terça-feira, 15 de março de 2011

A Justiça das Feras Humanas

Charles Evaldo Boller

A Justiça das Feras Humanas
Charles Evaldo Boller



Sinopse: Valor da Justiça para fomentar a sociabilização do homem. Pretensão da Maçonaria de produzir uma sociedade mais estável.



Em passado recente a Justiça, por vingança da sociedade, aplicava penas cruéis e terríveis que apenas a prodigiosa mente deturpada e malvada de um ser sanguinário poderia desenvolver; matava-se lentamente para fazer o condenado padecer e o seu aplicador gozar as delícias de uma bizarra malvadez. Existiam penas de morte que matavam com mais rapidez que também primavam por extrema e rebuscada violência. A criatividade das feras humanas, consideradas socialmente equilibradas pela religião e governo, ambas em relação incestuosa com a Justiça, não tinha limites na aplicação de penas de morte extremamente cruéis. Era espetáculo público que muitos assistiam por puro prazer em ver outro ser humano padecer dores e suplício terrível. Toda a judiação tinha por objetivo fazer o condenado sofrer para equilibrar uma hipotética balança da Justiça: era o olho por olho! "De olho por olho e dente por dente o mundo acabará cego e sem dentes", dizia Mahatma Gandhi.



Diversas sociedades procuraram desenvolver as condições ideais para prepararem cidadãos bons que se preocupassem com a coisa pública do ponto de vista moral e que não se corrompessem ao poder político, religioso e econômico: Diógenes, o cínico, andava em plena luz do dia, pelas Ruas da Grécia, com uma lanterna acesa na mão a procura de um homem honesto e incorruptível; Aristóteles intuiu que governantes e juízes deveriam ser moderados, justos e incorruptíveis, destacando as qualidades morais de forma perfeita; a filosofia ao longo dos tempos insiste que os responsáveis pela lei e a coisa pública devem ser puros, bons e honestos; Maquiavel resume bem como o poder judiciário e político é subserviente aos diversos poderes originários da maldade intrínseca da natureza humana; Hobbes coloca a origem da sociedade como resultado de contrato entre pessoas que vivem sem poder e sem organização, onde, em "Leviatã", intui que o homem vive livre desde que atente contra a vida dos que o cercam. Afirmou que o "homem é o lobo do homem", onde o homem ameaça seus semelhantes se não existir um contrato de convivência, a lei, que garanta a sobrevivência dos outros que compartilham o mesmo espaço. Um provérbio brasileiro verte: "Justiça sem a força é impotente; força sem a Justiça é tirania"; acrescente-se: Justiça que demora em ser aplicada, não existe.



Naqueles que cuidam da coisa pública e principalmente da Justiça sempre houve preocupação com o suborno, nepotismo e peculato. Dizem ser esta a principal razão de não existir pena de morte no Brasil.



Assim como alguns sábios da antiguidade tentaram, a Maçonaria tem a pretensão de desenvolver seres humanos para a sociedade que não estejam sujeitos a imoralidade e falta de ética, destacando o julgar-se a si próprio antes de julgar aos outros. A filosofia maçônica renova conhecimentos pré-existentes na mente de cada um e que jazem cauterizados devido à busca incessante de riqueza e conforto. Aos conhecimentos do maçom somam-se novos ensinamentos, cujo objetivo é a pretensão da Ordem Maçônica de mudar o caráter do homem, com ênfase na discrição, fidelidade, disseminação da harmonia entre irmãos, no cuidado ao expressar pensamentos e na segurança do agir; características próprias da sabedoria que deve ser característica do homem que tem a seu cargo julgar a aplicação da lei.



Infelizmente, devido ao crescente número de homens vivendo em condições cada vez mais nefastas, o valor da vida humana tornou-se insignificante; a abundância de criaturas humanas banaliza sua existência. Meliantes matam pessoas apenas por uns trocados, por simples maldade. Homens matam por puro prazer de fazer verter sangue, bem diferente de outras criaturas que matam para saciar a fome e que são denominados pelo homem como bestas. É para modificar a sociedade e livra-la da maldade que a Maçonaria trabalha a mente de seus adeptos para afasta-los da busca de vingança e depositar esta tarefa na balança da Justiça ao encargo do poder público.



Derivado da aplicação da educação maçônica, o maçom experimenta vida com prática do amor fraterno, ao invés de aplicação da lei que tende a beneficiar os que dispõem de mais recursos. A aplicação tendenciosa da lei ocorre em todas as épocas e é notório que a Justiça do Estado privilegia o status social e as posses materiais através da corrupção em todas as esferas do poder. Entre os que vivem o judiciário é comum considerarem que a Justiça apenas condena os três "P" - puta, preto e pobre. Onde o amor fracassa entram em ação os códigos penais; último recurso para possibilitar a convivência pacífica da fera humana - leis podem ser comparadas às lombadas em vias públicas que impedem à força o excesso de velocidade. A lombada funciona porque é incorruptível, já a aplicação da lei não. Em vista da existência da corrupção, o maçom é instado em depositar sempre mais confiança na solução pacifica de impasses de relacionamento; isto é treinado em sua convivência em loja; a lei do amor figura como a única possibilidade de solução de todos os problemas da humanidade sem a necessidade de penas que nada mais são que a institucionalização da vingança exercida pelo corruptível poder judiciário do Estado.



Antes ação que reação. Liberdade que escravidão. O que a lei endurece no coração humano com a aplicação de penas severas demais, como a morte e a reclusão por muitos anos, o amor pode evitar desde que seja colocado em prática na vida; desde que aflore a boa educação voltada à prática do amor fraterno entre todos os homens. A filosofia da Maçonaria declara abertamente que esta certamente é a inclinação para a qual o homem foi projetado e a razão de possuir o dom da vida. O Grande Arquiteto do Universo certamente será glorificado se os homens aprenderem a viver em paz pela lei do amor, caso contrário, se avançar além de seus limites e direitos, o próprio homem o fará padecer debaixo lei, do braço da vingança estatal ao qual se denomina Justiça.



Bibliografia:

1. 1. GAVAZZONI, Aluísio, História do Direito, Freitas Bastos Editora, 2005;
2. 2. OLIVEIRA FILHO, Denizart Silveira de, Comentários aos Graus Filosóficos do R? E? A? A? 1997;
3. 3. REALE, Giovani e ANTISERI, Dario, História da Filosofia, Editora Paulus, 1990;
4. 4. ROUSSEAU, Jean-Jacques, A Origem da Desigualdade entre os Homens, Editora Escala, 2006;
5. 5. SACADURA ROCHA, José Manuel de, Fundamentos de Filosofia do Direito, Editora Atlas, 2006.



