sábado, 9 de fevereiro de 2013

Machado de Assis.

Machado de Assis
 
Às 3 horas e 45 minutos da madrugada de 29 de setembro de 1908 - há 105 anos - morria Machado de Assis.Morreu em casa, como se morria na época (hoje se morre sedado e entubado no hospital), recebendo as últimas visitas.No dia anterior, visitou-o um moço desconhecido, que sem dizer uma palavra, ajoelhando-se ao lado do seu leito, tomou-lhe reverentemente a mão esquálida e beijou-a, retirando-se em seguida, sem dizer quem era. (Muitos anos mais tarde, soube-se que o rapaz anônimo se chamava Astrogildo Pereira, futuro comentador da obra de Machado.)Filho de pais humildes - costureira branca nascida nos Açores e operário pintor de casas e dourador mulato forro (não-escravo) - Machado de Assis nasceu no Morro do Livramento, Centro do Rio, na época local da chácara da viúva de Bento Barroso Pereira (daí a Ladeira do Barroso).Autodidata, nunca cursou a universidade, o que não o impediu de se tornar exímio tradutor, teatrólogo, crítico literário, jornalista, contista, folhetinista, romancista, poeta, dedicado funcionário de carreira do Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas e, na maturidade (que hoje chamamos de meia-idade), fundador e presidente da Academia. Vida metódica e visão do mundo cética (lia Schopenhauer), raramente viajou para fora do Rio de Janeiro, cenário de sua obra. A vida de Machado de Assis é um exemplo para todos os brasileiros e uma prova de que, apesar dos obstáculos, podemos - individual e coletivamente - ir longe, muito longe.Machado de Assis também está no meu blog Literatura & Rio de Janeiro em http://literaturaeriodejaneiro.blogspot.com
Ivo Korytowski

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

ANO MAÇÔNICO

Valorosos maçons da Loja Maçônica União Sousense,
do Oriente de Sousa - Paraíba.
 
ANO MAÇÔNICO”



Alguns aspectos da cultura maçônica só são compreendidos se estudarmos aspectos da cultura profana. Afinal o que levou a criação de um “Ano Maçônico”? E ainda adjetivado como ano da “Verdadeira Luz” (V.’.L.’.)!



Teria sido por vaidade? Proselitismo?



Nada disso! O termo e a utilização surgiram a partir de 1723 com a intenção de universalizar os documentos maçônicos, ou seja, indiferente em qual Oriente esteja uma Loja Maçônica a data de suas atividades seria entendida por Maçons de outros Orientes. Possivelmente algum Irmão pensou que se uma Loja usar a data de 15 de agosto de 2010 em seu Balaustre, todas as outras Lojas compreenderão que ela se reuniu neste domingo. O que este Irmão desconhece é que usamos no mundo civil o Calendário Gregoriano, promulgado pelo Papa Gregório XIII em 24 de fevereiro de 1582 e que não é universal. Só para terem uma idéia foram preciso mais de 300 anos para que a maioria dos países o adotasse; a Turquia só o fez em 1927 e ainda hoje em pleno Século XXI temos países que adotam outros calendários. Então vejamos como era o contexto histórico dos nossos Irmãos europeus, alguns países de predominância católica de pronto adotaram o Calendário Gregoriano, já nos países mais ao norte

predominava o Anglicanismo e Luteranismo que não reconheciam a autoridade Papal, portanto utilizavam outras formas de registrar a passagem dos dias. Como podem imaginar, estas diferenças geraram desencontros econômicos, sociais, políticos e até mesmo maçônicos. Para resolver isto, pelo menos no âmbito maçônico foi criado o Ano Maçônico. Que também não foi a solução para todos os problemas e até gerou muitos outros

entraves que em um outro artigo tratarei. A primeira coisa que devemos fazer é desmistificar a universalidade do Ano Maçônico. Isto não existe! Para começar temos os Irmãos que somam ao ano do Calendário Gregoriano o numeral 4.000 e encontra o ano V.’.L.’.(os Irmãos do Rito Misraim somam 4.004), outros somam 3.760. Estes valores são baseados em dois aspectos:

o primeiro (4.000) é o resultado da pesquisa bíblica da formação do mundo (do nascimento de Jesus até Gênese) e o segundo é a utilização direta do Calendário Hebraico. Como se não bastasse a divergência do ano, ainda temos diferenças quanto ao início do ano. Pelo Rito de York o primeiro dia do Ano Maçônico é 1º de Janeiro, no R.’.E.’.A.’.A.’. o ano inicia-se em 21 de Março (sabiam?), já no Rito Francês ou Moderno o primeiro dia do

ano é 1º de Março com a diferença que não usam V.’.L.’. e sim A.’.M.’. (Ano do Mundo) isto nos Graus Simbólicos, pois nos Superiores encontramos outras datas, por que os referenciais mudam também conforme o Rito. A intenção dos meus pequenos artigos é despertar em você a vontade de saber um pouco mais sobre o assunto, fazer uma Prancha de Arquitetura e quando ela estiver pronta, levar para sua Loja enriquecendo nosso Quarto de Hora de Estudos.



Lembrando que todos nós, independente do Grau ou do Cargo, somos responsáveis pela qualidade das Sessões Maçônicas, então vou apresentar mais duas informações para provocar-lhe inquietações e desejo de estudo:



1) Os meses maçônicos são:



Nissam (março); Ijar (abril); Sivan (Maio); Thamuz (junho); Ab (julho); Eliul (agosto); Tishri (setembro); Heshvan (outubro); Kislev (novembro); Theved (dezembro); Scheval (janeiro); Adar (fevereiro).



2) Se eu realmente insistir em dizer que o ano maçônico inicia-se em 21 de março (segundo o Calendário Gregoriano) você acreditaria? Depois de responder, faça-me um favor: tente lembrar qual é a primeira Coluna Zodiacal que sustenta a abóbada celeste de uma Loja. (Entrando em um Templo é a primeira do lado esquerdo, a que está mais junto a porta.)



