segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017


O Poder do Pensamento e da Palavra
 
Antes de pronunciar, devemos “medir” a palavra. O bom ou mau emprego que os homens fazem das palavras e pensamentos é a causa da maioria das misérias ou das felicidades por que passam.
 
Na verdade, o mundo em que vivemos foi criado por nossos pensamentos e palavras, pois somos hoje fruto do que pensamos ontem e seremos amanhã fruto do que pensamos agora.
 
Todos nós, por certo, já tivemos oportunidade de ver, ao lançarmos uma pedra no meio de uma poça d’água, que se formam ondas concêntricas que vão até as margens. Não percebemos, entretanto, que essas ondas retornam ao ponto em que caiu a pedra. É o que ocorre com os pensamentos e palavras que emitimos e pronunciamos. Eles põem em movimento certas vibrações que se propagam em círculos crescentes até alcançarem o universo, voltando em seguida ao seu emissor.
 
Basta meditarmos um pouco a esse respeito para verificarmos que, de fato, os pensamentos são como mensagens que enviamos e retornam a nós, mais cedo ou mais tarde.
 
Dos sinais escritos ou sonoros que utilizarmos para comunicarmos com nossos semelhantes, a PALAVRA, é a unidade mais simples. A comunicação pela palavra vocal, é uma das experiências mais admiráveis de nossa condição de seres espirituais e biológicos. Com uma simples vibração sonora, captada pelo ouvido do interlocutor, podemos transmitir as idéias abstratas e os sentimentos mais sutis. Deduz-se pois, ser um aviltamento da dignidade humana, valer-se da PALAVRA que é um puro sinal, para veicular a MENTIRA. Em várias oportunidades empenhamos nossas palavras através de juramento, os quais, não devemos olvidá-los jamais. Se temos discernimento suficiente para distinguir o BEM do MAL, o CERTO do ERRADO, a VERDADE da MENTIRA, a JUSTIÇA da INJUSTIÇA, por quê, juramos? O ideal, seria que não se falseasse a “VERDADE”, porém, da forma quem sabe irrefletida, ela é camuflada para vitória da “MENTIRA”, embora esta seja notada e repudiada. Nossas palavras, devem ser tão honestas que correspondam à sua função de possibilitar a comunicação entre os homens e especialmente entre os IRMÃOS, à base da VERDADE, da LIBERDADE, da SINCERIDADE, da JUSTIÇA para que efetivamente, sejamos todos iguais nos nossos DEVERES, DIREITOS, na LIBERDADE DE PENSAR, seguir, agir e sobretudo na MORAL. A MORAL dignifica e eleva o homem, possibilitando o seu ingresso na Sublime Instituição. Na PALAVRA não deve haver sofisma que é o argumento falso, intencionalmente feito para induzir outrem ao erro. E quantos já não foram persuadidos ao erro?
 
Todos estamos sujeitos a cometer erros. Ninguém alcançou a alta posição em que se ache tão livre do erro, e quando alguém chega a esse estado, não condena; compadece-se das condições limitadas de seu irmão e procura fazer-lhe mais fácil a vida pela alegria e a bondade. Lembremo-nos do poder do pensamento e empreguemo-lo para ajudar e não para dificultar. Devemos despir-nos das ilusões de erudição e intelectualidade e com a grandeza que pressentimos pelo coração, sem desprezar os Irmãos menos ilustrados e que entendemos pela razão, veremos que nosso caminho na vida se tornará mais fácil e nosso ambiente mais harmonioso e belo.
 
A PALAVRA, pode mudar o sentido da intenção; daí, a razão para que nos exercitamos em dizer somente a VERDADE e nada mais que a pura VERDADE. A PALAVRA certa deve ser o reflexo exato de nossa idéia. A PALAVRA exata deve ser o instrumento perfeito para corrigir, ensinar, esclarecer, orientar e sobretudo, decidir com segurança e firmeza. A PALAVRA deve ser o cinzel de esculpir amigos e IRMÃOS; deve ser o instrumento da PAZ universal e a base fundamental para o justo e perfeito funcionamento das Oficinas Maçônicas, que aqui estão para nos fazer aprender e progredir e para tanto nos solicita ações e palavras compatíveis.
 
Falemos pois com reflexão, usando apenas palavras incentivadoras do bem, do amor e da verdade, dando o exemplo daquilo que queremos para todos nós, qual seja a tarefa de lapidar os nossos próprios defeitos; - já disse alguém que, ao apontarmos nosso indicador para condenar uma pessoa, estamos apontando, ao mesmo tempo, o mínimo, o anular e o médio para nós mesmos. Isto significa que o mal que vemos nos outros está em nós, embora algumas vezes em estado latente, assemelhando-se à gota d’água que, se olhada ao microscópio, apresenta inúmeras impurezas, apesar de a vermos normalmente cristalina e pura.
 
Certas expressões, determinadas palavras, especialmente as chulas e pejorativas, devem ser evitadas. Se já o deve ser em nosso cotidiano, até por uma questão de decência e educação, que dizer então quando no uso da PALAVRA, dirigindo-nos aos Aprendizes e Companheiros que esperam o melhor de seus Mestres? Sim, pois, considerando que o objetivo da Maçonaria é o aprimoramento intelecto-moral do ser humano, toda expressão, frase, palavra que usemos, que seja para construir, elevar, moralizar.
 
Convenhamos que certas palavras e expressões do cotidiano da vida humana denigrem a boa formação moral que desejamos conquistar e transmitir às pessoas que porventura nos ouçam.
 
Lembremo-nos de que: “Da conduta dos Maçons depende o destino da Sublime Instituição”.
 
Claro que isto não é exclusivo com o uso da PALAVRA, mas estende-se a toda e qualquer atividade, qualquer que seja ela em sua execução nas Lojas Maçônicas, devem estar coerentes com a própria índole doutrinária da Maçonaria: seriedade, bondade, afeto, respeito, solidariedade, discrição, caridade, tolerância, enfim...
 
Aqui falamos entre Irmãos. É aqui que desbastamos e lapidamos os nossos erros e exaltamos os nossos acertos. Se temos uma idéia para apresentar em Loja, devemos fazê-lo não importa se falamos o idioma corretamente, com incorreções ou sotaques, com eloqüência, adornos empolados ou pomposos. Nada adianta a forma primorosa do discurso, se vazio de conteúdo. É claro que uns falam com facilidade, as palavras fluem maravilhosamente em seus lábios e outros tropeçam a cada palavra pronunciada, mas o importante é que a imaginação, a idéia, seja externada aos demais. Não é por não sabermos falar em público que vamos deixar de apresentar a nossa opinião, a nossa sugestão, a nossa crítica construtiva, sobre determinado assunto. A Loja é a nossa casa e nos reunimos ao lado dos nossos Irmãos, por que ficarmos mudos?
 
