terça-feira, 14 de março de 2017


Juramento e compromisso maçónico...

 

Escrito por Nuno Raimundo

Quando se segue uma Via Espiritual ou se é admitido numa Ordem de tipo esotérico-iniciática tal como a Maçonaria se define, é habitual o novo membro efetuar um juramento no momento da sua admissão ou durante a execução de uma cerimónia de cariz iniciático, no qual se assume um determinado compromisso. E somente após a realização desse juramento é que o neófito é recebido e integrado no seio da respetiva Ordem.
No caso que irei abordar e que será sobre a Maçonaria, é natural quando se fala em compromisso maçónico também se abordar simbióticamente o juramento maçónico. Tanto um como o outro são indissociáveis, porque um obriga ao outro e o mesmo, reciprocamente.

Durante o desenrolar de uma Iniciação Maçónica, no seu "ponto alto", o neófito concorda em submeter-se a um juramento onde assume como compromisso de honra, aceitar e respeitar as Regras, Usos e Costumes da Maçonaria bem como as regras e leis do país onde se encontra sediada a Obediência Maçónica e a respetiva Loja da qual irá fazer parte. Nomeadamente e de entre os vários princípios maçónicos que se aceitam cumprir, os mais conhecidos pelo mundo profano são a Fraternidade entre todos os Irmãos, a prossecução do espírito da Liberdade na Sociedade Civil e o sentimento de Igualdade entre todos.
Assim, assumir-se um compromisso com a Ordem Maçónica é assumir-se um compromisso pela Ordem e a bem da Ordem. Isto é que é o tão propalado estar à Ordem.
E estar-se é mais do que o ser-se! E digo isto porque qualquer um pode "o ser", mas "estar" apenas se encontra ao alcance de poucos...
Estar implica sacrifício, comprometimento, trabalho, prática e estudo, e isto de forma incansável e perene.
Por isto é que assumir um compromisso deste género e com a relevância que este tem, nunca deverá ser feito de forma leviana; o mesmo se passa com os outros compromissos que se assumem durante a nossa vida profana e que também não devem ser assumidos se não estivermos capacitados para os cumprir.
-Há que se ter a noção daquilo a que nos propomos a fazer-.
Por isso é que o compromisso maçónico é feito com a nossa Palavra e sobre a nossa Honra. Desvirtuar estas duas qualidades, é desvirtuar a própria Maçonaria.
Da mesma forma que, se não respeitarmos a nossa palavra e não mantivermos a nossa dignidade na sociedade civil, também não somos dignos de nela estarmos integrados e sofreremos as consequências ou punições que forem legitimadas pelas leis do país.
De certa maneira, a Maçonaria atua e se assemelha com a sociedade profana, com as suas leis e os seus costumes, competindo aos maçons respeitar a sua aplicação e observar o seu cumprimento. É mais que um dever ou obrigação tal. É a assumpção que assim o deve ser e nada mais!
Porque assim tem funcionado há quase três séculos e o deverá continuar a ser noutros tantos...

Aliás, ainda na Maçonaria contemporânea se encontra algo que dificilmente se encontra na profanidade atualmente, ou seja, o valor da palavra sobre a escrita. O que não deixa de ser curioso dados os tempos que correm.
Nesta Augusta Ordem, ainda hoje aquilo que um maçom afirma tem um valor tal, que se poderá assumir que não necessitará de ser escrito para que o seja considerado; basta se dizer, que assim o será.
O tal "contrato verbal" na Maçonaria ainda hoje tem lugar. E somente pessoas de bons costumes o usam fazer, pois a sua honra e a sua conduta serão sempre os seus melhores avalistas.

Não obstante, o compromisso maçónico ao ser albergado por um juramento, obriga a que quem se submete a ele, o faça de forma permanente. Não se jura somente aquilo que gostamos ou somente aquilo que nos dá jeito cumprir.
Quando entramos para a Maçonaria sabemos que, tal como noutra associação ou organização qualquer, existem regras e deveres para cumprir; pelo que o cooptado compromete-se em respeitar integralmente todas as regras e deveres que existem na sua Obediência. E quem age assim, fá-lo porque decidiu livremente que o quer fazer e não porque alguém a tal o obriga.

E uma vez que a adesão à Maçonaria se faz por vontade própria, aborrece-me bastante (para não ser mais acutilante ainda...) assistir ou ter conhecimento de casos em que este juramento foi atraiçoado e em que os compromissos assumidos perante todos, foram deliberadamente e conscientemente esquecidos.

Será que quem age desta forma, poderá ser reconhecido como um verdadeiro maçom?
Ou será apenas gente que simplesmente enverga um avental e um par de luvas brancas nas sessões da sua Loja?
Em alguns casos destes, creio que foram pessoas que entraram na Maçonaria, mas que por sua vez, a Maçonaria certamente não entrou neles...

