domingo, 26 de julho de 2015

GANDHI E O VIAJANTE - História para reflexão




Canta-se que Gandhi, sempre que viajava de trem pela Índia, comprava passagem de terceira classe. Ali os passageiros, não cultivavam hábitos de higiene, nem de boas maneiras.
Certa ocasião, quando empreendia uma das suas viagens, ele chamou a atenção de um rapaz que viajava junto a ele no mesmo vagão, porque de quando em quando cuspia no chão. Diante da advertência recebida, o moço respondeu indelicadamente e repetiu várias outras vezes o gesto. Gandhi calou-se.
Depois de um bom tempo de viagem, o rapaz pegou no seu violão, e começou a tocar e cantar músicas que exaltavam o grande líder e herói GANDHI.
Quando, finalmente, o trem parou na estação desejada, Gandhi levantou-se preparando-se para descer. O jovem, que também ficaria ali, juntou suas coisas para sair. Na estação, ele percebeu que alguém de certa importância e grande respeito estaria chegando, porque havia uma enorme recepção organizada com músicas instrumentais, fogos de artifício e discurso. Parou para ver . . . Era Gandhi quem chegava . . .
Ele então, juntou-se a multidão para recepcionar o ídolo. Só quando avistou o homenageado, é que se deu conta que o passageiro a quem havia respondido de maneira tão descortês e insolente, era exatamente aquele que havia enaltecido com tanta veemência através das suas canções. Ele não conhecia Gandhi, mas certamente entendeu que para ele, de nada significaram suas músicas e cântico.
Essa experiência pode muito bem ser aplicada em relação a Deus.
Pois, muitos procuram apresentar-Lhe honra e louvor superficiais, “honram-Lhe com os lábios; e o coração, porém, está longe Dele.”
 
“Os templos, as igrejas e centros espíritas estão lotados, mas poucos, muito poucos, compreendem e praticam o que se estuda e se ouve, enquanto fora dos círculos religiosos encontramos muitas almas que praticam a reforma íntima trabalhando anonimamente pelo bem e pela caridade.”
(Padre Vítor)

Observação: Podemos seguir qualquer religião e seus cultos exteriores, mas não nos esqueçamos da reforma íntima, educando nossos instintos inferiores, e revendo nossos valores. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015


Defenda-se

Não converta seus ouvidos num paiol de boatos.

A intriga é uma víbora que se aninhará em sua alma.

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Não transforme seus olhos em óculos da maledicência.

As imagens que você corromper viverão corruptas na tela de sua mente.

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Não faça de suas mãos lanças para lutar sem proveito.

Use-as na sementeira do bem.

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Não menospreze suas faculdades criadoras, centralizando-as nos prazeres fáceis.

Você responderá pelo que fizer delas.

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Não condene sua imaginação às excitações permanentes.

Suas criações inferiores atormentarão seu mundo íntimo.

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Não conduza seus sentimentos à volúpia de sofrer.

Ensine-os a gozar o prazer de servir.

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Não procure o caminho do paraíso, indicando aos outros a estrada para o inferno.

A senda para o Céu será construída dentro de você mesmo

André Luiz.

quarta-feira, 22 de julho de 2015


Um Quarto de Hora


Quando tiveres um quarto de hora à disposição, reflete nos benefícios que podes espalhar.

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Recorda o diálogo afetivo com que refaças o bom-ânimo de algum familiar, dentro da própria casa; das palavras de paz e amor que o amigo enfermo espera de tua presença; de auxiliar em alguma tarefa que te aguarde o esforço para a limpeza ou o reconforto do próprio lar; da conversação edificante com uma criança desprotegida que te conduzirá para a frente as sugestões de boa vontade; de estender algum adubo à essa ou aquela planta que se te faz útil; e do encontro amistoso, em que a tua opinião generosa consiga favorecer a solução do problema de alguém.

*

Quinze minutos sem compromisso são quinze opções na construção do bem.

