domingo, 18 de junho de 2017


Restauração de Templos Vivos

 

Charles Evaldo Boller

 

Sinopse: Exortação à espiritualidade; vida eterna; restauração o templo interno e defesa dos inimigos; influência e pertencimento ao Universo.

 

O maçom é sucessivamente exortado a edificar e restaurar templos. Reconstruir templos danificados tem na Maçonaria significado simbólico de grande profundidade filosófica. Isto porque na reconstrução concorrem valores humanos significativos, bem mais intensos que na sua construção. Para uma edificação ser reconstruída, esta deve possuir valor inestimável, e são poucos os abnegados que se habilitam na empreitada de reconstruir algo danificado e com alta probabilidade de ser destruído de novo. Na reconstrução de templos concorrem valores como firmeza de decisão e perseverança no objetivo para concluir a reconstrução, bem como, heroísmo no enfrentamento de terríveis e insidiosos inimigos durante as atividades. A ordem maçônica usa de ilustrações de reconstruções para provocar o raciocínio de restaurações constantes de um tipo especial de templo: o homem integral.

 

Quando em Maçonaria se faz referência a um templo, este designa o local de reunião dos maçons, e por extensão simbólica, significa o "grande" Universo e o "pequeno" Universo, aonde este último constitui a essência do próprio homem, sua força vital, o seu corpo completo; o homem como um templo vivo. Entende-se por corpo completo a sua constituição física e a força ativa que o mantém vivo. Este conjunto complexo pode ser comparado a um Universo em miniatura composto de: corpo, mente, emoção e espiritualidade. Na soma total destes elementos, o espírito é considerado encarnado, parte do corpo físico. A reconstrução deste tipo de templo ocorre a cada iniciação, a cada nova modificação interior, em resultado da auto-educação estimulada pela ordem maçônica. Cada pedreiro trabalha com as ferramentas de que dispõe, em si mesmo e como resultado de seu desenvolvimento físico, intelectual, emotivo e metafísico. O sábio percebe a finalidade do desafio de modificar a si mesmo para o bem. O sublime e principal propósito é levar o homem a conhecer-se intimamente, de modificar-se, de reconstruir-se ou reorganizar-se internamente ao templo vivo que cada um é.

 

No diálogo, "O Banquete", Platão (428 a. C. - 347 a. C.) afirma que enquanto na juventude prevalece a admiração pela beleza, no adulto amadurecido descobre-se a verdadeira beleza na espiritualidade. É na maturidade que o homem desperta e se considera parte de um templo maior que consiste em toda a vida do "grande" Universo. Conscientiza-se que concorre para a realização de todo o esplendor do milagre da vida estabelecido em leis naturais espantosas, só compreendidas no amadurecimento espiritual adulto. Entretanto, existem "adultos" que, ao não se modificarem internamente, continuam menores de idade, dependentes da orientação de terceiros e ainda não alcançaram idade madura. Neste caso não se trata do período da vida compreendido entre a juventude e a velhice, ou a meia-idade, mas o termo último de desenvolvimento humano, a fase de autorealização. É a liberdade observada quando o homem não é culpado de sua própria menoridade, de sua heteronomia, de deixar-se conduzir por um terceiro. Heteronomia refere-se à deficiência onde a dependência não acontece for falta de entendimento ou limitação fisiológica, mas da falta de coragem ou preguiça de trabalhar em seu templo, presa de paixões desenfreadas ou vícios degradantes. Para Platão, o adulto que venceu sua minoridade reconhece que a beleza emana de sua característica espiritual, essencialmente quando desenvolvida por si mesmo e em si mesmo. E isto constitui a liberdade absoluta do homem, pois quando não padece de heteronomia, é em seu "pequeno" Universo interior, qual templo, que o homem adulto é soberano e senhor absoluto.

 

Um templo maçônico é a representação simbólica do Universo maior, composta de toda matéria animada e inanimada. É tão incrível a matéria deste "grande" Universo que, se observada de perto, de bem perto, ao nível atômico e subatômico, é como se toda a existência material fosse feita com absolutamente nada de massa, de quase nada, quase que exclusivamente de espaço vazio. As partículas são tão insignificantes e afastadas umas das outras em espaços relativos tão grandes que, em essência, resulta apenas espaço vazio. E é tão somente pela velocidade com que os elétrons giram ao redor do núcleo que se manifesta a solidez da matéria. Em essência, a matéria do Universo é feita de nada, de espaço vazio. Ser parte deste todo e ao mesmo tempo deste nada, deste maravilhoso espetáculo da matéria inanimada e animada pelo sopro da vida, é o que dá um importante significado para a vida do homem. É uma distinção impar ser uma individualidade diante do volume de matéria inanimada que existe. O homem é feito da matéria inanimada do Universo, a qual recebeu vida de uma forma ainda incompreensível para o seu conhecimento científico. É natural que, respeitadas as devidas proporções, se considere o homem como um "pequeno" Universo de matéria e energias aglutinadas e animadas por uma energia vital e sobre o qual o intelecto sem heteronomia exerce poder e comando.