Algumas vezes, infelizmente, isto pode acontecer porque quem vem para a Maçonaria vem "desavisado", isto é, pouco conhece ou percebe o que é a Maçonaria e o que ela representa, "vem ao escuro" por assim dizer, e caberá a quem apadrinha uma candidatura maçónica, informar ou retirar algumas dúvidas que se ponham ao seu futuro afilhado e consequente irmão. Em última instância, devem os responsáveis pelas inquirições que decorrem no âmbito de um processo de candidatura maçónica, no momento das entrevistas aos candidatos, terem a sensibilidade para se aperceberem do desconhecimento do entrevistado sobre os princípios e causas que movem os maçons e sobre a Ordem da qual este manifesta a vontade de vir a fazer parte, e nesse caso, serem os próprios inquiridores nessas alturas em concreto, a efetuar o trabalho que deveria ter sido feito anteriormente pelo proponente da referida candidatura, no que toca a esclarecer o profano e a fornecer-lhe as informações que lhe sejam necessárias para que esta (possível) adesão possa decorrer sem sobressaltos, nem que esta admissão venha a causar problemas (previsíveis!) no futuro, seja para a respetiva Loja ou até mesmo para a Obediência que porventura o vier a acolher.

Todavia, normalmente no momento do juramento maçónico, o neófito fá-lo sem saber/compreender o que estará a jurar e para o que estará a jurar, pois o véu que o cobre na sua Iniciação é de tal densidade que muitas vezes somente passado algum tempo é possível se perceber o juramento que se fez e o compromisso que se tomou, e que por vezes pode ser diferente daquilo que são as crenças pessoais e respetiva forma de estar de cada um ou até mesmo porque se acreditava que se "vinha para uma coisa e afinal se encontrou outra"...
E o trabalho que um padrinho deve desenvolver com o seu afilhado durante a formação deste tanto como a responsabilidade que assumiu perante o afilhado e a Ordem ao subscrever a candidatura dele, serão fulcrais neste tipo de situação concreta. O padrinho (pelo dever moral) e a Loja em si (porque é um dever da loja acompanhar e tentar integrar corretamente os Irmãos nos valores maçónicos) devem tentar perceber o motivo pelo qual alguém se "distancia" da Maçonaria. E apenas ulteriormente, se for caso disso, devem aconselhar a um possível adormecimento desse irmão por não ser do seu intento continuar a pertencer a algo com o qual não se identifique mais.
Pelo que desta forma se prevenirão certos casos e eventuais "lavagens de roupa suja" ou fugas de informação que poderão surgir, as quais na sua maioria nem sequer são informações plausíveis nem verídicas sequer, pelo que apenas posso especular que estas ocorrências se devem a paixões e vícios mal combatidos e nem sequer evitados... E como se costuma dizer, "o mal corta-se pela raiz", pelo que "as desculpas devem evitar-se"...

E quem entra na Maçonaria deve ter a noção que as suas atitudes já não lhe dirão respeito apenas a si, mas a todos os integrantes desta Augusta Ordem, a conduta de um maçom estará sempre sob um fino crivo pela sociedade e sempre debaixo do escrutínio de todos, seja de fora ou internamente. - Porque um, pode sempre e a qualquer momento, "por em xeque" os demais -. E ter esta noção e assumir esta responsabilidade é algo que deve ser intrínseco desde os primeiros momentos de vida maçónicos.
Já não é o Nuno, o X ou o Y que fazem isto ou aquilo, serão os maçons Nuno, X ou Y que o fazem... Logo é a Maçonaria na sua generalidade que será atentada com a má conduta que os seus membros possam ter, para além da Ordem poder vir a ser acusada de cumplicidade pelos atos efetuados pelos seus membros.

Assumir que a nossa forma de estar e agir condiciona e se reflete na Maçonaria é um dos maiores compromissos que os maçons poderão tomar. Tanto que o dever de honrar a nossa Obediência, a nossa Loja e a Maçonaria em geral, deve permanentemente se encontrar na mente de todos os maçons.
Um juramento implica obrigações, e jurar ser-se maçom, mas fundamentalmente ser-se reconhecido maçom pelos nossos iguais, implica que sejamos maçons a "tempo inteiro" e não apenas às segundas-feiras ou quintas-feiras de manhã ou à noite, ou quando nos dará mais jeito, é sempre!
Sermos maçons, não é quando visitamos a loja e usamos os respetivos paramentos. Não basta envergarmos um avental, calçar umas luvas brancas e fazer uns "gestos estranhos", é muito mais que isso! É cumprir preceitos, rituais e trabalhar em prol da Ordem.


