quarta-feira, 22 de abril de 2015


Alma das Almas

Há uma radiosa e eterna alma divina,
Que se irradia sobre a imensidade,
Alma da luz puríssima que invade
A cósmica amplidão que se ilumina.

Alma cheia de terna claridade,
Que alegrias dulcíssimas propina,
Espírito do bem que aclara e ensina
O caminho da vida e da verdade.

Alma das almas, cujo pensamento
É a vibração do eterno movimento
Sem princípio e sem dia derradeiro...

Deus! – alma do amor que a tudo abraça,
Que é ciência, harmonia, aroma e graça,
Alma das almas do universo inteiro.

Cruz e Souza

terça-feira, 21 de abril de 2015


O Curioso caso do poeta Humberto de Campos

Miriam Lins Caetano

6 período de Jornalismo



Desencarnado em 1934 o festejado escritor brasileiro Humberto de Campos iniciou, em 1937, pela mediunidade de Chico Xavier, a transmissão de várias obras de crônicas e reportagens, todas editadas pela Federação Espírita Brasileira, entre as quais sobressai "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho".

No ano de 1944, a viúva de Humberto de Campos ingressou em juízo, movendo um processo, que se torna célebre, contra a Federação Espírita Brasileira e Francisco Cândido Xavier, no sentido de obter uma declaração, por sentença, de que essa obra mediúnica "era ou não do ‘Espírito’ de Humberto de Campos", e que em caso afirmativo, se aplicassem as sanções previstas em Lei.O assunto causou muita polêmica e, durante um bom tempo, ocupou espaço nos principais periódicos do País.


D. Ana de Campos Veras, mãe do popular escritor, rompeu o silêncio para ofertar ao médium de Pedro Leopoldo a fotografia do seu próprio filho, com esta expressiva dedicatória:


"Ao Prezado Sr. Francisco Xavier, dedicado intérprete espiritual do meu saudoso Humberto, ofereço com muito afeto esta fotografia, como prova de amizade e gratidão. Realmente - disse dona Ana Campos - li emocionada as Crônicas de Além-Túmulo, e verifiquei que o estilo é o mesmo de meu filho. Não tenho dúvidas em afirmar isso e não conheço nenhuma explicação científica para esclarecer esse mistério, principalmente se considerarmos que Francisco Xavier é um cidadão de conhecimentos medíocres. Onde há fraude? Na hipótese de o Tribunal reconhecer aquela obra como realmente da autoria de Humberto, é claro que, por justiça, os direitos autorais venham a pertencer à família. No caso, porém, de os juízes decidirem em contrário, acho que os intelectuais patriotas fariam ato de justiça aceitando Francisco Cândido Xavier na Academia Brasileira de Letras... Só um homem muito inteligente, muito culto, e de fino talento literário, poderia ter escrito essa produção, tão identificada com a de meu filho."


Na noite de 15 de julho de 1944, quando o processo atingia o clímax, o Espírito Humberto de Campos retorna pelo lápis do médium Chico Xavier, tecendo, no seu estilo inconfundível, uma belíssima e emocionante página sobre o triste problema levantado pela incompreensão humana, página que pode ser devidamente apreciada no livro "A Psicografia ante os Tribunais".
Daí por diante, ele passou a assinar-se, simplesmente, Irmão X, versão evangelizada do Conselheiro XX, como era conhecido nos meios literários quando encarnado.


A Autora, D. Catarina Vergolino de Campos, foi julgada carecedora da ação proposta, por sentença de 23 de agosto de 1944, do Dr. João Frederico Mourão Russell, juiz de Direito em exercício na 8» Vara Cível do antigo Distrito Federal. Tendo ela recorrido dessa sentença, o Tribunal de Apelação do antigo DF manteve-a por seus jurídicos fundamentos, tendo sido relator o saudoso ministro Álvaro Moutinho Ribeiro da Costa.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

"A VIDA NÃO CESSA"

A vida não cessa. A vida é fonte eterna e a morte é o jogo escuro das ilusões. O grande rio tem seu trajeto, antes do mar imenso. Copiando-lhe a expressão, a alma -percorre igualmente caminhos variados e etapas diversas, também recebe afluentes de conhecimentos, aqui e ali, avoluma-se em expressão e purifica-se em qualidade, antes de encontrar o Oceano Eterno da Sabedoria. Cerrar os olhos carnais constitui operação demasiadamente simples. Permutar a roupagem física não decide o problema fundamental da iluminação, como a troca de vestidos nada tem que ver com as soluções profundas do destino e do ser. Oh! caminhos das almas, misteriosos caminhos do coração! É mister percorrer-vos, antes de tentar a suprema equação da Vida Eterna! É indispensável viver o vosso drama, conhecer-vos detalhe a detalhe, no longo processo do aperfeiçoamento espiritual!... Seria extremamente infantil a crença de que o simples "baixar do pano" resolvesse transcendentes questões do Infinito. Uma existência é um ato Um corpo — uma veste Um século — um dia Um serviço — uma experiência Um triunfo — uma aquisição Uma morte — um sopro renovador Quantas existências, quantos corpos, quantos séculos, quantos serviços, quantos trunfos, quantas mortes necessitamos ainda? E o letrado em filosofia religiosa fala de deliberações finais e posições definitivas. Há por toda parte, os cultos em doutrina e os analfabetos do espírito! É preciso muito esforço do homem para ingressar na academia do Evangelho do Cristo, ingresso que se verifica, quase sempre, de estranha maneira — ele só, na companhia do Mestre, efetuando o curso difícil, recebendo lições sem cátedras visíveis e ouvindo vastas dissertações sem palavras articuladas Muito longa, portanto, nossa jornada laboriosa. Nosso esforço pobre quer traduzir apenas uma ideia dessa verdade fundamental. Grato, pois, meus amigos! Manifestamo-nos, junto a vos outros, no anonimato que obedece à caridade fraternal.
 A existência humana apresenta grande maioria de vasos frágeis, que não podem conter ainda toda a verdade. Aliás, não nos interessaria, agora, senão a experiência profunda, com os seus valores coletivos. Não atormentaremos alguém com a idéia da eternidade. Que os vasos se fortaleçam, em primeiro lugar. Forneceremos, somente, algumas ligeiras notícias ao espírito sequioso dos nossos irmãos na senda de realização espiritual, e que compreendem conosco que "o espírito sopra onde quer". E, agora, amigos, que meus agradecimentos se calem no papel, recolhendo-se ao grande silêncio da simpatia e da gratidão. Atração e reconhecimento, amor e júbilo moram na alma. Crede que guardarei semelhantes valores comigo, a vosso respeito, no santuário do coração.

