sexta-feira, 4 de março de 2016

Problema conosco

Não os criaria Deus à parte.
Os gênios perversos das interpretações religiosas somos nós mesmos, quando adotamos conscientemente a crueldade por trilha de ação.
*
Observa as lágrimas dos órfãos e das viúvas, ao desamparo.
Há quem as faça correr.
Repara os apetrechos de guerra, estruturados para assaltar populações indefesas.
Há quem os organize.
Anota as rebeliões que se transfiguram em crimes.
Há quem as prepare.
Pensa nos delitos que levantam as penitenciárias de sofrimento.
Há quem os promova.
Medita nas indústrias do aborto.
Há quem as garanta.
Pondera quanto aos movimentos endinheirados do lenocínio.
Há quem os resguarde.
Reflete nos mercados de entorpecentes.
Há quem os explore.
*
Enunciando, porém, semelhantes verdades, não acusamos senão a nós mesmos.
A condição moral da Terra é o nosso reflexo coletivo.
Todos temos acertos e desacertos.
Todos possuímos sombra e luz.
Consciências encarnadas em desvario fazem os desvarios da esfera humana.
Consciências desencarnadas em desequilíbrio geram os desequilíbrios da esfera espiritual.
É por isso que o Evangelho assevera: “Ninguém entrará no reino de Deus sem nascer de novo”.
E o Espiritismo acentua: “Nascer, viver, morrer, renascer de novo e progredir continuamente, tal é a lei”.
Em suma, isso quer dizer que ninguém conseguirá desertar da luta evolutiva.
Continuemos, pois, vigilantes no serviço do próprio burilamento, na certeza de que o amor puro liquidará os infernos, quando nós, que temos sido inteligências transviadas nos domínios da ignorância, estivermos sublimados pela força da educação.
 
Emmanuel, do livro Justiça Divina.

quinta-feira, 3 de março de 2016


Um trecho de Albert Pike, a propósito de Maçonaria, Crise e Sociedade

Um leitor deste blogue, em comentário ao texto Regras Gerais dos Maçons de 1723 - XXX, expressou a sua insatisfação pelo facto de, em tempos de crise em Portugal e na Europa, não ver aqui comentário à mesma. Seguiu-se uma troca de comentários em que penso ter explicado a posição dos maçons que aqui escrevem sobre o assunto.

Mas, ao documentar-me sobre as respostas a dar, recordei uma passagem de Morals and Dogma, de Albert Pike, que julgo interessante para se ver como a Maçonaria já desde há muito tempo que sabe muito bem como cada um dos maçons deve intervir na Sociedade.

Os teóricos da conspiração costumam muito citar Pike e a sua obra Morals and Dogma para elocubrarem sobre o pretenso projeto da Maçonaria de dominar a Humanidade e criar a Nova Ordem Mundial (seja lá o que isso for). Mas não se dão ao cuidado de ler Pike e Morals and Dogma...

Este excerto que aqui transcrevo ilustra bem, creio, a postura dos maçons perante a Sociedade. E, quanto à presente Crise, destaquei e sublinhei uma passagem. Para bom entendedor...

Por muito negro que seja o momento, a tormenta há de passar e este Povo há de ressurgir mais forte e mais capaz de superar as adversidades!

Que assim seja!

Eis o excerto:

Mas o grande mandamento da Maçonaria é: “Dou-vos um novo mandamento: Amareis uns aos outros! Aquele que disser estar na luz e odeia seu irmão, ainda estará na escuridão”.
Estas são as obrigações morais de um Maçom. Porém, também será obrigação da Maçonaria ajudar a elevar o nível moral e intelectual da sociedade; cunhando conhecimento, trazendo ideias à circulação e fazendo crescer a mente da juventude; e colocando a raça humana em harmonia com seu destino, gradualmente, mediante ensinamento de axiomas e pela promulgação de leis positivas.
É desse dever e trabalho que o Iniciado é aprendiz. Não deve imaginar que não pode afetar nada, e com isso desiludir-se e permanecer inerte. Está nisso, assim como está na vida diária de alguém. Muitas grandes obras são executadas nas pequenas lutas da vida. Existe, nos dizem, bravura determinada porém invisível, que se defende passo a passo, na escuridão, contra a invasão fatal da necessidade e da baixeza. Existem triunfos nobres e misteriosos, que os olhos não vêem, que não têm recompensas renomadas e que não recebem a saudação de fanfarras de trompetes.
A vida, o infortúnio, o isolamento, o abandono, a pobreza, são campos de batalha que têm seus heróis – heróis obscuros, mas algumas vezes maiores do que aqueles que ficam famosos. O Maçom deve lutar da mesma maneira e com a mesma bravura contra aquelas invasões da necessidade e da baixeza que atingem as nações assim como às pessoas. O Maçom deve enfrentá-las também, passo a passo, mesmo no escuro, e protestar contra o erro e a insensatez; contra a usurpação e contra a invasão dessa hidra, a Tirania.
Não há eloquência mais soberana do que a verdade indignada. É mais difícil para um povo manter do que conseguir sua liberdade. Sempre são necessários os Protestos da Verdade. O direito deve continuamente protestar contra o Facto. Existe, verdadeiramente, Eternidade no Direito.
O Maçom deve ser um sacerdote e um guerreiro desse Direito. Se o seu país tiver roubadas as suas liberdades, não deve desesperar. O protesto do Direito contra o Facto persiste para sempre.
O roubo de um povo nunca prescreve. O reclamo de seus direitos nunca é barrado. Varsóvia não pode mais ser tártara do que Veneza teutónica. Um povo pode resistir à usurpação militar, Estados subjugados ajoelham-se a Estados e usam a canga sob a pressão da necessidade; mas, quando a necessidade desaparece e se o povo estiver preparado para a liberdade, o país submerso virá à tona e reaparecerá e a Tirania será julgada pela História por ter assassinado suas vítimas.
Seja lá o que ocorrer, devemos ter Fé na Justiça e na Sabedoria soberana de Deus, Esperança no Futuro e benevolência Afetuosa para com os que erram. Deus torna Sua vontade visível às pessoas através de acontecimentos; um texto obscuro, escrito numa linguagem misteriosa. As pessoas traduzem-na imediata, rápida e incorretamente, com muitos erros, omissões e interpretações falhas. A nossa visão do arco do grande círculo é tão curta! Poucas mentes compreendem o idioma Divino. Os mais sagazes, os mais calmos, os mais profundos, decifram hieróglifos lentamente; e, quando voltam com seu texto, talvez a necessidade já se tenha ido há tempo; já existem vinte traduções – a maioria é incorreta e, é claro, são as mais aceites e populares.
De cada tradução nasce um partido; de cada interpretação falha, uma fação. Cada partido acredita ou finge que detém o único texto verdadeiro; e cada fação acredita ou finge que apenas ela possui a Luz. Além disso, fações são gente cega que aponta apenas para frente, e erros são projéteis excelentes, atingindo habilmente e com toda a violência que salta de argumentos falsos, onde quer que um desejo de lógica naqueles que defendem o direito os faça vulneráveis como uma falha numa couraça.
Portanto, muitas vezes seremos derrotados ao combater o erro diante do povo. Antaeus resistiu a Hércules por longo tempo, e as cabeças da Hidra cresceram tão rapidamente quanto foram cortadas. É um absurdo dizer-se que o Erro, ferido, agoniza em dor e morre no meio dos seus adoradores. A Verdade conquista lentamente. Há uma vitalidade surpreendente no Erro.
A Verdade, realmente, na maioria das vezes, atira por sobre as cabeças das massas; ou, se um erro estiver prostrado por um momento, levantar-se-á num instante, vigoroso como nunca. Não morrerá quando o cérebro tiver sido arrancado; e os erros mais estúpidos e irracionais serão os mais duradouros.

