quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O testamento filosófico


Templo Maçônico

O testamento filosófico

Os únicos valores pessoais que a Maçonaria reconhece como de alta valia no homem são os sentimentos nobres e as ações altruísticas. De fato, são os mais valorosos e que devem preocupar todas as mentes aclaradas.

Esta concepção traduz o grande ensinamento que ocorre logo às indagações filosóficas do profano, quando este se encontra na Câmara das Reflexões.

Não é difícil de ser percebido, pois, se tais investigações sejam fixadas nos símbolos nela existentes.

Acontecendo que o candidato não chegue a, descobrir isso naqueles instantes em que lá permanecer, o mesmo não se verificará mais tarde, quando já maçom regular e ativo.

Somente em sua nova situação, dentro do Templo da Loja, ele se entregará a julgar bem o que lhe diga respeito, mesmo porque, até o ponto do seu recolhimento ao Quarto das Meditações, nenhuma obrigação terá a Oficina por ele preferida, de lhe dispensar tácita acolhida.

Uma vez recolhido à Câmara das Reflexões, cumpre, como de praxe, ao postulante da iniciação traçar o seu tes­tamento filosófico. Esta medida constitui a primeira obrigação ritualística imposta ao candidato.

Para isso executar, recebe ele, das mãos do Irmão Experto, trazida do recinto do Templo, uma fórmula apropria­da. Muito maior é a feitura do mencionado testamento do propósito simbólico, do que o modo comum de considerá-lo, geralmente aplicado de relance.

Portanto, para começar, antes de ser conduzido para o Templo, ainda na Câmara de Preparação, o profano é solicitado, peremptoriamente, a responder àquelas questões enunciadas na citada fórmula, que lhe sujeitam ao seu espírito.

Naquele lugar funéreo, rodeado de objetos mortuários, a sua meditação acerca das cousas deste mundo material é suscitada para intuí-lo a fixar sua atenção, com mais apuro, nas cogitações do mundo espiritual Em tal Gabinete , que mais parece uma gruta ou caverna sombria, ele pode testar, se, com segurança absoluta, manifestando, caso o queira, até sua derradeira vontade.

Depois de ter sido deixado sozinho, ele se definirá, então, com letra legível, emanada do seu próprio punho, a respeito dos deveres sociais, particulares, patrióticos e religiosos. Exporá, de modo documental, como entende o significado de tais deveres e, se sente realmente disposto a cumpri-los na, prática.

A Ordem Maçônica, ao solicitar-lhe suas soluções ao questionário ritualístico, procede a uma sondagem prelimi­nar a respeito do seu grau intelectual, da intimidade dos seus sentimentos e da intensidade das suas inclinações, que o abonarão como seu futuro iniciado.

Redigindo livremente, num ambiente isolado do mundo das relações, a sua maneira de entender, o prognosticado maçam manda à apreciação dos obreiros que o aguardam as condições que o caracterizam na vida profana, no lar, no terreno religioso e nas vibrações de patriotismo. O que, destarte, esteja porventura resguardado no âmago do seu coração de profano é manifestado, de maneira categórica, naquela folha de papel tarjado.

Pelos conceitos que forem emitidos, a Loja homologará ou não, através do seu Orador, a sua pretensão, julgando-o em caráter definitivo. Sim, proferirá a decisão final sobre o seu caso.

Para aduzir argumentos às questões enumeradas no testamento filosófico, urge que o aspirante à iniciação exponha a verdade em que firma seu pensamento, expresse a maneira como entende as obrigações peculiares a um homem correto tanto na situação civil como na de iniciado na "verdadeira luz".

Tudo isso deve conjugar-se com o aspecto que apresenta o Quarto de Preparação, que deixa entrever a realidade em que se enquadra a vida humana e seu término.

Qualquer indivíduo de mediana cultura pode aquilatar, com vantagem, a inutilidade dos egoísmos, a enganosidade das vaidades, a fatuidade dos preconceitos vulgares e a precariedade da existência terrena. Tudo isso supõe-se predomi­nar nos pensamentos do concorrente à iniciação, tão rápido como um raio de luz quebrando a treva que antes existia onde este se reflete.

Nenhum candidato poderá deixar-se absorver pela hipocrisia e nem reforçar nenhum apego às coisas mundanas, quando naquele cômodo que simboliza o centro da Terra, donde todos procedem e para onde todos irão.

Maçonicamente falando, a introdução de um profano naquele sítio de meditação, representa um convite para aprender a lição de que o homem deve morrer simbolica­mente naquele lugar, a fim de que, purificando-se, possa des­frutar, depois, de uma nova vida. É, portanto, uma espécie de purificação por meio do elemento terra, tomada dos mistérios egípcios. Na iniciação destes mistérios, o candidato era deixado só, rodeado de múmias e de emblemas fúnebres para que refletisse bem sobre o passo que tencionava dar. Se por acaso não conseguisse sair vitorioso nas provas, teria que perder, para sempre, a liberdade.