 

Se as estrelas e planetas exercem influências gravitacionais de uns sobre os outros, então as partículas que formam o templo do homem, o seu "pequeno" Universo interior, estão sob influência energética dos outros corpúsculos semelhantes espalhados pelo "grande" Universo. É este pertencer que dá grande significado para a vida do homem. Seu templo faz parte indissolúvel do Universo e isto promove um maravilhoso significado para exercer a liberdade com responsabilidade. É uma honra e distinção impossível de esquecer o fato de ser premiado para viver com liberdade dando conta de si mesmo no Universo.

 

Se destruído o corpo, ou parte dele, ao nível da matéria e com a atual tecnologia disponível ainda é impossível ao homem reconstruir um templo assim. Resta remendar o corpo físico e mantê-lo funcionando mesmo que precariamente e em decadência progressiva. Para viver com qualidade, o sábio cuida bem de sua saúde física e emocional enquanto os anos lhe vão desgastando a maravilhosa estrutura biológica, até o instante em que a regeneração química de suas moléculas se torna impossível e o sopro da vida o abandona. Alguns parceiros do homem que compartilham a biosfera terrestre têm em si a capacidade de desenvolverem novos membros que lhes foram arrancados por acidentes ou predadores, mas ao homem esta faculdade ainda não se disponibilizou. Já o templo interior do homem é passível de reconstrução, basta que para isto se parta para a ação com vontade e perseverança. A capacidade de reconstruir o templo interior, uma vez destruído, é uma capacidade que cada homem possui em potencial. É só deixar que esta inclinação espiritual se manifeste e se obedeça ao bom senso de seguir sempre em frente.

 

Simbolicamente, a ação nobre da espada inibe a aproximação e defende do inimigo externo e subjuga e mata o inimigo interno, enquanto a trolha, na mão do trabalhador da pedra, participa na edificação e reedificação de templos. A trolha constrói o templo externo de pedra, assentando as pedras, em cujo interior, ao alisar as paredes, melhora as relações entre as pedras vivas que estão construindo e reconstruindo templos vivos. Os maçons reúnem-se num templo de pedra que representa o Universo, local sagrado onde cada indivíduo reconstrói seu próprio lugar sagrado, o templo de si mesmo. É local também onde se provoca e incentiva ao seu irmão a edificar e melhorar seu templo. Cada um atua num templo de carne que é a representação em miniatura do Universo dentro de um templo de pedra que representa o Universo. Os templos melhorados pelo trabalho em si mesmos agradecem ao privilégio de vestirem ossos com carne, animados pela força ativa do espírito que exalta o dom da vida. É pelo conjunto de todo o trabalho de construção e reconstrução, planejado racionalmente, que o maçom declara a glória do Grande Arquiteto do Universo,

 

Bibliografia:

 

1. CAMINO, Rizzardo da, Rito Escocês Antigo e Aceito, Graus um ao Trinta e Três, ISBN 978-85-370-0222-3, primeira edição, Madras Editora Ltda., 302 páginas, São Paulo, 2009;

 

2. CLAUSEN, Henry C., Comentários Sobre Moral e Dogma, primeira edição, 248 páginas, Estados Unidos da América, 1974;

 

3. MIRANDA, Pedro Campos de, Os Caminhos da Maçonaria, ISBN 85-7252-216-6, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 160 páginas, Londrina, 2006;

 

4. SANSÃO, Valdemar, O Despertar para a Vida Maçônica, ISBN 85-7252-206-9, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 192 páginas, Londrina, 2005;

 

5. SOBRINHO, Octacílio Schüler, Maçonaria, Introdução Aos Fundamentos Filosóficos, ISBN 85-85775-54-8, primeira edição, Obra Juridica, 158 páginas, Florianópolis, 2000;

 

6. SPOLADORE, Hercule, O Homem, o Maçom e a Ordem, ISBN 85-7252-204-2, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 194 páginas, Londrina, 2005.

