sexta-feira, 19 de janeiro de 2018


DEVERES MAÇÔNICOS

Introdução


Em 1986 ao visitar a A.·.R.·L·.S.·. Francesco Guardabassi, no Oriente de Perugia-It conheci o Ir.·. Augusto Megni que, na época, exercia o cargo de "Sovrano Gran Commendatore del Supremo Consiglio d’Italia del Rito scozzese Antico ed Accettato", pessoa que, alem de grande cultura maçônica, um Ir.·. simples e cordato. Nas conversas que tivemos mostrou-me um discurso que proferiu em uma solenidade daquela Loja. Posteriormente ao lê-lo notei sua profundidade e pertinência. Desde então senti uma grande vontade de trazer suas palavras para minha Loja e dividir suas posições e ensinamentos para com meus IIrr.·. no Brasil. Mas o tempo e minhas atribuições profissionais foram postergando tal disposição. Há algum tempo "viajando" pela internet deparei com um trabalho preparado pelo Ir.·. Dario Veloso denominado "A sombra da Acacia" que, de volta me levou àquela disposição nascida em Perugia. Isto porque este trabalho complementava de maneira muito interessante as palavras do Ir.·. De Megni. Desta forma resolvi traduzir para o português e adaptar as palavras daquele discurso para a realidade da maçonaria no Brasil e acrescentar alguns conceitos e colocações do Ir.·. Dario neste trabalho. Assim reeditei o “Deveres Maçônicos” para as nossas realidades.


Nossos velhos estatutos definem “Pedreiro Livre” ou “Maçom” como o amigo fiel de sua Pátria e de todos os homens que, despojando-se, com sua Iniciação, de todas as distinções profanas e de tudo aquilo que o homem tem de vulgar, se ornamenta com o doce titulo de Irmão.
Outro preceito, dos mesmos Estatutos, ressalta que a Ordem dos Pedreiros Livres é indestrutível porque é forte; é forte porque é unida; é unida porque a Pátria dos Maçons é o Mundo; porque seus compatriotas são todos os homens virtuosos e porque seus princípios são a voz a Natureza.


A Maçonaria teve a sua origem quando o Homem se refugiou em si mesmo e descobriu o próprio estado existencial.
Um nascimento, uma vida e uma morte dedicados ao ensino da solicitude, é quando se sente impelido pela necessidade de uma fraternidade, de um legado mais vinculado e sacro do que aquele social de sangue e de interesse.
Uma fraternidade mais de alma do que de corpo, uma corrente que tem em uma extremidade o Grande Arquiteto do Universo, o Operário Invisível, e na outra o Homem com sua divindade interior, com a consequente consciência do dever de uma elevação própria e dos outros, sobretudo pautando a não prevaricar, porque ninguém, absolutamente ninguém tem o direito de sobrepor-se ao Irmão.


As Normas que definem nossos deveres, que é a base orgânica da moderna Maçonaria, são reportados da Constituição de Anderson. Os deveres pessoais dos Maçons são os seguintes:


- Aquele que aspira ser Maçom deve saber usar a própria virtude, evitando qualquer forma de intemperança e de excessos que o impeçam atender os louváveis deveres da Arte e também levá-lo a cometer ações quer possam macular a reputação de nossa antiga Irmandade.
- Ele deve ser diligente na sua profissão e fiel ao Mestre que o orienta.


- Deve trabalhar animado do senso de justiça e não deve comer a traição o pão de outrem, mas deve pagar honestamente o que come e bebe.


- As horas de ócio, que seu trabalho lhe concede, devem ser diligentemente dedicados ao estudo da Arte e das Ciências para ficar mais bem preparado aos seus deveres para com Deus, a Pátria e a si mesmo.


- Ele deve, a medida do possível, adquirir um espírito de paciência, mansidão, sacrifício e abnegação, para saber a dominar a si mesmo e a guiar a própria família com afeto, dignidade e prudência.


- Ao mesmo tempo deve saber reprimir qualquer disposição nociva aos seus semelhantes procurando promover entre eles o amor e a cooperação que sentem os membros de uma família.


Ajudar os desventurados, dividir o nosso pão com os trabalhadores mais pobres, indicar o caminho certo aos viajantes perdidos são os deveres da nossa Arte que alem de refletir a sua nobreza exprime a sua utilidade. Apesar de o Maçom jamais deixar de dar atenção aos seus semelhantes, quando é um seu Irmão que sofre ou é oprimido, ele deve, de maneira especial, abrir-lhe todo o seu coração com amor e paixão e ajudá-lo sem nenhum prejuízo, conforme a sua capacidade.


Os Pedreiros Livres e Aceitos sempre tem a obrigação de proteger da calunia um Irmão leal e verdadeiro, e não devem nutrir sentimentos injustos ou malignos ou criticar maldosamente um Irmão ou a seus atos. Nem devem permitir a divulgação de censuras injustas ou calunias contra um Irmão ausente ou que seus bens sofram danos; deverão defendê-lo, mantê-lo informado de qualquer perigo ou dano que o possa ameaçar e ajudar a evitá-los, porquanto o permitam a honra, a prudência e o resguardo da religião, da moralidade e do Estado; porem não devem ir além.


É necessário também, para aquele que aspira a ser Maçom, aprender de abster-se de toda a maldade, maledicência ou calunia; de evitar o falar ofensivo, reprovável ou ímpio e possuir uma palavra de boa reputação.
Um Maçom deve aprender a obedecer aqueles que estão em Grau superior ao seu, porquanto possam parecer inferiores pelo aspecto ou pela condição social, pois, não tendo a Maçonaria privado ninguém de seus títulos e de suas honrarias, em Loja, é a excelência na virtude e no conhecimento da Arte que nos dá a verdadeira fonte de nobreza, de comando e de governo.


A virtude indispensável exigida ao Maçom é o segredo; essa é a guarda de sua segurança e a segurança de sua confiança. Tal é a importância dada ao segredo que este é pedido com forte promessa e, no entender dos Maçons, nenhum homem é julgado sábio se não tem força e habilidade mental suficiente para guardar, assim como seu mais sério afazer pessoal, aquele honesto segredo que lhe possam confiar. É, incontestavelmente, o sigilo, pedra de toque inestimável que dá com segurança o caráter do maçom. Não que o sigilo seja sempre necessário pela natureza dos assuntos tratados em Loja; mas, porque habitua o M\ a circunspeção, corrige a leviandade e a tagarelice.


Pitágoras exigia dos postulantes longos mutismos, de anos por vezes. Era maneira de corrigir o pendor natural das palavras irrefletidas.

