segunda-feira, 21 de julho de 2014

Cimento Místico

Não sabeis vós que sois templo de Deus,
e que o espírito de Deus mora em vós ?
I Cor 3:16
 
As Lojas Maçônicas são a insígnia viva de comunhão em que o Homem vive uma experiência interior ímpar alimentada por símbolos. Por meio do simbolismo, a Sublime Ordem apresenta-se como uma das vias de pesquisa do conhecimento, vias essas que não se opõem à nenhuma religião ou fé religiosa. A arte de construir o Templo é o escopo maior dos Maçons, utilizando-se dos símbolos, considerando que a Maçonaria, no seus primórdios, era uma categoria de corporação operária consagrada à construção de edifícios e catedrais. A partir do momento que alguém se torna Maçom, há de se conscientizar que haverá um caminho longo a percorrer. Pode-se dizer que é um caminho sem fim. Ao longo dessa caminhada há bons e maus momentos. Os bons deverão ser aproveitados como incentivo, e, os maus não poderão ser motivo de esmorecimento e desistência da viagem iniciada. A linguagem, sempre empregada nas Lojas Maçônicas, diz que o Aprendiz Maçom é uma pedra bruta que deve talhar-se a si mesmo para se tornar uma pedra cúbica. É o início da sua jornada Maçônica.
 
Cimento MísticoO nutrimento elementar para a viagem é conhecido do Maçom desde a primeira instrução recebida: A régua de 24 polegadas, o maço e o cinzel. Com o progresso, o Maçom vai recebendo outros objetos, tais como o nível, o prumo, o esquadro, o compasso, a corda, o malhete e outros. Os utensílios de trabalho, obviamente, são simbólicos. Todos os símbolos abrem as portas sob condição de não nos atermos apenas às definições morais. E é com o manuseio dessas ferramentas que se começa a tomar consciência do valor iniciático da Maçonaria. O espírito Maçônico ensina, aos seus adeptos, um comportamento original que não se encontra em nenhum outro grupo de homens. Se isso não for absorvido, não será um bom Maçom.
 
O Maçom recebe, juntamente com os apetrechos, os ensinamentos necessários para começar a burilar a pedra bruta, cujo trabalho, entretanto, não termina ao torná-la cúbica: falta, ainda, a construção do Templo, que só será possível graças ao manejo dos instrumentos de trabalho e o cumprimento dos ensinamentos recebidos, adicionados à virtude, sabedoria, força, prudência, glória e beleza. Os elementos morais que devem ser o ornamento dos Maçons em sua viagem, cujo rumo não é ao desconhecido. Entenda-se, pois, que a caminhada não se restringe, apenas em portar as ferramentas, mas, principalmente, em aprender a preparar o cimento místico para trabalhar no plano superior.
 
O cimento místico é a argamassa, que bem misturada, fará com que os Mestres não percam o amor pela escola, deixando de ensinar; evitará a avidez pelo poder de mando, tão comum entre os homens; propiciará que o Aprendiz se torne um perfeito Mestre, para cumprir com o seu dever de Maçom, se a argamassa não deteriorar....
 
A Iniciação Maçônica se completa quando o Maçom galgou, sucessivamente, os degraus de Aprendiz, Companheiro e Mestre. Durante as passagens desses graus a formação do Maçom irá tornando-o hábil, com a trolha, para amassar com coragem e perseverança o cimento místico que servirá para a edificação do Templo do Grande Arquiteto do Universo. É quando estará apto para voltar ao mundo profano, esclarecido pelos deveres de Maçom, e pregar para o bem da Humanidade. Estará consciente de que a Maçonaria é a única instituição competente para levar o Homem ao domínio da paz, da ordem e da felicidade. Ele aprendeu que no seio da Sublime Ordem não existem desejos nem interesse pessoais a satisfazer, e que a ambição se delimita às necessidades da Fraternidade. Que a vaidade não pode regurgitar e que a lei fundamental, como regra absoluta, é a extinção dos maus desejos que afligem a Humanidade. Enfim, que a Maçonaria é a associação mais propícia à obtenção do aperfeiçoamento social e moral do Homem.
 
Só o verdadeiro Maçom poderá sentir e compreender que o Templo do Grande Arquiteto do Universo é o interior de cada um de nós, o Templo humano. O Templo espiritual, que é edificado no coração e mente do Maçom para recolhimento do Bem, do Amor Fraternal, da Beneficência e da Concórdia.
 
