quarta-feira, 4 de julho de 2012

INTEGRIDADE MORAL, A PEDRA DE TOQUE




INTEGRIDADE MORAL, A PEDRA DE TOQUE



A prova final da sinceridade e seriedade de uma diretoria é dada pela importância que inflexivelmente atribui à integridade do caráter. É isso, acima de tudo, que devem simbolizar as decisões que a direção toma sobre o seu pessoal. Porque é através do caráter que se exerce a liderança; é o caráter que fixa o exemplo a ser imitado. O caráter não é algo que o diretor possa comprar; se não o trouxer consigo para seu posto, jamais o terá. Não é algo a cujo respeito se possa enganar os outros. Em poucas semanas, a pessoa com quem o diretor trabalha, especialmente as que lhe são subordinadas, saberão se ele possui ou não integridade de caráter. Elas são capazes de perdoar uma série de coisas: a incompetência, a ignorância, a insegurança e até a má educação. Jamais, porém, perdoarão a falta de caráter. Nem perdoarão a administração superior a nomeação de um tipo desses.

A integridade moral pode ser difícil de definir, mas aquilo que constitua uma falta de integridade tão séria que desqualifique alguém para um posto de direção certamente não o é. Quem costuma concentrar-se mais nos defeitos das pessoas do que em suas qualidades não deve ser escolhido para dirigir pessoas. O gerente ou encarregado que sempre sabe dizer exatamente o que as pessoas não são capazes de fazer, mas que nunca enxerga aquilo de que elas são capazes de fazer, estará minando o espírito da sua organização. É claro que todo chefe deve ter uma noção nítida das limitações dos seus subordinados, mas deve encará-las como limitações àquilo que eles possam fazer e como obstáculos a superar. O chefe deve ser realista; e ninguém é menos realista do que a pessoa que não acredita em coisa alguma.

Quem sempre se preocupa mais em apurar “quem é que está certo e quem é que está errado” do que “que é que está certo e que é que está errado” não deve ser nomeado. Colocar o personalismo acima das exigências do serviço é corrupção e corruptor. A pergunta “Quem é que está certo”? Leva as pessoas a evitar o risco, quando não a “fazer política”.

A diretoria não deve elevar a postos de chefia quem colocar a inteligência acima da integridade moral. Isso é imaturidade – e geralmente incurável. Jamais deve promover quem tenha mostrado medo em relação a algum subordinado capacitado. Isso é sinal de fraqueza. Jamais dever colocar em posto de direção alguém que deixe de fixar padrões elevados para a sua própria atuação. Pois isso gerará desprezo pelo trabalho e pela capacidade diretora.

A pessoa pode conhecer-se mal, trabalhar mal, ser desprovida de critério e capacidade, e ainda assim não causar grandes danos como chefe. Porém, ela certamente será perniciosa se não tiver caráter e integridade moral – por maiores que sejam seus conhecimentos, seu brilhantismo e seu êxito. Ela destruirá as pessoas, o recurso mais precioso que a empresa possui. Destruirá o espírito. E destruirá o desempenho.

Isso se aplica de modo especial às pessoas que dirigem as empresas. Porque o espírito da organização é gerado a partir de cima. Se a organização for grande em espírito, será porque o espírito de seus dirigentes é grande. Se ela degenerar, será porque a administração apodrece. Como diz o provérbio, “As árvores morrem de cima para baixo”. Nenhuma pessoa deverá ser designada para ocupar posto de importância se a alta administração não estiver disposta a ver seu caráter sendo tomado para modelo de seus subordinados.



DRUCKER, Peter Ferdinand. Introdução à Administração. 3.ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. p. 463-465

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