus baseada nos escritos de Saint-Martin que hoje faz parte dos Graus Superiores da Ordem Rosa- Cruz.

 (4)O vocábulo "Liturgia", em grego, formado pelas raízes leit- (de "laós", povo) e -urgía (trabalho, ofício) significa serviço ou trabalho público. Por extensão de sentido, passou a significar também, no mundo grego, o ofício religioso, na medida em que a religião no mundo antigo tinha um carácter eminentemente público.

 (5) Segundo o apóstolo Pedro era o tipo de união que identifica os verdadeiros cristãos. - 1Pedro 2:17

 (6) em que a luz passa parcialmente; translúcido.

 (7) Verificar passagem bíblica no II Reis, 2-14, sobre a passagem do manto protetor do profeta Elias.

 (8) têm este nome porque são ordenadas direta e imediatamente para Deus como fim último. Têm Deus como origem, motivo e objeto

 (9) Elas são derivadas inicialmente do esquema de Platão e foram adaptadas por: Santo Ambrósio, Agostinho de Hipon e Tomás de Aquino.

 (10) Fórmula da Lei Universal.


obs. trabalho concluído com a participação e revisão final do Irmão Márcio Moreira.

Trabalho publicado no site: http://misticismoeesoterismo.blogspot.com.br

Caros IIr.'.

Pensamento maçônico internacional, onde diz: - para se unirem basta seguir os rituais centenários da maçonaria e serem verdadeiros maçons.


A Maçonaria somos nós, e ela somente será grande se nós formos pessoalmente grandes. Não esperamos encontrar na maçonaria o que não encontramos dentro de nós mesmos. Nada poderá ser maior do que a soma da grandeza de seus componentes.
(Extraído do livro: Antologia Maçônica de Ambrósio Peters)

 

 

Fonte: "O GOEAM"

Cultura Maçônica no Amazonas

 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017


Vida e triunfo

 

 

Quem disse, coração, que a prova te agrilhoa?

Que não tens condições para fazer o bem?

Olha a terra em que estás, maravilhosa e boa,

Sustentando e brunindo a força que a mantém!...

 

A árvore entrega ao vento as próprias folhas mortas,

O rio lança ao mar os detritos do mundo.

Muitas vezes, a flor com que te reconfortas

Vem de semente ao léu, no pântano profundo...

 

Verte o ouro aos filões ocultos no cascalho.

O brilhante mais puro foi carvão.

Sob o trator, a gleba é um cântico do trabalho,

Acalentando, humilde, a luz da evolução.

 

Não te digas inútil, nem te rales

Em assuntos hostis de azedume e tristeza;

Segue, deixando ao longe amarguras e males,

A estrada é um festival de esplendor e beleza!...

 

Nada se perde. A dor é o berço da alegria,

O gelo unicamente é ausência de calor,

Tudo o que foge à lei, de novo, se inicia,

Tudo a vida refaz nas gradações do amor.

 

Ampara, ama, abençoa!... Agindo e crendo, avança!...

A Caridade irmana, o Bem constrói a paz!...

Deus te envia ao caminho as asas da esperança,

Esquece-te a servir, confia e vencerás!...

 

Maria Dolores

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017


Julgamentos

 

Se alguém te surge em erro

Tranquiliza-te e cala.

Não sabes o princípio

Dos fatos que registras.

 

Quanta dor na criatura

Antes de haver caído!...

Se vês a falta alheia,

Usa a misericórdia.

 

Virtude que condena

É orgulho disfarçado.

Hoje, podes julgar...

Amanhã, ninguém sabe.

 

 
 

Dor e Prece

 

Se a provação te busca,

Não te rebeles. Ora.

Talvez não obtenhas

O que rogues ao Céu.

 

Perceberás, porém,

A vida transformar-se.

Brotar-te-á no ser

A luz do entendimento.

 

Ouvirás em ti mesmo

A voz da compreensão.

E notarás que dor

É uma bênção de Deus.

 

 


Migalha e Caridade

 

Qualquer dádiva é grande

Nas mãos da caridade.

Um gesto de bondade

É chave de socorro.

Há florestas que nascem

De uma semente humilde.