 

Data do texto: 26/01/2010

 

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

 

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná

 

Local: Curitiba

 

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

 

Área de Estudo: Espiritualidade, Filosofia, Maçonaria, Simbologia

 

sexta-feira, 16 de junho de 2017


 

Os maçons se reconhecem!

Walter Sarmento de Sá Filho

Na Maçonaria, o caminho da virtude é delineado com a finalidade para nele caminhar, sem medo, nem ódio, entretanto, ao divisarmos a luz, na iniciação, certamente não será fator determinante da posse intrínseca da luz, do amor e da sublime inteligência. Do mesmo modo, alguém ao concluir um curso superior, não significa esteja apto a exercê-lo com conhecimento e sabedoria, face da negligência no decorrer do curso acadêmico.

Haveremos de convir, por motivos de algumas exceções em nossas vacilações, despreparos no âmbito moral, ou seja, das íntimas intenções nas reservas morais, após explicações, ocorre e, é perceptível que, as fixações da amizade imortal não são concretizadas nos ditames da honra e da decência. Tais casos, esporádico, não amaldiçoaram, pois compreendemos que os mesmos continuam sem possuir a luz, distantes do objetivo do bem, do bom e do belo, por si só, já determinam seu afastamento da sublime Instituição.

O maçom Benjamin Franklin, registra que: “Quando somos bons para os outros, somos ainda melhores para nós mesmos”.

Na Maçonaria, observamos um antigo preceito: “O corcunda aonde vai, leva a corcunda”, a nossa personalidade é única, “cavar masmorras aos vícios e levantar templos à virtude”, determinante no maçom, contrariando a citação do pastor inglês Leonard Ravenhill (1907-1994) que afirmou: “Em cada um de nós existem três pessoas: a que nós achamos que somos; a que os outros pensam que somos; e a que Deus sabe que somos.”.

A superioridade moral do Maçom é fator determinante para seu conhecimento. O verdadeiro iniciado na Ordem não é orgulhoso, nem egoísta, mas consciente de sua imperfeição, tem noção da responsabilidade da luta interna que trava para aumentar seus talentos, conhecedor de que nada sabe e após travar essa batalha contra suas imperfeições, no porvir, almejará sentir o GADU. Dando-nos o aval de que o verdadeiro maçom não precisa espalhar que é maçom, onde ele estiver, será reconhecido como maçom, além do mais é consciente de que o “tempo” é o grande Senhor da Verdade, quando: “Desmascara as aparências, revela a mentira e expõe o caráter”. É como escreve o amigo, jornalista e maçom Hélio Zenaide: “Quem viver, verá”.

Nossa visão é limitada com relação à misericórdia de Deus, entretanto, com firmeza e boa vontade poderá dispor de uma visão mais dilatada, desde que sejam colocados nos corações; olhos de bondade, de amor e de beneficência, sem outro interesse, senão de auxiliar e beneficiar ao próximo. Denotando, a partir desse trabalho a compreensão nos atributos do GADU de Justiça e Bondade é Lei Divina, não é questão de entendimento.

Uma das características mais palpáveis, dentre tantas, no verdadeiro Maçom são a sinceridade, a bondade e o desprendimento dos bens materiais, pois é determinante para que tenhamos consciência de que só existe um único Ser Perfeito que é o GADU. Também, nos ensina Jesus, quando certa feita afirmou ao qualificarem-No com o adjetivo de bom, ao que Ele respondeu: “Bom, é o meu Pai que está nos céus”.

O objetivo da Maçonaria é transformar-nos em seres melhores, mais humanos, mais simples e alavancar a Verdade do “eu” interior, abandonando as aparências e fazendo brotar a felicidade em sendo nós mesmos. Sempre devemos mostrar aquilo que somos e não aquilo que ainda não somos. Aliás, representa um sofrimento cruel, mostrar amor e bondade, quando nosso coração ainda carrega o sentimento pudico da inveja, da paixão, da falsidade e da maledicência.

O iluminista e maçom francês Voltaire assim definiu: "A Maçonaria é a Entidade mais sublime que conheci. É uma Instituição Fraternal, na qual se ingressa para se dar e que procura meios de fazer o bem, exercitar a beneficência, como um dos processos para se conseguir a perfectibilidade objetiva. Será extraordinariamente esplêndido se a maioria dos gênios da ação e do pensamento pertencerem à Maçonaria”.

