sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Brilhe











O ser humano é proprietário de uma força interior responsável por tudo de belo e superior construído pela civilização. Há, em seu íntimo, um impulso criativo que o leva ao bem, ao belo e ao maravilhoso. Tudo que enxerga de magnífico é fruto de sua própria natureza, cuja transcendência divina o leva a tal percepção. Sendo a obra-prima de Deus, é o natural responsável pela continuidade do que há no Universo e do seu progresso. Valorizar-se, exaltando o Criador, é seu dever, para que nunca se esqueça de sua régia função. A Humanidade é obra do próprio ser humano. Deus é amor, e o ser humano é seu atestado.



Adenáuer Novaes

Psicólogo Clínico e Escritor

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

LIBERDADE


Walter, Lauro, Estevão e Neto.



 
LIBERDADE
Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...



Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.



Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!



Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.


E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...



Fernando Pessoa


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

ABENÇOA TAMBÉM


Andrômeda
 
ABENÇOA TAMBÉM


"Diante das vozes dos braços que te amparam na enfermidade, coopera com os instrumentos da cura, abençoando a ti mesmo.

Em qualquer desajuste orgânico não condenes o corpo.

O operário há de amar enternecidamente a máquina que o ajuda a viver, lubrificando-lhe as peças e harmonizando-lhe os implementos, se não deseja relegá-la à inutilidade e à secura.

Abençoa teu coração. É o pêndulo infatigável, marcando-te as dores e alegrias.

Abençoa teu cérebro. É o gabinete sensível do pensamento.

Abençoa teus olhos. São companheiros devotados na execução dos compromissos que a existência te confiou.

Abençoa teu estômago. É o servo que te alimenta.

Abençoa teus pés. São apoios preciosos em que te sustentas.

Abençoa tuas faculdades genésicas. São forças da vida pelas quais recebeste no mundo o aconchego do lar e o carinho de mãe.

Eis que Deus te abençoa, a cada instante, no ar que respiras, no pão que te nutre, no remédio que refaz, na palavra que anima, no socorro que alivia, na oração que consola...

Junto das células doentes ou fatigadas, não empregues o fogo da tensão, nem o corrosivo do desespero.

Abençoa também".


EMMANUEL

Emanuel Abrantes Sarmento em brilhante discurso na
ARLS Calixto Nóbrega nº15- Sousa - PB.




 

 











segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Os que ficam pelo caminho



 



Os que ficam pelo caminho




"Nem todos os Aprendizes chegam a Companheiros. Nem todos os Companheiros ascendem a Mestres. E seguramente que nem todos os Mestres virão a exercer o ofício de Venerável Mestre. É assim a realidade!" Assim escreveu o Rui Bandeira num texto publicado em 2008, ainda não tinha eu recebido o meu avental branco. Na altura, quando o li, achei estranho o tom, a naturalidade, e o que tomei por critérios de seleção apertadíssimos. Recordo-me de ter pensado algo como "Estes tipos não brincam em serviço... Devem ser bestialmente exigentes, e só escolhem os melhores para progredir... Isto devem ser chumbos de três em pipa..."

Estava tão enganado!

Com o tempo vim a perceber que dificilmente a Loja "chumbava" fosse quem fosse, a não ser nas circunstâncias mais excepcionais, mas que, não obstante, o Rui tinha razão: havia muitos que ficavam pelo caminho. Mas se a Loja não chumbava ou impedia a progressão, quem o fazia então? Ora... O próprio, quem mais?! Comecei a perceber que por detrás de cada nome que era chamado no início da sessão pelo Secretário e a que se seguia um silêncio em vez de ser anunciada a presença se encontrava um Irmão que não viera. E que os nomes que eu ouvia repetidamente e a que não associava uma cara eram de Irmãos que, de todo, não apareciam.

Uns - já Mestres - haviam-se desencantado, suponho, com a rotina da vida da Loja, e tinham agora outros entreténs - razão por que não punham os pés numa Sessão fazia tempo. Outros tinham, simplesmente, prioridades - frequentemente profissionais ou familiares - que se impunham sobre a presença em Loja, ou não tinham de todo disponibilidade para integrar a Linha de Sucessão assumindo um Ofício. Uns e outros lá iam aparecendo, uns mais e outros menos frequentemente, mas alguns desapareciam completamente de circulação.

