quarta-feira, 20 de junho de 2012

Loja Azul


Escrito por Rui Bandeira


Por vezes, esquecemo-nos que o que é simples e básico para quem já conhece e está habituado a determinado tema pode não ser assim tão facilmente entendido por quem esteja a iniciar o seu contacto com o assunto.

Veio-me este pensamento à tona há alguns dias quando li o texto do José Ruah Música no blogue - uma nova etapa, vi as alterações que efetuou e, sobretudo, assisti a um comentário brincalhão, com água no bico de "futebolês", do simple e à resposta, a sério, do Ruah à "provocação futebolesa" do simples sobre o uso da cor azul para uma das listas de músicas colocadas no blogue pelo Ruah. Este respondeu, muito a sério, repito:


As Lojas são Azuis e o REAA é Vermelho. Não pense o meu caro amigo que as cores foram escolhidas por acaso.

Os maçons entenderam perfeitamente o alcance da resposta do Ruah. Mas interroguei-me sobre se um profano que deparasse com este comentário o entenderia. E concluí que, embora porventura muitos profanos o entendessem ou pudessem perceber com uma simples busca num motor de busca, certamente haveria alguns que teriam dificuldade em perceber a alusão.

Portanto, vamos lá esclarecer, porque o fato de ser básico para uns não significa que o seja pra todos.

Em Maçonaria, designam-se por Lojas azuis as Lojas que trabalham nos três graus essenciais da Maçonaria: Aprendiz, Companheiro e Mestre. Porquê azuis? Simplesmente porque, na sua origem, essa foi à cor escolhida pelos maçons que, no século XVIII, criaram, em Inglaterra, a Grande Loja de Londres. Nesse tempo, havia apenas um rito praticado e a cor que o identificava, a cor principalmente usada nos artefatos dos maçons, era o azul.

E assim permaneceu, designadamente nos países anglo-saxônicos, que, praticamente em exclusivo, praticam apenas o Rito de York ou suas variantes. A cor deste rito é o azul.

Como nos países anglo-saxônicos a tendência é para a prática de um único rito, e sendo a cor associada a esse rito, passou a designar-se por Lojas Azuis as lojas dos três graus essenciais da Maçonaria.

Com efeito, outras cores são associadas a outras situações em Maçonaria. Por exemplo, os Grandes Oficiais das Grandes Lojas anglo-saxônicas usam, normalmente, colares e aventais orlados na cor púrpura.

Após a implantação da Maçonaria, seguiu-se um período de criação e proliferação de ritos. Cada rito era, pelos que o criavam, associado a uma cor. Das dezenas de ritos que apareceram, como é natural só uns poucos subsistiram. De entre estes, o Rito Escocês Antigo e Aceite, cuja cor é o vermelho.

Na Maçonaria anglo-saxônica, os três graus básicos são, quase exclusivamente (existe uma exceção célebre, que adiante referirei) trabalhados no rito de York ou suas variantes, cuja cor, como acima referi, é o azul. Existem, para além dos três graus básicos e essenciais da maçonaria, sistemas de Altos Graus, que prolongam o caminho iniciado nesses três graus básicos. Mas todos os maçons, nos países anglo-saxônicos, trabalham na Maçonaria Azul (os três graus básicos, no Rito de York ou suas variantes). Os que o pretendem e a tal são admitidos, podem ainda trabalhar em Altos Graus, seja do Rito de York, seja do Rito Escocês Antigo e Aceite. Nos países anglo-saxônicos (ressalvada a tal exceção...) não se trabalha no Rito Escocês Antigo e Aceite nos três primeiros graus. Só a partir do quarto grau.

Na Maçonaria Continental Européia, em África e na América Latina, pelo contrário, as Lojas que trabalham no Rito Escocês Antigo e Aceite utilizam-no desde o primeiro grau. Aqui, o Rito não é exclusivamente um rito de Altos Graus, antes é um sistema coerente, que vai desde a iniciação até ao último dos Graus Filosóficos. Apesar de a cor do rito ser a vermelha, continua-se a designar as Lojas dos três primeiros graus do Rito Escocês Antigo e Aceite como Lojas Azuis, em uniformidade com o estabelecido no resto do mundo maçônico.

Conseqüentemente, embora a designação de Loja Azul tivesse originalmente decorrido da cor do rito que no século XVIII se praticava, hoje em dia essa designação aponta as Lojas dos três primeiros graus da Maçonaria, qualquer que seja o rito praticado.

Quanto a tal exceção, que é, afinal, uma mera curiosidade. Presentemente, nos EUA, toda a Maçonaria Regular trabalha num único rito, a variante norte-americana do Rito de York, fixada por Preston e Webb (normalmente denominada por Rito Preston-Webb). À exceção de uns irredutíveis gauleses... Não propriamente a aldeia de Astérix, mas algo de parecido. A Louisiana foi originalmente colonizada por franceses e foi território colonial francês. Foi durante esse período que ali foi introduzida a Maçonaria, segundo o rito mais praticado em França, o Rito Escocês Antigo e Aceite. Ulteriormente, a Louisiana foi vendida pela França aos Estados Unidos e passou a Estado integrante dos Estados Unidos da América. Quando ali se organizou, ao estilo continental norte-americano, a Maçonaria, sob a égide da Grande Loja da Louisiana, todas as Lojas a partir daí criadas passaram a utilizar a variante local do Rito de York. Mas as Lojas pré-existentes que manifestaram o desejo de continuar a trabalhar segundo o Rito Escocês Antigo e Aceite, mesmo nos três primeiros graus, foram autorizadas a assim continuar a fazer. Até hoje! Subsiste presentemente cerca de uma dúzia dessas Lojas. Os maçons americanos chamam-lhe "Maçonaria Vermelha" e... São um pólo de curiosidade...

In Blog "A Partir Pedra" - Texto de Rui Bandeira (19.02.2009)


 

terça-feira, 19 de junho de 2012


õ
Exú - PE.

Visita a Loja Maçônica Calixto Nóbrega nº 15
 - Oriente de Sousa-PB.

Luiz Gonzaga paramentado
de Mestre Maçom



No dia 13 de dezembro de 1912, uma sexta-feira, nasce na fazenda Caiçara, no sopé da Serra do Araripe, município de Exu, Estado de Pernambuco, divisa com os estados do Ceará e Piauí.Luiz Gonzaga do Nascimento, o segundo de nove filhos do casal Januário José dos Santos e de Ana Batista de Jesus, que na pia batismal da matriz da cidade de Exu, recebe o nome de "Luiz" (por ser dia de Santa Luzia) "Gonzaga" (por sugestão do vigário) e "Nascimento" (por ter nascido em dezembro, também mês de nascimento de Jesus Cristo).

