segunda-feira, 29 de maio de 2017


Armas da Reconstrução de Templos

 

Charles Evaldo Boller

 

Sinopse: O trabalhador guerreiro; com a trolha em uma das mãos e a espada na outra.

 

Em qualquer empreendimento, material ou espiritual, aonde o maçom se lance, há necessidade de trabalho constante. Daí o afloramento da boa vontade ser eficiente arma de defesa contra a oposição difamadora dos inimigos. No mínimo exige o aporte de coragem para enfrentar as vicissitudes da vida, entretanto, sem a existência de forte espiritualidade é praticamente impossível conciliar conflitos, sejam estes materiais ou espirituais. É a característica e desenvolvimento espiritual que dá ao homem a possibilidade de sobrevivência neste sistema competitivo. Característica que só desenvolve plenamente se movida pelo heroísmo de vencer a si mesmo, pelas aspirações e ideias que o diferenciam dos outros animais e de outros iguais. Sua característica guerreira não é fortuita, aconteceu em resultado de sucessivas fases de seleção natural, da prevalência do mais apto. É só olhar ao passado, na história da trajetória do homem até o presente e verificar que a jornada foi penosa, inclemente. Protegiam-se em locais lúgubres como florestas e cavernas, ou então, em encostas e escarpas para escapar aos predadores ou da fúria dos fenômenos naturais. A luta foi longa e muitos agonizaram para lançar o homem no atual estágio de desenvolvimento.

 

É notório que, apenas os agrupamentos de homens que detinham as mais desenvolvidas características espirituais progrediram e sobreviveram; os demais sumiram nas brumas do tempo sem deixar vestígio de suas passagens. Só as civilizações altamente desenvolvidas em espiritualidade deixaram marcas indeléveis de suas passagens e podem ser vistas hoje ainda. Estas características passaram entre as gerações e, de tão significativas, gravaram-se na estrutura social, passando por herança aos herdeiros, representando a diferença entre a vida e a morte, felicidade e sofrimento. Apenas as sociedades que obtiveram maior sucesso em sustentar características espirituais suplantaram as demais e dominaram por um tempo, normalmente enquanto primavam por altos valores morais e espirituais em suas sociedades. Só através da evolução espiritual é que foi possível obter recompensas de evolução e supremacia e nunca sem o empunhar da espada para defender-se dos inimigos. Os inimigos visíveis são mortos pela espada nos campos de batalha que se cobrem com sangue e, como consequência da derrotas, os seus castelos, templos e cidades são derrubados e incendiados; em muitos casos não sobra pedra sobre pedra. Os inimigos invisíveis, aqueles que conspiram para derrubar o templo interno de cada um, são eliminados por uma espada simbólica com capacidades de lógica, psicologia e gnosiologia.

 

A espada de defesa na construção e reconstrução de templos internos serve-se da lógica. É ela quem percebe quando o inimigo tenta, por insídia ou ignorância, destruir a construção. Embora a lógica pareça artificial, ela se impõe por si mesma. É a aplicação da razão ao pensamento enquanto pensado. É ferramenta do pensamento enquanto estiver no campo das ideias. Não atua no Universo físico, apenas no pensamento. O grande inimigo da construção é construído no pensamento, e é lá que deve aportar a sagacidade da lógica da espada para matar raciocínios tortos e que conduzem ao erro. É importante entender claramente o que o orador verbaliza e absorver corretamente as estruturas das palavras e frases e sua organização interna. Cabe ao maçom saber falar bem e interpretar corretamente o que fala, usando com galhardia a linguagem para expressar seu próprio pensamento e entender o que os outros realmente verbalizam. Não só ouvir, mas dar sentido lógico e aplicabilidade prática ou sensível. Deve ir além das palavras e descobrir falhas de raciocínio. Andar armado com a espada é necessidade em qualquer ambiente onde se reúnem homens. Todos têm interesses: uns bons, outros não! Que valor tem elogios ditos de forma a apenas fazer coceiras nos ouvidos dos ouvintes? Não é ofensa discordar! Desonesto é elogiar quando existe erro em algum raciocínio. Desgraçada é a construção cujo alicerce é minado pela adulação e falsidade. É cada um em si quem permite que os outros o atinjam com suas armadilhas, com seus pensamentos errados, e isto dura até o momento em que se aplica a fria espada da lógica para derrubar pensamentos tortos. E onde está a lógica na composição da espada? Ela está no fio. Quanto mais aguçada a lógica, com mais facilidade ela corta os raciocínios errados e o derruba inimigo da construção.