Biografia:



6. 1. Aristóteles ou Aristóteles de Estagiara, filósofo de nacionalidade grega. Nasceu em Estagiara em 384 a. C. Faleceu em 7 de março de 322 a. C. Um dos mais importantes pensadores de todos os tempos;

7. 2. Diógenes ou Diógenes de Sinope, filósofo de nacionalidade grega. Também conhecido por Diógenes o Cínico. Nasceu em Sinope em 3 de março de 390 a. C. Faleceu em 323 a. C. Pertencia à escola filosófica cínica, que ensinava que um homem deve levar uma vida de autocontrole e estar livre de todos os desejos, prazeres e coisas materiais;

8. 3. Mahatma Gandhi, advogado e maçom de nacionalidade indiana. Também conhecido por Mohandas Karamchand Gandhi. Nasceu em Porbandar, Índia em 2 de outubro de 1869. Faleceu em Delhi em 30 de janeiro de 1948 com 78 anos de idade, assassinado. É um dos maiores líderes nacionais do século XX;

9. 4. Maquiavel ou Nicolau Maquiavel, diplomata, escritor, estadista, filósofo, historiador e político de nacionalidade italiana. Também conhecido por Niccoló Machiavelli. Nasceu em Florença em 3 de maio de 1469. Faleceu em Florença em 22 de junho de 1527 com 58 anos de idade. Pensador renascentista;

10. 5. Thomas Hobbes, filósofo de nacionalidade inglesa. Nasceu em Wesport, Malmesbury em 1588. Faleceu em Hardwich Hall em 1679 com 90 anos de idade. Sua obra mais famosa, Leviatã, 1651, trata de teoria política.



Data do texto: 02/03/2011
Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.



Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná
Local: Curitiba
Grau do Texto: Aprendiz Maçom
Área de Estudo: Educação, Espiritualidade, Filosofia, Justiça, Maçonaria, Sociologia.

Blog Segredo Maçônico.











segunda-feira, 14 de março de 2011

Os Mistérios da Vida e da Morte

Quadro - A morte de Sócrates 1787.

Os Mistérios da Vida e da Morte

 

Nossa Ordem vive hoje, infelizmente, na mais profunda obscuridade intelectual e espiritual. Alguns Irmãos estão tentando transformá-la, rebaixando seus propósitos de tal forma que, praticamente, pessoas sem os quesitos necessários para compor o quadro de Obreiros das Lojas acabam tendo ingresso em suas Oficinas, até mesmo os ateus, e nela permanecem.

 

Sei, e com muita convicção, que a Instituição não é o que praticam nela, e o pior, existem Irmãos que acreditam que a Maçonaria é aquilo que vêem, que ouvem e, muitas vezes, aquilo que fazem…

São esses Irmãos que ignoram seus maiores feitos e nomes. É por isso que faço questão de tratar daquilo que é um dos fatores mais sublimes no ser humano: a sua espiritualidade, fator este que está intimamente ligado à Maçonaria, a começar pelas cerimônias de Iniciação.

Mas antes de tratarmos do tema central de nosso artigo, creio ser relevante, até mesmo para conhecimento dos leitores profanos, lembrarmos o que é, afinal, a Maçonaria. Ela é uma Ordem Universal, formada por homens livres e de bons costumes, não importando sua raça, sua cor, seu credo e sua nacionalidade. Nela, os seres são acolhidos por suas diversas qualidades com a finalidade de evoluírem, física e espiritualmente. Essa Ordem foi fundada sob o Amor incondicional, na esperança da construção de uma sociedade humana mais justa e perfeita. Por isso mesmo, é Investigadora da “Verdade” e combate a ignorância. Seus princípios são a Tolerância, a Virtude, a Justiça e a Sabedoria, sob a tríade Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

Ao contrário do que muitos pensam, a Maçonaria não é uma sociedade secreta. Nossa história tem sido divulgada em diversos livros, os quais estão à venda em todas as livrarias. Nossos documentos são registrados em cartório. Temos endereço certo, como toda pessoa jurídica legalmente constituída. Também não é uma religião. Não promove nenhum dogma, deixando o ser pensar como bem entender. Não é ateísta, muito menos um partido político, como alguns tentam conduzi-la. Para muitos, e eu me incluo entre estes, a “política é uma introdução à guerra”.

Além de combater a ignorância em todas as suas modalidades, constitui-se em uma escola, impondo-se o seguinte programa:

I — Obedecer às leis democráticas do país;
II — Viver segundo os ditames da honra;
III — Praticar a justiça;
IV — Amar ao próximo;
V — Trabalhar pelo progresso do homem.
A par dessa definição e da declaração formal da aceitação dos Landmarks, codificados por Albert Gallatin Mackey, proclama, também, os seguintes princípios:
I — Amar a Deus, a pátria, a família e a humanidade;
II — Praticar a beneficência, de modo discreto, sem humilhação;
III — Praticar a Solidariedade Maçônica, nas causas justas, fortalecendo os laços de fraternidade;
IV — Defender os direitos e as garantias individuais;
V — Considerar o trabalho lícito e digno como dever do Maçom;
VI — Exigir de seus membros boa reputação moral, cívica, social e familiar, pugnando pelo aperfeiçoamento dos costumes;
VII — Exigir a tolerância para com toda a forma de manifestação de consciência, de religião ou de filosofia, cujos objetivos sejam os de conquistar a verdade, a moral, a paz e o bem social;
VIII — Lutar pelo princípio da equidade, dando a cada um o que for justo, de acordo com sua capacidade, suas obras e seus méritos;
IX — Combater o fanatismo, as paixões, o obscurantismo e os vícios.

Comungo da verdade de que a Maçonaria é uma Ordem tradicional, muito mais antiga do que a data que lhe é atribuída: 1717. Baseia-se essa informação pela estrutura da Ordem, a prática mecânica de nossos rituais, os símbolos, a transmissão das ciências secretas aos Iniciados, as diversas teorias místicas, ocultistas, metafísicas, espirituais e filosóficas. Enfim, somos uma entidade muito mais antiga, mas, infelizmente, os livros de História não podem nos dar uma data precisa de nosso surgimento. Não nos esqueçamos de que a história é narrada e criada pelos vencedores e que muitos dos vencedores, diversas vezes, não têm interesse de que a verdade seja revelada.

