quarta-feira, 7 de dezembro de 2016


Conselhos Fraternais de Emmanuel

 

Meu amigo, muita paz! Enquanto não se converte o homem no herdeiro divino, em plena posse das riquezas eternas e dons imperecíveis do espírito, instituindo o Reino do Senhor na Terra, o clima do cristão constituir-se-á de lutas acerbas.

Indispensável prosseguir, nas leiras da fé viva, arando e semeando para o futuro sem prender a atenção no passado.

Transforma as pedras em flores, os obstáculos em estímulos.

Todo o trabalho humano – serviço nosso na obra do Cristo – não pode apresentar características de perfeição absoluta.

O Mestre, porém, aceita-nos a boa vontade no esforço da cooperação sincera e estende-nos mão forte, sempre que a perseverança na luz e no bem vibre em nossas atitudes.

Continuemos, desse modo, atentos aos nossos deveres.

A sombra é um desafio à nossa capacidade de brilhar ao Sol do Divino Amor que tudo converte em bênçãos de realização sublime com a Boa Nova.

A incompreensão representa forte apelo ao nosso entendimento, a fim de que testemunhando, em silencio, a nossa fé, possamos aplicar todas as nossas oportunidades no abençoado serviço da redenção.

O desprezo é uma convocação à revelação das nossas possibilidades de amar como Jesus nos amou.

O caminho é longo e a missão é complexa.

Exigem desassombro e serenidade, confiança e otimismo, compreensão e fraternidade.

Não te esqueças de semelhantes armas em teu ministério.

Dissemina a boa semente, edifica no Espírito Eterno, ergue o teu santuário interior para o Mestre e atende às obrigações edificantes que te foram confiadas.

É sempre fácil sorrir perante o céu azul e ensinar nos dias dourados, plenos de tranquilidade e de sol.

É por isso que raros aprendizes sabem servir sob a noite tormentosa e ao logo das horas repletas de dores e dificuldades de toda sorte.

A escola, entretanto, não é outra.

Peçamos ao Divino Amigo nos conceda força para negarmos a nós mesmos, olvidando quanto possa constituir remanescentes de nosso passado delituoso e energia para nos glorificarmos em nossa cruz de cada dia, talhada nos testemunhos de trabalho, a que fomos convocados na hora presente.

Somente assim, meu irmão, poderemos seguir a Luz dos Nossos Destinos, transformando-nos em viva mensagem de seu Infinito Amor a beneficio da Terra de paz e fraternidade com o Reino dos Céus, nos bem aventurados dias que virão.

 

Emmanuel, do livro “Luz no Caminho.”

 

(Página recebida em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, dirigida a um amigo solicitante de orientação espiritual)

terça-feira, 6 de dezembro de 2016



 
ESTUDOS MAÇÔNICOS - A MAÇONARIA E A VIRTUDE DA CARIDADE


“Agora, porém, permanecem essas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; de todas, porém, a maior é a caridade.”   Coríntios, ;13;1.

                                                                                     


Entre as virtudes do homem verdadeiro, São três que alcançam a maior qualidade;

Não podem ser compradas com dinheiro, E nunca arrefecem quando chega a idade.


Formando os alicerces da nossa estrutura,
Como vigas mestras de um espírito forte.

É remédio seguro que nos garante a cura,
E também a bússola que nos dá um norte.

A fé é como o pão que nos dá o sustento,
A água que estanca nossa sede espiritual;
E a esperança é o ar que nos dá o alento.

O que apóstolo disse é a grande verdade:
–Ter fé e esperança é coisa fundamental;
E de todas as virtudes, maior é a caridade. 
                                             
                                                       


A frase que dá abertura a este texto é do apóstolo Paulo, o verdadeiro responsável pela disseminação do cristianismo pelo mundo todo. Não fosse apóstolo, provavelmente a doutrina pregada por Jesus talvez não passasse de mais um registro na história das doutrinas religiosas, marcada com a alcunha de heresia judaica, como muitas que surgiram entre os dois primeiros séculos antes da vinda de Jesus e nos dois séculos que se seguiram após a sua morte.