Chico Xavier
 

domingo, 19 de abril de 2015

Depressão: Brilhe a Vossa Luz!





por Lena Lopez 

Muitas pessoas sofrem desse mal atualmente e muitas dessas, sem perceber. Por que é uma doença silenciosa, provocada por um profundo abatimento.
Quem nunca passou por algum momento depressivo? Eu mesma, recentemente, me vi envolvida em um. Não sou depressiva, mas as vezes algumas coisas que acontecem na minha vida, me levam à depressão. Passo então, por alguns dias num estado de abatimento, sem vontade para nada e até mesmo, já houveram algumas vezes, perdi a vontade de viver. Geralmente fico assim, por que juntam-se ao mesmo tempo diversos problemas, alguns do passado que não foram resolvidos à contento, outros do presente que possuem soluções drásticas ou difíceis e previsões de futuro, em face desses problemas que me vejo envolta, das decisões que preciso tomar e de como elas se refletirão mais tarde. Desse jeito, vou para dentro do meu casulo e fico por lá um bom tempo!
Creio que lendo esta minha confissão, vocês devem estar se perguntando: 
- Se ela fica assim, como pode afirmar que não é depressiva?
Simples, depois que esses momentos, que podem durar dias, passam, tudo volta ao normal, recupero a vontade, a capacidade de decisão e a alegria de viver. Entrar para dentro desse casulo, para mim é um ato de auto-proteção e de onde só saio quando me sinto segura novamente. Fico por lá até achar uma solução ou que alguma coisa aconteça, me dando uma direção ou apontando para uma luz no fim do túnel.
Mas, esse é o meu momento depressivo, algo muito particular e a minha forma de lidar com ele. Porém para a maioria das pessoas que sofrem do mal depressivo, não é tão fácil assim!
Diferente do momento depressivo ou da depressão passageira, que todos nós temos vez em quando, a depressão é um mal silencioso e se instala aos poucos, deixando pistas e sinais, que são ignorados. O ser humano não percebe que está sendo dominado por ela, causando-lhe tristeza, magoa, remorso, culpa, ressentimento, desinteresse, apatia e sofrimentos de ordem espiritual, ou seja, a depressão ataca primeiramente o ser pensante, que existe em cada um de nós. Aos poucos e sem dar tréguas, o corpo recebe os reflexos do espírito, provocando no indivíduo, cansaço, prostração,  falta de forças e  principalmente, afastando-o da vontade e da alegria de viver.
A depressão necessita de tratamento medico para o corpo físico e do amparo, compreensão e o amor para o espírito, mas também e imprescindível e essencial o alimento espiritual, um caminho de ensinamentos transformadores e de sabedoria. Ambos os tratamentos, em conjunto, formarão um alicerce sólido para que o indivíduo possa ser nutrido, fortalecido, revigorado, elevado, iluminado e curado. São eles, a medicação e os ensinamentos superiores.
A medicação agirá sobre o corpo, diretamente sobre as descargas elétricas do cérebro e sobre a dosagem hormonal e enzimática do corpo, fornecendo equilíbrio à ele, possibilitando maior estrutura e veículo para a mente funcionar de forma livre e apropriada.
 Os ensinamentos superiores são fonte de vida para a alma, impedem as fraquezas, o esmorecimento e a desistência diante das dificuldades ou experiências pela quais a depressão proporciona. Os ensinamentos superiores, quando bem estudados, absorvidos e colocados em prática, dão coragem para a transposição de obstáculos, superação das dificuldades e fazem evoluir os pensamentos, em beneficio próprio e dos semelhantes. 
Como a depressão atinge fortemente o espírito, é necessário a busca de conhecimentos, entendimento dos porquês, aprendizado do uso da sabedoria e a realização dos ensinamentos, que proverão o espírito de saúde, proporcionando a paz e a felicidade e devolvendo a alegria de viver.
A felicidade existe e esta dentro de nós, necessário é, para ela se fazer presente em nossas vidas, a correção de erros, defeitos e imperfeições, substituir nossos pensamentos inferiores por superiores. Para usufruí-la, precisamos lapidar os sentimentos, retirar a casca bruta dos sentimentos mundanos e deixar o brilho do diamante espiritual iluminar a nossa vida, nos utilizando do perdão e do amor, incluindo o amor-próprio e o auto-perdão, ou seja, iluminar o nosso espírito, transformar-nos em seres humanos melhores, repleto de virtudes: BRILHE A VOSSA LUZ!
Essa transformação é gradativa, particular e intransferível, faz brotar no nosso interior a paz, a alegria e a felicidade, que erradamente buscamos do lado de fora. Não é a toa que o poeta romano Juvenal, por volta do ano 60 d.C escreveu: Mens sana in corpore sano! MENTE SÃ EM UM CORPO SÃO! 
Deve-se pedir em oração que a mente seja sã num corpo são.
Peça uma alma corajosa que careça do temor da morte,
que ponha a longevidade em último lugar entre as bênçãos da natureza,
que suporte qualquer tipo de labores,
desconheça a ira, nada cobice e creia mais
nos labores selvagens de Hércules do que
nas satisfações, nos banquetes e camas de plumas de um rei oriental.
Revelarei aquilo que podes dar a ti próprio;
Certamente, o único caminho de uma vida tranquila passa pela virtude.
(Decimus Iunius Iuvenalis)

quarta-feira, 15 de abril de 2015


O ORADOR

Escrito por Rui Bandeira

O Orador é o guardião da Tradição Maçónica e zelador pelo cumprimento das leis e regulamentos em Loja, pela Loja e pelos obreiros da Loja. Integra, com o Venerável Mestre e o 1.º Vigilante, a Comissão de Justiça da Loja. É o único obreiro que pode interromper qualquer outro obreiro, incluindo o Venerável Mestre, quando se lhe afigure necessário para assegurar o cumprimento dos princípios, leis ou regulamentos maçónicos. Não admira, assim, que a medalha do Orador seja constituída por uma imagem das Tábuas da Lei.

O Orador é um ofício específico do Rito Escocês Antigo e Aceite, que não deve ser confundido, por exemplo, com o ofício de Capelão em outros ritos. Com efeito, o Orador é o oficial da Loja que tem, além da anteriormente referida, a função ritual de proferir Orações. Mas isso não quer dizer Preces... A Oração proferida por este Oficial da Loja é de outra natureza: o Orador tira, de cada debate, as suas conclusões e nisso deve consistir a Oração final (no sentido de "intervenção oral") que lhe compete produzir. Assim, compete ao Orador, no final de cada debate, resumir e organizar as várias posições que tenham sido expostas e, em função das mesmas dar o seu parecer ao Venerável Mestre sobre a decisão a tomar e a forma como deve ser tomada.