 

A espada que é usada na construção tem mais uma propriedade: a psicologia, capacidade inata ou aprendida para lidar com outras pessoas e consigo mesmo, levando em conta suas características psicológicas. Convém armar-se da espada que percebe a origem do pensamento expresso e qualificá-lo quanto ao tipo a que pertence. Qual linha ideológica defende. A lógica é dependente da psicologia, daí sua importância. A psicologia permite conhecer o processo de pensamento do homem, senão como saber onde atingir os pontos vitais do inimigo? Conhecer bem o homem e os pontos fracos e fortes do seu pensamento é importantíssimo na luta para defender o pátio de obras de construção ou reconstrução de templos. É aprender a reconhecer onde se é mais vulnerável, onde as muralhas são mais frágeis e que eventualmente permitirão um ataque surpresa de vícios e paixões. A psicologia é a essência do "conhece-te a ti mesmo". Sem conhecer a maneira como o homem pensa e sente é apenas luta inglória e o templo pode vir abaixo a qualquer sopro de contrariedades. Se a lógica é o fio da espada, a psicologia é a sua estrutura, o seu desenho é o que lhe dá forma.

 

Podemos associar fé à psicologia, que endurece o metal de que é feita. Fé é a crença no não visto. Acreditar na existência daquilo que o maçom representa apenas por um conceito, ao qual denomina Grande Arquiteto do Universo, é um ato de fé. É aceitar, mesmo sem ver, a manifestação de uma mente lógica que apenas cria as leis que dão vida. Este ato de fé é resultado da atuação de lógica e psicologia.

 

A esperança dá sentido e razão do porque lutar para defender o templo interno, aponta a direção para a espada atingir os pontos vitais do inimigo. É a certeza que o Criador não o colocou nesta bela nave espacial sem um propósito definido. Para alguns é indiferente viver em virtude da existência do mal, mas a maldade é criação do livre arbítrio da criatura e não do Criador. A intenção do Arquiteto é simples: felicidade.

 

Uma espada bem afiada, dura, bem desenhada, manejada com habilidade carece de mais uma característica: a gnosiologia; teoria geral do conhecimento humano, voltada para a reflexão em torno da origem, natureza e limites do ato de pensar; defende o pensamento quanto ao seu valor; estuda as relações entre as diversas verdades de um pensamento, entre o conhecimento e o objeto conhecido. Em grosso modo é a psicologia e a lógica atuando juntas para construir pensamentos corretos, sem falha, onde a gnosiologia apenas os organiza e classifica. É o conhecimento resultante da interpretação correta do pensamento enquanto estiver na cabeça. É a organização de conhecimentos visíveis como visão, gosto, tato, e invisíveis, ou como fantasia, metafísica e outras. Gnosiologia é necessária ao maçom para que esteja estruturado com uma espada eficiente, treinada e organizada para defender a construção de seu templo interior. É a espada do conhecimento que espanta todo e qualquer inimigo que tenta destruir a bela construção moral que cada maçom deve ser na construção da sociedade humana. É o motivo de o maçom estudar em sua loja os mais diversos assuntos do pensamento, guardando-os para aplicação em sua vida. O resultado de todo conhecimento é ordenado e organizado pela gnosiologia. Ela é a espada toda. Está em todos os detalhes, de como este são belos, ordenados e prontos para o uso. Uma arma desprovida de treinamento, organização e método são o mesmo que possuir um revólver sem saber usá-lo, vem o meliante e leva tudo, inclusive a arma.

 

O maçom que prima pela reconstrução constante de seu interior, de seu templo vivo, usa a trolha numa das mãos e empunha a espada na outra, e em virtude desta condição de permanente alerta é bem sucedido na vida, progride material e emocionalmente - apesar das dificuldades, é feliz. Aprende a suportar a visão do ser e do que há de mais luminoso do ser, visão equilibrada que passa a interpretar como o bem. Só usa da espada para matar os inimigos que tentam bloquear o caminho para a luz, para intimidar e afastar os que tentam interferir na sua permanente reconstrução, razão da sabedoria, manifestação da felicidade. O sumo do bem é encontrar a felicidade. Está consciente que é pelo valor, perseverança e firmeza com que trata seus assuntos internos que dependem seu sucesso na sociedade e constantes momentos de felicidade. Com este repetido trabalho de reconstrução do templo interno obtém a vitória da liberdade como consequência da coragem e da perseverança. Está consciente que o caminho da luz é resultado da repetição que conduz ao hábito, pois quem tem por hábito repetir práticas virtuosas certamente encontra a felicidade. Trabalha para construir um ambiente de paz e harmonia onde possa crescer junto com seus irmãos e cidadãos do mundo, sempre alerta contra os ataques, os quais são repelidos com coragem e firmeza. O ambiente que ele constrói internamente reflete-se ao seu redor, contamina aos que lhe são próximos. Surge o ambiente fraterno onde as pessoas tratam-se como irmãos, onde se reúnem diversos templos vivos semelhantes que têm profundo amor entre si, e como consequência, lá naquele local sagrado se manifesta aquilo que o maçom define pelo conceito de Grande Arquiteto do Universo.