Pensar com segurança, meditar com paciência, julgar com imparcialidade, agir com firmeza: são preciosas qualidades que todo maçom se esforçara em adquirir, infatigavelmente.
As recompensas não existem para o M\; trabalha por um grato e salutar dever consciente; não pede aplausos, não almeja agradecimentos. Suas ações generosas esquece-as; não as proclama. Mesmo, e principalmente, os atos de beneficência fica entre o que dá e o que recebe.
Sabe o M\ que ficará ignorado pois é o bem, e não a vaidade, o móvel de suas ações.


Guardar sigilo, e poupar ao indigente o rubor da esmola é merecer para a Ordem a confiança e as bênçãos das vitimas do infortúnio.


O sigilo é também um degrau de honra
E alem disso o Maçom é um cidadão pacifico; não deve jamais tomar parte em complot ou conspiração contra a paz e o bem estar da Pátria, nem deve agir de forma indevida frente a Autoridade. Ele deve sempre aceitar de bom animo as ordens legalmente emanadas, sustentar em todas as ocasiões os interesses a comunidade e zelar para promover a fortuna da Pátria.


A Maçonaria é sempre florida em tempos de paz e sempre sofre danos em época de guerra, de revoluções e de perturbações: nossos sentimentos pacíficos e leais são a nossa maneira de responder sutilmente aos nossos adversários e de ter em alta honra a nossa Fraternidade. Aos nossos Obreiros são legados os vínculos especiais de proclamar a paz, cultivar a concórdia e viver em harmonia e amor fraterno.


Os Maçons devem ser homens com moral: bons maridos, bons genitores, bons filhos e bons vizinhos. Devem evitar qualquer excesso que possa trazer dano a si mesmo e a sua família.


Os nossos adversários desejam evidentemente ignorar que somos admitidos unicamente pelas qualidades e pelos merecimentos morais e que cada mundana distinção de status, de nacionalidade, de raça e de religião não tem para nós importância capital. Quando avaliamos um estranho, o que nós consideramos exclusivamente é o homem com suas intenções e seu intelecto.


Se alguém bate as portas de nosso Templo e conduz-se retamente na própria vida privada e publica, se é sensível aos males, as necessidades e aos sofrimentos de seu semelhante e, se tem sensatez e der provas de equanimidade ao julgar; se amar a verdade e observa todos os deveres de um cidadão honesto e laborioso, nós o consideramos digno de participar de nossa Fraterna União. A solidariedade e a fraternidade existem sempre que há compreensão de deveres.


Para a boa compreensão de deveres e necessário CARATER.
Porém, o escrúpulo nas iniciações impõem-se.
Não é o numero que faz a força; mas a QUALIDADE.
Poucos e bons, tal é a divisa, quanto aos M \ ; poucas e boas, quanto as Off \


Ao contrario, a porta da Loja é rigorosamente fechada e barrada aos amorais, aos intrigantes de qualquer espécie e a quem especula das desventuras de outros.


Nós todos desenvolvemos e devemos desenvolver, agimos e devemos agir nos campos mais diversos, segundo as nossas capacidades, segundo as circunstancias e segundo os meios de que podemos dispor, nas obras mais idôneas para tornar melhor a vida social.


O único cimento capaz de manter unidos por recíproca estima e amizade, homens bons e sábios, é o amor fraterno reforçado pela comunhão de um alto sentimento de dever e com a participação em um assíduo trabalho diligente, paciente e, frequentemente, árduo e penoso.


Tais sentimentos levam-nos naturalmente a pratica da ajuda recíproca, pronta e eficaz, em tudo aquilo em que as leis morais consentem ao homem honesto.


É o amor fraterno que nasce da simpatia e da confiança que nutrimos uns pelos outros que assegura a permanência das mais altas virtudes sociais:



A HOSPITALIDADE SIMPLES E CORDIAL,

O CIVISMO ATIVO E DESINTERESSADO,

A BENEFICIENCIA ILUMINADA E PREVIDENTE,

A CONSTANCIA NO EXERCICIO DA NOSSA MISSÃO DE HOMENS LIVRES.



Dar sustentação moral e material aos infelizes é um sacrossanto dever que cabe a cada homem e para nós, que somos ligados por uma cadeia indissolúvel de fraterno afeto, é uma obrigação rigorosa.


É por isso que somos considerados, alem de consolar os aflitos, a dividir com simpatia as suas penas, ter compaixão das misérias dos outros, restabelecer a paz nas mente perturbadas, ocupar-se incansavelmente a fazer o bem no sentido mais amplo da palavra a fim de eliminar, ou ao menos aliviar as causas da imperfeição da vida profana, porque a nossa Instituição foi exclusivamente criada para servir a toda a Pátria e ao gênero humano.


Como consequência cada Irmão, no campo de sua própria e normal atividade, deve colocar em pratica todos os ensinamentos a que foi convidado a meditar no dia de sua Iniciação.
E não é suficiente, porque as nossas ações devem ser desenvolvidas na pesquisa da verdade, através do estudo e da aplicação pratica em cada campo da cultura, da ciência, da filosofia, da disciplina econômica, jurídica e social, da literatura e das artes, afim de que todos os trabalhos, todos os discursos, todas as experiências, todas as invenções e todas as descobertas de laboratório sejam de valor e concreto auxilio a elevação espiritual e moral e para o bem da Humanidade, para a prosperidade da Pátria e para a defesa e garantia da dignidade e da liberdade.


Quem sabe compreenderemos: o bom Maçom é fator de progresso da terra onde habita, é fator de progresso humano; assim, deve saber sacrificar-se a bem da coletividade: Não se pertence; é obreiro da humanidade.
Quando as forças se esgotarem no labor insano; quando esmagados pela fatalidade, vencidos pelos anos, já não podermos sopesar o montante ou sustentar a trolha: devemos dizê-lo com franqueza em L\, restituindo aos Ir:. as Armas e Instrumentos que recebemos puros e entregaremos sem nodoas.


Então, o Mestre nos dará o amplexo que conforta; e partiremos, contentes e satisfeitos, a consciência tranquila, volvendo ao lar e aos carinhos da família e dos amigos e levando na alma o jubilo do dever cumprido.
No lar, na paz confortável, a conduta continuará a mesma que, nem nos umbrais da Morte, deveremos abdicar das convicções conscientes que a Iniciação nos proporcionou: da Justiça, da Razão, da Verdade e do Bem.


Bibliografia
de Megni, Augusto: Discurso proferido na Risp\L\Francesco Guardabassi Or\ di Perugia - It . 1976
Veloso, Dario: A Sombra da Acácia Or\

Fonte: CIDADEMAÇONICA

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018


RESPOSTAS

 

Emmanuel

 

Para compreender certas Respostas celestiais as rogativas terrestres; vejamos algumas das respostas humanas aos anseios da natureza.

*

Quando a terra desejou melhorar-se para produzir em regime de educação, o lavrador rasgou-lhe o seio para exaltá-la, feliz.

