quarta-feira, 7 de março de 2012

A ALMA E A SUA EXISTÊNCIA


A ALMA E A SUA EXISTÊNCIA
A busca da verdade passa pela questão da existência da alma. A resposta a esta questão colocou em campos opostos filósofos do quilate de Hume, Hamilton, Stuart Mill, Taine, que admitiam que a alma se reduzisse a um grupo de sensações, de idéias, de emoções, etc. Como dizia Broussais, “o homem racional não pode admitir a existência de uma coisa que não seja percebida por algum dos sentidos”. Dizia ainda Broussais que o cérebro é a causa e o princípio do pensamento e, por conseguinte, o espírito é uma hipótese inútil.

Mas, sendo o cérebro composto de células, que se renovam a todo o instante como, aliás, em todo o corpo, se no homem existem apenas fenômenos sucessivos, sem um laço que ligue o passado ao presente, como então se explicam o hábito, a associação de idéias e a memória?

Deste modo, é forçoso admitir que existe em nós uma realidade que independe do cérebro, que é a sede das nossas mudanças psicológicas, e que é também a causa dos atos que praticamos. A esta realidade, chamamos de alma. Se existe a alma, qual será a sua natureza? Será espírito, ou será matéria? O espiritualismo defende a distinção da alma do corpo; o materialismo, só admite a existência do corpo e da matéria. No homem, ocorrem fenômenos quantitativos, como a digestão, a circulação, etc. e fenômenos qualitativos, só percebidos pela consciência, como a alegria, o pensamento, ou o remorso.

Assim sendo, existe no homem uma substância extensa, divisível e palpável, que é o corpo, e uma outra substância simples, perceptível somente pela consciência, a alma.

A alma é una, e o homem, por ter só uma alma, comprova a sua unicidade. Ela não é única só numericamente, mas é una também por ser simples e indivisível. Enquanto que todas as células do corpo se renovam em um curto período de tempo, isto é, o corpo muda em substância, a alma permanece sempre idêntica a si mesma, não havendo mudanças no nosso Eu ao longo do tempo, que permanece o mesmo, tanto no passado quanto no presente. É esta imutabilidade da alma que confere a identidade ao homem.

A ESPIRITUALIDADE DA ALMA
O ser espiritual é aquele que existe independente da matéria e das suas condições de ser e de operar.

É fato que a alma está unida ao corpo, e que exige o concurso dos órgãos do mesmo, para realizar as suas operações sensitivas. Apesar disso, também é fato que a alma é independente do corpo nas suas funções intelectuais. Deste modo, a alma pensa e quer sem o auxílio destes órgãos. Podemos assim concluir que a alma não está completamente imersa no corpo, que é independente dele sob diversos aspectos, e que, por conseguinte, é um ser espiritual.

Dizia Aristóteles que um ser se conhece por suas operações. Ora, a nossa alma forma idéias, e a idéia é imaterial. Em conseqüência, a inteligência, a faculdade do pensamento, também é imaterial. Deste modo, a alma, que opera pela inteligência, é imaterial pela mesma razão. Enquanto a matéria é indiferente à inércia ou ao movimento, isto é, ao determinismo, a alma, ao contrário, é livre para operar ou não, para resistir ou ceder aos impulsos da sensibilidade, isto é, a alma goza do livre arbítrio.

Conclui-se assim que a alma é simples, é idêntica a si mesmo, e é espiritual, necessariamente distinta do corpo, que é composto, mutável e material.

A ALMA, O FÍSICO E A MORAL
A simplicidade e a espiritualidade que caracterizam os fenômenos da inteligência impedem que afirmemos que o cérebro – substância material e em constante mutação - seja a verdadeira causa do pensamento. Por outro lado, a inteligência necessita para se expressar, para o seu funcionamento normal, de um cérebro saudável.

Deste modo, o cérebro nada mais é do que o instrumento material de que se vale o espírito, imaterial, para expressar os seus pensamentos. Aristóteles notou que pensamos sem órgãos, que o entendimento não está ligado a nenhum órgão corporal, e que pode trabalhar e existir separado do corpo.

Ocorre que, em nosso estado atual, nunca pensamos sem imagens, e a imaginação depende diretamente do sistema nervoso. Daí que o pensamento e a inteligência dependem indiretamente do corpo, e em particular do cérebro. Assim se explica a desordem na inteligência proveniente de uma lesão cerebral; não porque o entendimento tivesse sido atingido, mas porque essa lesão determina uma perturbação na imaginação, e as imagens extravagantes chamam idéias discordantes e incoerentes.

Se um louco pudesse ter transplantado o cérebro lesado por um outro que fosse são, com certeza pensaria de modo correto. Isto porque a desordem e a deterioração dos órgãos não lesam a inteligência em si mesma, mas somente a privam das condições e meios requeridos para o seu funcionamento normal. Pode-se dizer que o cérebro é a interface entre o espírito e o mundo material.

A UNIÃO DA ALMA E DO CORPO
Aristóteles, S. Tomás e a maior parte dos espiritualistas não admitem no homem dois princípios de vida. Afirmam que além da sua atividade consciente e psicológica, a alma inteligente possui também a faculdade de presidir às funções fisiológicas. Desta maneira, a alma seria o único princípio de toda a atividade vital do homem, da sua vida vegetativa e sensitiva, e também de sua vida propriamente espiritual.

Já vimos que a correlação íntima que existe entre as diversas operações da alma pensante (sensibilidade, inteligência e vontade), prova a unidade substancial do princípio de onde elas se originam. Esta mesma correlação se verifica entre as operações psicológicas e as funções orgânicas.