Paulo era um rabino judeu, versado nas escrituras e supostamente um profundo conhecedor da cultura religiosa judaica. Demonstra-o nos seus escritos. Deve ter tido conhecimento também da parte esotérica que o judaísmo encerra. O Cristo de Paulo se identifica mais com o Cristo dos gnósticos do que com o dos evangelhos sinóticos. Aliás, foi Paulo que transformou o Messias judeu no Cristo universal. Para os doze discípulos, e provavelmente para as pessoas que o ouviram, a missão de Jesus era restrita ao povo de Israel. Não tinha nada a ver com romanos, gregos, capadócios, egípcios, sírios e outros povos que compunham o cosmopolita império romano. Não é demais lembrar que foi o evangelista Lucas, aliás, discípulo de Paulo, que transformou os iletrados camponeses, pescadores e operários, que compunham o séquito de discípulos de Jesus em missionários internacionais, no episódio do Pentecostes. Nesse dia, por obra do Espírito Santo, um grupo de indivíduos que mal falava o seu gutural aramaico passou a falar, por verdadeiro milagre, todas as línguas do império romano. Verdade histórica ou metáfora literária (como querem os céticos), essa foi a passagem do cristianismo de mera seita herética judaica para religião de cunho internacional.

Jesus, provavelmente, também era um rabino. Não porque Maria e outras mulheres o chamassem de rabi, mas pelo conhecimento profundo que ele mostrava ter das escrituras judaicas. Era um conhecimento que ia muito além da vulgata liberada nas sinagogas, que os judeus eram (e são, ainda hoje, em alguma medida) obrigados a conhecer. Talvez por isso Paulo, também um rabino de conhecimento iniciático, o tenha entendido melhor que os seus discípulos originais. Então ele formatou o cristianismo que se espalhou pelo mundo e fez de Jesus, não apenas o Messias judeu, emblemático herói que alguns judeus esperam até hoje, mas o Cristo universal, misterioso arquétipo do Salvador do mundo, que todos os povos antigos, de uma forma ou de outra, cultuavam.
Paulo formatou a ética do cristianismo e deu a ele um profundo conteúdo de misticismo e espiritualidade. Dado o caráter francamente iniciático dos seus conceitos sobre a divindade de Jesus, não podemos deixar de pensar que a fonte onde ele se abeberou para elaborá-los foi a Cabala. Voltaremos, num próximo artigo, a tratar desse tema para justificar as nossas assertivas. Por ora queremos dizer que um dos principais temas tratados pela filosofia desenvolvida pela Cabala é a caridade. Caridade que o apóstolo Paulo coloca como a maior de todas as virtudes. Caridade verdadeira, que nasce do sentimento de fraternidade que deveria existir entre todas as pessoas. Não a caridade farisaica que se pratica unicamente com a esperança de uma retribuição midiática ou social. Essa caridade, o próprio Jesus condenou nos fariseus. “Não façais como os fariseus”, disse ele,“ que quando dão esmolas fazem soar trombetas pelas esquinas, para que todos vejam o quanto são bondosos. Em verdade vos digo, que já tiveram a sua recompensa". Paulo, ele mesmo um fariseu, deve ter pensado muito nesse ensinamento do seu mestre. E por isso cunhou a frase que dá fechamento ao soneto que transcrevemos na abertura deste texto. 
 
Uma metáfora cabalística ilustra bem esse tema:
O rabi Schimeon Bem Iohai, o grande codificador da Cabala, recebia constantemente a visita do espírito do profeta Elias, e com ele se consultava.

─ Quando virá o Messias─ perguntava o rabi ao espírito do profeta toda vez que se encontravam.

─ Hoje mesmo você o verá ─ respondeu, um dia, o espírito de Elias, já cansado daquela insistente pergunta.

─ Onde o verei ─ perguntou, eufórico, o rabi.

─ Vá até a porta de Jafa e ali o verás ─ disse o profeta.

O rabi Schimeon foi até a porta de Jafa e ficou ali o dia inteiro, esperando pela vinda do Messias. Mas só viu um monte de mendigos e leprosos, uns pedindo esmolas, outros coçando suas chagas purulentas. E no meio dessa turba de indigentes, um desconhecido de aparência humilde tentava mitigar o sofrimento deles, ofertando alimentos e roupas a uns, carinho, atenção e remédios para outros. Ao voltar para casa, á noite, ele interpelou o espírito do profeta.

─ Tu mentiste para mim. Fiquei o dia inteiro na porta de Jafa, como indicaste e não vi o Messias.

─ Não viste porque não quiseste. Não estava lá um homem prestando socorro aos aflitos? Pois eu te digo que o reino do Messias é o reino da caridade. Se queres que o Messias venha todos os dias, pratique a caridade. Ensine-a aos seus discípulos.”


