domingo, 22 de janeiro de 2012

Mestre e Aprendiz

São João Batista

Mestre e Aprendiz

Escrito por Rui Bandeira

Costumo invocar com freqüência a noção de que o Mestre maçom deve considerar-se um eterno Aprendiz, se quer ser digno de ser considerado Mestre.

Também me relembro com freqüência que ser maçom é um percurso de auto-aperfeiçoamento, sempre dinâmico, sempre inacabado, sempre em execução. Um dos marcos desse caminho é o maçom, o homem livre e de bons costumes, poder convictamente considerar-se Mestre de si mesmo, capaz de dominar suas paixões, seus vícios, domar seu temperamento, desbastar sua personalidade, no sentido do equilíbrio, da justeza. Enfim, conseguir EFECTIVAMENTE nortear sua vida e suas ações e realizações dentro do espaço delimitado por três características indispensáveis para que cada obra humana tenha valia digna desse nome: a Sabedoria, a Força e a Beleza. Que cada nossa decisão, cada realização nossa, consiga simultaneamente ser sabedora, porque justa e certa e equilibrada e prudente, forte, porque durável e susceptível de naturalmente se impor e prosseguir seus objetivos e belos, porque agradável aos demais, não é empresa fácil, se a queremos realizar bem, mas é extremamente gratificante, quando se alcança.

Ser maçon é, portanto, ser sempre Aprendiz, porque em cada momento devemos melhorar, mais bem compreender e fazer, sempre devemos estudar e especular e experimentar, para em cada dia sermos um pouco, um grão que seja, melhores do que o anterior. Mas é também ser Mestre, porque a aprendizagem não é um mero exercício intelectual, é um meio para utilizarmos e dominarmos e integrarmos o que aprendemos, com valia para nós próprios e para os demais, que podem beneficiar do que aprendemos e da transmissão do nosso conhecimento.

Esta dualidade Aprendiz - Mestre é, por natureza, dinâmica. Aprendemos e do que aprendemos somos Mestres e, sendo-o, verificamos que mais temos a aprender, e vemos como, e de novo mais aprendemos, e de mais somos Mestres e assim sucessivamente, numa eterna sucessão do ciclo tese-antítese-síntese que é nova tese. Esta relação entre aprendizagem e utilização do que se aprendeu necessita, porém, de ser equilibrada - de pouco vale aprender, aprender e aprender, se nada se utiliza, se aplica, se usa; não muito vale fazer e refazer e repetir o que um dia se aprendeu, em eterna e rotineira execução, sem perspectivas nem evolução. Por isso, em Maçonaria se preza o equilíbrio e se atende ao valor da dualidade, como fator de progresso, de evolução.

Em bom rigor, o maçom não É aprendiz, não É Mestre. O maçom FAZ-SE Aprendiz e, com isso, TORNA-SE Mestre. Não se compreende efetivamente a natureza da Maçonaria se dela apenas se retém uma imagem estática. A Maçonaria e os seus ensinamentos são essencialmente dinâmicos e é esse dinamismo, essa perpétua evolução, esse incessante movimento intelectual que é indispensável entender, se quer perceber o que é a Maçonaria. Cada ponto de chegada é um novo ponto de partida. Sempre. Com a especificidade de que cada maçom não tem necessariamente de partir dos SEUS pontos de chegada. Pode beneficiar dos que seus Irmãos obtiveram para, a partir deles, integrar os seus próprios conhecimentos e de tudo beneficiar para prosseguir sua demanda.

É também por isso que a maçonaria orgulhosamente se reclama da Tradição. Da Tradição de seus ancestrais, dos Mestres que antes de nós fizeram suas demandas e chegaram a suas conclusões. Que abriram e aplainaram os caminhos que hoje confortavelmente percorremos sem dificuldade, permitindo que nos aventuremos no desbaste de novos percursos que, se bem trabalharmos, um dia serão rápidas estradas, facilmente atravessadas pelos vindouros até as fronteiras de seus desconhecidos novos percursos. Por isso, para um maçon é natural ir ao passado rever o que aí se descobriu, para integrar com o que hoje está à nossa disposição e poder construir o que amanhã se descobrirá. Por isso, o Passado, o Presente e o Futuro se unem e tocam e associam para mais um pouco se avançar. Por isso, nós, maçons, valorizamos o Passado, a Tradição, os Ritos e os Conhecimentos que herdámos de nossos antecessores, tanto como valorizamos o nosso esforço de Hoje e como aspiramos a que seja valorizado o que procuramos construir para o Futuro. Que um dia será Presente e logo Passado... Dinâmica, não estática...

