sábado, 19 de setembro de 2020

 

Caridade e Jesus

Emmanuel

 

A história do Bom Samaritano, ainda hoje, compele-nos a reconhecer na caridade o caminho aberto por Jesus à união e à paz, entre as criaturas, e não antes dele.

 

Os papiros do Egito ancião não se reportam a qualquer sentimento, qual o da Parábola, capaz de reunir corações estranhos uns aos outros.

 

Os documentários de Roma Imperial não evidenciam qualquer vestígio de semelhante demonstração de calor humano.

 

As páginas da Grécia antiga, conquanto se definam, até agora, por ápices da cultura filosófica de todos os tempos, não nos revelam indícios desse amor ao próximo, desacompanhado de indagações.

 

Arquivos de povos outros que passaram na Terra, antes do Cristo, não revelam qualquer sinal desse imperativo de amparo imediato a necessitados que se desconheça.

 

Jesus, porém, com a história do Samaritano generoso, inaugura um mundo novo no campo emotivo da Humanidade, com base na assistência a qualquer irmão do caminho terrestre, que se veja em calamidade e penúria, sem distinção de credo e raça.

 

Caridade, onde esteja, é a presença de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Sempre que te detenhas a contemplar um hospital ou um lar consagrado aos desprotegidos, uma instituição de auxílio social ou de socorro fraterno, eleva o pensamento à Bondade Divina em sinal de louvor e colabora, quanto puderes, em benefício dos outros.

 

Através do ensinamento do Senhor, todas as criaturas válidas são naturalmente chamadas pelas Leis de Deus, à sustentação possível daquelas outras que estejam caídas em provação.

 

E sempre que te observes, à frente de quaisquer dessas obras dedicadas à compreensão e ao amor, recorda que te achas, perante a irradiação da Luz Divina, ou mais propriamente, ante a Caridade e Jesus.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

 

UMA INVESTIGAÇÃO CONSTANTE DA VERDADE

UMA INVESTIGAÇÃO CONSTANTE DA VERDADE

Por Pedro Campos de Miranda



Os sábios antigos criam em que o homem não possuía a Verdade, senão quando esta se tornava parte do seu íntimo, um ato espontâneo de sua alma. (Edouard Schuré)

Um dos maiores postulados da Maçonaria é garantir ao homem o direito de investigação constante da Verdade. Mas o que é a Verdade, afinal? Quando nos encontramos com o dono da verdade, vemo-nos numa situação desagradável. Felizmente, nossa Instituição ensina-nos igualmente o exercício do tolerância. Ao deparamos com alguém assim, ao invés de discutir com o homem que tem certeza, que afirma saber muito mais do que todos; que pensa que os outros não têm inteligência, só nos resta elevar nossos pensamentos ao Grande Arquiteto do Universo, pedindo-Lhe iluminar a mente de quem procura a Verdade na estrada errada, viajando em companhia da arrogância e do desrespeito a quem o ouve. Quem ama realmente a humanidade não tem outro sentimento com relação a tal pessoa senão o da compaixão, pois a Verdade é uma realidade multifacial e haverá sempre uma face dela a ser descoberta por nós. Por isso, serem os maçons sempre estimulados à sua investigação constante.

Se pudéssemos conversar com um elefante e lhe pedíssemos que nos descrevesse uma formiga, certamente que o paquiderme nos diria que a formiga é um inseto bem pequeno. Mas se nos fosse permitido inverter a situação e nos dirigíssemos a uma bactéria com o mesmo pedido, ela nos diria que a formiga tem um corpo imenso. Ambos estão sendo absolutamente sinceros, pelo que lhes foi possível perceber. Da mesma forma, haverá sempre alguém que nos poderá mostrar uma face da Verdade que lhe foi dado observar ou descobrir. A prudência e a humildade poderão ajudar-nos a reconhecer nos outros o direito de interpretação do que experimentaram. Reunindo-se entre pessoas de níveis culturais e de experiências de vida diferentes e podendo expressar livremente seus pensamentos, o maçom tem muito mais oportunidade de avançar no conhecimento de outras faces da Verdade.