Prancha de E. figueiredo (M:.M:.)

Bibliografia:

  • Boucher, Jules – A Simbólica Maçônica
  • Jacq, Christian – A Franco-Maçonaria – História e Iniciação
  • Santos, Sebastião Dodel – Dicionário Ilustrado de Maçonaria
  • Tourret, Fernand – Chaves da Franco-Maçonaria
  • Manual de Aprendiz Maçom - GLESP
Fonte: Loja Maçônica Mestre AFONSO DOMINGUES

domingo, 20 de julho de 2014

Pense Nisso


Acácia amarela
 
Pense Nisso

Muitas vezes as pessoas são
egocêntricas, ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo.

Se você é gentil, as pessoas podem
acusá-lo de egoísta, interesseiro.
Seja gentil assim mesmo.

Se você é vencedor, terá alguns
falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo.

Se você é honesto e franco,
as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto assim mesmo.

O que você levou anos para construir,
alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo.

Se você tem PAZ e é feliz,
as pessoas podem sentir inveja.
Seja feliz assim mesmo.

Dê ao mundo o melhor de você,
mas isto pode ainda não ser o bastante.
Dê o melhor assim mesmo.

Veja você que no final das contas,
é entre você e Deus,
nunca entre você e as outras pessoas.

Madre Teresa de Calcutá

sábado, 19 de julho de 2014

Maçonaria: Landmarks e Antigas Obrigações

 
O termo “Landmark” é conhecido por todos os irmãos, mas sua definição nem sempre é tão clara. Além disso, esses Landmarks estão muitas vezes ligados às Antigas Obrigações. Meu objetivo aqui é esclarecer esses termos e traçar linhas distintas entre três termos.
  1. “Antigas Obrigações” é o nome dado a certos manuscritos que têm mais ou menos o mesmo conteúdo. É um termo que é usado para caracterizar 131 manuscritos, o mais velho dos quais é o “Regius” datado de 1390. Estes manuscritos contêm “Obrigações” no sentido de regras que todos os maçons são obrigados a seguir. A maioria destas Obrigações está relacionada com a arte operativa da construção e com sua regulamentação. A lenda de York é parte destes manuscritos.
  2. O Antigos Regulamentos & Encargos nda têm nada a ver com as Antigas Obrigações. Elas são um conjunto de 15 normas que aparecem nas primeiras páginas do Livro das Constituições da GLUI. Embora sejam considerados o “Resumo da …” eles são os únicos. Eles não são um resumo de qualquer outro conjunto.  Todo Mestre eleito precisa prometer mantê-los antes que de ser empossado como VM.
  3. Os Landmarks são princípios básicos da Maçonaria Especulativa semelhantes a axiomas em matemática. Basicamente, eles são linhas limítrofes ou marcas entre o que está dentro dos limites da Maçonaria Especulativa e o que está fora deles.
Deve ser salientado que as linhas limítrofes, ou marcas de fronteira, têm sido sempre consideradas pelos homens como as mais importantes e zelosamente guardadas. Na Bíblia elas são consideradas sagrados. Em Deuteronômio 27:17 encontramos: “Maldito aquele que remover os marcos do seu próximo”.  Referências semelhante pode ser encontrada em Provérbios 22:28 e em Jó 24:2.
Devemos lembrar que tais limites sempre implica em que todos os reconheçam como tal.
Na literatura maçônica, existem muitos esforços para lidar com os Landmarks de nosso Ofício, e é geralmente aceito que a definição do que seja um Landmark não é fácil. A fim de melhor compreender as dificuldades, vamos usar alguns exemplos: É obrigatório que cada Irmão acredite no Grande Arquiteto do Universo e que deva haver um Livro da Lei aberto sobre o Altar, quando uma loja está trabalhando. Estes são dois dos nossos Landmarks. Eles não estão incluídos nas Antigas Obrigações nem nos Antigos Regulamentos & Obrigações. Por outro lado, reconhecer “apenas três graus de AM, CM e MM e a cerimônia de instalação de um VM” não é um Landmark, mas faz parte dos Antigos Regulamentos & Obrigações.
De acordo com William Preston, os Landmarks são os limites estabelecidos para evitar todas as inovações. Isto é expresso muito bem no Regulamento 11, a saber:
“Você admite que não está no poder de qualquer homem ou grupo de homens fazer a inovação no corpo da Maçonaria.”
John S. Simons definiu Landmarks [1] de uma forma abrangente, como segue: “Presumimos que aqueles princípios de ação sejam Landmarks  que vêm existindo desde tempos imemoriais, seja na lei escrita ou não escrita: que são identificados com a forma e a essência da sociedade: com os quais a grande maioria concorda, não pode ser alterada, que todo maçom é obrigado a manter intacta sob as sanções mais solenes e invioláveis ​​”.
É bastante claro que esta definição inclui três elementos necessários que definem um Landmark como tal:
  1. Ele existe desde tempos imemoriais.
  2. Ele expressa a forma e essência da Maçonaria Especulativa.
  3. Fica acordado que ele nunca pode ser modificado.
Frequentemente, quando Landmarks são discutidos, apenas dois desses elementos são mencionados, ou seja, que eles são “desde tempos imemoriais” (antigos) e que não podem ser alterados. Muitas vezes, qualquer tentativa de mudar até mesmo um detalhe enfrenta críticas de que é contra nossos Landmarks. Na minha opinião, o elemento mais importante é que um Landmark deve expressar a forma e a essência do corpo maçônico. Além disso, o elemento mais fraco nesta definição é a terceira parte: o que significa “concordaram que ele nunca pode ser modificado”? Quem concordou? Quando? E, se ele for acordado mudar um Landmark, ele deixará de expressar a essência da Maçonaria? É quase como dizer: a Landmark é um Landmark porque nós dissemos que é. Isso é uma definição? Parece ser geralmente aceito que não só os Landmarks estabelecem limites, mas que eles foram reconhecidos como tal; eles eram considerados legítimos. Deve-se perceber que em tal caso, se houver um consenso geral de todos os interessados, esses limites podem ser alterados. Na verdade, a frase original dessa cláusula incluía: “… sem obter primeiro o consentimento da … Grande Loja”. Esta parte final foi omitida após a GLUI ter sido constituída [2]. Esta foi uma mudança significativa de um conjunto ajustável de Landmarks para uma canonização completa e final.