*

Quando a semente anelou servir à mesa, foi arrojada pelo cultivador à cova fria e escura para que se lhe atendesse à generosa destinação.

*

Quando a argila desejou brilhar no santuário, em forma de vaso nobre, foi constrangida pelas mãos do oleiro a sofrer a tensão do forno.

*

Quando o minério anelou elevar-se do serro bruto à bênção da utilidade, foi conduzido pelo artífice ao calor ardente da forja, para que se imprimisse nova feição.

*

Quando o animal aspirou a companhia do homem, a fim de respirar-lhe o ambiente doméstico, foi obrigado a esquecer a vida livre para suportar o açoite e a cangalha, o laço e o ferrão.

*

Pelas respostas do homem aos seres e às coisas simples dos reinos inferiores à condição em que ele ainda estagia, podemos

observar que as respostas dos anjos às nossas próprias suplicar, nem sempre podem ser confortantes e lisonjeiras, no sentido imediatista do mundo, de vez que, sem a dor e sem a renúncia, sem a disciplina e sem o sacrifício, ninguém se habilita à ascensão da sombra para a luz.

*

Assim, se te consagras à prece, como recurso de purificação e melhoria, roga, antes de tudo, não a materialização de teus transitórios e quase sempre injustificáveis desejos, mas, sim, o cumprimento da Vontade do Senhor a teu respeito, porquanto, pelas lições constringentes e pelos duros aguilhões que hoje te cercam prepararás, no trabalho e na esperança, embora fastigado e suarento, a colheita de paz e felicidade que te coroará o porvir.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018


Justo e Perfeito




“A ponte entre o humano e o divino: - o justo e perfeito.”



“...há um encontro entre o divino e o humano. Assim como em A
criação de Adão, os dedos dos homens tocam os dedos de Deus...”




Durante a abertura ritualística da sessão em grau de aprendiz, o 1o. Diácono sobe os degraus do trono, pelo norte, com passos normais e coloca-se em frente ao Venerável Mestre, fazendo a saudação. O Venerável Mestre dá-lhe , ao ouvido direito, a Palavra Sagrada, letra por letra. O 1o. Diácono dirige-se ao 1o. Vigilante, transmite-lhe a Palavra Sagrada da forma que recebeu e volta ao seu lugar. O 1o. Vigilante a envia ao 2o. Vigilante, do mesmo modo, por intermédio do 2o. Diácono, que volta a seguir ao seu lugar. Então, o 2o. Vigilante, após um golpe de malhete, assegura: tudo está justo e perfeito na Coluna do meio-dia, Irmão 1o. Vigilante, ao tempo em que este último, também acionando o malhete, registra: tudo está justo e perfeito em ambas as Colunas, Venerável Mestre.


Imagine-se que, neste passo da Sessão, o Venerável Mestre, após ouvir a assertiva de que tudo está justo e perfeito em ambas as colunas, indagasse ao Irmão 1o. Vigilante: por que, meu Irmão ? A partir dessa hipotética pergunta – por que justo e perfeito ? – passamos à elaboração deste trabalho, como se fosse uma resposta a tal indagação.


Segundo o Pod:. Irm:. José Castellani, em seu Dicionário de Termos Maçônicos, trata-se de “um termo originariamente usado, entre Maçons, para significar que tudo está em ordem e correndo bem, que não há problemas. Posteriormente, registra o Autor que tal prática se tornou usual, a expressão passou a ser utilizada para o reconhecimento entre Maçons: um diz, casualmente, durante uma conversa, ‘tudo justo’; se o interlocutor for Maçom, afirmará que está ‘tudo justo e perfeito’, podendo acrescentar, como muitos fazem, ‘em amb:. as ccol:.’.
E prossegue o Autor, em sua obra referida, afirmando “que a expressão tem origem nas associações de artesãos construtores, hoje englobadas sob o título de Maçonaria de Ofício, ou Maçonaria Operativa, para distingui-la da Maçonaria dos Aceitos, associação maçônica, sem laços profissionais de união”.
“Desde remotos tempos, os construtores sempre verificaram a exatidão das construções com o prumo, ou Perpendicular, e com o Nível, proclamando, ao constatar essa exatidão, que “tudo está justo e perfeito”. É por isso que, no Rito Escocês Antigo e Aceito, que tem a transmissão da Palavra Sagrada, com o Prumo (instrumento do 2o. Vigilante) e com o Nível (instrumento do 1o. Vigilante), declaram, ao Venerável Mestre, o chefe da construção, que tudo está justo e perfeito em ambas as colunas.”
Vê-se, pois, que a expressão ‘tudo está justo e perfeito’ veio de épocas pretéritas, originária da chamada Maçonaria de Ofício, possuindo à época a finalidade de atestar a exatidão da obra, após verificações empreendidas com o Prumo e o Nível, instrumentos de ambos os Vigilantes, respectivamente, em informação que era transmitida ao Venerável Mestre, Chefe da obra.
Transformando-se a Maçonaria, de Operativa em Especulativa, por não mais agregar apenas construtores de profissão, mas construtores no sentido simbólico, do templo moral e social da humanidade, segundo o atual conceito da Instituição, é intuitivo que a expressão teria deixado de possuir aquele significado, uma vez que não mais estamos construindo edifícios ou catedrais. O nível hoje é símbolo da igualdade e, juntamente com o prumo, formam uma esquadria.


Recorrendo-se à língua portuguesa, quase nada há de interessante, onde o vocábulo ‘justo’ significa ‘conforme à justiça, à equidade, à razão; ou ainda, imparcial, íntegro ou exato e preciso. De qualquer forma, ‘justo’ é um adjetivo e como tal pode ser usado, por exemplo, para se dizer ‘homem justo’, nunca se dirá, em português, tudo justo, como também não se diria ‘tudo virtuoso’. Já o ‘perfeito’ exprime um tempo de verbo, passado, e é também um adjetivo a indicar a reunião “de todas as qualidades concebíveis, ou a superação do mais alto grau numa escala de valores”. Igualmente soa estranho dizer-se “está tudo perfeito”, uma vez que também é adjetivo, servindo para modificar um substantivo, como ‘objeto perfeito’, ‘jóia perfeita’, ‘obra de arte perfeita’, no sentido de que nestes não se observa nenhum defeito. Certo é, todavia, que a expressão “tudo justo e perfeito”, por estas razões, aparenta não estar correta segundo a língua portuguesa, faltando-lhe um ou dois substantivos como, v.g., ‘aquele homem justo construiu uma obra perfeita’.
Na linguagem jurídica, a expressão ‘justo’, que ‘é derivada do latim ‘justus’, entende-se o que é conforme o direito e a justiça. É o que é legítimo, próprio, adequado, eqüitativo.” Já o ‘perfeito’, ‘do latim perfectus , é empregado na terminologia jurídica, precisamente no sentido literal ou de origem: quer exprimir o que está concluído, segundo as regras legais, para que produza os efeitos desejados’, é utilizado na expressão ‘ato jurídico perfeito e acabado’.