Jesus Cristo disse: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará!” O Divino Mestre não se referiu àquela verdade de conveniência, própria de um político. O importante não é o fato. É a sua versão! Jesus quis nos falar da verdade alimentada pela pureza de intenções, pelo.amor verdadeiro, pela sinceridade. No plano da Justiça Divina, como nos alerta a Maçonaria, nossas intenções e nossos esforços vão ser apropriadamente considerados na confrontação dos débitos e créditos. Então temos que nos preocupar com a auto-realização. Daí, ser importante para os maçons procurarem a Verdade na intenção do nosso aperfeiçoamento, captando bem uma das lições que Sidharta Gautama, o Buda, nos legou: “O conhecimento da verdade elimina todo o mal!”

A primeira verdade que o maçom procura conhecer é sobre si mesmo, examinando cuidadosamente seus hábitos, sua escala de valores, seus defeitos. Conhecê-los e dominá-los dá-nos o direito de prosseguirmos investigando a verdade. De maneira serena, de modo incansável, consciente de que a escada que nos leva à verdadeira sabedoria é infindável; pois quando chegarmos onde imaginamos ser seu fim, descobriremos que há muitos outros lances de degraus mais acima.

Nunca devemos nos utilizar do conhecimento de uma face da Verdade que possuirmos para afrontar a quem quer que seja. Nossa tarefa não está terminada com o pouco que aprendemos. A eternidade espera-nos para conhecermos muito mais. A verdade está num estado consciente e constante de observação e na janela que o tempo nos abre. Carl Gustav Jung ensinou-nos que há coisas que ainda não são verdadeiras, que ainda não adquiriram o direito de ser verdadeiras, mas que um dia poderão ser verdadeiras!

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

domingo, 6 de setembro de 2020

 

HISTÓRIA DE UM CÃO

 

 Falávamos de amor, de heroísmo e ternura,

 Nos caminhos da Terra, em lutas naturais,

Quando um amigo lembrou: “não se deve esquecer

O amor dos animais”.

 

E contou comovido:

- Quando na Terra, um pobre cão rafeiro

Que eu nunca soube de onde vinha,

Fez-se meu companheiro

Na tapera isolada que eu mantinha.

Era um cão vagabundo, um desses cães,

Cujo medo de banho desconsola,

Vendo-lhe a boca enorme e as bochechas caídas,

As crianças chamavam-no Beiçola.

Bernento e preguiçoso, muitas vezes,

Procurei desterrá-lo,

Mas Beiçola voltava e me seguia

Estivesse eu a pé ou trotando a cavalo.

Já não sabia o que fazer do cão,

Que já me habituara a suportar

Num misto de amizade e de aversão.

Certa manhã de Sábado, eu devia,

Ir do campo à cidade,

A fim de resgatar antiga conta

Cujo prazo vencia.

Montei no meu pequira muito cedo

De merenda robusta na sacola,

E pus-me alegremente no caminho

Acompanhado por Beiçola.

Desmontei-me às dez horas para o almoço,

Transportando a merenda para baixo,

Ao pé de velha ponte que cobria Um pequeno riacho...

Alimentei-me à farta e dei ao cão

Tudo que me sobrou da refeição...

Tomei de novo a montaria

Açoitei o animal para seguir depressa,

O débito a pagar daquele dia,

Mas uma cena estranha então começa.

Beiçola, de ordinário, pachorrento,

Intentava correr, de lado a lado,

Em uivos e latidos...

Depois correu à frente,

Como a querer parar o pequira assustado.

O cão dependurava-se nos freios,

 Enquanto eu lhe gritava nomes feios;

Espanquei-o a chicote, mas em vão...

E cansado de vê-lo a pular, doidamente,

Concluir, de repente,

Que a doença da raiva atacara meu cão...

Agi sem medo, rápido e seguro,

Dei-lhe um tiro com o fim de elimina-lo,

De modo a defender-me e a livrar meu cavalo.

Beiçola então soltou doloroso gemido,

Caminhou para trás, claramente ferido,

Enquanto fui em frente...

Mas atingindo o banco e buscando o gerente,

A fim de resgatar a minha conta inteira,

Debalde procurei minha carteira...

No assombro que me toma,

Notei que me faltava grande soma...

Decerto que perdera o dinheiro em caminho

Pois saíra com ele da fazenda...

Deliberei voltar ao local da merenda,

Pedi ao chefe amigo aguardar mais um pouco

E aflito, semi louco,

Remontei o cavalo e voltei de corrida...

Regressando ao lugar em que estivera...

E o amigo rematou, emocionado:

- Só então compreendi quão ingrato que eu era...

 Sabem o que encontrei?

Após seguir pequeno espaço

Todo ele marcado em sangue, traço a traço,

Achei Beiçola já sem vida...