A Crise há de ser superada. A Sociedade é e será o que cada um de nós e todos em conjunto delas fizermos. Que cada um aprimore a sua Sabedoria, melhore a sua Força e em tudo o que faça ponha Beleza para que do melhor de nós resulte uma Sociedade melhor, antes, durante e depois de qualquer crise!

Rui Bandeira 

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016


BALAUSTRADA E BALAÚSTRE
 
Às vezes, não nos damos conta do aprendizado que podemos auferir estudando a estrutura física e os detalhes decorativos de um Templo Maçônico. Por vinculamos o aprendizado às instruções, acaba por
creditarmos a função de ensinar e esclarecer apenas aos Rituais. O conhecimento maçônico vai muito além da leitura e da audição das instruções.
Precisamos estar dispostos a procurar o porquê e o para que. Um exemplo é a balaustrada. Todos sabemos onde fica e a tratamos como um murinho. O Irmão já se deu conta de sua relação com a ata das
reuniões? Uma balaustrada é formada por balaústres. E balaústre não é sinônimo de ata ou de registro. Passemos então ao simbolismo destas
estruturas. Balaústre é um pequeno pilar, também chamado de colunelo. O registro chamado balaústre é o histórico da Loja, aquilo que a sustenta.
O Irmão Secretário não o escreve, ele lavra o balaústre. Por isso, ao final, diz-se: .....datado e lavrado..... Balaustrada, que é o conjunto de balaústres, separa o Oriente do Ocidente. Tanto material quanto simbolicamente, a balaustrada está alicerçada no piso do Oriente. A razão disso é que a Verdade, aquilo que foi lido e aprovado, permanecerá além do tempo, além da matéria, registrado no histórico espiritual da Loja. Isso é o que representa o estar no Oriente. O
Oriente é a parte superior, onde o piso é monocromático, onde não há dúvida, de onde vem a Luz provinda da Coluna da Sabedoria, que é representada pela Coluna Jônica. Não é sem propósito que a coluna Jônica tem como substantivo, a parte lateral de seu capitel, o nome de balaústre (que se assemelha a um rolo de pergaminho). Mas o que seria uma balaustrada na vida do Maçom? ANTES DE TUDO, É COMPREENDER A NECESSIDADE DE SE SEPARAR O PROFANO DO
SACRADO. É CONSTRUIR (LAVRAR) UMA VIDA (SUA HISTÓRIA) DE TAL FORMA QUE ELA POSSA SER LIDA E APROVADA POR TODOS. UMA VIDA VERDADEIRA. QUE CADA MOMENTO SEJA A EDIFICAÇÃO DE UMA COLUNETA A SUSTENTAR UM PARAPEITO OU UM CORRIMÃO DE SEGURANÇA PARA OS QUE O CERCAM. Este artigo foi inspirado no livro “O PENSADOR DO PRIMEIRO GRAU” 2007 do Irmão, Bruno Pagani Quadros, que na página 121, instrui: “É a
separação do lugar de onde provém a Luz da região para a qual é dirigida, já que divide simbologicamente o lado onde se dará o traçado objetivo do lado onde se fará a confirmação consciente da Sabedoria com a aproximação do Plano Espiritual, pois dali (Or.'.), num próximo
degrau, o C.'. abrir-se-á suas hastes além dos 45º.” Neste décimo ano de compartilhamento de instruções maçônicas, mantemos a intenção primaz de fomentar os Irmãos a desenvolverem o tema tratado e apresentarem Prancha de Arquitetura, enriquecendo o Quarto-de-Hora-de-Estudo das Lojas. Precisamos incentivar os Obreiros da Arte Real ao salutar hábito da leitura como ferramenta de enlevo cultural, moral, ético e de formação maçônica.
Fraternalmente
Ir.·. Sérgio Quirino
- ARLS Presidente Roosevelt 025 – GLMMG
Fonte: JORNAL DO APRENDIZ - EDIÇÃO Nº 81 MARÇO 2016