Abandonando tais conceitos, poucos esclarecedores para os nossos objetivos maçônicos, surge-nos a perspectiva de partir para a análise do tema, por intermédio de conceitos filosóficos de ‘justiça’ e ‘perfeição’, em busca oblíqua das bases da nossa expressão ‘justo e perfeito’.


Nesta área, tem-se que ARISTÓTELES, ‘a partir da concepção realística, finalista e teleológica do mundo, vê a justiça como uma virtude. Ele é o filósofo que levou a análise do conceito de justiça mais longe, até hoje, tendo influenciado todo o pensamento ocidental sobre esse tema’. O filósofo, fundador da ética como ciência, em meio à crise ética grega, examina a justiça como uma excelência moral fundamental, a maior das virtudes, na Ética a Nicômaco, Livro V, partindo do comportamento justo e do injusto, proclama a justiça distributiva e corretiva, dentre outras distinções e conceitos.


ARISTÓTELES (384-322 aC), relembrando, nasceu em Estagira, cidade macedônica de população grega. Discípulo de PLATÃO (497-347 aC) na Academia, em Atenas, foi, depois, mestre de Alexandre da Macedônia. Retornando a Atenas, em 335 aC, fundou o Liceu.


Como novo centro filosófico, o Liceu foi o marco da independência doutrinal de Aristóteles, frente aos ensinamentos de Platão. Embora não totalmente opositor de seu mestre – cuja filosofia se acha impregnada por um idealismo ético intransigente – posto que muitos dos elementos característicos do platonismo são encontrados no pensamento do estagirita, Aristóteles preferiu o caminho do ‘realismo de um moderado termo médio e um espírito analítico apegado aos fatos – divergência que se tornou lugar comum entre os estudiosos do pensamento dos referidos filósofos.


O primeiro conceito filosófico de justiça foi produzido pelos pitagóricos. Esse conceito, embora não expresse a verdade integral, dá ênfase à igualdade, ou seja, justiça é, antes de tudo, igualdade, quer dizer, equivalência entre termos contrapostos. É, também, reciprocidade, posto que ‘pode se assemelhar ao número quadrado, isto é, ao igual multiplicado pelo igual, eis que ela devolve o mesmo pelo mesmo.

 
Na “Ética a Nicômano”, Aristóteles, para formular a teoria da justiça, não parece se afastar da idéia tradicional de que ela é uma virtude ética por excelência, tal como vista por Platão, e procura os diversos sentidos possíveis da palavra, notadamente legitimidade (significando sintonia com as leis) e igualdade.
Deve-se observar, que de modo diverso do visto na “República’ de Platão, a justiça de Aristóteles é exposta tendo em conta uma distinção entre justiça completa e justiça particular. A primeira consistiria da virtude perfeita, voltada para proveito do próximo. A justiça particular, por seu turno, tem uma acepção mais restrita, que considera o princípio da igualdade, de sorte que a que se defina “como justo o que é conforme à igualdade, sendo o injusto a desigualdade; cada um recebe o que lhe é devido.
As virtudes são classificadas em virtudes dianoéticas ou intelectuais e virtudes éticas ou morais. Nesse contexto, a justiça se enquadra entre as virtudes éticas. E, como valor ético, a justiça é virtude essencialmente social, que se realiza na comunidade.
A questão que inicia o problema da justiça, em “Ética a Nicômano”, é a investigação a respeito de que espécie de ações se ocupam, precisamente, a justiça e a injustiça; em que sentido a justiça é a observância de um meio-termo: e quais são os extremos entre os quais o justo é um meio termo.
Nessa busca, a justiça é retratada como ‘a disposição da alma graças à qual as pessoas se dispõem a fazer o que é justo, a agir justamente e a desejar o que é justo. Injustiça, então, é a disposição da alma graças à qual elas agem injustamente e desejam o que é injusto.


O preceito geral de comedimento, tendo-se a justiça como modo de tratar os homens, traduz-se pela ‘idéia de que a conduta reta consiste em não enxergar para um demais ou para um demenos, em manter, portanto, o doirado meio-termo. Na sua análise da ética, Aristóteles, valendo-se do método matemático-geométrico, logra, cientificamente, determinar as virtudes a perquirir o que seja moralmente bom. Tem-se, então, que a virtude se situa entre dois extremos, ou dois vícios, um por excesso e outro por defeito. Conseqüentemente, exemplificando-se, ‘a virtude da coragem é o meio termo entre o defeito da covardia (um por demenos de ânimo) e o defeito da temeridade (um por demais de ânimo). Daí a famosa teoria de mesotes, que na prática, para explicar a virtude da justiça, pressupõe-se que conduta reta é o meio-termo entre o agir injustamente e o ser tratado injustamente. A ética dessa teoria, no entanto, apenas aparenta resolver o problema, como observa Kelsen, posto que se limita a ‘confirmar que é bom o que, segundo a ordem social existente, é bom’, mantendo-se a ordem social estabelecida, deixando sem resposta o que é injustiça.


A justiça é uma virtude que induz a que se dê a cada um o que é seu, seja pela autoridade (justiça distributiva), seja nas relações privadas (justiça comutativa). Nisso repousa a sua dimensão particular.
A primeira classe de justiça é a distributiva. Ela é explicada, na Ética a Nicômano, como a justiça que se aplica na repartição das honras e dos bens, e tem em vista que cada um dos associados receba, de tais honras e bens, uma porção adequada a seu mérito.
Aristóteles, reafirmando o princípio da igualdade, enfatiza que, se as pessoas não são iguais não poderão ter coisas iguais. A justiça distributiva, consiste, assim, de uma relação não proporcional, a qual o filósofo, artificialmente, assevera tratar-se de uma proporção geométrica.


Já no tocante ao vocábulo perfeição, curiosas ponderações vêm de Platão, na obra ‘O Banquete’, ele põe-nos perante uma conversa entre um companheiro de Apolodoro e o filósofo.

Apolodoro ouvira anteriormente a Aristodemo uma narrativa em que relatava um convívio no qual este último estivera presente e que decorrera em casa de Ágaton por ocasião das celebrações de vitória da tragédia deste e sua conseqüente ‘coroação’. Propondo-se satisfazer a curiosidade do companheiro de Aristodemo relativamente ao convívio, relata-lhe o que o próprio Aristodemo dissera ter visto e ouvido. Entre outros tinham participado nesse festim Ágaton, Sócrates, Alcibíades e ainda Aristófanes..
Durante o convívio é proposto por Erixímico, em nome de Fedro, a execução de elogios ao Amor. Aceito por todos torna-se este o tema central do festim.