   Esta é uma boa deixa para lembrar aos Irmãos para reforçarem as contribuições ao Hospital. Afinal de contas, o Irmão Hospitaleiro simboliza, na Loja, o grande Irmão São João de Rodes, fundador do Hospital dos cruzados em Jerusalém, que se tornou mais tarde a Grande Ordem dos Cavaleiros do Hospital de São João, que muitos historiadores maçons têm como a verdadeira origem da Maçonaria atual. Esse grande Irmão, que era filho do rei de Rodes, para fundar e manter esse hospital, esmolava nas praças e portas da cidade de Jerusalém. Por isso ficou conhecido como "São João, o Esmoler". Essa, talvez,  seja uma das razões de as Lojas maçônicas serem chamadas de Lojas de São João. Essa Ordem, que foi a responsável pela fundação de vários hospitais, que deram origens inclusive ás Santas Casas de Misericórdia, sobrevive ainda hoje com o nome de Cavaleiros de Malta, prestando um relevante serviço na área da saúde em todo o mundo.

   Maçonaria não é só política e espiritualidade corporativista. É, fundamentalmente, prestação de serviço á comunidade. É socorrer os aflitos e assistir os necessitados. Não é sem razão, pois, que ela era considerada, pelos Irmãos do Século das Luzes, um sucedâneo da Cavalaria Medieval, cuja divisa era a defesa do fraco e do oprimido.

 “Sem Caridade não há Salvação”, disse o grande São Vicente de Paula. E o apóstolo Paulo, ao colocar a caridade acima de todas as demais virtudes, sem dúvida, tinha razão. 
 