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016


O argumento


Ante os amados que te não compreendem, estimarias que todos cressem conforme crês.
Alguns jazem desesperados nas trevas do pessimismo.
Outros caem, pouco a pouco, no abismo da negação.
Há muitos que te lançam insulto em rosto, como se a tua convicção fosse passo à loucura.
E surpreendes, em cada canto, aqueles que te falam pelo diapasão da ironia.
Mergulhas-te, muitas vezes, no oceano revolto das palavras veementes que os opositores, de imediato, não podem admitir; em outras ocasiões, desejas acontecimentos inusitados, que lhes alterem o modo de pensar e de ser.
 
Entretanto, recordemos o Cristo.
Ninguém, quanto ele, deixou na retaguarda tantas demonstrações de poder celeste.
Deu nova estrutura à forma dos elementos.
Apaziguou as energias desvairadas da Natureza.
Reaqueceu corpos que a morte imobilizava.
Restituiu a visão aos cegos.
Restaurou paralíticos.
Limpou feridentos.
Curou alienados mentais.
Operou maravilhas, somente atribuíveis à ciência divina.
Contudo, não foi pelos deslumbramentos produzidos que se converteu em mentor excelso da Humanidade.
Jesus agiganta-se, na esteira dos séculos, pela força do exemplo.
Anjo – caminhou entre os homens.
Senhor do mundo – não reteve uma pedra para repousar a cabeça.
Sábio – foi simples.
Grande – alinhou-se entre os pequenos.
Juiz dos juizes – espalhou a misericórdia.
Caluniado – lançou bênçãos.
Traído – não reclamou.
Acusado – humilhou a si mesmo.
Ferido – esqueceu toda ofensa.
Injuriado – silenciou.
Crucificado – pediu perdão para os próprios verdugos.
Abandonado – voltou para auxiliar.
 
Ação é voz que fala à razão.
Se aspiras, assim, a convencer os que te rodeiam, quanto à verdade, não olvides que, acima de todos os fenômenos passageiros e discutíveis, o único argumento edificante de que dispões é o de tua própria conduta, no livro da própria vida.
 
Emmanuel

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016


Legítima Defesa

 

O recurso a legitima defesa é naturalmente um direito comum a todas as criaturas.

 

Nem há que duvidar de semelhante prerrogativa.

 

No entanto, importa considerar que esse direito não consiste em subtrair a existência do próximo, invadindo atribuições que pertencem a Deus.

 

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Dispomos do privilégio da defensiva, aplicando anos mesmos os artigos da Lei Divina obedecendo-lhe as determinações que nos garantem responsabilidade e equilíbrio.

 

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Defender-nos-emos contra a incursão em novos débitos, abstendo-nos de alongar a despesa de cada dia, além da receita que nos compete.

 

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Estaremos agindo contra as hostilidades alheias, ofertando aos outros, simpatia e cooperação.

 

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Não cairemos no fogo da calúnia, desde que vivamos em guarda contra a leviandade e a maledicência.

 

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Elevar-nos-emos, além da vasa do crime, submetendo-nos ao culto incessante do bem, segundo os nossos deveres, e fugindo ao império da tentação.

 

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Respiraremos libertos da irritação e da cólera se dermos ao companheiro de caminho o respeito e a compreensão que desejamos dele próprio, em nosso favor.

 

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Distanciar-nos-emos das extravagâncias da vaidade e do orgulho, sustentando, em nós mesmos, a humildade que a vida nos aconselha.

 

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Cristo é o nosso Divino Médico, ensinando-nos a observar os mais avançados princípios de imunologia da alma, na preservação dos valores eternos do Espírito.

 

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Perdoemo-nos uns aos outros, setenta vezes sete, em todas as nossas falhas na jornada evolutiva; amparemos o vizinho, tanto quanto lhe reclamamos o entendimento e o auxílio e, amando-nos reciprocamente no padrão do Senhor que nos protegeu até o sacrifício supremo, estaremos praticando a defesa legítima; único baluarte de nossa segurança e de nossa paz.

