terça-feira, 5 de maio de 2020


SEDE FIRMES

"E quando ouvirdes de guerras e sedições, não vos assusteis". Jesus (Lucas: 21-9.)

O aprendiz sincero de Cristo para merecer-lhe a assistência generosa precisa conservar intangível o caráter resoluto. É indispensável que o coração do discípulo se entregue às mãos do Mestre com a firmeza necessária.

Instituindo os princípios redentores do Evangelho, Jesus não desconhecia que iniciava período imenso de lutas e trabalhos sacrificiais. Ele que observava o orgulho romano, o dogmatismo farisaico, a vaidade e o preconceito de todos os tempos, manteria a ingenuidade de crer no Evangelho vitorioso sem suor e sem lágrimas?

Quando pronunciou a primeira palavra de amor, contava com os inimigos gratuitos e esperava os embates inevitáveis. Por isso mesmo, seu apostolado está cheio de luz, compaixão, verdade e bondade, mas igualmente cheio de resistência.

As nações aflitas da Terra referem-se hoje à guerra de nervos com o sabor da última novidade. No entanto, este gênero de combate preocupou o Salvador, há dois mil anos. Jesus sabia que o medo é mais destrutivo que a espada, que o homem atemorizado é homem vencido. Ninguém ignora que o conflito devastador dos dias que correm é o duelo formidando da sombra contra a luz.

A vitória do bem reclama espíritos fortalecidos de coragem e fé, acima de tudo. É indispensável combater a tensão nervosa, como quem sabe que o medo é o adversário terrível oculto na cidadela de cada um. O mundo cheio de sombras do mal não oferece lugar a espectadores. Cada homem deve encarregar-se do trabalho que lhe compete. A guerra de nervos traz ameaças, gritos, terrores, bombas, incêndios, metralhadoras, mas o defensor do bem traz o caráter firme, solidificado na confiança em Deus e em si mesmo. O discípulo do Senhor não ignora que os cristãos morreram nos circos, de mãos vazias, mas na qualidade de combatentes pelo bem e pela verdade.

Nestas horas de apreensões justas, recordai as palavras serenas do Mestre: - "E quando ouvirdes de guerras e sedições, não vos assusteis". 

Emmanuel.
Psicografia de Francisco Cândido Xavier.
Livro: Harmonização. Lição nº 19. Página 101.

segunda-feira, 4 de maio de 2020


Perante a ciência

Colaborar com as iniciativas que enobreçam as pesquisas e os estudos da inteligência sem propósitos destrutivos.

Toda ciência que objetiva o progresso humano vem do Socorro Celestial.

 Exaltar a contribuição inestimável da medicina terrestre em sua marcha progressiva para a suprema redenção da saúde humana.

O médico, consciente ou inconscientemente, está ligado ao Divino Médico.

Sopitar quaisquer impulsos inamistosos para com os representantes da ciência, sobre temas doutrinários ou problemas assistenciais.

 Na prestação de serviço, temos o exemplo renovador.

Quando chamado a responsabilidades no setor científico, superar limitações e preconceitos, sem perder a simplicidade e a modéstia.

Não há sabedoria real sem humildade vivida.

Desaprovar os procedimentos que, embora rotulados de científicos, venham de encontro aos ensinamentos espíritas.

 À ciência humana sobrepõe-se a Ciência Divina.

“A ciência incha, mas o amor edifica”. — Paulo. (I CORÍNTIOS, 8:1.)


André Luiz

sexta-feira, 1 de maio de 2020


"Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá". João 11:25.


A boa explicação deste fato está nas palavras de Sócrates, que pouco antes de sua morte teria dito:
"Fugir a morte não é difícil. Bem mais difícil é fugir a maldade, pois mais célere que a morte é a malvadez. Temer a morte é acreditar ser sábio e não sê-lo, posto que seja acreditar saber aquilo que não se sabe. Além do que, ela só pode significar: ou aquele que morre é reduzido ao nada, como uma longa noite de sono sem sonhos ou é a passagem daqui para outro lugar. E se é verdade, como se diz, que todos os mortos aí se reúnem; pode-se imaginar maior bem? Mas eis a hora de partirmos, eu para a morte, vós para a vida. Quem de nós segue o melhor rumo, ninguém sabe, exceto o Deus."

Na bíblia judaico-cristã encontra-se o seguinte:
"Os vivos ao menos sabem que vão morrer, enquanto os mortos não sabem nada, nem recebem salário, Biblioteca Charles Evaldo Boller Transição 37/109

terça-feira, 28 de abril de 2020


Eu sou a maçonaria


Tenho por objetivo tornar feliz a Humanidade, pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade e pelo respeito à autoridade e à religião!

Caríssimos Irmãos amigos, enquanto não compreendermos que Maçonaria é assimilação de conhecimentos e bom senso em ação, para entendê-la precisamos utilizar as ferramentas da mente arejada e coração aberto. Não existe um preparo, um vestibular, dotado de amplas explicações para ingresso na Ordem. Estamos passando aos não Iniciados (profanos) informações tímidas e desajeitadas.