Nossa conduta íntegra representa a única garantia de que somos filhos da Luz, adotando conceitos de perseverança no bem e, sobretudo, o altruísmo representar nossa bandeira de trabalho. Podemos denominar maçom aquele irmão que honra todos os compromissos assumidos em Loja. Caso contrário, seremos simples encenadores. Muitos ao ouvirem a Verdade, ficam revoltados e ferem com palavras descabidas e inconsequentes quem tenta ajudar. Fez-nos recordar um pseudomaçom.

A tolerância é um dos atributos do maçom, tendo como obstáculo a supervalorização do ter, consequentemente, perdemos o privilégio de nos olharmos com os olhos de Jesus.

Nós, maçons, somos conscientes de que estamos distantes do GADU, nosso Pai de infinita misericórdia e bondade, contudo, é nosso dever reconhecer a urgência de adquirir o pedestal da humildade e da fraternidade, para não comprometer a sublime e santa Maçonaria.

Em 1809, o maçom Johann Henrich Bernhard Draseke, da Prússia, falou em sua Loja o seguinte: "Poderá ser destruído este Templo, mas não os nossos corações. Poderão proibir nossos encontros, mas não nossa unidade em espírito. Poderão nos proibir de dizermos que somos maçons, mas não que nós o somos. Seja bendito Templo Maçônico. Tu és, quando todos estiverem acorrentados, o único lugar de liberdade nesta Terra desolada.”.

Igualmente, a identificação de um maçom não será pela sua fala, pela sua arrogância, pela sua força física, pelos seus títulos acadêmicos, nem pelo seu patrimônio, mas será reconhecido, facilmente, pela sua lisura, pela palavra empenhada e cumprida, pela honradez, pela honestidade, pelo exemplo da sensatez e pela fraternidade praticada para com todos.

Assim, a união fraterna dos maçons representa, essencialmente, princípios espirituais, éticos e morais, resplandecentes como conscientes e lúcidos Obreiros (AMICUS PLATO, SED MAGIS AMICAVERITAS*) reunidos pelo bem em prol da humanidade, alicerçado com a argamassa imortal de Buda que asseverou: "O ódio não termina com o ódio, mas com amor".

* (Estimo Platão, mais estimo ainda mais a verdade) - Tradução do latim.

quinta-feira, 15 de junho de 2017


IRMÃOS COM TRÊS PONTINHOS
 
A palavra irmão, tal como se encontra no dicionário, significa pessoa que descende de um ou dos dois pais comuns. Essa definição baseada na origem biológica da pessoa, embora bastante simples e precisa não é suficiente para definir a palavra irmão no sentido mais amplo do termo. Muitas religiões, notadamente os evangélicos no Brasil, utilizam o termo irmão para definir aquele que professa a mesma religião que a sua, esse sentido deriva da crença que todos somos filhos de um único Deus e, portanto a humanidade formaria, segundo esse entendimento, uma grande família, sendo todos irmãos. É sem dúvida uma bela e filosófica visão e talvez seja um fim a ser alcançado.
 
Nos Estados Unidos da América, os índios Sioux, tinham uma tradição que era a seguinte: todo menino nascido na tribo, durante os primeiros meses era amamentado por todas as mulheres da tribo, dessa forma esse menino ao tornar-se um guerreiro, considerava todas as mulheres da tribo como suas mães e todos os velhos como seus avós, destarte todos os outros guerreiros eram seus irmãos e estando em batalha, cada um cuidaria da sua vida e da vida de seus irmãos, sendo esse um sentimento tão forte que jamais um irmão seria abandonado no campo de batalha, se tivessem que morrer morriam juntos, irmãos na vida e na morte. Na Maçonaria temos o costume de tratar-nos como irmãos, demonstrando dessa forma o caráter fraternal de nossa organização. Quando um profano recebe a luz em um templo, durante o ritual de iniciação, a primeira coisa que ele vê são seus irmãos, jurando protege-lo sempre que for preciso.

A partir desse momento todos que a ele se referem o tratam por irmão, os filhos de seus irmãos passam a tratá-lo como tio e as esposas de seus irmãos passam a ser suas cunhadas. Forma-se nesse momento um elo firme entre o novo membro da ordem e a família maçônica.
 
