quarta-feira, 14 de julho de 2010

UMA BUSCA INICIÁTICA



UMA BUSCA INICIÁTICA
O DESENVOVIMENTO ESPIRITUAL NO SER HUMANO

Um excelente e primoroso livro lançado em João Pessoa (PB), pelo maçom da Potência do Grande Oriente (João Pessoa) e estudioso irmão Dr. Agrimar Santa Cruz Montenegro, professor universitário aposentado da UFPB, 1ª edição de 2009, 441 páginas, pela Gráfica e Editora Santa Clara, da cidade de Santa Rita (PB), sendo já no ano de 2010, lançado uma nova edição pela Idéia Editora Ltda, de João Pessoa.


O livro trata da evolução espiritual do Ser Humano, cujo autor Agrimar na sua humildade, divide com Agrícola Montenegro, já morando no Oriente Eterno, a árdua tarefa da pesquisa, da colaboração e do incentivo pela elaboração da brilhante peça de arquitetura.

No campo da pesquisa científica e filosófica, adentra, com propriedade, desde as pesquisas do átomo a períodos primários, dos versados filósofos hodiernos da física moderna aos incansáveis e destemidos sábios da antiguidade, das obscuras trevas do passado ao período de semi-luz, demonstrando o nosso destino claro e preciso da mudança de nosso planeta Terra, e da urgência de nossa mudança comportamental, moral e educacional.

O autor nos afirma: "Não somos profeta, mas algo diferente está acontecendo não se pode esconder." Em sua fala, na entrega do livro disse algo aparentemente óbvio, mas verdadeira e precisa: "Não façamos nada de errado, a Lei de ação e reação é precisa nos cobrará mais cedo ou mais tarde."

Agrimonte, enfatiza com propriedade, em seu trabalho, a natureza do papel do verdadeiro Maçom quando nos diz: "o Maçom não está no outro lado da Luz. Maçom, palavra simbólica que significa pedreiro, é a consciência latente, a luz interior que existe em cada corpo humano, independente de sexo ou religião. é o pedreiro construtor do nosso templo espiritual, a Luz interior que está na Alma, que, entretanto, para que possa transcender, depende exclusivamente de cada individuo. É a transposição do material para o espiritual, do ego para o Eu. É a iluminação. É este o significado de Maçonaria. Enquanto estamos apenas na construção do templo, somos simples buscadores iniciáticos.”

Podemos perceber, também, a veia poética do Autor ao registrar um soneto do Padre Antonio Tomaz, “Versos e reversos”. em que assim diz:


“Quando partimos no vigor dos anos,
na vida, pela estrada florescente,
as esperanças vão conosco à frente,
e os desenganos vão ficando atrás.

- Rindo e cantando, céleres e ufanos,
vamos marchando descuidosamente,
eis que chega a velhice de repente,
desfazendo ilusões, amtando enganos.

- Somente então nós vemos claramente
quanto a existência é rápida e fugaz,
e vemos que acontece exatamente
- ao contrário dos tempos de rapaz,
os desenganos vão conosco à frente,
e as esperanças vão ficando atrás.”

Destarte, o autor de Busca Iniciática, não tenha literalmente afirmado nas palavras e conceitos emitidos, entretanto, subjetivamente nos conduz aos conceitos emanados pelo salmista Davi, em seu salmo 37,(O fim dos maus e o fim dos bons) quando em sua sabedoria assim nos orienta:


“Não se aborreça por causa dos maus, nem tenha inveja dos que praticam o mal. Pois eles vão desaparecer logo como a erva, que seca; eles morrerão como as plantas que murcham. Confie em Deus, O Senhor, e faça o bem e assim more com toda a segurança na Terra Prometida. Que a sua felicidade esteja com no Senhor! Ele lhe dará o que o seu coração deseja... Dentro de pouco tempo, os maus desaparecerão, você poderá procurá-los, porém não os encontrará.... O Senhor Deus salva do perigo os que são bons e os protege em tempo de aflição. O Senhor os ajuda e livra; e, porque eles procuram a sua proteção, ele os salva dos maus.”

Portanto, estamos convictos da profundidade dos conceitos emanados, pois são frutos de um trabalho árduo, profícuo de observação e experiência profissional, inerentes aos autores de "Uma Busca Iniciática", concedendo-nos uma oportunidade de ingressarmos em uma reflexão consistente, alegre e possível de alcançar.
Por fim, agradeço ao GADU a permissão de lê o livro "Uma Busca Iniciática" numa linguagem de fácil assimilação aos corações que busquem a Verdade.
Quem duvidar, é só estudar o compêndio acima citado.