Lembrando do nome, pesquise a partir de que data começa a influência desse signo sobre seus nativos.



(Autoria Ignorada)



Fonte: Jornal O Aprendiz Órgão Informativo e Cultural da Aug., Resp. e Gr. Benem. Loj. Simb. Fraternidade Riobranquense.

(Filiada ao G
OMG- COMAB)

Or.
 de Visconde do Rio Branco - MG

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A CHAVE DE HIRAM



 








Charles Evaldo Boller



Sinopse:
Considerações a respeito do livro A Chave de Hiram; implicações de conhecimento e educação para o maçom; valor do culto e erudito para a ordem maçônica.



A leitura do livro "A Chave de Hiram" é visto como leitura prejudicial por pessoas que, em razão de suas crenças, descartam a possibilidade aventada pelos autores de que Jesus Cristo é parte de linhagem real diferente da vertida pela Bíblia Judaico-cristã. Sem entrar no mérito da veracidade e seriedade das pesquisas que culminaram na proposta das mudanças na história da cristandade, os argumentos são válidos e consistentes como pensamentos novos. Que cada pessoa, debaixo da luz de seu próprio discernimento e crenças, com a visão de sua sã racionalidade e sensibilidade, mude sua forma de pensar. Se isto destruir dogmas absurdos é bom sinal; liberdade é objetivo central da Maçonaria. Significa progresso do pensamento e do conhecimento, cauteriza as chagas do obscurantismo que tanto mal promove ao longo da história. A educação e o conhecimento libertam! Polir a pedra é tarefa de todo maçom.

Todos carecem de polidez, virtude que marca a origem de outras virtudes. A polidez é insignificante e ao mesmo tempo importante; sem ela todas as outras virtudes seriam imperceptíveis. É na aparente insignificância da polidez que reside sua importância. Não se trata de refinada educação, tratamento impecável e boas maneiras, mas do acolhimento de novas ideias e posturas, de mais cultura. É o que significa polir a pedra; é polidez! O caminho da polidez é o ataque frontal, e com todas as forças mentais e psicológicas disponíveis, ao estudo pessoal dentro da capacidade individual e, com isto, progredir em conhecimento, desenvolver em polidez. O maçom alcança seu objetivo quando discute algo que muda seu modo de pensar. Debates fomentam o crescimento maçônico; é o brunir da pedra até brilhar, ficar polida. Ingressa-se na ordem maçônica para beneficiar-se de um sistema de incremento da polidez, para se autoproduzir, e não apenas para ser membro do "sindicato". E que não fique apenas em meia dúzia de autores! Que absorva bibliotecas inteiras na tarefa de busca de polidez. Não se restrinja a temas exclusivamente maçônicos. Seja eclético! É trabalho, estudo, diversão! E não fique apenas nisso, coloque-se em uso prático o que se descobrir; dê exemplos; as enciclopédias estão repletas de conhecimentos, mas não possuem a capacidade de colocar tal preciosidade em ação.

Os irmãos autores do livro "A Chave de Hiram" pesquisaram e trabalharam para alicerçar dados aceitáveis. São corajosos ao exporem seus pensamentos para a cristandade. O objetivo dos autores não é a de semear discórdia entre maçons, mas apresentar novas ideias, novos formatos, questionar verdades em novos ciclos de tese, antítese e síntese. Seriam estultos se suas pesquisas estivessem baseadas em argumentação sem sustentação histórica e científica. As comunidades acadêmicas e de pensadores os trucidariam! Foi graças ao seu treinamento maçônico que eles obtiveram discernimento diferente das comunidades acadêmicas e científicas que há tanto tempo estudam na mesma linha sem acrescentarem novidade na área, talvez por receio de enfrentar a ira de religiosos fundamentalistas ou mesmo da falta de visão; insight.

Independente de o historiador não usar de "achismos", seja ele técnico e alicerce suas reflexões em documentação de fonte segura e fidedigna, a história contada em qualquer tipo de registro histórico contém falhas de interpretação, erros e falsidades; não por falha do historiador. Mesmo se a fonte estiver registrada e fartamente documentada, a redação de evento histórico está sujeita aos ventos dos interesses do historiador, grupos de poder, filosofias, religiões e políticas. Muito do que lemos e interpretamos em documentos que o tempo preservou intactos, estão recheados de mentiras; já falsos em sua origem. A boa técnica exige do historiador métodos e procedimentos de correlação de fatos passados, e por ser parte especulativa e parte assertiva, a verdade histórica absoluta é quase impossível; resta duvidar sempre; na dúvida e na certeza, duvide! Segundo o pensamento grego, a verdade absoluta e eterna deve presidir o pensamento filosófico, mas até este deve ser permanentemente questionado. O pensamento deve ser reavaliado em base permanente pelos eternos ciclos de tese, antítese e síntese. Para evadir-se da possibilidade de gerar obscurantismo é recomendada ampla abertura para o lançamento de novas ideias, sempre as submetendo aos filtros que cada um dispõe. Com o livro "A Chave de Hiram" não é diferente. Mesmo com o risco de a obra ser construída em resultado de promoção comercial, visando lucros, em hipótese alguma aceitar o preconceito fundamentado em crenças, dogmas, fantasias e absurdos de alguns para censurar, refutar ou invalidar o pensamento. A liberdade de pensamento é a coluna mestra de sustentação da Maçonaria. A pesquisa de novas ideias não divide a Maçonaria, tal procedimento a justifica. Divisão é natural em todas as organizações humanas, a Maçonaria não é exceção. A proposta da Maçonaria é a de promover a tolerância para fomentar a livre investigação da verdade, caso contrário ela é apenas mais uma simples organização filosófica.