 

Bibliografia:

 

1. CAMINO, Rizzardo da, Rito Escocês Antigo e Aceito, Graus um ao Trinta e Três, ISBN 978-85-370-0222-3, primeira edição, Madras Editora Ltda., 302 páginas, São Paulo, 2009;

 

2. CLAUSEN, Henry C., Comentários Sobre Moral e Dogma, primeira edição, 248 páginas, Estados Unidos da América, 1974;

 

3. MIRANDA, Pedro Campos de, Os Caminhos da Maçonaria, ISBN 85-7252-216-6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 160 páginas, Londrina, 2006;

 

4. SANSÃO, Valdemar, O Despertar para a Vida Maçônica, ISBN 85-7252-206-9, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 192 páginas, Londrina, 2005;

 

5. SOBRINHO, Octacílio Schüler, Maçonaria, Introdução Aos Fundamentos Filosóficos, ISBN 85-85775-54-8, primeira edição, Obra Juridica, 158 páginas, Florianópolis, 2000;

 

6. SPOLADORE, Hercule, O Homem, o Maçom e a Ordem, ISBN 85-7252-204-2, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 194 páginas, Londrina, 2005.

 

Data do texto: 05/02/2010

 

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

 

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

 

Local: Curitiba

 

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

 

Área de Estudo: Espiritualidade, Filosofia, Maçonaria, Moral

domingo, 28 de maio de 2017



 


26/05/2017 as 15:46

Maçonaria exige renúncia de Temer e Diretas Já

Na carta-manifesto, os maçons afirmam o atual ocupante do Palácio do Planalto encontra-se desprovido de qualquer patrimônio moral



A Maçonaria Brasileira lançou manifesto nesta sexta-feira (26) pedindo a renúncia do ilegítimo Michel Temer e Diretas Já para todos os níveis.

O documento assinado pelos “Maçons Progressistas do Brasil-MPB” exige “a imediata renúncia do Sr Michel Temer e a convocação de eleições diretas e gerais para que o povo opine sobre os rumos que o país deve tomar”.

Na carta-manifesto, os maçons afirmam o atual ocupante do Palácio do Planalto encontra-se desprovido de qualquer patrimônio moral, atributo indispensável ao governante maior da nação brasileira.

Leia a íntegra do manifesto dos maçons:

Carta Aberta aos Brasileiros

Nós, Maçons Progressistas do Brasil – MPB, movimento organizado, suprapartidário, que zela pelos valores democráticos, pela pluralidade de ideias e pela justiça social, propugnados na constituição cidadã de 1988, vimos a público manifestar nosso profundo descontentamento com o estado atual de completo descrédito por que passa o governo brasileiro sob a presidência do Sr. Michel Temer.

Compreendemos que após assumir o comando do país via golpe parlamentar travestido de impeachment e levado a cabo pelo então presidente da câmara, Eduardo Cunha, o Sr Michel Temer tem trabalhado para destruir as garantias e direitos sociais duramente conquistados pelo povo brasileiro durante décadas de luta. Sabemos que o programa de governo que vem sendo implementado pelo presidente ilegítimo foi rechaçado nas urnas. Por isso entendemos que este governo não tem legitimidade sequer para propor as alterações que almeja nas legislações trabalhista e previdenciária, muito menos para implementar medidas que comprometem o futuro do país, transferindo a empresas estrangeiras riquezas naturais do nosso Brasil.

Além de carecer de legitimidade, o atual ocupante do Palácio do Planalto encontra-se desprovido de qualquer patrimônio moral, atributo indispensável ao governante maior da nação brasileira. Não bastava o áudio no qual o Ex-ministro do planejamento, Romero Jucá, foi flagrado detalhando o golpe e associando as figuras do então deputado Eduardo Cunha a Michel Temer na trama, agora o próprio Temer é flagrado em conversas nada republicanas com um diretor da empresa JBS. Conversas estas que versam sobre compra de juízes e promotores, além de pagamentos para garantir o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha.

Diante desses e de outros fatos, tornamos pública nossa posição de exigir a imediata renúncia do Sr Michel Temer e a convocação de eleições diretas e gerais para que o povo opine sobre os rumos que o país deve tomar.

Pra finalizar, colhemos excerto de texto sagrado, para asseverar que: a nossa luta é para que “ Corra, porém, o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro impetuoso”(Amós 5,24). E que assim seja!