Bom trabalho!
Do irmão maçom
Walter

Referências:
- Uma Busca Iniciativa - o desenvolvimento espiritual no ser humano - AGRIMONTE
- Bíblia - Sociedade Bíblica do Brasil - ano 2008 - Impresso na Gráfica da Bíblia.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Sobre os Primórdios da Maçonaria

Sobre os Primórdios da Maçonaria
Ir. Raimundo Rodrigues


Como estudioso da filosofia, sabemos, de há muito, que Vico é o pai da "Filosofia da História", estereotipando-a com princípios de uma ciência nova.
Sabemos mais que a "Filosofia da História" é, ainda agora, dominada por conceitos metafísicos, que dificultam a compreensão dos leigos no assunto.
Vejam bem: falamos em conceitos metafísicos e, não, em "Conceitos Invencionistas". O verdadeiro historiador não inventa nada!

Aliás, a "Filosofia da História" surge já no século XVIII, quando se chegou à conclusão de que, do conjunto dos fatos históricos, se poderia tirar uma lei geral do desenvolvimento da humanidade. Daí por que, pensamos nós, os historiadores maçônicos podem mesclar seus trabalhos com considerações gerais acerca da marcha evolutiva dos acontecimentos maçônicos.
Isto, porém, não significa que alguém tenha o direito de sair por aí "fabricando" uma história que lhe saia da imaginação, buscando dar-lhe contornos de História verdadeira.
De nossa parte, fazemos questão de gritar aos quatro ventos que não somos e nem temos pretensões de chegar a ser historiador. Somos, isto sim, aquele pesquisador que se interessa pela verdade histórica.

Se a História não aceita invencionices, a filosofia não admite mentiras. Desculpem-nos a força do termo.
O certo é que se dizemos que a Maçonaria nasceu com os Essênios, ou com os Templários, ou com os Collegia Fabrorum, estaremos afirmando algo que não podemos provar, logo, podemos estar difundindo alguma coisa que seja pura invencionice.

Se a História e a "Filosofia da História" não admitem inverdades, o que dizer, então, da Maçonaria?
O que desejamos deixar bem claro é que só podemos falar em Maçonaria Antiga, quando pudermos escudar-nos em documentos fidedignos.

O mais antigo documento que se conhece da chamada Maçonaria Antiga, ou Operativa, ou de Ofício é o Poema Régio, que é de 1390, portanto, século XIV. Tudo o que se disser anterior a essa data não passa de pressuposição.
É mister nos acautelemos com as invencionices de quem não teve ou não tem coragem de investigar, de buscar a verdade através de documentos que mereçam fé. Há muita gente que vai atrás do ouvi dizer.

A verdade é que ainda há escritores Maçons que propagam que a "origem da Maçonaria" se perde nas "névoas da Antigüidade".

Nenhum pesquisador honesto embarca na canoa furada daqueles que teimam em afirmar que a Sublime Instituição existe há milhares de anos. Só os "inocentes" podem acreditar na absurda afirmação de Anderson, no seu primeiro livro das "Constituições", de que – Adão – nosso primeiro pai, criado à imagem e semelhança de Deus, devia ter possuído as ciências liberais, principalmente a geometria, escritas em seu coração. Baseado nisto, ainda hoje, há quem ensine que a Maçonaria tem seu início no Paraíso terrestre.
Jean Palou reconhece que as origens da Maçonaria estão muito longe de serem claras e não poderia ser de outra forma, e acrescenta: "Anderson faz remontar a Franco-Maçonaria a Adão, sem dúvida por não poder ir mais longe e por lhe faltar a ousadia de atribuí-la ao próprio Jeová".
É evidente que a falta de documentos e registros dignos de crédito, envolve a Maçonaria numa penumbra histórica, o que faz com que os fantasistas, talvez pensando em engrandecê-la, inventem as histórias, sem pé nem cabeça, sobre os primórdios de sua existência.

Há aqueles que ensinam que ela teve início na Mesopotâmia, outros confundem os movimentos religiosos do Egito e dos Caldeus como sendo trabalhos maçônicos. Há escritores que afirmam ser o Templo de Salomão o berço da Maçonaria.
O que existe de verdade é que a Maçonaria adota princípios e conteúdos filosóficos milenares, que foram adotados por instituições como as "Guildas" (na Inglaterra), Compagnonnage (na França), Steinmetzen (na Alemanha). O que a Maçonaria fez foi adotar todos aqueles sadios princípios que eram abraçados por instituições que existiram muito antes da formação de núcleos de trabalho que passaram à história como o nome de Maçonaria Operativa ou de Ofício.