Em seu livro “A Maçonaria especulativa” [3], A.S. MacBride definiu nossos Landmarks como “certos usos e costumes estabelecidos, ocupando a posição que o uso e costume ocupam em uma comunidade”, ou seja, semelhante à “lei comum” em um sistema político. Estes Landmarks assemelham-se às leis civis, mas eles diferem em um aspecto: eles foram adotados por uma Grande Loja. Ao mesmo tempo, deve-se salientar que nem todo uso ou costume é um Landmark; deve existir uma condição adicional: ele tem de servir de fronteira entre o que está dentro dos limites da Maçonaria e o que está fora desses limites. Somente tais usos podem se tornar Landmarks. Em outras palavras: o Landmarks da Maçonaria são usos e costumes estabelecidos que servem como limites tanto para dentro quanto para fora de uma organização maçônica. Se examinarmos de perto esta definição, ficará evidente que ela contém um objetivo, não apenas as fronteiras, mas de tal forma que esteja em conformidade com os objetivos da Maçonaria especulativa.
Parece-me que a necessidade de estabelecer Landmarks suporta a “teoria da transição”, pelo menos parcialmente. Quando as lojas operativas começaram a aceitar maçons não-operativos, e a construção de um templo espiritual e moral tornou-se o objetivo central, surgiu a necessidade de estabelecer limites acordados. Em outras palavras: somente Landmarks que servem os objetivos dos maçons especulativos foram escolhidos entre os usos e costumes já existentes nas lojas (operativas). Assim como a necessidade de uma loja para os construtores, antes que o próprio edificio fosse iniciado, por isso precisamos de um conjunto de regras antes de um templo humano seja erguido para a construção de um templo espiritual; para moldar as pedras brutas humandas de acordo com princípios morais .
De acordo com MacBride, os Landmarks listados no ‘Aimã Rezon’ de Dermot (1756) cerca de cem anos antes que a Encyclopaedia de Mackey fosse publicada, incluem vários que não estão de acordo com os objetivos típicos de Landmarks, conforme definido por Simons acima. Assim o fizeram outros em suas listas de Landmarks, alguns dos quais eram novas invenções e não usos e costumes existentes.
Quando examinamos os vinte e cinco Landmarks de Mackey, torna-se claro, que os Landmarks expressam a quintessência da Maçonaria e que expressam somente aspectos estruturais. Se aceitarmos a definição de Simons para Landmarks, é bastante óbvio que aqueles Landmarks que se referem apenas ao Grão  Mestre e a Grande Loja não podem ser “desde tempos imemoriais”. Afinal, estes não poderiam existir antes de 1717.
Além disso, eles não têm nada a ver com “um sistema de moralidade”. O mesmo se aplica a qualquer Landmark relacionado com o terceiro grau. Embora a lenda de Hiram seja muito antiga, o sistema de três graus foi criado apenas por volta de 1730.
Conforme B.E. Jones justamente salientou em seu “Guia & Compêndio do Maçom” [4], embora todo maçom tenha que observar os Landmarks, não há definição oficial do que seja um Landmark, nem são eles nomeados em muitas Constituições de Grandes Lojas. Escritores maçônicos citam muitas vezes a lista de 25 Landmarks de Mackey, que são listados completos por Jones.
Quando examinamos os Landmarks de Mackey, podemos discernir quatro grupos:
  1. Aqueles relativos à fraternidade e à essência da Maçonaria: § §. 1-3, 9, 11, 18-24
  2. Aquels que se referem o Grão-Mestre e dos seus direitos: § §. 4-8
  3. Aqueles que dizem respeito os direitos de um irmão: § §. 12-15, 17
  4.  Aqueles que se referem os deveres de uma loja, incluindo interrelações entre lojas: § §. 10, 16.
Na minha opinião, o último Landmark dificilmente pode ser considerado como um Landmark, uma vez que estes Landmarks nunca podem ser modificados. Certamente não quando sabemos que este mesmo Landmark foi modificado em 1823.
Todos os Landmarks relacionados com o Grão-Mestre e a Grande Loja e não são, obviamente “desde tempos imemoriais” e nada têm a ver com a Maçonaria ser “um sistema peculiar de moralidade”. O mesmo vale para o último grupo acima, uma vez que ‘Lojas privadas’ existiram bem depois de 1717, então eles também não são antigos.
Roscoe Pound relacionou apenas sete Landmarks, que na minha opinião estão em plena conformidade com a definição de Landmark de Simons. São eles:
  1. A Crença no GADU.
  2. A Crença na ressurreição e na vida após a morte.
  3. A obrigação de ter um livro da lei aberto na loja durante os trabalhos.
  4. A lenda do terceiro grau.
  5. Obrigação de segredo. (Modos de reconhecimento)
  6. A fundação da nossa arte especulativa e seu uso “simbólico para fins de ensino religioso e moral.
  7. Um candidato deve ser do sexo masculino, livre por nascimento e maior de idade.
Sem dúvida, essa lista concisa de Landmarks melhor se relaciona com os limites absolutos necessária de nosso Oficio. Sendo um jurista por profissão, Pound incluiu como Landmarks apenas aqueles que realmente expressam a quintessência da Maçonaria e excluiu aqueles que são de natureza administrativa.
The Landmark 24 na lista de Mackey é quase idêntico ao Landmark 6 de Pound, que é a conexão entre  a Maçonaria operativa e nossa Maçonaria Especulativa. Deve-se notar, que ele não torna a Maçonaria especulativa um descendente direto da Maçonaria operativa; ele apenas estipula uma conexão entre as duas,  adicionando uma finalidade definida a nossas especulações morais.
Há várias listas de Landmarks, a mais curta, contendo apenas 7 (Pound) e a maior cerca de uma centena.
A mais conhecida é o de Mackey, contendo 25 Landmarks.
É minha esperança que eu tenha ajudado a compreender melhor o significado da nossos Landmarks.