E se me permito escrever isto, é porque aprendi a duras penas, nesses trinta anos de trabalhos incessantes na Maçonaria, a conhecer a minha própria indigência de conhecimentos.

Temos, antes de tudo, de compreender que nada sabemos. Então, estaremos, pelo menos, conscientes de nossa ignorância.

Mas, aprender com quem? Sozinhos, como autodidatas, tirando nossas próprias lições dos textos colhidos na Internet, confiantes nas luzes de outros que tateiam como nós, mas que estufam o peito de auto-suficiência e pretensão? Claro que não. Ao menos isso devemos saber. Temos de procurar fontes seguras, ensinamentos de pessoas sensatas, bem intencionadas, imbuídas da consciência de transmitir a Verdade e não fantasias fascinadas por mistificações grosseiras e evidentes, visando fazer adeptos.

Seria absurdo pensar que podemos dominar esse vasto acervo de conhecimento, de conceitos, através de simples leituras de textos levianos com que articulistas tratam de certos temas maçônicos, com uma falsa suficiência de arrepiar, lançando confusões ridículas no meio profano e maçônico. Temos de compreender que isso não pode continuar. Chega de arengas melosas, de auditórios basbaques, batendo palmas para palavreado pomposo. Nada disso é Maçonaria. Os articulistas, palestrantes e conferencistas Maçons precisam ensinar Maçonaria - que poucos conhecem - e para isso precisa primeiro, estudar, pesquisar e aprendê-la.

Precisamos de expositores didáticos, servidos por bom conhecimento doutrinário, que como num sacerdócio, sejam aptos a instruir sobre o sagrado. O ensino que é a educação e a cultura ou o sistema de conduta arduamente adquiridos em estudos e pesquisas para expor os temas fundamentais maçônicos, versam sobre os problemas essenciais do espírito maçônico: o sentido da vida e da História, o destino do homem, a significação do mundo, a liberdade, o bem e o mal. A doutrina não desce às aplicações práticas, mas permanece no plano dos grandes princípios.

A Maçonaria é depositária de doutrinas morais, religiosas e filosóficas. Por isto, são muito simples, por terem sido primitivamente destinadas a simples e incultos operários medievais.

Instituição social, a Maçonaria ensina as mesmas doutrinas morais da sociedade cristã ocidental; apenas repisa para que o comportamento de seus membros seja realmente exemplar. Por isto, dela se disse que é "uma ciência de moralidade", assegurando uma instrução maçônica que "a moralidade é a jóia mais preciosa de um Mestre Maçom".

Os seus ensinamentos transmitem-se através do simbolismo, e as interpretações dos símbolos sempre estarão ao nível intelectual e moral do Iniciado.

As doutrinas morais da Maçonaria são, pois, inculcadas nos membros da fraternidade, através de ensinamentos os quais, logo no começo, lembram a obrigação da bondade e os deveres do homem para com o seu próximo. Por isso, na idéia que da Maçonaria fazem os profanos, é que se trata de uma associação de homens ligados entre si por um vínculo particular. Uma instrução do Ritual de Aprendiz ensina: "Existem três grandes deveres que, o Maçom, é obrigado a gravar no espírito: os que se referem a Deus, ao nosso próximo e a vós mesmos".

O dever para com o próximo resume-se, desta forma, na conhecida sentença, antiga e universal: "Faça a outrem o que desejarias que te fizessem". O objetivo da Maçonaria, do ponto de vista moral, é, pois, de ver realizado ao máximo os ensinamentos de amor e auxílio mútuo entre os seus membros, que são as bases de uma verdadeira fraternidade, numa comunidade de sentimentos, de princípios, de escopos, que dão à Ordem todo o seu caráter social e moral. Assim, o escopo moral da Maçonaria baseado sobre o seu caráter social, é de fazer homens melhores; de cultivar o amor fraternal e de inculcar a prática de todas aquelas virtudes que são essenciais para a perpetuação de uma fraternidade.

Além de fazer aos outros o que desejaria que lhe fizessem, o Maçom, segundo os Antigos Deveres, é obrigado a obedecer à lei moral, a ajudar o desgraçado, a dar bom conselho àquele que erra, falar bem do ausente, observar a temperança, a suportar o mal com fortaleza de ânimo, a ser prudente na vida e na conversação, e a dispensar justiça a todos os homens.

Quanto às Doutrinas religiosas da Maçonaria, elas também são simples e evidentes por si mesmas e, não são obscurecidas pelas perplexidades da teologia intolerante, intransigente, permanecendo fora, na luz clara, inteligíveis e aceitáveis para todas as mentes.