O Irm:. Darley Worm, em excelente trabalho intitulado "Nuvens Preocupantes nos Horizontes da Maçonaria", assinala com muita propriedade que "Para obtermos a idade da Maçonaria, temos de distinguir a Instituição, dos seus conteúdos, estes sim, milenares, conforme alguns autores; eternos, segundo outros... Os conteúdos que a Maçonaria assumiu, já eram milenares quando Salomão nasceu na casa de Davi e é puro delírio febril alguns historiadores falarem em Maçonaria Arcaica, Antiga ou Arqueológica. Os conteúdos com que lidamos hoje, já eram veneráveis para as Escolas de Mistérios (Elêusis, etc.), para os teosofistas, para os rosacruzes, para os gnósticos, para os alquimistas, para os Collegia Fabrorum; ainda que tenham um grande número de pontos em comum mas... nem Pitágoras, nem Jesus, nem Platão, etc., eram Maçons, pela simples razão de que a Maçonaria (como Instituição) nem havia sido criada".

De algum tempo para cá, após a criação da Loja de Pesquisas Maçônicas "Brasil", de Londrina, têm surgido historiadores e pesquisadores Maçons que se têm dedicado, de corpo e alma, como lá se diz, à busca de documentos primários ou secundários que possam trazer luzes aos mistérios que envolvem a Maçonaria primitiva.

Frederico Guilherme Costa, historiador maçônico de primeira água, no seu livro "Maçonaria na Universidade-2", diz que "O conjunto de organizações de Ofício, principalmente medievais, são conhecidas com o nome de Maçonaria Operativa ou de Ofício. Sempre existiram, no passado remoto, associações de operários ligados à arte de construir, mas não eram organizadas na forma das futuras corporações com sentido corporativista. Alguns autores sustentam o ponto de vista de que a primeira associação organizada por rígidos estatutos, foi as dos Collegia Fabrorum romanas criadas no séc. VI a. C.. Na antiga Roma os colégios representam corporações profissionais tidas como fundadas por Numa Pompílio. Apesar de alguma semelhança dos costumes dos colégios com a futura Maçonaria do período operativo, nada nos autoriza a identificação destes colégios com a futura Ordem Maçônica, sequer como paradigma".
Frederico Guilherme Costa, depois de muita pesquisa, chega à conclusão honesta de que sequer se pode tomar os Collegia Fabrorum como modelo, quando se pensa em Maçonaria Operativa.

Já outros escritores, não historiadores, afirmam doutoralmente que os Collegia Fabrorum são a base onde repousa a Maçonaria Operativa.

É certo que os historiadores e os pesquisadores conscientes se baseiam, acima de tudo, nas Old Charges.
As mais citadas pelos bons autores são:
* Manuscrito de Halliwell ou Regius, séc. XIV
* Manuscrito de Cooke, séc. XV
* Manuscrito de William Watson, séc. XV
* Manuscrito de Tew, séc. XVI
Sabe-se que existem, na Grã-Bretanha, cerca de 87 manuscritos de Old Charges.
Seria, realmente, o Poema Régio, também chamado de Manuscrito de Hallliwell o mais antigo documento da Maçonaria de Ofício?

Os melhores autores, a aqueles em quem podemos confiar, dizem que sim. Citaremos apenas dois, para não nos alongar em demasia.

Le document authentique le plus ancien date, lui, des annés 1390-1400; c’est le fameux Peème Maçonnique connu également sous les noms de Manuscrit Regius (Royal) ou Manuscrit Halliwell, (du nom de son prémier éditeur)... (Serge Hutin, in "Les Francs Maçons", Collections Le Temps qui Court – Éditions du Seuil – Paris, p. 53). *

O mais antigo texto é o Regius, manuscrito real, como seu nome o indica conservado no Museu Britânico de Londres... o Regius dataria dos anos 1388-1445 (Jean Palou, "A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática", Ed. Pensamento, tradução do francês, edição de 1964, São Paulo, p. 33).
Pode-se supor que as Confrarias Alemãs de Construtores, cujas mais antigas eram a de Magdebourg, criada em 1211 e a de Colônia, criada por volta de 1250, fossem organizações maçônicas. Vejam que dissemos ...pode-se supor.
É certo que a maior dificuldade que se põe diante do pesquisador honesto é a falta de documentos primários que lhe atestem a existência, em determinada época, da instituição pesquisada.
Muitos documentos primários se perderam na poeira inexorável do tempo. Muita coisa deixou de ser escrita porque era preciso estabelecer a lei do silêncio, como um meio de autodefesa das confrarias.
Quais seriam os segredos do Maçom operativo?
Cremos que eram segredos exclusivamente profissionais, guardados com rigor, sobre a arte de construir. É bem de ver-se que, na Idade Média, só se conhece um tratado de arquitetura, totalmente incompreensível aos que não fossem grandes conhecedores do assunto.