Recorde-se que o debate em Loja processa-se segundo regras rígidas, tendentes a possibilitar a livre expressão da opinião de cada um, sem constrangimentos nem perturbações. Importa a substância do que é transmitido, não a sua forma. Debate-se, no sentido de se analisar uma questão e tomar uma decisão; não se discute para procurar fazer valer a sua opinião, para levar de vencida opositores (pois em Loja não há opositores, apenas Irmãos que cooperam) ou rebater argumentos. Em Loja, o debate estabelece-se sempre relativamente a uma questão concreta, em relação à qual cada Mestre deve proceder à sua análise, dar a sua opinião, apresentar o seu entendimento da melhor forma de proceder. Cada Mestre intervém uma e só uma vez em cada debate. Não se interrompe ninguém (o único que pode fazê-lo, e unicamente para salvaguarda dos usos e costumes, leis e regulamentos maçónicos é precisamente o Orador - e esta situação só raramente ocorre). Cada Mestre só inicia a sua intervenção após estar terminada a intervenção anterior e depois de devidamente autorizado a fazê-lo pelo Venerável Mestre. Em caso algum se estabelece diálogo: cada Mestre fala para toda a Loja, não para uma pessoa em particular. Cada um dá a sua opinião sobre o tema, não gasta o seu latim e a paciência dos demais a refutar ou criticar outras opiniões anteriormente expressas: a assembleia é composta de homens inteligentes, que facilmente podem discernir que se A entende branco e B amarelo, B não concorda com A e tem uma opinião diversa dele - não vale a pena afirmá-lo expressamente. A mera expressão da fundamentação da sua opinião chega para mostrar a todos as concordâncias e discordâncias com intervenções anteriores. Em resumo, em Loja não se diz "não concordo com...", declara-se "o meu entendimento sobre o assunto em debate é este, por estas razões").

O Orador efetua o resumo do debate com o máximo de objetividade possível e coloca em relevo o sentir da Loja, o que resultou do debate. Ao fazer o resumo, o Orador evidencia se se verificou uma posição unânime, e em que sentido, se se manifestaram entendimentos diversos, mas um deles foi largamente maioritário, e qual, se há diversos entendimentos, sem que se tivesse destacado uma posição largamente maioritária, ou se o debate não foi conclusivo, por falta de elementos ou de opiniões consolidadas sobre a questão em análise.

Feito o resumo do debate, o Orador tira a sua conclusão, isto é, o parecer, a recomendação, que transmite ao Venerável Mestre sobre a decisão a tomar. A conclusão do debate tirada pelo Orador nada tem a ver com a posição pessoal que porventura tenha. Assinala se houve unanimidade ou, pelo menos, uma posição largamente maioritária - e, nesse caso, recomenda que o Venerável Mestre decida em conformidade com o sentido expresso pela Loja, sem necessidade de votação - ou indica as posições expressas que, não sendo evidente uma tendência largamente maioritária, devem ser colocadas à votação pela Loja. O enunciar dessas posições deve ser claro e inequívoco, para que a Loja, ao votar, saiba exatamente o que está em causa na escolha que vai fazer. Quando tal se justifique, seja por das intervenções ressaltar a falta de elementos suficientes para uma decisão devidamente fundamentada, seja por se notarem mais dúvidas do que certezas, o Orador deve recomendar o adiamento da decisão, sugerindo as diligências a efetuar para possibilitar, em devido tempo, uma decisão mais esclarecida.

Note-se que o Venerável Mestre não está obrigado a decidir em conformidade com as conclusões do Orador. Pode discordar e decidir em sentido diferente, formal ou substancialmente. É o Venerável Mestre aquele a quem a Loja delegou o exercício da autoridade. O Orador é - sempre - um colaborador, um auxiliar, do Venerável Mestre, nunca uma eminência parda que se lhe imponha. E isto mesmo até quando o Orador, no uso da sua competência de guardião da Tradição Maçónica e zelador pelo cumprimento das leis e regulamentos, porventura chame a atenção do Venerável Mestre para uma infração ou falha que se esteja em vias de cometer. Ainda assim, o poder de decisão final é do Venerável Mestre e só do Venerável Mestre. Se errar, é ele quem erra e é ele que assume a responsabilidade do erro. Ao Orador compete avisar, não pretender sobrepor uma sua inexistente autoridade à única que vigora em Loja.

No final da sessão, após ter sido concedida a palavra a bem da Ordem ou da Loja (o que, em reuniões profanas corresponde ao "período depois da Ordem do Dia"...), o Orador tira as suas conclusões sobre a reunião. Não se trata aqui de sumariar as intervenções a bem da Ordem ou da Loja, porque estas, ou são meramente informativas ou, se carecerem de deliberação, são apenas introdutórias de um debate a efetuar em sessão futura. Trata-se de sumariar o que foi feito e deliberado na sessão. Este breve sumário, para além de evidenciar o trabalho realizado, facilita a tarefa do Secretário de elaboração da ata da sessão, a ser aprovada na reunião seguinte.

É também frequente que o Orador, nas suas conclusões finais, apresente uma (breve, muito breve) Prancha Traçada sobre um tema maçónico, preferentemente relacionado com o que se tratou na sessão em causa. Porém, tal NUNCA sucede quando na sessão tiver sido apresentada uma outra Prancha Traçada por um Mestre. Em cada sessão de Loja deve haver formação dos obreiros, deve ser apresentado, em contribuição para o trabalho de aperfeiçoamento dos obreiros, um trabalho, uma exposição, um estudo - em resumo, uma Prancha Traçada. É incumbência, dever, dos Mestres da Loja garantirem-no. Se o não fizerem, estão a prejudicar a aprendizagem e a integração dos Aprendizes e Companheiros e a própria evolução pessoal dos Mestres. Mas apenas deve ser apresentada e colocada à meditação da Loja uma única Prancha Traçada de Mestre. Mais do que isso, seria estabelecer a confusão. Um tema para meditação e estudo por sessão é o necessário e o suficiente. Assim, se nessa sessão, tiver sido apresentada por um Mestre uma Prancha Traçada, a conclusão final do Irmão Orador resumir-se-á ao sumário dos trabalhos (incluindo a referência a essa Prancha Traçada, obviamente). Se tal não tiver sucedido, incumbe ao Orador, Mestre que efetua a última intervenção formal antes do encerramento dos trabalhos, garantir que a Loja não fique sem matéria para estudo e meditação, através então de uma brevíssima Prancha Traçada, em que, mais do que ensinamentos ou proposições, deve levantar pistas para reflexão. Assim, ficam os trabalhos justos e perfeitos!

Rui Bandeira


 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Tiradentes a contradição da Historia

Biografia de Tiradentes:


