sábado, 15 de março de 2014

Mestre Affonso Domingues   
Alexandre Herculano em "A Abóbada" oferece-nos um Mestre Affonso Domingues - Português Honrado que fora Guerreiro e estava certo, contra um estrangeiro (bretão, ainda por cima) que fora Arrogante e estava errado.
A cegueira física que lhe adviera, fez com que um rei por quem havia lutado para o pôr em trono, cercado de incompetentes conselheiros, o julgasse incapaz de concluir a incrível abóbada de tamanho projecto. Ouguet, Irlandês, chamado para concluir tal projecto, por o julgar inexequível, apressou-se a alterá-lo, para garantia que, a agora reformulada abóbada não caísse ... caiu! Desabou sobre ele atingindo-o, e não fisicamente.
El-rei convoca Affonso Domingues, reconstitui-lhe o emprego que este retoma e edifica a abóbada, passando então três dias de jejum sob a mesma.
Quando sem olhos físicos conclui e vê que a Abóbada, tal como a projectou não caiu nem cairá parte então rumo ao "Oriente Eterno".
Ouguet, que rira do velho, que por não ver julgara cego, torna-se seu admirador, humildemente se arrepende e reconhece que "Cego é quem não quer Ver".
Batalha, Mosteiro de Santa Maria da Vitória - Planta do complexo - Affonso Domingues
Batalha, Mosteiro de Santa Maria da Vitória - Planta do complexo - Affonso Domingues