É difícil precisar, no entanto, como esse vinculo se cria e se mantém. Porque? ao sermos reconhecidos como Maçons o outro lado prontamente abre um sorriso amigo e te abraça, como se já te conhecesse de toda a vida. Que força é essa que nos une e faz com que homens de diferentes, raças, credos, profissões e classes sociais, tenham um sentimento de irmandade mais forte entre eles, que entre irmãos de sangue? A Maçonaria que passou por várias fases em sua existência desde a Maçonaria operativa até as atuais Lojas Maçônicas, foi refinando a maneira pela qual seus membros são escolhidos e convidados para integrar nossas colunas, o possível candidato sem saber está sendo observado em seus atos e na forma de conduta na vida profana, sendo que ao ser formalmente convidado, parte de sua avaliação já foi concluída, bastando agora cumprir os regulamentos da respectiva potência maçônica, para levar a cabo o ingresso do novo membro.
                                                                                     
Talvez devido ao fato de que todo o Maçom, por saber dos rigores dessa seleção, que pese o fato de que algumas vezes cometemos erros, iniciando irmãos que nem de longe mereceriam essa honra, nós temos a tendência a confiar em um irmão porque sabemos que ele é livre e de bons costumes. Aquele que ao apor sua assinatura em uma folha qualquer acrescentar os três pontinhos deve saber que está dizendo ao mundo, “Sou Livre e de Bons Costumes”. E como tal será cobrado em suas ações e atitudes tanto dentro dos templos como no mundo profano. Creio que muitos irmãos adentram à nossa ordem sem a devida reflexão da responsabilidade que isso lhes impões, repetem os juramentos sem entender a verdadeira abrangência de suas palavras, o fazem por que isso faz parte do ritual, da mesma forma que pessoas que jamais frequentam a igreja se casam e juram amor eterno e fidelidade diante do sacerdote sem, no entanto ter a menor intenção de cumprir esse juramento.
       
É compreensível que muitos irmãos entrem na Ordem sem o devido conhecimento da mesma, até porque esse conhecimento é pouco divulgado e muitas vezes os padrinhos e aqueles que fazem as sindicâncias não esclarecem o profano devidamente sobre as responsabilidades que estará assumindo. O que não é aceitável é que depois de ingressar e conhecer nossas normas e formas de conduta exigidas o irmão continue agindo como antes do ingresso, ou seja, o irmão transforma-se naquilo que costumamos chamar de “Profano de Avental”, é aquele irmão que embora imbuído de boas intenções não permeou seu espírito com os ensinamentos da Maçonaria e mesmo que permaneça na Ordem por toda a vida jamais será um Maçom no mais completo sentido da palavra. Nossa ordem necessita de irmãos que tenham entre si aquele sentimento de fraternidade e solidariedade, tal qual os guerreiros Sioux, que sendo filhos genéticos de pais diferentes se sentem irmãos, porque participam de algo que é maior que cada um deles individualmente.
     
Nossas Lojas precisam de irmãos de verdade, aqueles que tem orgulho de pertencer a essa instituição e estão dispostos a sacrifícios pessoais em benefício da mesma . Ele deve lembrar-se sempre que ele não escolheu a Maçonaria, mas foi por ela escolhido por reunir as condições necessárias para tal. No entanto ele escolheu ficar e deve ser fiel aos seus juramentos.

Precisamos, portanto de Irmãos com três pontinhos de verdade.
 
 Irmão Sidney Correia

quarta-feira, 14 de junho de 2017

MAÇONARIA: ESCOLA DE ALMAS

                   
 

A desinformação a respeito do verdadeiro papel da maçonaria atinge a um índice alarmante da população, como também de religiões e associações do século XXI.


A quem interessar possa, talvez movido pela ignorância ou mal intencionado em tentar impetrar camuflagens e nuanças muito versáteis, informações enganosas, falsas, ridículas e/ou criminosas, a semelhança das noticias propositadamente inverídicas, veiculadas na idade Média, séculos das trevas que sombreavam nossa Terra.


Conheceis o provérbio: "Quando se quer matar o cão alheio, diz-se que está raivoso".


Será que ainda hoje ignoram: um dos objetivos primeiros da maçonaria é tornar a humanidade feliz pelo Amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes? Que a maçonaria nunca foi e nunca será uma religião? Que não realiza o papel de casa de correção, de ajuste para os seus participantes? Que sua intenção é tornar melhores cidadãos aqueles que lá ingressam?.


Percebe-se que as especulações são muitas e inúmeras, não obstante, nenhuma corrobora com os verdadeiros princípios da Ordem Maçônica.


Certamente, todas as especulações de ordem moral caem por terra, em virtude de que os seus iniciados, espontaneamente, ao estudarem os princípios(
Landmarks) da Maçonaria, compreendem através da lógica e dos bons costumes, a obrigação honrosa de qualificar seus sentimentos, investir no altruísmo, possibilitando renascer melhores sentimentos, tornando-se aptos a muitos prodígios em beneficio do próximo conforme preceitos salutares: “Proteja os oprimidos dos opressores; e dedique-se à honra e aos interesses de seu País”.