Gotas de sedativo

Suprimem grandes dores.

Quem serve reconhece

O poder da migalha.

A simples vela acesa

Rechaça a escuridão.

 
 

Ante o Além

 

A vida não termina

Onde a morte aparece.

Não te transformes saudade

Em fel nos que se foram.

 

Eles seguem contigo,

Conquanto de outra forma.

Dá-lhes amor e paz.

Por muito que padeças.

 

Eles também te esperam

Procurando amparar-te.

Todos estamos juntos,

Na presença de Deus.

 

EMMANUEL

 

do livro “O ESSENCIAL”

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017


O Poder do Pensamento e da Palavra
 
Antes de pronunciar, devemos “medir” a palavra. O bom ou mau emprego que os homens fazem das palavras e pensamentos é a causa da maioria das misérias ou das felicidades por que passam.
 
Na verdade, o mundo em que vivemos foi criado por nossos pensamentos e palavras, pois somos hoje fruto do que pensamos ontem e seremos amanhã fruto do que pensamos agora.
 
Todos nós, por certo, já tivemos oportunidade de ver, ao lançarmos uma pedra no meio de uma poça d’água, que se formam ondas concêntricas que vão até as margens. Não percebemos, entretanto, que essas ondas retornam ao ponto em que caiu a pedra. É o que ocorre com os pensamentos e palavras que emitimos e pronunciamos. Eles põem em movimento certas vibrações que se propagam em círculos crescentes até alcançarem o universo, voltando em seguida ao seu emissor.
 
Basta meditarmos um pouco a esse respeito para verificarmos que, de fato, os pensamentos são como mensagens que enviamos e retornam a nós, mais cedo ou mais tarde.
 
Dos sinais escritos ou sonoros que utilizarmos para comunicarmos com nossos semelhantes, a PALAVRA, é a unidade mais simples. A comunicação pela palavra vocal, é uma das experiências mais admiráveis de nossa condição de seres espirituais e biológicos. Com uma simples vibração sonora, captada pelo ouvido do interlocutor, podemos transmitir as idéias abstratas e os sentimentos mais sutis. Deduz-se pois, ser um aviltamento da dignidade humana, valer-se da PALAVRA que é um puro sinal, para veicular a MENTIRA. Em várias oportunidades empenhamos nossas palavras através de juramento, os quais, não devemos olvidá-los jamais. Se temos discernimento suficiente para distinguir o BEM do MAL, o CERTO do ERRADO, a VERDADE da MENTIRA, a JUSTIÇA da INJUSTIÇA, por quê, juramos? O ideal, seria que não se falseasse a “VERDADE”, porém, da forma quem sabe irrefletida, ela é camuflada para vitória da “MENTIRA”, embora esta seja notada e repudiada. Nossas palavras, devem ser tão honestas que correspondam à sua função de possibilitar a comunicação entre os homens e especialmente entre os IRMÃOS, à base da VERDADE, da LIBERDADE, da SINCERIDADE, da JUSTIÇA para que efetivamente, sejamos todos iguais nos nossos DEVERES, DIREITOS, na LIBERDADE DE PENSAR, seguir, agir e sobretudo na MORAL. A MORAL dignifica e eleva o homem, possibilitando o seu ingresso na Sublime Instituição. Na PALAVRA não deve haver sofisma que é o argumento falso, intencionalmente feito para induzir outrem ao erro. E quantos já não foram persuadidos ao erro?
 
Todos estamos sujeitos a cometer erros. Ninguém alcançou a alta posição em que se ache tão livre do erro, e quando alguém chega a esse estado, não condena; compadece-se das condições limitadas de seu irmão e procura fazer-lhe mais fácil a vida pela alegria e a bondade. Lembremo-nos do poder do pensamento e empreguemo-lo para ajudar e não para dificultar. Devemos despir-nos das ilusões de erudição e intelectualidade e com a grandeza que pressentimos pelo coração, sem desprezar os Irmãos menos ilustrados e que entendemos pela razão, veremos que nosso caminho na vida se tornará mais fácil e nosso ambiente mais harmonioso e belo.
 