Proferido em seguida ao de Erixímaco, o discurso de Aristófanes faz-nos penetrar numa atmosfera de sonho e de idealidade onde a dynamis, ‘poder’, do amor se liberta de todas as suas implicações sociais ou cosmológicas, para encontrar na physis a sua origem remota e verdadeira. Exprime-se assim a definição de amor como ‘saudade de um antigo estado’, símbolo de PERFEIÇÃO, que os seres atuais, reduzidos a metades, em vão tentam recuperar.


Aristófanes começa o seu discurso dando a conhecer a natureza humana e as suas mutações. Pois a nossa antiga natureza não era tal como a de hoje e sim diversa, apresentando-nos desta forma o mito do Andrógino, símbolo da perfeição.


Este ser, um dos três gêneros da espécie humana, partilhava das características de ambos... macho e fêmea e encontra-se agora desaparecido. O Andrógino era dotado de uma forma ‘inteira e globular’, com membros e órgãos duplicados em relação a homens e mulheres. Os seres constituintes deste gênero caminhavam erectos e, se fosse esse o seu desejo, em dois sentidos. Caso quisessem correr a toda a brida ‘apoiados nos seus membros, que eram então oito, poderiam faze-lo velozmente em círculo”.
Também em relação à sua origem o Andrógino apresenta-se como ser perfeito, visto que ‘o macho foi inicialmente um rebento do Sol; a fêmea da Terra; e da Lua; a espécie que reunia as características dos outros dois, dado que também a Lua partilha da natureza do Sol e da Terra’.


Dotados ainda de uma terrível força e resistência e, além disso, de uma imensa ambição(...) começaram a conspirar contra os deuses’. A solução encontrada por Zeus foi a de dividi-los ao meio, retirando-lhes a sua antiga forma perfeita, o que levou a que ‘cada metade’, com saudades da sua própria metade não mais aspirasse do que a fundir-se num só ser”.


Aristófanes afirma então que ‘dessa época longínqua data, sem dúvida alguma, a implantação do amor entre os homens – o amor que restabelece o nosso estado original (PERFEITO) e procura fazer de dois um só, curando assim a natureza humana.
Aos amantes que encontram a metade da qual tinham sido separados é dada esperança através de uma especulação. O autor do elogio afirma que, por exemplo, Hefesto, ao observa-los tão unidos seria capaz de ‘fundi-los e solda-los numa só peça, de tal modo que passassem a ser um só’, solucionando desta forma o anseio provocado pela nossa antiga natureza constituída por um todo. Apresenta-se assim a ‘veneração’ dos deuses como auxílio em busca da forma uma e perfeita anteriormente tida.
Em seguida, há menção a um discurso pelo qual Platão faz a ponte entre o ser humano e o amor, enquanto desejo de algo ausente que, à partida, não permite completar o ser: “...ao falarmos do amor, não deixaste de concordar que era a privação do Bem e do Belo que o faziam desejar essas mesmas qualidades que lhe faltavam...” O Amor, enquanto operador de junção do que está separado, é ‘um gênio poderoso... intermediário entre o humano e o divino, cujas atribuições são ‘as de um intérprete e mensageiro dos homens junto dos deuses e dos deuses junto dos homens preenchendo por inteiro o espaço entre uns e outros, permitindo que o Todo se encontre unido consigo mesmo.


No final da argumentação conclui-se que, ‘em resumo: o amor é o desejo de possuir o Bem para sempre’ e que o ‘alvo do Amor não é de fato o Belo, mas Gerar e criar no Belo’. Ao homem que contempla ‘o Belo pelos meios que o tornam visível, será dado gerar, não já imagens de virtude, pois não é já a imagens que se apega, mas a virtude verdadeira’, o que faz com que, caso haja alguém de entre os homens que possa tornar-se imortal, esse alguém seja precisamente ele.




C O N C L U S Õ E S




Na busca da assimilação da inteireza e significado de tais valores – justiça e perfeição – justo e perfeito, vê-se a necessidade de examina-los sob a ótica da filosofia, ‘para ampliar a compreensão da realidade’


Fiquemos com a ótica de Aristóteles quanto à justiça, como uma ‘excelência moral fundamental’, um fim social tal qual a igualdade, a liberdade e a fraternidade, esta última substituindo a alusão do filósofo à ‘democracia e o bem-estar’.


No que concerne à perfeição (e ao perfeito), autores de épocas distintas, discorrem sobre o amor, sobre o belo estético, e a idéia, perfeita em si mesma (Platão), dando azo ao sublime*: ‘faculdade originária de conceber pensamentos elevados, numa riqueza espiritual interior que ultrapassa os limites do usual, diretamente relacionada com o êxtase.’


Os filósofos ao prescrutar o sentido de tais expressões, sentem que elas, em seus significados mais elevados, muitas vezes escapam à compreensão humana e aí porque a menção e o paralelo com a justiça e a perfeição divinas e a busca de comparações em decorrência da dificuldade de se estabelecer conceitos precisos.
Certamente que ao afirmarem, Vigilantes e Venerável Mestre, que tudo está ‘justo e perfeito’, não se referem ao justo da função jurisdicional e nem ao perfeito da obra arquitetônica – prumo e nível, mas sim a valores ainda mais elevados, como as virtudes dos códigos morais e éticos, o perdão, a lealdade, a fidelidade supremas e, bem assim, a perfeição que o Maçom busca e que dá à sua Instituição o título de Sublime Ordem, e isto no contexto das dimensões simbólicas do templo, que representa o próprio Universo.


No aprofundamento destes temas, observará o Irm:. uma verdadeira ponte entre valores do humano e do plano divino, como observou o filósofo Platão.



* do latim sublimis, composto de sub-limen: ‘o que está suspenso na arquitrave da porta’, o lintel entre duas colunas (OED), origem na arquitetura, o que está acima da cabeça do homem.


BIBLIOGRAFIA:


Trabalho O CONCEITO ARISTOTÉLICO DE JUSTIÇA – Evanna Soares – Doutoranda em Direito (UMSA); - colhido via internet.
Artigo O TEMPO DE VIEIRA: O ESPIRITUAL E O HUMANO NO V IMPÉRIO Luis Filipe Silvério Lima – Apresentado no Simpósio Sujeito na História – PUC/SP


O CONCEITO DE ‘PERFEIÇÃO’: Platão, Edmund Burke e Jorge de Sena - Trabalho de Emanuel Morgado – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Estudos Alemães;


BREVE CONSIDERAÇÕES SOBRE A JUSTIÇA NO PENSAMENTO DE ARISTÓTELES E KANT – Firly Nascimento Filho – Mestre em Direito – PUC/RIO;


O SUBLIME E O BELO – de Longino a Edmund Burke – Helena Barbas –
SERMÃO DO MANDATO (1643) – de Padre Antonio Vieira –
BOBBIO, Norberto et all. Dicionário de Política, p. 662
MONCADA, L. Cabral de . Filosofia do Direito e do Estado, p. 28
DE PLACIDO E SILVA – Vocabulário Jurídico – Editora Forense.
KELSEN, Hans. A Justiça e o Direito Natural.
CASTELLANI, JOSÉ – Dicionário de Termos Maçônicos –
Textos de 1 a 6 obtidos em Texto Fonte: Editoração Eletrônica – via internet.