Quando em meditação fechamos os olhos e "chamamos" para dentro de nós o firmamento passamos a conviver com os astros, encontramos a razão de ser da nossa existência. É a Abóbada Celeste do nosso Universo Interior, tecto do nosso místico Templo Interno que nos permite sentir o poder do G:.A:.D:.U:. que nos projectou e construiu para não cair, e para sua própria Glória.
Cada um de nós tem a liberdade de visualizar a sua Abóbada Celeste Maçónica, mas se perscrutarmos através, e um pouco mais para além da mesma, todos veremos que nesse "mais além" está o Ser, a InteliGência, o G:.A:.D:.U:., que além estar em nós, está nesse "além" onde o homem deseja encontrá-lo, e lhe autoriza por vezes a Ver sendo fisicamente Cego; a Projectar e Construir sem risco de derrocada.
Aproxima-se o ano Maçónico de 6001 -6002; estamos em vésperas da Comemoração dos 600 anos da morte do I:. M:. M:. Affonso Domingues, que muito nos orgulhamos de ter como patrono e deu o nome à nossa Respeitável Loja.
Foi sem dúvida a autoria do Risco e a direcção da Edificação do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, hoje mais conhecido por Mosteiro da Batalha, entre 5 388 e o ano da sua morte em 5 402, o facto que mais o notabilizou.
Chamei-lhe acima I:. M:. M:., e quem já visitou o Mosteiro da Batalha, como esta R:.L:. já o fez, quem parou um pouco para ver os números, a relação das distâncias, não terá pejo em atribuir-lhe tal qualificativo, pois quem riscou o templo do Mosteiro da Batalha, o claustro real e a casa do capítulo e se foi Edificando edificando-o, só pode ter sido um homem que recebera a transmissão do Saber "da boca ao ouvido".
Saber esse, de que o ponto mais recuado de que temos registo é a Lenda Maçónica do Templo do Rei Salomão.
Há registos escritos, como o Manuscrito de Cooke, referentes ao Templo do Rei Salomão que remontam a 5410 (oito anos apenas após a morte de Mestre Affonso Domingues).
Por ilação, e por força da transmissão "da boca ao ouvido" provém concerteza de tempos bem mais recuados, pois além de ser possível, é mais que provável que estas tradições tenham estado nos lábios dos homens por apreciável espaço de tempo antes de serem registadas para conhecimento da posteridade.
Auxiliando-nos na defesa desta tese, no mesmo Manuscrito de Cooke, exibido em Grande Loja em 5721, lemos a determinado passo que : tudo isso se escorava na autoridade de "outras crónicas, e nos velhos livros de Maçonaria", atestando assim, pelo menos, o predomínio, já nesse tempo de uma velha tradição.
Ainda anterior àquela data, encontra-se o termo "franc hons" na obra 'Coutumes du Beauvoisis' de Philippe de Bueamanoir.
Convém, neste ponto, dizer que Philippe de Bueamanoir viveu entre 5226 e 5295 da hera maçónica, e para que se possa avaliar da sua autoridade como analista rigoroso dos estratos da Sociedade Medieval, foi jurisconsulto notável; foi um dos mais puros representantes da escola de legistas, que através do estudo das instituições, abriu uma brecha no feudalismo medieval e preparou a sociedade moderna.
Na citada, obra Philippe de Bueamanoir, fala dos "franc hons" que não são "gentilz hons", havendo desde essa época uma contraposição entre o homem livre (franc) e o servo, e até mesmo o vilão. Portanto o qualificativo "franc" além da ligação ao material usado, (franche - a pedra franca, que é uma bela pedra calcárea, de construção que se encontra nos arredores de Paris. Em Inglaterra, ou mais correcto relativamente à data, na Normandia a pedra equivalente era a "free stone", a pedra que presta para ser esculpida, em contraste com a pedra rija a "roughstone"), como antes dizia o qualitativo "franc" em França, bem como o qualitativo "free" na Normandia, ambos com igual raiz no material usado, corresponderiam a livre, isento, designando o maçon como um emancipado da servidão feudal, emancipado moral e intelectualmente, por vezes até beneficiário de apreciáveis privilégios, nomeadamente nos ligados à profissão.
Segundo o "Livre des Métiers", de Étienne Boileau, que viveu entre 5200 e 5269 da era maçónica, e foi presidente da Câmara de Paris, era "franc" quem exercesse um "franc métier".
A "franchise" não sendo concedida automaticamente a pedreiros, carpinteiros e estucadores, porém dela já beneficiavam por inerência do "métier" os entalhadores de pedra; além disso também podia ser concedida por "ratione loci" (em razão do local), como foi então o caso da zona do "Temple" em Paris.
Um determinado tempo e lugar poderiam ser merecedores de um estatuto de distinção.
Não vejo razão nenhuma para que, quer pelo métier "entalhador de pedra", quer em "ratione loci", Mestre Affonso Domingues não fosse maçon.
Os Maçons práticos de então acreditavam firmemente na tradição de um corpo puramente operativo. Dessa tradição há registo escrito em "Ordens de Aprendiz", (loja Swalwell - Sunderland em 5681) e de lá podemos retirar a seguinte citação: "O Rei David e seu filho, o Rei Salomão, na construção do Templo de Jerusalém ... não somente promoveram a fama das 7 Ciências Liberais, mas também formaram Lojas ... a fim de fazerem Maçons, dentro dos seus Domínios, quando e onde lhes aprouvesse".
Do acima citado Manuscrito de Cooke retiramos a seguinte passagem: "Salomão tinha oitenta mil maçons, e o filho do Rei de Tiro era o seu Mestre Maçon".
Num paralelismo livre, e relativamente á Edificação do templo do Mosteiro da Batalha, permito-me criar a passagem: "El-rei D. João I tinha doze mil maçons e Affonso Domingues era o seu Mestre Maçon".
Também Mestre Affonso Domingues partiu para o Oriente Eterno antes que a Obra estivesse concluída, tal como o Mestre Maçon filho do Rei de Tiro.
A Edificação do Mosteiro da Batalha processou-se ao longo dos tempos, foram diversos os Mestres que Operaram nesta imponente Obra de Arte que percorreu duzentos anos à procura de um fim que não chegou ainda a conhecer; o Panteão de El-Rei D. Duarte, chamado de Capelas Imperfeitas assim o garante.
No conceito Universal, do Oriente ao Ocidente, do Sul ao Norte, do Zénite ao Nadir a construção, sempre em trabalho, nunca estará concluída.
Pretende apenas este trabalho ser uma humilde homenagem, ao M:.M:. Affonso Domingues em vésperas do sexto centenário da sua morte, dum Maçon orgulhoso de ser membro de uma R:.L:. que se atreve a usar o seu nome.
Não pedindo vénia para declinar a subida honra que me haveis concedido, por supor que poderia responder devidamente ao tema "Mestre Affonso Domingues", mas consciente dos estreitos limites dos meus conhecimentos, apenas ousei escrever algumas palavras de explicação, e explanação, pedindo e esperando, da vossa benevolência e fraternal amizade, a indispensável desculpa para tal ousadia.
A. Ruela (M:. M:.)
 