A outros - ainda Companheiros - sucedia perderem o estímulo, ou não aguentarem tanto tempo sem poder falar e sem ser exaltados a Mestre. Ao fim de um tempo, também alguns destes começavam a faltar, a envolver-se pouco, e a certa altura eram, também eles, um desses nomes que se ouve e se associa a uma cara, mas que se tem uma certa nostalgia de não ver há meses...

Por fim, alguns Aprendizes eram iniciados, achavam graça à coisa, mas não tinham vida nem disponibilidade para pertencer a uma Loja que se reúne duas vezes por mês em dias e horas certos. Outros, quiçá mal conduzidos ou defeituosamente escrutinados, acabavam por se aperceber que a Maçonaria não lhes fazia vibrar corda nenhuma, e desapareciam.

Alguns interiorizavam que não queriam mais pertencer à Maçonaria, e pediam para sair. Outros, divididos entre o querer e o não poder, não assumiam a impossibilidade de permanecer, e iam ficando sem ficar. A certa altura, já nem as quotas pagavam, nem asseguravam os "mínimos olímpicos" da assiduidade - nós nem somos esquisitos: uma presença por ano basta-nos - e tinha que se lhes chamar a atenção para que cumprissem com os seus deveres.

E de fato confirmei ser precisamente assim, como o Rui tinha dito: há os que ficam pelo caminho, e os que vão progredindo de degrau em degrau, uns mais depressa e outros mais lentamente. Por vezes, alguns metem-se por becos sem saída e, ou adormecem, ou corrigem o percurso. Mas se é sempre triste vermos um irmão sentar-se na beira do caminho, descalçar as botas e adormecer encostado a uma árvore - pois sabemos que a maioria ficará ali para sempre - já nos enche de orgulho ver um irmão subir mais um degrau, assumir mais uma responsabilidade, receber mais um reconhecimento.


Os caminhos são muitos, e o destino é cada um que o escolhe. Não é, portanto, a Loja que é exigente e o "chumba" - pois para isso teria que ser a Loja a determinar os objetivos, e estes pertencem a cada um. É antes o Maçom que é muito ocupado, desiludido, ou simplesmente complacente, e se retira pelo seu pé. E assim deve ser. É que a Maçonaria não é para todos: é só para aqueles que de fato queiram - e façam por isso.

Paulo M.

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

domingo, 14 de outubro de 2012

Quem somos? O que fazemos?



Valdemar Sansão


Quem somos? O que fazemos?
Escrito por A Jorge


Nós homens, Maçons ou não, estamos cercados de muita vaidade, orgulho, arrogância e fundamentalmente da falta de humildade.

O Maçom na sociedade atual - Nossa Ordem tem sistematicamente, através dos tempos, oferecido aos seus membros oportunidades de evolução pessoal, para que se transformem numa poderosa força do bem, como influentes construtores sociais. Muitas tentativas foram feitas, e a história nos diz, muitas, infrutíferas, devido à intolerância; grande número alcançou seus objetivos.

Temos apregoado que há necessidade de um número maior de homens de qualidade em nossa Ordem, para que possamos dar oportunidade a homens sinceros se prepararem para o serviço na sociedade, segundo os princípios das tradições iniciáticas. Com isto e com a participação do homem Maçom na sociedade haverá uma correção dos profundos erros políticos e sociais, para a defesa da liberdade de consciência, da justiça e da verdade, seja ela qual for. No Brasil, há liberdade de ação, prevista pela nossa Constituição, mas há dificuldades múltiplas na prática de nossas manifestações, em grande parte pela ignorância do povo em geral sobre nossa Instituição, e em parte pela falta de objetividade na ação do próprio Maçom na sociedade, que muitas vezes deixa de definir aonde ele quer chegar.

Não é novidade para ninguém, que a elite brasileira não é muito sensível às preocupações gerais do nosso País. Se considerarmos que nosso País ainda luta contra suas deficiências básicas, tais como a educação, a moradia, a saúde, o saneamento básico, e a segurança.

O interessante é que muitos falam e poucos assumem, e nós Maçons, de tantos passados históricos, somos apontados em muitas ocasiões como a esperança moral do povo.