Mesmo quando argumentam algo sobre o que discordamos, sempre podemos elogiar a justeza e os conceitos apesar do nosso desacordo. Isso ameniza a argumentação e contribui para o respeito mútuo entre os Irmãos. Não haverá susceptibilidade ferida. Chega até a causar no discordado a agradável impressão de que “cresceu”. O amor próprio permanece intacto e chega-se ao objetivo deixando como lastro um bom clima de entendimento na Loja, irmanando-nos cada vez mais. Quem meditar sobre isto, acabará por concluir que usamos impropriamente o verbo perder, pois na realidade ganhamos. Ganhou o Irmão do qual discordamos e ganhamos todos nós.
 
Mas vejam bem meus Irmãos, até em simples votação em Ordem do Dia, acontecem desentendimentos e até a propalada quebra de harmonia, quando um Irmão se aborrece por uma proposta sua ter sido rejeitada. Será que somos o supra-sumo, o auge, o requinte da verdade, para que todas as nossas propostas sejam as melhores e aprovadas? Temos que ser humildes e submeter-nos à sabedoria da Assembléia, que é formada por homens livres e de bons costumes.
 
Se desejarmos um mundo melhor, procuremos em primeiro lugar, melhorar-nos controlando nossa mente e nossa língua, a fim de não ferirmos ninguém por pensamentos ou palavras.
 
Como Obreiros do Grande Arquiteto do Universo, prestemos, pois, muita atenção no que PENSAMOS, no que FALAMOS e no que FAZEMOS e como fazemos, procurando sempre construir um mundo de harmonia, felicidade e paz, mediante a argamassa de pensamentos de compreensão e tijolos de palavras de amor e bondade.
 
Valdemar Sansão
 
E-mail: vsansao@uol.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
 
Fone: (011) 3857-3402
 
Devemos ser em nossos Templos, fábricas incessantes de fraternidade, carinho, ajuda, compreensão, de Verdade, de tolerância, de harmonia, para podermos distribuir os mesmos, além do portal de nossos Templos. Não poderemos repartir essas virtudes se não as praticarmos e as produzirmos em grande quantidade.

domingo, 19 de fevereiro de 2017


 
BREVIÁRIO MAÇÔNICO - SACO DE BENEFICÊNCIA
 
Em tempos passados, as bolsas ou recipientes destinados a recolher a coleta eram confeccionados em aniagem, ou seja, em fibras de juta, para demonstrar que se destinavam a coletar óbulos para os humildes e necessitados. Posteriormente, passou a denominar-se de bolsa beneficente ou tronco de solidariedade, confeccionados com panos nobres, como veludo, cetim etc. O “giro” da bolsa beneficente obedece a um ato litúrgico dos mais importantes, porque quando o maçom deposita o seu óbulo, estará depositando a si mesmo, ou seja, os seus benefícios fluidos das pontas de seus dedos. “Imantando” o óbulo. O Hospitaleiro, que é o oficial que procede o giro e a coleta, sigilosamente, distribuirá o fruto a quem dele necessitar, excluídos os próprios maçons. Se um maçom vier a tornar-se um necessitado, o auxilio que receberá será da Loja, com todo o afeto e eficiência; não receberá esmola, mas auxílio obrigatório. Tu, maçom, ao depositares teu óbulo, seja altruísta e distribuas parte do que o bom Deus te propiciou.
 
. Ir.'. RIZZARDO DA CAMINO

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017


Amigos e Inimigos

 

 

O amigo é uma bênção.

O inimigo, entretanto, é também um auxílio, se nos dispomos a aproveitá-lo.

O companheiro enxerga os nossos acertos, estimulando-nos na construção do melhor de que sejamos capazes.

O adversário identifica os nossos erros, impelindo-nos a suprimir a parte menos desejável de nossa vida.

O amigo se rejubila conosco, diante de pequeninos trechos de tarefa executada.

O inimigo nos aponta a extensão da obra que nos compete realizar.

O companheiro nos dá força.

O adversário nos mede a resistência.

Quem nos estima, frequentemente categoriza nossos sonhos por serviços feitos, tão só para induzir-nos a trabalhar.

Quem nos hostiliza, porém, não nos nega valor, porquanto não nos ignora e sim nos combate, reconhecendo-nos a presença em ação.

Na fase deficitária da evolução que ainda nos caracteriza, precisamos do amigo que nos encoraja e do inimigo que nos observa.

Sem o companheiro, estaremos sem apoio e, sem o adversário, ser-nos-á indispensável enorme elevação para não tombar em desequilíbrio. Isso porque o amigo traz a cooperação e o inimigo forma o teste.

Qualquer servidor de consciência tranquila se regozija com o amparo do companheiro, mas deve igualmente honrar-se com a crítica do adversário que o ajuda na solução dos problemas do reajuste.

Jesus foi peremptório em nos recomendando:

"Amai os vossos inimigos". Saibamos agradecer a quem nos corrige as falhas, guardando-nos o passo em caminho melhor.

 

Emmanuel

 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Maçonaria como Disciplina Acadêmica