*

Nâo nos esqueçamos de que a floresta se levantou de sementes quase invisíveis, de que o rio se forma das fontes pequeninas e de que a luz do Céu, em nós mesmos, começa de pequeninos raios de amor a se nos irradiarem do coração.

Meimei

terça-feira, 21 de julho de 2015


Compreensão

A compreensão é faculdade que melhor contribui para o êxito do relacionamento humano, por facultar à outra pessoa a vigência dos seus valores positivos e perturbadores. Ela reflete o grande desenvolvimento espiritual pelo que concede a quem lhe busca apoio, orientação, quando em conjunturas difíceis.

A compreensão abre o leque da fraternidade ensejando recursos terapêuticos necessários, conforme o caso que lhe chegue ao conhecimento. Sem anuir a todas as propostas, ou sem rejeição adrede estabelecida, favorece a percepção do que se apresenta, na forma como se manifesta.

Levado pelo instinto gregário, e porque sociável, o ser humano necessita de convívio, intercâmbio saudável, a fim de receber e propiciar estímulos que levam ao desenvolvimento.

Por inúmeros fatores, a compreensão humana em torno das limitações e problemas dos outros diminui, escasseia, tornando-se necessária e sendo rara.

Na imperiosa ânsia de estabelecer comunicação, os indivíduos buscam-se para o relacionamento e anseiam por desvelarem-se uns aos outros. No entanto, grassa nos corações um grande medo de se deixarem identificar. O que são, constitui-lhes tesouro afligente e temem vê-lo atirado fora. A forma de ser difere da imagem que exteriorizam e receiam perdê-la, naturalmente porque não se esperam receber compreensão.

O mundo está repleto de pessoas surdas que conversam; de convivências mudas, que se expressam.

Fala-se muito sobre nada e dialoga-se em demasia sobre coisa nenhuma, resolvendo-se uma larga fatia de problemas, que permanece...

Quando alguém se te acerque e fale, procura ouvi-lo e registrar- lhe a palavra. Talvez não tenhas a forma ideal para dar-lhe, nem disponhas do que ele espera de ti. Muitas vezes, ele não aguarda muito e somente fala por falar.

Concede-lhe atenção e o estimularás, facultando-lhe sentir-se alguém que desperta interesse.

Se ele resolve confiar em ti e se desvela, respeita-lhe a problemática e ajuda-o, caso tenhas como fazê-lo.

Por tua vez, vence o medo de te revelares. Certamente, não abdicarás da prudência nem do equilíbrio; no entanto é saudável dialogar, descerrar painéis escondidos pelo ego ou mascarados para refletirem imagens irreais.

Na tua condição de criatura humana frágil, a convivência honesta com outras pessoas contribuirá eficazmente para a tua harmonização íntima.

Assim, torna-te compreensivo, paciente, um terapeuta fraternal.

Não cries estereótipos, nem fixes pessoas a imagens que resultam de momentos.

Todos estamos em contínuas transformações e nem sempre se é hoje o que ontem se aparentava. Novas experiências e lições vieram juntar-se à pessoa de antes, qual ocorre contigo. É o inexorável imperativo do progresso em ação.

Compreendendo o teu próximo e relacionando-te com ele, serás mais bondoso para contigo; percebendo-lhe a fragilidade, serás mais atencioso para com os teus limites e buscarás crescer, amando e amando-te mais.

Joanna de Ângelis.  

 

segunda-feira, 20 de julho de 2015



Escrito por M:.G:.

Venerável Mestre,


Meus muito queridos Irmãos em todos os seus Graus e Qualidades
Da Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues:

Maçonaria e Intervenção na Sociedade

"Os limites da minha linguagem denotam os limites do meu Mundo", como escreveu Wittgenstein é a epígrafe desta minha primeira prancha, que submeto ao superior juízo dos meus Irmãos da Respeitável Loja de Mestre Affonso Domingues, loja perfeita que me deu a honra de a integrar.