Assim é que, findo o aprendizado do Gabinete das Meditações, o pretendente à iniciação deverá moldar seus atos e impulsos por ele, tomando por dever, desde que iniciado, cimentar em seu coração o másculo mandamento da Ordem: "Levantar templos à Virtude e cavar masmorras aos vícios."

Muitos maçons que foram profanos continuaram crendo, por motivos que não se justificam, que, ao serem introduzidos na Câmara das Reflexões, o fim principal daquele proceder fora o de intimidá-los. Mas, se lá só existe cousa que se presta a infundir respeito e provocar meditação, como poderão os candidatos nutrir essa interpretação errônea?

O Irmão Experto, com o título temporário de Irmão Terrível, é quem, na função de preparador, encaminha o profano na redação do seu pensamento filosófico. A esse Irmão está também afeta e adita a tarefa de transmitir ao candidato a verdadeira idéia de tudo que posteriormente acontecer, e do que tenha em vista executar durante o processo iniciático.

A iniciação deve ser comparada a um novo nascimento no mundo das realidades. É o renascimento ideal do postu­lante, significando, nada mais nada menos, que uma nova maneira de encarar a vida em todos os seus aspectos.

O cunho filosófico e a forma expressa da iniciação nos augustos mistérios maçônicos transmitem, por outras palavras, o que foi gravado por ele na folha do testamento que subscreveu.

Tal documento, um atestado solene e formal da confissão de deveres reconhecidos, é fundamental ao reconheci­mento que o signatário resolve declarar aceito imediata­mente.

Trata-se, é verdade, de um testamento iniciático. Por isso é que difere dos testamentos comuns, no estilo e sen­tido. Enquanto estes dos quais se trata aqui são tratados de preparação para um vida melhor, aqueles que são apre­sentados à justiça profana não passam de providências para modular bens depois da morte.

É de se notar uma circunstância singular nas questões que nele são formuladas. Não se pergunta se o candidato crê ou não em Deus, nem qual seja seu credo religioso ou filosófico. Isso acontece, porque para a Maçonaria todas as crenças são equivalentes e as indagações permitidas constituem matéria de iniciação propriamente dita.

Na relação dos quesitos, indaga-se quais os deveres do homem para com o Altíssimo. Respondendo, o postulante reconhece no íntimo do seu próprio ser um Princípio Universal de Vida, um Criador digno de veneração, do qual tudo procede, inclusive a luz que ilumina, e ao qual deve ser tributada, acima de tudo, toda atenção.

Quando dá explicação à segunda questão, quais os deveres do homem consigo mesmo, o postulante faz crer, segundo as leis divinas, como sua vida exterior se acha ligada com o mesmo Criador, devendo pautar-se pelo desvelo moral e vigilância espiritual, a fim de não cair em erros ou faltas irremissíveis.

E quanto aos deveres pesquisados nas suas últimas questões, para com a humanidade e a família, subentende como complementos necessários dos dois primeiros. O postulante não somente poderá declarar, através de conceituaç5es posi­tivas, não serem tais deveres outra cousa senão a prática da fraternidade e do amor, mas também a solidariedade ilimitada e a condescendência para com seus familiares e os semelhantes, em todas as oportunidades possíveis.

Então, uma vez terminado e assinado o testamento fi­losófico, passa a ser o personagem do princípio da iniciação, o galardoado com o início efetivo da nova vida, legando a si mesmo o ônus da preparação consciente e determinativa da vida templária.

Quando o assina, demonstra estar afirmando, de forma implícita, sua preparação e disposição para enfrentar as provas seqüentes que o esperam.

O bom maçom sabe, pois, respeitar, desde a Sala do Testamento Filosófico, as três verdades tradicionalizadas pela sublime Ordem a que pertence. Assim procede em benefício da sua própria evolução.

Essas verdades são as seguintes:

"A alma humana é imortal, e o seu futuro é o futuro de uma coisa cujo crescimento e esplendor não tem limites."

"O princípio que dá à vida reside fora e dentro de nós: é eterno e eternamente benéfico; não se pode ouvir, ver, e cheirar, mas é aprendido pelo homem que o quiser aprender."

"Cada homem é o seu próprio legislador absoluto, o dispensador de glórias ou trevas a si mesmo, o decretador da sua vida e recompensa ou da sua morte e castigo. . . "

Do livro Roteiro maçônico para quarto de hora de estudo – Luiz Prado.







quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O Venerável Mestre de uma loja maçônica


O Venerável Mestre de uma loja maçônica

O Venerável-Mestre eleito de uma loja maçônica é o detentor de obrigações e direitos regulamentares e constitucionais e responde, perante a assembléia da loja, em primeira instância, e perante a obediência, em última, por todos os atos que praticar ou deixar de praticar. Representante máximo do povo maçônica da loja, tem os seus deveres traçados no Regulamento Geral da Federação, nos Estatutos da loja e em outros diplomas legais, a eles devendo ficar adstrita a sua atuação como administrador e orientador da loja.