Sejamos, ao menos, justos. Se debitamos à Maçonaria, em geral, todos aqueles casos particulares, ponhamos-lhe a crédito, em contrapartida, os benefícios que dela temos recebido em iguais condições. Beijem-lhe os jesuítas as mãos por lhes ter sido dado acolhimento e liberdade na Prússia, no século XVII — quando expulsos de toda parte, o próprio papa os repudiava —, pelo maçom Frederico II. Agradeçamos-lhe a vitória de Waterloo, pois Wellington e Blucher eram maçons. Sejamos-lhe gratos por ter sido ela quem criou a base na qual veio a assentar a futura vitória dos Aliados — a Entente Cordiale, obra do maçom Eduardo VII. Pensando na América, podemos citar a Independência do Brasil e a Abolição da Escravatura. Na França, a Maçonaria teve influência na Revolução Francesa. E não nos esqueçamos, finalmente, de que devemos à essa Ordem as maiores obra da arte moderna — Fausto, do maçom Goete, e a memorável A Flauta Mágica, do maçom Mozart.

Isso é apenas um pouco da nossa história que não foi apagada nem esquecida…Mas vamos falar de espiritualidade. Ao abordarmos este tema, surge um outro infinitamente ligado a ele — A MORTE.

E começamos por citar algumas palavras de um Lama, sacerdote tibetano: “Não há uma pessoa, na verdade, nenhum ser vivo, que não tenha retornado da morte”. De fato, todos nós morremos várias mortes antes de virmos para esta encarnação; e aquilo que chamamos nascimento é apenas o lado inverso da morte, como um dos dois lados de uma moeda, ou, ainda, como uma porta que chamamos de “entrada” a partir do lado de fora, e de “saída”, a partir do lado de dentro.



É ainda mais surpreendente que nem todos se lembrem de sua morte anterior. E, em decorrência desse lapso de memória, a maioria das pessoas não acredita que tenha havido uma morte anterior. Mas também não se lembram de seu mais recente nascimento, embora, nesse caso, não duvidem de terem nascido. Tais pessoas esquecem-se de que a memória ativa é uma pequena parte de nossa consciência normal e que nossa memória inconsciente registra e preserva cada impressão e experiência passadas, que a nossa mente despertada não consegue se lembrar.

Poderia citar também a lagarta; o que ela chama de morte, chamamos de BORBOLETA.

Na realidade, nem todos têm a sensibilidade de perceber determinadas vibrações, ou melhor, freqüências vibratórias, o que dificulta, e muito, os contatos que são feitos com habitantes de um outro plano ou outra dimensão. Muitas pessoas que fazem parte de nosso grupo de estudos tentam desenvolver essa sensibilidade por diversos meios, um deles seria o que chamamos de “viagem astral”, em que, por meio de exercícios, as pessoas conseguem entrar em um estado de relaxamento (transe) profundo e contatar esses habitantes de outros planos, em outras dimensões ou na mesma dimensão.

Esse processo é muito semelhante ao da sintonia de um rádio, quando vamos sintonizar uma determinada estação. As ondas estão ali, no mesmo lugar, passando por nós, mas se não sintonizarmos na “freqüência” certa, se não entramos em sua sintonia, não conseguiremos captar a estação.

Obviamente, o que parece ser tão fácil, não é. Todo trabalho, de qualquer Escola Iniciática séria, tem de preparar o discípulo para a morte, para que ele tenha a oportunidade de se iluminar no tempo certo, por meio da integração com a sua própria essência. Para que o leitor tenha uma compreensão mais vasta do tema, recomendo a leitura de duas obras verdadeiramente herméticas: O Livro dos Mortos do Antigo Egito e O Livro dos Mortos Tibetano, lançados pela Madras Editora. Ambos dão um registro muito claro e preciso “da arte de viver e da arte de morrer”.

Vejamos, agora, como grandes personalidades da História vislumbravam o fenômeno morte. Primeiramente, vou descrever parte de um texto de Fedro, livro de autoria de Platão:

“Nenhum poeta jamais cantou nem cantará a região que se situa acima dos céus. Vejamos, todavia, como ela é. Se devemos dizer sempre a verdade, quanto mais obrigados o seremos ao falarmos da própria verdade? A realidade sem forma, sem cor, impalpável, só pode ser contemplada pela inteligência, que é o guia da alma. E é na idéia Eterna que reside a ciência perfeita, aquela que abarca toda a verdade.

“O pensamento de um deus nutre-se de inteligência e de ciência puras. O mesmo se dá com todas as almas que buscam nutrir-se do alimento que lhes convém quando a alma, depois da evolução pela qual passa, atinge o conhecimento das essências. Esse conhecimento das verdades puras a mergulha na maior das felicidades.

“Depois de haver contemplado essas essências, volta a alma ao seu ponto de partida. E, ao longo da evolução pela qual passou, ela pôde contemplar a Justiça e a Ciência — não esta que conhecemos, sujeita às mudanças e que é contingente aos objetos, mas a Ciência que tem por objeto o Ser dos Seres. Quando assim contempla as essências, quando sacia a sua sede de conhecimento, a alma mergulha novamente na profundeza do céu e volta a seu pouso. Aquela (alma) que mais Verdades contemplou gerará um filósofo, um esteta ou um amante favorito das Musas.

“A beleza era visível em todo o seu esplendor quando, na corte dos bem-aventurados, deparávamos com o espetáculo ridente em que seguiam a Zeus (Deus na mitologia grega) e alguns entre nós a outros deuses. Iniciados nos mistérios divinos, nós os celebrávamos puros e livres, isentos das imperfeições em que mergulhamos no curso ulterior do nosso caminho. A integridade, a simplicidade, a imobilidade, a felicidade eram as visões que a iniciação revelava ao nosso olhar, imersas numa pura e clara luz. Não tínhamos mácula nem contato com esse sepulcro que é o nosso corpo, ao qual estamos ligados como a ostra à sua concha.”

Existem diversas teorias a respeito da morte; entre elas, há os que dizem que sentem muito frio ao desencarnarem.

O poeta Ovídio dizia que a Noite, mãe do Sono e do Falecimento, habitava além do país dos cimérios, que o Sol jamais ilumina. Nela, os galos nunca anunciaram a volta da aurora. Os cães e os gansos que vigiam as casas nunca turbaram com seus gritos o silêncio que reina eterno. Nessa época fabulosa de poesias eternas e encantos nunca vistos, também se sabia que a Morte, irmã gêmea do Sono, era implacável, mesmo tendo sido ludibriada poucas vezes, como aconteceu com Sísifo, que, como nos relata a mitologia, burlou a Morte acorrentando-a de tal modo, que ninguém morria na Terra. Mas foi punido pelo Deus Marte, que o levou ao inferno após livrar a Morte, para continuar a ordem no Universo.

Podemos notar que os castigos para os pecadores no inferno são severos e eternos. Sísifo, por exemplo, tinha o dever de rolar uma grossa pedra até o pico de uma montanha, mas sempre que chegava próximo, uma força maior fazia com que a pedra rolasse até o chão, e novamente ele se esforçava para tentar levá-la até o pico da montanha.