De facto, a minha linguagem, limitada até há pouco ao meu parco mundo profano, é a que consegui, até agora, organizar. Creio vir a ter outra, um dia, bem mais acertada e rica, orientada pelos princípios e sabedoria da Maçonaria, que, perto dos 68 anos, recorrendo aos meus restos de vitalidade, pedi para abraçar.

No seu seio vou reflectir, palavra que significa, afinal, mudar de direcção, isto é, melhor dizendo, procurar estar apto a fazê-lo.

Eu, pedra bruta, com a vossa ajuda, iniciei o meu afeiçoamento e aprenderei a construir. Recorro à alegoria da caverna e digo: de lá saí. Mas foi há pouco e embora já Filho da Luz ainda ao seu resplendor me estou a habituar, para reconhecer muito do que me rodeia e deficientemente identificava.

Lembrar-me-ei, para sempre, do momento em que, na Câmara de Reflexão, perante o enxofre, o sal e o mercúrio, li "visita o interior da terra, e rectificando, descobrirás a pedra oculta"("visita interiora terrae, rectificandoque, invenies occultum lapidem"), bela fórmula de me convidar a conhecer o meu íntimo, dobrar-me sobre o próprio eu e concentrar-me.

A bibliografia maçónica assinala que o verdadeiro Maçon protegerá, mesmo com o perigo da própria vida, os seus Irmãos. Fá-lo-ei, se for caso disso, afirmo-vos solenemente. E é, agora, o momento de vos agradecer terem-me aceite para ficar convosco. Em primeiro lugar, ao meu Venerável Mestre, por quem daria a vida desde que acumulei os anos suficientes para conhecer, ainda na vida profana, a sua dimensão interior, pois sei ter veiculado o meu pedido de iniciação na Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues. Depois, aos meus benévolos Inquiridores; e, obviamente, aos meus Irmãos Mestres, que resolveram conceder-me a oportunidade de com eles partilhar a vida neste Templo – em particular ao Irmão Mestre A:. D:., que me amparou tão carinhosamente, ao Irmão Mestre R:. B:., que me transmitiu as palavras e os toques secretos, corrector rigoroso das minhas faltas rituais e cuja intervenção em Loja observo com muita atenção e ao Irmão Mestre 2º Vigilante, que me incentivou, com enorme envolvimento e cuidados, eu diria ternura, a estar hoje, aqui, a oferecer-vos – pobre oferta! – a minha primeira prancha. Queria agradecer, também como melómano, ao Irmão Organista (e em outras amplas qualidades) J:. R:., que de modo tão sensível nos envolve em ajustadas atmosferas sonoras.

Posto isto, falar-vos-ei de algumas inquietações que de há muito invadem o meu espírito, e se prendem com as atitudes e o comportamento concreto dos Maçons nos tempos que correm, em função do seu obrigatório papel exemplar e orientador. Claro que não tenho dúvidas de não ser nem o primeiro nem o último a abordar esta matéria no quadro da nossa Obediência. Tais inquietações têm a ver, singelamente, com o seu grau de empenhamento como cidadãos, "a priori" superiormente esclarecidos.

Que faz um Maçon perante o evoluir ou o regredir da Sociedade onde se movimenta e como com ela interage?

Recorro ao caso de um histórico Maçon português, que altos desígnios fizeram um dos grandes amigos de meu Pai, e do qual ouvi, pela primeira vez, as palavras Maçon e Maçonaria, um Mestre que acompanhou todo o meu despertar para a complexidade da Vida. Se o Maçon for como ele, terá o atributo da Coragem que vos caracteriza, e o levou ao sacrifício absoluto pela causa da Democracia, por tantos objecto de invocação hipócrita, contra o obscurantismo, pondo a sua vida em risco. Se o Maçon for como ele, fará o exercício resguardado e em Discrição da Bondade, não a sua demonstração pública. Discrição e Bondade que são, devem ser, atributos maçónicos.