Uma comoção violenta da alma faz parar a circulação do sangue, o medo paralisa, e a confiança sustenta as forças físicas; o trabalho intelectual intenso retarda a digestão, etc.; poder-se-ia citar numerosos fatos que provam a influência do físico no moral, e reciprocamente. Demonstrada a união da alma e do corpo, como se faz esta união? O corpo não existe antes da sua união com a alma. Da alma, o corpo recebe a sua unidade, a organização, a vida e atividades próprias, numa palavra, tudo o que faz dele o ser humano.

Assim, o corpo apenas se separa da alma pela morte, quando perde todos estes caracteres, todas as suas determinações específicas, dissolvendo-se nos elementos químicos de que foi formado. Quanto à alma, sem dúvida que existirá separadamente do corpo, vivendo a sua vida espiritual, mas, sem o corpo, não mais poderá exercer as faculdades que exigem o concurso dos órgãos corporais, como a sensibilidade, a percepção externa e a imaginação.

Deste modo se conclui, com Aristóteles, que o corpo é a matéria, e a alma é a forma, e que a união do corpo com a matéria forma um todo verdadeiro e substancial. É esta união no ser que faz da alma e do corpo um só princípio de ação, que faz com que não haja ação humana na qual o corpo não faça a sua parte, nem tão humilde e material que não repercuta na alma. É este o princípio que coloca em cheque o racionalismo de Descartes, expresso na frase: Penso, Logo, Existo.

A IMORTALIDADE DA ALMA
Com a morte, o corpo se dissolve. Acontecerá o mesmo com a alma e morreremos inteiramente? O que é a imortalidade?

A imortalidade consiste na sobrevivência substancial e pessoal do eu, na identidade permanente da alma, que conserva as suas faculdades de conhecer e amar, sem as quais não há felicidade humana. Após a morte, a alma mantém a consciência da sua identidade, com as lembranças e responsabilidades do seu passado, sem as quais não poderia haver nem recompensa nem castigo – em uma palavra – não existiria o princípio da justiça divina. A metafísica demonstra que a alma é imortal por sua natureza incorruptível. A razão para a sua sobrevivência após a morte do corpo é demonstrada pelo argumento moral. Que esta sobrevivência é indefinida e ilimitada, prova-o o argumento psicológico.

O corpo se desagrega e se dissolve logo que se separa do seu princípio de unidade, da sua forma substancial que é a alma. Pelo contrário a alma, sendo como é, metafisicamente simples e espiritual, não pode decompor-se nem se desagregar. Não morre, pois, com o corpo. Este é o argumento metafísico da imortalidade da alma.

Se há Deus e lei moral, a justiça exige absolutamente que o crime seja punido e a virtude seja recompensada. Neste mundo, nem a natureza, nem a sociedade, nem a própria consciência dispõem de sanções suficientes para recompensar plenamente a virtude ou punir adequadamente o vício; é necessário, portanto, que haja outra vida onde a justiça seja plenamente satisfeita, e a ordem seja restabelecida. Este é o argumento moral, que demonstra a sobrevivência da alma, mas não prova que esta existência seja ilimitada na sua duração.

O argumento psicológico, que prova a perseverança indefinida da existência da alma humana depois da morte, assenta sobre o princípio de que Deus não pode, sem se contradizer a si próprio, dar um fim a um ser, sem lhe dar os meios de o atingir. Tudo na natureza do homem prova que ele é criado para atingir a felicidade perfeita; mas é evidente que não a pode alcançar neste mundo, e que deve haver uma outra vida onde a possa obter. E como por outra parte não existe felicidade completa sem duração ilimitada, segue-se que essa vida futura não pode e não deve ter limites.

O ser humano aspira a um objeto infinito, a uma verdade, beleza e bondade absolutas, cuja posse nos deve fazer felizes. Nossas faculdades superiores possuem capacidade ilimitada, que não se pode satisfazer completamente fora deste bem infinito, que não é outro senão o próprio Deus.

Fizestes-nos para Vós, Senhor, e o nosso coração está inquieto até que descanse em Vós (Santo Agostinho)

Mas, o que encontramos neste mundo que apague esta sede de felicidade do homem, que preencha o vazio deste coração criado para o infinito? A natureza é tão limitada e o mundo tão pequeno; esta vida é tão curta e a realidade tão imperfeita! Queremos amar, queremos viver o mais possível, e por toda a parte só encontramos obscuridade, decepção, sofrimento e morte. Assim, é evidente a total desproporção entre os nossos meios e as nossas necessidades.

Logo, se há um Deus sábio e justo, esta contradição não pode ser definitiva; deve haver outra vida onde se restabeleça o equilíbrio entre o que desejamos e o que podemos, uma vida em que sejamos perfeitamente felizes. A duração ilimitada da imortalidade é evidente que constitui o elemento essencial da felicidade completa; não se pode gozar plenamente um bem quando receamos perdê-lo. A incerteza dói tanto mais quanto maior é o bem possuído. Como diria Marco Túlio Cícero:
Si amitti vita beata potest, beata esse non potest
(Se se pode perder a vida feliz, já não se pode ser feliz)
Logo, a vida futura da alma, a imortalidade, não tem fim, é infinita e ilimitada, e a sua tendência natural é a prática da virtude, em conformidade com os desígnios do seu criador, Deus.