E se não estivermos prontos para tal, de nada valerão os juramentos que fizermos, porque nunca nos iremos comprometer com nada na realidade e em último caso, nem sequer reconhecidos como tal seremos.
E a palavra persistirá perdida...

sábado, 11 de março de 2017


 

 Caridade, Prática do Amor ao Próximo

 

Charles Evaldo Boller

 

O maçom está obrigado a praticar a Caridade como parte de sua formação moral, porque pratica-la não lhe é livre. Neste mundo cheio de maldade, tirania e opressão a Caridade não é facultativa ao franco-maçom, semelhante à Justiça, ela é obrigatória. Principalmente depois que ele se dispôs por juramento a pratica-la. Enquanto Justiça é aplicada pela força, porque justiça sem força não existe, a Caridade deve emanar das fibras mais íntimas do coração, de um fogo aceso lá por característica de projeto, idealizado pelo Grande Arquiteto do Universo.

 

Dicotomizando sobre o tema a partir da Caridade como a predisposição da alma em distribuir o bem sem olhar a quem nem buscar recompensa, esta deve ser praticada com o coração sem constranger ao beneficiário, senão, ao invés de ser considerado ato de amor o mesmo não passa de mera expressão da vaidade e uma espécie de massagem no ego. Caridade não pode destruir a liberdade do outro, convertendo-o em dependente ficando o autor da Caridade com uma espécie de tutela sobre o beneficiado. Caridade tem grande possibilidade de gerar ódio no coração do beneficiado se feita de forma a constranger. Por isso é melhor que o receptor da Caridade ignore de onde vem o benefício. Se a Caridade for objeto de projeção pessoal do doador, o beneficiado, ao invés de gratidão desenvolverá ódio, ficando o ato da Caridade como simples obrigação moral ou dever de consciência do doador. Para a maioria dos que recebem Caridade composta de bens materiais diversos, até de dinheiro, o ato de Caridade não passa de mera obrigação do doador, isto porque para o mesquinho, o doador o faz por obrigação, porque tem demais e o pouco que cai de sua mesa não lhe faz falta.

 

 

 

Então é habitual os receptores contumazes desenvolverem, além de apatia e preguiça para irem à luta pela sobrevivência, um sentimento de ódio pelo doador, o que fazem surgir ideologias políticas como o Comunismo e Anarquia. No mínimo o doador é presenteado de volta com indiferença: o que constitui o contrário do amor. De onde se pode deduzir que a Caridade pode desenvolver sentimentos e vícios se não for aplicada com sabedoria.

Lendo a Caridade como objeto filosófico da Maçonaria, ela sustenta a loja como base de três colunas herméticas junto à fé e esperança. Caridade é a que mais robustece a prática maçônica porque sua prática humaniza o francomaçom e lhe possibilita o desenvolvimento e manutenção da esperança e fé. Por isso Caridade é algo imposto ao obreiro diligente com sua construção e desconstrução, onde fé e esperança lhe fornecem a força motriz e perseverança para continuar na jornada. É primeiro e último dever do francomaçom.

 

A Caridade pode ser praticada sem que se empenhem valores financeiros, pois Caridade material sempre acaba no dia seguinte. O melhor da Caridade é ensinar aos outros os meios para que suas necessidades básicas de subsistência sejam sempre atendidas de modo que não se torne submisso aos poderosos.

 

Outra forma de Caridade é conviver: simplesmente ouvir ao que os aflitos têm a dizer é uma forma de Caridade superior.

 

A Caridade moral é outra forma de prática que não prejudica ao beneficiado e tem como resultado o amor do Grande Arquiteto do Universo, pois expressa apenas aquilo que já existe dentro de cada um: o amor ao próximo. Dizem que o homem é o único animal que desenvolve compaixão e que esta vem da inclinação natural de praticar a Caridade. É o que distingue o homem e lhe oferece a possibilidade de evoluir como ser consciente e racional. Inclusive sua fé deve ser raciocinada para não enveredar ao fundamentalismo e fanatismo de modo que possa persistir em praticar a Caridade alimentada pelo coração. Caridade é o doar-se para os outros sem que os beneficiados o peçam e independente do fato de os oportunistas dela se valham para tirar vantagens do doador. Doar-se, ouvir, estar presente não exige aporte de valor monetário algum, é apenas deixar fluir o companheirismo, a fraternidade que conduzem a bons pastos e paz duradoura.

 

Fazer aplicação da Caridade, em virtude de sua diversificação é uma arte, uma ciência do bom viver. Ela pavimenta o caminho do homem em permanente evolução no conhecimento de si mesmo. Caridade é característica desenvolvida que humaniza, a mais pujante demonstração de amor ao próximo que existe latente em cada coração.