A PALAVRA, pode mudar o sentido da intenção; daí, a razão para que nos exercitamos em dizer somente a VERDADE e nada mais que a pura VERDADE. A PALAVRA certa deve ser o reflexo exato de nossa idéia. A PALAVRA exata deve ser o instrumento perfeito para corrigir, ensinar, esclarecer, orientar e sobretudo, decidir com segurança e firmeza. A PALAVRA deve ser o cinzel de esculpir amigos e IRMÃOS; deve ser o instrumento da PAZ universal e a base fundamental para o justo e perfeito funcionamento das Oficinas Maçônicas, que aqui estão para nos fazer aprender e progredir e para tanto nos solicita ações e palavras compatíveis.
 
Falemos pois com reflexão, usando apenas palavras incentivadoras do bem, do amor e da verdade, dando o exemplo daquilo que queremos para todos nós, qual seja a tarefa de lapidar os nossos próprios defeitos; - já disse alguém que, ao apontarmos nosso indicador para condenar uma pessoa, estamos apontando, ao mesmo tempo, o mínimo, o anular e o médio para nós mesmos. Isto significa que o mal que vemos nos outros está em nós, embora algumas vezes em estado latente, assemelhando-se à gota d’água que, se olhada ao microscópio, apresenta inúmeras impurezas, apesar de a vermos normalmente cristalina e pura.
 
Certas expressões, determinadas palavras, especialmente as chulas e pejorativas, devem ser evitadas. Se já o deve ser em nosso cotidiano, até por uma questão de decência e educação, que dizer então quando no uso da PALAVRA, dirigindo-nos aos Aprendizes e Companheiros que esperam o melhor de seus Mestres? Sim, pois, considerando que o objetivo da Maçonaria é o aprimoramento intelecto-moral do ser humano, toda expressão, frase, palavra que usemos, que seja para construir, elevar, moralizar.
 
Convenhamos que certas palavras e expressões do cotidiano da vida humana denigrem a boa formação moral que desejamos conquistar e transmitir às pessoas que porventura nos ouçam.
 
Lembremo-nos de que: “Da conduta dos Maçons depende o destino da Sublime Instituição”.
 
Claro que isto não é exclusivo com o uso da PALAVRA, mas estende-se a toda e qualquer atividade, qualquer que seja ela em sua execução nas Lojas Maçônicas, devem estar coerentes com a própria índole doutrinária da Maçonaria: seriedade, bondade, afeto, respeito, solidariedade, discrição, caridade, tolerância, enfim...
 
Aqui falamos entre Irmãos. É aqui que desbastamos e lapidamos os nossos erros e exaltamos os nossos acertos. Se temos uma idéia para apresentar em Loja, devemos fazê-lo não importa se falamos o idioma corretamente, com incorreções ou sotaques, com eloqüência, adornos empolados ou pomposos. Nada adianta a forma primorosa do discurso, se vazio de conteúdo. É claro que uns falam com facilidade, as palavras fluem maravilhosamente em seus lábios e outros tropeçam a cada palavra pronunciada, mas o importante é que a imaginação, a idéia, seja externada aos demais. Não é por não sabermos falar em público que vamos deixar de apresentar a nossa opinião, a nossa sugestão, a nossa crítica construtiva, sobre determinado assunto. A Loja é a nossa casa e nos reunimos ao lado dos nossos Irmãos, por que ficarmos mudos?
 
Mesmo quando argumentam algo sobre o que discordamos, sempre podemos elogiar a justeza e os conceitos apesar do nosso desacordo. Isso ameniza a argumentação e contribui para o respeito mútuo entre os Irmãos. Não haverá susceptibilidade ferida. Chega até a causar no discordado a agradável impressão de que “cresceu”. O amor próprio permanece intacto e chega-se ao objetivo deixando como lastro um bom clima de entendimento na Loja, irmanando-nos cada vez mais. Quem meditar sobre isto, acabará por concluir que usamos impropriamente o verbo perder, pois na realidade ganhamos. Ganhou o Irmão do qual discordamos e ganhamos todos nós.
 