Dizia Beethoven, - que a investigação aponta, quase com certeza absoluta, como maçon e o grande ensaísta Hans Keller, citado por George Steiner, defende ser a maior personalidade de que há registo na História do Homem - constituir a Bondade a qualidade que mais o impressionava. Não falava ele, decerto, nem eu falo, de uma bondade esgotada no gesto visível, mas na Bondade que torna possível ao Outro "um fazer" e "um seguimento".

Uma norma bem clarividente da Grande Loja Legal de Portugal/Grande Loja Regular de Portugal é o impedimento, em trabalhos maçónicos, de discussões políticas ou religiosas, como enfraquecedoras da coesão dos Irmãos nos seus trabalhos em Loja. Mas (e este "mas" não tem, aqui, o sentido de uma contraposição) sabemos que à Maçonaria, nas suas diversas e autênticas Obediências, repugna o silêncio violentador das vozes abafadas; e sabemos, também, que tem de exigir - a História o regista -, sendo Iniciática e Esotérica, um Estado de Direito, que não será inútil, como o fazem e fizeram alguns precavidos juristas, qualificar de Direito Justo. Por este Estado, ou pelo que de mais próximo houve, em cada época, lutaram os nossos maiores.

Por conseguinte, fora do trabalho maçónico, de esforço para a convergência, o Maçon tem de ser, na serenidade e na firmeza, um cidadão vigilante e um adversário dos que corroem, pelo desinteresse e egoísmo, o avanço social. O Maçon tem de estar atento a qualquer sinal denunciador de atentados à Liberdade, pois é a Liberdade condição do Indivíduo Social. O Maçon tem de estar atento às manifestações de autoritarismo intimidatório nos círculos que frequenta, nas sociedades em que participa, para assim defender a autoridade saneadora e a disciplina produtiva. Deste modo, propiciará o progresso das Comunidades como conjuntos solidários.
O Maçon é, por todas as razões que o levaram a essa qualidade, um participante da Polis, agregadora de Cidadãos. Lembro o severo veredicto de Aristóteles: o desinteressado da Política, da organização social é um não homem.

Perante a questão primordial da Liberdade integrante do Estado de Direito, o Maçon tem de ser, por princípio, proactivo, guardando a reactividade para acontecimentos emergentes que o atinjam inesperadamente. De facto, a observação da autoridade constituída não é acto inerte e implica dupla atenção: pode ter deixado de ser legítima e pode ter desmerecido o respeito da Sociedade.

A tolerância dos Maçons, que tanto é invocada, suscita-me um comentário, que advém do aviso contido no significado da palavra: tolerância quer dizer suportar de modo constante. Suportar deste jeito é possível com o fanático? Viajemos à origem desta palavra. Fanático é o que serve um templo de modo delirante, seja em que missão, tarefa, desempenho pessoal ou grupal for. A tolerância não pode transigir com o fanatismo.

Beneficiamos, hoje, do sacrifício, em muitos casos da própria vida, de muitos Maçons contra ignominiosas condições provocadas por humanos contra humanos, por dominadores sobre dominados, por passadista contra progressistas.

Lincoln e Franklin Roosevelt, o Marquês de Pombal, Jean Moulin, Pierre Mendès-France, Salvador Allende são casos de Maçons de excepção; pelas entregas totais às suas missões, pelo que fizeram pelos povos que serviam, podem-nos iluminar caminhos e servir de modelos.

Que o empolgante e belíssimo discurso do genial Chaplin, outro Maçon, no fim do seu filme "O Grande Ditador, realizado em plena força do Nazi-Fascismo, nos possa recordar, sempre, que a nossa luta deve continuar preocupada com a construção de uma sociedade mais justa, alicerçada em Estados de Direito. Estados que nunca mais ponham em causa o contributo maçónico para que o Homem se interprete melhor, conheça melhor o Mundo onde está, e aceite com naturalidade outros Mundos com os quais, estou em absoluto convicto, um dia contactará. Sob o supremo olhar do Grande Arquitecto do Universo, que nos enche o Espírito, os Templos e as casas onde nos abrigamos de Felicidade.