O píncaro da glória para o praticante da Caridade vem da possibilidade dada a cada ser humano de velar por sua família em todas as situações. Esta é o suprassumo das Caridades! A Francomaçonaria mostra isso ao declarar que apenas através da fraternidade é possível construir uma sociedade sadia onde se colocam diversas pessoas das mais variadas origens debaixo de um mesmo teto vivendo em paz. Isto serve de modelo para o francomaçom levar em sua mochila para casa onde coloca a Caridade em prática para com os seus mais chegados: avós, pais, filhos, esposa. Todos podem ser objeto de Caridade, mesmo que não lhes falte o essencial das necessidades básicas de vida esquematizadas por Maslow. O homem que pratica a Caridade dentro da própria casa já está de bom tamanho para atingir o objetivo escrito de forma indelével no coração pelo Grande Arquiteto do Universo.

 

A virtude teologal da Caridade não carece de miseráveis e pobres para ser praticada. Ouvir ao pai ou à mãe quando estes se queixam é uma forma de Caridade e não custa nada. Ouvir as queixas do irmão na loja é Caridade igualmente. Ouvir a esposa, filhos, barbeiro, faxineira, ou qualquer um é uma forma de Caridade. Agora, se o ato de ouvir vier acompanhado de conselhos proativos e até de ações que demandem desembolsos que impliquem em sacrifícios, então o efeito é multiplicado.

 

Não há necessidade de afirmar que a Caridade é uma predisposição da alma para o bem: isto já está lá dentro de cada um. E o homem é uma alma vivente, que possui vibrando dentro de si energias que desconhece e que o identificam e assemelham ao gerador da vida que é o Criador. Caridade não é apenas para dar esmolas aos miseráveis, trata-se de um tesouro que é acumulado para si mesmo e esta riqueza o ladrão não leva. É parte daqueles tesouros guardados na alma, torna-se parte intrínseca do ser como valores eternos gravados na alma. É a perfeição das virtudes do homem que lustra sua pedra para honra e à glória do Grande Arquiteto do Universo.

 

Biblioteca Charles Evaldo Boller Caridade, Prática do Amor ao Próximo.

quinta-feira, 9 de março de 2017


Manchete

 

E, atravessando a rua, amedrontada, ouvia

As manchetes do dia.

 

Alguém comunicava: os assaltantes

Depredaram a casa,

Em rápidos instantes;

Depois, deixaram tudo em brasa.

Os moradores de regresso

Revoltaram-se, em vão...

 

Mais adiante, um amigo,

Sem disfarçar a própria irritação,

Dizia para outro: O meu bairro é um perigo...

Ontem, presenciamos três assassinatos,

Com agressões, injúrias, desacatos...

 

Um passo acima, e uma senhora ao lado,

Informava num grupo: O horrível acidente

Que arrasou e feriu a tanta gente

Foi simplesmente provocado.

A polícia está certa...

A pesquisa mais ampla foi aberta

Para que se conheça os responsáveis.

 

Além, um moço, por sinal,

Exibia uma folha de jornal

A expressar-se com voz cansada e constrangida:

- Minha noiva foi morta

Pelas balas de alguém que a deixaram sem vida!...

O meu sonho ruiu, falta-me a confiança,

Não sei se penso em ódio ou se penso em vingança...

 

Mais adiante ainda, um jovem comentava:

- É um destino cruel que se grava na Terra,

Tudo indica no mundo o início de outra guerra,

Tão destrutiva quanto as que tivemos...

Duras tribulações nos últimos extremos,

Dolorosas visões, de batalha em batalha,

Orfandade e viuvez, ao fragor da metralha!...

Logo após, concluía em alta voz:

- Que informações terríveis sobre nós!...

 

 

Dominada de estranha sensação,

Busquei, num parque amigo, a bênção da oração...

Depois, fitei o sol do entardecer

E o pranto de emoção

Jorrou-me do mais íntimo do ser...

 

Em meio de sublime encantamento,

Notei num quadro magistral

Que os pintores do Além

Haviam desenhado em Plano Azul

A face do Senhor no firmamento...

E sob aquele olhar magnânimo e profundo,

Detido a contemplar os conflitos do mundo,

Escreveram, em luz de etérea purpurina,

A palavra do Cristo, em manchete divina:

- Amados meus, por quê?

Por que tanta discórdia e tanto sofrimento?

Eu apenas vos disse:

Eis que vos dou um novo mandamento,

No resumo integral de toda a Lei:

- “Amai-vos uns aos outros,

Tal qual eu vos amei”.

 

Maria Dolores

terça-feira, 7 de março de 2017


Saúde e Equilíbrio
André Luiz
 
Para garantir saúde e equilíbrio, prometa a você mesmo:
1- Colocar-se sob os desígnios de Deus, cada dia, através da oração, e sustentar a consciência tranquila, preservando-se contra ideias de culpa.
 