 

FONTE: Cidade Maçonica

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018


Temas de Esperança
 
Quem goste de pessimismo, e se queixe de solidão, observe se alguém estima repousar no espinheiro.
*
Pense que se não houvesses nascido para melhorar o ambiente em que vives, estarias decerto em Planos Superiores.
*
Com a lamentação é possível deprimir os que mais nos ajudam.
*
Se pretendes auxiliar a alguém, começa mostrando alegria.
*
A conversa triste com os tristes, deixam os tristes muito mais tristes.
*
Quem disser que Deus desanimou de amparar a Humanidade, medite na beleza do Sol, em cada alvorecer.
*
Se tiveres de chorar por algum motivo que consideres justo, chora trabalhando, para o bem, para que as lágrimas não se te façam inúteis.
*
Nos dias de provação, efetivamente, não seriam razoáveis quaisquer espetáculos de bom humor, entretanto, o bom ânimo e a esperança são luzes e bênçãos em qualquer lugar.
*
Guarda a lição do passado, mas não percas tempo lastimando aquilo que o tempo não pode restituir.
*
Quando estiveres à beira do desalento pergunta a ti mesmo se estás num mundo em construção ou se estás numa colônia de férias.
*
Deus permitiu a existência das quedas d’água para aprendermos quanta força de trabalho e renovação podemos extrair de nossas próprias quedas.
*
Não sofras pensando nos defeitos alheios; os outros são espíritos, quais nós mesmos, em preparação ou tratamento para a Vida Maior.
*
Se procuras a paz, não critiques e sim ajuda sempre.
*
Indica a pessoa que teria construido algo de bom, sem suor e sofrimento.
*
Toda irritação é um estorvo no trabalho.
*
Deixa um traço de alegria onde passes e a tua alegria será sempre acrescentada mais à frente.
*
Quem furta a esperança, cria a doença.
*
O sorriso é sempre uma luz em tua porta.
 
  Emmanuel.
 

terça-feira, 9 de janeiro de 2018


BREVIÁRIO MAÇÔNICO - O PRUMO

Trata-se de um instrumento indispensável na construção (alvenaria ou artefatos diversos de pedra, madeira, plásticos etc.), uma vez que a verticalidade da obra é que lhe dá a estabilidade; um muro fora de Prumo terá a tendência de ruir.

Na vida, devemos construir dentro do Prumo; qualquer desvio será prejudicial, em todos os sentidos, inclusive o moral. Jeová dissera: “Eis que porei um Prumo entre meu povo”; logo, não erraremos em afirmar que na vida é a representação divina; um instrumento que nos faz cumprir a trajetória a nós determinada; somos livres, sim, porém enquanto manejamos o Nível e o Prumo, que são condições para vencer qualquer obstáculo e contornar qualquer empecilho.

O Prumo caracteriza a função do Primeiro Vigilante; é ele que o usará para nos corrigir durante a jornada encetada. O maçom que titubeia quanto ao uso do Prumo deve buscar o seu Vigilante e com ele aconselhar-se para que haja equilíbrio e retidão em sua obra. O Prumo pode ser manejado por nós, como pode alguém manejá-lo em nós; se o usarmos adequadamente, será dispensado o auxílio de quem tem o dever de nos “aprumar. “

Ir.·. Rizzardo da Camino.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018


Luta Pela Sobrevivência

 

Charles Evaldo Boller

 

Sinopse: Estamos nesta biosfera para comer uns aos outros, mas enquanto não chegar a nossa vez, a vida pode ser desfrutada com qualidade.

 

Mesmo que entre as criaturas da biosfera exista luta permanente, quando uma alimenta-se do corpo da outra para sua sobrevivência, a atitude do homem, em resultado de sua capacidade de pensar, por empatia para com seus semelhantes, deveria ser mais benevolente, mais condescendente, e prevalecer mais respeito.

 

A análise torna o estudante sábio quando deduz que as melhores virtudes afloram enquanto não ocorre luta pelo espaço vital e o meio de sustentação da vida; muitas criaturas disputando o mesmo espaço e recursos despertam os mais cruéis instintos selvagens, daí a necessidade de diminuir a prole ser algo a plantar na mente de todos.

 

Se isto não ocorrer e o esgotamento da natureza levar ao colapso, a capacidade de pensar livremente de nada mais servirá, pois o frágil sistema econômico mundial vai falir e as dores de aflição serão progressivas em violência até encontrar seu ponto de equilíbrio: matando a maioria dos pobres. A natureza será igualmente mortal para obter o equilíbrio, mesmo que para isto mais uma espécie deva ser extinta: o próprio homem.

 

Resta ao livre pensador usar o que está desenhado no projeto do Grande Arquiteto do Universo onde consta uma fórmula para derramar sabedoria na mente de todos os homens de boa vontade. Nós sabemos perfeitamente decifrar esta fórmula, está escrita claramente na mente e no coração de todos os homens, é só buscar e praticar. Colocar fé na possibilidade dos sofrimentos resultantes das convulsões do agonizante sistema econômico mundial seja minimizado pela prática daquilo que existe latente em cada ser humano e até nos animais. Ter esperança que a ação da Maçonaria e outras instituições assemelhadas sejam bem sucedidas em formar o maior número possível de homens e lideranças para acelerar o aporte do salto de inspiração, do insight que livrará a todos das crises que assolam a sociedade. Todos os homens, e não apenas os maçons, sabem do que se trata! Teimosamente o homem insiste em esquecer-se da prática da atitude que poderia melhorar a efêmera existência neste sistema de coisas. Que a crise de esquecimento passe e seja logo esquecida!

 

Enquanto isto convém lembrar-se do prazer que sentem os carnívoros quando bebem do sangue das outras criaturas que com seus corpos os alimentam! Ao devorar um belo pedaço de picanha, qual o homem que naquele momento pensa que aquilo que está ingerindo é o cadáver de outra criatura criada pelo sistema do Grande Arquiteto do Universo para a manutenção da vida? Poucos! Pense no caranguejo, ostras e mariscos que são cosidos vivos para servir de alimento! Insensíveis, continuaremos a comer da carne uns dos outros para sobreviver, é criatura comendo a outra porque assim nos foi transmitido pela evolução das criaturas vivas desta biosfera. Ao menos com nossos assemelhados deveríamos usar de empatia e minimizar a miséria e o sofrimento, mesmo que a solução para manter o equilíbrio do sistema de suporte da vida seja a morte de todas as criaturas.