A Maçonaria simbólica de 1871 era vista assim por Albert Pike: "Se você ficou desapontado nos primeiros três graus da forma como os recebeu, e se pareceu a você que o desempenho não atingiu o prometido, que as lições de moralidade não são novas, a instrução científica é rudimentar e os símbolos foram explicados deficientemente, lembra de que as cerimônias e lições desses graus foram se acomodando cada vez mais no tempo, reduzindo-se e afundando na trivialidade da memória e capacidade limitada do mestre e instrutor para o intelecto e necessidades do iniciado; que eles vieram a nós de tempos onde os símbolos eram usados, não para revelar, mas para esconder, quando o aprendizado simples foi limitado a uns poucos seletos e os princípios mais simples de moralidade pareciam verdades recentemente descobertas; e que estes antigos e simples graus estão agora como as colunas quebradas de um abandonado templo druida, na sua rude e mutilada grandeza; e em muitas partes, também, corrompidas no tempo, desfiguradas por adições modernas e interpretações absurdas. Estes graus iniciais são a entrada para o grande templo maçônico, as colunas triplas do pórtico". - Estas "colunas triplas do pórtico" são os três graus simbólicos, a base, o sustentáculo de toda a estrutura do sistema de polidez da Maçonaria. Se a Maçonaria simbólica cai na trivialidade, as colunas de sustentação quebram e a Maçonaria Universal caminha para a aparência de "um abandonado templo druida".

A aventura continua nos graus filosóficos nos ritos que possuem tal extensão. Não são graus superiores; é falácia! Não distingue ninguém! Antes, espreme o maçom debaixo de grande responsabilidade: o de tornar-se mestre servidor. Os graus filosóficos caracterizam-se apenas pela continuação do que deveria acontecer no terceiro grau simbólico. Nada mais! O maçom que alcança ao mais alto grau de seu rito deve abandonar insígnias, comendas e enfeites dourados, que só serviram como demarcação visível do caminho e passagem pelos degraus da escada de Jacó, para voltar a portar apenas a mais humilde e significativa das insígnias maçônicas: o avental do aprendiz maçom; assim continua e faz da arte de pensar, debater, estudar, o hábito permanente de sua vida; chegado ao topo, volta aos graus simbólicos e filosóficos inferiores para dar sustentação à base; sem alicerce a estrutura da edificação vem abaixo.

A Maçonaria cresceu vertiginosamente até a década de 1950, quando inicia sua corrosão e aumenta a evasão; é fenômeno universal! A evasão acentuada é em virtude da falta de desafios, de renovação do pensamento, de acomodação, sem interesse intenso em pesquisar, ler e abrir a mente para novos pensamentos. Quando a divisão em novos ritos e obediências promove novas linhas de pensamentos ela é correta, se a razão for dividir para conquistar poder, então a instituição segue o caminho da estagnação, mesmice, trivialidade; basta avaliar em qual destes caminhos cada loja segue, para determinar a capacidade de sobrevivência de seus obreiros na ordem maçônica.

A Maçonaria universal oferece amplas possibilidades ao crescimento de polidez de seus membros, mas eles devem trabalhar arduamente a pedra. Reportando-se a isso, certo ritual do Rito Escocês Antigo e Aceito verte o seguinte: "Um sistema de numerosos graus, onde o ensino é permanente, não pela palavra do presidente ou do orador, mas principalmente pelo trabalho do adepto". Quem trabalha é o obreiro, o adepto - não existe a figura do professor; não existe cardápio pronto, receita de bolo ou varinha mágica! Quem desenvolve polidez com auxílio de seus irmãos é o obreiro, e isto só ocorre na convivência, em debates e produção de material intelectual escrito. Aponta-se principalmente para a importância em manter a mente aberta para novos ou inusitados pensamentos; abrir portas diferentes ou novas. A sociedade muda pela força do pensamento e da consciência; e isto demanda trabalho!

O resultado certo é a produção duradoura de felicidade e paz para a humanidade pela evolução do conhecimento bem utilizado. O Grande Arquiteto do Universo ilumina os caminhos do homem que obtém sabedoria em resultado do uso do livre-arbítrio no esforço de obter polidez e discernimento de aplicação prática.



Bibliografia:



1. BRASIL, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do, Ritual do Grau 15 do Rito Escocês Antigo e Aceito, Cavaleiros do Oriente, da Espada e da Águia, Segunda Série de Graus Históricos e Capitulares, primeira edição, Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a República Federativa do Brasil, 64 páginas, Rio de Janeiro, 1925;

2. COMTE-SPONVILLE, André, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes, tradução: Eduardo Brandão, ISBN 85-336-0444-0, primeira edição, Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 392 páginas, São Paulo, 1995;

3. CURY, Augusto Jorge, O Código da Inteligência, a Formação de Mentes Brilhantes e a Busca pela Excelência Emocional e Profissional, ISBN 978-85-6030-398-4, primeira edição, Ediouro Publicações S. A., 236 páginas, Rio de Janeiro, 2008;

4. CURY, Augusto Jorge, Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, A Educação de Nossos Sonhos: Formando Jovens Felizes e Inteligentes, ISBN 85-7542-085-2, sétima edição, Editora Sextante, 172 páginas, Rio de Janeiro, 2003;

5. GOLEMAN, Daniel, Inteligência Emocional, A Teoria Revolucionária que Redefine o que é Ser Inteligente, título original: Emotional Intelligence, tradução: Marcos Santarrita, ISBN 85-7302-080-6, 14ª edição, Editora Objetiva Ltda., 376 páginas, Rio de Janeiro, 1995;

6. HUNTER, James C., Como se Tornar um Líder Servidor, Os Princípios de Liderança de o Monge e o Executivo, título original: The World's Most Powerful Leadership Principle, tradução: A. B. Pinheiro de Lemos, ISBN 85-7542-210-3, primeira edição, Editora Sextante, 136 páginas, Rio de Janeiro, 2004;

7. HUNTER, James C., O Monge e o Executivo, Uma História Sobre a Essência da Liderança, título original: The Servant, tradução: Maria da Conceição Fornos de Magalhães, ISBN 85-7542-102-6, primeira edição, Editora Sextante, 140 páginas, Rio de Janeiro, 2004;

8. KNIGHT, Christopher; LOMAS, Robert, A Chave de Hiram, Faraós, Franco-maçons e a Descoberta dos Manuscritos Secretos de Jesus, título original: The Hiram Key: Pharaohs, Freemasons and the Discovery of the Secret Scrolls of Jesus, tradução: José Rodrigues Trindade, ISBN 85-88781-085, primeira edição, Editora Landemarque, 378 páginas, São Paulo, 2002;

9. PIKE, Albert, Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry, Prepared for the Supreme Council of the Thirty Third Degree for the Southern Jurisdiction of the United States, Charleston, 1871.



