sábado, 23 de setembro de 2017

Pé esquerdo no REAA

Meus Irmãos, tenho visto um monte de “caca” em muitas Lojas que visito e até na “nossa”. Pois, muitos mestres, não “sabem”, com  qual pé se entra no Templo, Houve situação que já presenciei  até ‘debates” na porta do Templo entre o Venerável e outro Mestre instalado, sobre o tema.
Vamos lá, tentarei explicar de forma simples e objetiva.
Ao contrário do que alguns podem pensar, esse é um costume muito antigo, de milênios, e não possui relação alguma com o azar.


As principais pinturas e esculturas de deuses e faraós egípcios mostram sempre o pé esquerdo à frente, enquanto as que ilustram pessoas comuns em situações do cotidiano mostram o pé direito. Trata-se de uma coincidência? Não. O passo com o pé esquerdo era considerado pelos egípcios como símbolo do “primeiro passo” para uma nova vida. Por isso, era com o pé esquerdo que o faraó dava seu primeiro passo após sua posse. Também por isso que as escadas eram feitas com degraus em número ímpar, de forma a ser possível iniciar e encerrar a subida com o pé esquerdo. Essa tradição foi herdada posteriormente pelos gregos, como também se pode ver estampada em sua arte.

Por que o esquerdo, e não o direito?

Os egípcios acreditavam que o lado esquerdo era o lado espiritual, enquanto que o lado direito era o lado material. Por esse motivo, as coisas tidas como sagradas eram feitas com o pé e mão esquerda.
Esse simbolismo do primeiro passo, um passo espiritual para uma nova vida, continuou sendo observado nas instituições tradicionais, principalmente em suas cerimônias de iniciação, incluindo a Maçonaria.
“Rompendo a Marcha”

O costume também foi incorporado pelos antigos exércitos, que davam o primeiro passo de suas marchas com o pé esquerdo como um sinal de sorte para a batalha. Com o tempo, o costume se tornou regra, mas perdeu sua simbologia. Daí então, as famosas “Lojas Militares”, responsáveis pelo surgimento das primeiras Lojas Maçônicas nas então “Colônias”, acostumados ao primeiro passo esquerdo não somente em Loja, mas também fora dela, incorporaram às suas Lojas a prática e o termo militar “romper a marcha com o pé esquerdo”.
Foi assim também que o maçom, que tinha “passos”, passou a ter “marchas”.

Na maioria dos rituais, rompimento da marcha se dá com o pé esquerdo. Assim o é no REAA e no de YORK, por exemplo; já no RITO ADONHIRAMITA e no FRANCÊS (ou MODERNO), o rompimento da marcha se dá com o pé direito.
Na Câmara de Reflexões, o desnudamento do pé esquerdo significa um despojo voluntário da insensibilidade moral, que impede a prática da virtude; indica a faculdade do discernimento que devemos usar em cada passo do nosso caminho, nos quais podemos tropeçar.

Na Maçonaria Simbólica, os três graus têm marchas diferentes. No REAA, a posição dos pés – em esquadria – sempre respeita o ângulo de 90º, com o pé esquerdo à frente e o direito apontado para a direita. E a circulação dentro dos templos sempre se dá da esquerda para a direita .
(Passo do Aprendiz); O pé esquerdo avança antes do direito para mostrar que o Aprendiz ainda tem as influências emocionais e da imaginação (lado esquerdo do cérebro), preponderando sobre a razão e a inteligência (lado direito).

 Algumas Curiosidades:
  • O cavaleiro monta o cavalo colocando o pé esquerdo, em primeiro lugar, no “pé” do estribo;
  • Nas esculturas e gravuras egípcias os sacerdotes avançavam sempre com o pé esquerdo à frente;
  • Nas Fanfarras, o primeiro passo é dado com o pé esquerdo. O batalhão rompe a caminhada colocando o pé esquerdo à frente;
  • No Budismo, o pé esquerdo é figura de destaque. Tanto assim que o Pé de Buda, famosa figura budista, se vê representado pelo pé esquerdo;
  • Na dança, o parceiro movimenta para frente o pé esquerdo, em total sincronia, obrigando a parceira a recuar o pé direito;
  • Em reforço para o início com o pé esquerdo, é que o Rei David deixava sempre a sua harpa pendurada ao lado de sua cama. Conta a tradição que o vento do Norte tangia a harpa produzindo sons e o Rei David se levantava para fazer seus Salmos. Isso sempre acontecia à meia-noite.
Conclusão:
Outrossim (é minha opinião pessoal),  acredito que ambas as correntes que “credenciaram” ora o pé esquerdo, ora o pé direito como preponderantes no rompimento da marcha têm bons motivos para o fazê-lo, mas que, de acordo com a maioria das opiniões e pelo REAA  constata-se a preponderância na utilização do pé esquerdo na senda maçônica ao adentrar o Templo.

Vamos acabar com os modismo na Maçonaria

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