João Anatalino

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016


Revista Texto & Texts Editor-Chefe J.Filardo

A Palavra Perdida Redescoberta

Ir.´. Gary D. Colby
 
Loja Union Station, Washington, DC
Tradução José Antonio de Souza Filardo
 
 
(Cada irmão recebeu um envelope com os dizeres “Não abra o envelope até que seja solicitado”.)
Senhores:
Tenho um anúncio emocionante. Encontrei a palavra perdida de um Mestre Maçom! Ela está no envelope diante de você – mas não o abra ainda!
Armados com a palavra perdida, nossos irmãos, no passado, eram reconhecidos, honrados, e bem recebidos em todo o mundo.
Eles eram líderes em e de suas comunidades. Eram policiais, empresários, médicos, operários, advogados e estadistas. Cada cidadezinha tinha uma Loja Maçônica no seu centro, e cada capital tinha suas Lojas fortemente unidas.
Os maçons alimentavam os famintos, vestiam os nus, alojavam, educavam, e protegiam os órfãos. Nossos irmãos históricos eram a nata de suas comunidades.
Eles sabiam quem eram, e todo mundo sabia quem eles eram. Tudo por causa de uma única palavra!
Em algum lugar ao longo da linha, a palavra foi perdida. Os maçons esqueceram sua palavra. Eles não a passaram adiante. Os novos nunca a aprenderam. No espaço de poucos anos, ao que parece, ninguém mais sabia a palavra.
Hoje, muitos maçons parecem não perceber que  tal palavra sempre existiu. Mas existiu – e existe!
A palavra era uma parte do alicerce sobre o qual a Maçonaria foi construída. É uma parte da organização – guardada  em um cofre subterrâneo.
Embora a palavra possa ter desaparecido da mente dos maçons, ela se encontra ali até que gerações futuras a descubram.
Eu não alego uma genialidade ou astúcia especial por tê-la descoberto. Em vez disso, sinto-me um pouco como o Huno que descobriu a Grande Muralha da China, na revista em quadrinhos de Gary Larson, “Far Side”, (um cavalo e o cavaleiro pregados contra a muralha, e um homem pensando “diabos, de onde veio ISSO?”)
A hora chegou, senhores, de cada um de vocês agora redescobrir a palavra perdida. Abram seus envelopes, por favor.
“RELEVÂNCIA”, meus irmãos, é a palavra perdida do Mestre Maçom.
Há muito tempo atrás, nossa Fraternidade era relevante. Fazíamos um bom trabalho, e os homens se atropelavam para se juntar a nós.
Nós ajudávamos os pobres. Nós ajudávamos os desesperados. Nós o fazíamos, juntos, e fazíamos bem!
Nós éramos uma Irmandade, e não uma burocracia.
Hoje, infelizmente, o inverso está mais perto da verdade. Temos linhas de Oficiais da Grande Loja, linhas de Oficiais de loja, linhas disso, comissões daquilo, conselhos de alguma outra coisa, mas onde nos conduzem essas linhas? Será que elas nos conduzem a algum lugar? Será que elas realmente nos conduzem?
Tudo se resume a três pequenas palavras, e uma um pouco maior: COMO NÓS SOMOS RELEVANTES?
Hoje, podemos reunir 25 homens para presentear uma comenda de 50 anos de maçonaria. Que diabos! 25 homens vão procurar UM Irmão para lhe dar uma comenda de 50 anos!
Enquanto isso, o Joãozinho na escola do fim da rua NÃO SABE LER, o seu parque de diversões está caindo aos pedaços em torno dele, e ele tem medo de ir para casa porque os ratos saem de suas paredes durante a noite!
É verdade, no seu estado atual, nossa Fraternidade não pode corrigir todas estas coisas, nem sequer a maioria delas, mas o QUE ESTAMOS FAZENDO?
Estamos preocupados com o buraco na tela da porta da viúva Harrison, e no próximo mês estamos dando uma bolsa $ 100 para o filho de algum maçom que vai entrar na faculdade, independente se ele ganha ou não ganha o dinheiro.
Ah, e então, naturalmente, vamos nos dar uma palmadinha nas costas e aplaudimos alguns mais que outros.
Agora, não me interpretem mal; nada há de errado em ajudar Maçons com mais freqüência que não-maçons. No entanto, se vamos nos perguntar por que os membros de nossas comunidades não estão mais nos procurando, temos de tentar nos ver da forma como eles nos vêem.
O que os Maçons fazem que seja relevante para as pessoas em suas comunidades?
Ok – vamos ajudar a comprar UTIs de câncer, ou talvez fazer uma campanha de coleta de sangue de vez em quando, e, algumas vezes, convidamos os escoteiros para uma reunião, mas hei! Quem não faz isso?
O que diferencia a Maçonaria de outras organizações? Por que nós esperamos que os homens se juntem a nós em vez do Lion’s Club, o Rotary Club e outros clubes de serviço?
No momento, a nossa melhor resposta parece ser: Segredos! Grandes Segredos! Grandes segredos Importantes!
Francamente, acho que temos vivido das glórias de nossos irmãos no passado por um longo tempo. Acho que os homens se juntam a nós hoje, porque eles querem participar de um clube social, e eles  ouviram falar do passado glorioso da maçonaria.
Acho que se candidatos potenciais soubessem da confusão em que se encontra a Fraternidade neste momento, estaríamos em maiores apuros do que estamos agora…
A investigação realizada pela Força Tarefa de Renovação Maçônica que foi convocada, e em seguida ignorada pela Conferência dos Grãos-Mestres nos EUA indica o que os homens querem:
-eles querem oportunidades sociais – tanto para si quanto para suas famílias.
-eles querem oportunidades para servir suas comunidades – eles querem meter a mão na massa, não apenas emitir cheques.
-Eles querem aprender a se tornar melhores líderes, e eles querem, com o tempo, tentar assumir uma liderança.
ISTO É RELEVÂNCIA! ISTO É O QUE OS HOMENS QUEREM!
E porque não estamos oferecendo essas coisas agora, poucos homens estão aderindo – e eles não vão ingressar até nós lhes ofereçamos isso!
Hoje, os homens não querem que percamos seu tempo lendo atas e apresentando convidados. Nossas pesquisas mostram que não querem ritual, eles não querem receber pregações, eles não querem “refletir sobre as lembranças felizes produzidas por uma vida bem vivida  e morrer na esperança de uma imortalidade gloriosa”.  ELES QUEREM VIVER! Aqui! Hoje! Agora!
Eles vêm até nós porque querem que lhes proporcionemos a oportunidade de se reunir, servir e liderar – e, se a nossa Fraternidade quer sobreviver, vamos ter que lhes fornecer essas oportunidades.
É ESTE O NOSSO DESAFIO!
ISTO É SER RELEVANTE!
– e ISSO é o que nos vai levar para o século XXI e além.

domingo, 4 de dezembro de 2016


ASSISTÊNCIA FRATERNAL

 

Deus te compense, alma boa,

A ti, que estendes a mão,

Repartindo alegremente

Carinho, agasalho e pão.

