segunda-feira, 15 de abril de 2013

Escuta, Alma querida

O homem pode ser um maçom.
Mas nem todo homem pode ser um maçom.

Escuta, Alma querida

 

Escuta, alma querida!...

Se alguém te apedrejou o coração,

Não plantes ódio na alma contundida

Nem pranteies em vão...

Sustenta, no caminho da esperança,

O perdão por dever,

Não te dês à vingança...

Esse alguém vai viver.

Dá sublimado amor que o mundo não descreve,

E, se alguém te despreza com mentiras,

Não repliques, de leve,

Nem lamentos profiras;

Segue à frente, na paz em que te escondas,

Abraçando a humildade por prazer.

Por maior seja o insulto, não respondas...

Esse alguém vai viver.

Seja onde for, se alguém te suplicia,

Sob golpes brutais,

Não reclames, não percas a alegria,

Nem te azedes jamais!

Acende a fé no peito sofredor

E procura esquecer.

Infeliz de quem ri na capa de agressor!...

Esse alguém vai viver.

Escuta, alma querida!...

Quem ofende ou se põe a revidar

Atira fogo e lama à própria vida,

Compra fel e pesar.

Cultiva a compaixão serena e boa,

Envolve todo o mal em bem-querer.

Ai daquele que fere ou que atraiçoa!...

Esse alguém vai viver.



De "Antologia da Espiritualidade", de Francisco Cândido Xavier, de Maria Dolores.


domingo, 14 de abril de 2013

O resgate da categoria “espírito”, por Leonardo Boff*


Leonardo Boff

O resgate da categoria “espírito”, por Leonardo Boff*


Na cultura atual, a palavra “espírito” é desmoralizada em duas frentes: na cultura letrada e na cultura popular. Na cultura letrada dominante, “espírito” é o que se opõe à matéria. Matéria, sabemos mais ou menos o que é, pois pode ser medida, pesada, manipulada e transformada, enquanto “espírito” cai no campo do intangível, indefinido e até nebuloso.



Os valores espirituais, na acepção moderna convencional, situam-se na superestrutura e não cabem nos esquemas científicos. Seu lugar é o mundo da subjetividade, entregue ao arbítrio de cada um ou a grupos religiosos. Em razão disso, a expressão “valores espirituais” surge com mais frequência na boca de padres e de bispos de viés conservador.



Mas com os escândalos havidos nos últimos tempos com os padres pedófilos e com os escândalos financeiros ligados ao Banco do Vaticano, o discurso dos valores espirituais se desmoralizou.



Na cultura popular, a palavra “espírito” possui grande vigência. Traduz certa concepção mágica do mundo à revelia da racionalidade aprendida na escola. Para grande parte do povo, o mundo é habitado por bons e maus espíritos que afetam as distintas situações da vida. O espiritismo codificou esta visão de mundo pela via da reencarnação. Possui mais adeptos do que se suspeita.



No entanto, nos últimos decênios, nos demos conta de que o excesso de racionalidade e o consumismo exacerbado geraram saturação existencial e também decepção. A felicidade não se encontra na materialidade das coisas, mas em dimensões ligadas ao coração.



Por toda parte, buscam-se experiências espirituais novas, quer dizer, sentidos de vida que vão além dos interesses imediatos e da luta cotidiana pela vida. Numa sociedade de mercado, a religião e a espiritualidade se transformaram em mercadorias à disposição do consumo.



Não obstante a referida mercantilização do religioso, o mundo espiritual começou a ganhar fascínio, embora, na maioria das vezes, na forma de esoterismo e de literatura de autoajuda. Mesmo assim, ele abriu uma brecha na profanidade do mundo e no caráter cinzento da sociedade de massa. Estes fenômenos supõem um resgate da categoria “espírito” num sentido positivo e até antissistêmico. O “espírito” constitui uma referência consistente e não mais colocada sob suspeita pela crítica da modernidade, que somente aceitava o que passava pelo crivo da razão. Ocorre que a razão não é tudo, nem explica tudo. O espírito não se recusa à razão, antes, precisa dela. Mas vai além, englobando-a num patamar mais alto, que tem a ver com a inteligência, a contemplação e o sentido superior da vida e da história.