No cumprimento de suas obrigações, o Ven. M. deve levar em consideração que é o depositário de valores intrínsecos e abstratos, concedidos pelos maçons da loja, tais como a confiança, a solidariedade, a harmonia e a eficiência. Além disso, seu norte mais importante é a obtenção de um estado de felicidade que se caracteriza pela harmonia plena entre os irmãos, pela auferição de conhecimentos maçônicos, pelo bem-estar dos obreiros nas sessões de loja e nas comemorações coletivas, pelo prazer de uma convivência sadia e isenta de conflitos de qualquer natureza.

Não tendo poderes mágicos ou divinos, o Ven. M.depende dos irmãos que escolheu como auxiliares diretos para a condução das obrigações administrativas e para o cumprimento dos compromissos assumidos com a obediência. Ele também se vale dos irmãos – mestres instalados, em particular, pela sua experiência – para difundir a luz da obra maçônica, através dos trabalhos que os obreiros apresentam em loja ou que são oferecidos por outros meios.

Claro está que, como intérprete dos anseios do quadro de obreiros, ele tem que tomar decisões nem sempre fáceis, muitas vezes dando solução a problemas insolúveis ou contornando dificuldades para evitar que as asperezas dos caracteres e temperamentos individuais causem mossa à harmonia que deve reinar entre os irmãos. A tomada de decisão, por si só, é solitária, indivisível e indelegável. É, ao mesmo tempo, um privilégio e um desafio à inteligência e aos conhecimentos de maçonaria que o Ven. M. detiver. E, como acontece na maioria das vezes, a sua opção decisória pode não ser agradável para todos, o que, de fato ocorre com uma freqüência compreensivelmente humana.

Ao decidir, o Ven. M. considera, obrigatoriamente, além das injunções legais, os reflexos que a sua decisão projetará sobre o coletivo da loja, analisando, à luz de sua experiência maçônica, de sua formação ética e moral e de seu senso de eqüidade e justiça, com vistas à adoção de uma linha de conduta que não se afaste dos anseios e esperanças coletivos nem deixe ao sabor do acaso os assuntos cuja relevância mereçam sua atenção especial. Neste afã, o Ven. M. tem que refletir, pensar, considerar, sopesar, avaliar cada pormenor do assunto em tela, a fim de identificar todas as conseqüências dos seus atos, o que elas representarão para cada um dos irmãos diretamente interessados e para a loja como um todo.

Tomada a decisão, o Ven. M. arrosta as conseqüências do que tiver optado fazer. Em geral, as decisões administrativas, fortemente calcadas nos preceitos constitucionais e regulamentares, não causam mossas à harmonia da egrégora. Se, porém, os assuntos administrativos vierem eivados de conotações interpretativas pessoais, como os preconceitos e as opiniões individuais, ou estiverem carregados de malícia, ainda que não intencional, é quase inevitável que surjam contestações às suas decisões, particularmente quando os interesses em jogo transbordam do conteúdo meramente maçônico e espraiam-se sobre as posições individuais. Nessas horas, decidir significa, sempre, abrir caminho para o litígio, quando houver razões de direito em jogo, ou para a contenda entre irmãos, quaisquer que sejam os campos do comportamento em que venham a ocorrer.

Em face dessas dificuldades nativas do processo decisório, o Ven. M. sempre busca a maior quantidade possível de opiniões e pareceres, quando for nítida a multiplicidade de escolhas à sua disposição, na tentativa de selecionar o curso de ação mais consentâneo com a sua obrigação juramentada de mantenedor da harmonia, da paz e da ordem. Ouvidos os irmãos, o Ven. M. dá início à análise do caso, dando atenção a cada pormenor e grupando razões e direitos de forma a ter, por fim, uma luz sobre o caminho a seguir. Isso feito, elabora a sua decisão, anuncia e coloca em prática, independentemente das possíveis seqüelas emocionais ou sentimentais que fiquem nos que foram contrariados.

Aí, entra em cena o principal fator de discórdia e de conflitos em loja: a intolerância. Tendo dificuldade para perceber exatamente o que está em jogo, alguns irmãos podem, em dado momento, discordar de uma decisão do Ven. M., por lhe parecer absurda, incompatível, não regulamentar, não maçônica ou inadequada para a loja. Todos os irmãos podem e devem ter a sua opinião sobre quaisquer assuntos que incidam sobre suas mentes. Todos podem e devem contribuir para que o caminho afinal adotado seja o melhor possível para a ordem maçônica e para a loja. Com a consciência dessas premissas, alguns irmãos sentem-se no direito de contestar algumas decisões do Ven. M., a fim de que os rumos selecionados para a loja sejam modificados. Esse direito existe e é real, podendo e devendo ser exercido, respeitada a constituição, o regulamento, os usos e os costumes da ordem, que sempre deverão ser preservados.