 

A solução para boa convivência consiste no amor fraterno que pavimenta o caminho em direção a um futuro promissor, repleto de felicidade para as criaturas. Este sim tem a capacidade de solucionar todos os problemas da humanidade. Grandes pensadores e iniciados, em todos os tempos já o divisaram como a única solução para obter convivência pacífica até que a morte venha e nossos corpos sejam dados como alimento para outras criaturas sobreviverem por mais uns tempos até que a sua vez também chega para alimentar outras criaturas em círculos fechados a que denominamos ecossistemas.

 

O Grande Arquiteto do Universo escreveu em nosso DNA, em nossa mente a solução para uma vida com qualidade; é só praticar o amor fraterno para com tudo o que nos cerca porque estamos em equilíbrio e devemos respeitar os limites impostos pela Natureza. Caso contrário, desapareceremos como espécie ou até destruiremos nossa biosfera, o nosso lindo Jardim do Éden que vaga pelo espaço infindo a um destino desconhecido que só o Grande Arquiteto do Universo sabe. Somos todos tripulantes desta linda nave espacial linda e azul feita do nada para nosso usufruto enquanto ser.

 

Bibliografia:

 

1. ABBAGNANO, Nicola, Dicionário de Filosofia, Dizionario di Filosofia, tradução: Alfredo Bosi, Ivone Castilho Benedetti, ISBN 978-85-336-2356-9, quinta edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1210 páginas, São Paulo, 2007;

 

2. BOURRICAUD, François; BOUDON, Raymond, Dicionário Crítico de Sociologia, tradução: Durval Ártico, Maria Letícia Guedes Alcoforado, ISBN 978-85-0804-317-0, segunda edição, Editora Ática, 654 páginas, São Paulo, 2007;

 

3. GEORGE, Susan, O Relatório Lugano, Sobre a Manutenção do Capitalismo no Século XXI, título original: The Lugano Report, tradução: Afonso Teixeira Filho, ISBN 85-85934-89-1, primeira edição, Boitempo Editorial, 224 páginas, São Paulo, 1999;

 

4. MASI, Domenico de, Criatividade e Grupos Criativos, título original: La Fantasia e lá Concretezza, tradução: Gaetano Lettieri, ISBN 85-7542-092-5, primeira edição, Editora Sextante, 796 páginas, Rio de Janeiro, 2003;

 

5. MASI, Domenico de, O Futuro do Trabalho, Fadiga e Ócio na Sociedade Pós-industrial, título original: Il Futuro del Lavoro, tradução: Yadyr A. Figueiredo, ISBN 85-03-00682-0, nona edição, José Olympio Editora, 354 páginas, Rio de Janeiro, 1999;

 

6. ROUSSEAU, Jean-Jacques, A Origem da Desigualdade Entre os Homens, tradução: Ciro Mioranza, primeira edição, Editora Escala, 112 páginas, São Paulo, 2007.

 

Data do texto: 08/01/2010

 

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

 

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

 

Local: Curitiba

 

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

 

Área de Estudo: Educação, Filosofia, Maçonaria, Sociologia

domingo, 7 de janeiro de 2018


POEMA REGIUS
 
Encontramos a primeira parte, isto é, os comentários de Luiz Umbert Santos e a versão em espanhol dos 15 artigos e dos 15 pontos que traduzimos para o português, no trabalho "Que é a Maçonaria?", de E. S. Menezes. A segunda parte na "Pequena Enciclopédia Maçônica", de Octaviano de Menezes Bastos.
É o documento conhecido por "Documento Halliwell", descoberto por este antiquário, e publicado em 1840, em Londres, Em "The early History of freemasonry in England, by James Orchard Halliwell".
Trata-se, diz Luiz Umbert Santos em "Filosofia Masónica", de um velho pergaminho em forma de livro (descoberto pelo ano de 1839 na Biblioteca Régia do Museu Britânico) e foi publicado em 1840. Firma-se a época do "Manuscrito" em 1390. Está escrito em forma de poema, com 794 versos, encimados com a seguinte legenda: - "fiic incipiunt constitutiones artis Geometriae secundum Euclidem". (Aqui começam as Constituições da Arte da Geometria segundo Euclides).
Os versos de 11 a 56 descrevem como Euclides foi empregado para ensinar a Geometria, aos filhos dos nobres do Egito; do 57 ao 86 referem-se à chegada da "fraternidade" na Inglaterra, nos tempos do bom rei Athelstan, e como o Rei convocou uma Assembléia na qual foram adotados 15 artigos e 15 pontos. Da alínea 87 a 260 se expõem os 15 artigos, e da alínea 261 à 470, se relacionam os 15 pontos.
Em seguida define a maneira como a Assembléia devia se reunir, cada ano, em lugar apropriado, a que "todos os homens da fraternidade devem assistir". Descreve-se, depois, o martírio dos Ars cuatuor coronatorum, ou quatro cinzeladores e fabricantes de imagens que, por amor a Jesus, não quiseram fazer um ídolo e foram executados por mandato do Imperador.
Mais adiante reporta-se à edificação da "Torre de Babel" e sua interrupção pela confusão das línguas, e como Euclides ensinou a "Fraternidade da Geometria", terminando com uma descrição das sete ciências.
Uma análise de todo o documento revela que o poeta-autor o copiou DE OUTRO DOCUMENTO MUITO MAIS ANTIGO, como demonstram palavras e frases do inglês primitivo esse documento é tão marcadamente teísta que chega a ter uma prece a Deus e à Virgem Maria.
Por ele se comprova que a Maçonaria Moderna tem as suas leis e ética baseadas nos textos dos 15 pontos e 15 artigos que traduziremos da versão de Aurélio Almeida:
 
Art. 1º
Primeiro artigo desta Geometria:
O Mestre maçom deve ser firmemente
zeloso, e ao mesmo tempo fiel e leal,
Que assim não terá nunca de que arrepender-se:
E pagarás a teus obreiros o custo
Que a sua manutenção exija, bem o sabes;
E lhes pagarás sobre o teu critério,
O que eles pensam merecer:
E não os ocupes senão naquilo
em que possam ser úteis;
E abstenha-te, por amor ou temor,
de receberes suborno de alguém;
De amo nem de companheiro, de quem quer que seja,
Não recebas nenhuma espécie de pagamento;
Como um juiz mantenha-te reto,
E sem tardar faça a ambos perfeita justiça;
Cumpra fielmente tudo isto onde quer que vás,
A consideração e proveito serão maiores.
 