Em 1920, aos oito anos de idade, substitui um sanfoneiro em festa tradicional na fazenda Caiçara, no Araripe, Exu, a pedido de amigos do pai; canta e toca a noite inteira e, pela primeira vez recebe o que hoje se chama cachê; o dinheiro, 20$000, amolece o espírito da mãe, que não o queria sanfoneiro.
A partir daí, os convites para animar festas ou sambas, como se dizia na época, tornam-se freqüentes.
Antes mesmo de completar 16 anos de idade, "Luiz de Januário", "lula" ou "Luiz Gonzaga" já é nome conhecido em Araripe e em toda a redondeza, como: Canoa Brava, Viração, Bodocó e Rancharia.
Em 1929, vira "escoteiro" e apaixona-se por uma mulher a contragosto da mãe, de quem leva uma surra e foge de casa para a cidade do Crato.O revoltado "Luiz Gonzaga do Nascimento" fica sabendo que as Forças Armadas estão recrutando voluntários. Era isso o que queria. Não pensa muito e alista-se no primeiro posto de alistamento do Exército Brasileiro. O ano, 1930. Explode a revolução nos estados do Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba.
O então soldado "Gonzaga" nº 122, corneteiro, segue com o 2º Batalhão de Caçadores para a cidade de Souza, estado da Paraíba; ainda em missão, segue para as cidades de Belém, estado do Pará, e Teresina, estado do Piauí; e depois para os Estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ganha fama no Exército Brasileiro e um apelido: "Bico de Aço", por ser exímio corneteiro.
Em 1939, dá baixa do Exército Brasileiro e, aventureiro, segue para São Paulo; desembarca na Estação da Luz e, nas imediações compra a sua primeira sanfona "branca" (todas as suas sanfonas seguintes seriam de cor branca) de 120 baixos.
Nesse mesmo ano volta para o Rio de Janeiro, onde faz amizades e inicia a carreira artística, divertindo marinheiros e desocupados em geral no Mangue, lugar também muito freqüentando por malandros e prostitutas.Explode a segunda grande Guerra Mundial, o Brasil é literalmente invadido pela música estrangeira, principalmente a norte-americana.
Em 1940, conhece o guitarrista português Xavier Pinheiro e outros artistas que, como ele, disputam a duras penas um lugar ao sol; toca todo tipo de música, de "blues" a "fox trotes"; imita artistas famosos da época, como Manezinho Araújo, Augusto Caldeiros e Antenógenes Silva. Começa a apresentar-se em programas de rádio, como calouro.
Em 1942, começa a fazer sucesso e as emissoras de rádio começam a se interessar de fato, pelo novo cartaz. Enquanto isso, o Brasil declara guerra à Alemanha e seus aliados.
Em 1946, com Humberto Teixeira, compõe e grava a primeira de uma série de 18 parcerias: "No meu pé de Sena". O sucesso é imediato e enorme, e, ao mesmo tempo, o seu nome começa a correr o mundo: Europa, EUA, Japão. Além de No Meu Pé de Serra, com Teixeira, compôs, entre outras, "Asa Branca", "Juazeiro", "Légua Tirana", "Assum-preto", "Paraíba" e "Respeita Januário".
Em 1953, grava "A vida do Viajante", composição do Irmão Hervê Cordovil.
Em 03 de abril de 1971, o irmão Luiz Gonzaga é iniciado na Maçonaria, na ARLS.'

. "Paranapuan" nº 1477, do Grande Oriente do Brasil, Or.'. da Ilha do Governador, do Rito Moderno" ou "Francês". Elevado ao Grau de Companheiro Maçom, em 14 de dezembro de 1972 e Exaltado ao Grau de Mestre Maçom, em 05 de dezembro de 1973. Tendo como seu "padrinho" o irmão Florentino Guimarães, membro do quadro da Loja "Paranapuan".
A música “Acácia Amarela” nasceu em 1981.
O Irmão Luiz Gonzaga, achando oportuna uma homenagem musical à Maçonaria, elaborou a letra e o tema musical. O Irmão Orlando Silveira deu algumas sugestões e harmonizou a melodia.
Concluído o trabalho, a gravação foi feita em 1982, e incluída no elenco do CD “Eterno Cantador”, da etiqueta RCA-Victor. E regravado em CD em 1998, com arranjo de “Orlando Silveira e execução vocal de Luiz Gonzaga”.

Em 1997 o Grande Oriente do Brasil através do Projeto Classes Musicais, por ocasião do encontro “Compasso para o Futuro”, gravou a mesma com a Orquestra Sinfônica e Coral Baccarelli e a regência e arranjos do Maestro Sérgio Kuhlmann.


ACÁCIA AMARELA

“Ela é tão linda é tão bela
Aquela acácia amarela
Que a minha casa tem
Aquela casa direita
Que é tão justa e perfeita
Onde eu me sinto tão bem
Sou um feliz operário
Onde aumento de salário
Não tem luta nem discórdia
Ali o mal é submerso
E o Grande Arquiteto do Universo
É harmonia, é concórdia
É harmonia, é concórdia”.

De acordo com o Irmão José Castellani em seu livro “Dicionário Etimológico Maçônico”. No Egito, as acácias eram árvores sagradas e tinham o nome hieroglífico de shen; na Fraternidade Rosa-Cruz, ensina-se que a acácia foi a madeira usada na confecção da cruz em que Jesus foi executado; segundo o Tabernáculo hebraico, eram feitos de madeira de acácia: A Arca da Aliança (Êxodos, 25 – 10), a mesa dos pães propiciais (Êxodo, 25 – 23) e o altar dos holocaustos (Êxodo, 27 – 1).

Na maçonaria, além de ser o símbolo da Grande Iniciação, representa, também, a pureza e a imortalidade, além de ser o símbolo da ressurreição, por influência da tradição mística dos árabes e dos hebreus.

O Grande Arquiteto do Universo nos seus desígnios, requisitou o irmão Luiz Gonzaga para uma outra missão.Sofrendo de osteoporose, passou 42 dias internado no "Hospital Santa Joana", na cidade de Recife. Agravados seus males físicos, viajou para o Oriente Eterno na madrugada de 02 de agosto de 1989, com 76 anos de idade, em conseqüência de parada cardíaca por pneumonia.Sob comovente manifestação popular, seu corpo foi velado na cidade do Recife, e transportado inicialmente para a cidade de Juazeiro do Norte, CE, onde recebeu as bênçãos do Padre Cícero de quem era muito devoto, e daí para sua cidade natal, em Exu, onde foi sepultado.