A forma de expressar a discordância pode variar, de um irmão para outro, alguns preferindo expressarem-se oralmente, em loja aberta; outros, em particular; e outros, por fim, escolhendo a forma escrita. Em qualquer caso, o irmão sabe que o processo decisório existe, é utilizado pelo Ven. M., que se cerca de todos os cuidados que tal procedimento exige e produz uma decisão que significa uma tomada de posição visando a atingir os propósitos maiores da maçonaria. Por isso, ao apresentar a sua discordância, o irmão levará em conta, sempre, que o Ven. M. nada mais é do que um mestre maçom investido de um cargo, com todas as obrigações e prerrogativas que lhe são cominadas. Presumir que, ao tomar a decisão, o Ven. M. agiu intencional e capciosamente, de forma dolosa, para frustrar possíveis intenções ou opiniões é, no mínimo, uma atitude inadequada, pois atribui ao Ven. M. um conjunto de deméritos que não são, necessariamente, suas características.

Se, ao apresentar as suas críticas, o irmão lança mão de vocábulos cortantes, enfatizados pela eloqüência de um bom orador, as acusações assacadas tomam cores de verdade, colocando o Ven. M. em situação defensiva incompatível com a dignidade do cargo e com a nobreza da maçonaria. O dom da oratória não assegura, a quem fala, a veracidade do que disser, nem a autenticidade de sua invectiva. Ao contrário, ilude aos incautos mas não passa pelo crivo do bom observador, que reconhece, em cada frase, o seu exato sentido e suas intenções, claras e ocultas. Vociferar contra a autoridade é prática comum entre os políticos, que impressionam seus eleitores pela empolgação com que defendem suas idéias, sejam elas boas ou más, mas não se coaduna com a prática maçônica, pois inclui, no discurso, inverdades disfarçadas por uma retórica habilmente manipulada, contrariando os princípios sobre os quais se assentam nossos fundamentos. Além disso, quando apresentado o discurso em loja de aprendiz ou companheiro, prejudica a compreensão desses mesmos fundamentos pelos noviços, levando-os a um estado de perplexidade e estupefação que, com muita facilidade, pode fazê-los duvidarem do acerto de sua decisão de entrar para a maçonaria. Afinal de contas, pensarão, é com insultos que se tratam os mestres entre si? E o amor fraterno que deveria ter sido desenvolvido pelos anos de convivência onde fica? Será que o Ven. M. é um calhorda que, por trás das cortinas, manipula a loja ao seu bel prazer? Se isso for verdade, a quem ele está beneficiando e de que forma? Ou será ele um incompetente, guindado ao cargo maior por bondade ou incúria de seus pares?

O prejuízo que tais pensamentos, provocados pelo excesso de veemência cometido pelos oradores em loja, trazem aos aprendizes e companheiros, é irremediável. Mais tarde, quando os que permanecerem forem mestres, procederão da mesma forma e a loja passa a ser um local desagradável, onde os irmãos vão para desabafarem suas frustrações e para se digladiarem em jogos de poder incompreensíveis e perturbadores. É por essa razão que os assuntos mais delicados, que possam ser causadores de discussões, são levados para a câmara do meio, onde os mestres terão mais liberdade para se expressarem, ainda assim com as limitações ditadas pela fraternidade, pela boa educação, pelas normas do bem viver e pela cortesia.

Claro está que, em loja, a palavra a bem da ordem e do quadro deve ser livre, podendo, cada um, expressar-se como quiser, respondendo pelos excessos que cometer. Ora, é claro que, daí, se depreende que é necessário saber querer usar a expressão oral, a retórica, os dons de oratória e a verbosidade, para repassar a idéia desejada. O que deve ser banido é o uso das palavras cortantes e agressivas, como traidor, traição, logro, mistificação e tantas outras, para definir atitudes que, certas ou erradas, passam muito longe desses significados.

Finalmente, é bom lembrar que os processos intimidatórios incluem os discursos agressivos, desafiantes, que procuram colocar o Ven. M.em situação de embaraço, desconforto ou insegurança. Esses processos não causam nenhum bem à maçonaria e devem ser substituídos por atitudes mais pró-ativas, mais geradoras de soluções e mais criadoras de harmonia e bem-estar, como são as que se valem de palavras comedidas, a inquirição correta e ordenada, especificamente orientada, a postura cordial e amiga, característica das relações entre os maçons. Para os casos em haja uma suspeita real de fraude, dolo, logro, traição ou outra atuação ilegal ou irregular, o maçom deve preferir a entrevista privada com o Ven. M. ou a denúncia, por escrito, ao Guarda da Lei, para que um processo formal seja instaurado e o Ven. M. responda oficialmente por seus atos, sofrendo as penalidades que merecer. Deixar de assim proceder é demonstrar a intenção inequívoca de que está em jogo uma opinião ou um conceito pessoal e não o interesse da loja, coletivamente considerada.