Emmanuel

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

EX-VENERÁVEL, DONO DA LOJA!!!


É uma situação que ocorre com frequência na Maçonaria brasileira e quiçá na mundial. O que vem a ser esta situação?   Simplesmente, conforme o titulo do trabalho já sugere, é um Irmão que exerceu sua gestão como venerável de uma loja e que seu desempenho pode ter sido muito bom ou muito mau, mas seu mandato se esgotou, e ele esquecendo que já passou o seu momento como principal gestor da loja e que deveria ficar quieto no seu canto, insiste em se intrometer nos trabalhos da nova liderança quedemocraticamente surgiu na sua loja através do voto.


Apegado ao poder, chega aos limites da hipocrisia que como se sabe é o ato de fingir qualidades, ideias ou sentimentos que em realidade ele não tem e isso às vezes se torna uma verdade para ele ainda que falsa, um verdadeiro sofisma, e ele acreditando ser o que sabe tudo, que sabe mais que os outros, em fim é o dono da verdade.
Ele não sabe se conter, não consegue ficar sem dar palpites, ou dar ordens ao novo venerável, ou criticar o novo líder, não somando as suas forças com as da nova gestão, pelo contrário, atrapalhando-a. Se o novo venerável não for um líder pragmático, pulso forte, que não saiba se impor, ficará a mercê do antecessor, não podendo exercer a sua gestão a contento como planejou.
Todavia, numa loja democrática, não faltarão Irmãos que com coerência e bom senso, tomarão partido do novo líder e os mais habilidosos, chegam ao ex e com muito jeito, com parcimônia tentam fazê-lo compreender a nova situação, o que às vezes não conseguem havendo até em certos casos uma cisão na loja. Muitas novas lojas foram fundadas por ex-veneráveis que não souberam respeitar a nova liderança. Este é um fato inconteste.
Este apego ao poder é algo que o ex-venerável às vezes não pode se controlar, porque ele não estava preparado quando exerceu seu mandato para um dia deixa-lo como soe acontece nos regimes democráticos e uma loja maçônica não tem dono justamente por ser uma democracia. Ele se achou venerável, e não entendeu que apenas estava venerável.
Acha que continua venerável.
Este tema abre um leque mais profundo em relação a análise do poder nas lojas e como ele é manipulado.
Este tipo de dono da loja não é o pior entrave para uma loja. O pior ex-venerável é aquele tipo de irmão matreiro, político, de fala mansa, que sorri para todo mundo, abraça a todos três vezes e que se derrete em falsos elogios aos Irmãos do quadro e procede assim porque é uma das suas estratégias para se manter no poder eternamente. Ele se vale de bonecos ou títeres para cobrir uma gestão que por imposições das constituições das potências ele não pode se reeleger mais de uma ou duas vezes. Em seguida ele volta gloriosamente na próxima. Mas durante a gestão de seu preposto, quem dirigirá a loja de fato, será ele. Não de direito, mas de fato. Ele tomará todas as decisões e o venerável de plantão cumprirá rigorosamente o que o seu chefe determinar. Geralmente ele tem o seu grupo, formado por comparsas que são coniventes que antecipadamente já decidiu quem será o venerável para os próximos seis ou oito anos, mas sempre ele voltando após as gestões de seus substitutos arranjados ou então apenas preferirá ser o chefe por trás, nos bastidores, mandando em tudo e por muito tempo.
No fundo a sede de poder, nada mais que uma autoafirmação, insegurança, incapacidade de ser transparente com seus semelhantes e com o meio em que vive vaidoso mentiroso geralmente tendo uma visão unilateral dos processos de interação entres os Irmãos, tornando sua personalidade a de um verdadeiro psicopata social. Não sabe mais discernir os seus limites. Não tem  sentimentos. Chega a ser uma doença um desvio de personalidade, e de comportamento.
Isto não é bazofia ou piada. Isto realmente acontece na Maçonaria brasileira num índice maior do que se pode imaginar, mas não como rotina. Infelizmente esta situação vem ocorrendo e muitos irmãos fingem não vê-la ou senti-la, porque os membros das lojas com exceção de verdadeiros maçons agem passivamente como cordeiros, esquecendo que uma loja aberta em sessão é uma tribuna livre onde ideias são criadas, sonhos são idealizados que podem mover o mundo, um verdadeiro laboratório social que pode mudar tudo para melhor e por isso todos os problemas devem ser discutidos e todos devem participar.