Os Aprendizes de antanho são para nós Mestres que nos ajudam a aprender e a sermos, por nosso turno, Mestres. Mas também os Mestres Aprendizes de agora mutuamente se influenciam. Por isso, mais do que dizer-se apenas que cada Mestre maçon, sendo-o, é simultaneamente um Aprendiz, pode e deve dizer-se ainda que cada maçon é também e sempre um Aprendiz de alguém e Mestre de algum outro Aprendiz.

Portanto, e resumindo: cada Mestre maçom é simultaneamente Mestre de si próprio e eterno Aprendiz, Aprendiz dos ensinamentos dos seus antecessores e Mestre dos vindouros e ainda Aprendiz de alguém e Mestre de algum outro Aprendiz - porventura também Mestre e, portanto, com as mesmas características...

Uma das coisas que eu gosto na Maçonaria é esta sua simplicidade!

In Blog "A Partir Pedra" - texto de Rui Bandeira (08.05.08)




sábado, 21 de janeiro de 2012

Festa na Maçonaria Paraibana!


Festa na Maçonaria Paraibana!



Meus IIr.´.

Merece aplausos de todos os maçons a comeração dos 94 anos da BRANCA DIAS.


No último dia 10 / 01 /2012, A Loja Maç.´. Branca Dias nº 01 completou 94 anos de fundação com a  realização de uma primorosa Sessão Magna, cujas fotos abaixo sentimos o calor humano de regozijos por tão importante data.


Parabenizamos com  TFA ao Venerável Abdon Felix e a todos os valorosos Obreiros desta Loja de vanguarda, VERDADEIROS PRECURSORES E EXEMPLO MAIOR para a maçonaria paraibana.

 
O blog O APRENDIZ participa deste momento de regozijo, alegria e da perseverança do mais lídimo exemplo de Maçonaria da Branca Dias.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

HUMOR - Maçom não mente... Só é criativo!

Cemitério-prazeres

Maçom não mente... Só é criativo!



Um maçom, tinha 12 filhos, precisava sair da casa onde morava e alugar outra, mas não conseguia por causa do monte de crianças.

Quando ele dizia que tinha 12 filhos, ninguém queria alugar porque sabiam que a criançada irá destruir a casa e ele não podia dizer que não tinha filhos, não podia mentir, afinal os MAÇONS não podem mentir.

Ele estava ficando desesperado, o prazo para se mudar estava se esgotando.

Daí teve uma idéia: mandou a mulher ir passear no cemitério com 11 dos filhos.

Pegou o filho que sobrou e foi ver casas junto com o agente da imobiliária. Gostou de uma e o agente perguntou quantos filhos ele tinha.

Ele respondeu que tinha 12.

Daí o agente perguntou: mas onde estão os outros?

E ele respondeu, com um ar muito triste:

"Estão no cemitério, junto com a mamãe deles".

E foi assim que ele conseguiu alugar uma casa sem mentir..."

A inteligência faz a diferença.

Não é necessário mentir, basta escolher as palavras certas.



quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

És Maçom?


És Maçom? (uma fábula)



Contribuição enviada pelo Ir.'. Carlos A. Guimarães



Só me lembrava daquela forte dor no peito. Como viera eu parar aqui? O ambiente me era familiar. Já estivera aqui, mas quando?

Caminhava sem rumo. Pessoas desconhecidas passavam por mim, contudo, não tinha coragem de abordá-las.

Mas espere, que grupo seria aquele reunido e de terno preto?

Lógico! Não estariam indo e vindo de um enterro; hoje em dia é tão comum pessoas irem ao velório de roupa preta. É claro! São Irmãos!.

Aproximei-me do grupo. Ao me verem chegar interromperam a conversa.

Discretamente executei o S.’. de A.’., obtendo resposta.