Texto transcrito do Blog Loja Maçônica Mestre Affonso Domingues

quarta-feira, 12 de março de 2014

Na porta de um consultório.








Este alerta está colocado na porta de um consultório.
   
 
A enfermidade é um conflito entre a personalidade e a alma.

O resfriado escorre quando o corpo não chora.

A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.

O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
 

O diabetes invade quando a solidão dói.
 
O corpo engorda quando a insatisfação aperta.

A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.

O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.

A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.

As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.

O peito aperta quando o orgulho escraviza.

A pressão sobe quando o medo aprisiona.

As neuroses paralisam quando a "criança interna" tiraniza.

A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade.

Os joelhos doem quando o orgulho não se dobra.

O câncer mata quando não se perdoa e/ou cansa de viver.

E as dores caladas? Como falam em nosso corpo?

A enfermidade não é má, ela avisa quando erramos a direção.

O caminho para a felicidade não é reto, existem curvas chamadas Equívocos.
 
Existem semáforos chamados Amigos.
Luzes de precaução chamadas Família.
Ajudará muito ter no caminho uma peça de reposição chamada Decisão.
Um potente motor chamado Amor.
Um bom seguro chamado FÉ.
Abundante combustível chamado Paciência.
Mas há um maravilhoso Condutor e solucionador chamado DEUS.
 

   
 
Texto enviado pelo irmão Devaldo de Souza

terça-feira, 11 de março de 2014

QUEM É O SUBSTITUTO IMEDIATO DO VENERÁVEL MESTRE?


QUEM É O SUBSTITUTO IMEDIATO DO VENERÁVEL MESTRE?



Recentemente em um bate papo informal com alguns Irmãos surgiu este questionamento: Quem é o substituto imediato do Venerável Mestre?
Prontamente alguns Irmãos responderam: o substituto imediato do Venerável Mestre é o Irmão 1° Vigilante. Na falta deste o Irmão 2° Vigilante.

A maioria dos Irmãos presentes concordou com a afirmação feita, porém, um Irmão Decano, que atentamente ouvia as respostas, em determinado momento disse: "O substituto imediato do Venerável Mestre deve ser um Irmão Mestre Instalado".
Bem, a partir da afirmação do Irmão Decano gerou-se uma serie de duvidas e perguntas: E se o Irmão 1° Vigilante não for Instalado? E se o Irmão 2° Vigilante também não for Instalado? Quem assume a direção dos trabalhos?.
A única maneira de encontrarmos respostas a estas perguntas é a busca através de pesquisas, senão vejamos:

Para se chegar até a cadeira de Venerável Mestre é necessário que o Mestre Maçom passe do Ocidente para o Oriente. “O caminho que deveis trilhar para atingirdes o domínio de vos mesmo, é pelo trabalho e pela observação ¹”. Primeiramente precisa subir os quatro degraus que separam o Ocidente do Oriente sendo eles: Força, Trabalho, Ciência e Virtude. Alcançado estas virtudes o Irmão que pretende chegar à cadeira do Venerável Mestre, ou o trono do Venerável, ou o trono da Sabedoria, deverá subir mais três degraus, sendo eles: Pureza, Luz e Verdade. Assim, se procedendo, o Irmão é conduzido e devidamente Instalado através de Ritual apropriado no trono da Sabedoria, o lugar que lhe compete em Loja. 
Os irmãos Cid, Olímpio e Assis.

Lembrando que Mestre Instalado não é grau, e sim, uma Classe de Maçons. Em seu trabalho intitulado "Mestre Instalado é Grau?", o Ilustre Irmão Amilcar Silva Júnior nos diz: "...pelo que entendo, é evidente que Mestre Instalado não é grau. Nem simbólico nem filosófico". 