Tiradentes (1746-1792) nasceu na Fazenda do Pombal, localizada entre a Vila de São José, hoje a cidade de Tiradentes, e a cidade de São João del Rei em Minas Gerais. Era filho do português Domingos da Silva Santos, pequeno fazendeiro, e da brasileira Maria Antônia da Encarnação Xavier. Joaquim José da Silva Xavier era o quarto filho de sete irmãos. Ficou órfão de mãe com nove anos e dois anos depois morre seu pai. Para pagar as dívidas a família perde a propriedade e Tiradentes fica sob a tutela de um padrinho, que era cirurgião e vivia na cidade de Vila Rica, hoje Ouro Preto.
Tiradentes (1746-1792) foi o líder da Inconfidência Mineira, primeiro movimento de tentativa de libertação colonial do Brasil. Ganhou a vida de diferentes maneiras, além de militar no posto de Alferes, foi tropeiro, minerador, comerciante e se dedicou também às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe valeu o apelido de Tiradentes. Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes), embora não tenha sido o idealizador do movimento, teve papel importante na propagação das idéias revolucionárias junto ao povo, tentando com isso arregimentar adeptos. Foi traído pelo Coronel Joaquim Silvério dos Reis, foi preso no Rio de Janeiro e condenado à morte por enforcamento no dia 21 de abril de 1792. Seu corpo foi esquartejado e exposto pelas ruas de Minas Gerais. O dia 21 de abril é feriado nacional.
Tiradentes trabalhou como mascate e minerador e tornou-se sócio de uma botica de assistência à pobreza na ponte do Rosário, em Vila Rica, e se dedicou também às práticas farmacêuticas e ao exercício da profissão de dentista, o que lhe valeu o apelido de Tiradentes. Foi Alferes, fazia parte do regimento militar do Dragões de Minas Gerais.
Tiradentes começou a sentir a pressão do reino ao trabalhar, nomeado pela Rainha D. Maria I, como comandante da patrulha na rota de escoamento da produção mineradora, o chamado "Caminho Novo" que levava toda a produção mineira para o porto do Rio de Janeiro. Portugal exigia que grandes recursos humanos fossem aplicados exclusivamente na mineração, proibindo o estabelecimento de engenhos na região de Minas e punindo o contrabando de ouro e pedras preciosas. Não só os mineiros mas toda a população era obrigada a pagar elevados impostos, o que promovia o descontentamento geral.
Organizou-se aos poucos a Inconfidência Mineira, primeiro movimento de tentativa de libertação colonial do Brasil, e a ele aderiu o Alferes Joaquim José da Silva Xavier o Tiradentes, que foi a alma do movimento. Os conspiradores eram na maioria grandes proprietários de terra e mineradores como também integrantes do clero. Tiradentes era um dos poucos pertencentes à classe média empobrecida. As atividades conspiratórias tornaram-se intensas a partir de 1788 com a chegada do novo governador de Minas Gerais, Luís Antônio Furtado de Mendonça o Visconde de Barbacena, trazendo a incumbência de decretar a derrama ou seja a cobrança de todos os impostos atrasados.
Tiradentes em viagem ao Rio de janeiro, procurava conquistar novos adeptos à causa revolucionária. Um dos elementos que ele procurou convencer foi o coronel Joaquim Silvério dos Reis que devia grandes somas à Coroa, mas com medo resolveu denunciá-lo ao governador em troca do perdão de suas dívidas. Era março de 1789, o governador suspendeu a derrama e logo depois várias prisões foram realizadas em Minas Gerais. Tiradentes escondeu-se na casa de um amigo no Rio de Janeiro mas foi preso no dia 10 de maio do mesmo ano.
Depois da prisão de 34 pessoas, das quais cinco eram padres, iniciou-se a investigação e processo dos acusados, que deveria durar dois anos. O conspirador Cláudio Manuel da Costa que era de família enriquecida na mineração, havia estudado em Coimbra e foi alto funcionário da administração colonial, foi encontrado enforcado na cela. Tiradentes acusado como cabeça do movimento negou tudo mas depois confessou, sem no entanto acusar qualquer companheiro como comprovam as atas do processo.
Em abril de 1792 os inconfidentes recebiam suas penas: onze condenações à morte, cinco a degredo perpétuo e várias penas de prisão. Todos perdiam seus bens. Das condenações à morte só foi mantida a de Tiradentes, sendo as demais transformadas em degredo perpétuo por D. Maria I.
Tiradentes morreu no dia 21 de abril de 1792, executado na Praça da Lampadosa no Rio de Janeiro. Seu corpo foi esquartejado, ficando sua cabeça exposta em Vila Rica e seus membros espalhados em postes no caminho entre Minas e Rio de Janeiro.
 

Tiradentes e sua Vida Pessoal

Todos nós sabemos da história, de Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, nasceu em 12 de Novembro de 1746 , e faleceu em 21 de Abril de 1792, aos 45 anos, foi enforcado, esquartejado, e é o Mártir da Inconfidência Mineira.
Mas você sabia que:
– Ele teve várias profissões além de Dentista….ele foi Tropeiro, Minerador, Comerciante, Militar e Ativista Político;
– Ele nunca se casou;
– Ele teve um romance com Antonia Maria do Espírito Santo com quem teve uma filha, Joaquina da Silva Xavier;
– Consta também que Tiradentes queria se casar com uma moça de nome Maria, de São João Del Rey, mas que os pais dela foram contra e não permitiram o casamento;
– Tiradentes também teve mais dois filhos com Eugênia Joaquina da Silva, sendo que a menina (Joaquina), logo morreu e o outro filho João de Almeida Beltrão, teve oito filhos, e um destes netos, mudou o sobrenome com medo da perseguição.
– Alguns trinetos de Tiradentes recebem pensão;
– Uma de suas tetranetas recebe pensão, também.
Tiradentes foi um grande homem, sempre que nossa história for contada, ele terá muitos capítulos de importante participação.
E para que tenham idéia da vontade, que Tiradentes tinha que o Brasil fosse um grande país, vejam só a frase que ele disse:
– “SE TODOS QUISERMOS, PODEREMOS FAZER DESTE PAÍS UMA GRANDE NAÇÃO. VAMOS FAZÊ-LA” 
       Joaquim José da Silva Xavier     “o Tiradentes
 

A Outra Versão Para a Morte de Tiradentes

O feriado de 21 de abril é fruto de uma história montada, transformando Tiradentes em um "bode expiatório", que levaria a culpa pelo movimento da Inconfidência Mineira. 
Na verdade quem morreu no lugar dele foi um ladrão chamado Isidro Gouveia. 


A lenda que criou o feriado de 21 de abril é:
Tiradentes foi sentenciado à morte e foi enforcado no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, no local chamado Campo da Lampadosa, que hoje é conhecido como a Praça Tiradentes. Com a Proclamação da República, precisava ser criada uma nova identidade nacional. Pensou-se em eternizar Marechal Deodoro, mas o escolhido foi Tiradentes. Ele era de Minas Gerais, Estado que tinha na época a maior força republicana e era um pólo comercial muito forte.

Jogaram ao povo uma imagem de Tiradentes parecida com a de Cristo e era o que bastava: um “Cristo da Multidão”. Transformaram-no em herói nacional cuja figura e história “construída” agradava tanto à elite como ao povo. 

Na verdade estaríamos mais bem representados se o herói da pátria, escolhido, fosse Antônio Conselheiro (1830 – 1897), líder social e carismático que conseguiu reunir camponeses, índios e escravos na "Guerra dos Canudos" (1897). Mas o místico rebelde e líder espiritual do arraial de Canudos foi morto justamente pelo exercito da República, e quem escolheu Tiradentes foram os republicanos. Também os historiadores, pagos pelo poder dominante, pelos grandes fazendeiros e o pelo clero, para justificar o genocídio contra a comunidade de Canudos, trataram Antonio Conselheiro com o um fanático e louco religioso perigoso para o Brasil. Canudos era uma comunidade onde todos tinham acesso à terra e ao trabalho. Tratado como lugar "santo", era uma ameaça para o clero e fazendeiros.