A alegria tomou conta de mim. Estava entre amigos.

Identifiquei-me. perguntei ansioso o que estava acontecendo comigo.

Responderam-me com muito cuidado e fraternalmente. Havia desencarnado.

Fiquei assustado; e a minha família, os meus amigos, como estavam?

- Estão bem, não se preocupe; no devido tempo você os verá, responderam.

Ainda assustado, indaguei do motivo de suas vestes.

Estamos nos encaminhando ao nosso Templo Maçônico – foi a resposta.

- Templo Maçônico? Vocês têm um?

- Sim, claro. Por que não?

Senti-me mais à vontade, afinal sou um Grande Inspetor Geral e com certeza receberei as honras devidas ao meu Gr.’..

Pedi para acompanhá-los, no que fui atendido.

Ao fim da pequena caminhada divisei o Templo. Confesso que fiquei abismado. Sua imponência era enorme.

As colunas do pórtico, majestosas. Nunca vira nada igual. Imaginei grupos de Irmãos conversando animadamente, porem em tom respeitoso.

O que parecia o líder do grupo, que me acompanhava, chamou um Irmão que estava adiante:

- Irmão Exp.’.! Acompanhai o Irmão recém chegado e com ele aguarde.

Não entendi bem, afinal, tendo mostrado meus documentos, esperava, no mínimo, uma recepção calorosa. Talvez estejam preparando uma surpresa à minha entrada; para um Gr.’. 33 não poderia se esperar nada diferente.

Verifiquei que os Irmãos formavam o cortejo para entrada no Templo. À distância não pude ouvir o que diziam, contudo, uma luminosidade esplendorosa cercou a todos.

De tanta emoção não conseguia dizer nada. O tempo passou... Não pude medir quanto.

A porta do Templo se entreabriu e o Irmão M.’. de CCer.’., encaminhando-se a mim, comunicou que seria recebido. Ajeitei o paletó, estufei o peito, verifiquei se minhas comendas não estavam desleixadas e caminhei com ele.

Tremia um pouco, mas quem não o faria em tal circunstância? Respirei fundo e adentrei ritualisticamente ao Templo.

Estranho... Esperava encontrar luxuosidade esplendorosa, muito ouro e riqueza.

Verifiquei, rapidamente, no entanto, uma simplicidade muito grande.

Uma luz brilhante, vindo não sei de onde, iluminava o ambiente.

Cumprimentei o V.’. M.’. e os VVig.’. na forma usual. Ninguém se levantou à minha entrada. Mantinham-se calados, respeitosos.

Não sabia o que fazer. Aguardava ordens ... e elas vieram na voz firme do V.’. M.’., que, na forma de costume, me perguntou se eu sou maçom.

Reconhecendo a necessidade de tal formalidade em tais circunstâncias, aceitei respondê-lo e o fiz, também pela forma de costume.

Aguardei, seguro, a pergunta seguinte. Em seu lugar o V.’. M.’. dirigindo-se aos presentes, perguntou:

- Os IIr.’., aqui presentes, o reconhecem como Maçom?

Assustei-me. O que era isso? Por que tal pergunta?

O silêncio foi total.

Dirigindo-se a mim, o V.’. emendou:

- Meu caro Ir.’. visitante, os IIr.’. aqui presentes não o reconhecem como Maçom.

- Como não?! Disse eu. Não vêm as minhas insígnias? Não verificaram os meus documentos?

Sim, caro Ir.’., retrucou solenemente o V.’. M.’.. Contudo, não basta ter ingressado na Ordem, ter diplomas ou insígnias para ser um Maçom. É preciso, antes de tudo, ter construído o “seu Templo” e verificamos que tal não ocorreu com o Ir.’.. Observamos, ainda, que apesar de ter tido todas as oportunidades de estudo e de ter galgado ao mais alto dos GGr.’., não absorveu seus ensinamentos. Sua passagem pela Arte Real foi efêmera.

Não pude agüentar. Retruquei:

- Como efêmera? Vocês que tudo sabem não observaram minhas atitudes fraternas?

Fui interrompido.

- IIr.’., vejamos então sua defesa...