Para as Denaides, protagonistas de um belíssimo poema em que matam seus maridos, pelo pecado foram condenadas a carregar jarros de água de uma fonte e encher um poço sem fundo.

Pela mitologia grega, sabe-se que o inferno, formado pelos rios Estige e Aqueronte, tem um vigia, um barqueiro chamado Caronte, que escolhe os mortos que serão levados ao seu eterno lar na escuridão. Ao chegar do outro lado, os mortos condenados ao inferno encontram o cão vigia de Caronte, chamado Cérbero, que tem três cabeças e impede qualquer das almas de voltar ao mundo normal.

Ao longo de toda a sua história, o homem sempre soube que o inferno é um lugar onde impera o calor, em que se queima enxofre eternamente. Conforme algumas teorias, lugares quentes, como o inferno, têm pouquíssima energia; logo, o Céu, oposto ao inferno, tem muita energia, e por isso é muito frio.

Se as almas dos mortos que se destinam ao inferno não podem voltar, impedidas por Caronte e seu cão Cérbero, não se pode dizer o mesmo das almas que vão para o céu, às quais Deus sempre dá uma outra oportunidade. São almas não pecadoras, normalmente vítimas de algum maltrato, mas que simplesmente não conseguiram achar seu aposento no céu. Ao voltarem à Terra para pedir ajuda, trazem o frio celeste consigo, causando o tremor de quem as vê ou se aproxima.

Sócrates (469-399 a.C.) já dizia: “Porque morrer é uma ou outra destas duas coisas. Ou o morto não tem absolutamente nenhuma existência, nenhuma consciência do que quer que seja, ou, como se diz, a morte é precisamente uma mudança de existência e, para a alma, uma migração deste lugar para outro”.

Então, talvez morrer não seja de todo desagradável. Será que viver é que seria a nossa “condenação”? Eis um autêntico paradoxo. Viver implica várias formas de sofrimento e uma busca incessante pela felicidade. Ademais, viver implica morrer um pouco a cada dia, de forma que o evento terminal de uma “vida”, ao qual chamamos “morte”, é apenas o cessar do processo de morte. Deveríamos, então, ter medo da vida e não da morte.

O corpo físico do homem, com seus cerca de 1.028 átomos, troca aproximadamente 98% desses átomos todos os anos. A mucosa do estômago se renova em uma semana; a pele inteira, em um mês; os ossos, em três meses; o fígado, em seis semanas; etc., de forma que, em aproximadamente cinco anos, todos os nossos átomos retornaram ao “pó” e outros foram colocados no lugar. Diante disso, podemos concluir que o corpo físico “morre” a cada cinco anos. Assim sendo, o que permanece do nosso corpo original com toda essa metamorfose?

Pode-se pegar um atalho conceitual e afirmar que morte é ausência de vida. Mas o que é vida? Existe vida após o nascimento? Realmente se vive, somente pelo fato de termos nascido? Afinal, o que é que nasce e o que é que a morte faz cessar? Desde que o “cérebro se tornou capaz de investigar o cérebro”, uma pergunta é repetida e respondida pelo homem: existe alguma forma de consciência após a morte do corpo físico? A neurociência não consegue, ainda, responder a essa questão. Não há nenhuma evidência que sim, nem que não.

A vida é algo que está além do corpo físico e que em algum momento passa a “habitá-lo” ou “preenchê-lo”, a “dar-lhe vida”. Partindo do conceito científico moderno de que não existe algo como um corpo individual delimitado no espaço, pois todos os corpos são interdependentes, processos vivos compartilhados, e de que a vida e a consciência devem estar de alguma forma escondidas no mundo quântico, pode-se afirmar que a vida é uma propriedade do Universo em geral, ligada a tudo e a todos. Se a vida é Una, algo que está imerso em toda a manifestação, nós podemos concluir que, para que algo morra, é necessário que tudo morra. Somos todos UM!

Há, ainda, grandes vultos da História que proferiram frases relevantes a respeito do assunto, e que faço questão de mencionar:

“A morte de qualquer homem diminui-me, porque eu estou englobado na humanidade.”
Carl Gustav Jung (1875-1961)

“Eu, enquanto homem, não existo somente como criatura individual, mas me descubro membro de uma grande comunidade humana.”
Albert Einstein (1879-1950)

“A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro.”
John Lennon (1940-1980).

“O que é oposto à morte?… É o nascimento, pois a Vida é eterna!”.
Sidarta Gautama, o Buda (563-483 a.C.).

Fernando Pessoa já dizia que “a morte é a curva da estrada; morrer é só não ser mais visto”. Diante disso, é possível termos uma visão da morte com mais serenidade, como ponto de partida para uma nova vida. Sobretudo, de modo transcendente, ou seja, sublime. É como se adormecêssemos com a plena convicção de que continuaremos vivos no dia seguinte, junto àqueles que amamos. Porém, estaremos em outra dimensão, convivendo com seres que já convivemos um dia, que foram nossos entes queridos em outras vidas, ou mesmo na atual, e estaremos prosseguindo nossa jornada evolutiva nessa nova fase da existência. A vida é assim: feita de reencontros, aqui ou em qualquer lugar. Não entraremos, aqui, no mérito da questão de que a alma poderá não ir para esse paraíso, e sim para o inferno. É o que muitos podem estar pensando neste momento. Mas, afinal, quem somos nós, seres humanos, para julgarmos os destinos das almas ou espíritos?

É comum ouvirmos a expressão “a morte é a única certeza que temos na vida”. Ocorre que a civilização ocidental materialista se amoldou à idéia de que tudo acaba com a morte. Dessa forma, ela é tratada por muitos como um tabu, algo que não se deve comentar ou investigar. O maior desejo do ser humano é a imortalidade, e esse desejo está intimamente relacionado ao medo da morte. Mas, de onde vem esse medo? Pode ser que venha do medo que se tem do desconhecido, do instinto de autopreservação que estimula o medo da própria extinção. Ou será que viria de uma experiência antiga, guardada na memória, já vivida e não mais desejada?

Se desejamos viver indefinidamente, por que insistirmos em acreditar que morrer é o fim? Provavelmente, se o contrário estivesse acontecendo, se o homem tivesse certeza de sua imortalidade, ele procuraria a própria extinção. Será que o inconsciente coletivo do homem já tem essa certeza da imortalidade? Será que os atos humanos destrutivos, contra a natureza e contra si mesmos, não são formas veladas (e doentias!) de se buscar atingir esse estado?