O ESTUDO DA MAÇONARIA COMO UMA NOVA DISCIPLINA ACADÊMICA
Dr. ANDREW PRESCOTT

Tradução José Antonio de Souza Filardo

‘Por que Reis e Príncipes, nobres, juízes e estadistas, soldados e marinheiros, Clero e doutores, e homens de todas as esferas da vida procuram adentrar os Portais da Maçonaria? G. W. Daynes, The Birth and Growth of the Grand Lodge of England (Londres: Masonic Record, 1926), p. 185.
Introdução
O livro de Stephen Yeo de 1976, Religiões e organizações Voluntárias em Crise, é um estudo da vida social da cidade de inglesa de Reading entre 1890 e 1914. [i] Yeo descreve uma cidade cujo tecido social era unido por muitas associações e atividades voluntárias “de capelas Congregacional até a Federação Social Democrata, do Hospital Sunday Parades até Sociedades Literárias e Científicas”. [Ii] Esta ecologia social estava enraizada nas igrejas e em uma cultura paternalista incentivada por grandes empregadores, tais como os famosos fabricantes de biscoitos de Reading, Huntley & Palmer. Yeo pinta um retrato vívido de uma cultura associativa vibrante, que agora praticamente desapareceu. No entanto, Yeo admite, houve uma grande omissão em seu estudo. Ele descreve como “Um ministro Congregacionalista na década de 60, mostrando-me as fotografias de diáconos, etc., na parede da sacristia da sua capela, contou-me que eu não poderia realmente compreender a vida em capela do século 19 sem saber alguma coisa sobre os maçons”. Os vigários de St. Mary’s e de St. Giles em diferentes datas antes de 1914 eram ambos altos oficiais na hierarquia maçônica local. “[Iii] Yeo foi ao salão maçônico local, mas não lhe foi permitido examinar os registros ali mantidos”. Os maçons, uma das maiores e mais prestigiadas organizações voluntárias de Reading, com três lojas distintas em 1895 [iv] foram consequentemente deixados de fora do livro de Yeo.
Desde que Yeo escreveu, tem havido uma revolução silenciosa na maçonaria inglesa. Parcialmente em resposta aos ataques à maçonaria por escritores como Stephen Knight, bibliotecas e museus maçônicos foram abertas ao público. A magnífica Biblioteca e Museu da Maçonaria no Freemasons’ Hall em Londres, oferece visitas públicas diárias, e em 2002 um evento ‘Open House’, atraiu mais de 2.000 visitantes em um único dia. Sua biblioteca está disponível gratuitamente para estudiosos e listas de sua correspondência histórica e respostas de membros iniciais estão sendo montadas na internet. [V] A Província de Berkshire, onde se localiza Reading, tem uma das maiores bibliotecas provinciais, com mais de 13.000 livros, e a biblioteca agora está aberta diariamente ao público em geral. Berkshire foi uma das primeiras províncias inglesas a criar um site na web. [Vi] eu mesmo sou uma encarnação dessa nova política. Em 2000, a Universidade de Sheffield estabeleceu, com financiamento da Grande Loja Unida, a província de Yorkshire West Reading, e Lord Northampton, o Pro Grão Mestre, o primeiro centro em uma universidade britânica dedicado ao estudo acadêmico de maçonaria. [Vii] Embora eu não seja maçom, fui nomeado como o primeiro Diretor deste centro.
É claro que o cuidado da Grande Loja Inglesa que Yeo sofreu não foi compartilhado por todas as Grandes Lojas Europeias. O Grande Oriente da Holanda há muitos anos deu boas-vindas aos estudiosos que desejavam utilizar sua notável biblioteca. [viii] Pouco depois que o livro de Yeo foi publicado, a Professora Margaret Jacob usou da biblioteca do Grande Oriente e seu livro resultante, Iluminismo Radical: Panteístas, Maçons e Republicanos [ix] alterou profundamente a nossa percepção da história cultural da Europa do século XVIII. [X] A boa-vontade do Grande Oriente da Holanda e, disponibilizar suas coleções aos estudiosos desempenhou um papel significativo no aumento do interesse acadêmico pela maçonaria ao longo dos últimos 20 anos. Trevor Stewart recentemente compilou uma bibliografia de artigos sobre a maçonaria europeia, que apareceu em periódicos acadêmicos desde 1980. Esta contém 269 itens, e até mesmo isso dá apenas uma visão parcial de toda a extensão da pesquisa sobre a maçonaria, uma vez que ela exclui artigos sobre a América, África e Ásia, bem como periódicos publicados por organismos maçônicos, teses e monografias. [xi]
Apesar de todo esse trabalho, nosso quadro da maçonaria continua fragmentado. Em muitos países, particularmente na Inglaterra, a Maçonaria é ainda considerada um assunto exótico, fora do meio acadêmico geral. [xii] Ele é frequentemente esquecido pelos estudiosos, mesmo quando devesse se ampliar. Por exemplo, a biografia do Duque de Connaught por Noble Frankland de 1993, que como Grão-Mestre de 1901-1939 foi uma das figuras dominantes na maçonaria inglesa moderna, não faz menção da carreira maçônica do duque. [xiii] O quadro é naturalmente diferente na Europa e Estados Unidos, onde há um interesse acadêmico de longa data pela maçonaria, mas até aqui não há um consenso geral sobre a importância e o significado da maçonaria. A bibliografia de Trevor Stewart ilustra como a maçonaria é relevante para uma enorme gama de assuntos, desde a história da jardinagem até estudos de teatro, mas os temas mais amplos não são imediatamente evidentes. Os estudiosos usam, frequentemente, provas maçônicas simplesmente para confirmar e ilustrar ainda mais os temas e ideias estabelecidos. A história da maçonaria francesa de Pierre Chevallier é uma das grandes conquistas da erudição maçônica, mas no final ela apenas reforça a historiografia republicana tradicional francesa. [xiv] As limitações da pesquisa acadêmica atual sobre a Maçonaria são simbolizadas por um estudo recente de William Weisberger, sobre o papel da maçonaria de Praga e Viena no Iluminismo. [xv] Embora o ensaio documente cuidadosamente as atividades das lojas Checas e Austríacas, o valor do estudo é limitado por sua visão estereotipada e banal do Iluminismo. [xvi] Trabalhos como o de Margaret Jacob, que usa elementos maçônicos como um trampolim para o desenvolvimento de novas perspectivas que alteram nossa visão de todo um período são extremamente raros.
À medida que a exploração dos arquivos maçônicos por estudiosos continua, que tipo de temas mais amplos surgirá? Se a pesquisa sobre a Maçonaria afirma ser uma nova disciplina acadêmica emergentes, quais serão suas características distintivas? Posso apenas esboçar brevemente algumas das possibilidades aqui, e espero que me perdoem se eu limitar as minhas observações à Grã-Bretanha, já que este tem sido o foco de minha própria pesquisa.
Dados históricos e sociais nos Arquivos Maçônicos
À medida que continuamos a explorar o arquivo maçônico, encontraremos uma grande quantidade de informações sobre tipos antigos da história, sobre a realeza, políticos e governos, e isso não pode ser ignorado. Muitos dos Grãos Mestres ingleses desde 1782 foram membros da família real, mas o significado disso para a monarquia britânica como instituição, nunca foi completamente pesquisado. [xvii] A Maçonaria é uma das instituições britânicas em que a aristocracia ainda exerce grande influência e o papel da aristocracia na maçonaria britânica oferece uma área frutífera de estudo para acadêmicos interessados no declínio e queda da aristocracia britânica. Ocasionalmente, a Maçonaria foi envolvida em eventos políticos mais amplos. Por exemplo, em 1929, pouco antes da eleição do segundo governo trabalhista, uma nova loja maçônica, a New Welcome Lodge No. 5139 foi formada a pedido do então Príncipe de Gales. [xviii] Esta loja era destinada exclusivamente a funcionários e diretores, membros do partido Trabalhista, e reflete a preocupação de que militantes do Partido Trabalhista tivessem sido, com frequência recusados por Lojas Maçônicas. A New Welcome Lodge tinha por objetivo garantir que o novo governo socialista não se alienasse da maçonaria. Também se esperava que a loja atraísse mais trabalhadores para a maçonaria, e que os valores maçônicos reduzissem ‘influências perturbadoras’ no chão de fábrica. [xix] Embora a New Welcome Lodge tivesse inicialmente muito sucesso no recrutamento de deputados trabalhistas (incluindo Sir Robert Young, o Presidente-adjunto, Arthur Greenwood, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Vice-Líder do Partido Trabalhista, e Lindsay Scott, secretário do Partido Trabalhista), [xx], a formação do Governo Nacional alterou a situação política, e a partir de 1934, a New Welcome Lodge foi aberta a deputados de todos os partidos e ao pessoal que trabalhava no Palácio de Westminster, tornando-se, essencialmente, um anexo do Palácio de Westminster. [xxi]