LANDMARKS DE MACKEY
1) Os modos de reconhecimento.
2) A divisão da Maçonaria Simbólica em três graus.
3) A Lenda do Terceiro Grau.
4) O governo da Fraternidade por um presidente chamado Grão Mestre.
5) A prerrogativa do Grão-Mestre de presidir todas as assembléias da Maçonaria.
6) A prerrogativa do Grão-Mestre de conceder Autorizações para conferir graus em tempos anormais.
7) A prerrogativa do Grão-Mestre de conceder autorizações para a abertura e manutenção de Lojas.
8.) A prerrogativa do Grão-Mestre para iniciar maçons à vista.
9) A necessidade de os maçons se reunirem em lojas.
10) A condução dos trabalhos, quando congregados em uma loja por um Venerável e dois Vigilantes.
11) A necessidade de que cada loja, quando reunida, deva ser devidamente telhada.
12) O direito de cada maçom de se fazer representar em todas as assembleias gerais da Maçonaria e instruir seus representantes.
13) O direito de cada maçom de apelar da decisão de seus irmãos em Lodge reunida à Grande Loja ou Assembléia Geral dos maçons.
14) O direito de cada maçom de visitar e sentar-se em toda Loja regular.
15) Nenhum visitante, desconhecido como maçom, pode entrar em uma Loja sem primeiro passar um exame de acordo com os usos antigos.
16) Nenhuma Loja pode interferir nos negócios de outra Loja, nem atribuir graus a irmãos que são membros de outras Lojas.
17) Todo maçom está sujeito às Leis e Regulamentos da jurisdição maçônica em que reside.
18) Qualificações de um candidato: que ele seja homem, não tenha defeito físico, nascido livre, e de maior idade.
19) A crença na existência de Deus.
20) Subsidiária a esta crença em Deus, está a crença em uma ressurreição para uma vida futura.
21) Um “Livro da Lei” constituirá parte indispensável do mobiliário de cada Lodge.
22) A igualdade de todos os maçons.
23) O segredo da instituição.
24) A fundação de uma Ciência Especulativa, para fins de ensino religioso ou moral.
25) Estes Landmarks nunca podem ser modificados.
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NOTAS
[1] J. W. Simons, The Principles of Masonic Jurisprudence”
[2] T. O Haunch, Conferência Prestoniana para 1972, que foi um estudo sobre a mudança.
[3] Publicado pela Southern Publishers Inc, Masonic Publications Division, 1924.
[4] Páginas 334-6.
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Publicado originalmente em :  http://www.freemasons-freemasonry.com/doron.html
 