Finalmente, para que se entenda a razão por que muitos documentos desapareceram, vamos transcrever, numa tradução nossa, o que diz Serge Hutin, no seu "Les Francs-Maçons", pág. 53:
A raridade de documentos maçons, anteriores à Maçonaria especulativa, explica-se, sem dúvida, pelo auto-de-fé realizado em 24 de junho de 1719, pelo pastor Desaguliers, então o Grão-Mestre da Grande Loja da Inglaterra. Este pastor protestante resolveu destruir todos os documentos que, a seu ver, estivessem impregnados de "papismo" e, assim, dissimular as alterações que ele já havia feito nas regras fundamentais da Maçonaria.
E quantos e quantos documentos antigos não teriam sido destruídos pela ignorância ou pela má fé?
Precatemo-nos, todos os que amamos a verdade histórica, com as afirmações e ensinamentos que não se estruturem em documentos que mereçam fé.
Não nos esqueçamos, jornalistas, articulistas, escritores, historiadores que verba volant sed scripta manent.
* O documento autêntico mais antigo data dos anos de 1390-1400; é o famoso poema maçônico conhecido igualmente sob os nomes de Manuscrito Regius (Real) ou Manuscrito Halliwell, (nome de seu primeiro editor)...





BIBLIOGRAFIA
1. COSTA, Frederico Guilherme. "Maçonaria na Universidade-2". Londrina: "A TROLHA", 1996.
2 HUTIN, Serge. "Les Francs-Maçons". Paris: Éditions du Seuil, 1976.

3 PALOU, Jean. "A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática". trad. do Francês. São Paulo: Pensamento, s/d.
4 PETERS, Ambrósio. "O Manuscrito Régio e o Livro das Constituições". Londrina: "A TROLHA", 1997.
5 VAROLI FILHO, Theobaldo. "Curso de Maçonaria Simbólica". 1º Tomo (Aprendiz). São Paulo: "A Gazeta Maçônica", 1976.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

A FORMAÇÃO DO APRENDIZ MAÇOM

A FORMAÇÃO DO APRENDIZ MAÇOM
Antonio Rocha Fadista, MI


QUESTÕES

- O QUE É RITO MAÇONICO?
- QUAIS OS RITOS RECONHECIDOS PELAS POTÊNCIAS NO BRASIL?
- QUAL A ORIGEM DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO – REAA?
- QUAIS OS CARGOS EM LOJA, NO REAA?
- QUAIS AS ATRIBUIÇÕES DOS DIVERSOS CARGOS EM LOJA?
- PODEM OS AApr.’. e CComp.’. OCUPAR CARGOS EM LOJA?


RESPOSTAS

1. - RITO MAÇÔNICO

É o conjunto de regras e preceitos com os quais se praticam as cerimônias e são comunicados os sinais, os toques, as palavras, e todas as instruções secretas dos Graus.
Cada Rito tem a sua autoridade reguladora e sua hierarquia própria, e os atos emanados de seus dirigentes são obrigatórios apenas para os maçons que o praticam.
Os Ritos são dirigidos com total independência e separação, uns dos outros, por um Corpo Superior ou Oficina Chefe do Rito. No caso do Rito Escocês Antigo e Aceito, o nome deste Alto Corpo é Supremo Conselho do Grau 33.


2. - RITOS RECONHECIDOS PELO GOB, PELAS GRANDES LOJAS E PELO GOI

- Rito Escocês Antigo e Aceito – REAA
- Rito Moderno ou Francês
- Rito de York
- Rito Adonhiramita
- Rito Brasileiro
- Rito de Schroder

3. - ORIGEM DO RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO – REAA


Este Rito é composto por trinta e três Graus, sendo três os Graus Simbólicos e trinta (do quatro ao trinta e três) os Graus Superiores ou Filosóficos.
Na história deste Rito encontram-se originalmente sete Graus, depois vinte e cinco, trinta e dois e, finalmente, trinta e três.
Em 1751 alguns Irmãos se separaram da Grande Loja de Londres e fundaram uma Grande Loja rival, sob a constituição da Loja de York. Estes dissidentes deram à Grande Loja de Londres o nome de Grande Loja dos Modernos, e deram para si o nome de Grande Loja do Regime (ou Rito) Escocês Antigo. Mais tarde, tendo sido reconhecidos pelas Grandes Lojas da Escócia e da Irlanda, eles acrescentaram à palavra Antigo a expressão “e Aceito”. Esta é a origem do nome Rito Escocês Antigo e Aceito, cuja origem está situada na França, nas Lojas fundadas pelos adeptos dos escoceses Stuart destronados na Inglaterra.