É um direito e um privilegio do Venerável Mestre de instalar seu sucessor. Diz o Irmão Kurt Max Hauser - P.·. G.·. M.·. da M.·. R.·. G.·. L.·. M.·. E.·. R.·. G.·. S.·., em seu trabalho intitulado "Ritos Maçônicos": " Nenhuma outra autoridade, incluindo o Grão Mestre, salvo em casos excepcionais, devidamente justificados, pode praticar tais cerimonias, sem atentar contra este direito e contra a independência e autoridade da Loja". 

É um direito e privilégio do Venerável Mestre de outorgar graus. Somente o Mestre Instalado tem direito e privilegio de outorgar os graus simbólicos. Na cerimônia de Iniciação após o Neófito Ter recebido a Luz, o Venerável Mestre que foi instituído na Classe de Mestre Instalado, segurando a espada recebe e constitui o Neófito a condição de Aprendiz Maçom e membro da Oficina. Assim, deverá ser usada a mesma formula para a cerimônia de Elevação e Exaltação, conforme determina o Ritual do grau. 

Toda sessão Maçônica deverá ser dirigida por um presidente. O Presidente de uma Loja Maçônica é o Obreiro que pela vontade dos Irmãos foi eleito Presidente da Oficina e devidamente Instalado através de Ritual apropriado no trono da Sabedoria.
O 1° Vice-Presidente de uma Loja Maçônica é o Irmão 1° Vigilante sendo o Irmão 2° Vigilante o 2° Vice-Presidente, ambos eleitos pela vontade dos Irmãos.
Verifica-se então que na ausência do Venerável Mestre o substituto imediato é o Irmão 1° Vigilante (1° Vice-Presidente). Na ausência do Venerável Mestre e do 1° Vigilante, o substituto imediato é o Irmão 2° Vigilante (2° Vice-Presidente).
Este procedimento se dará em qualquer sessão, mesmo que seja a de Iniciação, Elevação e Exaltação. Os Irmãos 1° Vigilante (1° Vice-Presidente) e o Irmão 2° Vigilante (2° Vice-Presidente) são os substitutos legais do Presidente. 

Na sessão de Iniciação os substitutos legais do Venerável Mestre no momento da "sagração" se não pertencerem a "Classe de Mestre Instalado", "não poderão sagrá-los", ou seja, não poderá receber o Neófito a condição de Aprendiz Maçom. Deverá o substituto legal solicitar ao “Irmão Mestre Instalado" presente a sessão que neste momento, segurando a espada receba e constitua o Neófito a condição de Aprendiz Maçom e membro da Oficina. 

O mesmo procedimento deverá ser feito nas sessões de Elevação e ou Exaltação. Poderão os substitutos legais do Venerável Mestre, achando-se que estão impedidos de dirigirem a sessão magna, por não pertencerem a Classe de Mestre Instalado, solicitar ao antigo Venerável Mestre que dirija os trabalhos ou ainda solicitar a algum Irmão Mestre Instalado presente a sessão que dirija os trabalhos.

Conclui-se então que na ausência do Venerável Mestre o substituto imediato e que deve assumir os trabalhos é o 1° Vigilante (1° Vice-Presidente), e na ausência de ambos quem deve assumir os trabalhos é o segundo substituto imediato, o Irmão 2° Vigilante (2° Vice-Presidente). Porém se os Irmãos substitutos não pertencerem a Classe de Mestre Instalado não poderão em hipótese alguma receber e constituir Maçons. 

Irm.’.  Antônio Carlos Rios
Da Academia Maçônica de Letras de MS
Cadeira nº 19 Fundador da
A R L S Expansão da Luz Nº 35*
G O M S- C O M A B
 
Fonte: Arte Real - Trabalhos Maçônicos

segunda-feira, 10 de março de 2014


A EGRÉGORA MAÇÔNICA


Quando os Maçons pensam no conceito de egrégora, por vezes perguntam-se: Haverá mais de uma egrégora para a Maçonaria - isto é, será que cada Grande Loja ou Grande Oriente tem uma egrégora diferente ou separada?