Sem dúvida, as informações mais fascinantes nos arquivos maçônicos são os detalhes sobre pessoas conhecidas que eram maçons. O reformador social e legal, Lord Brougham foi iniciado maçom em um impulso, enquanto estava de férias nas Ilhas Hébridas. [xxii] Foi este um episódio passageiro na vida de Brougham, ou os valores da maçonaria influenciaram as reformas legais de Brougham? A mesma pergunta pode ser feita sobre muitas outras figuras de destaque na história britânica que eram maçons. Em julho de 1885, o jornal inglês maçônico, The Freemason, relacionava membros do governo e da família real que eram maçons. [xxiii] Entre os citados pelo The Freemason estavam Sir Charles Dilke, Presidente do Conselho de Governo Local de 1882-1885, que era o líder da facção radical dentro do Partido Liberal e o mais eminente defensor do republicanismo. Apesar de seus pontos de vista republicanos, Dilke se tornou um amigo íntimo do príncipe de Gales. Até onde essa amizade foi fomentada por suas participações na maçonaria? Da mesma forma, Dilke estava próximo aos líderes republicanos franceses, como Gambetta, que também eram maçons. A lista do The Freemason também incluía um dos opositores políticos de Dilke, Lorde Randolph Churchill, pai de Sir Winston Churchill. Lorde Randolph era um conservador populista cuja personalidade era uma das mais intrigantes na política do século XIX. No caso de Lorde Randolph, uma investigação mais aprofundada de sua carreira maçônica seria interessante até onde ela pudesse ajudar a interpretar seu personagem difícil.
Assim como o arquivo maçônicas fornecem novas informações sobre pessoas, eles, da mesma forma, lançam uma nova luz sobre os lugares. Os arquivos maçônicos são particularmente ricos em informações sobre a vida local e as redes sociais. A campanha por um governo mais democrático da cidade na década de 1820 e 1830 foi ofuscada pelo movimento pela reforma parlamentar; mas a reforma municipal foi, de certa forma, um foco mais potente de ativismo político local. Na cidade de Monmouth, nas fronteiras galesas, uma campanha contra o controle da cidade pelo Duque de Beaufort criou polêmica local acirrada na década de 1820. [xxiv] Os arquivos do Grande Loja Inglesa incluem correspondência que fornece novas informações sobre essa disputa. [xxv] O líder do Partido Reformista, Trevor Philpotts, era o venerável mestre da loja maçônica local, a Royal Augustus Lodge. Um dos membros da loja era Joseph Price, membro mal-humorado do grupo que se opunha à reforma. Em 1821, Price foi acusado por Philpotts de abusar de sua posição como magistrado, ao conceder tratamento preferencial a um amigo na prisão. A loja maçônica aprovou uma série de resoluções contra Price, uma das quais se refere ao seu alegado abuso de sua autoridade judicial. Preço protestou junto ao Grão-Mestre, o Duque de Sussex, que este procedimento não era maçônico. O Duque suspendeu a loja, para desgosto de Philpotts que estava ansioso para que a loja participasse na próxima consagração de uma loja na cidade vizinha de Newport. Depois de protestos de Philpotts, o Duque levantou a suspensão da Loja. Esta notícia foi recebida com alegria na cidade e os sinos da igreja tocaram em festa. Isto provocou uma nova rodada de correspondência com a Grande Loja, uma vez que Price reclamou que ele só ouviu falar da decisão do Grão-Mestre neste caso, quando os sinos começaram a tocar.
Espaço Público e Privado
Como esse caso ilustra como as lojas eram uma importante característica da vida local. Desfiles e procissões eram até recentemente o maior foco da vida pública nas cidades, [xxvi] e desfiles maçônicos eram particularmente importantes, porque estavam associados a cerimônias realizadas pela maçonaria para a dedicação dos edifícios públicos e marcavam etapas importantes no desenvolvimento da cidade. [xxvii] Em Sheffield, por exemplo, a abertura de um canal proporcionando a primeira ligação da cidade ao mar em 1819 foi celebrado por procissões das lojas de Sheffield e da região, e extratos de livros de atas maçônicos descrevendo estas cerimônias foram emoldurados e exibidos com orgulho na sede da Companhia do Canal. [xxviii] Tais procissões forneciam uma face pública para a Maçonaria e associavam a Maçonaria à identidade cultural da cidade. Além disso, elas explicitamente vinculavam os maçons à remodelação física do espaço público urbano. Tais marcos na remodelação de Edimburgo entre 1750 e 1820 tais como a conclusão dos novos prédios da universidade, a ponte George IV e as docas em Leith foram marcadas por enormes procissões maçônicas. [xxix] Em Londres, o Príncipe Regente, que era Grão-Mestre da Primeira Grande Loja era a força motriz por trás da reabilitação de grande parte do extremo oeste. Quando o Príncipe como Grão-Mestre inaugurava formalmente em enormes cerimônias públicas, tais grandes edifícios novos como o Covent Garden Theatre, no local do atual Royal Opera House, essa conjunção entre Maçonaria e espaço público alcançava uma expressão muito potente. [xxx]
Enquanto a maçonaria tinha um envolvimento íntimo com o espaço público através da sua atividade processional, as reuniões de loja, ao contrário, ocorriam em um espaço privado fechado, guardado pelo Cobridor. Em um artigo recente, Hugh Urban utilizou as ideias de teóricos como Pierre Bourdieu para analisar as formas como o espaço fechado e o sigilo da reunião de loja facilitaram a elaboração de conceitos de poder social e hierarquia no final do século XIX na América. [xxxi] Alterações em relações espaciais dentro da reunião de loja podiam refletir mudanças sociais mais amplas. Mary Ann Clawson, por exemplo, mostrou como o uso de cenários de palco com arcos proscênio e quedas elaboradas de cortina em iniciações do Rito Escocês partir do final do século XIX podem estar relacionados ao aumento de atividades de lazer que destacavam o consumo de uma audiência passiva. [xxxii] Na Inglaterra, a expressão mais concreta dessa necessidade de um espaço fechado foi o desenvolvimento do templo maçônico. Até a década de 1850, a maioria das reuniões maçônicas tinha lugar em salas de tavernas, um espaço que estava na fronteira entre o privado e público. [xxxiii] A campanha para a construção de templos com finalidade maçônica foi uma expressão do fetiche de respeitabilidade que era uma característica da classe média vitoriana. Em cidades como Sheffield, os templos maçônicos faziam parte do desenvolvimento de um novo centro da cidade com praças e prédios públicos. [xxxiv] A criação de tais centros urbanos foi uma expressão espacial do poder da nova elite urbana de classe média, destinados a fornecer, nas palavras de Simon Gunn, “um centro simbólico no coração de um espaço público vazio para afirmar o poder coletivo e a presença da burguesias provincial”. [Xxxv] Os templos maçônicos no meio desses centros cívicos, dedicado às cerimônias secretas realizadas por lojas, cuja participação era, em princípio, aberta a todos os homens respeitáveis ​​da cidade, mas que, na prática, era cuidadosamente controlado, simbolizava poderosamente a natureza dessas novas elites.
Questões de Sexo, Masculinidade e Emancipação
O espaço como uma expressão de poder e hierarquia é um tema de destaque na ciência moderna para a qual o estudo da maçonaria tem muito a contribuir. Templos maçônicos e centros cívicos eram espaços masculinos, distintos de outro desenvolvimento importantes da cidade no período vitoriano – a loja de departamentos – vista como um espaço em grande parte do sexo feminino. [xxxvi] A análise de Catherine Hall e Leonore Davidoff traçando o surgimento, nos séculos XVIII e XIX de esferas separadas para diferentes sexos influenciou muito o recente trabalho sobre história social, e fornece outra poderosa ferramenta interpretativa para a história maçônica. [xxxvii] Isto é demonstrado pelos trabalhos de Robert Beachy, que recentemente discutiu como escritos apologéticos maçônicos do final do século XVIII ajudaram a popularizar o estereótipo das diferenças entre homens e mulheres, [xxxviii] e Mark Carnes, que analisou como os rituais de sociedades fraternais moldaram as visões da masculinidade da classe média na América do século XIX. [xxxix]