Fraternalmente,
Maçons Progressistas do Brasil-MPB

Brasil 247/Blog do Esmael Morais

 

sábado, 27 de maio de 2017


Renúncia

 

 

Contempla a criança que nasce e recorda a condição de carência a que aportaste no mundo.

Não eras senão o minúsculo viajor, destituído de todos os recursos, a valer-se do sacrifício materno, para abordar a embarcação frágil do berço, iniciando a viagem no oceano da experiência terrestre.

Nem vestimenta, nem pão.

Nem dinheiro, nem títulos.

É preciso lembrar algumas vezes a nossa posição de usufrutuários da Terra, quando lhe envergamos o veículo físico, a fim de que não venhamos a viver entre os homens no falso regime da apropriação indébita.

É por isso que Jesus, a cada passo do Ministério Divino, ensinou a renúncia e exemplificou-a, desassombrado e humilde, da manjedoura de palha à cruz da morte.

Honra a teus pais e ajuda-os quanto possas.

Isso é simples dever.

Entretanto, não te ensombre o coração a tirania de exigir-lhes a adesão ao teu próprio caminho.

Ama a tua esposa ou ao teu esposo, aos teus filhos ou aos teus afeiçoados e amigos.

Isso é obrigação na luta diária, contudo, não lhes imponhas o teu modo de ser e de ver, porquanto, cada criatura respira no degrau de evolução e entendimento que lhe é próprio.

Estudando o Evangelho, não olvides a lição do Reino de Deus que, segundo o Senhor, não se encontra aqui ou acolá, mas sim em ti mesmo, portas a dentro do próprio espírito, nos mais íntimos refolhos da consciência e do coração.

E, renunciando ao capricho de padronizar as opiniões e preferências daqueles a quem amas pelo estalão de teus próprios pontos de vista, aprenderás que deixar alguém, isso ou aquilo, por amor do Cristo, é servir com mais devotamento a todos os que nos cercam, deixando de lado os nossos desejos e exigências, para, em suprema fidelidade a Deus, perseverarmos, valorosos e firmes, na obra do bem até o fim.

 

Emmanuel

 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Liberdade Pelo Pensamento
Charles Evaldo Boller

A maior dádiva que se obtém na Maçonaria é o desenvolvimento da capacidade de pensar para além dos limites que alguém impôs a si mesmo, por condicionamento, no cativeiro debaixo do sistema econômico mundial. Ser capaz de pensar por si é o maior estágio de liberdade alcançável de forma consciente. A capacidade de criar ideias novas, libertadoras, é desenvolvida em diálogos, debates e meditação. Na interação com o pensamento de outras pessoas absorvem-se novas ideias, e estas somadas com aquelas já existentes na memória, pela ação da meditação ou intuição transformam-se em pensamentos inéditos, totalmente diferentes dos pensamentos que lhe deram origem. Assim ocorre desde que o homem passou a usar do pensamento para interagir com o ambiente. Foi o que o diferenciou das outras unidades viventes deste imenso organismo vivo que é a biosfera terrestre.

É no pensamento que se materializa a liberdade absoluta, local que a nenhum déspota jamais foi dado saber o que o outro pensa. Todo desenvolvimento humano surgiu primeiro na mente. Pensamento é energia. Pensamento revela riquezas que estão disponíveis ao redor. É só aprender a colher. É a razão do maçom diligente e perseverante melhorar suas condições sociais e financeiras. Liberdade começa no pensamento; o resto é mera consequência. Confúcio disse: Estudo sem pensamento é trabalho perdido; pensamento sem estudo é perigoso.

Todo aquele que se submete ao pensamento de outros, por preguiça de pensar, é escravo; um homem domina o outro através da força do pensamento, da capacidade de realização do pensamento. Ninguém escraviza a quem se tornou livre pensador, pois é pela aufklärung, uma conceituação de Kant que significa iluminação, que ele se conscientiza que sem liberdade deixam de existir fraternidade e igualdade. Um ser iluminado goza de liberdade do pensamento e não carece da tutela de ninguém, é a liberdade absoluta, não carece mais ser guiado por outro, tem coragem de usar do próprio discernimento de seu intelecto para desbravar seus próprios caminhos.

Na era paleolítica o homem era uma espécie de gari da natureza, sobrevivendo graças ao que encontravam por acaso. Progrediu até que, pela caça em grupo, obteve sucesso em capturar animais de maior porte e a utilizar-se da colheita selecionada de frutas. No neolítico passou a desenvolver a agricultura, pastoreio de animais e usar o ferro. Durante cerca de duzentos anos passou a desenvolver-se cientificamente e a utilizar-se de máquinas automáticas. Nos últimos anos passou a usar intensamente do saber e da informação. Existe um abismo entre a primeira e a última fase do desenvolvimento da criatividade humana, tudo resultado da capacidade de pensar com lógica. A velocidade com que se sucederam as diversas etapas manifestou-se em progressão geométrica.