Mas vejam bem meus Irmãos, até em simples votação em Ordem do Dia, acontecem desentendimentos e até a propalada quebra de harmonia, quando um Irmão se aborrece por uma proposta sua ter sido rejeitada. Será que somos o supra-sumo, o auge, o requinte da verdade, para que todas as nossas propostas sejam as melhores e aprovadas? Temos que ser humildes e submeter-nos à sabedoria da Assembléia, que é formada por homens livres e de bons costumes.
 
Se desejarmos um mundo melhor, procuremos em primeiro lugar, melhorar-nos controlando nossa mente e nossa língua, a fim de não ferirmos ninguém por pensamentos ou palavras.
 
Como Obreiros do Grande Arquiteto do Universo, prestemos, pois, muita atenção no que PENSAMOS, no que FALAMOS e no que FAZEMOS e como fazemos, procurando sempre construir um mundo de harmonia, felicidade e paz, mediante a argamassa de pensamentos de compreensão e tijolos de palavras de amor e bondade.
 
Valdemar Sansão
 
E-mail: vsansao@uol.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
 
Fone: (011) 3857-3402
 
Devemos ser em nossos Templos, fábricas incessantes de fraternidade, carinho, ajuda, compreensão, de Verdade, de tolerância, de harmonia, para podermos distribuir os mesmos, além do portal de nossos Templos. Não poderemos repartir essas virtudes se não as praticarmos e as produzirmos em grande quantidade.

domingo, 19 de fevereiro de 2017


 
BREVIÁRIO MAÇÔNICO - SACO DE BENEFICÊNCIA
 
Em tempos passados, as bolsas ou recipientes destinados a recolher a coleta eram confeccionados em aniagem, ou seja, em fibras de juta, para demonstrar que se destinavam a coletar óbulos para os humildes e necessitados. Posteriormente, passou a denominar-se de bolsa beneficente ou tronco de solidariedade, confeccionados com panos nobres, como veludo, cetim etc. O “giro” da bolsa beneficente obedece a um ato litúrgico dos mais importantes, porque quando o maçom deposita o seu óbulo, estará depositando a si mesmo, ou seja, os seus benefícios fluidos das pontas de seus dedos. “Imantando” o óbulo. O Hospitaleiro, que é o oficial que procede o giro e a coleta, sigilosamente, distribuirá o fruto a quem dele necessitar, excluídos os próprios maçons. Se um maçom vier a tornar-se um necessitado, o auxilio que receberá será da Loja, com todo o afeto e eficiência; não receberá esmola, mas auxílio obrigatório. Tu, maçom, ao depositares teu óbulo, seja altruísta e distribuas parte do que o bom Deus te propiciou.
 
. Ir.'. RIZZARDO DA CAMINO

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017


Amigos e Inimigos

 

 

O amigo é uma bênção.

O inimigo, entretanto, é também um auxílio, se nos dispomos a aproveitá-lo.

O companheiro enxerga os nossos acertos, estimulando-nos na construção do melhor de que sejamos capazes.

O adversário identifica os nossos erros, impelindo-nos a suprimir a parte menos desejável de nossa vida.

O amigo se rejubila conosco, diante de pequeninos trechos de tarefa executada.

O inimigo nos aponta a extensão da obra que nos compete realizar.

O companheiro nos dá força.

O adversário nos mede a resistência.

Quem nos estima, frequentemente categoriza nossos sonhos por serviços feitos, tão só para induzir-nos a trabalhar.

Quem nos hostiliza, porém, não nos nega valor, porquanto não nos ignora e sim nos combate, reconhecendo-nos a presença em ação.

Na fase deficitária da evolução que ainda nos caracteriza, precisamos do amigo que nos encoraja e do inimigo que nos observa.

Sem o companheiro, estaremos sem apoio e, sem o adversário, ser-nos-á indispensável enorme elevação para não tombar em desequilíbrio. Isso porque o amigo traz a cooperação e o inimigo forma o teste.

Qualquer servidor de consciência tranquila se regozija com o amparo do companheiro, mas deve igualmente honrar-se com a crítica do adversário que o ajuda na solução dos problemas do reajuste.

Jesus foi peremptório em nos recomendando:

"Amai os vossos inimigos". Saibamos agradecer a quem nos corrige as falhas, guardando-nos o passo em caminho melhor.

 

Emmanuel