Irm José Prudêncio Pinto de Sá, MI
ARLS SINARCHIA Nº 52 Coronel do Exército Brasileiro - da Reserva
Or de Santa Maria - RS




terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Homem Comum


Homem Comum



Sou um homem comum
de carne e de memória
de osso e esquecimento.
e a vida sopra dentro de mim
pânica
feito a chama de um maçarico e pode subitamente
cessar.


Sou como você
feito de coisas lembradas e esquecidas
rostos e mãos,
o quarda-sol vermelho ao meio-dia
em Pastos-Bons
defuntas alegrias flores passarinhos
facho de tarde luminosa
nomes que já nem sei
bandejas bandeiras bananeiras
tudo misturado
essa lenha perfumada que se acende
e me faz caminhar


Sou um homem comum
brasileiro, maior, casado, reservista,
e não vejo na vida, amigo,
nenhum sentido, senão
lutarmos juntos por um mundo melhor.


Poeta fui de rápido destino.
Mas a poesia é rara e não comove nem move o pau-de-arara.
Quero, por isso, falar com você,
de homem para homem,
apoiar-me em você
oferecer-lhe o meu braço
que o tempo é pouco
e o latifúndio está aí, matando.


Que o tempo é pouco e aí estão o Chase Bank,
a IT & T, a Bond and Share,
a Wilson, a Hanna, a Anderson Clayton,
e sabe-se lá quantos outros
braços do polvo a nos sugar a vida e a bolsa.


Homem comum, igual a você,
cruzo a Avenida sob a pressão do imperialismo.
A sombra do latifúndio mancha a paisagem
turva as águas do mar
e a infância nos volta à boca, amarga,
suja de lama e de fome.


Mas somos muitos milhões de homens comuns
e podemos formar uma muralha
com nossos corpos de sonho e margaridas.


Ferreira Gullar, 1963.







segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ser Maçom


Ser Maçom

“Ser maçom é querer tudo puro e correto,
É ter limpos os pés e ter limpas as mãos,
É querer habitar entre muitos irmãos
E louvar o poder do supremo arquiteto.

Ser maçom é ser bom e generoso e reto
E os enfermos buscar para torná-los sãos
E os pobres procurar para dar-lhes o teto, e os órfãos socorrer – e amparar os anciãos.

Ser maçom é ser forte e enfrentar a procela, é amar a existência e fazê-la mais bela,
É buscar a justiça, a igualdade, o direito.

Afinal, ser maçom é buscar a verdade,
Ser maçom é lutar em prol da liberdade,
Ser maçom é querer tudo justo e perfeito!.”

Gióia Júnior

sábado, 17 de dezembro de 2011

Aprendizado maçom


Aprendizado maçom

Quando nos entregamos às nossas paixões, ficam suspensos nossos trabalhos de adiantamento, pela perda do GUIA ou do EU SUPERIOR.

Cada homem tem doze faculdades do Espírito, como temos visto em estudos
anteriores; porém, a cada faculdade se contrapõe um vício inimigo, filho de sua ignorância e medo. Esses doze vícios companheiros, que vivem dentro do homem e que o acompanham a toda parte, são a cada instante os que trabalham para a sua perdição!

Estas paixões ignóbeis lançam véus sobre o seu ideal, o qual se queda morto e sepultado; é O ESPÍRITO LATENTE NA MATÉRIA.

Assim vemos que a ignorância quer ocupar o posto da verdade, o fanatismo quer exigir que se lhe tribute todas as honras, e a ambição quer usurpar toda autoridade de Hiram o princípio da luz. Estes três inimigos do homem querem apoderar-se da PALAVRA DE PODER que outorga toda potestade, a qual só se alcança pela evolução e esforço individual, e não pela força; esta Palavra Poder foi denominada a Luz Mestra que ilumina o mundo.

Não há morte nem perda temporal que não sirva ou seja motivo para um novo
nascimento. NÃO SE PODE DESTRUIR O QUE É ETERNO E IMORTAL, se não,
unicamente, OFERECER-LHE A OPORTUNIDADE DE RENASCER NUMA NOVA
FORMA MAIS LUMINOSA, COMO NASCE O ESPÍRITO EM SUA INICIAÇÃO na
Verdade e Virtude. O EU SUPERIOR não pode nunca morrer, quaisquer que sejam os golpes que os erros possam desferir; somente danificam a sua forma exterior.

Já temos dito que os três assassinos são a ignorância, que converte a atividade em fanatismo, e ambição, por cujos esforços sobrevêm o drama cósmico da Involução; porém, o EU SUPERIOR, no Homem, com o poder da vontade, pode dominar os três companheiros-vícios pelos três Mestres que foram em busca de Hiram, que são o Saber, a Fé e o Amor. Estes três atributos superiores conseguem encontrar, despertar e levantar essa Luz Interior, para que afirme seu domínio sobre a matéria e a ilumine, pela Evolução que segue à Involução.