2- Dar o melhor de si mesmo no que esteja fazendo.
 
3- Manter coração e mente, atitude e palavra, atos e modos na inspiração constante do bem.
 
4- Servir desinteressadamente aos semelhantes, quanto esteja ao alcance de suas forças.
 
5- Regozijar-se com a felicidade do próximo.
 
6- Esquecer conversações e opiniões de caráter negativo que haja lido ou escutado.
 
7- Acrescentar pelo menos um pouco mais de alegria e esperança em toda pessoa com quem estiver em contato.
 
8- Admirar as qualidades nobres daqueles com quem conviva, estimulando-os a desenvolvê-las.
 
9- Olvidar motivos de queixa, sejam quais forem.
 
10- Viver trabalhando e estudando, agindo e construindo, no próprio burilamento e na própria corrigenda, de tal modo que não se veja capaz de encontrar as falhas prováveis e os erros possíveis dos outros.

domingo, 5 de março de 2017


Restauração de Templos Vivos

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Exortação à espiritualidade; vida eterna; restauração o templo interno e defesa dos inimigos; influência e pertencimento ao Universo.

O maçom é sucessivamente exortado a edificar e restaurar templos. Reconstruir templos danificados tem na Maçonaria significado simbólico de grande profundidade filosófica. Isto porque na reconstrução concorrem valores humanos significativos, bem mais intensos que na sua construção. Para uma edificação ser reconstruída, esta deve possuir valor inestimável, e são poucos os abnegados que se habilitam na empreitada de reconstruir algo danificado e com alta probabilidade de ser destruído de novo. Na reconstrução de templos concorrem valores como firmeza de decisão e perseverança no objetivo para concluir a reconstrução, bem como, heroísmo no enfrentamento de terríveis e insidiosos inimigos durante as atividades. A ordem maçônica usa de ilustrações de reconstruções para provocar o raciocínio de restaurações constantes de um tipo especial de templo: o homem integral.

Quando em Maçonaria se faz referência a um templo, este designa o local de reunião dos maçons, e por extensão simbólica, significa o "grande" Universo e o "pequeno" Universo, aonde este último constitui a essência do próprio homem, sua força vital, o seu corpo completo; o homem como um templo vivo. Entende-se por corpo completo a sua constituição física e a força ativa que o mantém vivo. Este conjunto complexo pode ser comparado a um Universo em miniatura composto de: corpo, mente, emoção e espiritualidade. Na soma total destes elementos, o espírito é considerado encarnado, parte do corpo físico. A reconstrução deste tipo de templo ocorre a cada iniciação, a cada nova modificação interior, em resultado da auto-educação estimulada pela ordem maçônica. Cada pedreiro trabalha com as ferramentas de que dispõe, em si mesmo e como resultado de seu desenvolvimento físico, intelectual, emotivo e metafísico. O sábio percebe a finalidade do desafio de modificar a si mesmo para o bem. O sublime e principal propósito é levar o homem a conhecer-se intimamente, de modificar-se, de reconstruir-se ou reorganizar-se internamente ao templo vivo que cada um é.

No diálogo, "O Banquete", Platão (428 a. C. - 347 a. C.) afirma que enquanto na juventude prevalece a admiração pela beleza, no adulto amadurecido descobre-se a verdadeira beleza na espiritualidade. É na maturidade que o homem desperta e se considera parte de um templo maior que consiste em toda a vida do "grande" Universo. Conscientiza-se que concorre para a realização de todo o esplendor do milagre da vida estabelecido em leis naturais espantosas, só compreendidas no amadurecimento espiritual adulto. Entretanto, existem "adultos" que, ao não se modificarem internamente, continuam menores de idade, dependentes da orientação de terceiros e ainda não alcançaram idade madura. Neste caso não se trata do período da vida compreendido entre a juventude e a velhice, ou a meia-idade, mas o termo último de desenvolvimento humano, a fase de autorealização. É a liberdade observada quando o homem não é culpado de sua própria menoridade, de sua heteronomia, de deixar-se conduzir por um terceiro. Heteronomia refere-se à deficiência onde a dependência não acontece for falta de entendimento ou limitação fisiológica, mas da falta de coragem ou preguiça de trabalhar em seu templo, presa de paixões desenfreadas ou vícios degradantes. Para Platão, o adulto que venceu sua minoridade reconhece que a beleza emana de sua característica espiritual, essencialmente quando desenvolvida por si mesmo e em si mesmo. E isto constitui a liberdade absoluta do homem, pois quando não padece de heteronomia, é em seu "pequeno" Universo interior, qual templo, que o homem adulto é soberano e senhor absoluto.