Leonardo Boff



*teólogo, professor e membro da Comissão da Carta da Terra


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Egrégora


Planeta Terra
 
Egrégora



A egrégora pode ser definida como uma energia resultante da união ou da soma de várias energias individuais, positivas ou negativas. Ela é formada pelo afluxo dos desejos e aspirações individuais dos membros daquele grupo. Um exemplo é o amor familiar que gera um fenômeno espiritual que mantém a união da família, cria a empatia entre essas pessoas.

A duração e a capacidade de agir da egrégora depende de 2 fatores: a intensidade inicial da energia que o seu criador humano lhe confere, e o alimento posterior ministrado, através da repetição. Desta forma, a agrégora precisa ser alimentada, caso contrário ele se dissolve e começa a perder intensidade. Para retomar sua intensidade a agrégora, após agir, volta ao subconsciente daquele que a gerou, para emergir no consciente através da memória, e incitarem uma nova reprodução. Com a reprodução recorrente, ela cria uma verdadeira sinergia e atrai pensamentos semelhantes que interagem e se integram, criando uma nova “nuvem” de energia.

Para pertencer a uma egrégora, basta pensar de forma semelhante ao grupo, principalmente nas “inconscientes”, aquelas às quais se pertence sem perceber. Até mesmo assistir um programa de televisão ou ler um livro é pertencer a uma egrégora. Já as religiões, e os grupos iniciáticos que conhecem o funcionamento das egrégoras, sempre possuem rituais de iniciação, para marcar os seus indivíduos participantes, e excluir os não-participantes.

Nos graus mais básicos de ordens iniciáticas sérias, sempre se ensina a auto-análise, justamente para percebermos as influências perniciosas externas de egrégoras ou pessoas, e evitá-las.

várias vantagens de pertencer conscientemente a egrégoras (especialmente as de ordens iniciáticas). Elas são reservatórios de energia e de informações, além de auto-estradas para comunicação telepática entre os seus membros. Elas permitem que os membros dividam seus fardos ou criem uma espiral positiva de energia que pode até realizar curas físicas.

Nessas egrégoras, é importante a correta abertura e fechamento – rituais que possibilitam às forças do consciente coletivo agirem, e depois interrompe sua ação, para uso posterior – de modo que o indivíduo possa acessar o poderoso manancial de energia da egrégora e depois voltar às suas atividades cotidianas sem prejuízo da sua concentração e da sua sanidade. Um exemplo de pessoas que não sabem fechar egrégoras são torcedores de futebol que vivem em função dos seus times. Só falam sobre o time, vivem o tempo todo rodeado pelos símbolos dele, chegam inclusive a matar e a morrer em brigas de torcidas. Essa e qualquer outra forma de fanatismo constituem a dominação de uma pessoa por uma egrégora, seja ela qual for.

Uma curiosidade sobre as novas teorias da mente humana

A glândula pineal tem sido considerada – desde René Descartes (século XVII), que afirmava que ela é o elo de ligaçao entre o corpo e a alma – um órgão com funções transcendentes. Além de Descartes, um escritor inglês com o pseudônimo de Lobsang Rampa, entre outros, dedicaram-se ao estudo deste órgão.

Os defensores destas capacidades transcendentais deste órgão, consideram-no como uma antena. A glândula pineal tem na sua constituição cristais de apatita. Segundo esta teoria, estes cristais vibram conforme as ondas eletromagnéticas que captam, o que explicaria a regulação do ciclo menstrual conforme as fases da lua, ou a orientação de uma andorinha em suas migrações. No ser humano, seria capaz de interagir com outras áreas do cérebro como o córtex cerebral, por exemplo, que seria capaz de decodificar essas informações.

A egrégora é a energia que se produz fora do corpo físico a partir do consciente e inconsciente individual. Alguns pesquisadores acreditam que é a pineal que harmoniza e organiza esta nuvem de pensamentos, alem de ser seu próprio receptor.