Os escritos maçônicos do século XIX são uma rica fonte de informações sobre o panorama social e moral do homem de classe média. [xl] Por exemplo, os sermões e discursos maçônicos são uma fonte útil, mas negligenciada d estudo da mentalidade das nova elites provinciais dos períodos vitoriano e eduardiano. Um discurso proferido por M.C. Peck, Grande Secretário Provincial de Reading Norte e Leste de Yorkshire, na sagração de um templo maçônica em Hull em 1890, descreve as qualidades esperadas de um habitante do sexo masculino honrado de Hull na época. [xli] Ele devia acreditar em Deus, tratar o seu próximo de forma justa, e cuidar de seu próprio corpo e mente. Ele deve evitar o desperdício e a intemperança, e suportar o infortúnio com firmeza. “Maçons nunca devem ser homens espertos como o mundo os chama, prontos para enganar e explorar seus companheiros. Quantas vezes ouvimos aqueles elogiarem um homem por sua perspicácia e habilidades de negócios, mas eles confiariam nele com para seus próprios negócios? Por outro lado, o homem verdadeiramente justo e honesto é o mais nobre trabalho de Deus, e ninguém pode merecer mais elogios do que ele!” Apesar do seu tom confiante, há não muito abaixo da superfície daquelas palavras uma ansiedade que lembra o comentário de Mark Carnes de que a maçonaria Vitoriana oferecia trégua das crescentes pressões económicas e sociais do mundo exterior: ‘mesmo à medida que as classes médias emergentes estavam abraçando o capitalismo e as sensibilidades burguesas, elas estavam simultaneamente criando rituais cuja mensagem era largamente oposta àqueles relacionamentos e valores”. [xlii]
Na Inglaterra, o consolo masculino oferecido pela maçonaria estava intimamente ligado às memórias da escola e da vida escolar. Paulo Rich sugeriu que as escolas públicas e a maçonaria foram elementos centrais de um ritualismo que era uma ligação cultural importante do Império Britânico. [xliii] A maçonaria permitia que o adulto do sexo masculino revivesse os rituais de ligação da escola ou da universidade. As Lojas eram fundadas especificamente para membros de determinadas escolas ou universidades, [xliv], que procuravam, nas palavras de uma circular propondo a formação de uma loja para os antigos garotos de uma pequena escola primária em Londres, para soldar ‘os estreitos laços de bem fraternal aquelas amizades que tantos de nós formamos durante nossa vida escolar’. [xlv] O relacionamento simbiótico entre a vida escolar e a Maçonaria moderna é encapsulado por um artigo sobre uma loja escolar na Revista da Escola Aldenham citado por Paul Rich, que declara que ‘eu me pergunto se você realmente sabia como era a vida na escola até que você entrou’. [Xlvi] Uma história recente de Christopher Tyerman da Harrow School, onde Sir Winston Churchill foi educado, destaca o papel central da maçonaria na vida escolar, observando que “Entre 1885 e 1971, os diretores tendiam a ser maçons, assim como muitos governadores e, muitas vezes, poderosas grupos de mestres e chefes de dormitório. [xlvii] A capela da escola estava decorada com símbolos maçônicos; em 1937, o Diretor deu aos meninos um feriado de meio-dia a pedido do Grão Mestre. [xlviii] Tyerman também observa que a maçonaria era importante na afirmação de interesses do grupo e de solidariedade profissional dos mestres. [xlix] Esse não era só o caso em escolas públicas. Dina Copelman estudou os professores das escolas primárias administradas London School Board, que foi criada em 1870. [l] A maioria desses professores eram mulheres, muitas delas casadas. [li] Como os seus colegas de escola pública, os professores do sexo masculino usavam a Maçonaria para afirmar seus status profissional e social. [lii] Em 1876, a Loja Crichton foi fundada por um grupo de professores e funcionários da London School Board, incluindo o seu Presidente e Secretário, e fundaram outras lojas incluindo principalmente professores no sul de Londres. [Liii] Estes meios de exibir credenciais de classe média não estavam disponíveis para as professoras, e seu status social e profissional era mais tênue.
O estudo de Copelman explora a fronteira entre as “duas esferas” e sugere que o processo de troca social entre os sexos era complexo. Talvez, os aspectos mais interessantes da maçonaria e sexo sejam aquelas áreas que confrontam as claras divisões de um modelo de “duas esferas”. A retórica vitoriana tardia de diferença sexual retratava as mulheres como clientes e consumidoras, mas os espaços privados da loja maçônica permitiam aos homens se dar o luxo de exibição visível. Os maçons compravam joias de enorme valor para usar em suas lojas, e decoravam seus templos com móveis e acessórios de grande opulência. [liv] Nas lojas maçônicas, como Kennings em Londres eles tinham suas próprias lojas de departamentos. [lv] De maneira semelhante, a filantropia era uma área em que diferentes gêneros tiveram papéis distintos. [lvi], mas a atividade caritativa maçônica poderia tranquilamente atravessar algumas dessas distinções.
Acima de tudo, no outro sentido, a maçonaria de mulheres ofereceu uma saída social significativa para as mulheres. Janet Burke e Margaret Jacob argumentaram que a as Lojas de Adoção possibilitaram que as mulheres, através da maçonaria, se envolvessem com a sociedade civil emergente no século XVIII. [LVII] James Smith Allen e Mark Carnes recentemente documentaram a ampla participação das mulheres em organizações fraternais no século XIX, [lviii] enquanto a Co-Maçonaria, através de figuras como Annie Besant e Charlotte Despard desempenhou um papel significativo no movimento pelo sufrágio feminino [lix] com mulheres maçons comparecendo a marchas pelo sufrágio usando seus paramentos. [lx]
Raça, Império e Nacionalidade
No passado, havia uma ênfase exagerada na importância da atividade econômica como um componente da identidade social. O estudo de gênero tem sido uma maneira em que os estudiosos vêm demonstrando a complexidade da identidade social; outra foi a raça, uma área onde a pesquisa sobre a Maçonaria oferece possibilidades emocionantes. A ilustração mais conhecida disto é a maçonaria Prince Hall, a forma de maçonaria organizadas pelos negros nos Estados Unidos, [lxi] que tem sido vista por estudiosos como William Muraskin e Loretta Williams como importante na definição e na criação de uma classe média negra na América [LXII], apesar de Williams em particular, enfatizar a contradição entre a ideologia universalista da Maçonaria e o caráter distinto segregado da maçonaria Prince Hall. [lxiii] Existem muitas outras áreas em que a Maçonaria oferece percepções sobre a etnia, que são menos bem exploradas. A Maçonaria foi um importante componente cultural do Império Britânico. O Pro Grão Mestre inglês Lorde Carnarvon declarou na década de 1880 que “Aonde a bandeira vai, lá vai a maçonaria para consolidar o Império. [Lxiv] A loja de raça mista oferecia um espaço social em que o colonizador e o colonizado se misturavam no Império Britânico. Rudyard Kipling declarado de sua loja, em Lahore, que “não há coisas tais como infiéis entre os Irmãos pretos e marrons”. [lxv] A importância desta área de pesquisa foi brilhantemente demonstrada por um estudo de Augustus Casely-Hayford e Richard Rathbone da maçonaria em Gana colonial. [lxvi] Isto mostra como “a maçonaria estava entre as malas e bagagem tanto do império formal quanto do informal. [lxvii] Ela facilitava contatos comerciais e oferecia um meio de sinalização “realização, muito trabalho, dignidade e, em alguns casos berço de ouro”. [lxviii] Ela oferecia um vínculo importante nas políticas racial e nacional da colônia, com muitos membros do Congresso Nacional da África Ocidental sendo maçons. Intimamente relacionado com a raça é o papel da maçonaria na formação da identidade nacional. Por exemplo, na Grã-Bretanha a maçonaria era uma poderosa expressão do estabelecimento Hanoveriano, [lxix], enquanto que era, por outro lado, em França, na década de 1870, uma das forças por trás do desenvolvimento do moderno republicanismo francês. [lxx]