Bibliografia
Aristóteles
J.J.Rousseau
S. Tomás de Aquino
Espinosa
Jonh Stuart Mill
S. Agostinho
Bergson



ANTÓNIO ROCHA FADISTA
M.'.I.'., Loja Cayrú 762 GOERJ / GOB - Brasil

terça-feira, 6 de março de 2012

Tolerância

Tolerância
Escrito por A Jorge
Significado
Palavra proveniente do latim, "Tolerantia", que por sua vez precede do "Tolero" e que significa suportar um peso ou a constância em suportar algo.
No dicionário da Língua Portuguesa, tem o seguinte significado: substantivo feminino: qualidade de tolerante; ato ou efeito de tolerar pequenas diferenças para mais ou para menos; capacidade de suportar circunstâncias menos favoráveis.
Temos ainda a palavra "Tolerante", que significa: aquele que tolera; que desculpa, indulgente, que admite e respeita opiniões contrárias à sua.
Correlações
Muito próximo à palavra, "Tolerância", temos a "Paciência", que é a qualidade do paciente, coragem de enfrentar o adverso, perseverança tranquila.
Conforme cita, Rogério Lacal Cruz, o limite de tolerância tem por um lado a manutenção da individualidade e por outro a inclusão do indivíduo no seu meio, aceitando assim opiniões que podem ser adversas.
O que não pode é negar a alguém o direito de pensar livremente e agir conforme seus critérios, porque senão seria recusar-lhe a sua autenticidade e a integração dentro da humanidade que, pessoa livre, tem direito.
Exemplos de Tolerância
É uma palavra que tem um significado extenso, pois em tudo o que vemos ao nosso redor, está presente a tolerância, senão vejamos alguns exemplos:
No trânsito: qual é a pessoa residente em uma cidade como a nossa, não tenha tido que usar o limite maior de sua tolerância?
Na confecção de uma peça, existe a tolerância de erro, ou seja, até que ponto ela pode estar fora de padrão?
Na estatística: está muito presente, pois é oscilante em relação a um padrão determinado, tanto acima, quanto abaixo.
Teríamos aqui mais e mais exemplos, mas o objetivo do trabalho não é este, então partiremos para a tolerância, que possa proporcionar uma melhora em nossas vidas.
Por que devemos ser tolerantes?
A tolerância está muito ligada aos limites do suportável, da condição humana.
Carlos Gerbase, diretor de cinema, diz: "Se não houvesse tolerância, não haveria civilização, mas, se há tolerância em demasia, tudo fica exatamente como está"
Tolerar não significa absolutamente aceitar ou corroborar com erros, nem tolher os direitos individuais ou coletivos, e muito menos ultrapassar a moral e a ética.
O que deve ser procurado, é uma melhor aceitação do que está acontecendo, naquele determinado momento. Deve estar implícita também a possibilidade do poder de redirecionar os faltosos ou culposos, a não incorrerem no mesmo erro.
Para exigirmos a tolerância, devemos primeiramente praticá-la, pois caso contrário, de nada serve.
Uma história de tolerância
Há uma passagem bastante interessante, que serve aqui como ilustração.
Uma determinada mãe, levou seu filho a Mahatma Gandhi, e solicitou-lhe que pedisse ao jovem, para que parasse de comer açúcar.
Gandhi então pediu muito gentilmente, que a mãe retornasse junto com o filho, em duas semanas.
Quando retornou, ele olhou fixamente nos olhos do jovem e disse: "pare de comer açúcar".
Agradecida, mas numa grande dúvida, ela questionou o porquê destas duas semanas, se ele poderia ter dito naquele mesmo dia, quando ele respondeu: "duas semanas atrás, eu estava comendo açúcar".
Tolerância na vida maçônica
A tolerância dentro da maçonaria, é o ponto de partida das concessões feitas para preservar as engrenagens da ordem, e que admite e respeita opiniões contrárias à sua.
Sendo assim, podemos afirmar que ela é uma das maiores virtudes, pois possibilita a convivência dentro da loja, de todas as tendências, de pensamento, de credos, fazendo com que se acate, ao padrão da individualidade, que existe dentro de cada ser humano.
Temos que ser tolerantes na busca da verdade e de soluções, para não provocar a discórdia, mesmo diante de atos isolados entre irmãos, quando de repente, algo foi externado vindo ferir a outro.
A sua prática é um tanto quanto complicada, porque é muito difícil mensurar os seus limites, que podemos aqui dividir em três etapas, ou seja:
1 - A tolerância propriamente dita;
2 - A aceitação;
3 - A transigência ou a indulgência.
É como se imaginar um grande círculo e dentro dele mais dois, sendo um maior e outro menor e determinado que este último seja a tolerância e que deve se evitar de todas as formas, a sua ultrapassagem.
Devemos procurar manter as nossas decisões, sempre dentro do círculo menor, pois assim estaremos evitando problemas pequenos, que poderão transformar-se em algo vultuoso.
Ainda quanto ao objetivo de não ultrapassar este círculo, há a necessidade em determinar uma intensidade dentro dele, para que tenhamos maior ou menor tolerância em cada caso.
Às vezes até a mudança de comportamento de um irmão, deve ser analisada e se possível debatida, pois deve se levar em consideração o comportamento anterior, porque se ele sempre agiu corretamente, até um determinado momento e começou a agir de maneira diferente daí para frente.
A vida não é medida pelas datas de aniversário, mas sim pela maneira de respirar, pois para cada encarnação, é determinado ao indivíduo, um certo número de respirações.
Se ele respirar rapidamente, a sua vida chegará ao fim rapidamente, por que ele não vai poder respirar mais vezes do que lhe foi determinado, ao passo que, se ele respirar devagar, compassadamente, ela terminará com bem mais vagar.
Com isto podemos concluir que devemos procurar respirar lentamente, pois assim haverá uma purificação da mente, ajudando a criar a tolerância, uma vez que, no intervalo de cada respiração, teremos condições de raciocinar melhor para a tomada de decisões.
Pouco adianta uma pessoa ser muito sábia, se não tiver a tolerância, porque ela estará resolvendo as situações com truculência e aí deixará de ser um sábio, ao passo que se ele refletir e usar a tolerância, sua decisão será mais tranquila, firme e convicta do acerto.
Conclusão:
Quantas vezes já vimos, seja nos trabalhos em Loja ou fora dela, fatos nos quais literalmente todos percebem algum tipo de injustiça ou erro de qualquer natureza. Então entra em cena aquela natural e enorme vontade de fazer justiça, de gritar, de apontar o erro, de criticar quem fez o algo errado ou de vingar de alguma forma.
As coisas não devem funcionar assim e não funcionam. Devemos nessa hora praticar a tolerância. Devemos nos conter e não tomar atitudes sem antes termos refletido com muita sabedoria diante da situação. A tolerância nos faz ganhar tempo para pensar antes de agir impulsivamente. Vejam meus irmãos o que a tolerância faz na vida do homem sábio. Ela contribui para o homem não errar!
Sejamos tolerantes na busca da verdade e de soluções. Não provoquemos a discórdia e sim a paz entre os homens utilizando o recurso sábio e benemérito da Tolerância.
Texto de Autor Desconhecido
Bibliografia:

O Evangelho Segundo o Espiritismo - Alan Kardek
Diversos sites GOB e do GOSP
Aconteceu na maçonaria - Aécio Bruno
Revista: A verdade maçônica - tema Tolerância

segunda-feira, 5 de março de 2012

O aposentado


                             Nêodo Ambrosio de Castro


O aposentado
Autor: Nêodo Ambrosio de Castro


Onde vivo, não é aconselhável ficar parado por muito tempo em algum lugar, principalmente em um banco de praça. Por isso, quando arrisco, nunca me sinto seguro, nem à vontade.
Mas noutro dia, de manhã, o sol parecia me convidar. Cedi àquela tentação e sentei-me no banco da praça para sentir o calor agradável do sol da manhã.
Assustei-me, quando um homem se aproximou e pediu licença para sentar-se ao meu lado. Fiquei muito desconfiado, mas como tenho pouca experiência, e nenhuma maldade, não me importei, aconcheguei-me a uma ponta do banco cedendo o restante para o desconhecido.
Fiquei ali, não sei por quanto tempo, imaginando quem poderia ser o homem que do outro lado havia se acomodado.
De repente, um pouco inseguro, parece que buscando coragem, procurei saber alguma coisa do desconhecido e lhe perguntei:
- Mora aqui por perto?
- Não moço, moro não. É que há muitos anos passava por aqui e desejava fazer isso:
Sentar-me no banco e tomar o sol da manhã. Hoje estou satisfazendo essa vontade que alimento há anos. É que me aposentei e não consigo ficar em casa.
Mas quando trabalhava, amaldiçoava todos os dias ter que me levantar às 5 horas da manhã, e me preparar para o trabalho.
Sempre odiei isso. Levantava cedo, preparava o café ia até a padaria buscar o pão, quentinho, tomava um pouco e saia correndo para não perder o ônibus. Minha mulher e meus filhos não se davam conta do que eu fazia. Quando levantavam, mais tarde, já encontravam o pão e o café na mesa. Nunca me perguntaram se eu gostava de fazer aquilo.
Quando à noite, depois de viajar nesses ônibus lotados e lentos, por mais de uma hora, na maioria das vezes, em pé, as pessoas me esbarrando, empurrando a cada curva - acho que me cansava mais no ônibus do que no trabalho – minha mulher parecia não notar que eu chegara do trabalho, casado e carente.
Quando meus filhos eram crianças, ela reclamava das travessuras deles, quando já adolescentes, aí então é que as reclamações eram demoradas. De tanta reclamação, perdia o ânimo de falar para ela que estava cansado. Tomava meu banho e me jogava na cama.
Essa era a minha rotina.
Pensava que ao me aposentar, as coisas fossem mudar. Mas que nada. Ficou pior, não me acostumo mais ficar em casa o dia todo. Minha mulher que antes de tudo reclamava passou a implicar com tudo que faço.
Fica o tempo todo me vigiando e falando: não faça isso, não ponha os pés aqui, feche a torneira, lave o seu copo, limpe os pés quando em casa entrar e coisas desse tipo. Não me deixa sossegado nem por um instante.
Já estou cansado e sentindo saudade do tempo que passava por aqui de ônibus e me dava vontade de sentar neste banco. Estou com saudade de acordar às 5 da manhã. De chegar em casa cansado e apenas ouvir as reclamações da minha mulher.
Não sei porque a gente trabalha tantos anos, sonhando fazer isso e mais aquilo quando nos concederem a aposentadoria. E quando chega essa hora não sabemos como fazer tudo aquilo que sonhamos e planejamos por todos esses anos de trabalho.
Na verdade, moço, somos pássaros de gaiola. Se nos soltam morremos de fome ou somos apanhados por um gato qualquer, pois já não sabemos mais voar.

domingo, 4 de março de 2012

IRMÃOS


IRMÃOS
Na maçonaria os seus membros são chamados de Irmãos, pois unidos pelo Amor Fraternal, seja em qualquer Grau, recebem este tratamento, e seu significado é a condição adquirida com a participação de um mesmo ideal baseado na amizade.

A origem do cordial tratamento de “Irmão” afirma que este tratamento foi adotado pelos Maçons, desde os tempos de Abraão, o velho bíblico. Reza a história que estando ele e sua mulher no Egito, lá ensinava as sete ciências e contou entre os seus discípulos com um de nome Euclides. Tão inteligente que não demorou em tornar-se mestre nas mesmas ciências.