Biografia:



1. Albert Pike, advogado, autor, escritor, historiador, maçom e poeta de nacionalidade norte-americana. Nasceu em Boston, Massachusetts em 29 de dezembro de 1809. Faleceu em Washington, em 2 de abril de 1891, com 81 anos de idade. Reorganizador de todos os rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito, do grau quarto ao trinta e três;

2. Christopher Knight, autor de nacionalidade inglesa. Nasceu em Cidade de Nova Iorque, Nova Iorque, Estados Unidos da América em 7 de novembro de 1957. Com 53 anos de idade;

3. Robert Lomas, engenheiro eletricista, escritor e maçom de nacionalidade inglesa. Ensina Sistemas de Informação na Escola de Administração da Universidade de Bradford.

Data do texto: 30/12/2010

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná



Local: Curitiba

Grau do Texto: Aprendiz Maçom

Área de Estudo: Cultura, Educação, Maçonaria


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013




SER MAÇOM DE DENTRO PARA FORA




Ir.’. Valdemar Sansão


Auto crítica e revalidação – estamos cumprindo nosso papel de construtores sociais, ou estamos acomodados?
O que fazemos?
Reunimo-nos com regularidade, crescemos em quantidade de Lojas e em número de adeptos.
Afinal, as Lojas são o que seus membros delas fazem. Para aqueles que reclamavam, dizendo que a Maçonaria nada fazia para mudar o Brasil, respondia o PGM Erwin Seignemartin: “O Japão também não faz nada para crescer; são os japoneses que fazem”.
O ser humano nasce para iluminar o mundo, para realizar um trabalho que só ele pode fazer; para atender aos anseios das pessoas cuja alegria é a sua presença.


Portanto, você é uma pessoa imprescindível. Talvez pense que não passa de uma criatura insignificante, mas, na verdade, a sua força contribui para sustentar o todo.

O grande trabalho é a revalidação da Maçonaria a partir da escolha dos profanos para ingressarem nela, exigindo muito mais rigor nas informações e, de outro lado, informando ao candidato às responsabilidades que irá assumir.

Se quiser escrever para a humanidade o que a torne melhor, seja você mesmo o início dessa humanidade melhor. Seja uma célula sadia do organismo convalescente. Seja primeiro em sua pessoa o que desejaria fossem os outros. Comece a reforma do gênero humano, pela reforma do seu Eu individual. Primeiro na própria casa, no templo em que congrega; depois no seu trabalho e na coletividade em que vive. De dentro para fora – do componente para o composto. Está em seu poder reformar a sociedade, ao menos em uma das suas partes integrantes.

O grande ideal
 
- Quantas vezes se encontra com seus amigos? E nunca se encontra consigo mesmo? Não com o seu ego externo – sim com o seu Eu interno. O encontro com sua alma resolveria os problemas da sua mente e do seu corpo. Esse encontro com o seu centro de energia beneficiará sua vida diária. O verdadeiro instrumento de nossa arte somos nós mesmos.

Quantas vezes não é a realidade filha dum inconsciente dever, mas o ideal nasce sempre dum consciente querer. Querer é poder! Só não pode quem não sabe querer. Tudo é possível àquele que quer. Nunca será tarde para começar e sempre será cedo para desistir.

O grande homem
 
– Sem uma grande realidade ou um grande ideal, ninguém pode ser grande, e como prestar grandes coisas quem não é grande?

Cada um é o senhor do próprio Eu. Cada um é o eco de sua alma – só reproduz com palavras o que ela é de fato. Para ser grande não basta fazer algo, é necessário ser alguém. De alma para alma é que atua o poderoso fluido da personalidade.

Quem faz jus ao título de “grande homem”?

Não sei... O homem inteligente? Não basta ter inteligência para ser grande.

O homem poderoso? Há também poderosos mesquinhos...

O homem religioso? Não basta qualquer forma de religião. Podem todos esses homens possuir muita inteligência, muito poder e certo espírito religioso e nem por isso são grandes homens. Pode ser que lhes falte certo vigor e largueza, certa profundidade e plenitude, indispensáveis à verdadeira grandeza. Podem os inteligentes, os poderosos, os virtuosos não ter a necessária liberdade de espírito. Pode ser que as suas boas qualidades não tenham essa vasta e leve espontaneidade que caracteriza todas as coisas grandes.

O grande homem é silenciosamente bom; é genial, mas não exibe gênio; é poderoso, mas não ostenta poder; socorre a todos, em especial os carentes, os esquecidos, os excluídos, os necessitados sem precipitação; é puro, mas não vocifera contra os impuros; é justo, totalmente justo, pois quando erra, reconhece os erros e sabe pedir desculpas; adora o que é sagrado, mas sem fanatismo. Serve espelhando-se nas palavras de São Francisco de Assis quem serve não busca recompensa, pois a verdadeira recompensa está na alegria de poder servir”.

Encontrar prazer em servir, encontrar bem-estar na ação generosa é princípio de virtude. Faz parte de seu crescimento como ser humano, que possa ser um ombro amigo a quem precise sem se sentir especial por isso, e sem se revoltar quando esse mesmo ombro não é reconhecido.

A Humanidade possue tesouros em abundância e misérias morais em quantidade. Alguns repartem um pouco. O verdadeiro Maçom que não possua tesouros que se gastam, se roubam, se perdem, despertam disputas e paixões, oferece o que tem. Não doa coisas – doa-se.