Automaticamente desenhou-se na parede algo parecido com uma tela imensa de televisão e, na imagem, reconheci-me junto a um grupo de IIr.’. tecendo comentários desairosos contra a administração de minha Loja. Era verdade.

Envergonhei-me. Tentei justificar, mas não encontrava argumentos. Lembrei-me, então, de minhas ações beneficentes. Indaguei-os sobre tal.

E mudando a imagem como se trocassem de canal, vi-me colocando a mão vazia no Tr.’. de B.’.. Era fato e, costumeiramente, o fazia, por achar que o óbolo não seria bem usado...

Por não ter o que argumentar; calei-me e lágrimas de remorso brotaram-me nos olhos. Iniciei a retirar-me, cabisbaixo e estanquei ao ouvir a voz autoritária e, ao mesmo tempo, fraterna do V.’..

- Meu Ir.’., reconhecemos suas falhas quando no orbe terrestre e na Maçonaria. Contudo, reconhecemos, também, que o Ir.’. foi iniciado em nossos Augustos Mistérios. Prometemos, em suas iniciações, protegê-lo, e o faremos. O Ir.’. terá a oportunidade de consertar seus erros. Afinal, todos nós aqui presentes já os cometemos um dia. Descanse neste plano o tempo necessário e, ao voltar à matéria, para novas experiências, nós o encaminharemos para a Ordem Maçônica. Sua nova caminhada, com certeza, será mais promissora e útil.

Saí decepcionado, mas estranhamente aliviado.

Aquelas palavras parecem ter me tirado um grande peso. Com certeza, ali eu desbastara um pedaço de minha P.’. B.’..

Acordei, sobressaltado e suando. Meu coração, disparado. Levantei-me assustado, mas com certa alegria no peito. Havia sonhado!!

Dirigi-me ao guarda-roupas. Meu terno ali estava.

Instintivamente retirei do paletó as medalhas e insígnias e as guardei em uma caixa.
Ainda emocionado, e com os olhos molhados de lágrimas, dirigi-me à minha mesa e com as mãos trêmulas e cheio de uma alegria enleante, retirei o Ritual de Ap.’. Maç.’..




terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Pitágoras

Ao falar em Pitágoras a primeira lembrança que vem é sobre seu teorema:
O teorema de Pitágoras é uma relação matemática entre os três lados de qualquer triângulo retângulo. Na geometria euclidiana, o teorema afirma que:  
“ Em qualquer triângulo retângulo, o quadrado do comprimento da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos comprimentos dos catetos. ”Por definição, a hipotenusa é o lado oposto ao ângulo reto, e os catetos são os dois lados que o formam. O enunciado anterior relaciona comprimentos, mas o teorema também pode ser enunciado como uma relação entre áreas:

Para ambos os enunciados, pode-se equacionar
C²=B² + A²

Mas quero abordar a vida desse Sábio Mestre que preferia ser conhecido como Filósofo e não apenas como Matemático.

Pitágoras nasceu em Samos, em 572 antes da Era Cristã , aproximadamente.
Foi o fundador da escola italiana referente a Crotona, cidade da Itália onde foi criada.
Antes de estabelecer na Itália , Pitágoras passou um longo tempo no Egito, depois foi para Caldéia e Creta.

Seus discípulos deviam passar cinco anos escutando seus ensinamentos em silêncio. Só depois de haverem satisfeito essa exigência é que tinham autorização para vê-lo e falar com ele.
Pitágoras pensava que o mundo era inteligente e animado por uma Alma que ele denominava “ Éter " e da qual provinham todas as almas individuais dos homens e também dos animais.
Ele ensinava a reencarnação e pensava que seu propósito era permitir ao homem tornar-se puro e perfeito ao termo de sua evolução.

Pitágoras dividiu a idade do homem em quatro partes iguais, cada uma correspondendo a uma estação. Segundo ele, o homem era criança até os vinte anos; jovem até os quarenta; adulto até os sessenta e velho após essa idade.

Em seus ensinamentos, ele utilizava parábolas para explicar princípios importantes a seus discípulos.

Pitágoras acreditava que a Unidade era a primeira Lei do Universo e que dessa Unidade provinham os números, dos números os pontos, dos pontos as linhas, das linhas as superfícies , os sólidos e dos sólidos os quatro princípios ( fogo, ar, água e terra) de que o mundo é composto.