Fonte: tresjanelas.blogspot.com.br

segunda-feira, 18 de junho de 2012

AS CONSTITUIÇÕES DOS MAÇONS DE ESTRASBURGO - 1459

Brasão da Grande Loja

AS CONSTITUIÇÕES DOS MAÇONS DE ESTRASBURGO - 1459
http://www.freemasons-freemasonry.com/strasb.html
Estes Estatutos, que são, sem dúvida, baseados nos antigos costumes e leis do ofício, foram discutidos e acordados em duas assembléias de Mestres e Companheiros, realizadas na forma de capítulo, ("in Kappitelsweise"), a primeira em Regensburg no dia de Páscoa - 1459, e esta segunda, pouco depois, em Estrasburgo, quando eles foram definitivamente aprovados e promulgados. O espírito da Constituição Imperial Alemã pode ser visto claramente em todas as suas características. A expressão "in Kappitelsweise" (em forma de Capítulo), que não é utilizada por qualquer outra guilda, se origina na reunião de convento dos monges Beneditinos, que eram chamadas de "Capitula" ou capítulos. Assim, também nas Antigas Constituições Inglesas, e na Lei do Parlamento de Henrique VI encontramos as reuniões dos maçons chamadas "Capítulos, Congregações, Assembléias e Câmaras." Todos os preceitos destes estatutos, que eram mantidos em segredo aos profanos, e eram lidos pelo menos uma vez por ano nas Lojas, referem-se especialmente à obrigação moral dos irmãos uns para com os outros, e insufla um espírito de amor fraterno, integridade estrita e moralidade.
AS CONSTITUIÇÕES DOS MAÇONS DE ESTRASBURGO - 1459
"Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, e de nossa graciosa Mãe Maria, e também de seus servos abençoados, os quatro santos mártires coroados de memória eterna: considerando que a verdadeira amizade, unanimidade e obediência são o fundamento de todo o bem; por isso, e para o benefício geral e livre arbítrio de todos os príncipes, nobres, senhores, cidades, capítulos e conventos, que possam desejar neste momento ou no futuro construir igrejas, coros, ou outras grandes obras em pedra e edifícios; que eles podem ser mais bem prestados e fornecidos, e também para o benefício e requisitos dos mestres e companheiros
da Maçonaria, e pedreiros na Alemanha, e mais especialmente para evitar, no futuro, entre os do ofício, dissensões, diferenças, despesas e danos, pelos tais atos irregulares muitos mestres sofreram gravemente, contrários aos bons costumes e usos antigos mantidos e praticados de boa-fé pelos senhores e patronos do ofício em tempos antigos. Mas, para que possamos continuar a respeitar de uma forma verdadeira e pacífica, todos os mestres e companheiros do referido ofício, reunidos em capítulos em Spries, em Estrasburgo, definimos ou não, então que tal mestre não derrubará as pedras assentadas, nem em Regensburg, em nosso nome ou em nome de todos os outros mestres e companheiros de todo o nosso ofício comum acima mencionado, renovamos e revisamos esses usos antigos e gentil e afavelmente acordamos estes estatutos e a fraternidade; e tendo em
1
(Nota do Tradutor) - Os Compagnons du Devoir é o nome genérico de diversas associações francesas, herdeiras dos movimentos de companheirismo nascidos na época da construção das catedrais (por volta do SÉCULO XIII), que asseguram aos jovens, a partir de 15 anos, ume formação em profissões tradicionais, baseado na aprendizagem, a vida em comunidade e a viagem chamada tour de France. Depois de algum tempo, eles acolheram também as jovens em aprendizagem. Uma lenda bastante difundida cita Mestre Jacques (de Molay), o Rei Salomão e Père Soubise como fundadores dos companheiros. (http://fr.wikipedia.org/wiki/Compagnons_du_Devoir) 2
comum acordo definido o mesmo, também prometemos e juramos, para nós e por todos os nossos sucessores, mante-los fielmente, como está escrito a seguir: a. Em primeiro lugar: Se qualquer um dos artigos nestes estatutos se provar muito rígido e severo, ou outros muito leves e suaves, então aqueles que pertencem à Fraternidade poderão, por maioria, modificar, diminuir ou aumentar tais artigos, de acordo com as exigências da época, país, ou circunstância. As resoluções daqueles que se reunirão em capítulos, segundo o costume deste livro deverão ser observadas a partir daqui, de acordo com o juramento feito por todos. "b. Quem, por seu próprio livre arbítrio desejar entrar nesta fraternidade, de acordo com o regulamento, conforme está escrito a seguir neste livro, prometerá manter todos os pontos e artigos, pois só assim poderá ser do nosso ofício. Serão mestres aqueles que puderem projetar e construir tais edifícios e obras caras, para cuja execução eles estejam autorizados e privilegiados, e não trabalharão com qualquer outro ofício, a menos que escolham fazê-lo. Mestres, assim como companheiros, devem se comportar de maneira honrada, e não infringir os direitos dos outros, ou poderão ser punidos de acordo com estes estatutos, por ocasião de cada uma de tais transgressões. c. Qualquer obra ou edifício regular em construção no momento por trabalho de jornada, a saber, Estrasburgo, Colônia, Viena e Passau, e outras de tais obras, e também nas Lojas que a elas pertencem, e, segundo o costume, foram terminadas por trabalho de jornada; tais edifícios e obras conforme antes mencionado continuarão a ser por trabalho de jornada, e de forma alguma por empreitada, de modo que nada seja reduzido da obra, em prejuízo do contrato, na medida do possível. d. Se qualquer artesão que tenha tido trabalho regular vier a morrer, então qualquer artesão ou mestre, hábil em Maçonaria, e suficiente e capaz para o trabalho, pode aspirar completar o referido trabalho, de modo que os senhores proprietários ou superintendentes de tal construção possam voltar a ser fornecidos com os requisitos da Maçonaria. Assim, também pode qualquer companheiro que entenda de tal Maçonaria. e. Qualquer mestre pode, além de seu próprio trabalho, realizar um trabalho no estrangeiro, ou um mestre que não tenha tal trabalho também poderá igualmente empreende-lo, caso em que ele pode prestar esse trabalho ou construção, de boa fé, em trabalho por jornada, e continua-lo o melhor que possa ou deva, de modo que o trabalho e o progresso não sejam interrompidos, de acordo com as normas e costumes da Maçonaria. Se um mestre falhar em satisfazer aquelas pessoas que encomendaram o trabalho a ele, e informações confiáveis sejam dadas sobre a mesma, então tal mestre poderá ser chamado a prestar contas pela Ordem, corrigido e punido, depois de ter sido condenado; mas se os senhores não desejarem faze-lo, ele poderá então faze-lo da forma que escolherem, seja por tarefa ou por jornada. f. Se qualquer mestre, que tenha tido uma obra ou construção vier a morrer, e outro mestre vier e achar que tal trabalho, seja o trabalho em pedra de qualquer forma desperdiçado ou as pedras lavradas e não-assentadas, sem o conselho e acordo prévio com outros artesãos, de modo que os proprietários e outras pessoas ilustres, que fizeram com que tal edifício fosse construído, não sejam expostos a gastos injustos, e também o mestre que deixou tal trabalho não seja difamado. Mas, se os proprietários optarem por esse trabalho ser removido, então ele poderá tê-lo executado, desde que ele não busque obter, assim, vantagem indevida.
g. Nem o mestre, ou aqueles que se empreenderam tal trabalho contratarão fora qualquer coisa que se relacione com pedras lavradas ou que lhes pertença, seja pedra, cal ou 3
areia; mas para quebrar ou talhar por contrato ou por trabalho de jornada, ele pode ser permitido sem risco. h. Se forem necessários pedreiros para lavra e assentamento de pedra, o mestre pode coloca-los neste trabalho, se forem capazes, de modo que os senhores não sejam prejudicados, sendo que aqueles assim empregados não devem estar sujeitos a estas regras, a menos de seja de sua livre vontade. i Dois mestres não devem partilhar a mesma obra ou edifício, a menos que seja pequena, que ele possa concluir no decurso de um ano. Ele pode ter em comum tal trabalho com aquele que seja um irmão. k. Se qualquer mestre aceita um trabalho em contrato, e faz um projeto para o mesmo, como ele será construído, então ele não deve cortar qualquer coisa aquém do projeto, mas o executará de acordo com o plano que ele mostrou aos senhores, cidades ou pessoas, de modo que nada seja alterado. l. Será chamado a prestar contas, qualquer mestre ou companheiro que tirar de outro mestre da Fraternidade de artesãos um trabalho no qual ele esteja envolvido, ou que se esforce para tirar-lhe tal trabalho de forma clandestina ou abertamente sem o conhecimento ou autorização do mestre que tem tal trabalho, seja o mesmo pequeno ou grande. Nenhum mestre ou companheiro deve manter relações com ele, nem qualquer companheiro da fraternidade trabalhará para ele, enquanto ele se dedicar ao trabalho que assim adquiriu desonestamente, não até que ele peça perdão, dê satisfação àquele de quem ele tomou seu trabalho e também tenha sido punido na fraternidade pelos mestres, conforme ordenado por estes estatutos. m. Se alguém aceitar, total ou parcialmente, qualquer trabalho que ele não saiba como executar, não tendo consultado qualquer artesão sobre ele, nem ter pedido à Loja, ele de modo algum deve empreender o trabalho; mas se ele tentar fazer isso, então nenhum companheiro trabalhará com ele, para evitar que os senhores