Limitam-se elas na simples crença em Deus e no seu corolário natural da imortalidade da alma. As negações destes princípios preconizados pelas doutrinas religiosas da Instituição impedem a Iniciação maçônica. Assim, logo no começo da Iniciação, é perguntado ao candidato se deposita a sua confiança em Deus, e a série de iniciações, na Maçonaria Simbólica, "termina pela revelação do sublime símbolo de uma vida depois da morte e o ingresso na imortalidade".

As doutrinas morais e as doutrinas religiosas da Maçonaria são interdependentes. De fato, é necessário primeiro conhecer e sustentar a paternidade de Deus, antes de apreciar corretamente a fraternidade universal dos homens. A Maçonaria permite que homens de todas as religiões possam ser Iniciados sem para isso renunciar às suas crenças. Assim, longe de substituir as outras confissões deseja-se aproximá-las e conciliá-las, o que exclui a idéia de uma nova fé.

Na verdade, a Maçonaria não possui doutrinas filosóficas que lhe sejam próprias; a sua filosofia é a de todas as idades e de todos os povos em contínuo desenvolvimento, em perene evolução. Assim, por exemplo, o Aprendiz deve procurar saber de onde vimos; o Companheiro o que somos e o Mestre para onde vamos. Porém estas indagações constituem o eterno enigma da humanidade, toda ciência e toda filosofia as fazem também e procuram respondê-las.
O dicionário de Aurélio Buarque de Holanda define: “MESTRE – homem que ensina; professor; o que é perito em uma ciência ou arte; homem de muito saber”.


Colhemos na Internet o texto do Irmão Ray V. Denslow que apresentamos como se segue:

segunda-feira, 27 de abril de 2020


ANTES, PORÉM...

Você pede melhoras de saúde.
Antes, porém, socorra o enfermo em condições mais graves.

Você pede, em favor do seu filho.
Antes, porém, proteja a criança alheia em necessidade maior.

Você pede providência determinada.
Antes, porém, alivia a preocupação de outra pessoa, em prova mais contundente que a sua.

Você pede concurso fraterno contra a obsessão que o persegue.
Antes, porém, estenda as mãos ao obsidiado que sofre sem os recursos de que você já dispõe.

Você pede perdão pela falta cometida.
Antes, porém, desculpe incondicionalmente aqueles que lhe feriram o coração.

Você pede apoio à existência.
Antes, porem, seja consolo e refúgio para o irmão que chora em seu caminho.

Você pede felicidade.
Antes, porém, semeie nalgum gesto simples de amor a alegria do próximo.

Você pede solução a esse ou àquele problema.
Antes, porém, busque suprimir essa ou aquela pequenina dificuldade dos semelhantes.

Você pede cooperação.
Antes, porém, colabore a benefício dos que suam e gemem na retaguarda.

Você pede a assistência dos bons espíritos.
Antes, porém, seja você mesmo um espírito bom, ajudando aos outros.

Toda solicitação assemelha-se, de algum modo, à ordem de pagamento, que, para ser atendida, reclama crédito.

A casa não se equilibra sem alicerce.

Uma fonte ampara outra.

Se quisermos auxílio, aprendamos a auxiliar.

ANDRÉ LUIZ

quinta-feira, 23 de abril de 2020


DIVINO AVISO.

A luz do conhecimento que já atingiste, pode ser estendida à sombra dos outros.

O dinheiro que ajuntaste, pode ser amparo à necessidade dos semelhantes.

A fé que possuir, pode ser refúgio aos que desfalecem.

A doença que sofres, pode ser motivo de paciência, a valer entre os seres queridos por sustento moral.

A ofensa que recebeste, pode ser testemunho de humildade, confortando a todos aqueles que te partilham a experiência.

A hora de que dispões, pode ser trabalho a favor do próximo.

A palavra que falas, pode ser auxilio na luta alheia.

A atitude que tomes, pode ser diretriz do levantamento da caridade.

Ah, meu irmão da Terra!

Toda situação pode ser apoio à vitória do bem e todo serviço prestado ao bem é riqueza da alma, que malfeitores não furtam e que as traças não roem.

Escuta o relógio coração do tempo que te orienta o caminho – e o tempo, qual mensageiro da Eterna Sabedoria, te revelará, por fim, que o seu tique-taque, incessante e sempre novo tique-taque, é divino aviso da Vida, recomendando:

- Serve-serve, serve-serve!

ALBINO TEIXEIRA.

domingo, 19 de abril de 2020


Manoel de Barros: O Menino Que Carregava Água Na Peneira...
O Menino Que Carregava Água Na Peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e sair
correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo que
catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.
A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio
do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores
e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira

Com o tempo descobriu que escrever seria
o mesmo que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo
ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro
botando ponto final na frase.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.

O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!
A mãe reparava o menino com ternura.

A mãe falou:
Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os
vazios com as suas
peraltagens
e algumas pessoas
vão te amar por seus
despropósitos.

Manoel de Barros BARROS, M. Poesia Completa. São Paulo: Leya, 2011.