Um templo maçônico é a representação simbólica do Universo maior, composta de toda matéria animada e inanimada. É tão incrível a matéria deste "grande" Universo que, se observada de perto, de bem perto, ao nível atômico e subatômico, é como se toda a existência material fosse feita com absolutamente nada de massa, de quase nada, quase que exclusivamente de espaço vazio. As partículas são tão insignificantes e afastadas umas das outras em espaços relativos tão grandes que, em essência, resulta apenas espaço vazio. E é tão somente pela velocidade com que os elétrons giram ao redor do núcleo que se manifesta a solidez da matéria. Em essência, a matéria do Universo é feita de nada, de espaço vazio. Ser parte deste todo e ao mesmo tempo deste nada, deste maravilhoso espetáculo da matéria inanimada e animada pelo sopro da vida, é o que dá um importante significado para a vida do homem. É uma distinção impar ser uma individualidade diante do volume de matéria inanimada que existe. O homem é feito da matéria inanimada do Universo, a qual recebeu vida de uma forma ainda incompreensível para o seu conhecimento científico. É natural que, respeitadas as devidas proporções, se considere o homem como um "pequeno" Universo de matéria e energias aglutinadas e animadas por uma energia vital e sobre o qual o intelecto sem heteronomia exerce poder e comando.

Se as estrelas e planetas exercem influências gravitacionais de uns sobre os outros, então as partículas que formam o templo do homem, o seu "pequeno" Universo interior, estão sob influência energética dos outros corpúsculos semelhantes espalhados pelo "grande" Universo. É este pertencer que dá grande significado para a vida do homem. Seu templo faz parte indissolúvel do Universo e isto promove um maravilhoso significado para exercer a liberdade com responsabilidade. É uma honra e distinção impossível de esquecer o fato de ser premiado para viver com liberdade dando conta de si mesmo no Universo.

Se destruído o corpo, ou parte dele, ao nível da matéria e com a atual tecnologia disponível ainda é impossível ao homem reconstruir um templo assim. Resta remendar o corpo físico e mantê-lo funcionando mesmo que precariamente e em decadência progressiva. Para viver com qualidade, o sábio cuida bem de sua saúde física e emocional enquanto os anos lhe vão desgastando a maravilhosa estrutura biológica, até o instante em que a regeneração química de suas moléculas se torna impossível e o sopro da vida o abandona. Alguns parceiros do homem que compartilham a biosfera terrestre têm em si a capacidade de desenvolverem novos membros que lhes foram arrancados por acidentes ou predadores, mas ao homem esta faculdade ainda não se disponibilizou. Já o templo interior do homem é passível de reconstrução, basta que para isto se parta para a ação com vontade e perseverança. A capacidade de reconstruir o templo interior, uma vez destruído, é uma capacidade que cada homem possui em potencial. É só deixar que esta inclinação espiritual se manifeste e se obedeça ao bom senso de seguir sempre em frente.

Simbolicamente, a ação nobre da espada inibe a aproximação e defende do inimigo externo e subjuga e mata o inimigo interno, enquanto a trolha, na mão do trabalhador da pedra, participa na edificação e reedificação de templos. A trolha constrói o templo externo de pedra, assentando as pedras, em cujo interior, ao alisar as paredes, melhora as relações entre as pedras vivas que estão construindo e reconstruindo templos vivos. Os maçons reúnem-se num templo de pedra que representa o Universo, local sagrado onde cada indivíduo reconstrói seu próprio lugar sagrado, o templo de si mesmo. É local também onde se provoca e incentiva ao seu irmão a edificar e melhorar seu templo. Cada um atua num templo de carne que é a representação em miniatura do Universo dentro de um templo de pedra que representa o Universo. Os templos melhorados pelo trabalho em si mesmos agradecem ao privilégio de vestirem ossos com carne, animados pela força ativa do espírito que exalta o dom da vida. É pelo conjunto de todo o trabalho de construção e reconstrução, planejado racionalmente, que o maçom declara a glória do Grande Arquiteto do Universo,

Bibliografia:

1. CAMINO, Rizzardo da, Rito Escocês Antigo e Aceito, Graus um ao Trinta e Três, ISBN 978-85-370-0222-3, primeira edição, Madras Editora Ltda., 302 páginas, São Paulo, 2009;

2. CLAUSEN, Henry C., Comentários Sobre Moral e Dogma, primeira edição, 248 páginas, Estados Unidos da América, 1974;

3. MIRANDA, Pedro Campos de, Os Caminhos da Maçonaria, ISBN 85-7252-216-6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 160 páginas, Londrina, 2006;

4. SANSÃO, Valdemar, O Despertar para a Vida Maçônica, ISBN 85-7252-206-9, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 192 páginas, Londrina, 2005;

5. SOBRINHO, Octacílio Schüler, Maçonaria, Introdução Aos Fundamentos Filosóficos, ISBN 85-85775-54-8, primeira edição, Obra Juridica, 158 páginas, Florianópolis, 2000;

6. SPOLADORE, Hercule, O Homem, o Maçom e a Ordem, ISBN 85-7252-204-2, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 194 páginas, Londrina, 2005.