Mesmo assim, a morte assusta, talvez pelo apego que temos às coisas materiais, as quais perderemos definitivamente quando morrermos, e pelo apego que temos à própria vida. Talvez um apego à nossa persona, nossa “individualidade” que irá se desfazer, voltar ao “pó” (Eclesiastes 12:7). Na realidade, o nosso medo vem de uma fonte mais profunda: não sabemos quem realmente somos. Somente após a morte do corpo é que se pode experimentar a possibilidade de uma outra vida, caso ela exista. Por outro lado, não se pode comprovar a possibilidade contrária (a inexistência de uma outra vida), afinal, não se terá consciência dela.



Para os materialistas, o dia da morte de uma pessoa deveria ser uma data inerte; afinal, tudo acaba com esse fenômeno e não há razão para homenagear quem não existe mais. Ocorre, porém, que a maioria das pessoas homenageia a memória de seus entes queridos, até mesmo os ateus; mas, no fundo, estão apenas dando vazão à dor da própria ferida não curada, gerada pela falta que sentem dos seus entes queridos: saudades.

Quem de nós nunca sentiu saudades? Aquele que já a vivenciou sabe o quanto ela dói, causa um estado profundo de melancolia, faz chorar, provoca um desejo imenso de querer ter de volta aquilo ou alguém que um dia nós “possuímos”; pode, enfim, levar uma pessoa à “loucura”. E no momento em que qualquer ser humano perde um ente querido, seja ele espiritualista ou ateu, a saudade daquele que partiu mexe com os mais profundos sentimentos. Assim sendo, pergunto a um ateu se a morte seria mesmo o fim da vida. Por que, então, ele sente saudades de quem se foi, se a morte acaba com tudo? Qual a razão de homenageá-los?

Já ouvi muitos espiritualistas dizerem que, apesar de acreditarem na eternidade da vida, não se conformam quando a morte chega em sua família; então sofrem e choram a perda de seu ente querido. A dor da perda é a visita da morte à vida, e sem dor não há vida, porque nos apegamos demais a tudo o que possuímos, ou seja, pensamos que possuímos; na verdade, apenas nos foi emprestado, inclusive a carne, e, como tal, um dia teremos que devolvê-la ao Universo.

Flua como um rio, desapegue-se de situações e de pessoas, transcenda…

A Teosofia afirma que essa homenagem remonta à época dos Atlantes, raça de “gigantes” (Gênesis 6:4), os enacim e os emim, presentes na Bíblia Sagrada (Números 13:33 e Deuteronômio 1:28, 2:10).

Historicamente, o culto aos antepassados é tão antigo quanto a história do Antigo Egito. Seu povo, longe do conhecimento de sua avançada espiritualidade, restringia o seu culto à veneração de imagens dos antepassados, ou de alguma divindade menor, por meio de diversas superstições, incluindo o uso de amuletos.

Na Índia védica, os filhos do Sol buscavam a ciência pura do fogo sagrado, a adoração ao Deus Supremo e a honra aos antepassados por meio de orações. Ao milenar povo chinês, afastado dos ensinamentos elevados acerca do Tao, restava um culto mágico aos antepassados e uma adoração aos espíritos.

Para o Xintoísmo, a alma dos que morrem permanece poluída, conservando sua personalidade de quando estava em vida, necessitando, assim, de rituais de purificação para que assuma um aspecto benevolente e pacífico. Dessa forma, ela atingirá o grau de guardiã, ou deidade (kami), protetora da família. Assim, enquanto religião, a divinização das energias cósmicas foi acompanhada da divinização dos espíritos dos antepassados (considerados deuses tutelares da família), dos sábios ancestrais, dos imperadores, de alguns animais e de forças elementares da natureza.

A Psicologia Transpessoal fala da existência de outros pacotes de inconsciente, além do Inconsciente Coletivo descrito por Jung. Um deles seria o inconsciente familiar, responsável pela repetição de padrões de comportamento presentes no seio familiar. Alguns pesquisadores defendem que essas memórias estariam impressas em nosso DNA e, dessa forma, acessíveis à nossa mente inconsciente. Essa tese explicaria também a ocorrência de memórias novas, em transplantados, de fatos ocorridos na vida do doador do órgão. O culto aos antepassados, de forma que se libere essas energias de sua influência sobre nós, seria uma forma de se trabalhar no inconsciente familiar.

Para os celtas, o ano era dividido em quatro períodos de três meses e, no início de cada um, havia um grande festival. No primeiro dia do ano celta, celebrado em 1º de novembro, era comemorada a mais importante das quatro festas: o Samhain, conhecido como “Noite dos Ancestrais” ou “Festa dos Mortos”, pois os celtas acreditavam que nesse dia o véu entre os mundos estaria bem fino. Hoje, essa festa está associada com o Hallows Day e é celebrada na noite anterior ao Halloween. O mundo cristão assimilou essa festa pagã e passou a comemorá-la em 2 de novembro (Dia de Finados).

Concluindo nosso pensamento, podemos dizer que a crença generalizada na existência da morte, como aniquilação individual, fez sumir a visão de longo prazo e afetou o planeta inteiro. Não se prepara mais o futuro, apenas se vive em busca de prazeres e desejos pessoais do ego, teoria de vida pregada pelo capitalismo, que é uma forma geradora de desejos. O homem está destruindo o planeta e a si mesmo. Definitivamente, não há morte como a concebemos. A morte existe apenas porque não se sabe o que a vida é, porque ainda estamos inconscientes da Vida, da sua ausência de morte.

Assim, os que perguntam o que acontece após a morte o fazem por não lhes ter acontecido nada durante a vida. É necessário um nascimento espiritual para que a Vida nos permeie em sua abundância. Quando se conhece a Vida, conhece-se a morte. A morte é apenas uma transição de um estado de consciência para outro, e a única coisa que morre é a morte. A morte é apenas uma PASSAGEM, e essa passagem deve ser o triunfo de uma existência, seu mais glorioso momento.

Preparar-se para morte, sem exageros, conscientes de que, assim como nascemos, todos passaremos por ela, coloca-nos em sincronicidade com as Leis do Universo.

Somente quando formos capazes de entender a chave iniciática contida nas palavras de São Francisco de Assis, quando dizia que “… é morrendo que se nasce para a vida eterna”, ou a declaração proferida pelo Faraó, no final da quinta etapa da iniciação egípcia, “Sebek Ur Sebek”, que afirma: “Só a Morte pode Vencer a Morte”, estaremos, de fato, preparados para ela.

E esse entendimento somente será completo até mesmo em certas iniciações, em que a “LUZ É DADA DEPOIS DA MORTE”, e “QUE SE FAÇA A LUZ…! E A LUZ FOI FEITA!”.
A Luz é a sua recompensa…

Eu Sou Apenas isso,
Eu Sou Você,
Você Sou Eu,
Eu Sou, a Sua Manifestação…
Eu Sou, Wagner Veneziani Costa.