E como tudo na natureza é uma questão de domínio do mais apto, a maioria das pessoas sempre é dominada pelos melhor preparados; por aqueles que treinaram e são livres para pensar às suas próprias custas, estes foram e são os mais ricos e quiçá mais felizes. Também são os que mais espoliaram os menos aptos, os pobres e incapacitados de pensar às suas próprias expensas. Benevolência, magnanimidade, é dada a poucos; sempre houve a exploração do homem pelo próprio homem.

Pela sua incapacidade de pensar e controlar seus instintos, o pobre sempre foi incentivado em produzir a maior prole para alimentar o mercado de escravos de todos os sistemas econômicos, em todos os tempos.

A natalidade de nossa espécie ultrapassa hoje os duzentos e cinquenta por cento da mortalidade.

O sistema econômico mundial, este que mantém as engrenagens da sociedade em funcionamento, conduz de forma alucinante ao esgotamento de todos os mananciais de sustentação da vida. A sociedade está no limiar do estado crítico, talvez até já tenha ultrapassado o ponto sem volta, o limite de sustentação da vida humana na biosfera da Terra. Mahatma Gandhi disse que a terra produz o suficiente para satisfazer as necessidades de todos; não à cobiça de todos.

Grandes convulsões buscam o equilíbrio e são consequência direta da falta de amor fraterno entre as pessoas e para consigo mesmo.

Novas necessidades aflorarão durante as contorções da busca do equilíbrio e estima-se que então as carências estimularão a criatividade humana para novo salto evolutivo, para novo pulo de criatividade. Mas até lá, muitos inocentes serão trucidados pelo implacável, insensível e truculento sistema de exploração humana. E se a exploração do homem pelo próprio homem não der conta de equilibrar demanda com produção de alimentos, se os mananciais alimentícios estiverem exauridos ao ponto de não existir restauração, a própria natureza aniquilará quem sobrar.

A maçonaria chamou para si a responsabilidade de treinar soldados oriundos dos mais diversos graus intelectuais e culturais para a tarefa de pensar soluções para o mundo em convulsões em busca do equilíbrio tanto do sistema financeiro mundial como da ecologia, ambos mortais quando desequilibrados ou ameaçados.

Cabe ao maçom, entre outros, a tarefa de pensar uma saída menos violenta das convulsões que levarão novamente ao equilíbrio, para isto ele estuda junto com seus irmãos, em locais especialmente preparados que o tornam homem equilibrado, sábio e líder social, onde desenvolvem o amor fraterno para honra e à glória do Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:
 
1. ABBAGNANO, Nicola, Dicionário de Filosofia, Dizionario di Filosofia, tradução: Alfredo Bosi, Ivone Castilho Benedetti, ISBN 978-85-336-2356-9, quinta edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1210 páginas, São Paulo, 2007;
2. GEORGE, Susan, O Relatório Lugano, Sobre a Manutenção do Capitalismo no Século XXI, título original: The Lugano Report, tradução: Afonso Teixeira Filho, ISBN 85-85934-89-1, primeira edição, Boitempo Editorial, 224 páginas, São Paulo, 1999;
3. MASI, Domenico de, Criatividade e Grupos Criativos, título original: La Fantasia e la Concretezza, tradução: Gaetano Lettieri, ISBN 85-7542-092-5, primeira edição, Editora Sextante, 796 páginas, Rio de Janeiro, 2003;
4. MASI, Domenico de, O Futuro do Trabalho, Fadiga e Ócio na Sociedade Pós-industrial, título original: Il Futuro del Lavoro, tradução: Yadyr A. Figueiredo, ISBN 85-03-00682-0, nona edição, José Olympio Editora, 354 páginas, Rio de Janeiro, 1999;
5. ROUSSEAU, Jean-Jacques, A Origem da Desigualdade Entre os Homens, tradução: Ciro Mioranza, primeira edição, Editora Escala, 112 páginas, São Paulo, 2007.

quinta-feira, 25 de maio de 2017


Registros Da Vida
 
 
Banquete sem digestão,
Esmola com rispidez,
Ligação sem amizade,
Deus nos livre deles três.
Juvenal Galeno
 
Confiança e obrigação,
Mas não se leve esquecer:
Toda pessoa correta, Até quando queira ser.
Lucano Reis
 