A interação entre a maçonaria, nacionalidade, raça e classe é muito bem ilustrada por um estudo clássico de Abner Cohen da maçonaria em Serra Leoa, que é um modelo de como a pesquisa acadêmica de Maçonaria deve ser realizada. [lxxi] Cohen descobriu que, em 1971, existiam dezessete lojas maçônicas em Freetown, com cerca de dois mil membros, a maioria dos quais era Africana. A maioria destes maçons negros eram Creoles, descendentes de escravos emancipados entre 1780 e 1850, um grupo alfabetizado, altamente educado e profissionalmente diferenciado, que foram primeiro considerados e em seguida menosprezados pelos administradores britânicos. Cohen constatou que um em cada três Creoles eram maçons. Cohen relacionou o envolvimento Creole na maçonaria aos ataques sobre o poder Creole durante o período a partir de 1947. Ele concluiu que “em grande parte sem qualquer política consciente ou projeto, os rituais e organização maçônicos ajudaram a articular uma organização informal que ajudou os Creoles a proteger a sua posição diante de ameaça política”. [lxxii]
Redes Sociais
O estudo de Cohen levanta um tema final importante, o das redes sociais. Como estudiosos têm explorado cada vez mais a natureza pluralista da identidade social, a importância da análise das redes sociais tornou-se evidente. Fatores tais como a medida que todo mundo conhece todo mundo (“acessibilidade”); as diferentes formas como as pessoas estão ligadas (“multiplexidade’) e as obrigações impostas pelas redes a seus membros (“ intensidade”) são essenciais para a compreensão de como as sociedades locais, a maçonaria e outros grupos fraternais têm um efeito importante sobre essas dinâmicas. [lxxiii] Os arquivos maçônicos são ricos em material para pesquisar redes sociais, não apenas em fontes tão óbvias quanto listas de adesão, mas também em petições e correspondência, onde, ao discutir a necessidade de uma loja, suas conexões sociais podem ser descritas. Por exemplo, uma carta de uma loja formada por trabalhadores em Stratford, no leste de Londres, protestando contra uma decisão da Grande Loja Inglesa de que ela era um corpo maçônico espúrio, contém a seguinte declaração incomumente explícita das vantagens da maçonaria para o artesão Vitoriano: ‘Stratford e sua vizinhança contêm uma população de cerca de milhares de hábeis mecânicos, artesãos e engenheiros, muitos dos quais, por suas realizações superiores ou pelas exigências do comércio são chamados a exercer sua vocação em vários estados da Europa continental ou em nossas próprias possessões coloniais e a quem, portanto, as vantagens decorrentes da Fraternidade Maçônica são de grande importância. ’[lxxiv].
O potencial entusiasmante de uma abordagem que analisa a interação entre a Maçonaria e outras redes sociais, tais como contatos profissionais e a participação em outras organizações fraternais, foi recentemente demonstrado por dois artigos excepcionais relacionados com duas profissões muito diferentes. O estudo de Simon McVeigh sobre maçonaria e vida musical em Londres do século XVIII mostrou como a maçonaria ajudava para garantir patrocínio e trabalho para músicos e também apoiava alianças profissionais, às vezes de maneira surpreendente. [lxxv] O estudo de Roger Burt sobre a maçonaria Cornish no século XIX chega a algumas conclusões interessantes sobre a composição social das lojas maçônicas no sudoeste da Inglaterra. [Lxxvi] Ele constatou que “as lojas eram dominadas em sua maioria por jovens (a maioria dos iniciados tinha menos de 30 anos) de grupos de classe média e “pequeno-burgueses” de interesses mercantis e de produção, profissionais e operadores de pequenos negócios.” [LXXVII] Os registros da participação Cornish refletem a crescente mobilidade desse grupo social, e a maçonaria pode ter ajudado a estabelecer contatos internacionais a promover o emprego rentável ​​no exterior.
Conclusões
A pesquisa sobre a maçonaria explora as conexões entre esses grandes temas da moderna erudição tais como espaço público, gênero, raça e redes sociais. Estes temas essencialmente giram todos em torno de uma questão mais importante: a construção da identidade social e o estudo da maçonaria, porque ele está relacionado com uma identidade que é pública e oculta ao mesmo tempo e fornece uma perspectiva única sobre o assunto. Metodologicamente, o estudo da maçonaria apresenta muitos desafios, mas o ponto que deve ser observado aqui é o seu caráter intrinsecamente interdisciplinar. A natureza dos arquivos maçônicos significa que o pesquisador de maçonaria precisa usar muitos tipos diferentes de mídia: os textos que vão desde listas de membros até rituais, joias, banners, gravuras, música e artefatos de vários tipos diferentes. [lxxviii] A interpretação de tais materiais exige uma mistura de habilidades acadêmicas. Mark Carnes observou como suas pesquisas exigiram “excursões nos campos da história religiosa e da teologia; educação infantil e psicologia do desenvolvimento; a história das mulheres e estudos de gênero, e antropologia estrutural e cultural”. [lxxix] Embora estudiosos frequentemente aspirem a interdisciplinaridade, eles raramente a atingem. O estudo da maçonaria talvez possa servir de modelo para estudos interdisciplinares.
Os temas que eu discuti estão na vanguarda da pesquisa em ciências humanas e sociais, mas suas raízes estão no antigo pensamento, refletindo tanto as mudanças sociais dos anos 60, e particularmente a resposta aos acontecimentos franceses de 1968, [lxxx] e o desafio colocado aos modelos marxistas pelo colapso da União Soviética. Embora o estudo da Maçonaria possa contribuir muito para aquelas preocupações intelectuais, ainda mais emocionante é a questão de como ela ajudou a formar completamente novas agendas intelectuais. Será que os acontecimentos de 11 de setembro de 2001 terão um impacto de nível global tão grande quanto os de maio de 1968?
É cedo demais para dizer, mas há indícios de que, seja qual for o resultado, as reações à maçonaria terão novo significado. A maneira em que a destruição do World Trade Center deu origem, paradoxalmente, a uma nova forma de antissemitismo foi bem documentada. [lxxxi] Tem havido pouca discussão sobre a nova anti-maçonaria. Dentro de poucos dias depois dos atentados em Nova York, publicações em sites na Internet atribuíam os ataques aos Illuminati, traçavam paralelos entre as Torres Gêmeas e as colunas maçônicas Jaquim e Boaz, e utilizavam numerologia espúrias para sugerir o envolvimento maçônico nos ataques. [lxxxii] Isto é deplorável, mas talvez não seja surpreendente.
Mais significativo para o longo prazo é a maneira em que os ataques à maçonaria fazem parte das denúncia muçulmanas extremas de valores ocidentais. Houve uma longa história de grupos árabes circulando libelos desacreditado dos Protocolos dos Sábios de Sião. Nos últimos anos, entretanto, alguns muçulmanos, com base na literatura antimaçônica ocidental, vêm ligando a maçonaria à figura do Dajjal, o anticristo. [lxxxiii] Essas ideias foram inicialmente desenvolvidos em 1987 pelo escritor egípcio, Sa’id Ayyub. [lxxxiv] Na Inglaterra, uma figura-chave na elaboração e popularização dessas ideias foi David Musa Pidcock, um consultor de máquinas Sheffield, que se tornou muçulmano em 1975 e é o líder do Partido Islâmico da Grã-Bretanha. [lxxxv] A ideia de que os maçons adoram o Dajjal tem se tornado comum em comunidades muçulmanas na Inglaterra e em outros lugares. Nos últimos meses, sites islâmicos publicaram análises entusiasmadas de uma fita de áudio chamada Shadows, produzida por uma companhia de Londres, Hallaqah Media, que argumenta que os maçons criaram uma nova ordem mundial e são os servos do Dajjal. [lxxxvi] Se estamos no início de uma luta para proteger e reafirmar os valores seculares do Iluminismo, [lxxxvii] é inevitável que o estudo da maçonaria, muito ligada à criação desses valores, assumirá nova relevância.