Uma situação esdrúxula aconteceu em uma loja que será omitido o nome da cidade, onde isso ocorreu. Um Irmão desses tipos de donos da sua loja, fez a sua loja votar o título de “venerável perpétuo” para ele. Até aí, nada de mais, a loja votou, está votado. Mas ele exigia que a loja só abrisse os trabalhos em suas sessões normais quando ele estivesse presente. E ele atrasava sempre cerca cinco a dez minutos. E aí a sessão começava. Isso é o cúmulo da hipocrisia, tanto deste sócio pata ex-venerável como da loja que aceitava tal situação.
Pasmem! Parece uma estória inventada, mas não é. Isto é verídico!
Mas é bom que se frise que a maioria dos ex-veneráveis não se enquadra nesta descrição. Existem ainda muitos bons maçons na Ordem. Felizmente a maioria. São. Irmãos excelentes, preparados, humildes, sabem qual é o seu lugar dentro de uma loja, bons conselheiros, conhecem o peso de um malhete, porque já o manejaram quando foram veneráveis. Aprenderam mais ouvir que falar.
A Maçonaria valoriza a Dialética, que é a arte do dialogo, ou a discussão, como força de argumentação permite que se contrariem ideias, que elas sejam discutidas em todos os sentidos e que dessa situação nasça uma ideia concreta, inteligente, e perfeita, uma verdadeira síntese de tudo o que foi tratado, desde que venha em favor da Ordem e da humanidade. Ela prega a igualdade e a liberdade de pensamento entre seus adeptos.
Esta situação de dono de loja é uma das causas maiores do afastamento de muitos honrados irmãos da Ordem. Se um irmão, sem medo, com coragem falar em nome da democracia e dos verdadeiros princípios da Ordem, e isto ferir os desígnios destes déspotas, este será marcado, perseguido e descriminado.
Considerando-se que temos cerca de seis ou sete mil lojas no Brasil, imagine-se o número de Irmãos que agem desta forma, considerando-se que a natureza humana é complexa e estranha, que muitos homens possuem a síndrome do poder em função de seu DNA animalesco onde um quer ser o dominante sobre o outro, ou sobre os outros.
Geralmente estas pessoas são inseguras, não são felizes, não estão de bem com a vida e esta forma de querer exercer um suposto poder sobre os outros é sua maneira de tentar equilibrar seus próprios defeitos.
A síndrome do poder também chamada de síndrome do pequeno poder é uma atitude de autoritarismo por parte de um individuo que recebeu um poder e tenta usá-lo de forma absoluta e imperativa sem se preocupar com os problemas dicotomizados que possam vir a ocasionar. A síndrome do pequeno poder pode se tornar uma patologia, quando se torna crônico. Existem aqueles Irmãos que mesmo longe do poder pensam que o possui. Quando a realidade lhe é mostrada, entram em depressão. Mas a Maçonaria prega justamente o contrário. Ela é democrática. Quando se fala em vencer as paixões significa que o maçom deve fazer prevalecer em seu consciente racional sobre as programações erradas de seu subconsciente, ou seja, sobre a parte ruim que o ser humano tem dentro de si. Segundo São Francisco de Assis, é o “burro” ou a “besta” que o ser humano carrega dentro de sua consciência. Uma das condições mais exigidas pelos princípios maçônicos é justamente você fazer prevalecer seu lado bom, vencendo o seu lado mau.
A condição para um irmão ser venerável em primeiro lugar é que ele tenha merecimentos pessoais e que tenha um conhecimento profundo da ciência maçônica em todos os seus segmentos, tais como história da Ordem, ritualística, simbologia, administração, legislação e justiça sendo tudo isso associado à sua capacidade de liderança.
Evidentemente a Maçonaria terá que renovar seus líderes, para que novas ideias, novos postulados, novos rumos e até novos paradigmas sejam estudados, adotados e postos em ação.
Todavia correrá o famoso risco: VOCÊ QUER CONHECER UM MAÇOM? DÊ-LHE PODER.
Por fim, enfatiza-se que este trabalho foi escrito para uma minoria de Irmãos, que são gananciosos do poder. Ressalve-se aqueles Irmãos ex-veneráveis pessoas intocáveis que não se enquadram neste contexto. Felizmente, a maioria. Estes são os sustentáculos da Ordem.