Autor

Pelo Ir.’.Wagner Veneziani Costa

























































































































domingo, 13 de março de 2011

A Maçonaria pela Maçonaria


A Maçonaria pela Maçonaria

 
Que imagem fazemos da Maçonaria do passado?
Que imagem temos da Maçonaria do presente?
Que imagem projetamos para a Maçonaria do futuro?


Reflitam:

O homem Maçom já foi um libertador da história;

As misérias sociais não são naturais ou necessárias;

A Maçonaria Universal dispõe de meios para escrever, em prol da humanidade, uma história diferente da que vem sendo escrita atualmente;

A inteligência existe para eliminar a miséria e não para justificá-la;

Nós Maçons somos fortes para combatermos a corrupção e não suportarmos, sem uma ação contundente, a degradação;

O verdadeiro agradecimento deve ser concreto e traduzido em atitudes;

A verdadeira luta consiste em repartir o Amor, a Fraternidade, a Liberdade e a Igualdade. Promover a Justiça, gerar a Paz e libertar os nossos Irmãos do ódio, da fome, da tirania e do desespero.

A grande maioria dos Maçons pensa assim. Existe um grande anseio e muita vontade no sentido uma melhor estruturação e organização, para uma vivência plena no seio da Maçonaria.

MAÇONARIA: UMA ESCOLA, CUJO MANANCIAL DE VIDA É O CONHECIMENTO!

SUA MISSÃO: CAPACITAR E MOTIVAR O HOMEM PARA QUE ELE POSSA EXERCER O SEU LIVRE PENSAR COM DISCERNIMENTO E RESPONSABILIDADE è QUE ELE SEJA O SENHOR DE SI MESMO!

Esta é a realidade atual?

Estamos conscientes de que a Maçonaria fragmentou-se em diversas Obediências, e com isso vem perdendo a sua força e confundindo a sua universalidade?

Será que percebemos o quanto nos envolvemos em necessidades banais, criadas por mentes vaidosas e vazias, perdendo com isto a nossa realidade, a nossa unidade universal e nossas raízes e origens?

Não, hoje somos um corpo dividido e vaidoso. É grande o número de Lojas enfraquecidas e empobrecidas.

A quem estamos enganando?

É preciso buscarmos, urgentemente, uma melhor estruturação e organização, em especial sob o ponto de vista sócio-político e administrativo.

Alguns Fatos:

As Sessões ordinárias duram em torno de duas horas, e os períodos de estudo ou de instrução, quando são utilizados, duram de cinco a quinze minutos. Como capacitar em tempo tão exíguo?

Se um Irmão apresenta um trabalho mais elaborado, a insatisfação é notória, sob a alegação de que vai atrapalhar o andamento da Sessão è ‘’vai atrasar a segundinha’’.

Muitos Mestres, ao chegarem a esta condição, deixam de estudar è acham que atingiram a plenitude Maçônica;

Quantas vezes banalizamos e “superficializamos” a nossa ritualística com invencionices e “achismos”?

Muitos, ao pararem no tempo, não aceitam que se discuta dentro de Loja assuntos de interesse geral e atinentes à Ordem, por exemplo: as questões políticas, econômicas, culturais, educacionais e sociais.

A nossa histórica falta de posicionamento político contribuiu e contribui para o estado de coisas que ora assistimos;

O que tem sido feito diante deste mar de lama promovido pelo nefasto e corrompido Sistema Sócio-Político brasileiro, onde prevalece a corrupção, a impunidade e a falta de ética?

Há ¼ de século que nosso país navega sem rumo. É evidente a falta de um PROJETO NACIONAL!

A falta de desenvolvimento Maçônico gerando, lá na frente, VENERÁVEIS MESTRES despreparados, sem personalidade e identidade com o cargo;

Estes, dominados por indivíduos que estão dentro de sua própria diretoria, acabam levando os IRMÃOS ao ostracismo e ao comodismo è Há um verdadeiro esvaziamento das Lojas, pela escassez de conteúdo;

Presenciamos, impassíveis, o comportamento anti-maçônico de alguns Irmãos que querem fazer de seus defeitos e vícios, regras morais para os demais;

Assistimos a um verdadeiro desrespeito às tradições históricas. Candidatos são indicados sem o menor critério, permitindo que indivíduos sem princípios, utilizem a Ordem unicamente para a conquista de benefícios pessoais e ou profissionais.

A nossa participação na sociedade deve estar ligada à todas as situações que interferem no desenvolvimento humano.

Temos um potencial universal e divino. Nenhuma outra organização possui estrutura humana semelhante. Qual outra abriga em seu seio tamanha diversidade de homens? (raças, credos, crenças, profissões...). Todos, imbuídos de um mesmo fim:

A EVOLUÇÃO DA HUMANIDADE!

 Será que estamos buscando a evolução de uma forma plena e serena?

 Será que o Maçom tem CONSCIÊNCIA PLENA do que venha a ser a Maçonaria, de sua importância para o seu aperfeiçoamento, e para a vida da sociedade na qual ele está inserido?

O que fazemos e o que somos?

O que buscamos?

Para onde vamos?

Para onde estamos levando esta nobre e maravilhosa Instituição?

Diariamente ouço indagações de Irmãos sobre o que a Maçonaria fez ou está fazendo,

“especialmente por nós’’.

Então pergunto-lhes: o que estamos fazendo pela Maçonaria?

É dever de todo Maçom conhecer e saber quais são os objetivos da Sublime Ordem a qual pertence, devendo comprometer-se com a plena realização dos mesmos;

Portanto, fiquemos atentos aos nossos atos e hábitos diários, pois são eles que constroem ou destroem o desenrolar de nossas vidas, seja no mundo profano, seja no mundo Maçônico.

Observemos atentamente o nosso dia a dia. O que predomina nele?

CORDIALIDADE;
PACIÊNCIA;
AMOR;
CORAGEM;
COOPERAÇÃO;
ESTUDO;
ENVOLVIMENTO;
PENSAMENTOS POSITIVOS...

Ou o contrário:

IMPACIÊNCIA;
TENSÃO;
MEDO;
LAMENTAÇÃO;
MAL RELACIONAMENTO;
EXIGÊNCIA;
EGOÍSMO;
REVOLTA;
INSATISFAÇÃO...

É no caminhar diário, absorvendo os ensinamentos do Esq\, do Comp\ e do Liv\da L\, que firmamos nossos passos e nos abrimos para a expansão da consciência Divina, onde o espírito se ilumina e cresce além dos limites da matéria estagnada – “ESTE CHAMAMENTO É TÃO CLARO E EVIDENTE, TANTO EM NOSSOS PRINCÍPIOS COMO EM NOSSA RITUALÍSTICA”.