O Maçom sempre foi um insatisfeito, e sempre que na história surgem elementos novos, redimidos pelo saber e pela instrução, e outros que provocam a queda espiritual e moral do homem, o Maçom sempre tem reclamado e interferido. Seria interessante sabermos o que o Maçom pode verdadeiramente fazer na sociedade atual e diante dela. Para isto talvez não baste entendermos o que ocorre na sociedade atual, mas precisamos nos conhecer a nós próprios e nossas pretensões.

Quem somos? O que fazemos? Estas questões aparentemente simples são amplas e podem ser encaradas sob vários aspectos, mas, dois são básicos:


Nós Maçons somos hoje um grupo de homens espalhados pelo País, com princípios bem definidos pelos nossos Rituais, mas com regras não totalmente bem definidas pela nossa Constituição e Regulamentos, com decisões sem muita repercussão, fora de nossos Templos. Cumprimos nossas obrigações perante nossas Obediências e nossas Lojas, afinal juramos isto!
Somos um grupo de homens, cuja decisão sobre o que discutimos, e sobre o que precisamos na sociedade, não tem, muitas vezes atravessado a rua em que se encontra a nossa Loja! Infelizmente esta afirmativa não é exagerada. Muitas vezes dentro de nossos Templos somos combativos, "verdadeiras feras" em defesa do bem, do menor, da democracia, dos princípios basilares, reclamamos da sociedade e de tantas outras necessidades do homem no mundo atual. Nestes aspectos, o Maçom, sem sombra de dúvidas, não é um privilegiado, pois fala muito e faz pouco! É claro que entendemos que este comportamento é uma função quase que direta das circunstâncias da precária vida e da formação do homem na época atual, mas continuo entendendo que o Maçom, nestes aspectos, ainda não é privilegiado...

Por outro lado, entendemos também, e com o tempo a passar aprendemos serem nossos Templos um desafio à nossa responsabilidade e a filosofia é a luz que ultrapassa as barreiras físicas e mentais por nós conhecidas. É a luz que nos mostra no céu as estrelas que nos orientam nos dando acesso ao conhecimento e à vida de um modo geral, e é a luz que consolida o nosso passado, levando-nos a pensar no futuro! Sob este aspecto, entendemos que o Maçom não só é privilegiado como brilhante, e até muitas vezes convencido da necessidade de um aperfeiçoamento.

O Maçom agora é privilegiado sim, porque assume com estes programas um compromisso com a liberdade intelectual e espiritual do homem, cujo limite, sabemos, é o infinito...

Assim, à sombra deste privilégio, e à frente dos nossos olhos, vários caminhos podem ser tomados diante da sociedade em que vivemos; a questão é: qual tomar?

É bem conhecido que o Maçom não cultua o poder, notadamente o poder político, e muito menos o cortejamos, mas temos a obrigação de prepararmos nossos membros para que exerçam dignamente o poder quando convocados para servir a sociedade. A questão é como encarar a sociedade com conceitos e princípios que defendemos...

Desta forma, faz parte do nosso convívio como homens de bem, como atuação, oferecer o direito de cobrar dos que se encontram no poder, posições de competência, austeridade, sensatez, igualdade e moralidade. A sociedade atual muito pouco sabe sobre nossos propósitos, e reluta muitas vezes em aceitar nossa Sublime Instituição, duvidando da nossa eficiência. Nossa grande preocupação é que nós mesmos duvidamos de nossas atuações e de nossa eficácia.

Nós homens, Maçons ou não, estamos cercados de muita vaidade, orgulho, arrogância e fundamentalmente de falta de humildade, que nos assolam em todos os momentos de nossa vida, reverenciando o mal.

Nós escolhemos nossos caminhos e nossa Ordem, por vontade própria e sem constrangimento ou coação. Se não tivermos consciência do que queremos podemos livremente procurar nossa realização em outro lugar.

O que precisamos mesmo é nos aproximar da sociedade profana; caminharmos até ela, convivermos com suas dificuldades, seus prazeres, com sua sabedoria e com sua ignorância. Isto é difícil, mais para a Maçonaria, sociedade repleta de princípios bem definidos, e com a vontade de fazer, e fazendo o melhor, pode tornar-se viável.