Ao ingressarmos na Maçonaria, passamos a integrar um corpo unificado de homens do mundo inteiro. Embora nossos membros sejam inscritos numa Potência especifica, segundo seu Ritual, todas as Potências formam um só grupo, com um único propósito comum: Tornar qualquer pessoa apta a viver em harmonia com as forças cósmicas construtivas, criativas, para a consecução de saúde, felicidade e paz. Em seu conjunto, as Potências fazem isso preservando e difundindo os ensinamentos maçônicos.

Quando nos reunimos para perseguir uma meta comum, desenvolvemos uma consciência grupal. Todos os nossos pensamentos conscientes individuais são unificados num só pensamento grupal. Dessa união advém um estado de consciência que, em termos místicos, é tido como sendo maior do que nossos pensamentos individuais. Aprendemos em nossos ensinamentos Maçônicos que, quando dois ou mais de nós nos reunimos num esforço conjugado, criamos algo maior que a soma de nossos esforços individuais.

Essa consciência compartilhada flui como um continuum com o inconsciente, permitindo que nos harmonizemos com a mente universal, tornando-se um esforço global de um só. Nosso esforço conjunto se torna uma expressão da mente cósmica.
Aprendemos que tudo o que já existiu existe agora e sempre existirá. Portanto, a essência dessa consciência cósmica grupal é eterna.

UMA DEFINIÇÃO MAIS DIRETA

Embora os Maçons tenham um sentimento interior do que seja a Egrégora, muitos desejam ainda receber uma definição mais direta e objetiva. Neste sentido entendemos que a Egrégora é uma entidade terrena ou mundana e espiritual ou divina, formando uma unidade ativada pela energia do pensamento. Em termos muito simplificados, estamos falando de uma expressão de consciência grupal.

A Egrégora é muito mais do que a sinergia obtida em um grupo no qual os componentes têm todos os mesmo objetivos. Enquanto que a sinergia pode ser o resultado da união de mentes para o bem ou para o mal, a Egrégora só pode ser o resultado da união do pensamento positivo para conseguir algo de bom em favor da Humanidade.

Como membros da Maçonaria Universal, fazemos parte da Egrégora da Ordem. Estamos psiquicamente ligados á essência de todo Maçom que já existiu. Temos acesso, em planos superiores a todo pensamento maçônico que já ocorreu.
Quando participamos em iniciações e rituais maçônicas em nossos Templos, harmonizamo-nos com essa vivificadora Egrégora, estejamos ou não conscientes disso.

Egrégora meus irmãos, não é uma palavra que se possa simplesmente procurar num dicionário. Obscura como é em seu emprego, é preciso pesquisar suas raízes. Uma definição literal de Egrégora "reunido ou agrupado no mais elevado" e pode ser encontrada nas raízes do grego e do latim antigos. O vocábulo grego ageiro significa ''EU REUNO “e uma agor é uma assembléia. Em latim, greg é uma companhia de pessoas. O vocábulo latino agregare significa ''UNIR NA MAIS ALTA MASSA OU SOMA''. As palavras inglesas aggregate e gregarius (agregar e gregário, em português) derivam dessas raízes. Uma outra palavra inglesa, agregraus (egrégio, em português), aumenta a compreensão do caráter singular do vocábulo egrégora. Derivada do latim, egrégio, em seu sentido arcaico, significa” apartado do rebanho... Destino, excelente”. Essas palavras e suas raízes antigas em grego e latim nos dão um discernimento mais profundo quanto ao significado místico do uso de egrégora”.

Embora a Egrégora possa realmente ser associada à consciência global, é muito mais do que isto. Para compreendermos os princípios místicos subjacentes ao conceito de Egrégora, bem como suas implicações superiores importantes lembrarmos o axioma maçônico "pensamentos são coisas". Este axioma indica que os pensamentos estão associados a alguma substância. Portanto, quando falamos na essência do pensamento, queremos dizer isto literalmente visto que há substância no pensamento.