É corajoso, pois recusa no pensamento, de ceder a outra coisa que não a verdade. E precisa coragem para suportar uma deficiência, para assumir um fracasso ou um erro.

Não permite que sua Loja se torne um lugar de conversas vazias, um tédio. Carrega fardos pesados com leveza e sem gemido assume o papel de “conte comigo” incondicionalmente. Sobrepõe-se à desigualdade de classe, de renda, rejeita e supera divergências mesquinhas, como preconceitos dolorosamente atuais. Ama e faz o bem a todos, sem se oferecer. É humilde, mas sem servilismo. Rasga caminhos novos, abre largos espaços sem arrombar portas.

Possui bens (não há mal em possuir bens) - todo o mal está em ser possuído. Nunca pede o que não for justo, moral e lícito. Admite uma grande afinidade das idéias filosóficas com os princípios maçônicos.

A Liberdade 
 
que justifique a identidade de Irmão, a mesma crença, a mesma filosofia de vida, o mesmo objetivo comum. Livre e de bons costumes é a característica do maçom.

A Igualdade 
 
propriedade de ser igual. A Constituição brasileira afirma que todos são iguais perante a lei; contudo, um menos favorecido da sorte não encontra vaga nos colégios para seus filhos; um pobre enfermo bate às portas dos hospitais em vão; não há oportunidade para o trabalho; o que é benesse não é dado aos pobres. Uma igualdade injusta não é igualdade...

Para a Maçonaria, filosoficamente, existem os iniciados, aqueles que “nascem de novo” após a permanência na Câmara das Reflexões não serão obviamente iguais aos demais (profanos).

Um maçom deve cultivar a igualdade como se fosse uma virtude!

A Fraternidade

implica obrigações e direitos; a parte ética de comportamento é muito importante. São admitidas pequenas rusgas, como sucede dentro de uma família, mas com a obrigação de serem passageiras. O maçom tem o dever de tolerar esses incidentes e perdoar se eles tiverem sido mais intensos.

Auto realização

– O Maçom está sempre a procura de soluções para fazer do mundo um lugar melhor. Tudo isso fará o maçom, porque é como o Sol – esse astro tão grande e poderoso para sustentar um sistema planetário, e tão delicado para beijar uma pétala de flor. Seja tão poderoso o astro do seu ser, que em volta dele possam outras estrelas girar – sem provocar desarmonia sideral.

Sem um genuíno auto conhecimento, não haverá verdadeira auto-realização. Não interessa a ninguém o que estudou, decorou ou sabe – interessa somente o que você é. Se não é alguém, ninguém lhe pode garantir a vitória; se é alguém, ninguém lhe pode derrotar.

Tudo isso é possível graças a uma força inacreditável oriunda da vontade de mostrar para si mesmo que é capaz de encontrar caminhos para realizar o que suas limitações poderiam impedir. Não podemos deixar que as limitações que nos impõe impeçam nosso desenvolvimento.

Pode-se aprender a ler, escrever e contar, mas não se pode aprender com meras teorias a ser alguém. Para ser alguém, deve o homem ter mente lúcida, honesta e consciência da sua realidade. Deve ser integralmente sincero consigo mesmo. Deve saber unir a justiça ao amor. Deve ser um eco do Eterno no deserto do mundo efêmero. Um emissário do Grande Arquiteto do Universo, no meio da humanidade. Será, pois, meu irmão, um templo aberto para todos os horizontes da vida em cujo altar arda o fogo sagrado da Verdade. O que o coração sabe que o cérebro não sabe, é que nada é de graça nem o amor, nem a coragem, nem a esperança. E a Verdade é a propriedade mais cara de todas.

Um mundo melhor

- Assim é e assim age o maçom verdadeiramente grande e todos aqueles que sonham com um mundo melhor, mais justo, fraterno, solidário, porque é instrumento nas mãos de Deus; desse Deus de infinita potência e de supremo amor; desse Deus cuja força governa a imensidade do cosmos e cuja paciência tolera as fraquezas do homem...

Doce ilusão acreditar em sonho, talvez pensando ser realidade. No entanto o sonho é sonho, é ilusão. Enche de sonho o meu pobre coração. Mas, que seria de nós se não sonhássemos?



Não vás para fora, volta para dentro de ti; no interior do Homem habita a verdade!

Colaboração do irmão Devaldo de Souza




segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Agressões

Francisco Jacome e Edil Justino, perseverantes no Bem, 
completam cinquenta anos de atividades maçônicas.
 
Agressões



Muitas vezes, na vida, sentes o coração visitado pela agressão gratuita e pelo desprezo de pessoas que julgavas amigas, e, nestes momentos, a mágoa te envolve o ser, ameaçando-te a tranquilidade e a paz.

 

Sentes, então, o desânimo e o desejo de te isolares de tudo e de todos, numa atitude de fuga.

 
 

Nestes momentos de tormento íntimo, recorre à prece antes de qualquer atitude menos feliz.

 

Recorda os ensinos de Jesus e, fortalecido pela humildade, arma-te da coragem de seguir adiante, sem deixar de servir e trabalhar.


Se a árvore deixasse de produzir frutos a cada agressão que sofresse dos homens, prova
velmente a humanidade viesse a experimentar grande carência de alimentos.


Se o rio secasse a cada atitude de agressão dos homens, em lhe poluindo com dejetos de todo tipo, provavelmente já mão mais haveria água potável na Terra.

 

Assim, também, se nos isolamos e deixamos de servir a cada agressão que sofremos, extinguiremos da Terra as possibilidades de progresso em direção ao Bem.

 

Diante disso, medita e segue adiante, na confiança de que Deus tem sido infinitamente misericordioso com a humanidade e em particular com cada um de nós, razão pela qual devemos lançar ao esquecimento as agressões e, numa atitude cristã, abençoarmos e servimos, cumprindo a nossa parte no processo de evolução em favor da humanidade e em favor da nossa própria redenção.
 