A vida de Tiradentes em poucas palavras: 
Tiradentes nasceu em 1746 na Fazenda do Pombal, entre São José e São João Del Rei (MG). Era filho de um pequeno fazendeiro Domingos da Silva Santos. Ficou órfão de mãe Maria Antônia da Encarnação Xavier, aos nove anos e perdeu o pai aos 11. Não chegou a concluir o curso primário. Foi morar com seu padrinho, Sebastião Ferreira Dantas, um cirurgião que lhe deu ensinamentos de Medicina e Odontologia.

Ainda jovem, ficou conhecido pela habilidade com que arrancava os dentes estragados das pessoas. Daí veio o apelido de Tira-dentes. Em 1780, tornou-se um soldado e, um ano à frente, foi promovido a alferes. Nesta mesma época, envolveu-se na Inconfidência Mineira contra a Coroa portuguesa, que explorava o ouro encontrado em Minas Gerais.

Tiradentes foi iniciado na maçonaria pelo poeta e juiz Cruz e Silva, amigo de vários inconfidentes e por José Álvares Maciel (Vila Rica 1.760 + 1.804 = Maciel formou-se em engenharia na Universidade de Coimbra e depois seguiu para a Inglaterra em Birmingham onde fez contato com a maçonaria inglesa nascida por volta de 1720). Naquele tempo a maçonaria iniciava um irmão mesmo fora do templo. Eram os "pedreiros-livres." Esse procedimento só foi suprimido no ano de 1907). Tiradentes teria salvado a vida de Cruz e Silva, não se sabe em que circunstâncias.

Tiradentes, maçonaria e a Inconfidência Mineira:
Como era apenas um alferes (patente igual à de tenente), não lideraria coronéis, brigadeiros, padres e desembargadores, que eram os verdadeiros líderes do movimento. Semi-alfabetizado, é muito provável que nunca esteve plenamente a par dos planos e objetivos do movimento. Em todos os movimentos libertários acontecidos no Brasil, durante os séculos XVIII e XIX, era comum o "dedo da maçonaria".

E Tiradentes foi maçom, mas estava longe de acompanhar os maçons envolvidos na Inconfidência, porque esses eram cultos, e em sua grande parte, estudantes que haviam recentemente regressado "formados” da cidade de Coimbra, em Portugal. Uma das evidências documentais da participação da Maçonaria são as cartas de denúncia existentes nos autos da Devassa, informando que maçons estavam envolvidos nos conluios.

Os maçons brasileiros foram encorajados na tentativa de libertação, pela história dos Estados Unidos da América, onde saíram vitoriosos - mesmo em luta desigual - os maçons norte-americanos George Washington, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson.

Também é possível comprovar a participação da Maçonaria na Inconfidência Mineira, sob o pavilhão e o dístico maçônico do "Libertas quae sera tamen", que adorna o triângulo perfeito, com este fragmento da poesia de Virgílio (Éclogas, I, 27).

Tiradentes era um dos poucos inconfidentes que não tinha família. Teve dois filhos ilegítimos um se chamou João, e foi com a mulata Eugênia Joaquina da Silva, e uma filha Joaquina, com uma ruiva de nome Antônia Maria do Espírito Santo. Tiradentes traçava planos para casar-se com a sobrinha de um padre chamado Rolim, por motivos econômicos.

Ele era, então, de todo o grupo, aquele que poderia ser considerado - como uma “codorna no chão”, - o mais frágil dos inconfidentes. Sem família e sem dinheiro, querendo abocanhar as riquezas do padre. Era o de menor preparo cultural e poucos amigos. Portanto, a melhor escolha para desempenhar o papel de um bode expiatório que livraria da morte os verdadeiros chefes.

E foi assim que foi armada a traição, em 15 de março (dois anos antes de sua simulada morte), com o Silvério dos Reis - indo ao Palácio da Cachoeira do Campo, residência do Visconde de Barbacena (Luís Furtado de Mendonça 1754-1830), governador da Capitania - e denunciando o Tiradentes.

A palavra comum aos mineiro, “UAI”, era palavra secreta dos maçons da Inconfidência. Iniciais de União, Amor independência. Era usada para avisar um perigo, e na noite que prenderam Tiradentes, um maçom encapuzado, corria nas casas dos irmãos, batendo na porta, gritando "UAI." Três batidas bem compassadas deveriam abrir a porta, mais batidas seguida do "UAI" era perigo.

Tiradentes foi preso no Rio de Janeiro, na Cadeia Velha, e seu julgamento prolongou-se por dois anos. Durante todo o processo, ele admitiu voluntariamente ser o líder do movimento, com culpa exclusiva, uma atitude tipicamente de um bode maçônico, e mesmo porque tinha a promessa que livrariam a sua cabeça na hipótese de uma condenação.

Em 21 de abril de 1792, com ajuda de companheiros da maçonaria, foi trocado por um ladrão, o carpinteiro Isidro Gouveia. O ladrão havia sido condenado à morte em 1790 e assumiu a identidade de Tiradentes, em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida a ele pela maçonaria. Gouveia foi conduzido ao cadafalso e testemunhas que presenciaram a sua morte se diziam surpresas porque ele aparentava ter bem menos que os 45 anos, idade que tinha Tiradentes. 

No livro, de 1811, de autoria de Hipólito da Costa ("Narrativa da Perseguição") é documentada a diferença física de Tiradentes com o homem que foi executado em 21 de abril de 1792. 

O escritor Martim Francisco Ribeiro de Andrada III escreveu no livro "Contribuindo", de 1921:
Ninguém, por ocasião do suplício, lhe viu o rosto, e até hoje se discute se ele era feio ou bonito...".

O corpo do ladrão Gouveia foi esquartejado e os pedaços espalhados pela estrada até Vila Rica (virou Imperial Cidade de Ouro Preto em 1823), cidade onde o movimento se desenvolveu.
A cabeça foi salgada e colocada em uma gaiola presa numa estaca no centro da Praça de Santa Quitéria, hoje Praça Tiradentes. Foi roubada no dia seguinte, por maçons, para que a farsa não fosse descoberta. Os demais inconfidentes foram condenados ao exílio (África) ou absolvidos.

A descoberta, da assinatura, que desvendou que Tiradentes continuava vivo:
Há 41 anos (1969), o historiador carioca Marcos Correa estava em Lisboa quando viu fotocópias de uma lista de presença na galeria da Assembléia Nacional francesa de 1793. Correa pesquisava sobre José Bonifácio de Andrada e Silva e acabou encontrando a assinatura que era o objeto de suas pesquisas. Próximo à assinatura de José Bonifácio, também aparecia a de um certo Antônio Xavier da Silva. Correa era funcionário do Banco do Brasil, se formara em grafotécnica e, por um acaso do destino, havia estudado muito a assinatura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Concluiu que as semelhanças eram impressionantes.

Tiradentes foi embarcado incógnito, com a ajuda dos irmãos maçons, na nau Golfinho, em agosto de 1792, com destino a Lisboa. Junto com Tiradentes seguiu sua namorada, conhecida como Perpétua Mineira e os filhos do ladrão morto Isidro Gouveia, que não poderiam ficar no Brasil para contar a verdadeira história. O maçom português Domingos Vidal, que ajudará os planos dos inconfidentes recebeu e auxiliou o Tiradentes na sua passagem por Coimbra.