Estas teorias preconizam que o ser humano não possui sequer um pensamento em seu cérebro e que tudo que pensamos está fora do nosso corpo físico. Pensar que produzimos pensamentos em nosso cérebro seria o mesmo que pensar que o radialista mora dentro do nosso equipamento de rádio. Nosso cérebro seria apenas um processador e decodificador de informações recebidas de fora, ou seja, os pensamentos seriam elaborados nas egrégoras e simplesmente captados por nós por meio da glândula pineal.

Fábio Alexandre Vieira


quarta-feira, 10 de abril de 2013

Um Legislador da Pesada

 
Um Legislador da Pesada



Era temido legislador. Instituiu castigos terríveis. Pior: cometeu injustiças inomináveis, como se não soubesse o fundamental – a pena não pode ultrapassar a natureza do crime.



Dois homens se atracam. A mulher de um deles entra na briga. Estouvadamente pega nas vergonhas do adversário, mais exatamente o membro viril e acessórios. O caso vai parar na justiça. É exagerada a sentença, com base no código inflexível: Que lhe sejam cortadas as mãos.


Cáspite! Isso é pura crueldade! Jamais um ato de justiça!


Certamente o leitor desavisado dirá: – Legislador maluco!


Se você pensar assim, estará cometendo uma heresia, porquanto essa sentença está na Bíblia, no Velho Testamento (Deuteronômio, 25:11-12). É atribuída a Jeová, o deus judeu, promovido pelos teólogos cristãos a supremo senhor do Universo.


Por isso, fico pasmo quando se fala que a Bíblia é a palavra de Deus. Literalmente está se pretendendo que o Eterno inspirou tais sandices.


Há outras preciosidades:


No mesmo capítulo, do citado Deuteronômio, (5-10), Jeová determina que se um homem morrer sem deixar descendência seu irmão deverá casar-se com a viúva. Se recusar, será levado aos anciãos. Se insistir em não cumprir seu dever, ela cuspirá em seu rosto, tirará as sandálias de seus pés e seu lar passará a ser a casa do descalçado. Diríamos do “desgraçado”, certamente o mal menor, considerada a possibilidade de que a cunhada fosse mais velha, de parcos atrativos e fartas rabugices…



Em Reis (2:23-25), crianças peraltas caçoaram da calvície do profeta Eliseu. Digamos que o provocaram gritando, a respeitável distância: – Careca! Careca! “Piedosamente”, Eliseu evocou a ira divina sobre os pirralhos. Imediatamente Jeová providenciou o castigo: duas ursas saíram de bosque próximo e despedaçaram quarenta e dois meninos.


A agressividade do deus bíblico faz-se sentir em toda sua pujança, em Josué (10:36-43): Assim feriu Josué toda aquela terra, a região montanhosa, a Neguebe, as campinas, e as descidas das águas, e a todos os seus reis. Destruiu tudo o que tinha fôlego, sem deixar sequer um, como ordenara o senhor deus de Israel.


Esse tudo o que tinha fôlego abrangia homens, mulheres, velhos, crianças, animais, peixes, pássaros… todos os seres vivos!


Nem Hitler (1889-1845), Stalin (1879-1953) e Átila (406-453) juntos seriam tão cruéis.


Diz Mark Twain (1835-1910): “O que me incomoda na Bíblia não são os trechos que não compreendo. São justamente os que compreendo”. O notável escritor americano está certíssimo.


Impossível aceitar que tantas tolices, ingenuidades, sandices, maldades e violências possam ser atribuídas aos humores de um deus não muito certo do que faz e do que quer, tanto que, em dado momento, como está em Gênesis, capítulo 6, arrependeu-se de ter feito o Homem.



É isso mesmo, caro leitor! O Eterno decidiu acabar não só com a raça humana, mas com todas as formas de vida, promovendo um dilúvio universal.

Não fosse Noé cair em suas graças e receber autorização para construir a arca, certamente você não estaria lendo estas linhas.


Não quero sugerir que devamos menosprezar a Bíblia. Simplesmente, devemos colocá-la em sua dimensão exata: não um livro divino, mas um repositório das lendas, tradições e costumes do povo judeu.


Devemos analisá-la em seu contexto histórico, separando o joio do trigo, sem medo de descartar o que não receba a aprovação da razão.