Autor
Um Amigo



domingo, 3 de fevereiro de 2013

As Mãos


As Mãos

Esta é a história real de dois irmãos: Albert e Albrecht.

Em 1471, em Nuremberg, Alemanha, nascia o extraordinário pintor, (Pintura Flamenga) ALBRECHT DÜRER. Legou-nos lindos trabalhos, obras magníficas. Faleceu em 1528. Mas, poucas pessoas conhecem a história verdadeira de ALBERT e a história do lindo quadro que o identifica.

Espero que esta história, baseada na verdade, possa nos fazer entender o verdadeiro sentido do amor e do sacrifício.

A HISTÓRIA LINDA DE DOIS IRMÃOS
No século XV, numa pequena aldeia perto de Nuremberg, vivia a família Dürer com vários filhos.
Para ter pão na mesa para todos, o pai trabalhava cerca de 18 horas diárias nas minas de carvão, e em qualquer outra coisa que se apresentasse.

Dois dos seus filhos: (Albert e Albrecht) tinham um sonho: serem pintores.

Mas sabiam que o pai jamais poderia mandar algum deles para a Academia de Pintura.
Depois de muitas noites de conversas e troca de idéias, os dois irmãos chegaram a um acordo:
atirariam uma moeda ao ar e o que perdesse trabalharia nas minas para pagar os estudos ao que ganhasse.

Eles se amavam muito e não se largavam.
Concordaram que, quando terminasse o curso, o vencedor pagaria os estudos ao outro com a venda de suas obras.
Assim, os dois irmãos poderiam ser artistas.

Lançaram a moeda ao ar num domingo ao saírem da igreja.

Deus quis que fosse Albrecht a ganhar e assim foi estudar pintura em Nuremberg.

O outro irmão, Albert, começou o perigoso trabalho nas minas, onde permaneceu nos quatro anos seguintes para pagar os estudos de Albrecht, que desde a primeira hora fez sensação na Academia.
Ficou famoso. Ele se esforçava e demonstrava ter um talento natural.

As gravuras de Albrecht, os seus entalhados e os óleos chegaram a ser muito melhores
que os de muitos dos seus professores que se admiravam de suas obras e seu esforço.

Quando se formou, já ganhava muito dinheiro com a venda das suas obras.

Quando o ALBRECHT (o jovem artista) regressou à sua aldeia, a família Dürer reuniu-se para uma ceia festiva em sua homenagem.

Ao finalizar a memorável festa, Albrecht levantou-se e propôs um brinde ao seu irmão Albert que tanto se havia sacrificado trabalhando nas minas para que o seu sonho de estudar se tornasse realidade.

E disse com intensa e imensa gratidão:

“Agora, meu irmão, chegou a tua vez.
Agora podes ir para Nuremberg e realizar os teus sonhos, que eu me encarregarei de todos os teus gastos.
Sou grato a Deus e a você por me ajudar tanto nestes anos.”
Todos os olhos voltaram-se, cheios de expectativa, para Albert.

Este, com o rosto lavado em lágrimas, levantou-se e disse suavemente:

“Não irmão, não posso ir para Nuremberg.
É muito tarde para mim.
Estes quatro anos de trabalho nas minas destruíram as minhas mãos.
Cada osso dos meus dedos já partiu pelo menos uma vez, e a artrite da minha mão direita tem avançado tanto que até tenho dificuldade em levantar o copo para o teu brinde.
Não poderia trabalhar com delicadas linhas, com o compasso ou com o pergaminho e não poderia manejar a pena nem o pincel.
Não irmão, para mim já é tarde.
Mas estou feliz e realizado porque as minhas mãos disformes serviram para que as tuas agora tenham cumprido o seu sonho.”

CONCLUSÃO
Quase 500 anos se passaram desde aquele dia.
Hoje as gravuras, óleos, aquarelas, entalhes e demais obras de Albrecht Dürer podem ser vistos em muitos museus de todo o mundo.

Mas com certeza – a maioria das pessoas, só se recordam de uma obra.
Talvez você até tenha uma reprodução em sua casa., não é mesmo?

Albrecht Dürer, para homenagear ao sacrifício de seu irmão, desenhou as mãos maltratadas de Albert, com as palmas unidas e os dedos apontando ao céu.

Albrecht intitulou esta poderosa obra simplesmente “Mãos”, mas o mundo inteiro abriu de imediato o coração à sua obra de arte e alterou o nome da obra para “Mãos que oram”.

Na próxima vez em que você olhar uma cópia desta obra, olha-a bem.

E espero que reflita sobre a sua história real..

Rogo a Deus que ela sirva, para que, quando o orgulho invadir o seu ser, traga à sua lembrança que ninguém vence sozinho.

Jesus Cristo, ao conversar com Tomé que duvidará de sua ressurreição, mostrou-lhe as mãos marcadas pelos cravos e disse-lhe:

“..Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e coloca-a no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente.”
(Evangelho de João 20.27)

O apóstolo Paulo, após sofrer várias e terríveis perseguições, disse:

“… porque trago em meu corpo as marcas do Senhor Jesus …”
(Gálatas 6.17b – A Palavra de Deus)
Albert trazia em suas mãos as marcas do amor e dedicação ao seu irmão.

Albrecht trazia em seu peito as marcas da gratidão.

Albert estava feliz e realizado pois sua felicidade consistia em ver seu irmão feliz.

Você também encontra a sua felicidade na felicidade do seu próximo?
Reflita.

Texto do Pastor Nathaniel

sábado, 2 de fevereiro de 2013

A Inquisição

 
M\M\Alfério Di Giaimo Neto 30/12/2002 E\V\

CIM: 196017

Bibliografia
: História Geral da Civilização - Sérgio B. de Holanda

Enciclopédia Encarta

Enciclopédia Microsoft

Trabalho 43
 

À G
\D\G\A\D\U\

A Inquisição

A Inquisição foi um tribunal da Igreja Católica medieval instituido para procurar e processar heréticos. O termo é aplicado para a Instituição em si, a qual era episcopal ou papal, regional ou local. Tremendamente severo em seus procedimentos, a Inquisição foi amparada durante a Idade Média recorrendo às práticas bíblicas e pelas palavras de Santo Agostinho, o qual tinha interpretado “Lucas 14:23” como endossando o uso da força contra os heréticos.