Publicado pelo 'Prof. Gabriel Campos de Oliveira .'.' gab_campos@msn.com [valedomacom]  
 
 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Poesia sertaneja

 
Timidez
 
Teria mil coisas
Para te dizer
Falta-me boca
 
Teria mil coisas
Para te olhar
Falta-me olhos
 
Teria mil coisas
Para te sentir
Falta-me tato
 
Teria mil coisas
Para te escutar
Falta-me ouvidos
 
Poderia te dizer
Mil vezes
Eu te amo
Falta-me coragem.
 
Júlio César Alves
Nazarezinho (PB)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A Oração do Justo


 


A Oração do Justo


"A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos" - TIAGO, 5:16.

Considerando as ondas do desejo, em sua força vital, todo impulso e todo anseio constituem também orações que partem da Natureza.

O verme que se arrasta com dificuldade, no fundo está rogando recursos de locomoção mais fácil.


A loba, acariciando o filhotinho, no imo do ser permanece implorando lições de amor que lhe modifiquem a expressão selvagem.


O homem primitivo, adorando o trovão, nos recessos d'alma pede explicações da Divindade, de maneira a educar os impulsos da fé.


Todas as necessidades do mundo, traduzidas no esforço dos seres viventes, valem por súplicas das criaturas ao Criador e Pai.


Por isto mesmo, se o desejo do homem bom é mais uma prece, o propósito do homem mau ou desequilibrado é também uma rogativa.


Ainda aqui, porém, temos a lei da densidade específica.


Atira uma pedra ao vizinho e o projétil será imediatamente atraído para baixo. Deixa cair algumas gotas de perfume sobre a fronte de teu irmão e o aroma se espalhará na atmosfera.


Liberta uma serpente e ela procurará uma toca.


Solta uma andorinha e ela buscará a altura.


Minerais, vegetais, animais e almas humanas estão pedindo habitualmente, e a Providência Divina através da Natureza, vive sempre respondendo.


Há processos de solução demorada e respostas que levam séculos para descerem dos Céus à Terra.


Mas de todas as orações que se elevam para o Alto, o apóstolo destaca a do homem justo como sendo revestida de intenso poder.