O FRANCO-MAÇOM ou FILHO DA LUZ é o Grande Mestre HIRAM ABIFF; é também a representação do Sol, que percorre seus doze signos do Zodíaco, e que interpreta a lenda maçônica ou o místico drama. No equinócio da primavera o Sol deixa o feminino, dócil e aquoso signo de PISCIS, para entrar no belicoso, marcial, enérgico e Ígneo signo de ARIES, o Carneiro ou Cordeiro, onde exalta seu poderio. Os três meses de Inverno são os três companheiros que mataram e sepultaram o Sol nas trevas e no frio, porém, os nove meses ou nove mestres foram exaltá-lo, para que iluminasse novamente na vida da matéria.

Os três inimigos do homem escondem no princípio, que ilumina, "debaixo dos
escombros do Templo Corpo", para sepulta-lo depois na noite do esquecimento, escondendo-se no Ocidente, isto é, na parte inferior de nossa personalidade, ou com o Inimigo Secreto, que é criação do homem, elaborada na parte inferior e baixa do corpo, onde residem os átomos densos, grosseiros e pesados. Ali é necessário descobri-los, para que sejam afastados definitivamente de nós outros.

Depois desta limpeza, podemos encontrar o Deus Íntimo dentro de nós, onde se achava sepultado, porém nunca morto, e então podemos, com as faculdades do Espírito, que são doze, (representadas pelos três Mestres, que foram buscar os assassinos, e os nove, que o ajudaram a levantar Hiram), e assim a ressurreição será efetiva.

Os três primeiros Mestres são: FÉ, ESPERANÇA E AMOR, e os nove restantes
são: PERCEPÇÃO, CONHECIMENTO, ASSOCIAÇÃO, JUÍZO, ALTRUÍSMO, MEMÓRIA, VONTADE, ORDEM e ACERTO.



JORGE ADOUM

( MAGO JEFA )

O MESTRE MAÇOM E SEUS MISTERIOS

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O Orgulho


São João Batista

O Orgulho

Certo dia, um casal, ao chegar do trabalho, encontrou algumas pessoas dentro da sua casa. Pensando que eram ladrões, ficaram assustados, mas um homem forte e saudável, com corpo de halterofilista disse:

- Calma, nós somos velhos conhecidos e estamos em toda parte do mundo.

- Mas quem são vocês? - pergunta a mulher.

- Eu sou a Preguiça - responde o homem másculo - Estamos aqui para que vocês escolham um de nós para sair definitivamente das vossas vidas.

- Como pode você ser a preguiça se tem um corpo de atleta que pratica regularmente desporto? - indagou a mulher.

- A preguiça é forte como um touro e pesa toneladas nos ombros dos preguiçosos; com ela ninguém pode chegar a ser um vencedor.

Uma mulher velha curvada, com a pele muito enrugada que mais parecia uma bruxa diz:

- Eu, meus filhos, sou a Luxúria.

- Não é possível! - diz o homem - Você não consegue atrair ninguém sendo tão feia.

- Não há feiúra para a luxúria, meus queridos. Sou velha porque existo há muito tempo entre os homens, sou capaz de destruir famílias inteiras, perverter crianças e trazer doenças para todos, até a morte. Sou astuta e posso-me disfarçar na mais bela mulher.

E um homem mal cheiroso, vestindo umas roupas sujas e rasgadas, que mais parecia um mendigo diz:

- Eu sou a cobiça. Por mim muitos já mataram, por mim muitos abandonaram pátria e família; sou tão antigo quanto a Luxúria, mas eu não dependo dela para existir.

- E eu, sou a Gula - Diz uma lindíssima mulher com um corpo escultural e cintura finíssima. Os seus contornos eram perfeitos e tudo no corpo dela tinha harmonia de forma e movimentos.

Os donos da casa assustaram-se, e a mulher disse:

- Sempre imaginei que a gula seria gorda.

- Isso é o que vocês pensam! - responde ela. - Sou bela e atraente porque se assim não fosse, seria muito fácil livrarem-se de mim. A minha natureza é delicada, normalmente sou discreta, quem me tem, não se apercebe, mostro-me sempre disposta a ajudar na busca da luxúria.

Sentado numa cadeira num canto da casa, um senhor, também velho, mas com o semblante bastante sereno, com voz doce e movimentos suaves, diz:

- Eu sou a Ira. Alguns conhecem-me como cólera. Tenho também muitos milênios. Não sou homem, nem mulher, assim como os meus companheiros que aqui estão.

- Ira? Parece mais o avô que todos gostariam de ter! - diz a dona da casa.

- E a grande maioria tem! - responde o "avô" - Matam com crueldade, provocam brigas horríveis e destroem cidades quando me aproximo. Sou capaz de eliminar qualquer sentimento diferente de mim, posso estar em qualquer lugar e penetrar nas mais protegidas casas. Mostro-me calmo e sereno para lhes mostrar que a Ira pode estar no aparentemente manso. Posso também ficar contido no íntimo das pessoas sem me manifestar, provocando úlceras e as mais temíveis doenças.