M:.G:. - A:.M:. - R:.L:.M:.A:.D:.

 

domingo, 12 de julho de 2015


Oração de Júbilo

Senhor, ajudai-me:

A prosseguir na existência humana
Como se houvesse encontrado um tesouro sem igual.

A vencer as vicissitudes
Como se me encontrasse em um festival de bênçãos.

A contemplar a imortalidade
Como se estivesse fitando um rosto querido.

A confiar no futuro
Como se já pudesse vivê-lo hoje.

A perdoar a agressão
Como se me fosse uma oferenda.

A entender a ignorância
Como se iluminasse um tabernáculo na escuridão.

A superar a melancolia
Como se acendesse uma luz de esperança.

A construir o bem
Como se lançasse uma ponte para o infinito.

A erguer os caídos
Como se as mãos carregassem soluções.

A atravessar os pântanos
Como se os pés possuíssem asas.

A enfrentar a morte
Como uma experiência de libertação.

A amar e servir
Como se me significassem os únicos objetivos existenciais.

Eros

quinta-feira, 9 de julho de 2015



Charles Evaldo Boller

 

É possível ser maçom sem sê-lo? A pergunta é comum. Para o maçom é motivo de séria reflexão em si mesmo. Como responderia o homem treinado nas coisas da Arte Real? Poderia formular o seguinte raciocínio? - Já viu em algum lugar uma estátua representando uma pessoa vigorosa portando um malho e um cinzel a esculpir-se de dentro de uma pedra? Esta é a representação simbólica da auto educação da Maçonaria. Não é fácil explicar o funcionamento do processo. Também não constitui segredo. Em resumo a educação maçônica pode apenas ser vivida; é resultado de salutar convivência. Para dar uma ideia superficial do que ocorre na Maçonaria é interessante imaginar o homem em sua origem e de como ele provavelmente construiu sua convivência social.

 

Na era do homem da caverna, quando o sol se colocava no horizonte, acendiam-se fogueiras para aquecer, assar alimentos e iluminar o ambiente. Ao redor destas fogueiras reunia-se a tribo. Trocavam ideias do cotidiano, da caça, da colheita, dos perigos, e passavam conhecimentos novos de uns para os outros. Nestas reuniões, pelo debate, por conversas, em resultado de atos judicativos, e outras comunicações verbais, cada um desejava sobressair-se ao outro com vistas a estabelecer sua vontade, e principalmente, de obter a aprovação dos demais membros do clã, de identificar-se. Esta necessidade de aprovação do grupo fazia com que o indivíduo se adaptasse ao grupo e aceitasse códigos de ação e conduta que o identificassem. Trocavam segredos, confidências de novas técnicas de caça e truques para os mais diversos fins. Quem traísse tais segredos e os divulgasse a outros de fora do grupo, no mínimo seria expulso do clã, quando não o matavam. Isto foi usado por tanto tempo que acabou gravado indelevelmente nos genes do homem, e assim, passa de geração para geração.

 

O indivíduo, ao forçar uma modificação em si mesmo, às vezes até contra suas próprias inclinações, praticava o que se faz numa loja maçônica; se auto educava; é o que significa a alegoria do escultor de si mesmo. O que ocorre dentro da loja é esta força do grupo sobre o indivíduo. Há quem o designe uma força mística. Mágico mesmo é quando se observam pessoas a se modificarem gradativamente para o bem, e isto sem que elas o percebam. O grupo reunido é uma força poderosa para modificar pessoas. - Somos seres sociais por excelência! Sociais porque o grupo exerce uma força incrível sobre cada um de seus membros. Isto é verificável nos grupos de jovens: usar "piercins", cortar cabelo de forma bizarra, tatuagem, e outros sinais de identificação externa, são apenas algumas das modificações forçadas pelos seus iguais. Transfira-se isto para características internas de valores e princípios, espiritualidade, emoções e tem-se o que ocorre dentro de uma loja maçônica. É por isso que não tem como aprender Maçonaria a partir de livros; estes possuem apenas conhecimento, informação; e isto não é educação. Para tal é necessária a convivência.