Em uma carta que foi encontrada na Torre do Tombo, em Lisboa, existe a narração do autor, desembargador Simão Sardinha, na qual diz ter-se encontrado, na Rua do Ouro, em dezembro no ano de 1792, com alguém muito parecido com Tiradentes, a quem conhecera no Brasil, e que ao reconhecê-lo ele saiu correndo, para não ser descoberto. 

Há relatos que 14 anos depois, em 1806, Tiradentes teria voltado ao Brasil quando abriu uma botica na casa da namorada Perpétua Mineira, na Rua dos Latoeiros (hoje Gonçalves Dias) e que morreu em 1818.
Em 1822, Tiradentes foi reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira e, em 1865, proclamado Patrono Cívico da Nação Brasileira e das Polícias Militares.
http://www.sertaoinformado.com.br/conteudo.php?id=25293&sec=2&cat=Arimat%E9a%20Barbosa

A possível farsa do herói Tiradentes

Tiradentes, maçonaria e a Inconfidência Mineira: Como era um simples alferes (patente igual à de tenente), não lideraria coronéis, brigadeiros, padres e desembargadores, que eram os verdadeiros líderes do movimento. Semi-alfabetizado, é muito provável que nunca esteve plenamente a par dos planos e objetivos do movimento. Em todos os movimentos libertários acontecidos no Brasil, durante os séculos XVIII e XIX, era comum o “dedo da maçonaria”. E Tiradentes foi maçom, mas estava longe de acompanhar os maçons envolvidos na Inconfidência, porque esses eram cultos, e em sua grande parte, estudantes que haviam recentemente regressado “formados” da cidade de Coimbra, em Portugal. Uma das evidências documentais da participação da Maçonaria são as cartas de denúncia existentes nos autos da Devassa, informando que maçons estavam envolvidos nos conluios.
Os maçons brasileiros foram encorajados na tentativa de libertação, pela história dos Estados Unidos da América, onde saíram vitoriosos – mesmo em luta desigual – os maçons norte-americanos George Washington, Benjamin Franklin e Thomas Jefferson. Também é possivel comprovar a participação da Maçonaria na Inconfidência Mineira, sob o pavilhão e o dístico maçônico do Libertas quae sera tamen, que adorna o triângulo perfeito, com este fragmento de Virgílio (Éclogas,I,27) Tiradentes era um dos poucos inconfidentes que não tinha família. Tinha apenas uma filha ilegítima e traçava planos para casar-se com a sobrinha de um padre chamado Rolim, por motivos econômicos. Ele era, então, de todo o grupo, aquele considerado como uma “codorna no chão”, o mais frágil dos inconfidentes. Sem família e sem dinheiro, querendo abocanhar as riquezas do padre. Era o de menor preparo cultural e poucos amigos. Portanto, a melhor escolha para desempenhar o papel de um bode expiatório que livraria da morte os verdadeiros chefes.
E foi assim que foi armada a traição, em 15 de março de 1989, com o Silvério dos Reis indo ao Palácio do governador e denunciando o Tiradentes. Ele foi preso no Rio de Janeiro, na Cadeia Velha, e seu julgamento prolongou-se por dois anos. Durante todo o processo, ele admitiu voluntariamente ser o líder do movimento, porque tinha a promessa que livrariam a sua cabeça na hipótese de uma condenação por pena de morte. Em 21 de abril de 1792, com ajuda de companheiros da maçonaria, foi trocado por um ladrão, o carpinteiro Isidro Gouveia. O ladrão havia sido condenado à morte em 1790 e assumiu a identidade de Tiradentes, em troca de ajuda financeira à sua família, oferecida a ele pela maçonaria. Gouveia foi conduzido ao cadafalso e testemunhas que presenciaram a sua morte se diziam surpresas porque ele aparentava ter bem menos que seus 45 anos. No livro, de 1811, de autoria de Hipólito da Costa (“Narrativa da Perseguição”) é documentada a diferença física de Tiradentes com o que foi executado em 21 de abril de 1972. O escritor Martim Francisco Ribeiro de Andrada III escreveu no livro “Contribuindo”, de 1921: “Ninguém, por ocasião do suplício, lhe viu o rosto, e até hoje se discute se ele era feio ou bonito…” O corpo do ladrão Gouveia foi esquartejado e os pedaços espalhados pela estrada até Vila Rica (MG), cidade onde o movimento se desenvolveu. A cabeça não foi encontrada, uma vez que sumiram com ela para não ser descoberta a farsa. Os demais inconfidentes foram condenados ao exílio ou absolvidos.
A descoberta da farsa: Há 41 anos (1969), o historiador carioca Marcos Correa estava em Lisboa quando viu fotocópias de uma lista de presença na galeria da Assembleia Nacional francesa de 1793. Correa pesquisava sobre José Bonifácio de Andrada e Silva e acabou encontrando a assinatura que era o objeto de suas pesquisas. Próximo à assinatura de José Bonifácio, também aparecia a de um certo Antônio Xavier da Silva. Correa era funcionário do Banco do Brasil, se formara em grafotécnica e, por um acaso do destino, havia estudado muito a assinatura de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Concluiu que as semelhanças eram impressionantes. Tiradentes teria embarcado incógnito, com a ajuda dos irmãos maçons, na nau Golfinho, em agosto de 1792, com destino a Lisboa. Junto com Tiradentes seguiu sua namorada, conhecida como Perpétua Mineira e os filhos do ladrão morto Isidro Gouveia. Em uma carta que foi encontrada na Torre do Tombo, em Lisboa, existe a narração do autor, desembargador Simão Sardinha, na qual diz ter-se encontrado, na Rua do Ouro, em dezembro no ano de 1792, com alguém muito parecido com Tiradentes, a quem conhecera no Brasil, e que ao reconhecê-lo saiu correndo. Há relatos que 14 anos depois, em 1806, Tiradentes teria voltado ao Brasil quando abriu uma botica na casa da namorada Perpétua Mineira, na rua dos Latoeiros (hoje Gonçalves Dias) e que morreu em 1818. Em 1822, Tiradentes foi reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira e, em 1865, proclamado Patrono Cívico da nação brasileira.