Muitas vezes, o Maçom é brilhante, bem preparado, repleto de conhecimentos, mas é tímido e se envergonha de chegar à sociedade, e oferecer algo em favor dos outros. Se formos ao encontro dos reais objetivos de nossa Ordem, e deixarmos de justificar nossos melindres e preconceitos mais fortes, e provermos as necessidades do Irmão, naquilo que lhe der oportunidade de criar e lhe der liberdade de pensamento e ação, já estamos próximos do cumprimento de nossas obrigações. Entre as quais destacamos o papel de manter e formar o homem do bem!

Vamos a eles! Podemos contar com o seu apoio e o nosso nunca lhes faltará.

Favorecer o ser humano, com base no amor ao próximo, amor fraterno, demonstra acima de tudo a compreensão pura e simples da prevalência do espírito sobre a matéria.

Não nos permite o mundo atual, ficarmos encerrados em nossos Templos, fazendo juras de fidelidade, num circuito fechado, inconsistente. Temos que participar. Afinal, não somos uma obra exclusiva de nosso tempo, e sim de muitas épocas, e por esta razão somos responsáveis pelo que mantemos. Temos que nos aproximar da sociedade e não nos afastarmos dos seus problemas, quebrando o antigo tabu da falta de aproximação e do diálogo. É chegado o momento de definirmos uma boa razão para vivermos e até mesmo de pertencermos à Maçonaria.

O Maçom chegou a uma conclusão de que temos que nos unir e trabalhar juntos, e que não adianta nos lamentarmos levantando protestos dentro dos nossos Templos contra os erros da sociedade de hoje, que, aliás, são muitos; o que temos que fazer é trabalhar para o bem, até mesmo numa tentativa frenética de erguermos a moral de nosso povo, hoje abatido, infeliz e sem muitas perspectivas sólidas para o futuro. O Maçom tem sempre que levar aos seus arredores mais próximos seus conhecimentos, que em média são muito superiores que os da grande maioria deste povo brasileiro sofrido, muitas vezes por falta de oportunidade e em grande parte desprovido de princípios.

Esqueçamos nossas desavenças, nossas dificuldades, passemos ao entendimento mútuo, e nos unamos em torno do bem e da tolerância. Perdoemos nossos erros, pois até o direito de errar é sagrado, desde que corresponda ao intransferível dever de assumir a consequência do que se praticou.

Valdemar Sansão - M:. M:.


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A Cadeira de Salomão




Cadeira de Salomão.

A Cadeira de Salomão




Denomina-se de Cadeira de Salomão a cadeira onde toma assento o Venerável Mestre da Loja quando a dirige em sessão ritual.



Em si, não tem nada de especial. É uma peça de mobiliário como outra qualquer. É como qualquer outra cadeira. Porventura (mas não necessariamente) um pouco mais elaborada, com apoio de braços, com maior riqueza na decoração, com mais cuidado nos acabamentos. Ou não...



Como quase tudo em maçonaria, a Cadeira de Salomão tem um valor essencialmente simbólico. Integra, conjuntamente, com o malhete de Venerável e a Espada Flamejante (esta apenas nos ritos que a usam), o conjunto de artefatos que simbolizam o Poder numa Loja maçónica. Ninguém, senão o Venerável Mestre, usa o malhete respetivo. Ninguém, senão ele, utiliza a Espada Flamejante. Só ele se senta na Cadeira de Salomão.

A Cadeira de Salomão destina-se, pois, tal como os outros dois artefatos referidos, a ser exclusivamente utilizada pelo detentor do Poder na Loja. Assim sendo, importante e significativo é o nome que lhe é atribuído. Não se lhe chama a Cadeira de César ou o Trono de Alexandre. Sendo um atributo do Poder, não se distingue pelo Poder. Antes se lhe atribui o nome do personagem que personifica a Sabedoria, a Prudência, a Justa Sageza. Ao fazê-lo, está-se a indiciar que, em Maçonaria, o Poder, sempre transitório, afinal ilusório, sobretudo mais responsabilidade que imperiosidade, só faz sentido, só é aceite, e portanto só é efetivo e eficaz se exercido com a Sabedoria e a Prudência que se atribui ao rei bíblico.