Os verdadeiros maçons praticam a Ordem com zelo, amor, respeito, determinação e regularidade, regras simples, sinceras e reais de condutas imprescindíveis, denotando através do bom exemplo, preceitos que os identificam como filhos da Luz.


Não representa perfil de a Ordem Maçônica responder injúria com injúria, nem falar mal de ninguém, nem mesmo dos que falam mal da nossa Santa e Sublime Instituição. Não nos é permitido “lançar perolas aos porcos”, mas é regra basilar de nossa conduta “cavar masmorras ao vício e levantar templos à virtude”.


Demonstramos, de forma inequívoca, que não procede, por parte dos maçons, atos vis, desonestos, desumanos, egoístas, viciosos e de má índole.


Segundo Albert Pike, um grande Pregador disse bem: “Homem, quem quer que seja, se julgas, para ti não há desculpa, porque te condenas a ti mesmo, uma vez que fazes exatamente as mesmas coisas”.


A maçonaria advoga que compete a cada um: defesa dos oprimidos e que não devemos medir esforços na intenção de encontrar meios para que sejam feitas a justiça, a pratica da bondade e que a única garantia palpável capaz de atingir o objetivo de tornar feliz a humanidade é dar-lhe condições para libertar-se da ignorância.


Percebe-se que a maçonaria nada teme, pode afirmar sem nenhum temor:

- Tenho adversários, bem o sei! Embora, nós não sejamos adversários de ninguém. Aliás, quem de nós em sã consciência não tem inimigos. Obviamente, alguém poderá desejar, pretender ou fazer o mal contra nós, entretanto, jamais nós poderemos desejar ou fazer o mal a outrem.


Não pertencem aos nossos quadros aqueles que se comprazem disfarçadamente na tirania, na hipocrisia, na maldade, na depravação, no embrutecimento do espírito humano e na surdina da noite dentro da administração do serviço público ou privado, desrespeitam a santidade das Leis e dos direitos da consciência, deixando de aliviar os sofrimentos alheios, por abusar do poder da Lei, em subtraindo o que não lhes pertence. Quanta ilusão! Deus, o Grande Arquiteto do Universo tudo sabe, tudo vê e tudo ouve.


Tenhamos ânimo, perseverança no bem e coragem, pois, todo poder na Terra não é delegado para nosso deleite, nosso bel prazer, mas para o bem do povo, para aliviar o jugo da miséria, do abuso e do grilhão da opressão, caso contrário, sucumbiremos diante de Deus, cuja contabilidade divina nos elucida, somos medidos pelo bem praticado em prol da humanidade, e, não pela quantidade de anos vividos.


Deixar de fazer o mal não é suficiente para quitação do nosso compromisso com o Grande Arquiteto do Universo. Entretanto, o pagamento de nossa estada na Terra, somente ocorre real efetivação com a pratica do bem, do amor e da caridade, inclusive, os deveres da vida estão acima dela própria.


Naturalmente, todos, sem exceção, temos algo em comum: a morte. Contudo, compete-nos retornar através do fenômeno denominado “morte” deixando uma semente de exemplo do bem. Não somos arvore estéril que nada produz, nem porcos que apenas comem e dormem. A vida, para os homens, traz-nos um sentido mais evolutivo. Certamente, não para aplausos dos homens, mas um escritor Romano já advertia-nos: “Necesse est ut eam, non ut vivam” - é preciso que eu vá, não que eu viva!.


A Lei de Ação e Reação é inquestionável, irrevogável, temos o livre arbítrio de realizar o que desejarmos, mas a colheita é obrigatória.


A imortalidade da alma é um dos preceitos maçônicos, denotando a representação de uma Verdade eterna.


Acreditamos que as ações dos maçons são os melhores comentários do que seja Maçonaria, embora estejamos distantes da perfeição e de alguns ensinos ministrados por Jesus, por exemplo, em Mateus 19,21, “Vende quae habes, et da pauperibus” - Vende o que tens, e dá-o aos pobres. Afinal, Zaqueu encontrou a si ao reparar os erros cometidos.