"O PODER DA EGRÉGORA” ‘

Um dos motivos pelos quais nossos rituais são tão poderosos, espiritualmente, assenta na tradição secular em que eles estão fundados. Eles se tornaram um poderoso foco de consciência. A energia acumulada de séculos se manifesta durante esses rituais.

Essa energia pode ser assemelhada a um grupo de pessoas empurrando uma bola de neve. Quanto mais a rolam, maior ela se torna. Quanto maior o grupo de pessoas que empurram a bola de neve, mais energia ela atrai e utiliza, tornando-se ainda maior e mais poderosa. Se o grupo pára de empurrar a bola de neve, ela pára de crescer. Se a negligência a expõe a um ambiente incompatível, como de calor, a bola de neve diminui. Sua natureza se modifica. Por analogia, quanto mais iniciados se harmonizam com a vibração da tradição maçônica, tanto mais a Egrégora dessa antiga tradição cresce em energia. Portanto, cabe-nos respeitar a natureza da Egrégora de nossa amada Ordem. Com toda a intensidade, devemos continuamente aumentar e repor essa energia sagrada.

A egrégora é o resultado de alguma coisa. É o resultado de todo nosso pensamento criativo, tanto no plano exotérico quanto no plano esotérico de consciência, seja qual for a Potência Maçônica a que pertençamos.

Todo grupo tem sua egrégora. Se nos unirmos a um grupo religioso, tornamo-nos parte da egrégora dessa religião. Se nos unirmos a uma orquestra sinfônica, tornamo-nos parte da egrégora das orquestras sinfônicas e podemos nos harmonizar com essa vibração.

Quando ingressamos na maçonaria, tornamo-nos parte de uma família sagrada e mundial e assim escolhemos participar na egrégora da ordem. Estivéssemos ou não consciente disso, começamos a acrescentar e extrair o poder da tradição maçônica. Se decidirmos nos retirar da ordem completamente, física e psiquicamente, apartamo-nos de sua egrégora.

Em nossos estudos, etc., quando escrevemos sobre a hierarquia, estamos falando no contexto da egrégora. A hierarquia mundana ou terrena é tradicionalmente composta de membros acima de certo grau. A hierarquia esotérica ou hierarquia celestial "refere-se a um grupo de seres espirituais distribuído em nove ordens de três tríades cada. Essas nove ordens constituem uma escada celestial, sendo a tríade mais espiritualmente avançada ou elevada a mais próxima da mente cósmica, as demais se encontrando num estágio menos avançado".

Neste ponto é importante lembrar a definição de egrégora já apresentada: "É uma assembléia entidades terrenas ou mundanas e espirituais ou divinas, formando uma unidade hierárquica ativada pela energia do pensamento". Em manuscritos antigos, essa hierarquia celestial é descrita como um corpo cósmico ou celeste de governantes secretos, cada qual num nível diferente. Tudo se enquadra nas nove classificações ou divisões baseadas na antiga lei do triângulo, ou trindade, com três seções gerais, cada qual com três divisões, perfazendo nove divisões desse corpo de hostes cósmicas.

Além dessa informação proveniente de antigos manuscritos, textos maçônicos falam também em termos de trinta e três planos ou estágios de consciência cósmica anímica, o que podemos compreender em vários graus. Desses trinta e três planos, três são de natureza tão elevada, espiritual e infinita, que conhecemos muito pouco a seu respeito e só podemos sentir sua verdadeira natureza após a transição. Nove têm função específica de que podemos ter alguma compreensão; e de tempos a tempos fazemos contato com sete delas. Tais contatos são feitos por harmonização esotérica.

Do exposto pode-se perceber que, a despeito de nossos esforços para definir e compreender intelectualmente o conceito de egrégora, alguns aspectos desse principio místico estão velados em mistérios e só podem ser apreendidos pelo processo de iniciação e iluminação.