Pitágoras utilizava os dez primeiros números para simbolizar os dez princípios duplos no qual repousa tudo que existe: a unidade e a multiplicidade; o limitado e o ilimitado; o direito e o esquerdo; o macho e a fêmea; o repouso e o movimento; a luz e as trevas; o bem e o mal; o quadrado e o redondo; o par e o ímpar; a reta e a curva. Ele representava a permanência desses dez contrários pela Tetraktys, a soma dos quatro primeiros números . ( 1+2+3+4=10) .

Na quinta instrução do Grau de Aprendiz Maçom reconhecemos que a Filosofia foi sempre exposta por um Sistema Numérico e representada por números e que representam verdades misteriosas e profundas.

Refletir sobre “mistério” é muito pessoal e complexo em meu entendimento; aprendi que    "mistério” é aquilo que apenas os verdadeiros iniciados conhecem.
T.:F.:A.:
Em qualquer triângulo retângulo, a área do quadrado cujo lado é a hipotenusa é igual à soma das áreas dos quadrados cujos lados são os catetos.
Haylton Ary Novaes Júnior
M.:M.:
ARLS “ Caridade Sul Mineira “ – 287
Oriente de Santa Rita do Sapucaí - MG
Palcet 22.879 – G.:L.:M.:M.:G.:
Fontes de Pesquisa :
Site: www.amorc.org.br e estudos pessoais.



PITÁGORAS

À Glória do G.:A.:D.:U.:
Pitágoras

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Os primeiros cristãos

Símbolo maçônico.

Os primeiros cristãos



Foi à obrigação lógica de explicar a ação da alma sobre o invólucro físico que cederam os primeiros cristãos, acreditando na existência de uma substância mediadora. Aliás, não se compreende que o espírito seja puramente imaterial, porquanto, então, nenhum ponto de contacto o teria com a matéria física e não poderia existir, desde que deixasse de estar individualizado num corpo terrestre.

No conjunto das coisas, o indivíduo é sempre determinado pelas suas relações com outros seres; no espaço, pela forma corpórea; no tempo, pela memória.

O grande apóstolo S. Paulo fala várias vezes de um corpo espiritual (22), imponderável, incorruptível, e Orígenes, em seus Comentários sobre o Novo Testamento, afirma que esse corpo, dotado de uma virtude plástica, acompanha a alma em todas as suas existências e em todas as suas peregrinações, para penetrar e os corpos mais ou menos grosseiros e materiais que ela reveste e que lhe são necessários no exercício de suas diversas vidas.

Eis aqui, segundo Pezzani, as opiniões de alguns Pais da Igreja sobre esta questão. (23) Orígenes e os Pais alexandrinos, que sustentavam um a certeza, os outros a possibilidade de novas provas após a provação terrena, propunham a si mesmos a questão de saber qual o corpo que ressuscitaria no juízo final. Resolveram-na, atribuindo a ressurreição apenas ao corpo espiritual, como o fizeram S. Paulo e, mais tarde, o próprio Santo Agostinho, figurando como incorruptíveis, finos, tênues e soberanamente ágeis os corpos dos eleitos. (24)

Então, uma vez que esse corpo espiritual, companheiro inseparável da alma, representava, pela sua substância quintessencíada, todos os outros envoltórios grosseiros, que a alma pudera ter revestido temporariamente e que entregara ao apodrecimento e aos vermes nos mundos por onde passara; uma vez que esse corpo havia impregnado de sua energia todas as matérias para um uso limitado e transitório, o dogma da ressurreição da carne substancial recebia, dessa concepção sublime, brilhante confirmação. Concebido desse modo, o corpo espiritual representava todos os outros que somente mereciam o nome de corpo pela sua adjunção ao princípio vivificante da carne real, isto é, ao que os espíritas denominaram perispírito. (25)

Diz Tertullano (26) que os anjos têm um corpo que lhes é próprio e que, como lhes é possível transfigurá-lo em carne humana, eles podem, por um certo tempo, fazer-se visíveis aos homens e comunicar-se com estes visivelmente. Da mesma maneira fala S. Basílio. Se bem haja ele dito algures que os anjos carecem de corpo, no tratado que escreveu sobre o Espírito Santo, avança que os anjos se tornam visíveis pela espécie de corpo que possuem, aparecendo aos que de tal coisa são dignos.