Procuramos nossas faltas
Nos mercados do desejo;
Compramos por atacado
Com resgates a varejo.
Sylvio Fontoura
 
Homem que vive em paquera
Acaba doente e falho;
Há quem só goste de brotos
E todo broto dá galho.
Cornélio Pires
 
Dinheiro culpo, traz  
Remorso que nos corrói;  
Formiga toma e acha doce
O veneno que a destrói.
Sinfrônio Martins
 
Quem pede claras mensagens,
Tenha paz, fé e juízo,
Porque a luz do Mais Além
Só desce se for preciso.
Pedro Silva
De perdão e paciência,
Somos valentes esteios,
Quando vamos consolar
Os sofrimentos alheios.
Jaks Aboab
 
Injúrias e incompreensões
Que te buscam visitar?
Guarda silêncio e caminha...
O tempo é que vai falar.
Jovino Guedes
 
Dois apoios vigorosos
Que não nos deixam cair:
Nunca perder esperança,
Trabalhar sem discutir.
Gil Amora
 
Prodígios da inspiração!...
Os trovadores em lida
Cantam sempre sem vanglória
Toda a ciência da vida.
Auta de Souza
 
Afasta-te da critica destrutiva, procurando encorajar os companheiros nas lutas em que se empenham.

terça-feira, 23 de maio de 2017


Educação na Maçonaria


 

O cidadão que bate na porta de um templo da Maçonaria em busca da luz, a educação que leva à sabedoria, aguarda que a ordem maçônica possua um método de ensino que o transformará em homem melhor do que já é. Isto é evidente na redação da absoluta maioria das propostas de admissão. Tempos depois, muitos não encontram este tesouro, desiludem-se e adormecem. Para estes, a almejada luz foi apenas um lampejo. Longe de constituir falha do método maçônico de educação de construtores sociais a rotatividade é devida principalmente a nestes cidadãos a luz não penetrar, isto porque eles mesmos não o permitem. A anomalia é consequência do condicionamento a que foram submetidos ao confundirem educação com aquisição de conhecimentos na sociedade. É comum não perceberem a sutil diferença entre os dois propósitos. Professor de escola da sociedade ensina, transmite conhecimentos e não educa. São raros os professores das escolas que mostram caminhos e motivam o livre pensamento, e mesmo assim, isto ainda não constitui educação. Em educação existe apenas o ato de educar-se, de receber luz de fora e sedimentar em si novos conceitos, princípios e prática de virtudes. É impossível educar outra pessoa, a não ser que esta, na prática de seu livre arbítrio, consinta e se esforce em mudar a si próprio. No universo dos seres pensantes existe apenas a auto-educação. Qualquer um só pode educar a si próprio.

 

Ao mestre maçom é dada a atribuição de ensinar. Pelo modelo do mundo é de sua atribuição transmitir conhecimentos e pelo da Maçonaria é induzir o educando a decidir qual caminho deseja seguir em sua jornada. O método da ordem maçônica visa provocar cada um em descobrir seus próprios caminhos. Ler em conjunto as instruções do ritual não faz do mestre um educador maçônico, mas um professor que transmite conhecimento; ele não induz a luz, a educação da Maçonaria, a almejada sabedoria, para tal, ele carece de uma longa jornada de auto formação. O mestre que apenas dá instruções de forma mecânica não instrui, pois se comporta a semelhança do modelo do mundo, onde os governos propiciam instrução e igrejas conceitos de ação e moral. Auxiliar alguém em mudar o rumo de sua jornada na presença do livre arbítrio é educação. Romper a "couraça de aço" que envolve o intelecto do educando exige uma expressão da arte mística.

 

É ilusão pensar que pelo fato do educando ver-se mergulhado numa sociedade de homens bons, livres e de bons costumes, já seja o suficiente para fazer dele um homem bom. Se ele não o desejar e não agir conforme, de nada adiantam os melhores mestres que nunca obterá a sabedoria maçônica. Esta só penetra num homem se este o permitir. Por mais que o mestre se esforce, ou possua proficiência num determinado tema, se o caminho para dentro do educando não estiver aberto, isto não sedimentará e não se transformará em educação. Se o recipiendário não abrir-se ao que lhe é transmitido, de nada vale o mais habilidoso educador. O mestre educador exerce apenas um impacto indireto, por uma espécie de indução; um potencial que todos têm latentes em si de influenciar terceiros por um conjunto de atividades intelectuais, afetivas e espirituais. Para romper os bloqueios do educando o mestre deve encontrar-se primeiro, mudar-se, e só então obterá a capacidade de induzir luz maçônica ao outro; de fazer o outro mudar, momento em que, mente e coração do educando se abrem e ele mesmo passa a efetuar mudança em si, exercendo seu potencial de auto educação. O aprendizado torna-se ainda mais eficiente quando as provocações provêm da ação do grupo sobre o individuo - é o efeito tribal fixado profundamente na mente de cada indivíduo desde os vetustos homens das cavernas - quando a maioria das barreiras e bloqueios abre espaço para a auto-educação com o objetivo de obter aprovação do grupo.