- Eu sou a Inveja. Faço parte da história do homem desde a sua criação - Diz uma jovem que ostentava uma coroa de ouro cravada de diamantes, usava braceletes de brilhantes e roupas de fino pano, assemelhando-se a uma princesa rica e poderosa.

- Como pode ser a inveja, Se é rica e bonita e parece ter tudo o que deseja. - diz a mulher da casa.

- Há os que são ricos, os que são poderosos, os que são famosos e os que não são nada disso, mas eu estou entre todos, a inveja surge pelo que não se tem e o que não se tem é a felicidade. Felicidade depende de amor, e isso é o que mais carece na humanidade... Onde eu estou está também a Tristeza.

Enquanto os invasores se explicavam, um garoto que aparentava cerca de cinco a seis anos brincava pela casa. Sorridente e de aparência inocente, característica das crianças, a sua face de delicados traços mostrava a plenitude da jovialidade, olhos vívidos...

E você garoto, o que é que faz junto desses que parecem ser a personificação do mal?

O garoto responde com um sorriso largo e olhar profundo:

- Eu sou o Orgulho.

- Orgulho? Mas você é apenas uma criança! Tão inocente como todas as outras.

O semblante do garoto tomou um ar de seriedade que assustou o casal, e disse:

- O orgulho é como uma criança, mostra-se inocente e inofensivo, mas não se enganem, sou tão destrutível quanto todos aqui; querem brincar comigo?

A Preguiça interrompe a conversa e diz:

- Vocês devem escolher quem de nós sairá definitivamente das vossas vidas. Queremos uma resposta.

O homem da casa responde:

- Por favor, dêem-nos dez minutos para que possamos pensar.

O casal dirige-se para seu quarto e lá fazem várias considerações. Dez minutos depois voltam.

- E então? - pergunta a Gula.

- Queremos que o Orgulho saia de nossas vidas.

O garoto olha com um olhar fulminante para o casal, pois queria continuar ali. Porém, respeitando a decisão, dirige-se para a saída.

Os outros, em silêncio, iam acompanhado o garoto, quando o homem da casa pergunta:

- Vocês também se vão embora?

O menino, agora com ar de severo e com a voz forte de um orador experiente diz:

- Escolheram que o Orgulho saísse de suas vidas e fizeram a melhor escolha. Pois onde não há Orgulho não há preguiça, já que os preguiçosos são aqueles que se orgulham de nada fazer para viver não percebendo que na verdade vegetam.

- Onde não há Orgulho, não há Luxúria, pois os luxuriosos têm orgulho de seus corpos e nas suas riquezas, julgando-se merecedores.

- Onde não há orgulho, não há Cobiça, pois os cobiçosos têm orgulho das migalhas que possuem, juntando tesouros na terra e invejando a felicidade alheia, não percebendo que na verdade são instrumentos do dinheiro.

Onde não há Orgulho, não há Gula, pois os gulosos orgulham-se das suas condições e jamais admitem que o são, arranjam desculpas para justificar a gula, não percebendo que na verdade são marionetes dos desejos.

Onde não há Orgulho, não há Ira, pois as pessoas cheias de ira condenam com facilidade aqueles que, segundo o próprio julgamento, não são perfeitos, não percebendo que na verdade a sua ira é resultado de suas próprias imperfeições. Os irosos não vêem a realidade pois estão cegos pela ira.

Onde não há Orgulho, não há inveja, pois os invejosos sentem o orgulho ferido ao verem o sucesso alheio, seja ele qual for. Os invejosos precisam constantemente de superar os outros nas "conquistas", não percebendo que na verdade são ferramentas da insegurança.

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Fonte: Loja Maçônica Mestre Afonso Domingues - Maçonaria

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

MEDITE


MEDITE

Notícias do espírito de corpo



Ninguém perguntou, mas gostaria de dizer que estou bem, dentro do possível e dentro de um corpo que é um verdadeiro espírito de porco, capaz de ler o texto do Mestre Heitor Freire sobre sentimentos e descobrir que não tem vontade própria.



E quem diz isso e confirma é a classe médica. Tenho no cérebro a marca de uma isquemia, um insulto cerebral, sei lá, e nem senti. Meu coração sofreu um infarto sério, a marca está lá, e eu continuei em frente. Não tenho mais vesícula. Nem pedra nos rins. É possível que tenha vendido a alma. A sensação que sempre tive é que estou vivendo uma vida emprestada. Um dia eu devolvo.



Então os médicos que convenceram, com a ajuda da família, a fazer um Teste de Holter 24 horas. Como eu não sabia, suponho que pelo menos uma pessoa não saiba do que se trata. Pois consiste em um sistema utilizado para gravar o eletrocardiograma de um indivíduo por um período de 24 horas, durante suas atividades. É também conhecido como eletrocardiografia de longa duração, sistema Holter ou simplesmente Holter.