COMENTÁRIO – O enunciado acima se aplica, ainda, a tantos outros dirigentes maçônicos que, sem qualquer escrúpulo, vêm fazendo da Ordem, pasmem!!! uma propriedade pessoal sua, causando um descontentamento generalizado!!!


Autor: Hercule Spoladore –
Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil”-

Londrina –PR.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Morte de Inocentes
 
No fundo das desgraças morais, o egoísmo sempre aparece como causa essencial.
 
Sabemos que a ação delituosa, nas suas mais variadas modalidades, assusta a sociedade, que, na maioria das vezes, sem enxergar uma saída positiva para a manutenção da paz social, envereda por caminhos violentos, sugerindo, muitas vezes, a punição capital, ou seja, a morte como meio de superar esse problema.
 
A vida, esse bem inefável, dom do Criador de todas as coisas, é alvo constante de violência.
 
Na realidade, a epidemia de insegurança que nos assola é fruto da lamentável condição em que se encontra o Brasil. A violência é resultado da miséria social e moral que grassa em nossa terra. Enquanto somos pressionados a pagar uma dívida econômica contraída nos bancos internacionais e já saldada moralmente através do pagamento de juros astronômicos, nossas crianças nascem, crescem e morrem nas ruas. Enquanto uma parte da nossa classe dominante, rica, injusta e egoísta, mora em luxuosas mansões, trafega em carros importados, navega em suntuosos iates; enquanto políticos desonestos se locupletam com mensalões e mensalinhos, transferem fraudulentamente o produto da pilhagem para “paraísos fiscais”, ou em malas e cuecas, o dinheiro sujo subtraído do erário através de negociatas, pouco se importando com a grave desintegração social que se verifica no País.
 
Segundo dados do IBGE, 15,4% das crianças brasileiras, com menos de cinco anos, sofrem de desnutrição crônica, quando a taxa considerada normal pela Organização mundial de Saúde (OMS) é de 3%. No Nordeste, 27,3% dessas crianças são desnutridas, convivendo com a fome desumana.
 
Os dados a respeito da nossa Pátria são assustadores. 67% dos brasileiros não atingiram os níveis mínimos de consumo alimentar recomendados.
 
A taxa de morte na infância (64 óbitos por mil nascimentos) só é inferior, na América latina, aos de Honduras e Bolívia.
 
30% da população de crianças e adolescentes (0 a 17 anos) vivem na pobreza absoluta. Diversos exemplos de dificuldades levam dor e drama à diversas cidades brasileiras.
 
As causas primárias da criminalidade se encontram numa sociedade egoísta, desumana e cruel, em que se exaltam os valores mundanos em detrimento do espírito, do altruísmo, da solidariedade, da liberdade, da igualdade e da fraternidade.
 