 

Deus te envolva em alegria

Todo esforço de esquecer

A ofensa que se te faça,

Buscando a paz por prazer.

 

Deus te exalte o gesto amigo

Quando levantas alguém

Da tristeza do infortúnio

Para as estradas do bem.

 

Deus te engrandeça o trabalho

Com que te esqueces e vais

Auxiliar e servir

Àqueles que sofrem mais.

 

Por toda a bênção que espalhes

Que o mundo nem sempre diz

Que a Vida te recompense

E Deus te faça feliz.

 

Maria Dolores

 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016


Oração dos aprendizes

 

Senhor, ilumina-nos a visão de trabalhadores imperfeitos.

Justo Juiz, ampara os criminosos transviados.

Construtor celeste, restaura as obras respeitáveis, ameaçadas pela destruição.

Divino Médico, salva os doentes.

Amigo dos Bons, regenera os maus.

Mensageiro da Luz, expulsa as trevas que ainda nos rodeiam.

Emissário da Sabedoria, esclarece-nos a ignorância.

Dispensador do Bem, compadece-te de nossos males.

Advogado dos Aflitos, reajusta os infelizes que provocam o sofrimento.

Sumo Libertador, emancipa-nos a mente encarcerada em nossas próprias criações menos dignas.

Benfeitor do Alto, estende compassivas mãos a todos aqueles que Te desconhecem os princípios de amor e trabalho, humildade e perdão, nas zonas inferiores da vida.

Senhor, eis aqui os Teus servos incapazes. Cumpra-se em nós a Tua vontade sábia e justa, porque a nossa pequenez é tudo que possuímos, para que, em Teu Nome, possamos operar a nossa própria redenção, hoje, aqui e agora. Assim seja.

Aniceto

 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016


James Anderson

 

James Anderson, habitualmente denominado de “pai da Maçonaria Especulativa”, nasceu na cidade de Aberdeen, (Escócia), por volta do ano de 1680. Estudou teologia em sua cidade natal, no “Marischal College”, onde acabou recebendo o seu título de “Doutor em Teologia”, naturalmente presbiteriano, religião então predominante na Escócia.

Ainda antes de 1710, Anderson veio fixar residência em Londres, onde ele, mais tarde, comprou os direitos de vicariato de uma Capela Presbiteriana, situada em “Swallow Street” (Rua das Andorinhas), onde ainda em 1735 o encontramos fazendo as suas pregações.

Em sua qualidade de vigário presbiteriano ele se tornou muito conhecido do povo londrino, em face de suas inúmeras pregações, muitas das quais chegou a publicar em folhetos avulsos. As que mais admiração causaram foram as cinco seguintes:

1.     “Nós esperamos a paz, que não veio; Dia da Saúde” (Jeremias 8-15), pronunciada em 16/01/1712 na Igreja de Swallow Street.

2.     A pregação de 30/01/1714, teve como título: “Assassinos de Rei, não”, um nome assaz curioso. Tratava-se de uma pregação a favor do Rei George I, recentemente coroado, contra as falcatruas e confabulações do partido católico do pretendente Jacobus III.

3.     “Crença nos Santos”, pronunciada em 01/08/1720 teve intenções de caráter puramente religiosos, e representava a interpretação que os presbiterianos davam a este tema.

4.     Esta foi uma pregação fúnebre no dia do 1º aniversário do falecimento do padre William Lorinzer, um ministro presbiteriano que tinha feito a sagração de Anderson.

5.     E finalmente, merece destaque ainda a pregação de 03/07/1737, pronunciada sobre o tema “A Prisão dos Devedores”, onde analisou a legislação concernente à “insolvência financeira”.

E não há duvidas que Anderson, ao abordar este assunto, falava de experiência própria, pois consta que por volta de 1720 tinha perdido todo o seu patrimônio, e a sua situação financeira estivera tão precária, que os seus credores o lançaram na “torre dos devedores”, de onde o tiraram os seus Irmãos Maçons, depois de terem pago as suas dívidas.

Exemplares destas cinco pregações existem ainda hoje na biblioteca dos advogados, de Edinburgh.

No ano de 1732, Anderson traduziu para o inglês as “Taboas Genealógicas” do historiador e geógrafo alemão “Hans Hubner”, que chegou a reeditar em 1736 de forma ampliada.