NOTAS – CLIQUE AQUI

OUTRAS LEITURAS RECOMENDADASclique aqui
Apêndice 1 – A Iniciação de Lord Brougham
Apêndice 2 – A Loja New Welcome nº 5139
Apêndice 3 – Uma disputa maçônica em uma pequena cidade
Apêndice 4 – Um desfile maçônico em Sheffield
Apêndice 5 –  Lançamento de pedra fundamental 
Apêndice 6 –  Abertura da nova loja maçônica New Sheffield, Surrey Street 
Apêndice 7 – O Cavalheiro Maçom
Apêndice 8 – Petição para a Crichton Lodge No. 1641
Apêndice 9 – Co-Maçonaria
Apêndice 10 – A Maçonaria Prince Hall na Carolina do Norte
Apêndice 11 – Contos Maçônicos do Raj
Apêndice 12 – The Indian Freemason’s Friend
Apêndice 13 – Uma loja da classe trabalhadora na Zona Leste de Londres
O Prof. Dr. Andrew Prescott estudou história na Universidade de Londres e foi nomeado curador no Departamento de Manuscritos da Biblioteca Britânica, em 1979. Ele está em uma cessão de três anos pela Biblioteca Britânica à Universidade de Sheffield, onde ele é diretor do novo Centro de Pesquisa de Maçonaria, o primeiro de tais centros a ser criado em uma universidade britânica.
Em 2007, deixou o cargo.
Publicado em  http://www.freemasons-freemasonry.com/andrew_prescott.html

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017


Sejamos Bons

 

Não te aflijas com a perspectiva da perfeição de um dia para outro.

 
As tarefas redentoras desconhecem o improviso.

 


Ergue-se a casa, tijolo a tijolo.

 

Forma-se o rio, gota a gota.

 

Constitui-se o tecido, fio a fio.

 


O Mestre, por isso mesmo, não espera do discípulo prodígios de santidade, num simples momento, de vez que a virtude não é flor ilusória no jardim sublimado da alma.

 


Entretanto, se não podemos realizar o aprimoramento numa hora, devemos aprender a lição da bondade, dia a dia.

 


Sejamos bons para com aqueles que a Divina Bondade situou em nossos próprios passos, auxiliando-os na senda de elevação.

 

Sejamos bons para com os que caíram na margem de nossa própria estrada, oferecendo-lhes o toque da nossa amizade ou encorajando-lhes o reerguimento com o sorriso de nossa compreensão.

 


Sejamos bons para com as vítimas da maldade, amparando-as sem ruído para que a maledicência emudeça e para que a calúnia imobilize as garras de treva.

 


Sejamos bons para com os fracos que não podem ainda caminhar sem a neurastenia, sem a queixa e sem a lágrima, sustentando-lhes o coração com os nossos braços fraternos.

 


Por onde passamos há sempre alguém que espera um pouco de carinho a fim de restaurar-se.

 


Na harmonia da natureza a flor estende o perfume, a ave carreia a música, a fonte desliza servindo e a árvore produz reconforto e alegria exaltando o sol que mergulha na Terra em ondas ilimitadas de luz.

 


Por nossa vez ofereçamos a bondade a quem possa por nós ou a quem respira conosco e estaremos louvando a Infinita Bondade do Pai Celestial que, em todos os ângulos da vida, nos envolve em suas Bênçãos de Amor.