sejam expostos a despesas por tal mestre ignorante. n. Nenhum operário, ou mestre, ou vigilante, ou companheiro de ofício instruirá qualquer um, quem quer que seja, que não seja da nossa profissão, sobre qualquer parte, se ele não tiver algum dia praticado a Maçonaria o. Nenhum artesão ou mestre aceitará dinheiro de um companheiro para ensina-lo ou instruí-lo em qualquer coisa que se relacione com a Maçonaria, nem qualquer Vigilante ou companheiro de ofício instruirá qualquer um por dinheiro; mas se alguém deseja instruir os outros, eles podem faze-lo mutuamente ou por afeto fraterno. p. Um mestre que tenha um trabalho ou uma construção sozinho pode ter três aprendizes, e também pode colocar para trabalhar companheiros da mesma Loja, isto é, se seus senhores assim o permitir; mas se ele tiver mais de um edifício, então não terá mais que dois aprendizes na construção acima mencionada, de modo que ele não terá mais de cinco aprendizes em todas as suas construções. Nenhum artesão ou mestre será recebido na fraternidade que não vá anual à Santa Comunhão ou que não mantenha a disciplina cristã; ou que desperdice seus bens no jogo; mas se alguém for inadvertidamente aceito na fraternidade que faz essas coisas como acima referido, então nenhum mestre ou companheiro manterá amizade com ele até que ele desista disso, e tenha sido punido, portanto, por aqueles da fraternidade.
Nenhum artesão ou mestre viverá em adultério enquanto se dedicar à Maçonaria; mas se 4
tal pessoa não desistir dela, então nenhum companheiro itinerante
2 ou maçom trabalhará em sua companhia, nem manterá relacionamento com ele. q. Se um Companheiro assume trabalho com um mestre que não seja aceito na fraternidade de artesãos, então o referido companheiro não poderá ser punido por isso. Assim também, se um companheiro assume trabalho com um mestre da cidade, ou com outro mestre, e é colocado para trabalhar, o que ele pode muito bem fazer, de modo que todos os companheiros possam encontrar trabalho; mas, no entanto, tal companheiro manterá as regras conforme escritas acima e a seguir, e também contribuirá com sua taxa para a fraternidade, embora ele não seja empregado nas Lojas da fraternidade, ou com seus irmãos companheiros. Mas se um companheiro tomar para si uma esposa legal, e não estando empregado na Loja, se estabelecerá em uma cidade, e será obrigado a servir em um ofício, ele deverá a cada semana santa pagar quatro moedas, e estará isentos da moeda semanal, porque ele não está empregado na Loja. r. Se um mestre tem uma queixa contra outro mestre, por ter violado os regulamentos do ofício, ou um mestre contra um companheiro, ou um companheiro contra outro companheiro, qualquer mestre ou companheiro que esteja envolvido nisso informará o mestre que preside a fraternidade, e o mestre que é informado disso ouvirá ambas as partes, e estabelecerá um dia em que ele julgará a causa: e, neste meio tempo, antes do dia fixado ou nomeado, nenhum companheiro evitará o mestre, nem o mestre afastará o companheiro, mas prestarão serviços mutuamente até a hora em que o assunto deve ser ouvido e acertado. Isto tudo será feito de acordo com o julgamento dos artesãos, que será observado adequadamente. Além disso, o caso será julgado no local onde ele surgiu, perante o mestre mais próximo que mantém o Livro dos Estatutos, e em cujo distrito ele ocorreu. s. Cada vigilante honrará o seu mestre, será verdadeiro e fiel a ele, de acordo com a regra da Maçonaria, e obedecê-lo-á com fidelidade indivisa, como é de praxe e uso antigo. Assim também fará um companheiro. E quando o companheiro itinerante desejar viajar para mais longe, ele se separará de seu mestre e da Loja de modo a não ficar em dívida com ninguém, e que ninguém tenha qualquer queixa contra ele, como é praxe e adequado. t. Um companheiro itinerante, em qualquer Loja em que possa estar empregado, será obediente ao seu mestre e ao vigilante, de acordo com a regra e uso antigo da Maçonaria, e também cumprirá todos os regulamentos e privilégios que são de uso antigo na referida Loja, e não criticará o trabalho de seu mestre, seja secreta ou abertamente, de forma alguma. Mas, se o mestre infringir estas regras, e agir de forma contrária a elas, então qualquer um poderá denunciar este fato. u. Todo artesão empregando trabalhadores na Loja, a quem sejam confiados estes estatutos, e que esteja devidamente investido de autoridade, terá poder e autoridade sobre todas as disputas e questões que dizem respeito à Maçonaria, para julgar e punir em seu distrito. Todos os mestres, vigilantes e aprendizes, o obedecerão.
2 Nota do Tradutor: eram os companheiros que vagavam de um canteiro de obra a outro, procurando trabalho. (
http://fr.wikipedia.org/wiki/Compagnons_du_Devoir)
x. Um companheiro que tenha viajado, e seja praticante da maçonaria e que pertence a esta fraternidade, que deseja servir um artesão em uma parte do trabalho, não será aceito por aquele artesão ou mestre, de qualquer maneira, por um período inferior a dois 5
anos. y. Todos os mestres e companheiros que pertencem a esta fraternidade manterão fielmente todos os pontos e artigos destes regulamentos, conforme está escrito acima e a seguir. Mas, se alguém por acaso violar um dos pontos e, assim, tornar-se punível, se depois ele for obediente ao regulamento tendo cumprido o que lhe foi sentenciado, ele terá feito o suficiente, e será liberado de seu voto em relação ao artigo pelo qual ele foi punido. z. O mestre encarregado pelo livro, sob o juramento da fraternidade, terá cuidado para que o mesmo não seja copiado, por ele ou por qualquer outra pessoa, ou dado, ou emprestado, de modo que o livro permaneça intacto, de acordo com a resolução dos artesãos. Mas, se um dos artesãos, pertencendo à fraternidade precisar ter conhecimento de um ou dois artigos qualquer mestre pode lhe dar por escrito. Todo mestre fará com que estes estatutos sejam lidos todos os anos aos companheiros na Loja Caso seja feita uma reclamação envolvendo maior castigo como, por exemplo, expulsão da Maçonaria, o mesmo não será julgado ou condenado por um mestre em seu distrito; mas os dois mestres mais próximos que estão encarregados de cópias dos estatutos, e que têm autoridade sobre a fraternidade serão convocados por ele, de modo que sejam três. Também os companheiros que estavam no local de trabalho onde surgiu a controvérsia deverão ser convocados, e tudo deve ser acordado com um só acordo entre os três, juntamente com todos os companheiros, ou por uma maioria deles em conformidade com o seu juramento e melhor julgamento, que deve ser respeitado por toda a fraternidade de artesãos. Se dois ou mais mestres pertencentes à Fraternidade estiverem em divergência ou discórdia sobre assuntos que não dizem respeito à Maçonaria, eles não devem resolver estas questões em qualquer outro lugar que não seja diante da Maçonaria que os julgará e reconciliará na medida do possível, mas de forma que o acordo seja feito sem prejuízo aos senhores ou cidades que estejam envolvidos no assunto, 1. Agora, para que esses regulamentos do ofício possam ser seguidos da forma mais honesta, com serviço a Deus e outras coisas necessárias e adequadas, cada mestre que tenha artesãos trabalhando em sua Loja, e pratique a maçonaria e pertença a esta fraternidade, e depois de cada ano pagará quatro Blapparts (pequenas moedas de prata), ou seja, em cada semana santa um Blappart ou Bohemian a ser pago à caixa da Fraternidade, e cada companheiro pagará quatro Blapparts, e assim igualmente um aprendiz que tenha servido o seu tempo. 2. Todos os mestres e artesãos que pertencem a esta fraternidade, que empregam trabalhadores em suas Lojas, terão cada um deles uma caixa, e cada companheiro deve pagar à caixa uma moeda por semana. Todo mestre guardará fielmente algum dinheiro e o que possa vir de outras fontes, e anualmente entregá-lo-á à fraternidade no local mais próximo onde um livro seja mantido, a fim de fornecer para o culto a Deus e fornecer o necessário à fraternidade. 3. Cada mestre que tenha uma caixa, se não houver Livro na mesma Loja, deverá entregar o dinheiro anualmente ao mestre encarregado do Livro, e onde o Livro estiver ali será também realizado o culto divino. Se um mestre ou companheiro vier a morrer em uma Loja onde nenhum Livro seja mantido, outro mestre ou companheiro da referida Loja informará o acontecido ao mestre que tem um Livro, e quando ele for informado disso, providenciará que uma missa seja rezada pelo repouso da alma de quem partiu, e todos os mestres e companheiros da Loja assistirão à missa e contribuirão para ela.
4. Se um mestre ou companheiro se encontrar diante de uma despesa ou desembolso 6
por conta da fraternidade, e informação for dada sobre como o mesmo ocorreu, serão reembolsadas a tal mestre ou companheiro, as suas despesas, sejam elas pequenas ou grandes com recursos da caixa da Fraternidade; se também a alguém se mete em problemas com tribunais ou outros assuntos relativos à fraternidade, então todos, sejam mestres ou companheiros, dar-lhe-ão ajuda e alívio, já que ele é obrigado a faze-lo pelo juramento da Fraternidade. 5. Se um mestre ou companheiro ficar doente, ou um companheiro que pertence à fraternidade e tenha vivido com retidão na Maçonaria, for afligido com doença prolongada e necessidade de alimento e dinheiro, então o mestre encarregado da caixa lhe prestará socorro e assistência da caixa, se ele de outra forma puder, até que ele se recupere de sua doença, e deve depois jurar e prometer restituir o mesmo à caixa. Mas, se ele morrer da tal doença, então tanto deve ser tomado daquilo que ele deixar na sua morte, seja roupas ou outros artigos, como restituição do que foi emprestado a ele, se tanto ali existir.