Santo Agostinho de Hipona (354-430), padre e um dos iminentes doutores da Igreja Católica ocidental. Filho de Santa Mônica, nasceu em Tagasta, Numídia, hoje Argélia. Inspirado no tratado filosófico, Hortensius, de Cícero, converteu-se em ardoroso pesquisador da verdade e aderiu ao Maniqueísmo. Em Milão, conheceu Santo Ambrósio que o converteu ao cristianismo.

Agostinho voltou ao norte da África, foi ordenado sacerdote e, mais tarde, consagrado bispo de Hipona. Combateu a heresia maniqueista, desenvolvendo nessa época, as doutrinas do pecado original, graça divina, soberania divina e predestinação. Os aspectos institucionais de sua doutrinas foram especialmente proveitosos para a Igreja Católica Apostólica Romana.

Aparecimento da Inquisição
.

Problemas com seitas semelhantes aos dos Albigenses, conhecida como Heresia Social Cátara, no começo do século XII conduziu à Inquisição Episcopal.

No início desse século, ao sul da França, na região conhecida como Langedoc, ocorreu um massacre de imensas proporções, fruto da intolerância religiosa, associado aos interesses políticos e financeiros. Nesse local, favorecido pelo abandono da Igreja Romana, com seu obscurantismo e ignorância, desenvolveram-se estudos dos clássicos gregos com obras em árabe e hebráico. Os pensamentos hislâmico e cristão, juntamente com o esoterismo hebraico da cabalá, conviviam sem problemas. A Igreja, que à época se comportava como qualquer Instituição mundana corrompida, com tráfico de influências, vendas de cargos na hierarquia eclesiástica, não era bem vista pelo povo dessa região.

Os Albigenses, habitantes da cidade de Albi, já haviam sido condenados em 1165 por um conselho eclesiástico por causa de suas doutrinas consideradas heréticas pela Igreja Católica. Na verdade existiam outras seitas, mas todas tinham contudo alguns pontos em comum: rejeitavam a fé pregada pela Igreja Católica a qual remontava aos apóstolos e ao próprio Cristo. Negavam as doutrinas da Trindade e do nascimento virginal, do purgatório e da condenação eterna num inferno de fogo. Esse conjunto de seitas, deu origem ao termo Cátaro, derivado do grego Kátharos, que significa “puro”. Por envolver muitas pessoas, foi denominada de Heresia Social Cátara.

O assassinato de um embaixador do Papa Inocêncio III, enviado em 1208 àquela região, por pessoas desconhecidas, desencadeou a ação de represália da Igreja Romana contra a heresia social cátara.

Com o apoio do povo do norte, que invejava a riquesa e prosperidade do Langedoc, formou-se um exército de milhares de homens, que invadiu a região. Foi um massacre total. Tudo foi destruído, reduzindo a região à desolação. Conta-se que quando um oficial perguntou ao representante do Papa, frade Arnaud Amalric, como poderiam diferenciar os hereges dos crentes verdadeiros, este teria respondido:”Mate-os todos. Deus reconhecerá os seus”. E assim foi feito.

Todos foram mortos, homens, mulheres e crianças.

Deste modo, o século XIII, no seu início, presenciou a intolerância da Igreja na Cruzada Cátara, e viu também a criação de uma Instituição que veio a tornar-se temível na Alemanha, França, Espanha e Itália – a Inquisição.



Com o objetivo de eliminar heresias, juntamente com os héreges, tornou-se um instrumento de repressão a minorias e de exacerbação do poder. Aceitava-se a tortura como instrumento adequado para a obtenção da confissão de um suspeito.

A Inquisição papal foi formalmente instituida pelo Papa Gregório IX em 1231. Seguindo uma lei do Sacro Imperador Romano Frederico II, permitida para os Lombardos em 1224 e extendida para todo o imperio em 1232, Gregorio ordenou que heréticos convictos deviam ser presos pelas autoridades seculares e queimados. Como Frederico, Gregório também mandou que heréticos fossem procurados e investigados antes do contato com a corte da Igreja. Para este propósito ele primeiro escolheu inquisidores especiais (como por exemplo, Conrad de Malburg na Alemanha e Robert, o Bugre, na Burgandia) e, posteriormente, incumbiu a tarefa para membros da recém fundadas Ordens de Monges Dominicanos e Franciscanos. A autoridade independente dos inquisidores era causa frequente de atritos com o clero local e bispos.

O procedimento típico começava com com a chegada dos inquisidores numa específica localidade. Um período de benevolência era proclamado à penitentes heréticos, após o que denúncias eram aceitas por qualquer um, mesmo criminais e outras heréticas. Dois informantes cujas identidades eram desconhecidas para a vítima eram suficientes para a acusação formal. A corte então intimava o suspeito, que era conduzido a um interrogatório, e tentava-se obter a confissão que era necessária para a condenação Para conseguir isso, frequentemente eram aplicadas torturas físicas.

No começo do interrogatório, o qual era registrado sumariamente em latim por um escrivão, suspeitos e testemunhas tinham que jurar que revelariam todas as coisas. A má vontade para fazer o juramento era interpreta como um sinal de aderência à heresia. Se a pessoa confessasse e era submissa, o julgamento prescrevia penas mais leves como surra com a chibata, jejuns, rezas, peregrinações ou coisas semelhantes. Em casos mais severos, o uso da “cruz da infâmia”, na cor amarela, resultando num ostracismo social, ou aprisionamento, podiam ser impostos.

