O Que é Ser um (Verdadeiro) Maçom!
A Maçonaria enquanto
filosofia e sociedade, exorta consciência e trabalho interior e pessoal.
Enquanto filosofia, demanda discernimento e cultura.
Enquanto trabalho
interior, demanda interioridade e movimento subjetivo.
Logo, ser Maçom não é status a ser
apreciado pelo que os outros dizem que se deve ser, mas aquilo que você é em
sua própria consciência.
Na aparência, muito são bons, caridosos e
corretos, mas perante o Grande Arquiteto do Universo e sua própria consciência,
é que se sabe quem é Maçom.
Se colocamos o reconhecimento da Maçonaria
enquanto trabalho interior para os outros, criamos a ilusória condição da
aparência como ditame de quem é "mais Maçom" do que o outro.
A verdadeira Maçonaria é esculpida no
interior da subjetividade, legando a cada um o ônus de se inscrever no livro de
presenças da Grande Loja do Oriente Eterno...
Não se pode confundir o reconhecimento de direito,
com o reconhecimento de fato.
Ter carteira, estar em dia com a Loja, é condição
para ser reconhecido como Regular.
Mas ser honrado, praticar os ensinamentos maçônicos
e vivenciar a cátedra do Grande Arquiteto do Universo é ofício a ser tomado
pelo Mestre Interior e pelos Vigilantes da própria consciência e da vida.
Por isso me manifesto contra certos títulos honoríficos.
Porque, dar comenda a quem pratica a caridade é exortar superficialidade em um
ato que é obrigação do Maçom e do seu estado de consciência.
O Maçom que se dá para aparecer, não faz Caridade, é apenas um
aproveitador das circunstâncias, radicado na possibilidade do aparecer e nada
mais.
O Maçom precisa ser um “Construtor de Templos à
Virtude”, pois assim são os ditames da Fraternidade.
A Loja é a escola de sua formação. Para esse mister, a ela os
Maçons comparecem com assiduidade, para com os seus Irmãos instruírem-se
reciprocamente nas práticas da Virtude.
O Maçom, mesmo esculpindo-se, adapta-se ao espaço que lhe
foi reservado no levantamento do edifício social, “submetendo suas vontades e
vencendo suas paixões”.
Mas precisa estar advertido de que “na Construção do
Templo”, de permeio, no material, encontram-se vários obstáculos, entre eles a
ignorância.
Por isto a Maçonaria coloca na mais alta
advertência o combate a ela. É do seu ideário o combate a essa triste condição
da humanidade, alertando que a “ignorância é a mãe de todos os
vícios.”
Então, “cavar-lhe masmorra” é missão fundamental.
O Maçom é um missionário que se forma construtor, não para
ostentar o diploma colocado na parede de seu gabinete de trabalho, mas para ir
construir.
Daí o entendimento de que a Loja Maçônica não é o
limite. E sim a vertente.
É como se desse interpretação e praticidade à
parábola do “semeador” que recebeu as sementes, mas não as guardou em seu
embornal.
Daí a importância do “ser livre e de bons costumes”
na concepção maçônica.
Livre e de Bons Costumes implica que, apesar de todo homem
ser livre, na real acepção da palavra, pode estar preso a entraves sociais que
o privem de parte de sua liberdade e o tornem escravo de suas próprias paixões
e preconceitos.
Assim, é desse jugo que deve libertar-se, e só o fará se for
de Bons Costumes, ou seja, se já possuir preceitos éticos (virtudes) bem
fundamentados em sua personalidade.
O ideal dos Homens Livres e de Bons Costumes, que nossa
sublime Ordem procura ensinar, mostra que a finalidade da Maçonaria é, desde
épocas mais remotas, dedicar-se ao aprimoramento espiritual e moral da
Humanidade, pugnando pelos direitos dos homens e pela Justiça, pregando o amor
fraterno, procurando congregar esforços para uma maior e mais perfeita
compreensão entre os homens, a fim de que se estabeleçam os laços indissolúveis
de uma verdadeira fraternidade, sem distinção de raças nem de crenças, condição
indispensável para que haja realmente paz e compreensão entre os povos.