Portanto, a pobreza é resultante do amor excessivo ao bem próprio dos que muito possuem, sem consideração aos interesses alheios. Estes em grande maioria, à guisa de amontoarem bens em abundância, alimentam chagas sociais, desestimulam os programas de melhoria sócio-econômica e cultural, como também exploram o semelhante visando proveito pessoal.
 
Desde cedo tivemos em nossos pais e familiares na escola, no exército e na Ordem, guias que souberam nos ensinar a servir, respeitar e procurar a cada minuto de nossa vida travar uma batalha apoiados no bem e combatendo o mal, para transformar o mundo em algo cada dia melhor.
 
Tudo nos foi ensinado, colocando-nos numa situação privilegiada para analisar o tema com bastante propriedade. Que mágoa sentimos quando lemos ou ouvimos afirmações desconexas de homens que deveriam aproveitar sua inteligência para combater aquilo que é contrário à formação do ser humano.
 
Somos brasileiros e acostumados a conviver com crianças que nascem, crescem e sobrevivem no seio de famílias desajustadas, onde elas são espezinhadas, maltratadas, mal alimentadas e esquecidas pela maioria da população, conhecendo ao longo do seu desenvolvimento a tristeza, a amargura, a fome, vivendo promiscuamente, muitas vezes dentro de um lar, onde pai, trabalhador desempregado, torna-se alcoólatra, e as mães que no afã de buscar sustento para os filhos abandonam as crianças em suas casas e sujeitam-se a exercer o subemprego. Estas humilhadas e maltratadas crianças crescem e, quando começam a falar e ter algum entendimento da vida, saem para as ruas, a fim de pedir esmolas.
 
Muitas, quando chegam à idade escolar, buscam a escola pela famigerada merenda que lá é oferecida, e não por causa do estudo. E, no entanto, são crianças com os mesmos direitos que qualquer outra. Ontem eram crianças carentes, que curtiram amargamente sua infância e adolescência, hoje são marginais e delinquentes revoltados que passam fazer valer seus direitos através da violência, querem arrancar de qualquer maneira aquilo que lhes estão negando.
 
Quando atingem a maioridade, continuam seus crimes e violência, até que encontram a truculência do Estado, através da Justiça dos homens, sendo julgados, condenados e jogados em celas podres, sujas e inabitáveis. Nosso sistema penitenciário não recupera, armazena presos, seres humanos que a vida transformou em monstros e que são enjaulados como animais.
 
Devíamos lutar contra a impunidade dos ricos, dos sonegadores, dos corruptos, acabando de vez com o crime do “colarinho branco”, pois eles sabem o mal que fazem. Precisamos dar saúde, educação e alimentação para as crianças carentes.
 
E assim, analisando a situação social do Brasil de hoje, diante dos quadros pesarosos que nos oferece atualmente a criminalidade, concluímos a necessidade urgente do aprimoramento da sociedade humana para que se afinem com as Leis Divinas, seguindo o seu fluxo enobrecedor, laborando o aperfeiçoamento social em cada uma de suas etapas pedagógicas e orientadoras.
 
E diante dos males que hoje assustam, com a sua violência, a sociedade de nossos dias, deve buscar a necessária inspiração para que todas as criaturas possam conviver fraternalmente, numa sociedade justa, na qual os benefícios do trabalho, do desenvolvimento e do progresso constante possam ser repartidos equitativamente.
 
Desse modo, amparadas por um projeto social de convivência fraterna, alicerçada em profundas bases educadoras, que as criaturas humanas, visualizadas como homens e almas, possam ter a necessária oportunidade de, passo a passo, atingir o fim essencial para o qual fomos criados: o Bem.
 
Valdemar Sansão
 
E-Mail: vsansao@uol.com.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.
 
Fone: (011) 3857-3402
 
Embora alguns dados possam estar desatualizados, a autêntica atuação maçônica, de vivência pessoal e de promoção humana nos faz refletir que embora não tenhamos poderes divinos, somos seres humanos, devemos refletir, nos conscientizar e agir. O Brasil ainda tem solução.