Finalmente, somos conscientes que o tempo urge, necessário agilizar nosso trabalho de tornar feliz a humanidade. Cita o Padre Antonio Vieira em “Sermões” - “Assim o ponderou El-rei Agag, vendo-se condenado à morte pelo profeta Samuel: Siccine separat, amara mors? É possível, morte amarga, que assim me apartas? - Assim. Apartava-o da mulher, dos filhos, dos vassalos, dos amigos, e de tudo o que amava, ou de que era amado na vida. E a este apartamento chamou com razão a maior amargura da morte: Amara mors”.


Para entendimento do bem, do bom e do belo, meia palavra basta. O Mestre Jesus é modelo para seguir, pois, torna-se suave nosso jugo, quando compreendemos os encargos da vida e que a Maçonaria representa a lidima Escola de nossas almas.
 
Walter Sarmento

terça-feira, 13 de junho de 2017


Maçonaria é Caminhada
Charles Evaldo Boller
 
Sinopse: Incentivo a caminhada maçonicamente orientada.
 
Pode-se descrever a Maçonaria como instituição de formação cívica, moral, escola de deveres, ciência de busca da verdade divina, instituição orgânica de moralidade com objetivo de eliminar ignorância, realizar filantropia, combater vícios e inspirar amor na humanidade. Mas Maçonaria não é definível. Isto porque abrange todo o conhecimento humano conhecido e desconhecido. A marcha do simbolismo representa esta diversidade do pensamento como o sair da reta e retornar para ela. Cabe ao maçom duvidar de verdades, modifica-las e retornar fortalecido para a reta, em direção à sabedoria. O vaivém da dúvida define a Maçonaria Especulativa, a especulação do pensamento lato, a busca na racionalidade em respostas a questões que orientam e constroem o homem.
 
Inicialmente o maçom lida com o "conhece a ti mesmo", de Sócrates. Caminha na reta, busca conhecer-se. Aperfeiçoa o intelecto na materialidade onde se identifica como indivíduo. Desbasta a pedra bruta em sua manifestação material. Especula em torno de um espírito de condição melhorada onde desenvolve a admiração ao conceito de Grande Arquiteto do Universo. É caminhada para a espiritualidade. Vê a luz da sabedoria que solicitou ver e inicia uma amizade com esta sabedoria. Num segundo estágio trabalha o "penso, logo existo", de Descartes. Pensar é ser. O pensamento vai mais longe. Diagnostica o ser, transcende a si mesmo. Busca metas e conhecimentos fora da reta. Começa a especular e, com isso, adivinha outras belezas que o conhecimento ainda não determinou. Descobre que o pensamento busca a luz que solicitou e consubstancia riquezas que o tirano não pode usurpar. Busca o conteúdo interno da pedra que tende a transformar-se em pedra polida na relação direta com que especula sua realidade e razão de ser. Torna-se ainda mais amigo da sabedoria.
 
A Maçonaria Especulativa tem por objetivo espalhar os pensamentos da ordem maçônica para todos os cantos da Terra e é essencialmente conspiratória. Conspirações que, pelo pensamento especulativo iluminista mudou profundamente o desenho político nos séculos dezessete e dezoito onde promoveu a independência de países e fomentou a Democracia. Maçons especularam em templos maçônicos e realizaram magníficas obras em prol da sociedade. Não guardaram segredo da ação maçonicamente orientada. Divulgaram e agiram conforme o que debateram nos templos.
 
Maçom! Não permita que o fogo da Maçonaria Especulativa se apague dentro de ti. Não te restrinja ao cumprimento automático de rituais e estudos obrigatórios ou esqueça-se da essência do pensamento especulativo de onde nasce a capacidade de mudar a si mesmo e à sociedade. Teu dever é opor-se a obscurantismo, despotismo e tirania. Coloque em prática o que desenvolve em loja. Continue cada vez mais amigo da sabedoria, do grego "philos" "sophia". Ser maçom é filosofar! Para divulgar a filosofia da Maçonaria use de todos os meios disponíveis de comunicação. Os pensamentos que iniciam dentro de loja devem continuar em todos os recantos e até no espaço cibernético. Não divulgar o que se especula e conspira em loja torna sem propósito o reunir-se em templos maçônicos. O maçom especulativo livre não permite que lhe calem ou subjuguem o direito de pensar e expor seus pensamentos especulativos onde quer que seja! Romper com esta obrigação tomada por juramento é falhar consigo mesmo e a sociedade.
 