Nada há na criação, ensina Santo Hilário, que não seja corporal, quer se trate de coisas visíveis, quer de coisas invisíveis. As próprias almas, estejam ou não ligadas a um corpo, têm uma substância corpórea inerente à natureza delas, pela razão de que é necessário que toda coisa esteja nalguma coisa. Só Deus sendo incorpóreo, segundo S. Cirino de Alexandria, só ele não pode estar circunscrito, enquanto que todas as criaturas o podem, ainda que seus corpos não se assemelhem aos nossos. Mesmo que os demônios sejam chamados animais aéreos, como lhes chama Apuleio, sê-lo-ão no sentido em que falava o grande bispo de Hipona, porque eles têm natureza corpórea, sendo uns e outros da mesma essência. (27)  S. Gregório, por seu lado, chama ao anjo um animal racional (28) e S. Bernardo nos dirige estas palavras: Unicamente a Deus atribuamos a imortalidade, bem como a imaterialidade, porquanto só a sua natureza não precisa, nem para si mesma, nem para outrem, do auxilio de um instrumento corpóreo (29). Essa era também, de certo modo, a opinião do grande Ambrósio de Milão, que a expunha nestes termos:

Não imaginemos haja algum ser isento de matéria na sua composição, exceto, única e exclusivamente, a substância da adorável Trindade. (30)

O mestre das sentenças, Pedro Lombardo, deixava em aberto a questão; esposava, contudo, esta opinião de Santo Agostinho:
Os anjos devem ter um corpo, ao qual, entretanto, não se acharas sujeitos, corpo que eles, ao contrário, governam, por lhes estar submetido, transformando-o e imprimindo-lhe as formas que lhe queiram dar, para torná-lo apropriado aos atos deles.

GABRIEL DELANNE
A ALMA É IMORTAL



(22) Epistola aos Corintios, cap. XV, v. 44.
(23) Pezzani - A Verdade (jornal, de 5 de abril de 1863).
(24) Santo Agostinho -Manual, cap. XXVI.
(25) Bourdeau - O problema da morte, págs. 36 e seguintes e 62 e seguintes.
(26) Tertuliano - De carne Cristi, cap. VI.
(27) Santo Agostinho
(28) Santo Agostinho
(29) Sup. Quantie - Homilia X.
(30) Abraham - t. II, cap. XIII, no 58.

domingo, 15 de janeiro de 2012







Emmanuel Abrantes Sarmento, Venerável de Honra,
em pronunciamento na Loja Maçônica Calixto Nóbrega nº15 - Sousa (PB).
 

Pronunciamento do Grande Orador da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais na comemoração do 82º aniversário da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais:

Palavras de Grande Orador Irmão Paulo Duarte Pereira, na comemoração dos oitenta e dois anos da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais.

Oriente de Belo Horizonte, 23 de setembro de 2009

Senhores,

Estamos honrados com a presença de V.Exas. a prestigiar a grande família maçônica das Alterosas, no histórico momento em que a GLMMG comemora 82 anos de profícua existência.

A comenda que ora é outorgada a V.Exas. Sr. Prefeito de Belo Horizonte, Dr. Marcio Araújo de Lacerda e Sr. Reinaldo Alves Costa Neto, diretor responsável pela construção da cidade Administrativa Tancredo Neves, é a maior distinção que a GLMMG confere àqueles que, reconhecidamente, prestaram relevantes serviços à maçonaria ou à comunidade que a abriga.

O Dr. Mário Bhering, seu patrono, Soberano Comendador do R:.E:.A:.A:., um maçom de elevada estirpe, responsável pelo reconhecimento, no universo maçônico e social, desta Grande Loja, do nobilitante título de Grande Loja Maçônica, Autônoma e Soberana, concedendo-lhe a sua Carta Constitutiva.