Então aproveitaremos melhor a leitura, extraindo, tanto do Novo quanto do Velho Testamento, o que há de bom, produtivo e edificante, não a palavra de Deus, mas de homens que, em determinado momento, superaram as fragilidades humanas, oferecendo-nos flashs de espiritualidade.



Nesse contexto, o destaque está com Jesus, o único Espírito em trânsito pela Terra com elevação suficiente para situar-se em comunhão com Deus e nos oferecer uma visão mais ampla da vontade celeste.


Revogando sutilmente tudo o que até então se atribuíra ao verbo divino, Jesus sintetiza a orientação ideal em dois mandamentos singelos, suficientes para edificar o sonhado reino divino, de justiça, paz e concórdia entre os homens: O amor a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.



Richard Simonetti

terça-feira, 9 de abril de 2013

A psicologia de Jung e a reencarnação


 
A psicologia de Jung e a reencarnação

 



Não se pode afirmar com certeza que Carl Gustav Jung (1875-1961), psiquiatra suíço, pai da Psicologia Analítica, era reencarnacionista. Seus escritos oficiais não apontam nessa direção, muito embora ele tenha deixado pistas de que não era contra.

Em seu fenomenal livro Memórias, Sonhos, Reflexões, ele escreveu textualmente:

 
“O problema do carma, assim como o da reencarnação ou da metempsicose, ficaram obscuros para mim. Assinalo com respeito a profissão de fé indiana em favor da reencarnação e, olhando em torno, no campo de minha experiência, pergunto a mim mesmo se em algum lugar e como, terá ocorrido algum fato que possa legitimamente evocar a reencarnação.

É evidente que deixo de lado os testemunhos relativamente numerosos que acreditam na reencarnação. Uma crença prova apenas a existência do “fenômeno da crença”, mas de nenhuma forma a realidade de seu conteúdo. É preciso que este se revele empiricamente, em si próprio, para que eu o aceite. Até estes últimos anos, embora tivesse tido toda a atenção, não cheguei a descobrir absolutamente nada de convincente neste campo. Mas recentemente observei em mim mesmo uma série de sonhos que, com toda a probabilidade, descrevem o processo da reencarnação de um morto de minhas relações. Era mesmo possível seguir, como uma probabilidade não totalmente negligenciável, certos aspectos dessa reencarnação até a realidade empírica. Mas como nunca mais tive ocasião de encontrar ou tomar conhecimento de algo semelhante, fiquei sem a menor possibilidade de estabelecer uma comparação. Minha observação é, pois, subjetiva e isolada. Quero somente mencionar sua existência, mas não o seu conteúdo. Devo confessar, no entanto, que a partir dessa experiência observo com maior boa vontade o problema da reencarnação, sem no entanto defender com segurança uma opinião precisa.”

Adenáuer Novaes

Do livro:  Reencarnação: processo educativo



segunda-feira, 8 de abril de 2013

A RIQUEZA


 
A RIQUEZA



O homem não possui de seu senão o que pode levar deste mundo.




Deus conhece nossas necessidades, e as provê segundo o necessário; mas o homem, insaciável em seus desejos, não sabe sempre se contentar com o que tem; o necessário não lhe basta, lhe é preciso o supérfluo.

 
As dificuldades econômicas com que lutamos; as convenções sociais, toda a organização da vida moderna alcançaram o dinheiro a uma tão eminente categoria que não é para admirar que a imaginação humana lhe atribua uma espécie de realeza.

 
A principal vantagem da riqueza é de descartar a preocupação de ganhar dinheiro; mas, se na realidade pensamos nele em demasia e com sentimentos egoístas, a riqueza produz mais mal que bem. O dinheiro é uma grande tentação; impele os homens ao orgulho e à indulgência para consigo mesmos. A pobreza requer duas virtudes apenas: constância no trabalho e paciência. O rico, ao contrário, se não possui caridade, temperança, prudência e muitas outras qualidades, torna-se um perigo. Toda a história nos ensina quão perigosos são o poder e as riquezas.