ESTES SÃO OS ESTATUTOS DOS VIGILANTES E COMPANHEIROS Nenhum artesão ou mestre dará trabalho a um companheiro que cometa adultério, ou que viva abertamente em relações ilícitas com mulheres, ou que não faça uma confissão anual, e não vá à Sagrada Comunhão, de acordo com a disciplina cristã, nem alguém que seja tão tolo a ponto de perder suas roupas no jogo. Se algum companheiro abandonar impetuosamente uma Grande Loja ou outra Loja, ele não deverá pedir emprego na referida Loja durante o ano seguinte. Se um artesão ou mestre deseja dispensar um companheiro itinerante que ele tenha empregado, ele não o fará, a menos que seja um sábado ou uma noite de pagamento, de modo que o companheiro possa saber como viajar no dia seguinte, a menos que ele seja culpado de um delito. O mesmo será feito por um companheiro de ofício. Um companheiro itinerante apresentará pedido de emprego a alguém que não seja mestre de obra ou vigilante, nem clandestinamente, nem abertamente, sem o conhecimento e a vontade do mestre. Nenhum artesão ou mestre aceitará conscientemente como aprendiz quem não é legalmente nascido, e deve honestamente indagar, antes de aceitá-lo, e perguntar ao aprendiz sob palavra, se seu pai e mãe eram devidamente unidos em matrimônio legal. Nenhum artesão ou mestre promoverá um de seus aprendizes como vigilante a quem ele tomou como aprendiz em seu estado bruto, ou que ainda está em seus anos de aprendizagem.
Nem qualquer artesão ou mestre promoverá qualquer um de seus aprendizes a quem ele tomou em seu estado bruto como vigilante, não obstante ele tenha servido os seus anos de aprendizagem, se ele não viajou pelo espaço de um ano.
3 Se alguém que serviu com pedreiro (Maurer) chega a um artesão e deseja aprender com ele, o referido artesão não deve aceitá-lo como aprendiz, a menos que ele sirva como tal por três anos. Nenhum artesão ou mestre tomará um aprendiz em seu estado bruto por um prazo inferior a cinco anos.
3 Nota do Tradutor: Os companheiros eram obrigados a viajar por um ano, servindo a diferentes Mestres, para aprender o ofício. (
http://fr.wikipedia.org/wiki/Compagnons_du_Devoir) 7
"Se, no entanto, acontecer que um aprendiz deva deixar seu mestre durante os anos de seu aprendizado, sem razões suficientes, e não servir o seu tempo, então nenhum mestre empregará tal aprendiz. Nenhum companheiro trabalhará com ele, nem de forma alguma manterá relações com ele, até que ele tenha servido seu tempo legal com o mestre a quem abandonou, e lhe de inteira satisfação, e traga um certificado de seu referido mestre. "Nenhum aprendiz se libertará de seu mestre a menos que pretenda se casar, com o consentimento de seu mestre, ou existam razões suficientes que o instem, ou ao seu mestre a esta medida. Se um aprendiz considerar que não foi justamente tratado por seu mestre de qualquer forma que eles possam ter acordado, então o aprendiz pode levá-lo perante os artesãos e os mestres, que estão naquele distrito, de modo que uma explicação e correção possam acontecer conforme seja o caso. Todo mestre que tenha um Livro no distrito de Estrasburgo pagará a cada ano, no Natal, meio florin à caixa de Estrasburgo, até que a dívida devida a essa caixa seja paga. E todo mestre que tenha um Livro, e cuja construção esteja concluída, e que não tenha mais trabalho onde ele possa empregar os companheiros, enviará o seu livro, e o dinheiro em sua posse, que pertença à fraternidade, ao mestre de obra em Estrasburgo. Foi resolvido neste dia em Regensburg, quatro semanas depois da Páscoa, no ano contado a partir do nascimento de Deus de mil, quatrocentos e cinqüenta e nove, no dia de São Marcos, que o Mestre de Obras JOST DOTZINGER, de Worms, da construção do ministério de Nossa Senhora, o mais alto capítulo de Estrasburgo, e todos os seus sucessores na mesma obra serão o juiz supremo de nossa fraternidade de maçonaria, e o mesmo também foi depois determinado em Speyer, em Estrasburgo, e novamente em Speyer no ano de MCCCCLXIV, no dia 09 de abril. O Mestre LORENZ SPENNING, de Viena, será também o principal juiz em Viena. E, assim, um Grão Mestre ou seus sucessores em Estrasburgo, Viena e Colônia, estes três serão os juízes-chefes e líderes da fraternidade; eles não serão removidos sem justa causa, conforme foi determinado, neste dia em Regensburg, 1459, e em Speyer, em 1464. Este é o distrito que pertence a Estrasburgo; todo o país abaixo do Mosela e Franconia até a floresta da Turíngia; de Babenberg até o episcopado na Eichstatten; de Eichstatten até Ulm; de Ulm até Augsburg até Adelberg; e até a Itália; os países da Misnia, Turíngia, Saxônia, Frankfurt, Hesse, e Suábia, estas serão obedientes. Ao Mestre LORENZ SPENNING, Mestre de obras da construção de St. Stephen, em Viena, pertencem Lampach, Steiermarch, Hungria, e do Danúbio para baixo. O Mestre STEFFAN HURDER, arquiteto de St. Vincent, em Berna terá o distrito da Confederação Helvética. Ao Mestre CONRAD de Colônia, mestre do capítulo de lá, e a todos os seus sucessores igualmente, pertencerão os outros distritos para baixo, o que exista de construções e lojas pertencentes à fraternidade, ou que possam vir a pertencer a ela.
Se qualquer mestre, vigilante, companheiro de ofício, ou aprendiz agir contrariamente a qualquer um dos pontos ou artigos escritos a seguir, e não os manter coletiva ou individualmente, e informações confiáveis sejam dele obtidas, então ele ou eles serão convocados perante a fraternidade em razão de tal violação, e deverão ser chamados a prestar contas, e devem obedecer à correção ou castigo a que sejam condenados, em nome do juramento e voto que se fez à fraternidade. E se fugirem à convocação sem motivo honesto, e não comparecerem, eles ainda assim receberão a sentença a eles 8
imposta como sanção por sua desobediência, embora não estejam presentes. Mas, se eles não fizerem isso, poderão ser levados perante os tribunais civis ou eclesiásticos, no local onde eles se realizarem, e poderão ser julgados de acordo com o que pode ser certo no assunto. Quem quiser entrar nesta fraternidade, prometerá sempre manter firmes todos estes artigos escritos acima e abaixo neste Livro; exceto se nosso bom senhor o Imperador, ou o rei, príncipes, senhores, ou qualquer outro nobre, por força ou direito, se opuserem à sua pertença à fraternidade; isto será uma desculpa suficiente para que não haja danos nisso. E quanto ao que ele deve à Fraternidade, chegar-se-á a um acordo sobre isso com os artesãos que estão na fraternidade. Embora por disciplina cristã, cada cristão seja obrigado a prover sua própria salvação, ainda assim deve ser devidamente lembrado pelos mestres e artesãos a quem o Deus Todo-Poderoso graciosamente dotou de arte e habilidade para construir casas do Senhor e outros edifícios dispendiosos, e honestamente ganhar a vida assim, que por gratidão de seus corações sejam justamente verdadeiros sentimentos cristãos, para promover o culto divino, e para assim merecer a salvação de suas almas. Portanto, para o louvor e honra de Deus Todo Poderoso, Sua digna Mãe Maria, de todos os seus santos abençoados e, em particular os quatro santos mártires coroados e, especialmente, para a salvação das almas de todas as pessoas que estão desta fraternidade, ou que possam vir a pertencer a ela, os artesãos da Maçonaria estipularam e ordenaram, por nós e todos os nossos sucessores, ter um serviço divino rezado anualmente, nos quatro festivais santos e no dia dos quatro santos mártires coroados, em Estrasburgo, no Ministério do alto capítulo, na capela de nossa querida Virgem, com vigílias e missas, na forma a ser instituída. Foi assim determinado neste dia em Speyer, no nono dia de abril, no ano contado a partir do nascimento de Deus de 1464 que o Mestre de Obras, JOST DOTZINGER, de Worms, mestre de obras do alto capítulo de Estrasburgo terá uma assembléia de artesãos em seu distrito, quando três ou quatro mestres serão escolhidos para se reunirem em um determinado dia que eles acordarão, e que se determina por maioria daqueles reunidos em capítulos, e que estejam presente, e como eles possam aumentar ou diminuir alguns artigos, que serão mantidos por toda a Fraternidade; "O dia será no dia de São Jorge no sexagésimo nono ano; Estes são os mestres que estavam presentes no dia em Speyer, no nono dia de Abril de 1464. JOST DOTZINGER, de Worms, Mestre de Obras do ministério de Nossa Senhora do alto capítulo de Estrasburgo; Mestre HANS VON ESSELINGEN; Mestre VINCENCIE VON CONSTANTZ; Mestre HANS VON HEYLTBUTRN; Mestre PETER VON ALGESHEIM, Mestre de Nuhausen; WERNER MEYLON de Basle, em nome de Mestre PETER KNOBEL de Basle, etc., etc. Este documento conclui com uma longa lista de nomes de Mestres e Companheiros, as datas da sua recepção, etc., que não é necessário reproduzir aqui.