Para situar V.Exas. em nosso contexto, consideramos de bom alvitre, mesmo que em apertada síntese, trazermos algumas informações sobre a nossa instituição, sua história, seus objetivos e, principalmente de participarmos, efetivamente, a favor de seu desenvolvimento, nos alinhando aos homens que pela soberania do povo se responsabilizam na condução de seu destino.

Não pretendemos ficar à margem da história.

A MAÇONARIA E AS SUAS ORIGENS

O historiador reverendo George Oliver, nos meados do século XIX escreveu:

‘’As antigas tradições maçônicas, dizem, e penso que elas tem razão, que nossa ciência existia já antes da criação do nosso globo, e estava espalhada entre os sistemas mais variados do espaço. A instituição maçônica era coeva da criação dos mundos, tal a semelhança de seus princípios com os da primitiva constituição que figurava no paraíso’’




Como estudiosos da maçonaria e suas origens, não vamos tão longe. Preferimos nos associar aos que buscam suas raízes no antigo Egito ou mesmo junto à cultura judaico – cristã.

Pugnam os hermeneutas que o elo de ligação da filosofia maçônica, entre a cultura do antigo Egito e as descrições bíblicas, seria Moisés - sacerdote iniciado e conhecedor dos mistérios ocultos nos templos egípcios:

(Atos dos Apóstolos 7:22 ) : “Assim foi iniciado Moisés em toda a sabedoria dos egípcios” -

Salomão , descendente de Moisés, de posse do seu legado o aplica na construção do templo de Javé, protótipo dos atuais templos maçônicos.

Identifica-se ainda a maçonaria à cultura helênica.

A máxima universal pitagórica, “Dizer a verdade e fazer o bem”, sem duvida, se enquadra aos princípios maçônicos.

A moderna maçonaria, contudo, como hoje a conhecemos, se organizou na Europa, no Século XVIII.

A primeira Grande Loja Maçônica surgiu em 24 de julho de 1717, quando quatro lojas de Londres-Inglaterra, se unificaram numa instituição a que denominaram a Grande Loja de Londres, considerada a loja mãe da maçonaria-universal.

O Pastor James Anderson, maçom atuante de uma daquelas oficinas, encarregou-se da elaboração de uma obra contendo a história, incluindo-se a parte lendária, as obrigações e as normas fundamentais da loja, ou seja, o instrumento jurídico adotado pela moderna maçonaria - A Constituição de Anderson, publicada em 1723.

A seguir, passando pela França, se expandiu pelo mundo e, em 1738, registrou-se a existência de mais de 270 lojas pela Europa, Ásia e Colônias Inglesas na América.

No Brasil, a Maçonaria se fez presente pela atuação de obreiros iniciados na Europa, aqui contidos pelos esbirros da Coroa e do Clero. Reuniam-se anonimamente em arcádias, areópagos e em academias, a partir do século XVIII, quando se destacaram os Inconfidentes Mineiros.

Comprova-se a sua regularidade no território brasileiro a partir do início do século XIX.

A MAÇONARIA E OS GRANDES HOMENS.

Grandes personalidades da história contemporânea fortificaram as colunas da maçonaria, engrandecendo-a diante dos olhos do mundo, gerando nos ‘’pedreiros livres’’ incondicional orgulho.

Destacam-se pela genialidade musical, o compositor Mozart, a criatividade de Gothe e Voltaire, ciência de Pasteur, política de George Washington, Benjamin Franklin, Simmon Bolivar,Wiston Churchir , Roosevelt e tantos outros.

A MAÇONARIA NA POLÍTICA.

As revoluções que modificaram as estruturas políticas no mundo contemporâneo, séculos XVIII e XIX, quando não conduzidas pela maçonaria, tiveram evidentemente a participação efetiva de maçons.

Os movimentos que precederam a Revolução Francesa, 1789 a 1799, bem como a consolidação do regime democrático naquele pais, tiveram a participação dos maçons franceses. Libertè, Igualitè e Fraternitè, máximas que ostentam o triangulo maçônico, foram os objetivos que levaram à queda a Monarquia na França.

Na Revolução Americana, 1776, foi inegável a presença maçônica, consolidada por Benjamin Franklin e Washington Luiz.