Habituemo-nos a ler mais, a ouvirmos algo espiritual e elevado, e, sobretudo, tenhamos prudência no falar, pois por intermédio da palavra sensata:

- Unimos, amparamos, educamos, sustentamos, evoluímos....

E, ao contrário, através da palavra insensata:

- Desunimos, caluniamos, ferimos, criamos barreiras, ódios...

Vamos sair do passado, pois o presente já vai-se tornando história e o futuro espera muito de cada um!

O Maçom é um homem que deve estar à frente de seu tempo, e, felizmente, nas bases da Maçonaria existem homens dispostos a contribuírem para o engrandecimento de nossa Sublime Ordem.

Que não tenhamos medo de errar com as nossas atitudes:

O maior dos erros é o da omissão. Lembremo-nos que a conjugação do verbo errar, contrariando o que muitos pensam, é algo muito mais democrático e construtivo do que a falta de atitudes.

Só assim conseguiremos amadurecer o bastante as nossas mentes, afastando de nossos corações as hesitações e as fraquezas, tão comuns naqueles que se deixam levar pela omissão, pelo ostracismo, pelas tentações e recompensas ilícitas.

É preciso que despertemos, de dentro da consciência, o Líder adormecido que existe na Alma de cada um!

“Um homem só será verdadeiramente Maçom quando tiver mantido a fé em si mesmo, no seu semelhante, no seu Deus e, na sua mão uma espada contra o mal, no seu coração o toque de uma canção – feliz por viver, mas sem medo de morrer”!

Ir.: Joseph Fort Newton.

“Este é, pois, o momento de centrar bem a mente, aprendendo a julgar os tempos do passado e do presente; tão somente assim cada um poderá atrever-se a julgar acerca do futuro, tomando por base o que tenha conseguido fixar como norma no presente e como norte para o futuro. Poderemos, então, caminhar firmes, sermos seguros pelo mundo, sem temor que esse nos caia em cima”.

Carlos B.G. Pecotche.

artigo de Leonel Ricardo de Andrade

landrade@triang.com.br



sábado, 12 de março de 2011

A Vaidade


A Vaidade

Meus Irmãos, este pequeno Trabalho serve apenas de alerta, e é um Trabalho dirigido para Loja base, nas Lojas filosóficas o entendimento é diferenciado e o comportamento também. Mas, considerando que todos os Irmãos pertencem a uma Loja-base e atendendo as determinações do Presidente desta Loja Capitular, vimos expor nosso ponto de vista sobre o tema VAIDADE. Antes, porém queremos pedir compreensão pela rudeza de como iremos tratar.

VAIDADE, palavra pequena e de fácil pronunciamento, de tonalidade suave aos ouvidos, porém, encerram em muitas ocasiões, situações gravíssimas no comportamento do ser humano, com conseqüências desastrosas. A vaidade, literalmente falando, é a qualidade do que é vão, vanglória, ostentação, presunção malformada de si, futilidade, e etc. Dessas qualidades a vanglória é perniciosa, pois objetiva o indivíduo jactancioso, ou seja, presunçoso, arrogante e frívolo. A presunção malfundada de si traz em seu seio situações embaraçosas, notadamente na Maçonaria, visto que aqui todos se tratam por Irmãos e presume-se que a verdade deve imperar sempre. Os detentores dos altos Graus filosóficos sabem mais que ninguém a se portarem como tal. Essa má fundamentação sobre si levanta claramente suspeitas sobre a idoneidade daquilo falado.

A tão propalada vaidade feminina não traz conseqüências pois se atém tão-somente na área de estética. A masculina quando não se atém às futilidades torna-se algo de preocupação, encerra-se muitas vezes em disputas desnecessárias, gerando graves problemas de ordem interna, principalmente quando essa vaidade inclui fator poder.

O fator poder é inerente ao ser humano, na Maçonaria no desbastar da Pedra Bruta, ou seja, no seu próprio burilamento cada um recebe a incumbência de burilar a si próprio e aos que estão a sua volta.Arvorar-se na condição do dever cumprido, de ser possuidor de títulos ou de possuir extensa bagagem maçônica, não contribui em nada para os destinos da Ordem. Maçonaria se faz no dia-a-dia, na conquista permanente de novos adeptos e na tentativa da melhoria constante da espécie humana.

A busca incessante e permanente da verdade faz da Sublime Instituição, organização sem similar. A permanência da Maçonaria como instituição respeitável como é, deve necessariamente contar com a renúncia das possíveis vaidades de seus membros para o bem comum. Mas, vemos com freqüência Irmãos desentendidos ou que se fazem de desentendidos, querendo manter a ferro e fogo o seu círculo de poder. Apesar da inerência do poder ao ser humano, o Maçom pelos ensinamentos recebidos não pode a isso se ater.

A perpetuação de uma instituição passa, com absoluta certeza, pelo grau de compreensão de seus membros e na renovação sistemática de suas lideranças. Cabe a cada um de seus membros renunciar às vaidades e presunções infundadas para o bem.A título de exemplo, tem Irmãos que gostam de apologizar-se, em descumprir a legislação em vigor, criando com esses atos bolsões de intransigências, que mais tarde derivam-se na mais pura vaidade e arrogância de ser um descumpridor, notadamente, de um poder que não tem coercitividade, que afinal é o caso da Maçonaria.

Para vivermos em Igualdade, sem qualquer Grau de subordinação, é muito difícil; porém, dentro da Maçonaria é necessário.Não basta respeitar ao Irmão como homem, deve respeitar como Maçom. Não importa qual o Grau ou Rito que freqüente, importa sim, o respeito pelo ato da Iniciação e pela instituição a que o Maçom pertence.Esta diversidade que o Maçom possui, deve ela crescer sempre em benefício da ordem, e não transformar-se em um poço de orgulho, egoísmo e vaidade.

Ter vaidade de ser Maçom é muito bom e proveitoso, mas ser um Maçom vaidoso e refém do poder, com absoluta certeza, não trará qualquer benefício à Ordem e aos Irmãos. O tripé de sustentação da Maçonaria: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, não deve ser distorcido de sua real finalidade.

Ao viciar qualquer ensinamento ou distorcê-lo é um perjúrio, os Irmãos devem ter consciência disso.As reuniões costumeiras e obrigatórias deveriam servir como bálsamo às nossas dificuldades e angústias do dia-a-dia. Infelizmente não é isso que amiúde presenciamos, a praxe é uma guerra surda no sentido de manter posições, ou seja, o "statu quo ante", isso é incompatível com o princípio da Sublime Instituição. Entre um homem simplesmente vestido de Avental e um Maçom, tem uma diferença significativa.