sábado, 16 de junho de 2012

A Iniciação Maçônica. O Simbolismo. O Segredo


A Iniciação Maçônica. O Simbolismo. O Segredo


Venerável Mestre, queridos Irmãos em todos os Graus e Qualidades:


I - Via iniciática e simbolismo


A Iniciação tem como objeto conduzir o indivíduo até ao Conhecimento por meio de uma iluminação interior, projeção e apreensão no centro do Eu humano da luz transcendente. Constitui o verdadeiro "batismo maçônico". É o começo de uma vida nova. É através da iniciação que um indivíduo recebe os primeiros conhecimentos de uma sociedade secreta que se chama Maçonaria, ingressa na Ordem, transformando-se em Irmão e inicia a aprendizagem dos segredos da Maçonaria, saindo das "trevas" para a luz.

Esta alegoria encontra-se corporizada na venda colocada sobre os olhos do iniciando e que apenas é retirada, quando da sua aprovação, no final da cerimônia. À escuridão que se manteve sucede então o conhecimento da realidade envolvente - a loja ritualmente preparada e os Irmãos decorados conforme o grau.

Irmãos, embora ainda não conheça profundamente a Maçonaria, penso que a iniciação é a mais importante cerimônia maçônica e o ato mais relevante da vida de um maçom. A sua origem não é apenas simbólica, mas resultou da necessidade que as antigas sociedades sentiram de conservarem em rigoroso sigilo os seus mistérios e de propagar as suas doutrinas.

As iniciações Maçónicas vêm, ao longo dos anos, de acordo com a investigação que efectuei, sendo associados aos chamados Antigos Mistérios. Os mistérios de Mitra, de Ceres, dos Essênios, têm sido colocados como pontos de partida para as iniciações Maçônicas.
A iniciação é um processo continuo que tem como finalidade proporcionar o desenvolvimento da qualidade de Maçon. Nenhum Irmão deve pensar que a partir do momento do cerimonial, passa de Neófito para Maçon. A iniciação não é um processo de revelação repentina. É o inicio de um caminho de aprendizagem através dos tempos no qual nos vamos tornar uns verdadeiros maçons.

A iniciação apenas nos oferece os instrumentos para o nosso aperfeiçoamento e transformação.

O método da iniciação é uma via essencialmente intuitiva. Esta é a razão porque a franco-maçonaria usa símbolos - um símbolo é uma imagem sensível utilizada para exprimir uma idéia oculta, mas analógica - que servem para provocar a iluminação através da aproximação analógica Esta linguagem tradicional, imemorial e universal permite estabelecer, através do tempo e do espaço, a relação
adequada entre o sinal e as idéias.

A iluminação que os símbolos provocam permite, ao mesmo tempo, apreender os diferentes pontos de vista e unificá-los, revelando a unidade que os transcende e fazendo passar do conhecido ao desconhecido, do visível ao invisível, do finito ao infinito.
Por esta razão, é difícil traduzir os símbolos maçônicos em linguagem usual sem lhes falsear o sentido profundo e o valor.

Digamos apenas que tais símbolos são tirados quer da tradição religiosa, quer do hermetismo e da alquimia, constituindo uma transposição de uns e de outros para a forma e para o uso dos utensílios dos mações operativos. Além disso, eles não consistem somente em objetos, mas também em gestos, sinais, palavras, lendas e parábolas. A própria fórmula Grande Arquiteto do Universo é um símbolo que exprime a Força Criadora Suprema.

Os símbolos na Maçonaria podem dividir-se em três tipos:
Símbolos religiosos tradicionais:
O triângulo, o delta luminoso, os três pontos: o símbolo evoca, nas suas três formas, a idéia da divina Trindade;
O Templo de Salomão e os seus adornos;
Símbolos herméticos e alquímicos:
Os quatro elementos: terra, ar, água e fogo; Os três princípios da Grande Obra: enxofre, o sal e o mercúrio;
A fórmula V.I.T.R.I.O.L. - Visita o interior da terra e, retificando, descobrirás a pedra oculta. "Trata-se de um convite à investigação do Ego profundo, que não é senão a própria alma humana, no silêncio e na meditação" segundo Jules Boucher.
Utensílios maçônicos:
O compasso: medida na procura;
O esquadro: retidão na ação;
O maço: vontade na aplicação;
O fio de prumo: profundidade na observação;
O nível: atuação correta dos conhecimentos;
Avental: simboliza o trabalho constante.

II - O segredo e o silêncio maçônico


Nos tempos antigos, as Sociedades Iniciáticas possuíam os seus segredos e exigiam silêncio absoluto a todos os seus iniciados. A Maçonaria não foi diferente. Em tempos de Maçonaria Operativa, era absolutamente necessário que os processos técnicos que envolviam a arte de construir fossem protegidos. A Maçonaria Especulativa herdou estes famosos segredos que, outrora, serviram de base para as grandes perseguições sofridas.

Na sociedade atual, todas as pessoas têm acesso à informação, praticamente, não existe mais nenhum segredo na Maçonaria.

Contudo, para o Mundo profano, continuamos a ter o nosso segredo. O segredo maçônico é, de fato, de ordem simbólica e iniciática.

Para alguns autores, o segredo maçônico é um estado de iluminação interior que se alcança pela iniciação, que a linguagem humana não poderia traduzir e, portanto, trair, pois as palavras correspondem a conceitos, enquanto o pensamento iniciático transcende ao pensamento conceptual.

Desta forma, o segredo da Maçonaria só poderá ser apreendido depois de muito estudo e reflexão. De fato o segredo maçônico é incomunicável, pois residem essencialmente no simbolismo dos ritos, sinais, emblemas e palavras. E estes, embora possam ser conhecidos e divulgados, só são compreensíveis pelos iniciados.

Segundo F. Pignatel "os verdadeiros segredos da Franco-Maçonaria são aqueles que não são ditos ao adepto e que ele tem de aprender a conhecer pouco a pouco, à medida que vai soletrando os símbolos". Assim, e de acordo com R. Guenon "o que é transmitido pela iniciação não é o próprio segredo, pois ele é incomunicável, mas a influência espiritual que tem os ritos por veículos".

Disse, Venerável Mestre e todos os meus Irmãos!

A:. M:, - A:.M:. - R:.L:.M:.A:.D:.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O Amor em tudo

O aprendiz na GLMPB - JOÃO PESSOA-PB.
O Amor em tudo


Propriedade sem amor gera avareza

Poder sem amor gera violência

Dever sem amor gera insatisfação

Responsabilidade sem amor gera desconsideração

Justiça sem amor gera severidade

Verdade sem amor gera crítica

Educação sem amor gera contradição

Inteligência sem amor gera astúcia

Amabilidade sem amor gera hipocrisia

Ordem sem amor gera mesquinez

Perícia sem amor gera teimosia

Honra sem amor gera orgulho

Crença sem amor gera fanatismo.