Então Euclides, em suas aulas determinou regras de conduta para os seus discípulos; em primeiro lugar cada um deveria ser fiel ao Rei e ao país de nascimento; em segundo lugar, cumpria-lhes amarem-se uns aos outros e serem leais e dedicados mutuamente. Para que seus alunos não descuidassem destas últimas obrigações, ele sugeriu aos mesmos que se dessem, reciprocamente. O tratamento de “Irmãos” ou “Companheiros”.

Aprovando inteiramente esse costume da escola de Euclides, a Maçonaria resolveu adotar aos seus iniciados, que receberam com todo o agrado, sem nenhuma restrição, passando a ser uma norma obrigatória nos diversos Corpos da Ordem. Traduz uma forma muito afetiva e agradável a todos os corações dos que militam em nossos Templos.

O Poema ”Regius", que data do ano de 1390, aconselha os operários a não se tratarem de outra forma senão de “meu caro Irmão”. Por isto o tratamento de Irmão dado por um Maçom a um outro, significa reconhecimento fraternal, como pertencente a mesma família. Os Maçons são Irmãos por terem recebido a mesma Iniciação, os mesmos modos de reconhecimento e foram instruídos no mesmo sistema de moralidade. Além da amizade fraternal que deve nos unir, nós Maçons somos simbolicamente filhos da mesma mãe.

Durante a Iniciação quando o iniciando recebe a Luz, e seus novos Irmãos juram protegê-lo sempre que preciso. A partir daquele momento, todos que a ele se referem o tratam como Irmão. Os filhos de seus novos Irmãos passam a tratá-lo como “Tio” e as esposas de seus Irmãos passam a se sua “Cunhada”. Forma-se nesse momento um elo firme entre o novo membro da Ordem e a família maçônica.

A Maçonaria não admite em suas fileiras qualquer tipo de preconceito racial, religioso, condição social ou financeira. A Ordem se dedica há séculos a combater os preconceitos, sempre plantando a semente da paz, da harmonia e da concórdia.

Permite sim discordar de idéias dos Irmãos e não de Irmãos, a Loja Maçônica é o templo do saber, do crescimento cultural e espiritual. Reunimo-nos para combater a nossa ignorância e a dos outros, lutar contra os vícios e a injustiça. Lugar de Amor Fraternal, símbolo da amizade, da razão serena e perseverança. Distinguimo-nos dos profanos por nossa aversão á injustiça, á vingança, á inveja e á ambição desmedida, sempre fazendo o bem pelo bem.

O Maçom deve primeiro interrogar sua consciência sobre seus atos, para melhor avaliar os atos dos outros, não deve apontar os erros alheios e sim corrigi-los.

O verdadeiro Irmão não tem ódio, nem rancor, muito menos desejo de vingança; perdoa e esquece as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios que já tenha recebido, ajudar o Irmão em dificuldade, mas se a necessidade o obriga deve procurar sempre o bem que atenua o mal.

Sabemos como difícil é meus queridos, ser Irmão, na mais pura essência da palavra. Quando nos encontramos abrimos o sorriso e os braços como se fossemos velhos conhecidos, e este sentimento de Irmandade ás vezes é mais forte que entre irmãos de sangue.

Diante de tudo acima exposto só posso agradecer a vocês meus Queridos Irmãos pelo aprendizado nestes anos, e que o Grande Arquiteto do Universo nos ilumine e nos permita muitos e muitos anos de convivência.
Wellington Oliveira, M.M.
ARLS Igualdade, Oriente de São Paulo - Brasil

 

sábado, 3 de março de 2012

Tranquilidade



Tranquilidade



1 – Comece o dia na luz da oração.

O amor de Deus nunca falha.


2 – Aceite qualquer dificuldade sem discutir.

Hoje é o tempo de fazer o melhor.


3 – Trabalhe com alegria.

O preguiçoso, ainda mesmo quando se mostre num pedestal de ouro maciço, é um cadáver que pensa.


4 – Faça o bem o quanto possa.

Cada criatura transita entre as próprias criações.


5 – Valorize os minutos.

Tudo volta, com exceção da hora perdida.


6 – Aprenda a obedecer no culto das próprias obrigações.

Se você não acredita na disciplina, observe um carro sem freio.


7 – Estime a simplicidade.

O luxo é o mausoléu dos que se avizinham da morte.


8 – Perdoe sem condições.

Irritar-se é o melhor processo de perder.


9 – Use a gentileza, mas de modo especial dentro da própria casa.

Experimente atender os familiares como você trata as visitas.


10 – Em favor de sua paz conserve fidelidade a si mesmo.

Lembre-se de que, no dia do Calvário, a massa aplaudia a causa triunfante dos crucificadores, mas o Cristo, solitário e vencido, era a causa de Deus.

André Luiz

sexta-feira, 2 de março de 2012

O SIMBOLISMO DA CRUZ


O SIMBOLISMO DA CRUZ
 
Cruz – do lat. cruce – significa antigo instrumento de suplício, constituído por dois madeiros, um atravessando no outro, em que se amarravam ou pregavam os condenados à morte. Segundo Rizzardo da Caminno a Cruz é formada por dois ângulos retos, encontrando-se com os seus vértices. Os gregos a apresentam na forma de uma sua letra, a “tau”, e tem o formato de um “T” maiúsculo. A palavra cruz no grego = (stauros, verbo stauroõ) que significa primariamente um poste reto ou uma trave, e secundariamente um poste usado como instrumento de castigo e execução. Para o chinês, a cruz indica ainda a idéia de universalidade e plenitude: inteiro, perfeito, completo, extremo, largo, infinito e perfeição, expressa o superlativo: extremamente bonito, mil maravilhas, eternidade sempre. Os hebreus, à semelhança dos chineses, carregavam esse sinal com toda a força do símbolo: vizinhança, amizade, simpatia, totalidade, fartura e perfeição. No alfabeto hebreu a Cruz (TAU) é a última letra.