Guilhobel Aurélio Camargo/Gazeta de Novo – Ele estava muito bem vivo, um ano depois, em Paris. O feriado de 21 de abril é fruto de uma história fabricada que criou Tiradentes como bode expiatório, que levaria a culpa pelo movimento da Inconfidência Mineira. Quem morreu no lugar dele foi um ladrão chamado Isidro Gouveia.
A mentira que criou o feriado de 21 de abril é: Tiradentes foi sentenciado à morte e foi enforcado no dia 21 de abril de 1792, no Rio de Janeiro, no local chamado Campo da Lampadosa, que hoje é conhecido como a Praça Tiradentes. Com a Proclamação da República, precisava ser criada uma nova identidade nacional. Pensou-se em eternizar Marechal Deodoro, mas o escolhido foi Tiradentes. Ele era de Minas Gerais, estado que tinha na época a maior força republicana e era um polo comercial muito forte. Jogaram ao povo uma imagem de Tiradentes parecida com a de Cristo e era o que bastava: um “Cristo da Multidão”. Transformaram-no em herói nacional cuja figura e história “construída” agradava tanto à elite quanto ao povo.
A vida dele em poucas palavras: Tiradentes nasceu em 1746 na Fazenda do Pombal, entre São José e São João Del Rei (MG). Era filho de um pequeno fazendeiro. Ficou órfão de mãe aos nove anos e perdeu o pai aos 11. Não chegou a concluir o curso primário. Foi morar com seu padrinho, Sebastião Ferreira Dantas, um cirurgião que lhe deu ensinamentos de Medicina e Odontologia. Ainda jovem, ficou conhecido pela habilidade com que arrancava os dentes estragados das pessoas. Daí veio o apelido de Tira-dentes. Em 1780, tornou-se um soldado e, um ano à frente, foi promovido a alferes. Nesta mesma época, envolveu-se na Inconfidência Mineira contra a Coroa portuguesa, que explorava o ouro encontrado em Minas Gerais. Tiradentes foi iniciado na maçonaria pelo poeta e juiz Cruz e Silva, amigo de vários inconfidentes. Tiradentes teria salvado a vida de Cruz e Silva, não se sabe em que circunstâncias.
Fonte: Boletim do PDT.
 

sábado, 11 de abril de 2015


 

A Coroa

Charles Evaldo Boller

Quando o maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito passa ao grau de mestre, todos os seus irmãos, independente de grau, identificam-no por um sinal visível externo; é um chapéu, que simbolicamente representa uma coroa.

Esta coroa une o que está debaixo dela, o homem, com o que está acima, o divino, servindo de limite entre quem a carrega com sua componente transcendental. É através desta coroa que o mestre maçom alcança decisões racionais que estão muito acima da escravidão sensorial. Esta conexão propicia capacidades que vão além do simples pensar. Se persistir, for dedicado e estudar, este homem será capaz de desenvolver potencialidades elevadas até então desconhecidas para ele.

A coroa do mestre maçom sobre sua cabeça é um chapéu de feltro de abas moles e caídas, sem o qual ele não comparece em câmara do meio. Quando em sessões de outros graus é como se esta coroa ali estivesse, pois dentro do templo, em loja constituída, é o local onde ele desenvolve sua capacidade de discernimento e visão equilibrada, objetivo de todo maçom que escala a escada de Jacó. O chapéu faz de sua aparência uma pessoa eminente, um venerável mestre, à semelhança do monge da Idade Média que dirigia construções feitas em pedra. Por terminar em forma de domo, o chapéu afirma uma soberania absoluta sobre si e confirma que ele continua desenvolvendo em sua caminhada de aprendiz. Ao elevar-se acima da cabeça, o chapéu é insígnia de poder e luz, significando conhecimento. Comparar o chapéu a uma coroa é dar a este o significado de uma capacidade sobre-humana, transcendente. Este paramento simboliza a obliteração do mundo material e concentra simbolicamente capacidades na solução de problemas da humanidade, é o persistir na tarefa de desbastar a pedra bruta.

A coroa é como uma antena que simbolicamente se conecta a outra dimensão, uma potencialidade construída na mente. Em sendo negro, sabe-se pelas leis da física que esta ausência de cor absorve todos os comprimentos de onda do espectro da luz visível e invisível aos olhos materiais. Isto permite especular que até linhas de campos de força e outras manifestações energéticas mais sutis podem ser atraídas por esta coroa. O chapéu do mestre maçom funciona assim qual antena que, simbolicamente, o conecta com aquilo que lhe propicia o sopro de vida e que o faz igual a todos os seres viventes da biosfera. Ciente de sua relação com o resto das formas de vida, em suas mais diversas constituições e aparências, o mestre maçom se integra com a natureza e desenvolve o amor fraterno para com os seus iguais, para com toda a vida espalhada pelo Universo, inclusive com outras possíveis biosferas de galáxias diversas da que abriga o Sol.

É importante estar desperto e consciente que o chapéu do mestre maçom é apenas um paramento, um artefato material, um símbolo; o que faz a diferença está debaixo do chapéu, a cabeça, a capacidade intelectual do portador da coroa e o que este intelecto constrói simbolicamente fora e acima do chapéu. Ela constitui a recompensa justa da prova que o maçom faz ao longo da vida, por edificar templos à virtude e cavar masmorras ao vício. Simboliza dignidade, poder, realeza, acesso a um nível de forças superiores, sobrenaturais.

Exige-se esforço pessoal para superar, conhecer e mandar em si próprio, pois é apenas sobre si mesmo que cada ser tem poder absoluto, incontestável. O iluminado subjuga sua mente e corpo, e, para progredir, bate implacavelmente nas nódoas que levam a vício e degradação. Mesmo que sucumba diante da tentação, o simbolismo do chapéu o fará voltar para a linha reta que conduz ao oriente, em direção à luz, ao conhecimento, à sabedoria.

O chapéu representa o verdadeiro poder que está dentro de si, a inclinação interna positiva, o coração que ama fraternalmente, tudo em resultado da capacidade de pensar, afiada constantemente por leitura, estudo e meditação. O mestre maçom tem o ministério de ensinar aprendizes, companheiros e outros mestres maçons. Aquele mestre maçom que desta obrigação se esquiva não é merecedor da coroa. O irmão que se desenvolveu em sapiência, aprendeu na prática que ao ensinar outros o seu próprio conhecimento fixa-se mais, os conceitos e princípios morais que despertam em sua mente agarram-se mais firmemente ao coração e à memória. Na sua missão de ensinar deve constantemente provocar, instigar, distribuir os seus pensamentos em palavras e participar de forma proativa, conciliadora e entusiasta de todos os debates com temas com os quais a Maçonaria, nos diversos graus, o provoca.

Debaixo do chapéu, o mestre maçom ouve atentamente as peças de arquitetura, oratórias e discussões de temas com os quais os irmãos se presenteiam e provocam. É o chapéu que o freia prudentemente em todas as ocasiões em que fica ordeiramente esperando os outros irmãos falarem. É nestas ocasiões que treina a arte de ouvir do líder. Debaixo do chapéu ele fica concentrado, calado, ouvindo e anotando o que os outros irmãos dizem. Depois ele analisa e absorve o que está ao seu alcance para suprir seu autoconhecimento, monta estratégias e colabora empaticamente no tema com seu parecer, postura e comentário. E ao auxiliar a assembleia de irmãos com a força do seu pensamento, transmitido por sua capacidade de oratória, além de ajudar aos outros, ele ajuda principalmente a si próprio. Servir no ensinar não é apenas mais uma razão para torna-se merecedor do prêmio, a coroa que está sobre sua cabeça, o símbolo do seu poder, é a principal razão dele lecionar na escola de conhecimento da Maçonaria. Não existe magia ou mistério; é o servir e a presença constante no grupo que lhe dá poderes que ele nunca imaginava existirem. E este é um poder natural que ninguém usurpa.