EGREGORA MAÇÔNICA (A ENERGIA UNIVERSAL BÁSICA)

Consideremos algumas manifestações universais conforme as percebemos ao nosso redor. Acima de tudo, declaramos que, por todo o espaço e em todas as coisas, há uma grande força ou energia que parece vitalizar todos os seres animados e que parece também existir em todas as coisas inanimadas. Para ajudá-los a compreender que de fato existe essa energia, recomendamos que leiam a boa enciclopédia assuntos como:

AGREGAÇÃO E DESAGREGAÇÃO

Não é necessário que leiam tudo o que esteja escrito sobre estes assuntos, mas, apenas o suficiente para aprenderem que em todos eles se faz referência a alguma força, energia, ou algum poder, presente em toda matéria. Qual é a verdadeira diferença entre agregação e desagregação? O que estas palavras tentam explicar é a diferença entre os métodos pelos quais a mesma energia opera ou se manifesta em diferentes momentos. O simples fato de que há alguma força na matéria que uma é positiva e outra negativa. Um exemplo comum de agregação, como descreve o dicionário Aurélio é reunir-se, congregar-se, juntar-se, associar-se, viver em união, em harmonia, no entanto é o lado positivo. Desagregação é desunir, separar (o que estava agregado). Separar-se é a desarmonia, pois é o lado negativo.

Um dos importantes princípios fundamentais dos nossos ensinamentos é o seguinte: A força ou energia que existe em toda matéria, e que torna a matéria ativa ou a faz existir, é uma força que nós maçons chamamos de espírito. Sabemos que os irmãos já ouviram este termo muitas vezes, mas com outros significados. Ouvimos falar do espírito que existe no mundo, no corpo ou em Deus; uma força ou energia imponderável difícil de identificar. 

Quando falamos em espírito, não nos referimos à coisa alguma de natureza religiosa. Por este termo designamos a energia ou força responsável pelas manifestações ou expressões materiais. Nunca nos referimos à alma ou Eu interior, quando falamos em espírito. Além disto, em nosso uso do termo espírito, não há relação alguma com a definição usada pelos espíritas ou por sacerdotes. Dizemos isto com o devido respeito, a guisa de explicação.

Enviado pelo Ir.'. Ivan Luiz Soares
 
Fonte: Arte Real - trabalhos maçônicos

domingo, 9 de março de 2014

O TEMPO




O TEMPO



 

Todas as criaturas gozam o tempo – raras aproveitam-no.
Corre a oportunidade – espalhando bênçãos.
Arrasta-se o homem – estragando as dádivas recebidas.
Cada dia é um país – de vinte e quatro províncias.
Cada hora é uma província – de sessenta unidades.
O homem, contudo é o semeador – que não despertou ainda.
Distraído cultivador – pergunta: “que farei”?

E o tempo silencioso responde – com ensejos benditos:
De servir – ganhando autoridade.
De obedecer – conquistando o mundo.
De lutar – escalando os céus.
O homem, todavia, – voluntariamente cego,
Roga sempre mais tempo – para zombar da vida,
Porque, se obedece – revolta-se, orgulhoso,
Se sofre – injuria e blasfema,
Se chamado a acertar as contas – lavra reclamações descabidas.

Cientistas – fogem da verdadeira ciência.
Filósofos – ausentam-se dos próprios ensinos.
Religiosos – negam a religião.
Administradores – retiram-se da responsabilidade.
Médicos – subtraem-se à Medicina.
Literatos – furtam-se à divina verdade.
Estadistas – centralizam a dominação.
Servidores do povo – buscam interesses privados.
Lavradores – abandonam a terra.
Trabalhadores – escapam do serviço.
Gozadores temporários – entronizam ilusões.

Ao invés de suar no trabalho – apanham borboletas da fantasia.
Desfrutam a existência – assassinando-a em si próprios.
Possuem os bens da Terra – acabando possuídos.
Reclamam liberdade – submetendo-se à escravidão.

Mas chega um dia – porque há sempre um dia mais claro que os outros,
Em que a morte – surge – reclamando trapos velhos…
O Tempo  recolhe, então – apressado – as oportunidades que pareciam sem fim…
E o homem reconhece – tardiamente preocupado -
Que a Eternidade Infinita – pede conta do minuto.

André Luiz