Francisco Antonio Gabriere de Miranda y Rodrigues fundou em Londres “A Logia Gran Reunion Americana” dedicada à preparação de lideres para lutar pela independência da América Espanhola, destacando-se Simmon Bolivar, Antonio Nariño e José de Sam Martin...

A literatura maçônica brasileira bem como os historiadores Pedro Calman, Augusto de Lima Jr. destacam a presença da maçonaria junto a Inconfidência Mineira, 1789/1792 na conjuração Baiana, 1798, na Proclamação da Republica, 1822, na queda da escravidão no Brasil, 1888 bem como em relevantes atos políticos voltados para o crescimento democrático do país.

A GRANDE LOJA MAÇÔNICA DE MINAS GERAIS

A Grande Loja Maçônica de Minas Gerais registra sua origem aos 25 dias do mês de setembro, do ano de 1927, quando oito lojas presentes à Assembléia Geral realizada no Templo Maçônico da A:.R:. Loja Simbólica Belo Horizonte, decidiram pela sua unificação.

Submetendo esta vontade ao Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito, teve a sua concretização dada pela emissão da carta constitutiva, expedida pelo Soberano Grande Comendador Dr. Mario Bhering, no 22º dia de dezembro do ano de 1927. No dia 19 de janeiro do ano de 1928 foi eleita, por escrutínio secreto, a primeira diretoria da ‘’Soberana Grande Loja Maçônica Simbólica de Minas Gerais’’, tendo como Grão Mestre o Dr. Manoel dos Reis Correia.

Hoje, ocupa este honroso cargo, o S:.G:.M:. Dr. Jânir Adir Moreira, que rejuvenescendo o seu corpo de direção, impregnando no espírito dos maçons da GLMMG novos ideais, alia os princípios seculares da maçonaria à evolução dos tempos. Ombreia a maçonaria com as autoridades legitimamente constituídas, na busca do atendimento aos lídimos objetivos sociais.

A tendência política da maçonaria extrapola os limites de seus umbrais, alargando o seu espaço, exteriorizando-o diante da opinião pública, sem contudo alijar-se dos princípios seculares que envolvem o seu rico simbolismo. Sem romper com as tradicionais normas pré existentes, incorporadas ao seu próprio espírito, assume democrática posição, principalmente no momento crítico, onde se acentua a queda de valores morais, culturais e políticos que envergonham os órgãos dos poderes públicos nacionais.

Não distanciaremos muito dos desígnios traçados pelos nossos ancestrais que, no abrigo do segredo, adotaram atitudes ousadas, quase sempre de oposição à tirania dos governantes, visando pela revolução, mudanças políticas. Se pretendesse atingir os Estados era preciso se acobertar, estrategicamente, nos segredos maçônicos. .

Hoje, na vigência do regime que exige a legalidade dos atos praticados; que a legitimidade destes atos, por referirem-se á coisa pública, devem vir transparentes; que a intensificação tecnológica da informática não deixa no obscurantismo ações ilegítimas e que a presença constante e insistente da mídia exige justificativas dos atos impuros, a maçonaria se propõe abrir suas portas, demonstrando à sociedade seus objetivos, dos quais a qualquer tempo, haverá de se orgulhar.

A presença de V.Exa., Sr. Prefeito, Dr. Marcio Araújo de Lacerda, bem como das autoridades que o acompanham ou das pessoas que aqui vieram para nos prestigiar, é um marco histórico entre a prática intramuros de nossos feitos e a abertura proposta pelo S:.G:.M:. Janir Adir Moreira.

Seremos os parceiros voluntários de V.Exa. Sr. Prefeito, bem como das autoridades legitimamente instituídas, nos empreendimentos que se destinarem ao bem estar do cidadão belo-horizontino.

Adotaremos, nas Alterosas, firme posicionamento em favor do ecossistema do planeta terra, vilipendiado pelas agressões que vem sofrendo por práticas inescrupulosas.

Faremos de cada maçom um arauto em defesa do Planeta Terra.

Nos colocamos prontos ao chamamento de V.Exa., Dr.Márcio Araújo de Lacerda, quando julgar conveniente, para nos associarmos à execução de seus projetos, fazendo de Belo Horizonte o lugar ideal para educarmos nossos filhos e para bem viver com as nossas famílias.

Paulo Duarte Pereira