Livre, palavra derivada do latim, que em
sentido amplo quer significar “tudo o que se mostra isento de qualquer
condição, constrangimento, subordinação, dependência, encargo ou restrição”.
A qualidade ou condição de Livre,
assim atribuído a qualquer coisa, importa na liberdade de ação a respeito da
mesma, sem qualquer oposição, que não se funde em restrição de ordem legal e
principalmente moral.
Em decorrência de ser Livre, vem a
Liberdade, que é a faculdade de se fazer ou não fazer o que se quer; de pensar
como se entende; de ir e vir a qualquer parte; quando e como se queira; exercer
qualquer atividade; tudo conforme a livre determinação da pessoa; quando não
haja regra proibitiva para a prática do ato ou não se institua princípio
restritivo ao exercício da atividade.
Bem verdade é que a Maçonaria
pretende ser uma escola de aperfeiçoamento moral, onde nós homens nos
aprimoramos em benefício de nossos semelhantes, desenvolvendo qualidades que
nos possibilitam ser cada vez mais úteis à coletividade.
Não nos esqueçamos, porém, que,
de uma pedra impura jamais conseguiremos fazer um brilhante, por maior que
sejam nossos esforços.
O conceito maçônico de Homem
Livre é diferente, é bem mais elevado do que o conceito jurídico.
Para ser Homem Livre, não
basta ter liberdade de locomoção, para ir e vir.
Goza de liberdade o homem que
não é escravo de suas paixões, que não se deixa dominar pela torpeza dos seus
instintos de fera humana.
Maçom Livre é o que
dispõe da necessária força moral para evitar todos os vícios que infamam, que
desonram, que degradam.
O supremo ideal de
liberdade é livrar-se de todas as propensões para o Mal, despojar-se de todas
as tendências condenáveis, sair do caminho das sombras e seguir pela estrada
que conduz à prática do Bem, que aproxima o homem da perfeição intangível.
Sendo Livre e, por
consequencia, desfrutando de liberdade, o homem deve, sempre pautar sua vida
pelos preceitos dos bons costumes, que é expressão usada para designar o
complexo de regras e princípios impostos pela moral, os quais traçam a norma de
conduta dos indivíduos em suas relações domésticas e sociais, para que estas se
articulem seguindo as elevadas finalidades da própria vida humana.
O bom Maçom, Livre e de
Bons Costumes, é leal. Quem não é leal com os demais, é desleal consigo mesmo e
trai os seus mais sagrados compromissos.
O bom Maçom cultiva
a fraternidade, não se abate, jamais se desmanda, não se revolta com as
derrotas, é nobre na vitória e sereno se vencido, porque sabe triunfar sobre os
seus impulsos, dominando-os; pratica o bem porque sabe que é amparando o
próximo e sentindo suas dores é que nos aperfeiçoamos.
O bom Maçom, abomina o
vício, porque este é o contrário da Virtude, é amigo da Família, porque ela é a
base fundamental da humanidade.
O bom Maçom, não se
envaidece, não vê no auxílio ao semelhante um gesto excepcional, cuja prática
constitui um prazer.
Não promete senão o que
pode cumprir. Não odeia. O ódio destrói a si e ao próximo.
Finalmente, o
Verdadeiro Maçom, não tem apego a cargos!
Os Verdadeiros Maçons
buscam o trabalho em que façam destacar a Verdadeira Maçonaria.
O valor da existência de um Maçom é julgado
pelos seus Atos e pelo exercício do Bem praticado.
(Trabalho apresentado na
Loja Prof. Herminio Blackman-1761 – Or.’. de Vila Velha – ES pelo Ir.’.
Fernando Silva de Palma Lima – CIM 115.552)