Para o hebreu significa também: termo, chegada, meta final, assinatura. A CRUZ (TAU) é usada para representar o Nr. 400, isto é, a superabundância. O número 4 é a expressão dos quatro cantos da terra, da universalidade, da riqueza. O 400 é o superlativo de um superlativo, a fartura infinita. È bom saber que no Antigo Testamento não se usava este método para executar pessoas, mas era usado, como execução, o apedrejamento. Os cadáveres eram pendurados numa árvore, como advertência (Deuteronômio 21-22-23; Js 10.26).Tal corpo era considerado maldito (o que explica Epístola aos Gálatas 3.13) e tinha que ser removido e sepultado antes do cair da noite (cf. Jo 19. 31). Essa prática explica a referência neotestamentária á cruz de Cristo como uma “árvore”, (no grego xylos, At 5.30; 10.39; 13.29; I Pe 2.24) um
símbolo de humilhação. Os escritores contemporâneos descrevem a crucificação como a mais dolorosa de todas as formas de morrer.

Para os cristãos representa a paixão e a morte de Cristo. No Cristianismo, é o símbolo da redenção universal, da reconciliação e da PAZ (Ef. 2, 14-17 e CL.1, 19-20). É a vitória da vida. Um Homem-DEUS (Jesus) esteve ali de BRAÇOS ABERTOS, num gesto de reconciliação e confraternização.
O interesse dos escritores do Novo testamento na cruz, não é nem arqueológico, nem histórico, mas antes Cristológico.

Teologicamente, o vocábulo cruz era usado como descrição sumária do Evangelho da salvação, de que Jesus “morreu pelos nossos pecados”. Assim é que a pregação do Evangelho é a “palavra da cruz” a “pregação de Cristo crucificado” (I Co 1.17 e segs). A palavra cruz é reconciliação (II Co 5. 19), foi por meio dela que houve reconciliação entre Deus e o ser humano, sendo essa reconciliação pessoal e cósmica.

No N.T, a cruz é símbolo de vergonha e humilhação, bem como da sabedoria da Glória de Deus reveladas por meio dela. Roma empregava a cruz não só como instrumento de tortura e execução, mas também como pelourinho vergonhoso, reservado para os mais vis. Para os judeus era maldição.

Segundo John Stott “....A cruz nos assegura que esse Deus é a realidade dentro, por trás e além do universo”.
Segundo Jorge Adoum, a cruz não significa morte e sim triunfo sobre a matéria. Sua ponta voltada para cima, corresponde a imagem de Deus, refletindo a Verdade,
sabedoria e amor, já a parte inferior apontada para baixo, corresponde a imagem das trevas.
Se dividirmos a circunferência que simboliza o mapa com uma linha na horizontal que liga a superfície da terra ao horizonte longínquo, e outra na vertical – que toca o alto do céu e atravessa todo o planeta Terra, formamos uma cruz, a cruz cardeal. Esta cruz sempre foi considerada de suma importância para a Astrologia. Define que somos filhos tanto do Céu como da Terra. Nossos pés estão firmemente ligados a terra, nossa cabeça liga-se ao céu e dele recebe a energia necessária ao nosso desenvolvimento como seres humanos. O que se procura é o desenvolvimento de nosso Espírito, filho do céu, ao mesmo tempo que a harmonização de nosso corpo, filho da terra, com as energias que vêm do céu (eixo vertical) e com as energias dos cinco elementos da terra. (eixo horizontal. Da Astrologia podemos extrair o mesmo ensinamento: o braço horizontal da cruz cardeal nos remete aos signos de Áries (o desenvolvimento do eu) e Libra (o encontro com o outro, com a natureza, com o que não sou eu). O braço vertical nos remete aos signos de Câncer (as raízes, a família, o coletivo) e Capricórnio (o ponto mais alto do mapa, evocando a lenta subida do homem até os níveis mais elevados de espiritualidade).

É pela cruz que se sai do material e chega-se ao imaterial, do concreto chega-se ao abstrato; do mundo inferior chega-se ao superior, do plano das formas chega-se aos planos do sem forma; do domínio da força inferior chega-se ao dominium da Força Superior, Seu modelo básico traz sempre a intersecção de dois eixos opostos, um vertical e outro horizontal, que representam lados diferentes como o Sol e a Lua, o masculino e o feminino e a vida e a morte, por exemplo.

De acordo com o estudioso Juan Eduardo Cirlot, ao situar-se no centro místico do
cosmos, a cruz assume o papel de ponte através da qual a alma pode chegar a Deus. Dessa maneira, ela liga o mundo celestial ao terreno através da experiência da crucificação, onde as vivencias opostas encontram um ponto de intersecção e atingem a iluminação.

Na sua acepção mística, a Cruz não tem significado sectário, pois representa a espiritualidade e a consciência Cósmica. É o símbolo da imortalidade, da fé, da santidade e da perfeição.
Existe também a Rosa-Cruz, uma cruz em cuja inserção central apresenta uma rosa. Na maçonaria são usadas como símbolo a Cruz Latina e a Cruz patriarcal, essa como símbolo do Grau 33 do R.´.E.´.A.´.A.´. Na matemática, a cruz assumiu desde os babilônios, o sentido de MULTIPLICAÇÃO e SOMA, os membros da Rosa Cruz costumam explicar seu significado interpretando-a como o corpo de um homem, que com os braços abertos saúda o Sol e com a rosa em seu peito permite que a luz ajude seu espírito a desenvolver-se e florescer. Quando colocada no centro da cruz a rosa representa um ponto de unidade.