- OS CARGOS EM LOJA, NO REAA


Venerável Mestre - Primeiro Vigilante - Segundo Vigilante – Orador – Secretário – Tesoureiro – Chanceler - Mestre de Cerimônias – Hospitaleiro - Primeiro Diácono - Segundo Diácono - Primeiro Experto - Segundo Experto - Cobridor Interno - Cobridor Externo - Porta-Estandarte - Porta-Bandeira - Porta-Espada - Mestre de Harmonia -Mestre de Banquetes – Arquiteto.
Normalmente, possuem Adjuntos os cargos de Orador, Secretário, Chanceler, Tesoureiro, Hospitaleiro e Mestre de Cerimônias. Algumas Lojas podem ter também o 3º Experto.


- ATRIBUIÇÕES DOS CARGOS, NO REAA


Venerável Mestre: como líder de seus Irmãos, compete-lhe dirigir a Loja, com serenidade, equilíbrio e senso de justiça. Como principal órgão administrativo da Oficina, nomeia membros da administração e comissões, fiscaliza a escrituração da Loja, inicia e confere Graus, procede à apuração de qualquer eleição ou escrutínio, decide questões de ordem, destina os papéis a ele encaminhados, assim como o expediente da Secretaria, assina o Livro de Atas, distribui sindicâncias, encerra o Livro de Presença, autoriza despesas ordinárias, apresenta relatórios de sua Administração, organiza e controla as discussões dos assuntos em pauta, com o máximo de isenção, mas com pulso firme.

1º Vigilante: além de substituir o Vem.’. Mestre em seus impedimentos e faltas, dirige a sua Coluna de obreiros, transmitindo as ordens do Venerável aos obreiros e ao 2º Vigilante, e encaminhando ao Venerável as informações do 2º Vigilante e dos outros obreiros (Cobridor, Hospitaleiro, Mestre de Cerimônias). Também pede ao Venerável a palavra para os obreiros de sua Coluna, dá-lhes as instruções e solicita aumento de salário para os Companheiros.

2º Vigilante: substitui o Venerável durante o impedimento concomitante deste e do 1ºVigilante. Substitui o 1º Vigilante, dirige os obreiros de sua Coluna, solicitando a palavra para eles, dando-lhes as instruções e solicitando aumento de salário dos Aprendizes.

Orador: como guarda da lei e representante do Ministério Público Maçônico, deve zelar pelo fiel cumprimento da Constituição e das leis, coibindo e denunciando, se for necessário, os eventuais abusos. Verifica a regularidade dos documentos, lê leis e decretos, dá as suas conclusões, exclusivamente do ponto de vista legal, sobre qualquer proposta, e produz as peças de arquitetura nas solenidades.


Secretário: redige as atas, procede à sua leitura e, depois da aprovação, as assina juntamente com o Venerável. Trata da expedição e recebimento de toda a correspondência, expede convites para as Sessões, passa certificados e certidões, organiza o Quadro de Obreiros, faz todas as comunicações solicitadas pelo Venerável ou pela Oficina, guarda e mantém em dia os livros de atas dos três Graus, além do livro de eleições e de matrícula dos Obreiros.

Tesoureiro: arrecada as receitas da Loja, pagando todas as despesas. Mantém o livro caixa em dia e apresenta um balanço, pelo menos a cada semestre. Funciona como depositário dos metais recolhidos pelo Hospitaleiro, apresenta no início do ano fiscal a proposta orçamentária, e zela pelo patrimônio financeiro da Loja.

Chanceler: é o depositário do timbre e do selo da Loja. Deve manter o livro de registro de todas as peças que tenha timbrado e selado. Mantém os Livros Negro e Amarelo. Zela pelo livro de presenças, que fica em sua mesa, e mantém o registro das presenças dos obreiros.

Mestre de Cerimônias: encarregado do cerimonial deve acompanhar todos os que se deslocam em Loja (com exceção dos Diáconos e do Hospitaleiro). Faz parte de todas as Comissões que introduzem autoridades e visitantes ilustres. Faz circular a Bolsa de Propostas e Informações, faz assinar, a quem de direito, a ata da sessão anterior e demais papéis que devam ser assinados. Conta os votos dos obreiros presentes, anuncia ao Venerável o resultado da votação, e apresenta o livro de presença aos retardatários.

Expertos: compete-lhes substituir os Vigilantes, desempenhar nas iniciações as funções contidas nos Rituais, e auxilia o Cobridor no telhamento de visitantes.
Hospitaleiro: faz circular a Bolsa do Tronco de Beneficência, ou de Solidariedade, cuida de toda a parte assistencial da Loja, propondo auxílios e zelando para que não sejam desvirtuados. Visita os obreiros enfermos, mantém um livro de receita e despesa e organiza o balanço semestral.

Cobridores (Interno e Externo): compete-lhes zelar pela segurança interna e externa do Templo, certificando-se da qualidade maçônica de todos os que se apresentem à porta do Templo. Devem também evitar que os obreiros abandonem o Templo sem a devida permissão do Venerável.