É que a consciência reta, no ajustamento à Lei, já conquistou amizades e intercessões numerosas.


Quem ajunta amigos, amontoa amor. Quem amontoa amor, acumula poder.
Aprende, assim, a agir com justeza e bondade e teus rogos subirão sem entraves, amparados pelos veículos da simpatia e da gratidão, porque o justo, em verdade, onde estiver, é sempre um cooperador de Deus.

Emmanuel

segunda-feira, 14 de julho de 2014

O Perjúrio


  

A sociedade como um todo vive sob mecanismos de sustentação, os quais são capazes de manter a continuidade da convivência social, sem o que, induvidosamente, a vida em grupo se tornaria insuportável e até mesmo impossível.
Nas últimas décadas o homem se desenvolveu e se multiplicou sob a face da terra, chegando ao ponto atual depois que a ciência se desenvolveu, de se adaptar às novas regras estabelecidas. Basta lembrar que somente no último século foi que a população mundial conseguiu dobrar o seu total várias vezes. Daí porque, cada instituição, no particular, para que pudesse existir e garantir aos seus participantes o mínimo necessário daquilo que se propôs, buscou estabelecer regras que pudessem assegurar a todos a inviolabilidade, os segredos internos, a privacidade, o bem estar, os benefícios e tudo o mais de sua especificidade.
 
No caso específico da Maçonaria, tais regras não foram relegadas, muito pelo contrário, foram implementadas em um arcabouço de normas e princípios que lhe são próprios, os quais servem para a orientação do maçom. Essas disposições se apresentam na forma escrita em seus mais diversos diplomas legais, mas, também, na forma consuetudinária e que são seguidas e transmitidas de geração a geração.
 
Diante dessa rápida amostragem, e, focado nos fatos que vem acontecendo nos dias atuais no meio maçônico, notadamente com a questão defendida por muitos a respeito da abertura das lojas; por alguns não maçons – os “goteiras”, sobre a revelação dos segredos da Instituição através dos meios de comunicação de massa; e, por ultimo, com a revelação a profanos dos assuntos sigilosos tratados nas reuniões fechadas, forçoso é reconhecer que algo está errado e é preciso por um basta nessa situação.
 
Com efeito, embora todos os fatos mereçam muita atenção por parte dos maçons, nos ocuparemos neste momento da abordagem desse último tema, qual seja, o do perjúrio, ora praticado por alguns. Todos sabem que aquilo que se discute dentro de uma loja maçônica não pode ser revelado lá fora, nem mesmo aos irmãos que não participaram da reunião, exceto se o Venerável Mestre assim o deliberar. Ora, se assim o é, toda a vez que alguém descumpre essa regra comete perjúrio. E o que é perjúrio?
 
Perjúrio é jurar falso, quebrar o juramento feito. Então, quem jura dentro da loja não revelar os segredos maçônicos e assim não cumpre, rigorosamente está cometendo esse deslize e, no dizer de uma daquelas regras mencionadas, deve cumprir o ritual de quem estar à ordem, naturalmente dentro do seu grau… “por não ter sido capaz de guardar um segredo que lhe foi confiado”. A Maçonaria sempre foi respeitada pela qualidade, postura moral e ética dos seus membros, pelos segredos milenarmente mantidos.
 
Seguramente, toda a vez que um assunto interno é revelado ao profano, ou, repita-se, aos irmãos que não participaram da reunião, o desgaste da instituição é evidente, sem se falar do desconforto do irmão que foi citado em determinado episódio. Não é aceitável que um assunto trazido em loja por um irmão seja motivo de especulação profana, levando-o a ser alvo de comentários nas ruas e até mesmo de ser atingido moral e fisicamente. Os efeitos nefastos de um perjúrio vão além do que possamos imaginar, e isso não se pode tolerar. Quem não tem condições de viver em uma sociedade séria como a Maçonaria, dela deve se licenciar (afastar mesmo), sob pena de, com suas faltas, ter seu comportamento levado à apreciação do Egrégio Tribunal de Justiça Maçônico, a quem compete deliberar sobre a matéria. Concluindo, ao perjúrio advirão efeitos e conseqüências indesejáveis, todavia, a fala do momento não tem o condão de ser inquisitiva, muito menos, um caráter de estimular censura ou punição a qualquer irmão, até mesmo, porque desconhecemos quem assim procede, mas, tão somente, como um alerta a todos nós contra fatos de tamanha gravidade.