 

A escola que só transmite conhecimento sem o aporte de princípios, valores e virtudes, não educa, e às vezes sequer transmite conhecimentos. Transmitir conhecimento não é educação. Informação serve quase que exclusivamente para prover o sustento. E como existe apenas a auto educação, cada um só muda quando decide e age para estabelecer uma mudança. E quando esta alteração no seu eu (self) tem o apoio do ego (livre arbítrio) tem-se a auto educação pura e proativa. É sempre orientada para o bem porque a auto educação exige sempre sacrifício, sair da zona de conforto e partir para a ação contra a tendência natural de aderir a vícios, exige força de vontade hercúlea. Sozinho é difícil, mas não impossível. Em grupo a tarefa é facilitada exatamente pela pressão advinda da reunião de diversas pessoas, da energia do pensamento emitido pela coletividade; é genético. O estímulo vem sempre dos irmãos maçons; membros do mesmo grupo social influenciam seus iguais; é um provocando o outro para o bem. E como se tratam quais irmãos, demonstram profundo amor entre si, o perfeito vínculo de união, é certo que onde se reúnem, manifesta-se aquilo que conhecem pelo conceito de Grande Arquiteto do Universo; espírito que permite reunir numa mesma sala pessoas das mais variadas linhas de pensamentos e religiões para discutirem assuntos da sociedade sem que se matem. É uma grande ideia; a maior herança que a Maçonaria recebeu do Iluminismo Francês.

 

É possível ser maçom mesmo sem portar avental, o símbolo do trabalho em si mesmo, da auto educação. O maçom sabe que colocar um avental exige um tácito juramento, formal e sagrado, com trágicas e sérias implicações para consigo mesmo se falhar. O simples fato de ser iniciado na Maçonaria, de portar avental não gera um homem perfeito. Cada loja é a união de homens imperfeitos, livres e de boa vontade, com uma vontade imensa de buscar a perfeição, de se ver aprovado pelos iguais. A virtuosidade aflora quando se entende o benefício da associação e de como empunhar as ferramentas certas na auto educação. O dia-a-dia do maçom é tomado pelo salutar trabalho em si mesmo; trabalha a pedra. Enquanto uma mão empunha o malho e golpeia com força, a outra mão, conduzida pela razão, empunha firme e delicadamente o cabo do cinzel. A ponta afiada do cinzel elimina gradativamente nódoas e excessos da pedra imperfeita, revelando do interior da rocha disforme o homem aperfeiçoado, exemplar obra de arte do Grande Arquiteto do Universo. Esta é a representação do pedreiro esculpindo-se da rocha, é a representação da sua auto educação pelo uso da razão equilibrada pela emoção e espiritualidade.

 

Então é possível tornar-se maçom sem sê-lo? Se faltarem os camaradas de caminhada é difícil, mas possível. Existem muitos homens que nunca viram o piso de um templo maçônico, são maçons sem avental cujo comportamento probo e valioso para a sociedade os faz agirem quais obreiros da pedra, faz deles membros da ordem maçônica sem formalizar sua aderência pela iniciação. Quando identificados, a Maçonaria os convida a fazerem parte da Instituição para reforçarem as colunas de seus templos, de somar força com outros homens de igual disposição mental e espírito servidor da humanidade. É o motivo da entrada na Ordem Maçônica ocorrer sempre em resultado de um convite e não de vontade explicita do pretendente. É este acúmulo de líderes sociais num só lugar a razão de com frequência ouvir-se que a meta de todo maçom deveria ser o de acabar com a Maçonaria; fechar seus templos. Utopia? Mas, e se todos os homens se tornarem perfeitos, qual será então a utilidade da Ordem Maçônica?