O chapéu representa uma estrutura educacional apoiada em três pontos: racional, emocional e espiritual; um apoia o outro, formando um tripé. É do equilíbrio propiciado pelo que simboliza o chapéu que desabrocha a pessoa completa. Esta educação e condicionamento elevam o portador do chapéu à realeza dos iniciados nos diversos graus do Rito Escocês Antigo e Aceito, onde é livre para pensar e ajudar seus irmãos através de uma razão esclarecida. É pelo estudo diligente, pelo treinamento dos sentidos, pela convivência constante que ele atinge o ideal, e este lhe confere realeza, da qual o chapéu, apesar de sua aparência grosseira, é o símbolo mais expressivo. Debaixo do chapéu é a maneira mais nobre de viver o amor fraterno, a única ação capaz de salvar a humanidade de um existir miserável. Debaixo do chapéu aflora a capacidade de ouvir, ensinar e treinar em loja, o que faz do mestre maçom um líder natural.

Primeiro é importante cuidar de si, porque quem não estiver forte, como ajudará aos outros? Quem não se ama como amará ao próximo? Na relação com outros e consigo mesmo desenvolve a capacidade de tornar-se o amigo sincero e serve ao irmão no que deve ser feito e não no que aquele deseja; o contrário seria escravidão. É servindo que aflora o líder. Amor fraterno é ação, não sentimento. O mestre maçom que desonra o chapéu e trata seus irmãos de forma infame e autoritária, suas ações podem até estar alicerçados na lei escrita em papel, mas ele não é um líder nato, é um tirano. O líder natural é semelhante ao poder que tem uma mãe sobre seus filhos, ela não precisa impor sua vontade e apenas faz o que deve ser feito para seus rebentos; ela é o melhor exemplo do líder natural. A mãe que tem necessidade de usar do chicote para dirigir sua casa já não tem mais capacidade de liderança natural e exerce poder despótico. O mestre maçom que alcança este grau de entendimento e perfeição em sua capacidade de liderança, tem no seu chapéu a representação simbólica do poder que ele exerce sobre a comunidade.

Ele serve ao irmão não porque aquele é maçom e o juramento o exige, mas porque ele próprio é maçom e depende igualmente dos confrades. O chapéu representa a capacidade de liderança, é o símbolo da autoridade que não outorga poder de comando sobre os outros, pois ele próprio fica sujeito a obediências que lhe são impostas. O chapéu traduz a perfeita igualdade que deve pairar entre seus pares.

Mas como falar em igualdade nos diversos graus entre pessoas desiguais? Todos são iguais quanto à essência, por estarem providos do mesmo sopro de vida. Na Maçonaria, quanto mais o maçom cresce, mais ele se conscientiza que deve servir aos que estão degraus mais baixos da simbólica escada de Jacó. É o exercício da humildade que lhe dá o devido valor, e é transmitida pela rota, mole e disforme coroa, confeccionada a partir de um tecido ordinário. Ela poderia muito bem ser produzida em aço e cravejada de joias preciosas, entretanto, de que vale um bem material que pode ser subtraído pelo ladrão ou destruído pela ferrugem? As preciosidades estão debaixo do chapéu, na forma de pensamentos e ações, valores que ladrão algum deseja e apenas a morte destrói.

O chapéu induz seu portador a naturalmente usar do dever de governar de acordo com a necessidade da coletividade. O chapéu representa que seu usuário está fortalecido e não se curva perante desmando, futilidade ou arbitrariedade. É o chapéu que impede àquele que o usa de transformar-se em déspota. Isto é muito bem retratado quando em sua loja o bom mestre maçom ouve e serve aos outros. É o chapéu que inspira o propiciar dos meios de concentrar forças para produzir os nobres e elevados anseios dos irmãos do quadro.

Longe de exercer a autoridade emanada do chapéu de forma cruenta, o humilde e prudente mestre maçom torna-se líder natural. Ao obter poder servindo ao próximo, ele já é parte da realeza que representa o seu chapéu, e isto lhe dá a distinção de participar da natureza celeste de seus dons sobre-humanos, transcendentes. É do símbolo do chapéu, do que está debaixo deste, que provém a ação e a capacidade de influenciar aos outros a fazerem o que precisam fazer para se tornarem felizes. É a ação do amor em benefício da humanidade. É a ação de construir templos à virtude. É a ação da vivência do amor fraterno debaixo da orientação dos eflúvios provenientes da coroa, do poder que emana do chapéu do mestre maçom servidor.

A sapiência é a busca das energias e coisas mais elevadas; algo bem diferente de sabedoria. Enquanto a sabedoria pode ser confundida com prudência, pois diz respeito apenas aos assuntos materiais e de como o homem age, a sapiência é muito mais importante. A Maçonaria trabalha a sabedoria que leva à luz da sapiência. A filosofia maçônica é sapiente. A coluna da sabedoria é a antena simbólica de onde emana uma luz de modo que cada um que porta um reles chapéu mole, cada um a sua maneira, desenvolve sua sapiência para as coisas mais elevadas. O chapéu como paramento, símbolo que o mestre maçom usa qual coroa em câmara do meio, torna-o igual aos demais, nivelando-o a todos os irmãos maçons espalhados pelo Universo, para honra e à glória do Grande Arquiteto do Universo, de onde todos recebem a luz da sapiência.

Bibliografia

1.      BAYARD, Jean-Pierre, A Espiritualidade na Maçonaria, Da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências, tradução: Julia Vidili, ISBN 85-7374-790-0, primeira edição, Madras Editora limitada., 368 páginas, São Paulo, 2004;

2.      BENOÎT, Pierre; VAUX, Roland de, A Bíblia de Jerusalém, título original: La Sainte Bible, tradução: Samuel Martins Barbosa, primeira edição, Edições Paulinas, 1663 páginas, São Paulo, 1973;

3.      BOUCHER, Jules, A Simbólica Maçônica, Segundo as Regras da Simbólica Esotérica e Tradicional, título original: La Symbolique Maçonnique, tradução: Frederico Ozanam Pessoa de Barros, ISBN 85-315-0625-5, primeira edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 400 páginas, São Paulo, 1979;

4.      FIGUEIREDO, Joaquim Gervásio de, Dicionário de Maçonaria, Seus Mistérios, seus Ritos, sua Filosofia, sua História, quarta edição, Editora Pensamento Cultrix limitada., 550 páginas, São Paulo, 1989;

5.      HUNTER, James C., O Monge e o Executivo, Uma História Sobre a Essência da Liderança, título original: The Servant, tradução: Maria da Conceição Fornos de Magalhães, ISBN 85-7542-102-6, primeira edição, Editora Sextante, 140 páginas, Rio de Janeiro, 2004;

6.      Paraná, Grande Loja do, Ritual do Grau de Mestre Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, primeira edição, Grande Loja do Paraná, 66 páginas, Curitiba, 2004.

 

 

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Enviado por: "Charles Evaldo Boller"