 

 
EMMANUEL, do livro TRILHA DE LUZ

domingo, 12 de fevereiro de 2017


Rogativa de apoio

 

Senhor!...

Guia-nos ao conhecimento de nós mesmos e ensina-nos a usar as forças que nos deste.

 

*

Nos dias em que a tristeza nos acene, induze-nos a lembrar as alegrias de que nos enriqueceis, constantemente, a fim de que o desânimo não nos entorpeça a capacidade de trabalhar.

 

*

Nas ocasiões em que a doença nos visite, revigora-nos a certeza de que, mesmo assim, ser-nos-á possível cultivar a paciência, de modo a encorajar àqueles que nos procurem.

 

*

Nos momentos em que a fadiga nos ameace, faze-nos empregar a energia da nossa própria vontade, a fim de que possamos prosseguir agindo e servindo, até que a oportunidade para repouso e refazimento nos favoreça.

 

*

Nas horas em que alguém nos contrarie, auxilia-nos a recordar quantas vezes temos ferido aos semelhantes e concede-nos o olvido de quaisquer contratempos sem complicá-los.

 

*

Em qualquer situação, não nos deixes pedir isso ou aquilo aos nossos companheiros, sem antes doar quanto estiver ao nosso alcance, abrindo assim as iniciativas de cooperação e da solidariedade.

 

*

Senhor!...

Não nos consinta acreditar na fraqueza quando nos revestes a existência com recursos inesgotáveis para o trabalho e nem nos permitas crer na necessidade do ressentimento, quando nos impeles a viver, cada dia, em pleno oceano de amor.

E, em nos conhecendo, tais quais somos para fazermos de nós o melhor que pudermos, sustenta-nos, seja onde for, a decisão de aceitar sempre os teus sábios desígnios.

Assim seja.

Meimei, do livro Sentinelas da Alma

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017



 

 Autor: Ir.´. Angel Zaccaro Conesa

M.´.M.´. da ARLS Verdadeiros Irmãos, 669

 

Tem uma passagem na historia de Israel que descreve o esforço de Zorobabel, filho de Salatiel, da estirpe real de Davi. Era seu objetivo a reconstrução do Templo de Salomão, destruído pelo exercito de Nabucodonosor II.

Após serem libertados, pois eram mantidos escravos há 70 anos, pelo rei Ciro II, sucessor de Nabucodonossor II, Zorobabel e mais sete mil judeus rumavam para Israel com o intuito de reconstruir o Templo e ao atravessarem uma ponte no Rio Tigre tiveram que  travar uma batalha com os Samaritanos, que queriam impedir a sua empreitada. Esta batalha é conhecida como a “Passagem da Ponte” e tem um valor simbólico, muito importante em nossos estudos maçônicos. Significa que quando há um propósito toda ação torna-se uma batalha para a conquista de uma ponte e deve ser travada com coragem e confiança na vitória, pois haverá sempre um  “inimigo” para tentar nos afastar de nossos propósitos. Tal ensinamento procura pois integrar a tradição israelita de eterna construtora e reconstrutora de um edifício que é destruído e reconstruído muitas vezes, até que atinja a sua forma perfeita ( tal como o caráter do homem e a sua sociedade) com a ideia de que, para atingir essa formulação é preciso que o homem aprenda a viver em verdadeira Fraternidade, buscando a verdadeira justiça....

 

 

Mesmo vencendo a “Passagem da Ponte”  Zorobabel continuou  lutando pelos seu objetivo, uma vez que  inconformados e movidos pela inveja, pois queriam ser os únicos a ter um Templo erguido em homenagem à Deus, os Samaritanos guerrilheiros e associados a outras nações vizinhas, lançavam-se repetidamente a ataques tentando obstruir o progresso alcançado por Zorobabel em sua perseverança de reerguer o Templo destruído.

Assim  também são os homens, que por sua incompetência de recomeçar, preferem atacar e destruir a moral daqueles que persistem em fazer de seu corpo a morada dos mais puros instintos e sentimentos aprimorados pelos estudos constante  na necessidade de construir e manter uma sociedade melhor. Os homens que corrigem e reconstroem as rachaduras criadas em seus muros e paredes, consertando-as e cicatrizando-as de dentro para fora, usando o cimento do amor para unir as discórdias, são deliberadamente atacados pelos invejosos . Resta-lhes fazer, como Zorababel, colocar de lado a espada e usar de sua sabedoria para, de forma diplomática, sem violência, manter a construção do seu Templo, mantendo a união entre os Irmãos.

 

Durante a construção, usando de cartas de propaganda contra a construção do Templo, a oposição de Zorobabel atormentava Dario, o Rei da Pérsia com o intuito de enfurecê-lo e obriga-lo parasse a restauração do Templo.

Zorobabel criou então uma comissão composta por três pessoas desconhecidas com quatro Cavaleiros do Oriente que negociaram com Dario a forma de enfrentar tais ataques. Depois de humilha-los Dario  libertou-os e decretou que se alguém interferisse nos trabalhos de  construção  seriam crucificados.  Zorobabel, afim de evitar injustiças  estabeleceu cinco Juízes para administrariam a aplicação da justiça.

Tira-se como lição desta passagem que para qualquer ação ou empreendimento a que nos atiramos é necessário o trabalho incessante e uma grande disposição de lutar pelos nossos objetivos, principalmente em defesa contra a oposição difamadora.



                          
 

Precisamos de coragem na busca de  entender o conflito entre o material e o espiritual, fazendo redescobertas que animavam nossos antigos Irmãos.

Nossos ancestrais viviam em cavernas ou florestas, lutando diariamente para manter a subsistência. Seus inimigos eram os animais selvagens e feroze, as forças da natureza e seus vizinhos hostis. Venciam ou eram aniquilados. Sobreviveram os indivíduos, características espirituais, que possuíam determinação para vencer.

Hoje, certamente não é diferente, porém não mais necessitamos reparar Jerusalém para adorar, nem oferecer sacrifícios e derramar sangue para propiciar a Divindade, o homem pode fazer dos bosques e montanhas suas Igrejas e adorar Deus com uma gratidão devota e com obras de caridade e beneficência a seus companheiros.

Já não esperamos mais reconstruir o Templo em Jerusalém. Para nós ele se tornou apenas um símbolo.

Para nós, o mundo inteiro é o Templo de Deus, tal como cada coração sincero.

Estabelecer em todo o mundo o Reino do Amor, Paz, Caridade e Tolerância. 

É construir este Templo, no qual a Maçonaria está ou deveria estar engajada!

 

Michelângelo,  vendo um pedaço de mármore exclamou : “ Mas tem dentro dele um anjo prisioneiro, e eu preciso libertá-lo!”

 

Bibliografia :

Albert Pike –             Moral e Dogma – Graus Capitulares

Henry C. Clausen –  Comentários sobre Moral e Dogma -

João Natalino -         Conhecendo a Arte Real – Ed. Martins Fontes