O valor monetário que cada um possui, não deveria servir de nível para o empreendimento das ações internas. Cada expressão monetária entregue para a guarda e aplicação de cada Irmão, feita pelo G\ A\ D\ U\, deve ser entendida como encargo e não como alavanca do bem ou do mal. Cada centavo de real confiado a cada um, vai ser exigido a respectiva prestação de contas. A parábola dos talentos vem a isso confirmar.

Ninguém é dono de nada, apenas o seu guardião, os Irmãos devem isso se lembrar, o nivelamento pelo valor monetário disponível por cada um, não serve para a caracterização do reconhecimento e vinculação maçônica. Cada Irmão deve ser entendido e aceito independentemente, o que vale e significa muito para a Maçonaria são os fatores intrínsecos, isto é, os fatores internos da Ordem, a sua irradiação de valores humanos, hauridos por seus membros em Loja.

A Maçonaria é uma escola de humanismo e disso ninguém pode duvidar. Tanto no estudo da filosofia, da filologia e no campo social, a Maçonaria incute aos seus adeptos essa capacidade de modificação no comportamento e na visão geral da sociedade, notadamente, nas condutas de moral e ética.Portanto, dentro da ordem, não há espaço para as vaidades pessoais, devemos sim, preservá-la e mantê-la fora dessas situações tão comprometedoras de seu futuro.

Não temos o direito de atentar contra seus sublimes princípios.Meus Irmãos reflitam nossas atitudes.

Ir\ Nelson Camargo de Mello



quarta-feira, 9 de março de 2011

O Maçom e o Trabalho

Charles Evaldo Boller

O Maçom e o Trabalho
Charles Evaldo Boller

O homem vê o trabalho como atividade em que se auto-realiza e com o qual transforma a natureza. E só começa a realizar um serviço depois de haver pensado e planejado intencionalmente a tarefa. Não existe trabalho sem o uso conjunto da força e do intelecto, ambas complementam-se. Enquanto o projeto é uma ação passiva, o trabalho é uma ação ativa. O resultado é a realização prática de algo.

A ferramenta que representa o trabalho nas oficinas maçônicas é o malho. Este representa a força bruta, a vontade que executa. Sem a vontade do malho o cinzel não poderia exercer seu livre arbítrio. E, longe de ser destituído de racionalidade, algo embrutecido e aleatório, ele representa a intenção por trás da ação. Não é apenas um aglomerado metálico, pesado e violento, muito menos sinônimo de obstinação ou teimosia.

Baseado na maneira como o malho atua, batendo vez após vez, denota-se que sua atividade é firme e perseverante. Ele não executa todo o trabalho de uma só vez, mas em pequenos avanços, firmes e objetivos. Age de forma descontinua, num esforço inconstante, em pancadas, pois se exercesse pressão continua sobre o cinzel, este perderia todo o rigor na execução da obra final. Como o conjunto não é aparato de criação, mas de desbaste, sempre arrancando e nunca acrescentando, impõe-se disciplina, levando aquele que o empunha a alterar sua visão de mundo e principalmente de si mesmo.

Sem o malho o aprendiz maçom não poderia trabalhar a pedra bruta e não teria como se autoproduzir; porque é ele mesmo quem trabalha a sua "pedra" interior. Esta deve ficar plana e esquadrejada; obtendo com isto uma condição aprovada, que lhe permita fazer parte da estrutura do Grande Templo. Ao desbastar a pedra bruta, dela são arrancadas as superficiais e grosseiras arestas da personalidade, sendo que a sua atuação deve ser forte, resoluta e pode até ser dolorosa. O malho é o emblema do trabalho, é quem fornece a força material, para de forma figurada aplainar a pedra bruta e culminar em educação, polindo a silvestre e inculta personalidade para uma vida e obra superior. O acabamento de um trabalho assim conduzido resulta em amarrar intimamente a energia que age e a determinação moral. O resultado é fina educação, ou polidez, e os produtos desta associação são belos, sutis e delicados, revelando o intelecto que atua por traz da ação.

Sem o uso do malho com mestria e vigor, o aprendiz maçom não poderia derrubar obstáculos e superar dificuldades, haja vista que é na constância e na determinação que desenvolve habilidade e imaginação. O seu uso o leva a aprender e conhecer as forças da natureza e a desafiá-las; leva-o a conhecer as próprias forças e limitações; relaciona-o com os companheiros e leva-o a viver o afeto desta relação.

O malho é sempre empunhado pela mão direita, o lado ativo, ele também é a insígnia do comando, da direção. Simboliza a vontade ativa, a energia, a decisão, o aspecto ativo da consciência do aprendiz, o membro viril, o reprodutor, a força e a vontade. É o indutor da iniciativa, da perseverança, é enfim, o símbolo da inteligência que age e persevera, que dirige o pensamento.



terça-feira, 8 de março de 2011

HINO MAÇÔNICO


Nosso Venerável Nicodemos Pereira Gadelha Filho  (No Oriente Eterno) e sua filha
Adiles de Paiva Gadelha, participando de missa segurando sua flauta e bengala. 


HINO MAÇÔNICO



Letra do ritual de aprendiz maçom de 1975 e música do irmão e maestro Nicodemos Pereira Gadelha Filho.

 

É uma Instituição,
Que tem por objetivo,
Tornar feliz a humanidade, pelo amor,
Pelo aperfeiçoamento dos costumes;

Pela tolerância,
Pela igualdade e pela solidariedade,
Pela lealdade e pelo respeito a autoridade e a religião.



Ela é, universal
E suas lojas se espalham,
Por todos os recantos da Terra                                        (Bis)
Sem preocupação de fronteiras e de raças.


Nos reunimos aqui,
Para combater a tirania,
A ignorância, os preconceitos e os erros,
Glorificar o direito e a justiça,

Para promover pelo bem estar da Pátria e da humanidade,
Levantando templos a virtude,
E cavando masmorras ao vício.


Três é o número da Luz,
Três são os pontos que todo Maçom se orgulha apor em seu nome.
Pois esses três pontos são como Delta, luminoso e sagrado,
É o emblema mais respeitável e representa as três qualidades
Indispensáveis ao Maçom, Vontade ou Amor,         (BIS)
Sabedoria e Inteligência.


 



LEMBRETE:


Irmão!
Frequente as reuniões maçônicas; segundo Chico Morais, membro da Loja Maçônica Calixto nº 15, Oriente de Sousa (PB), a freqüência aos trabalhos em Loja é o mais sublime dever do Maçom.


Citamos Chico Morais (No Oriente Eterno), como exemplo, pois o mesmo freqüentou por mais de 40 anos a Loja com 100% de freqüência.