Os equipamentos utilizados são gravadores digitais com eletrodos descartáveis colocados no tórax do paciente e conectados ao gravador através de cabos. Ao término da gravação o registro é analisado em um analisador instalado em um computador adequado. Suas principais indicações são os diagnósticos de arritmias, arritmias paroxísticas, avaliação da eficácia da terapêutica antiarrítmica, avaliação do tônus autonômico e predição de eventos cardíacos através do estudo da variabilidade R-R e a detecção de alterações eletrocardiográficas do segmento ST, sugestivas de isquemia miocárdica. Tem mais, é chato, fico por aqui.



- Agora vê se sossega – pede a família para mim, dentro do elevador todo holterizado, com cabos, gravadores. – Descansa.



Pedi licença para ir até a esquina e saí pelas ruas como se tivesse sendo seguido pelo Google Earth ou monitorado como um preso com tornozeleiras eletrônicas com sinal GSM (igual à usada em celulares e de radiofrequência). Ou Osama Bin Laden. Isso: satélites, aviões espiões não-tripulados, um espião em cada bolso, cercado por todos os lados, eu era Osama Bin Laden, o próprio, mas invisível por causa da falta de barba e de cabelo.



Assim, a primeira medida de fuga foi correr atrás de ônibus, atravessar a Ponte Rio-Niterói, olhar para o cemitério de navios, e chegar ao centro do Rio de Janeiro. A minha nova personalidade osama tinha a mesma pilha da velha, logo fui direto para um sebo procurar livro sobre corpo. Encontrei um “Adeus ao corpo”, de um tal David Le Breton. Folheio. “O corpo é muitas vezes considerado pela tecnologia como um rascunho, senão no nível da espécie, pelo menos no nível do indivíduo, uma matéria-prima a ser arranjada de outra forma. Uns e outros afirmam o caráter disponível e provisório de um corpo sutilmente separado de si, mas colocado como o caminho para fabricar uma presença à altura da vontade de domínio dos atores.”



Gostei disso: domínio de atores. Eu sou um teatro. Um palco. Meu corpo é meu ator preferido, depois de Gene Kelly em “Dançando na chuva” ou Fred Astaire com Ginger Rogers, ou vice-versa.



“A medicina deixa de se preocupar somente com cuidar, justificando-se dos „sofrimentos‟ possíveis; ela intervém para dominar a vida, controlar os dados genéticos; ela tornou-se uma instância normativa, um biopoder (Foucault), uma forma científica e cruel de enunciação do destino”. (...) “O homem muda de natureza, torna-se Homo silicium”. Depois me explica melhor, Le Breton.



Comprei o livro e saí falando baixo comigo outro mesmo: “Por mim, tudo bem. Um dia ainda vou ser um Homo Sapiens”.



E fui pensando coisas vazias da Praça Tiradentes até a Cinelândia, onde, por puro atavismo, dei de cara com uma feira de livros.



Abri e fechei livros durante duas horas ou três, e saí com uma bolsa pesando dez quilos de cultura, inclusive o livro “O corpo e seus símbolos”, de Jean-Yves Leloup. “O primeiro passo, a primeira articulação, é aceitar a programação que nos foi dada por ocasião do nosso nascimento”. Quer dizer que não sou livre, nunca fui, Leloup? Qual é a tua, Leloup?



Arrasado, me arrastei com meus dez quilos de cultura e meus cabos, me sentindo um réptil inútil, e me larguei no Amarelinho. O garçom veio e com seu jeito de garçom robô me serviu uma caneca de vinho. Antes de beber conferi se tudo estava normal: o Municipal, a Câmara de Vereadores, a Biblioteca Nacional, os pombos confraternizando com os gatos, os pedintes pedindo, os vendedores de loteria oferecendo minha alforria, os engraxates engraxando, os paqueras paquerando, os funcionários públicos funcionando fora do horário.



Três canecas de vinho depois eu ainda estava dentro dos meus sapatos, mas minha cabeça se revoltava contra genes, biotecnologias, patentes de vida, a indústria da vida. Pedi uns pastéis, mas meu intestino, meu segundo cérebro com seus 100 trilhões de microorganismos que não me pertencem, não me disse nada.



Então ouvi: “O matematici, fate lume a tale errore! Lo spirito no ha voce, perché dov´è voce è corpo” (Ó matemáticos, lançai luz sobre tal erro! O espírito não tem voz, pois onde há voz há corpo”. Era o Leonardo, o Da Vinci, falando comigo através de um tal de Giorgio Agamben. “Valeu, Leonardo, meu espírito de porco agradece”.



Foi quando pararam todas as transmissões, deu um preto, depois um branco, e o Obama, orgulhoso, anunciou que tinha acabado comigo, Osama, no Paquistão. Alguns aplaudiram, alguns vaiaram. Ninguém explodiu.



Eu fiquei na minha. Pedi outra caneca e disse para mim, meus botões, cabos e gravador: “Osama, meu chapa, não esquenta. A verdade está no vinho. Saúde!”.



Irmão Francisco Maciel (GJMERJ)



Folha Maçônica Nº 295, 7 de maio de 2011