Quem se senta naquela cadeira dispõe, no momento, do poder de dirigir, de decidir, de escolher o que e como se fará na Loja. Mas, em maçonaria, se é regra de ouro que não se contraria a decisão do Venerável Mestre, porque tal compromisso se assumiu repetidamente, também é regra de platina que, sendo-se livre, não se é nunca obrigado a fazer aquilo com que se não concorda. O Poder do Venerável Mestre é indisputado. Mas, para ser seguido, tem de merecer a concordância daqueles a quem é dirigido. E esta só se obtém se as decisões tomadas forem justas, forem ponderadas, forem prudentes. O Poder em maçonaria vale o valor intrínseco de cada decisão. Nem mais, nem menos.



A Cadeira de Salomão é pois o lugar destinado ao exercício do Poder em Loja, com Sabedoria e Prudência. Sempre com a noção de que não é dono de qualquer Poder, que só se detém (e transitoriamente) o Poder que os nossos Irmãos em nós delegaram, confiando em que bem o exerceríamos.



Não está escrito em nenhum lado, não há nenhuma razão aparente para que assim tenha de ser. Mas quase todos os que se sentaram na Cadeira de Salomão sentem que esta os transformou. Para melhor. Não porque esta Cadeira tenha algo de especial ou qualquer mágico poder. Porque a responsabilidade do ofício, o receber-se a confiança dos nossos Irmãos para os dirigirmos, para tomar as decisões que considerarmos melhores, pela melhor forma possível, por vezes após pronúncia dos Mestres da Loja em reunião formal, outras após ter ouvido conselho de uns quantos, outras ainda em solitária assunção do ónus, transforma quem assumiu essa responsabilidade. A confiança que no Venerável Mestre é depositada pelos demais é por este paga com o máximo de responsabilidade. Muito depressa se aprende que o Poder nada vale comparado com o Dever que o acompanha. Que aquele só tem sentido e só é útil e é meritório se for tributário deste.



A primeira vez que um Venerável Mestre se senta na Cadeira de Salomão não lhe permite distinguir se é confortável ou não. Não é apta a que sinta que se encontra num plano superior ou central ou especial em relação aos demais. A primeira vez que um Venerável Mestre se senta na Cadeira de Salomão vê todos os rostos virados para ele. Aguardando a sua palavra. Correspondendo a ela, se ela for adequada. Calmamente aguardando por correção, se e quando a palavra escolhida não for adequada. A primeira vez que um Venerável Mestre se senta na Cadeira de Salomão fá-lo instantaneamente compreender que está ali sentado... sem rede!



E depois faz o seu trabalho. E normalmente faz o seu trabalho como deve ser feito, como viu outros antes dele fazê-lo e como muitos outros depois dele o farão. E então compreende que não precisa de rede para nada. Que o interesse é precisamente não ter rede...



Quem se senta na Cadeira de Salomão aprende a fazer a tarefa mais complicada que existe: dirigir iguais!



Rui Bandeira


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

A ARCA DA ALIANÇA

A arca da Aliança
 
A ARCA DA ALIANÇA



Ven:.M:., Ir:. 1o.Vig:., Ir:. 2o.Vig:., Meus Queridos IIr:.,



A Arca da Aliança ou Arca do Pacto, é descrita pela Bíblia como o objeto em que as tábuas dos Dez Mandamentos teriam sido guardadas, e o veículo de comunicação entre Deus e seu povo escolhido, os judeus.



A Arca é a primeira construção mencionada no livro Êxodo. Sua construção foi orientada por Moisés, que por sua vez recebera instruções divinas:



Farão uma Arca de madeira de acácia; seu comprimento será de 2 côvados e meio (111 cm) e um côvado e meio de largura (66,6 cm) e sua altura 1 côvado e meio (66,6 cm). Tu a recobrirás de ouro puro por dentro, e o farás por fora, em vota dela uma bordadura de ouro. Fundirás para a arca quatro argolas de ouro, que porás nos seus quatro pés, duas de um lado e duas do outro. Farás 2 varais de madeira de acácia, revestidos de ouro, que passarás nas argolas fixadas dos lados da arca para se poder transportá-la. Uma vez passados os varais nas argolas, delas não serão mais removidos. Porás na arca o testemunho que eu te der. Farás também uma tampa de ouro puro, cujo comprimento será de dois côvados e meio e a largura de um côvado e meio. Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e o outro de outro, fixado de modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa. Terão estes querubins as asas estendidas para o alto e protegerão com elas a tampa, sobre o qual terão a face inclinada. Colocarás a tampa sobre a arca e porás dentro da arca o testemunho que eu te der. Ali virei ter contigo. E é de cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens para os israelitas." (Êxodo cap 25 versículo 10-22).