Lao-Tsé

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Jacques Demolay

MAÇONARIA NO SÉCULO XXI: INSTRUMENTO DE EVOLUÇÃO


As desinformações com relação à Ordem Maçônica, às vezes nos surpreende, parecem um paradoxo, o momento presente, dias de grande glamour tecnológico, surpreende-nos a criatividade humana, ao mesmo tempo assinalada por tremendos conflitos no âmago da criatura humana; os maçons estão atentos na necessidade urgente de destruir a ignorância, nosso terrível inimigo, em nós e nos outros.


A pretensão, não é justificar, na atualidade, ataques impotentes, isolados e ingênuos à Ordem, até mesmo já escrevia Bill Reilly que:
“Todas as vezes que você culpa as pessoas por seus problemas, sejam quais forem, você confere a elas o controle de sua vida”.
Conforme relata a história, em 1.118, foi criada a Ordem dos Templários(Soberana Ordem dos Cavaleiros do Templo de Jerusalém). Apesar de toda a sua riqueza, a Ordem dos Templários teve vida curta. Seu ouro e seus bens despertaram a cobiça do rei Felipe, o Belo, rei de França, em acordo firmado com o papa Clemente V, acusaram os Templários de praticantes de feitiçarias e levaram à fogueira cerca de 15 mil templários, além de seu mais famoso mais famoso líder Jacques de Molay.

É em Londres, em 24 de junho de 1717, século XVII, que um grupo de protestantes, reuniram-se e criaram a primeira Grande Loja Maçônica, para a pratica do bom, do belo e do justo, cujos conhecimentos esclarecedores perduram até hoje.

Nesse século XXI, todos são convocados à solidariedade maçônica, deveremos descruzar os braços para utilizar as armas do Amor, já lembrava Kahlil Gibran de que
“A morte é mais forte que a vida, mas o amor é mais forte que a morte". O pensamento de Gibran está em consonância com os princípios da Ordem.

É notória, alicerçada em nossas instruções que a energia do amor é recomendada sua utilização pelos verdadeiros maçons, além do anseio intrínseco de melhoria e de aperfeiçoamento, pois, implica na certeza de construir um mundo melhor de paz e de caridade, eis ai o motivo de nossa reunião e união no Templo de Salomão, sob a égide do GADU.
O maçom é livre, de bons costumes, de consciência tranqüila, busca a Verdade, pois vive isento de preconceitos, a sua razão não é mais deturpada, trava luta constantes contra os vícios e as imperfeições, onde a pratica do bem, do amor e da benevolência é uma questão de dever e honra.
Encontramo-nos ricos de informações, símbolos existem as dezenas, como a romã, colunas, punhal e outros.
O punhal, por exemplo, não é utilizado para ferir, para derramar sangue ou agredir um malfeitor, mas, especificamente, para atingir, de forma sutil e eficaz, mortalmente a ignorância, ainda renitente em nossos corações, de maneira justa e educativa.

Ah! Que bom seria expressar a linguagem sagrada da simbologia maçônica, os ciclos da vida e da morte, nascer e renascer, as leis imutáveis pertinentes a cada um de nós no que se refere a: “Ajudemo-nos uns aos outros”. Os assuntos crescem ao infinito, não obstante, nos contentamos com a conclusão de Richard Bach:
“O que a lagarta chama de fim do mundo, o homem chama de borboleta“.
Devemos ressaltar, também, as lições de vida que transbordam de todos os irmãos. De nossa sublime Ordem emanam ensinamentos capazes de nos desprendermos da tirania, do fanatismo e da ignorância...

É agora o momento, quando nos preparamos, dentro de Loja, através de instruções que educam e libertam da ignorância, é necessário que ao labor de toda hora, exemplificar as lições profundas de sabedoria, de misericórdia e de amor existente nos símbolos ao nosso redor, suplicando que fortaleçamos os laços sagrados da fraternidade entre nós e além dos Templos, pois, a palavra tem força, mas o exemplo é que arrasta.

Queridos Irmãos! Não podemos virar as costas aos irmãos, usar de desculpas, de rodeios. Tende coragem, sedes humildes e simples, ao levantarem templos às virtudes denotam a grandeza do verdadeiro maçom. Não nos é permitido sintonizar com o desamor e o desequilíbrio que aparentemente toma conta da Terra, nesta transição de loucura, de ambição, de violência e de dor aportando em quase todos os lares.
Nós, maçons, não temos o direito de derramar lágrimas de quem quer que seja, e, particularmente, de um irmão maçom cujo dever e obrigação nos impõem sentimentos de amor e carinho. Por certo, as aflições tendem a piorar. E o maçom moderno, que se fizer rico de tecnologia e pobre de amor, sentirá falta das questões simples, da amizade que fortalece, da alegria pura, a amizade embora delicada tem que ser firme, da bondade fraternal e do sorriso espontâneo que brota da alma. Aliás, sem essa compreensão estamos indo em busca das lágrimas, estaremos na contramão dos ensinamentos maçônicos...

É hora de união e amor, uns aos outros e de olho no olho, façamos jus ao nosso juramento de maçom, onde nossa alma comprometida pelo bem não somente entre nós irmãos, mas de que envidaríamos esforços, trabalharíamos juntos, edificaríamos unidos num só ideal, sem exceção, até com o sacrifício da própria vida, o reino da concórdia, da justiça, a era da misericórdia, é o momento da construção de uma humanidade mais feliz em nossa Terra que se avizinha...
O GADU nos encoraja, não podemos impedir, nem retardar a evolução moral que se acerca de nós, o mundo lá fora espera pelo nosso exemplo, não os decepcionemos.
Portanto, que aconteça o bom, o belo e o justo, e espalhemos a esperança, a alegria de viver, a irrestrita confiança no GADU.
Disputamos em nós a honra de amar, sem nenhuma reserva em nossos corações.
Afirmava com razão e bom senso Josh Billings.
“Não existe vingança tão completa quanto o perdão”.
Nossas vendas foram tiradas, nossos olhos vêem, nossos corações vibram de esperança, não há escuridão, vamos sê de verdade aqueles que semeiam a luz para o porvir.

Dizia Leoni Kassef:
“Se fortes são os que se unem para o mal, invencíveis serão os que se congregarem para o bem”. Dando-nos consciência de que somos invencíveis, e veja de que somos irmãos.
Alegremo-nos, pelo convite para conhecer a Luz, pela honra do “FIAT LUX“, afinal todos somos filhos da Luz.
Ao indagarem: O que devemos buscar na Maçonaria?
-
Luz e Amor. A quem cultuamos e obedecemos na Maçonaria?
- Ao nosso Criador o Grande Arquiteto do Universo.

Quais princípios são norteadores da Maçonaria?

- Tornar feliz a humanidade e não descansar até conseguir a completa perfeição moral de todos nós.


O lúcido questionamento de Nando Cordel para alguns de nós da Sublime e Santa Maçonaria serve de profunda reflexão, quando diz:
“O que estou fazendo para o meu enriquecimento interior?.
Eu sou luz, mas não sei usar minha luz;
Eu sou paz, mas não sei usar minha pa
z;”

Finalmente, o sinal representativo do maçom é a assiduidade aos trabalhos em Loja, da mesma forma que a pomba branca é o emblema da paz, o princípio moral emblemático que sentencia o verdadeiro maçom é o pensamento correto, as palavras saídas de sua boca não se perdem na leviandade, são úteis e que os seus sentimentos sejam justos, mesmo que a prejuízo de si mesmo.