Autor

Que o G.’.A.’.D.’.U.’. nos ajude.
 Ir.’. Adilson Miranda de Oliveira
LOJA MAÇÔNICA OBREIROS DO AREÓPAGO Nº 33
IBICARAÍ-BAHIA

domingo, 13 de julho de 2014

  Símbolos - Simbolismo - Simbologia 
"O Simbolismo transforma os fenômenos visíveis em uma ideia, e a ideia em imagem, mas de tal forma que a idéia continua a agir na imagem, e permanece, contudo, inacessível; e mesmo se for expressa em todas as línguas, ela permanece inexprimível. Já a Alegoria, transforma os fenômenos visíveis em conceito, o conceito em imagem, mas de tal maneira, que esse conceito continua sempre limitado pela imagem, capaz de ser inteiramente apreendido e possuído por ela, e inteiramente exprimido por essa imagem."
Goethe.
 
               
A Maçonaria, é definida através das instruções maçônicas inglesas, como um sistema peculiar de moralidade, velado por alegorias e ilustrado por símbolos.


Em sua "Encyclopedia of Freemasonry", o sábio Albert Galatin Mackey prefere ir mais longe:
"A Maçonaria é um sistema de moralidade desenvolvido e inculcado pela ciência do simbolismo. Este caráter peculiar de instituição simbólica e também a adoção deste método genuíno de instrução pelo simbolismo, emprestam à Maçonaria a incolumidade de sua identidade e é também a causa dela diferir de qualquer outra associação inventada pelo engenho humano. É o que lhe confere a forma atrativa que lhe tem assegurado sempre a fidelidade de seus discípulos e a sua própria perpetuidade."
De fato, a Maçonaria adotou o método de instrução, ela não o inventou.

A simbologia é a ciência mais antiga do mundo e o método de instrução dos homens primitivos. É graças a ela que tomamos conhecimento hoje, da sabedoria dos povos antigos e dos filósofos. O acervo religioso, cultural e folclórico da humanidade está preservado através do simbolismo, desde a pré-história.
O princípio do pensamento simbólico está fincado em uma época anterior à história, nos fins do período paleolítico. Os mestres da humanidade primitiva, podem ser facilmente localizados, através de estudos sobre gravações epigráficas.
A Maçonaria é a legítima herdeira espiritual das sociedades iniciáticas da antiguidade, porque perpetua o tradicional método de instrução, no ensinamento de suas doutrinas.
Nicola Aslan, em sua obra "Estudos Maçônicos sobre Simbolismo", divide os símbolos maçônicos em cinco classes principais:

1. Símbolos religiosos, místicos e tradicionais:
Deus, a criação e perfeição
São representados pelo Selo de Salomão ou Escudo de Davi (Estrela de Davi).
Estrela de Davi
Evocação da idéia de Deus
Representada pelo Triângulo, Delta Luminoso ou por Três Pontos ∴

Como digiar no Word o símbolo da maçonaria (3 pontos): Digite 2234 e em seguida aperte "Alt-x" (funciona no Windows 7). O símbolo 3 pontos em unicode (∴) aparecerá automaticamente.
3 Pontos


(detalhe da nota de um dolar americano)
Sol
Representado pelo Círculo com um ponto central.
Símbolo do Sol - Círculo com um ponto central
Símbolo do Poder
Representado pelo TAU grego.
2. Símbolos da Arte da Construção:
Medida na pesquisa Representada pelo Compasso.
Retidão na ação
Representada simbolicamente pelo Esquadro.
Vontade na aplicação
Representada pelo Malho (ou Malhete).
Malho
Discernimento na investigação
Representado pelo Cinzel.
Profundeza na observação,
Representada pela Perpendicular (prumo).
Emprego correto dos conhecimentos,
Representado pelo Nível.
Precisão na execução,
Representada pela Régua.
Poder da vontade,
Representado pela Alavanca.
Benevolência para com todos,
Representada pela Trolha.
Trabalho constante,
Representado pelo Avental.
O dualismo,
Representado pelo Pavimento de Mosaico.
O Trabalho do Aprendiz,
Representado pela transformação da Pedra Bruta na Pedra Polida (Pedra Cúbica).