Diáconos: tratam da ornamentação e da preparação do Templo para as Sessões, devendo tratar com o Tesoureiro tudo o que envolva despesas, mantendo o livro de carga, onde lançarão os objetos a seu cargo.

Porta Bandeira: conduz, nas Sessões designadas, o Pavilhão Nacional, de acordo com o protocolo das Obediências.

Porta Estandarte: compete-lhe guardar e conduzir o estandarte da Loja, que deverá ficar guardado em um escrínio; só quando a Loja é declarada aberta é que ele alça o Estandarte, colocando-o depois em lugar bem visível, no Oriente. Quando a Loja é declarada fechada, ele recolhe o Estandarte e guarda-o

Mestre de Harmonia: deve cuidar de toda a trilha musical das Sessões tanto as eminentemente maçônicas quanto as abertas ao público (brancas), zelando também pela manutenção dos aparelhos de som necessários ao desempenho do seu cargo.

Mestre de Banquetes: compete-lhe promover os ágapes fraternais, bem como as Lojas de Mesa solsticiais (banquetes ritualísticos), providenciando tudo o que for necessário.

6º - Tanto os Aprendizes quanto os Companheiros não podem ocupar cargos em Loja. Somente quanto na falta de Irmãos do quadro é que poderão ser substituídos por Companheiros ou Aprendizes os seguintes cargos: Mestre de Harmonia, Experto ( sem entrar no oriente ) e Arquiteto.

Rio de Janeiro, 4 de maio de 2002
Antonio Rocha Fadista – M.’.I.’.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Diálogos com Têmis


Diálogos com Têmis



Denival Francisco da Silva *



Têmis, o que temes, em tempos de tamanho destemor?




- Temo a arrogância que aporta o coração dos que ascendem ao poder.

- Temo a perda da virtude, como a cupidez de estribilho.


- Temo o falso encanto, pura ilusão que entorpece corações vazios.

- Temo o engodo, quimeras a abrasar o espírito desprovido.

- Temo a epopéia de discursos inflamados com seus sons distorcidos.


- Temo a fraqueza dos fracos e a valentia dos fortes a sucumbi-los.

- Temo a algazarra da fama, lantejoulas que se apagam a falta de luz.

- Temo a ausência de contrapesos nos pratos da balança que sustento.

- Temo o afoito, o incauto, o antiético, o desleal, e o de coração duro.


- Temo a ignorância daqueles que podiam, mas não querem dela se livrar.

- Temo o silencia e quem em muito a dizer, mas não tem como soltar a voz.

- Temo a miséria que é desvelada aos olhos dos homens, mas encoberta aos seus sentimentos.


- Temo a alegria de quem se ilude com pouco, porque vive do nada que se tem.

- Temo a avareza e o desperdício, e tudo que se poderia melhor aproveitar.


- Temo a mim, de olhos por outros vendados e que a muito quero enxergar.


* Juiz de Direito em Goiânia (GO) e autor do livro Poemas iniciais em forma de Contestação. Editora Kelps. (www.kelps.com.br)
Gravura: Têmis Chorando, texto e gravura copiado do Blog Gerivaldo Neiva.

Antes da caridade

Antes da caridade


"Quando a bondade se mostra já não é bondade, embora possa ser útil como caridade ou solidariedade. Daí 'Não dês as tuas esmolas perante os homens, para seres visto por eles'. A bondade só pode existir quando não é percebida, nem mesmo por aquele que a faz; quem se veja a si mesmo no ato de fazer uma boa obra deixa de ser bom; será, no máximo, um membro útil da sociedade (…)."




Ocorreu-me Hannah Arendt quando soube pelos jornais que o segundo homem mais rico do mundo iria doar parte do seu dinheiro (não, como Álvaro de Campos, aquele que dá do bolso onde tem menos, mas o do bolso onde tem mais) à fundação do homem mais rico do mundo. O multimilionário Warren Buffet, que acumulou qualquer coisa como 44 mil milhões de dólares, entregará 85% dessa fortuna à Fundação Bill e Melinda Gates. Buffet é, sem dúvida, um homem caridoso que não se deixou aprisionar para sempre pela vertigem do lucro (nem com os piedosamente hipócritas propósitos de criar riqueza ou postos de trabalho), mas a bondade é provavelmente outra coisa. Não vem nos jornais nem se anuncia e, se calhar, é mais motivo de desassossego e dor do que de auto-satisfação. E, se o mundo precisa de caridade, talvez (mas que sei eu?) precise ainda mais, muito mais, de bondade.