 

Para despertar dentro do educando as potencialidades de seus dons, exige-se do mestre obter conhecimento lato da natureza humana. Para aprofundar-se no conhecimento das características humanas exige-se dele que conheça antes a si mesmo, da forma a mais ampla possível - é a essência do "conhece-te a ti mesmo", de Sócrates. Este autoconhecimento só aflora quando ele atinge a fase de auto realização em sua vida, o último estágio que um ser humano atinge depois de atender a todas as demais necessidades, e que Abraham Maslow definiu para o indivíduo que procura tornar-se aquilo "que os humanos podem ser, eles devem ser: eles devem ser verdades à própria natureza delas". É neste último patamar que se considera a pessoa coerente com aquilo que ela é na realidade, de ser tudo o que é capaz de ser, de desenvolver seus potenciais. Só então é possível ao mestre conhecer a natureza humana alheia, onde a educação passa a obter característica de arte ao invés de ciência.

 

Note-se que educação maçônica, a luz, a sabedoria, não têm nada a ver com decorar rituais, conhecer ritualística, ser uma enciclopédia ambulante; é uma arte que adquire contornos mágicos quando os resultados aparecem e produzem bons frutos ao induzir os outros a mudarem para melhor como edificadores sociais. Enquanto a ciência pode ter tratamento intelectual com a transmissão de instruções, a arte de educar da Maçonaria vai muito além e alcança intuição cósmica. Enquanto o talento analisa e é consciente, o gênio intui e vai muito além da consciência, alcança o místico.

 

Abordagens técnicas não furam a couraça do livre arbítrio do educando, mas a alma da educação pode ser alcançada pela metafísica da arte de ensinar os caminhos para a luz. É uma mistura equilibrada de conhecimento, emoção e espiritualidade. A educação apresentará até contornos lúdicos na sua indução. Para isto exigem-se do educador maçônico a plenitude do autoconhecimento e da auto-realização. Tal personagem porta a capacidade de induzir na mente do educando uma caminhada que o motiva em efetuar mudanças em sua vida; não porque o mestre assim o determina, mas porque o educando assim o deseja. Quando o mestre adquire esta arte de atingir e motivar o educando pela auto educação, terá quebrado a barreira da indiferença do livre arbítrio e o educando se modifica porque ele assim o deseja. Com isto o mestre alcança a plenitude de sua atribuição.

 

É a razão do educador maçônico nunca ser definitivo em suas colocações e sempre apresentar as verdades sob diversos ângulos, para que o educando possa escolher ele próprio qual é o melhor caminho a seguir. É a razão de propiciar aos educandos a possibilidade de debater num grupo, em família, os temas com que a Maçonaria os provoca e eles mesmos definirem, cada uma a sua maneira, as suas próprias verdades. É a razão de o mestre brincar com os pensamentos, propiciando emoção agradável, conduzindo as provocações apenas na direção certa do tema e onde cada um define suas próprias veredas. Em todos os casos onde o educando sente-se livre para pensar e intuir ele derruba as inexpugnáveis barreiras do livre arbítrio que o impedem, em outras circunstâncias mais rígidas e ritualísticas, de obter as suas próprias verdades pelos eternos ciclos de tese, antítese e síntese. Da mágica que se segue da absorção da luz pela auto educação do educando é que surge a razão do maçom nunca iniciar um trabalho sem invocar a fonte espiritual da arte de educar à glória do Grande Arquiteto do Universo, a única fonte de luz da Maçonaria.

 

Charles Evaldo Boller

 

Bibliografia:

 

1. ROHDEN, Humberto, Educação do Homem Integral, primeira edição, Martin Claret, 140 páginas, São Paulo, 2007.

segunda-feira, 22 de maio de 2017


Virtudes e Sabedoria

 

 

Quando as atividades humanas são pautadas pela rígida disciplina e racionalidade, afloram virtudes que estabelecem maneiras de portar-se ao longo da vida calcado em regras pessoais intransferíveis no discernimento do que é bom e mau. A sabedoria está conectada rigidamente com a capacidade de analisar racionalmente, com a força do próprio pensamento, sem a interferência de emoção, resultando em ações que conduzem a vida da maneira mais amena possível.