A negativa da acusação sem contraprovas, recusa de confessar e persistência na heresia resultava nas mais severas punições: prisão pérpetua ou execução acompanhada pela total confisco de suas propriedades. Desde que à Igreja não era permitido tirar a vida, o setenciado herético era entregue para as autoridades seculares para a execução, usualmente queimado na estaca. Quando a Inquisição tinha completado suas investigações, a sentença era pronunciada numa cerimônia solene, conhecido como o “sermão geral” ou, em castelhano, o “ato de fé”, pelas altas dignidades locais, clérigos e o povo da cidade. Aqui os penitentes abjuravam seus erros e recebiam suas penitências. Heréticos obstinados eram solenemente amaldiçoados e entregues para serem queimados imediatamente em público.

Muitos manuais dos inquisitores tem sobrevivido, entre eles o de Bernard Gui e Nicolas Eymeric. Outras fontes incluem listas de perguntas padrão e numerosas atas oficiais dos locais das Inquisições. Alguns desses materiais tem sido publicado, mas a maioria existe somente em manuscritos.

Os primeiros inquisitores trabalharam na Europa Central (Alemanha, norte da Itália, leste da França). Mais tarde centros de Inquisição foram estabelecidos nas regiões mediterrâneas, especialmente no sul da França, Itália, Portugal e Espanha. O Tribunal foi usada na Inglaterra para subjugar os Lollards (seguidores do reformador John Wycliffe, do século XIV). A Rainha Mary I da Inglaterra (1553- 1558) usou o Tribunal no esforço de reverter a Reforma Protestante. A longa sobrevivência da Inquisição pode ser atribuida a antecipada inclusão de outras transgressões, além da heresia: bruxaria, alquimia, blasfemia, aberrações sexuais, e infanticídio. O número de bruxas e feiticeiros queimados após o século XV parece ter sido maior do que o dos heréticos.

Em 1555, o Papa Paulo IV empreendeu violenta perseguição contra suspeitos de heresia, incluindo bispos e cardeais. Em 1559, elaborou a primeira listagem de livros que atentavam contra a fé e a moral : o Indice de livros proibidos (index livrorum proibitorum).



A Inquisição passou por especial desenvolvimento em Portugal e na Espanha e suas colônias. Em Portugal, os judeus espanhóis, fugindo da perseguição e da morte que os ameaçava na Espanha, atravessaram a fronteira após pagarem, por cabeça, uma soma em dinheiro ao rei D. Manuel I. Mais tarde, estes judeus foram submetidos ao batismo forçado e as crianças separadas de seus pais e levadas para os arquipélagos de Açores e Madeira para, junto a casais católicos, crescerem na fé cristã. Portugal instalou seu Tribunal de Santo Ofício no Rossio, em Lisboa e, repetiu o drama de autos de fé encerrados com seres humanos na fogueira. Se o acusado, antes do fogo ser aceso, confessasse sua culpa, era garroteado para não ser queimado vivo. Mesmo assim, as chamas cumpriam seu papel de acabar de purgar os pecados e o fogo era aceso para consumir o corpo.

Devido a insistência de Fernando II de Aragão e Isabella I de Castela, o Papa Sixtus IV endossou (1483) a criação da Inquisição Espanhola Independente, presidida por um Alto Conselho e Grande Inquisidor. Lenda tem sido feita pelo primeiro Grande Inquisidor, Tomás de Torquemada, um símbolo de extrema crueldade, beatice, intolerância e fanatismo religioso.

Tomás de Torquemada (1420- 1498) estudou em Valladolid, juntou-se aos Dominicanos como sacerdote do Monastério de Santa Cruz, em Segóvia. Em 1474, tornou-se confessor e conselheiro dos “Reis Católicos”, Isabela e Fernando. Apesar de, provavelmente, ter tido origem judia, Torquemada investiu furiosamente contra os judeus ortodoxos e contra os Marranos (convertidos do judaismo), além de outros. Aproximadamente duas mil pessoas morreram e outras tantas, foram torturadas por sua autorização. Devido sua influência, junto aos reis Fernando e Isabela, milhares de judeus, não convertidos, foram expulsos da Espanha.

A verdade é que a Inquisição Espanhola era particularmente severa, austera, e eficiente devido seus poderosos laços com a coroa. Seus maiores alvos foram os Marranos e os Moriscos (convertidos do Islamismo), muitos dos quais foram suspeitos de secretamente aderirem às suas antigas crenças. A Inquisição foi finalmente extinta na Espanha em 1834 e em Portugal em 1821.

Em Roma, no tempo da Reforma, Papa Paulo III criou uma Comissão de Cardeais como Corte Suprema, em matéria de heresia. Esta Inquisição romana foi solidificada (1588) por Sixtus V na Congregação de Roma, como Inquisição Universal, também conhecida como Sagrado Ofício, cuja tarefa era zelar pela doutrina correta da fé e da moral, para a totalidade da Igreja Católica Romana. Reorganizada em 1908 sob o simples título de Congregação do Santo Ofício, foi redefinida pelo Papa Paulo VI em 1965 como a Congregação para a Doutrina da Fé, com a mais positiva tarefa de promover a correta doutrina ao invés de censurar a heresia.

Conclusão.

Entre as inumeráveis vítimas da Inquisição existiu pessoas famosas como o filósofo Giordano Bruno, Galileu, Joana D’Arc, e os membros da famosa Ordem Religiosa “Os Cavaleiros Templários”.

A Instituição e seus excessos tem sido um embaraço para muitos cristãos modernos. No anti catolicismo e nas polêmicas anti religiosas, desde o Iluminismo, a Inquisição tem sido citada como exemplo primário do que foi o barbarismo na Idade Média. Em nossos dias houve uma certa simpatia popular para com a Inquisição. Alguns viram nela uma ferramenta política e econômica, outros, como a necessidade de defesa para a fé religiosa. A despeito de todos os esforços para entender a Instituição na luz social, política, religiosa e como fator ideológico, hoje a Inquisição é admitida como pertencente ao lado negro da história do Cristianismo.