A cruz é signo sagrado e venerado desde os tempos imemoriais da Humanidade, pois o seu fogo produz a salvação. O frio das noites invernais produzia sofrimentos, as trevas produziam temor e o Sol radiante e triunfal dissipava tudo, trazendo luz, calor, vida e amor como o fogo nascido da Cruz.

Que o G.´.A.´.D.´.U.´. nos ilumine, guie e nos proteja.
Manoel Junior, M:.M:. A:.R:.L:.S:. Verdadeiros Amigos, São Paulo - Brasil

quinta-feira, 1 de março de 2012

MAÇONARIA: PREVALÊNCIA DO ESPÍRITO SOBRE A MATÉRIA


Salto Quântico

MAÇONARIA: PREVALÊNCIA DO ESPÍRITO SOBRE A MATÉRIA
INTRÓITO.
Descortinando o véu.

Antes de qualquer comentário, se faz necessário uma pequena reflexão sobre a busca metafísica da essência do espírito. Para encontrar a essência do espírito se faz necessário nos despir de todo conceito e filosofismos judaico-cristão. Assim, podemos analisar sem os dogmas dos estigmas ocidentais, o homem em sua essência e a busca do SER, essência primeira e causa de todas as causas.

Primeiramente vejamos a forma, ou melhor, a maneira pela qual o homem vê a si perante o Universo. A percepção que o homem tem de sí mesmo, como de um individuo distinto dos demais e com uma individualidade permanente, é uma ilusão. Demonstra, só e apenas a forma exacerbada de valorização do “EU”, o egoísmos, a falibilidade, a maneira pela qual o homem apenas vê, enxerga, o universo através de um prisma, de uma ótica deturpada.

O CULTO DO EU!
Na verdade, o que entendemos como nosso "eu" é na realidade um conjunto de circunstâncias e de agregados temporários que, na ignorância, tomamos por um todo único. Estes componentes, conhecidos tecnicamente no Budismo como "skandas", são cinco:
O corpo;
Os sentimentos;
As percepções;
Os impulsos e emoções;
Os atos de consciência;
A combinação destes fatores se dá através das leis de causa e efeito e eles ocorrem não só no mundo material. O individuo, portanto, em sua essência, não corresponde a uma entidade isolada, eterna, mas pode-se falar de uma consciência individual - sem uma base física, como a entendemos - que é o sujeito da lei de causa e efeito e, este sim, eterno. Matthieu Ricard - no livro "O Monge e o Filósofo" - se refere a esta consciência individual como um "fluxo de consciência".

A este fluxo de consciência, como resultado de suas ações se agregam os cinco "skandas", resultando no ser material ou espiritual. A libertação espiritual é descrita por Matthieu como a purificação deste fluxo até o ponto de sua pureza máxima. A combinação dos fatores acima se dá através das leis de causa e efeito e eles ocorrem não só no mundo material, como também nos mundos espirituais.

O corpo sutil, espiritual, também é temporário e, do mesmo modo que o físico, um elemento sujeito as vicissitudes da lei de causa e efeito. O ser que atinge a iluminação no Budismo, pelo menos no Tibetano, não deixa de existir, mas sua existência não está mais sujeita ao ciclo de reencarnações ou presa as leis de causa e efeito. Completamente livre de todos os fatores que o prendem a um corpo perecível, seja nos mundos materiais, seja nos mundos sutis - os preceitos filosóficos do Budismo reconhecem diferentes níveis de existência - ele goza de uma paz absoluta e da compreensão total do Universo.

Sua "consciência" continua a existir - consciente de si mesma - mas sem a ilusão de que é algo independente de todas as outras consciências ou do Universo.

O espírito junta-se então ao próprio espírito do Buda (quando atinge a iluminação), essa substância chamada espírito sutil, sem começo nem fim, independente do corpo e do cérebro, e sem duvida a verdadeira causa da consciência. Esse espírito sutil que se manifesta, finalmente livre de todo apego, eliminou totalmente os obstáculos que se opunham à visão 'da última natureza de toda a existência' (...) "

Em nossa analise, como dissemos alhures, nos despimos de todos os preceitos e preconceitos judaico-cristão. Não vamos analisar a relação corpo fluídico e corpo material à luz do que entende a Bíblia e os Livros Judaicos. Afinal a maçonaria, apenas no ocidente e nos paises que seguem as doutrinas judaico-cristã utilizam a Bíblia como parâmetro de verdade absoluta.

Cingir nossos estudos sobre a prevalência do espírito sobre matéria apenas ao que diz e entende a sociedade judaico-cristã seria limitar o conhecimento do SER ABSOLUTO.

E estaríamos retrocedendo, retornaríamos ao mais negro período do conhecimento humano, quando tudo se via limitado pela instituição da Igreja Apostólica Romana como detentora do conhecimento e da verdade católica. Nessa época o espírito estava submetido a mais dura das ditaduras, aquela que impedia, inclusive, o próprio pensar.

O nome "maçonaria" provém do francês maçonnerie, que significa "construção". Esta construção é feita pelos maçons nas suas Lojas (Lodges), alguns autores dizem que a palavra é mais antiga e teria origem na expressão copta Phree Messen (Franco-maçon), cujo significado é "filhos da luz".

Dai, o antagonismo entre o pensar maçonico e a dura tirania medieval. Na Idade Média havia dois tipos de pedreiros; o rough mason (pedreiro bruto) que trabalhava com a pedra sem lhe extrair forma ou polimento. E o Freemason (pedreiro livre) que detinha o segredo de polir a pedra bruta.