Selo dos Correios - Brasil 2004
Desbastando a Pedra Bruta
(veja também: Filatelia Maçônica)
3. Símbolos herméticos e alquímicos:
Os quatro elementos herméticos,
Representados pelos elementos clássicos: Ar, Terra, Água, Fogo.
Os três princípios da Grande Obra,
Representados pelo Sal, Mercúrio e Enxofre
(Sal, Mercúrio e Enxofre)


Ainda temos outros símbolos herméticos e alquímicos, como por exemplo:




  • O Sol e a Lua;




  • Coluna B (Boaz ou Booz) e Coluna J (Jachim);




  • O VITRIOL (Visita Interiora Terrae Rectificando Invenies Occultul Lapidem, que significa "visita o interior da terra e, retificando-te, encontrarás a pedra oculta");




  • Outros símbolos ocultos

O Sol e a Lua

Colunas J e B
(VITRIOL)
4. Símbolos com significado particular:
A união entre os Maçons,
Representada pela Romã.
A cooperação para atingir o mútuo desenvolvimento,
Representada pela Colméia.
A união fraternal,
Representada pela Cadeia de União.
(Cadeia da União)
A luz do aprendizado, do conhecimento e da revelação,
Representada pela Lamparina.
A iluminação,
Representada pela Estrela flamejante.
O conhecimento,
Representado pela letra G. Sétima letra do alfabeto latino e terceira letra do alfabeto grego (Gama). Ghimel, em fenício e em hebráico, Gomal em siríaco e Gun em árabe. A letra G é equivalente ao Gama grego - O Conhecimento - (de Gnosis). Representa o Grande Arquiteto do Universo e a ciência da Geometria.
O equilíbrio,
Representado pelas colunas da Sabedoria, Força e Beleza.

Colunas maçônicas representando
a Sabedoria, Força e Beleza
 
A imortalidade e inocência,
Representadas pelo ramo de Acácia.
O amor e a abnegação,
Representados pelo Pelicano.
5. Outros símbolos tradicionais:
Pitagóricos,
Representados pelos números, pelo Pentagrama (estrela de cinco pontas), pela Proporção Áurea (ou Proporção Dourada) e pelo Teorema de Pitágoras.
Cabalísticos,
Representados pelas sefirotes ou sefiras (manifestações ou esferas da Árvore da Vida). Keter: Coroa
Binah: Compreensão
Hochma: Sabedoria
Daath: Gnose ou Conhecimento
Gevura: Julgamento
Hesed: Misericórdia
Hod: Reverberação
Tepheret: Equilíbrio/Beleza
Netzah: Eternidade
Yesod: Fundação
Malcut: Reino
Geométricos (ex: Círculo, Triângulo, etc.), religiosos e muitos outros que servem a um significado maçônico.(outros símbolos)




    Com muita propriedade, Jean-Pierre Bayard, em sua obra "A Franco-Maçonaria", define o simbolismo: "O simbolismo é a linguagem da ascese. Para além do tempo e do espaço, liga a dimensão individual quotidiana, psicológica à escala cósmica, supra-individual. Pode variar na sua expressão, nas suas representações exteriores, mas os seus fundamentos permanecem imutáveis". Diz ele, que "os símbolos não são simples imagens passivas, transformadores de energia psíquica, modificam a natureza secreta do homem. O símbolo não é um conceito sábio, em entidade abstrata, mas sim uma lei profunda, que exerce o seu poder sobre a natureza interior do ser humano. O símbolo permite a transmissão da mensagem, veicula o elemento central da idéia, para além das diferenças de cultura e de civilização. Ele é intemporal.     Em Les Cahiers du Pélican, em seu no. 10, André Pothier, destaca:
"O símbolo oferece-se em silêncio àquele cujos olhos do coração estão abertos".

Fontes de informações:
  • "Estudos Maçônicos sobre Simbolismo" - Nicola Aslan - Editora Aurora - Rio de Janeiro - 4a Edição.
  • "A Franco-Maçonaria" - Jean-Pierre Bayard - Publicações Europa-América - Portugal - 1989.
  • "Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia" - Nicola Aslan - Editora Artenova - Rio de Janeiro - 1974.
Fonte: www.lojasaopaulo43.com.br