(Notícia não assinada, publicada no Jornal de Notícias online em 11/07/2006)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Um poema escrito por um Aprendiz

Um poema escrito por um Aprendiz - vale a pena ler

Esculpido foi aquele templo
No tempo de Salomão.
Como que pedra cúbica sobre pedra cúbica,
Cada pedra, cada ponta,
Aponta-me um novo mundo:
- O Templo de Salomão!
Oh! Como são belas as colunas... Ícones da maçonaria!
A fraternidade universal
Da beleza, da força e da sabedoria.
Romãs, acácias e labirintos,
Mágicos modelos templários.
Todos os nossos instintos,
enigmas
Dogmas de Zoroastro
Antigos e novos calendários.
Harmônicos e eternos rosa-cruzes,
Misteriosos, entrelaçados.
Todas as raças do mundo
Em uma só igualdade.
Herdeiros de Alexandria
Livro da lei:
Velho e Novo testamento
Palavras de Salomão
- Façam de mim o teu instrumento.
Ensinam-me a caminhar ao topo da escadaria
Régua e compasso... Geometria!
Somente corações puros
Progridem na maçonaria.
Oh! Como é fantástico adentrar ao templo:
- É saborear o gozo do crepúsculo de cada manhã,
- É aprender filosofia, arquitetura e sabedoria,
- É ouvir de nossos mestres: "A lenda de Hiram".
Salomão!
Símbolo máximo da ciência e sabedoria suprema.
Hiram!
Arquiteto, governador da ordem e da justiça.
Assassinato foi sua sentença
Venerado combatente
Sublimes segredos
Relatos e poemas.
Só decifro em Pitágoras
Seus pentagramas e teoremas,
Porque...
Há um olho no céu:
Atravessa-me,
Impulsiona-me
Aperfeiçoa-me... Cada aresta!
Transforma-me... Um fiel irmão!... (prontidão).
Ventanias entre universos
Virtudes, razões, cantos paralelos,
Como se neles sempre existissem:
... Versos!
Transparência,
É a corrente de aprendizes
Despidos do medo
E isentos de profanas insígnias.
Inteligência,
São os companheiros e os mestres
Interligados.
Brilho em Vênus
Raio de sol
Chaves astronômicas e retilíneas.
Nada é mais belo
Que a verdade.
Busco o princípio,
O começo!
Vasculho origens
Luz e vida,
Sonhos e silêncio.
O mundo é esse,
Assim como o vemos em nossa frente?
Cinzel, malhete, acertos, erros e ilusões?
Ou é o passado que retorna,
Simplesmente?
Não!
Não estamos sonhando,
Não criamos ilusão.
Nós arquitetamos,
Revolucionamos,
Reconstruímos pontes
Dentro de cada coração.
- Reconstruímos juntos:
"O Templo de Salomão".

Autor: Wlidon Lopes da Silva
Quadro do pintor Botticelli, retratando Santo Agostinho.

O QUE SE FAZ EM LOJA

O QUE SE FAZ EM LOJA

Talvez a pergunta que mais vezes não maçons fazem a maçons seja: "afinal o que é que os maçons fazem nas reuniões?". Subjacente a esta pergunta está, muitas vezes, o pressuposto de que os maçons certamente levam a cabo secretas, mirabolantes e tortuosas atividades. Como todos os pressupostos infundamentados, que assim mais não são do que preconceitos, este não se aproxima, sequer minimamente, da realidade, que é muito mais simples e prosaica.


Há duas partes das reuniões de uma Loja Maçônica que são sempre fixas e iguais: a abertura e o encerramento, que se processam executando os respectivos rituais. São sempre as mesmas palavras, gestos e atos, que se repetem, reunião a reunião.
Com o ritual de abertura, efetuam a transição entre a vida exterior, os afazeres pessoais e profissionais de cada um, e o labor de um grupo restrito, focado e fraternal. Assim se processa a concentração de todos e de cada um no trabalho que se vai realizar. Assim se cria a atmosfera de concentração, confiança e harmonia que deve envolver os trabalhos que se vão efetuar na reunião.


Com o ritual de encerramento, efetua a transição entre os trabalhos realizados e o prosseguimento da vida em sociedade. Assim se efetuar o processo de retorno à vida do dia a dia. Assim se relembra que se vai sair de um círculo restrito, onde impera a confiança e a harmonia, rumo ao cadinho social onde todos nos inserimos, com todos os seus desafios, conflitos e necessidade de se estar com as defesas em guarda.


Entre os dois rituais, de abertura e encerramento, processa-se a verdadeira reunião, que pode, basicamente, ter como objeto trabalho ritual (iniciação de profano, passagem ou elevação de maçons a graus mais adiantados), trabalho de formação (apresentação e discussão de pranchas), trabalho administrativo (organização interna da Loja, arquivos, quotas, etc.) ou trabalho organizativo (de projetos ou atividades em curso ou a levar a cabo).