Data do texto: 26/01/2010

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Espiritualidade, Filosofia, Maçonaria, Simbologia

quinta-feira, 2 de março de 2017


"Livre e de Bons Costumes"

 

Porque é Livre e de Bons Costumes?


O ideal dos homens livres e de bons costumes, que a sublime Ordem ensina, mostra que a finalidade da Maçonaria é, desde épocas mais remotas, dedicar-se ao aprimoramento espiritual e moral da Humanidade, pugnando pelos direitos dos homens e, pela Justiça, pregando o amor fraterno, procurando congregar esforços para uma maior e mais perfeita compreensão entre os homens, a fim de que se estabeleçam os laços indissolúveis de uma verdadeira fraternidade, sem distinção de raças nem de crenças, condição indispensável para que haja realmente paz e compreensão entre os povos.


No mundo da atualidade, conturbado pela incompreensão e pela ganância, mais do que nunca é necessário que brilhe no coração dos Irmãos a flama do ideal maçônico; que os obreiros, almas que se ornam pela bondade, forças que se unem pelo amor, vontades que se harmonizam pelo desejo de espalhar luz sobre seus semelhantes, tornando-os bons e caritativos, sejam orientados e guiados na trajetória que os leva a perfectibilidade.


Livre, palavra derivada do latim, em sentido amplo quer significar tudo o que se mostra isento de qualquer condição, constrangimento, subordinação, dependência, encargo ou restrição.
A qualidade ou condição de livre, assim atribuído a qualquer coisa, importa na liberdade de ação a respeito da mesma, sem qualquer oposição, que não se funde em restrição de ordem legal e, principalmente moral.


Em decorrência de ser livre, vem a liberdade, que é faculdade de se fazer ou não fazer o que se quer, de pensar como se entende, de ir e vir a qualquer parte, quando e como se queira, exercer qualquer atividade, tudo conforme a livre determinação da pessoa, quando não haja regra proibitiva para a prática do ato ou não se institua princípio restritivo ao exercício da atividade.
Bem verdade é que a maçonaria é uma escola de aperfeiçoamento moral, onde o homem vai aprimorar-se em benefício dos semelhantes, desenvolvendo qualidades que o possibilitam ser, cada vez mais, útil à coletividade.


Não nos esqueçamos, porém, que, de uma pedra impura jamais conseguiremos fazer um brilhante, por maior que sejam nossos esforços.
O conceito maçônico de homem livre é diferente, é bem mais elevado do que o conceito jurídico. Para ser homem livre, não basta.
Ter liberdade de locomoção, para ir aqui ou ali. Goza de liberdade o homem que não é escravo de suas paixões vis, que não se deixa dominar pela torpeza dos seus instintos de fera humana.
Não é homem livre, não desfruta da verdadeira liberdade, quem está escravizado a vícios.


Não é homem livre aquele que é dominado pelo jogo, que não consegue libertar-se de suas tentações.


Não é homem livre, quem se chafurda no vício, degrada-se, condena-se por si mesmo, sacrifica voluntariamente a sua liberdade, porque os seus baixos instintos se sobrepuseram às suas qualidade, anulando-as. Maçom livre é o que dispõe da necessária força moral para evitar todos os vícios que infamam, que desonram, que degradam.


O supremo ideal de liberdade é livrar-se de todas as propensões para o mal, despojar-se de todas as tendências condenáveis, sair do caminho das sombras e seguir pela estrada que conduz à prática do bem, que aproxima o homem da perfeição intangível.
Ser livre é ir mais além, é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes. Sendo livre e por conseqüência, desfrutando de liberdade, o homem deve, sempre pautar sua vida pelos preceitos dos bons costumes, que é expressão, também derivada do latim e usada para designar o complexo de regras e princípios impostos pela moral, os quais traçam a norma de conduta dos indivíduos em suas relações domésticas e sociais, para que estas se articulem seguindo as elevadas finalidades da própria vida humana.


Os bons costumes, referem-se mais propriamente à honestidade das famílias, ao recato das pessoas e a dignidade ou decoro social. A idéia e o sentido dos bons costumes não se afastam da idéia ou sentido de moral, pois, os princípios que os regulam são, inequivocamente, fundados nela.


O bom maçom, livre e de bons costumes, não confunde liberdade, que é direito sagrado, com abuso que é defeito. O bom maçom, livre e de bons costumes, crê em Deus, ser supremo que nos orienta para o bem e nos desvia do mal. O bom maçom, livre e de bons costumes, é leal.