Art. 2°
O segundo artigo da boa Maçonaria,
Como podeis ouvi-la especialmente aqui,
É que todo Mestre que seja Maçom
Deve assistir à Convenção geral,
Sempre que tenha sido avisado em tempo razoável
Onde deve celebrar-se a assembléia;
E comparecerá com precisão à dita assembléia;
A menos que tenha excusa suficiente,
Ou que por alguma mentira seja desviado,
Ou que alguma grande enfermidade o aflija,
Que' não possa comparecer entre eles;
Esta é uma excusa boa e hábil,
sem fingimento, para com a dita assembléia.
 
Art. 3°
O artigo terceiro é certamente
Que o Mestre não deve aceitar aprendiz
Sem que tenha certeza de permanecer
Sete anos com ele como vos digo,
Para que aprenda o oficio com proveito;
Em menos tempo não pode tornar-se hábil
Para benefício do mestre ou de si próprio,
Como podeis facilmente compreender.
 
Art. 4°
O artigo quarto dispõe:
Que o Mestre veja bem,
E não faça aprendiz a nenhum servo,
Nem o tome por cobiça;
Porque o senhor a quem o aprendiz pertence
Pode recuperá-lo em qualquer lugar que vá
Se a Loja tivesse de levá-la
Muito distúrbio poderia nela se produzir,
E isto poderia acontecer
Porque alguns ou todos poderiam ofender-se com isto,
Pois os maçons que ali (na Loja) se acham
Sentem-se bem todos juntos.
Se um tal aprendiz entrar no ofício,
De vários inconvenientes poderia entreter-vos:
Para maior tranqüilidade, pois, e maior honra,
Tomai aprendiz de outra classe.
Encontra-se escrito pelos antigos
Que o aprendiz devia ser de honrada estirpe;
E assim algumas vezes filhos de grandes Fidalgos
Adotam esta geometria, que é muito boa.
 
Art. 5°
Deve cuidar, segundo podeis ouvir,
Que tenha todos os seus membros sadios;
Seria grande vergonha para o ofício
Admitir a um aleijado ou a um coxo
Pois um homem desta forma imperfeito
Faria pouquíssimo bem à fraternidade.
Assim podeis saber todos e cada um,
Que o ofício requer um homem forte;
Um homem mutilado não tem força,
Deveis ter compreendido isto há já muito tempo.
 
Art. 6°
O artigo sexto não deveis esquecer:
Que o Mestre não causa ao senhor nenhum prejuízo
Tirando dele para um seu aprendiz
O que recebe pelos companheiros, em todos os sentidos
Porque estes são no ofício muito perfeitos,
E o outro como sabeis não tanto,
Também seria contra a reta razão
O aprendiz ganhar a mesma diária que os companheiros,
Este mesmo artigo, em casos tais,
Ordena que o aprendiz receba menos
Que os companheiros que são, mais adestrados.
Em diversos casos, conforme seja preciso,
O mestre pode informar a seu aprendiz
que o seu salário pode crescer rapidamente
E talvez antes de terminar
Sua diária será bem melhorada.
 
Art. 7°
O sétimo artigo que agora chega
Claramente vos dirá a todos juntos
Que nenhum mestre, por favor nem medo,
Deverá auxiliar ou sustentar a um ladrão.
Jamais protegerá a ninguém destes:
Nem a quem tenha morto a um homem,
Nem a quem tenha má reputação,
A fim de que a Fraternidade não se envergonhe.
 
Art. 8°
O artigo oitavo ensina o seguinte:
Que o mestre pode muito bem,
Se tiver um homem do oficio,
E este não for tão hábil quanto deveria,
Proceder à sua substituição por outro
E colocar em seu lugar a um homem mais habilitado;
Pois aquele, por sua ignorância,
Poderia favorecer muito pouco a Fraternidade.
 
Art. 9°
O artigo diz com muita razão
Que o mestre seja sábio e fiel;
Que não empreenda obra nenhuma,
Senão quando puder fazê-la e rematá-la
Para que ao mesmo tempo se beneficie o dono
E também a Fraternidade, onde quer que seja,
E que os alicerces sejam tão sólidos
Que a obra não possa ruir nem quebrar.
 
Art. 10°
O décimo é para que saibais
Pequenos e grandes do ofício,
Que nenhum mestre deverá suplantar O outro,
Deverão ao contrário proceder entre si como irmã e Irmão
Neste curioso ofício e em todas e em cada uma
Das coisas concernentes a um mestre maçom.
Nem há de suplantar a nenhum outro homem
Que tenha tomado sobre si uma obra
Sob penas tão fortes
Que importem não menos de dez libras;
A menos que se julgue ser culpado
O primeiro que se encarregou do trabalho
Pois nenhum homem em Maçonaria
Suplantará ao outro, com certeza,
Senão em caso que este faça tão mau trabalho
Que a obra resulte inútil;
Então pode um maçom solicitá-la
Para salvá-la em proveito do dono;
Somente se tal coisa acontecer
Poderá um maçom meter-se em obra alheia;
Pois aquele que empresou os alicerces
Se for maçom bom e hábil
Tem com certeza o ânimo
De levar o trabalho a bom término.
 
Art. 11°
O undécimo artigo eu vos digo
É ao mesmo tempo nobre e liberal,
Pois ordena em sua força
Que nenhum maçom trabalhe de noite,
Exceto para exercitar a sua inteligência,
A fim de aperfeiçoá-la.
 
Art. 12º
O duodécimo artigo é de alta honradez
Para todo maçom, onde quer que se ache;
Não desacreditará o trabalho de seus companheiros,
Salvará ao contrário seu bom nome;
Com boas palavras os recomendará
Pelo saber que Deus lhes concedeu;
E a tudo remediará como possa,
Entre um e outro, sem dificuldade.
 
Art. 13º
O artigo décimo terceiro, assim Deus me salve,
É, que se o mestre tem um aprendiz,
Deve instruí-la completamente
E ensinar-lhe os pontos e medidas,
Para que possa exercer habilmente o ofício
Por onde quer que vá debaixo do sol.
 
Art. 14º
O artigo décimo quarto, por razão muito boa,
Ensina como deve conduzir-se o mestre.
Não deve tomar aprendiz
Senão quando tenha diversas obras para fazer,
Instruindo-o nos diversos pontos.
 
Art. 15º
O artigo décimo quinto é o último
E é amigo do mestre:
Há de ensinar ao aprendiz de modo que por nada
Profira ou sustente uma mentira.
Nem apóie os seus companheiros em tal pecado,
P\Jr nenhum bem que possa ganhar;
Nem lhes permita jurar em falso,
Por temor à sorte de suas almas;
Para que a Fraternidade não sofra vergonha
E muito vitupério.
 
Historia da Maçonaria – Nicolas Aslan – Anexos Maçonaria Operativa