 
Quando me refiro à palavra riqueza, não estou fazendo menção à jóias nem a supérfluos e sim àqueles bens necessários para que o ser humano viva com um mínimo de dignidade e conforto. Um homem só deve incomodar-se em atingir a independência que garanta uma modesta soma em dinheiro para as despesas do enterro, uma casinha em uma pequena quadra no solo deste planeta. Algumas economias para as despesas anuais com alimentação e vestuário. A preocupação em acumular dinheiro, escravizando ele os dias e as noites, eis a maior fraude da civilização moderna.

 
Portanto, possuir não é um privilégio com que nos glorifiquemos, mas um encargo, cuja gravidade devemos sentir. Esta função, que se chama riqueza, exige uma aprendizagem, da mesma forma que há uma aprendizagem de todas as funções sociais. Saber possuir é uma arte, uma das artes mais difíceis de aprender. A maior parte das pessoas, pobres ou ricas, julgam que na opulência basta deixar correr a vida. É por isso que há tão poucos homens que sabem manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas, extasiados com a intrepidez de ganhar a qualquer preço, mentem, roubam, traem.

Quando isto ocorrer, poderão aproveitar de forma eficaz os ensinamentos da Sublime Ordem Maçônica pela contribuição positiva que sempre deu à sociedade formando seus filiados e, em particular porque os mesmos já foram testados e aprovados.



O que complica a vida, o que a corrompe e altera, não é o dinheiro, é o nosso espírito mercenário.
O espírito mercenário reduz tudo a esta pergunta: Quanto eu levo nisto? Quanto é que isto me renderá? É a famigerada “lei de levar vantagem em tudo”. E tudo se resume neste axioma: Com dinheiro, tudo se arranja. Aqueles abomináveis que colocam os valores das riquezas materiais acima dos valores da riqueza interior do ser humano. Com esses princípios de conduta, uma sociedade pode não servir ao povo em nada, mas pode descer a tal infâmia, que não é possível descrevê-la nem imaginá-la.



Quando encontrarmos um homem rico e ao mesmo tempo simples, isto é, que considere a sua riqueza como um meio de desempenhar a sua missão humana, devemos saudá-lo respeitosamente, porque esse homem é certamente alguém que venceu obstáculos, atravessou perigos, triunfou das tentações vulgares ou embaraçadas. Para tanto, travou a única luta recomendada pelos vitoriosos: a sua luta contra si mesmo. Assim vivenciando, nada lhe será impossível, pois é o único responsável pelo seu destino.

 
O Maçom autêntico não confunde o conteúdo da sua bolsa com o do seu cérebro ou do seu coração, e não é com algarismos que avalia os seus semelhantes. A sua situação excepcional, longe de elegê-lo, humilha-o, porque sente tudo quanto lhe falta para estar inteiramente à altura do seu dever. É acolhedor, caritativo, e longe de fazer dos seus bens uma barreira que o separe do resto dos homens, faz dela um meio para deles se aproximar cada vez mais. Enquanto houver conflitos de interesse, enquanto existirem na terra a inveja e o egoísmo, nada será mais respeitável que a riqueza penetrada pelo espírito de simplicidade, pois assim, o homem, mais do que fazer-se perdoar, conseguirá fazer-se amar; o resto só é vaidade.



Valdemar Sansão - M:. M:.



domingo, 7 de abril de 2013

O Verdadeiro segredo maçônico






O Verdadeiro Segredo Maçônico

Fernando Pessoa


O verdadeiro Segredo Maçônico...
É um segredo de vida
e não de ritual
e do que se lhe relaciona.


Os Graus Maçônicos comunicam àqueles que os recebem,
sabendo como recebê-los,
um certo espírito,
uma certa aceleração da vida
do entendimento
e da intuição,
que atua como uma espécie
de chave mágica dos próprios símbolos,
e dos símbolos
e rituais não maçônicos,
e da própria vida.

É um espírito,
um sopro posto na Alma,
e, por conseguinte,
pela sua natureza,

...incomunicável.


Fernando Pessoa (1888-1935), nascido Fernando António Nogueira Pessoa, foi maçom em Lisboa, sua cidade natal. É tido como um dos maiores poetas que a língua portuguesa produziu, sendo seu valor equiparável ao de Camões.