E ao arrasta-lo para um canto,

Vi, sob o corpo dele, a estremecer de espanto,

A carteira perdida...

Ah! Como me doeu o coração De susto e de emoção!...

Não sei dizer tudo o que sinto,

Por muito que lhes conte,

Meu pobre cão rafeiro,

Cuja lembrança está sempre comigo,

Arrastou-se ferido e, após ganhar a ponte,

Morreu fiel e amigo, Guardando o meu dinheiro.

 

Maria Dolores

sábado, 5 de setembro de 2020

 


A arte de não adoecer

Dr. Dráuzio Varella


Se não quiser adoecer ..."Fale de seus sentimentos"

Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.


Se não quiser adoecer..."Tome decisão"

A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.


Se não quiser adoecer... "Busque soluções"

Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha, mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.


Se não quiser adoecer... "Não viva de aparências"

Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.


Se não quiser adoecer... "Aceite-se"

A rejeição a si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos. Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.


Se não quiser adoecer..."Confie"

Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.


Se não quiser adoecer... "Não viva sempre triste"

O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. "O bom humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia.

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

 

Recebeste a luz?


“Recebestes o Espírito Santo quando crestes?” – (Atos, 19:2.)


O católico recolhe o sacramento do batismo e ganha um selo para identificação pessoal na estatística da Igreja a que pertence.

O reformista das letras evangélicas entra no mesmo cerimonial e conquista um número no cadastro religioso do templo a que se filia.

O espiritista incorpora-se a essa ou àquela entidade consagrada à nossa Doutrina Consoladora e participa verbalmente do trabalho renovador.

Todos esses aprendizes da escola cristã se reconfortam e se rejubilam.

Uns partilham o contentamento da mesa eucarística que lhes aviva a esperança no Céu; outros cantam, em conjunto, exaltando a Divina Bondade, aliciando largo material de estímulo na jornada santificante; outros, ainda, se reúnem, ao redor da prece ardente, e recebem mensagens luminosas e reveladoras de emissários celestiais, que lhes consolidam a convicção na imortalidade, além...

Todas essas posições, contudo, são de proveito, consolação e vantagem.

É imperioso reconhecer, porém, que se a semente é auxiliada pela adubação, pela água e pelo sol, é obrigada a trabalhar, dentro de si mesma, a fim de produzir.

Medita, pois, na sublimidade da indagação apostólica: “Recebeste o Espírito Santo quando creste?”

Vale-te da revelação com que a fé te beneficia e santifica o teu caminho, espalhando o bem.

Tua vida pode converter-se num manancial de bênçãos para os outros e para tua alma, se te aplicares, em verdade, ao Mestre do Amor. Lembra-te de que não és tu quem espera pela Divina Luz. É a Divina Luz, força do Céu ao teu lado, que permanece esperando por ti.

 

Emmanuel

 

Do livro Fonte Viva, psicografia de Francisco Cândido Xavier.

terça-feira, 1 de setembro de 2020

 

CAMINHO DA PAZ

 

Dizem que um homem de fé se aproximou de Jesus e indagou, após externar-se em manifestações de júbilo e reverência:

 

 - Senhor, onde o caminho da paz? que fazer de meu filho que me arrasa a tranquilidade, atolado na rebeldia?

 

- Abençoá-lo-ás sempre - respondeu o Divino Mestre - procurando socorrê-lo com mais amor.

 

– E como agir, à frente de meu tio, aquele que me furtou a herança dos avós?

 

- Buscarás perdoá-lo, usando compaixão e esquecimento.

 

- E meu antigo sócio? de que modo proceder com esse homem que tanto me prejudicou e injuriou?

 

- Desculpa-lo-ás, orando em favor dele.

 

- Tenho quatro empregados ignorantes...

De que maneira harmonizar-me com esses companheiros problemas, se me afligem com as maiores dificuldades, dia por dia?

 

 - Saberás instruí-los.

 

 - Minha existência está repleta de perseguidores... Que fazer com essa gente cruel? –

 

Esquecerás qualquer agravo e auxiliarás em benefício de cada um, tanto quanto puderes.

 

O devoto baixou a cabeça, sentindo-se na presença da verdade, e considerou timidamente:

 

- Senhor, estou satisfeito.

 

Conta-se que Jesus afagou-lhe  a cabeça dolorida e rematou, ao despedir-se:

 

 - Então, vai, serve sempre e não perguntes mais.

 

Meimei