 

Não deve ser confundido com a absorção de conhecimentos, técnicas ou ciências, muito menos do que diz respeito ao divino e elevado. A sabedoria, apesar de sua importância, está rebaixada aos assuntos meramente humanos, de como este lida em seu dia-a-dia na tomada de decisões que visam exclusivamente o bom viver. A sabedoria que o homem tem a capacidade de colocar em ação em sua vida, diz respeito ao conjunto de virtudes tornados hábitos práticos e racionais que se referem ao que ele realiza de bom.

 

Considerando a capacidade do homem de mudar a cada instante em resultado de sua cognição e principalmente por estar imerso numa sociedade, esta sabedoria muda também. Tudo depende de como se age. Apesar de na definição de sabedoria filosófica se determinar que as virtudes sejam imutáveis, a sua aplicação prática muda de um individuo para outro e de instante a instante.

 

O homem que não pratica virtudes não é sábio e deste os vícios se apoderam e escravizam de formas diversificadas.

 

É da sabedoria que nascem todas as virtudes, e esta constatação leva a decretar que a mesma é mais importante que a filosofia, pois enquanto esta última debate o conhecimento numa base especulativa, a sabedoria é resultado da ação e posicionamento pessoal para o bem, influindo diretamente no estabelecimento de muitos momentos de felicidade do homem na vida diária. Depois da filosofia vagar pelos meandros de pensamentos impossíveis de provar, abstrações de intuito absoluto e eterno, a sabedoria faz o homem voltar para a sua realidade, ao seu mundo real, ao qual sempre presta contas pelo que ele é, o que faz e aonde vai.

 

Alguns estudiosos consideram a sabedoria como aplicação denodada da prudência, ou a capacidade de frear-se, de pensar antes de agir. A sabedoria é a maneira correta buscar conselho da razão antes de qualquer atitude. É o condicionamento mental de perscrutar todas as virtudes e maneiras corretas de aplicá-las. Ao se marcar um alvo e a vontade concordar com a ação, então, na aplicação de considerações virtuosas, o resultado sempre será satisfatório. É a maneira de conduzir a vida de forma saudável, feliz e agradável.

 

Em todas as atividades humanas há espaço para aplicação da sabedoria, sem o que, os vícios tomam conta. Assim, a sabedoria pode ser observada como uma aplicação do saber prático e inteligente. É a capacidade de identificar a maneira mais prática, eficiente e precisa de se obter resultados que conduzem ao bem.

 

As virtudes são tendências de fazer sempre o melhor em qualquer atividade. É lógico pensar que existem sempre duas maneiras de efetuar um trabalho: bem ou mal feito - tanto para fazer mal feito, como para fazer bem feito, leva-se quase o mesmo tempo e se gastam quase os mesmos recursos - então que se faça bem feito!

 

O uso nobre de virtudes está ligado à capacidade de desenvolver capacidades morais e éticas. Onde a aplicação continuada e intensa acaba por conduzir a sabedoria, pois esta última é a aplicação de virtudes o tempo todo, com persistência.

 

Um ato moral não é virtude, mas as virtudes desenvolvem atos que preconizam pela moralidade, que levam a conduzir a vida dentro de preceitos morais. A sabedoria surge então como uma virtude das quais todas as outras descendem, daí a afirmação de ser esta a mãe de todas as virtudes. A sabedoria como virtude leva o homem a discernir de quais vícios deve fugir e quais perseguir para tornar sua vida neste Universo a mais prazerosa possível, sem se escravizar a nenhuma ideologia, hábito ou droga. É a capacidade de avaliar a medida certa de se submeter às paixões, para que não advenha nenhum prejuízo. É a disposição inteligente do homem de produzir felicidade.

 

O homem que aplica virtudes com sabedoria, age, vive e conserva em si excelentes decisões com orientação da razão prática e útil, equilibrada com emoção e espiritualidade. De nada adiantam ao homem ser apenas racional sem que sua ação contenha valores emocionais, os quais o alimentam e movem à ação, pois o que não é feito por afeição, por amor, não é nem bem nem mal. Algo só pode ser caracterizado como bem quando existe uma emoção ou afeição que a coloque em movimento. O homem por ser um ser social por excelência tem a sua ação no Universo impulsionada pela emoção. Ao alimentar sua emoção o homem se torna bom para si mesmo, desenvolve auto estima, ama a si mesmo, e só então tem capacidade de amar ao próximo, de fazer o bem ao próximo - a suprema sabedoria que conduz ao amor fraterno, a única solução de todos os problemas da humanidade; a reta final a que deve chegar o maçom por utilizar-se da filosofia desta escola do conhecimento denominada Maçonaria.

Charles Evaldo Boller