Quem não é leal com os demais, é desleal consigo mesmo e trai os seus mais sagrados compromissos. O bom maçom, livre e de bons costumes, cultiva a fraternidade, porque ela é a base fundamental da maçonaria, porque só pelo culto da fraternidade poderemos conseguir uma humanidade menos sofredora. O bom maçom, livre e de bons costumes, recusa agradecimentos porque se satisfaz com o prazer de haver contribuído para amparar um semelhante. O bom maçom, livre e de bons costumes, não se abate, jamais se desmanda, não se revolta com as derrotas, porque vencer ou perder são contingências da vida do homem. O bom maçom, livre e de bons costumes, é nobre na vitória e sereno se vencido, porque sabe triunfar sobre os seus impulsos, dominando-os. O bom maçom, livre e de bons costumes, pratica o bem porque sabe que é amparando o próximo, sentindo suas dores, que nos aperfeiçoamos. O bom maçom, livre e de bons costumes, abomina o vício, porque este é o contrário da virtude, que ele deve cultivar. O bom maçom, livre e de bons costumes, é amigo da família, porque ela é a base fundamental da humanidade.
O mau chefe de família não tem qualidades morais para ser maçom.
O bom maçom, livre e de bons costumes, não humilha os fracos, os inferiores, porque é covardia, e a maçonaria não é abrigo de covardes. O bom maçom, livre e de bons costumes, trata fraternalmente os demais para não trair os seus juramentos de fraternidade. O bom maçom, livre e de bons costumes, não se desvia do caminho da moral, quem dele se afasta, incompatibiliza-se com os objetivos da maçonaria. O bom maçom, o verdadeiro maçom, não se envaidece, não alardeia suas qualidades, não vê no auxílio ao semelhante um gesto excepcional, porque este é um dever de solidariedade humana, cuja prática constitui um prazer.

Não promete senão o que pode cumprir.


Uma promessa não cumprida pode provocar inimizade. Não odeia, o ódio destrói, só a amizade constrói.


O homem que se embriaga é indigno de ser maçom, porque ser ébrio é ser de maus costumes e quem é escravo da bebida, não é livre e o maçom deve ser livre e de bons costumes. Finalmente, o verdadeiro maçom, não investe contra a reputação de outro, porque tal fazer é trair os sentimentos de fraternidade.
O maçom, o verdadeiro maçom, não tem apego aos cargos, porque isto é cultivar a vaidade, sentimento mesquinho, incompatível com a elevação dos sentimentos que o bom maçom deve cultivar. Os vaidosos buscam posições em que se destaquem; os verdadeiros maçons buscam o trabalho em que façam destacar a maçonaria.
O valor da existência de um maçom é julgado pelos seus atos, pelo exercício do bem.


Autor: Nery Saturnino Dutra – Apr.·. M.·. A.·.R.·.L.·.S.·. Amor e Humanidade Bom Jesus / RS - G.·.O.·.R.·.G.·.S.·.

quarta-feira, 1 de março de 2017



ESPERA

 

 

Paz que parece longe? Espera trabalhando.

Tribulações à mostra? Permanece em serviço.

Provas multiplicadas? Mais amor em ação.

Lutas e desafios? Serve mais em silêncio.

Sob golpes na pedra, é que surge a obra prima.

Quem espera recebe a resposta de Deus.

 

 

DESERÇÕES

 

 

Sabemos quanto dói a deserção de amigos.

Esse alegou cansaço, procurando repouso.

Aquele deu-se ao ouro e ausentou-se de nós.

Outro nos viu as provas... Julgou melhor deixar-nos.

Embora a pés sangrando, não te detenhas, segue...

Alguém não te abandona, o Amigo Eterno: Deus.

 

 

DE VOLTA

 

 

Não reclames, nem te aflijas. Trabalhe e segue adiante.

Não invejes quem caminha. Como quem sonha a dormir.

Se alcançaste a realidade. Reveste-a de paz e amor.

Nunca firas a ninguém. Mesmo quando alguém te agrida.

Ama, constrói, serve e segue. De volta ao Lar, passo a passo.

Trabalho é o nosso caminho. E o Lar nos espera em Deus.

 

ATOS DE FÉ

 

 

Em todo instante, confio em Deus.

No que faço, penso em Deus.

Com quem vivo, amo a Deus.

Por onde sigo, sigo com Deus.

No que acontece. Deus faz o melhor.

Tudo o que tenho, é bênção de Deus.

 

 

REALMENTE

 

 

Quem ama realmente não cria problemas.

 

 

Emmanuel

Livro Ação e Caminho. Psicografia de Francisco C. Xavier.