DA MEDITAÇÃO - QUANDO O HOMEM BUSCA A INTEGRAÇÃO E INTERAÇÃO COM O UNIVERSO.

Alguns autores definem meditação. A meditação costuma ser definida da seguinte maneira: um estado que é vivenciado quando a mente se torna vazia e sem pensamentos; prática de focar a mente em um único objeto (por exemplo: em uma estátua religiosa, na própria respiração, em um mantra); uma abertura mental para o divino, invocando a orientação de um poder mais alto. Somos contrários a qualquer tipo de definição, principalmente, com relação a “meditação”.

O mestre Régis Jolivert ensina que definir significa delimitar. Por se tratar a meditação um ato soberano do espírito, tentar defini-la significaria, buscar limitá-la, o que seria impossivel. Erro crasso é limitar a meditação a um estagio que a mente se encontrar vazia e sem pensamentos. Vazia, significa sem qualquer conteúdo. Como poder-se-ia dizer mente vazia quando a meditação consiste em abstrair os conceitos de espaço-tempo.

Assim, a meditação na maçonaria consiste na abstração de conceitos pré-estabelecidos, o atingir a plenitude da liberdade, igualdade e fraternidade. Atingir a plenitude do EU MAÇONICO, plenitude do CONHECIMENTO. Meditar. Atingir CONHECIMENTO PLENO. Chegar ao EU MAÇÔNICO.

LUZ!
IGUALDADE.
FRATERNIDADE.

IGUALDADE.

MEDITAR-AMOR-REALIDADE-VERDADE-TRANCENDENCIA MAÇÔNICA.
Atividade contemplativa do Espírito.


CONCLUSÃO.
A divulgação das práticas de meditação no mundo Ocidental recebeu uma grande contribuição das técnicas milenares preservadas pelas diversas culturas tradicionais do oriente.

Uma das escolas em que ela evoluiu independentemente foi o Sufismo.

sufismo (árabe: تصوف, tasawwuf; persa:صوفیگری Sufi gari) é a corrente mística e contemplativa do Islã. Os praticantes do sufismo, conhecidos como sufis ou sufistas, procuram uma relação direta com Deus através de cânticos, música e danças.

Nas filosofias religiosas do oriente, como, Bramanismo, Budismo e suas variações como o Budismo Tibetano e Zen, Tantra e Jainismo, bem como nas artes marciais como I-Chuan e Tai Chi Chuan, a meditação é vista como um estado que ultrapassa o intelecto, onde a mente é posta em silêncio para dar lugar à contemplação espiritual. Esse "calar a mente" induz uma volta ao centro (meio, daí meditar), para o EU (COMPLEXO - NÓS) interior.

A maçonaria busca em sua metafisica a prevalencia do Nós- EU IMATERIAL - sobre as situações que se lhe apresentam. O espirito pleno – verdade - sobressai sobre a matéria. Meditação - misticismos - maçonaria são faces da mesma moeda. Demonstrando ESPIRITO E MATERIA, e a sutil prevalencia do ESPIRITO sobre a MATERIA. Busca do ponto de Equilibrio e a transmutação entre e materia e espirito e ESPIRITO E MATERIA. A Vitória do EU (NÓS) sobre o Eu-simples manifestação do ego.

Caracterizada, pois a prevalencia do espirito sobre a materia como a busca maior da MAÇONARIA.
António Ivan da Silva Junior, M.M.
Oriente de Recife (PE) - Brasil
BIBLIOGRAFIA:

LIVRO - Alcorão
SAGRADO PARA - Islamismo
ESCRITO NO - Século 7
QUEM ESCREVEU - Maomé ditou os textos a seus escribas
O conteúdo do Alcorão reúne as revelações divinas feitas pelo anjo Gabriel a Maomé ao longo de 20 anos. Mas o livro sagrado dos islâmicos só foi organizado após a morte do profeta, em 632. Seus 114 capítulos compilam os ensinamentos básicos do islamismo: fé, oração, caridade, jejum e peregrinação a Meca ao menos uma vez na vida

LIVRO - Tripitaka
SAGRADO PARA - Budismo
ESCRITO ENTRE - 500 a.C. e o início da era cristã
QUEM ESCREVEU - Discípulos de Buda
As "três cestas" (Tripitaka, em páli) que o livro contém são o "Vinaya Pitaka", com regras para orientar a conduta diária dos seguidores, "Sutta Pitaka", uma coletânea de discursos atribuídos a Buda e seus discípulos, e o "Abhidhamma Pitaka", uma investigação filosófica sobre a natureza da mente e da matéria humana.

LIVRO - Tenakh
SAGRADO PARA - Judaísmo
ESCRITO EM - 1300 a.C. (aproximadamente)
QUEM ESCREVEU - Moisés e profetas israelitas.
O Tenakh reúne 24 livros em três grupos: Neviim ("Os Profetas"), Ketuvim ("Os Escritos") e Torá ("A Lei"), que traz os cinco primeiros livros do Velho Testamento: Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. A Torá é atribuída ao profeta Moisés, que teria escrito a obra a partir de uma revelação de Deus.

LIVRO - O Livro dos Vedas
SAGRADO PARA - Hinduísmo
ESCRITO ENTRE - 1500 a.C. e 1200 a.C.
QUEM ESCREVEU - A autoria é desconhecida
Em sânscrito, Vedas significa "conhecimento". Para os hinduístas, o livro é fruto de uma revelação divina. Por muitos séculos, ele foi preservado pelos ensinamentos passados de pai para filho. Os textos reúnem hinos, encantações e receitas mágicas que constituem a base da tradição religiosa hinduísta.