Logo no ano seguinte, de 1733, publicou o livro: “A Unidade na Trindade, e a Trindade na Unidade”. Em 1739 editou o livro “Notícias de Elysium” e “Conversas com os Mortos” e, finalmente, em 1742, ainda surgiu, em edição póstuma a “História genealógica da Casa Nobre de Ivery” uma antiga estirpe irlandesa, cujo membro vivo na ocasião era o Conde de Egmont.

Mas incontestavelmente a obra mais importante de Anderson foi a conhecida “Constituição Maçônica, de Anderson”, que publicou às suas expensas no ano de 1723, época em que era Venerável da Loja nº 17.

Nunca se soube em que Loja Anderson fora iniciado, mas é provável que ainda tenha sido na Escócia, de modo que já era Maçom feito a filiar-se a uma Loja em Londres.

Na reunião da Grande Loja de 29/09/1721, onde 16 Lojas estiveram representadas, o Irmão James Anderson A. M. (Magister Artium) foi encarregado de estudar as cópias das antigas constituições góticas, consideradas falhas e fundi-las numa Carta Magna mais concisa e clara.

Deve ter trabalhado com incrível rapidez, a não ser que já tenha feito os estudos preliminares, pois já em 21/12/1721, apresentou o Manuscrito Projeto, que foi entregue a 14 Irmãos competentes, e esta mesma comissão depois de feitas as resolvidas emendas consideradas necessárias, aprovou a nova Constituição em 25/03/1722.

Em 17/01/1723 a Grande Loja aprovou a Constituição já impressa, e nomeando Anderson para seu Grande Vigilante. Em 1723 o nome Anderson também consta dos registros da Loja: “Horne Tavern”, de Westiminster e em 1725 no da “Lodge of Salomon’s Temple” de Hemmings Row.

A autorização da impressão da Constituição e sua venda criou grande celeuma, e por isto, o Irmão Anderson parece ter ficado afastado dos trabalhos durante quase 10 anos das Lojas. Mas em 24/02/1735 Anderson apresentou-se novamente à Grande Loja, pedindo licença para imprimir uma Edição da Constituição aumentada, cujo novo texto foi finalmente aprovado em sessão de 25/01/1738, pelos representantes das 56 Lojas presentes, sendo impressa logo em seguida.

Mas já no ano seguinte, em 01/06/1739, Anderson transportou-se para o Oriente Eterno, sendo enterrado com Honras Maçônicas no Cemitério de Bunhills Fields. O esquife foi carregado por 5 prelados presbiterianos e o Reverendo Desaguliers, considerado colaborador de Anderson na feitura da Constituição, sendo o caixão seguido por apenas uns 10 ou 12 maçons paramentados.

Desapareceu assim o Maçom que mais serviços prestou à Ordem, que em vida nunca mereceu o menor apoio, prestígio e agradecimento, e que pelo contrário foi atrozmente combatido, mas que acabou sendo o único, cujo nome nunca foi e nem será esquecido.

Kurt Prober

 

quarta-feira, 30 de novembro de 2016


NA FONTE DO BEM

 

“Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos...”

PAULO (GÁLATAS, 6:19.)

 

Muita gente só admite auxílio eficiente, quando o dinheiro aparece.

Entretanto, há serviços que o ouro não consegue remunerar.

Há vencimentos justos para os encargos do professor; todavia, ninguém pode estabelecer pagamento aos sacrifícios com que ele abraça os misteres da escola.

Existem honorários para as atividades do médico; no entanto, pessoa alguma logrará recompensar em valores amoedados o devotamento a que se entrega o missionário da cura, no socorro aos enfermos.

Não se compra estímulo ao trabalho. Não se vende esperança nos armazéns.

O sorriso fraternal não é matéria de negócio. Gentileza não é artigo de mercado.

Onde a vida te situe, aí recolherás, todo dia, múltiplas ocasiões de fazer o bem.

Nem sempre movimentarás bolsa farta para mitigar a penúria alheia, mas sempre disporás da frase confortadora, da oração providencial, da referência generosa, do gesto amigo.

O Apóstolo Paulo reconhece que, às vezes, atravessamos grandes ou pequenos períodos de inibições e provações, pelo que nos recomenda: “enquanto temos tempo, façamos o bem a todos”; contudo, mesmo nas circunstâncias difíceis, urge endereçar aos outros o melhor ao nosso alcance, porque segundo as leis da vida, aquilo que o homem semeia, isso mesmo colherá.

 

Emmanuel, do livro Palavras da vida Eterna, psicografia de Chico Xavier.