O trabalho ritual efetua executando, em palavras, gestos e atos, o ritual da cerimônia que se realiza. Cada um dos Oficiais de Loja tem uma função determinada, que executa. Quem não tem intervenção na execução do ritual, seja em que qualidade for, assiste.

O trabalho de formação consiste na apresentação e discussão dos variados trabalhos que os maçons efetuam. Em regra, textos, mas podendo ser trabalhos de outra natureza: música, pintura ou escultura, construção de artefatos, trabalhos fotográficos ou audiovisuais, enfim, tudo o que um maçom se tenha sentido com capacidade para criar e que possa contribuir para o seu aperfeiçoamento e o de seus Irmãos. Com este tipo de trabalho, busca-se atingir o objetivo primeiro dos maçons: melhorar, aperfeiçoar-se, crescer intelectual, moral e espiritualmente.

O trabalho administrativo é o mal necessário, a execução das tarefas que bem gostaríamos de não precisar fazer, mas que têm que ser feitas: determinar e debater todos os aspectos organizativos da Loja; tomar conhecimento da correspondência e providenciar quanto a ela; tomar conhecimento de comunicações de outras Lojas e da Grande Loja e determinar as providências a tomar; providenciar quanto ao arquivo, ao quadro de obreiros, à vida financeira e econômica da Loja. Embora haja Oficiais cuja função é assegurar a execução diária das tarefas desta natureza (o Secretário, o Tesoureiro, o Arquivista), vai havendo necessidade de algumas decisões serem tomadas pela Loja ou de a Loja ser informada das decisões tomadas pelos Oficiais e dos procedimentos e escolhas por estes efetuados.

Finalmente, o trabalho organizativo é aquele cujos resultados podem ser apreendidos exteriormente à Loja. Por vezes, apenas nas famílias e amigos dos obreiros da loja, por vezes em círculos mais amplos ou na sociedade em geral. Ao longo do ano, as Lojas organizam diversos eventos, desde reuniões, passeios ou visitas, a organização de colóquios, conferências ou debates, desde efetivação de campanhas de recolha de fundos para solidariedade a campanhas de efetivação direta de atos de solidariedade. No caso da Loja Mestre Affonso Domingues, esta tem efetuado, com regularidade, ações de doação de sangue, por vezes isoladamente, por vezes em colaboração com um grupo de escoteiros, organiza anualmente um leilão para recolha de fundos, procede à entrega de bens, adquiridos com os fundos obtidos, que a associação ou associações de solidariedade em cada momento apoiadas(s) indiquem como sendo os que maior utilidade no momento lhe(s) trazem, efetua contactos e visitas a outras Lojas e organiza a recepção a outras Lojas (particularmente em relação às duas Lojas com que está geminada, a Fraternidade Atlântica, da GLNF, e a Rigor, da GLLP/GLRP, organiza e efetua viagens e visitas a monumentos, museus e outros locais de interesse histórico, monumental, artístico ou cultural (nos últimos anos, e a título de exemplo, o Mosteiro da Batalha, o Convento de Cristo, a Zona Histórica de Santarém, Castelo Rodrigo, a Sinagoga de Lisboa), entre outras atividades e iniciativas, muitas vezes com início no voluntarismo de algum Irmão, que os demais acompanham, auxiliam ou em que colaboram.


Como se vê, o que se faz em Loja é muito mais prosaico do que concebe a imaginação, por vezes demasiado fértil, de quem está de fora. No fundo, em Loja faz-se o que se faz em qualquer outra agremiação: trata-se da organização interna, da prossecução dos objetivos próprios e cuida-se dos eventos que se leva a cabo.

O principal objetivo da Maçonaria é o aperfeiçoamento individual dos seus membros, fazer de homens bons homens melhores e, pelo reflexo desses aperfeiçoamentos individuais, contribuir para a melhoria da Sociedade. Cada reunião é mais um passo nessa caminhada, uma gota de suor nesse esforço, um tijolo nessa construção.


Desapontadoramente simples e normal, talvez. Talvez dessa simplicidade e normalidade decorra a dúvida de que efetivamente seja SÓ assim. Percebo e compreendo o cepticismo que, afinal, radica num tácito elogio à Maçonaria. Esse cepticismo decorre da perplexidade: "Mas afinal se é só isso que se faz nas reuniões de Loja, o que torna a Maçonaria tão especial, qual o cimento que liga os seus membros, o que os faz retirar tempo às suas famílias, aos seus negócios, aos seus afazeres e ócios, para irem fazer só isso?"

A resposta não está tanto no que se faz, mas em COMO se faz e PORQUE se faz.


In Blog "A Partir Pedra" - texto de Rui Bandeira (29.01.08)