A caminhada pelo simbolismo da Maçonaria é o ensino fundamental no Rito Escocês Antigo e Aceito. Outras portas são abertas, numa preparação que pode levar até quinze anos para se chegar ao doutorado e então iniciar outra caminhada, com outros alvos de servir a Maçonaria Especulativa, a si mesmo, aos irmãos e a sociedade. A caminhada para manter vivas as três colunas do simbolismo que suportam o Rito Escocês Antigo e Aceito honram e glorificam a criação do Grande Arquiteto do Universo. Isto não se faz sem tornar-se amigo íntimo da sabedoria e divulgar a filosofia da Maçonaria a todos os cantos da Terra.
 
Bibliografia:
 
1. CAMINO, Rizzardo da, Simbolismo do Primeiro Grau, Aprendiz, ISBN 85-7374-076-0, primeira edição, Madras Editora limitada., 188 páginas, São Paulo, 1998;
2. FAGUNDES, Morivalde Calvet, Uma Visão Dialética da Maçonaria Brasileira, Coleção Pensamento Maçônico Contemporâneo, primeira edição, Editora Aurora Limitada, 64 páginas, Rio de Janeiro;
3. PIKE, Albert, Morals and Dogmas, primeira edição, 1076 páginas, Estados Unidos da América, 2008;
4. QUADROS, Bruno Pagani, O Pensador do Primeiro Grau, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 978-85-7252-247-2, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 184 páginas, Londrina, 2007;
5. SOUTO, Élcio, O Iniciado, Drama Cósmico Maçônico, ISBN 85-7374-331-X, primeira edição, Madras Editora limitada., 106 páginas, São Paulo, 2001.
 
Data do texto: 13/09/2011.
Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, autor, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.
Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná.
Rito: Rito Escocês Antigo e Aceito
Local: Curitiba.
Grau do Texto: Aprendiz Maçom.
Área de Estudo: Educação, Espiritualidade, Filosofia, Maçonaria, Pensamento.

domingo, 11 de junho de 2017


Caminho

 

O Supremo Senhor fala:

Quando um homem renuncia aos desejos dos sentidos engendrados pela mente, obtendo contentamento unicamente no Eu, diz-se então que alcançou a consciência divina.


Quem está sempre tranquilo apesar das três misérias; quem não se deixa exaltar quando há felicidade; quem está livre do apego; quem não tem ódio nem medo; merece o nome de Sábio.


Neste mundo transitório quem não se deixa afetar pelo bem ou pelo mal que poderão sobrevir, sem louvá-lo ou maldizê-lo, já se encontra situado na consciência divina.


Aquele que for capaz de retirar os sentidos de todos os seus objetos assim como a tartaruga recolhe os membros no casco, deve ser considerado um ser auto realizado.


A alma corporificada consegue renunciar aos prazeres dos sentidos muito embora ela não perca o sentido do prazer.

Porque, depois de provar o gozo transcendental, ela fixa a consciência.

Os sentidos são tão fortes que conseguem arrastar mesmo a mente do homem sóbrio que se esforça por domá-los.

Quem controla os seus sentidos concentrando-se em Mim pode ser considerado um homem de mente estável.


Ao contemplar os objetos a eles nos apegamos, do apego vem a luxúria, e da luxúria a ira.


Da ira vem a ilusão, a ilusão turba a memória.

A memória confundida desbarata a inteligência, e quando esta se destrói cai-se de novo no poço.


Quem controla os seus sentidos por praticar os princípios da liberdade regrada recebe misericórdia e então fica liberado da aversão e do desejo.


E para quem recebeu misericórdia divina já não existem misérias, e a inteligência fixa-se nessa condição feliz.


Sem consciência divina a mente não se controla nem se fixa a inteligência, sem o quê, não existe a paz.


E onde não existe paz, pode haver felicidade?


Assim como um vento forte leva um barco mar afora, apenas um dos sentidos em que a mente se detenha pode levar para longe a inteligência do homem.


Arjuna de braços fortes, aquele cujos sentidos estão livre dos objetos, tem a inteligência firme.


O que é noite para todos é tempo de despertar para os auto controlados.

E o que é manhã para todos, para o pensativo é noite.

Quem não se deixa agitar pelo fluir dos desejos que entram qual rios no mar, que no entanto fica estável, é o único que tem paz; não aceite aquele que se esforça por saciar seus desejos.

A pessoa que abandona o sentimento de posse e os desejos dos sentidos, desprovida de egoísmo, alcança a paz verdadeira.

Eis o caminho da vida, divina e espiritual, onde não existe engano. Indo por este caminho, mesmo na hora da morte, chega-se ao Reino de Deus.

(trecho do Livro Sagrado Indiano: Bhagavad Gita).