Segundo o relato do verso 22 de Êxodo, Deus se fazia presente np propicitório ( parte superior da tampa) no meio dos dois querubins em uma presença misteriosa que os judeus chamavam Shekinah ou presença de Deus.

Dentro da Arca estavam os três objetos que eram testemunhos da relação de Deus com seu povo: as tábuas com os Dez Mandamentos, símbolos da Direção Permanente de Deus, um pote de Maná (alimento produzido milagrosamente, sendo fornecido por Deus aos hebreus), que era uma metáfora do Alimento Permanente paro sustento vindo do deserto e o cajado de Arão que floresceu, como prova de sua indicação como Sumo-Sacerdote e sinal de seu Apoio Permanente.



A Arca fazia parte do conjunto do Tabernáculo e ficaria repousada sobre um altar também de madeira recoberto de ouro, com uma coroa de ouro ao seu redor. Como os hebreus ainda vagavam pelo deserto no momento da construção da arca, esta precisava, por isto a previsão dos varais.

Somente os sacerdotes levitas poderiam transportá-la ou tocá-la. Apenas o Sumo-Sacerdote uma vez por ano, no dia da expiação, quando a Luz de Shekinah se manifestava, entrava no santíssimo do templo. Estando ele em pecado morria instantaneamente.



O desaparecimento da Arca da Aliança, segundo a narrativa bíblica se deu após várias pilhagens do Templo de Jerusalém ( Templo de Salomão), quando o mesmo foi completamente destruído pelo Rei da Babilônia Nabucodonosor II em 587 a.C. É possível que os soldados de Nabucodonosor II tenham retirado todos os objetos de valor, inclusive a Arca antes de atearem fogo ao Templo. Segundo alguns historiadores ela pode ter sido destruída para se obter ouro ou levada como troféu. A Babilônia também foi conquistada por vários povos como Persas, Macedônios e tantos outros povos e seus tesouros e possivelmente a arca podem ter tido incontáveis destinos. Também é possível que a mesma tenha sido retirada do Templo antes e ter sido escondida em lugar seguro, tendo em vista sua importância para o povo de Israel.



Para católicos e judeus que se utilizam da Septuaginta, Escrituras Sagradas na versão grega, o desaparecimento da Arca é narrado no livro de II Macabeus. Nessa situação o profeta Jeremias haveria mandado que levassem a Arca até o Monte Nebo em Canaã para ali a esconder em uma caverna. Onde mandou gaurdar a Arca, o tabernáculo e o altar dos perfumes. Após guardados “Este lugar (disse Jeremias) ficará desconhecido, até que Deus reúna seu povo e o use com ele de misericórdia. Então revelará o Senhor o que ele encerra e aparecerá a glória do Senhor como uma densa nuvem, semelhante à que apareceu a Moisés e quando Salomão rezou para que o templo recebesse uma consagração magnífica”. ( IIMac, Bíblia Ave-Maria).



Muitos etíopes acreditam que a Arca esteja na cidade de Aksum ao norte do país, e alguns estudiosos acreditam ser verossímil. Os padres de Aksum acreditam, que a relíquia esteja guardada em uma capela ao lado da igreja de Santa Maria do Zion, nesta cidade, oculta dos olhos profanos, sendo que somente um sacerdote- Guardião da Arca tem acesso ao local.



A hipótese da arca estar na Etiópia tem origem no texto de Kebra Negast ou Livro da Glória do Reis, que trata das dinastias do reis etíopes nos tempos remotos, antes de Cristo. Nestas crônicas consta que todos os reis etíopes antigos e até os tempos contemporâneos foram descendentes do judeu e bíblico Salomão, segundo as crônicas, a Rainha de Sabá (Makeda) teria tido um filho com Salomão, Menelik I, e que Salomão teria confiado a ele a Arca e a guardado na cidade de Akusm, então capital da Etiópia.



A Arca da Aliança tem sido um dos tesouros arqueológicos mais cobiçados pela humanidade e continuará, pois é o objeto, que em lenda ou história, mais se aproximou do criador.





Wellington Oliveira, M:.M:.


ARLS Igualdade 119, Grande Oriente Paulista (GOP), Brasil