Walter Sarmento de Sá Filho.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

 
O irmão Norberto usa a palavra na reunião da GLMPB.
EX-VENERÁVEL DONO DA LOJA

É uma situação que ocorre com frequência na Maçonaria brasileira e quiçá na mundial. O que vem a ser esta situação?
Simplesmente, conforme o titulo do trabalho já sugere, é um Irmão que exerceu sua gestão como venerável de uma loja e que seu desempenho pode ter sido muito bom ou muito mau, mas seu mandato se esgotou, e ele esquecendo que já passou o seu momento como principal gestor da loja e que deveria ficar quieto no seu canto, insiste em se intrometer nos trabalhos da nova liderança que democraticamente surgiu na sua loja através do voto.
Apegado ao poder, chega aos limites da hipocrisia que como se sabe é o ato de fingir qualidades, ideias ou sentimentos que em realidade ele não tem e isso às vezes se torna uma verdade para ele ainda que falsa, um verdadeiro sofisma, e ele acreditando ser o que sabe tudo, que sabe mais que os outros, em fim é o dono da verdade.
Ele não sabe se conter, não consegue ficar sem dar palpites, ou dar ordens ao novo venerável, ou criticar o novo líder, não somando as suas forças com as da nova gestão, pelo contrário, atrapalhando-a. Se o novo venerável não for um líder pragmático, pulso forte, que não saiba se impor, ficará a mercê do antecessor, não podendo exercer a sua gestão a contento como planejou.
Todavia, numa loja democrática, não faltarão Irmãos que com coerência e bom senso, tomarão partido do novo líder e os mais habilidosos, chegam ao ex e com muito jeito, com parcimônia tentam faze-lo compreender a nova situação, o que às vezes não conseguem havendo até em certos casos uma cisão na loja. Muitas novas lojas foram fundadas por ex-veneráveis que não souberam respeitar a nova liderança. Este é um fato inconteste.
Este apego ao poder é algo que o ex-venerável às vezes não pode se controlar, porque ele não estava preparado quando exerceu seu mandato para um dia deixa-lo como soe acontecer nos regimes democráticos e uma loja maçônica não tem dono justamente por ser uma democracia. Ele se achou venerável, e não entendeu que apenas estava venerável. Acha que continua venerável.
Este tema abre um leque mais profundo em relação a analise do poder nas lojas e como ele é manipulado.
Este tipo de dono da loja não é o pior entrave para uma loja. O pior ex-venerável é aquele tipo de irmão matreiro, político, de fala mansa, que sorri para todo mundo, abraça a todos três vezes e que se derrete em falsos elogios aos Irmãos do quadro e procede assim porque é uma das suas estratégias para se manter no poder eternamente. Ele se vale de bonecos ou títeres para cobrir uma gestão que por imposições das constituições das potências ele não pode se reeleger mais de uma ou duas vezes. Em seguida ele volta gloriosamente na próxima. Mas durante a gestão de seu preposto, quem dirigirá a loja de fato, será ele. Não de direito, mas de fato. Ele tomará todas as decisões e o venerável de plantão cumprirá rigorosamente o que o seu chefe determinar. Geralmente ele tem o seu grupo, formado por comparsas que são coniventes que antecipadamente já decidiu quem será o venerável para os próximos seis ou oito anos, mas sempre ele voltando após as gestões de seus substitutos arranjados ou então apenas preferirá ser o chefe por trás, nos bastidores, mandando em tudo e por muito tempo.
No fundo a sede de poder, nada mais que uma autoafirmação, insegurança, incapacidade de ser transparente com seus semelhantes e com o meio em que vive vaidoso mentiroso geralmente tendo uma visão unilateral dos processos de interação entres os Irmãos, tornando sua personalidade a de um verdadeiro psicopata social. Não sabe mais discernir os seus limites. Não tem sentimentos. Chega a ser uma doença um desvio de personalidade, e de comportamento.
Isto não é bazofia ou piada. Isto realmente acontece na Maçonaria brasileira num índice maior do que se pode imaginar, mas não como rotina. Infelizmente esta situação vem ocorrendo e muitos irmãos fingem não vê-la ou senti-la, porque os membros das lojas com exceção de verdadeiros maçons agem passivamente como cordeiros, esquecendo que uma loja aberta em sessão é uma tribuna livre onde ideias são criadas, sonhos são idealizados que podem mover o mundo, um verdadeiro laboratório social que pode mudar tudo para melhor e por isso todos os problemas devem ser discutidos e todos devem participar.
Uma situação esdrúxula aconteceu em uma loja que será omitido o nome da cidade, onde isso ocorreu. Um Irmão destes tipos de donos da sua loja, fez a sua loja votar o título de “venerável perpétuo” para ele. Até aí, nada de mais, a loja votou, está votado. Mas ele exigia que a loja só abrisse os trabalhos em suas sessões normais quando ele estivesse presente. E ele atrasava sempre cerca cinco a dez minutos. E aí a sessão começava. Isso é o cúmulo da hipocrisia, tanto deste sociopata ex-venerável como da loja que aceitava tal situação. Pasmem! Parece uma estória inventada, mas não é. Isto é verídico!
Mas é bom que se frise que a maioria dos ex-veneráveis não se enquadram nesta descrição. Existem ainda muitos bons maçons na Ordem. Felizmente a maioria. São, Irmãos excelentes, preparados, humildes, sabem qual é o seu lugar dentro de uma loja, bons conselheiros, conhecem o peso de um malhete, porque já o manejaram quando foram veneráveis. Aprenderam mais ouvir que falar.
A Maçonaria valoriza a Dialética, que é a arte do dialogo, ou a discussão, como força de argumentação permite que se contrariem ideias, que elas sejam discutidas em todos os sentidos e que dessa situação nasça um ideia concreta, inteligente, e perfeita, uma verdadeira síntese de tudo o que foi tratado, desde que venha em favor da Ordem e da humanidade. Ela prega a igualdade e a liberdade de pensamento entre seus adeptos.
Esta situação de dono de loja é uma das causas maiores do afastamento de muitos honrados irmãos da Ordem. Se um irmão, sem medo, com coragem falar em nome da democracia e dos verdadeiros princípios da Ordem, e isto ferir os desígnios destes déspotas, este será marcado, perseguido e descriminado.
Considerando-se que temos cerca de seis ou sete mil lojas no Brasil, imagine-se o número de Irmãos que agem desta forma, considerando-se que a natureza humana é complexa e estranha, que muitos homens possuem a síndrome do poder em função de seu DNA animalesco onde um quer ser o dominante sobre o outro, ou sobre os outros. Geralmente estas pessoas são inseguras, não são felizes, não estão de bem com a vida e esta forma de querer exercer um suposto poder sobre os outros é sua maneira de tentar equilibrar seus próprios defeitos.
A síndrome do poder também chamada de síndrome do pequeno poder é uma atitude de autoritarismo por parte de um individuo que recebeu um poder e tenta usa-lo de forma absoluta e imperativa sem se preocupar com os problemas dicotomizados que possam vir a ocasionar. A síndrome do pequeno poder pode se tornar uma patologia, quando se torna crônica. Existem aqueles Irmãos que mesmo longe do poder pensam que o possui. Quando a realidade lhe é mostrada, entram em depressão.
Mas a Maçonaria prega justamente o contrário. Ela é democrática. Quando se fala em vencer as paixões significa que o maçom deve fazer prevalecer em seu consciente racional sobre as programações erradas de seu subconsciente, ou seja, sobre a parte ruim que o ser humano tem dentro de si. Segundo São Francisco de Assis, é o “burro” ou a “besta” que o ser humano carrega dentro de sua consciência. Uma das condições mais exigidas pelos princípios maçônicos é justamente você fazer prevalecer seu lado bom, vencendo o seu lado mau.
A condição para um irmão ser venerável em primeiro lugar é que ele tenha merecimentos pessoais e que tenha um conhecimento profundo da ciência maçônica em todos os seus segmentos, tais como história da Ordem, ritualística, simbologia, administração, legislação e justiça sendo tudo isso associado à sua capacidade de liderança.
Evidentemente a Maçonaria terá que renovar seus líderes, para que novas ideias, novos postulados, novos rumos e até novos paradigmas sejam estudados, adotados e postos em ação.
Todavia correrá o famoso risco: VOCÊ QUER CONHECER UM MAÇOM? DÊ-LHE PODER.
Por fim, enfatiza-se que este trabalho foi escrito para uma minoria de Irmãos, que são gananciosos do poder. Ressalve-se aqueles Irmãos ex-veneráveis pessoas intocáveis que não se enquadram neste contexto. Felizmente, a maioria. Estes são os sustentáculos da Ordem.
Hercule Spoladore
-Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil”- Londrina-PR.
Fonte: Filhosdehiram.BLOGSPOT.COM.BR