sexta-feira, 27 de novembro de 2015




                                                  A “HIPÓTESE DEUS”
                           
Não faz muito tempo que os cosmologistas começaram a aceitar a possibilidade de que o universo pode ser uma estrutura perfeitamente planejada e que ele está sendo construído de certo modo. A crença de que ele era estático e igual em toda parte passou a ser substituída pela ideia de um “ser” em constante evolução, onde as leis naturais funcionam como uma espécie de “constituição” reguladora desse processo. Nesse sentido, esses cientistas começaram até a considerar a possibilidade da chamada ‘Hipótese Deus”, admitindo finalmente a existência de uma Mente Universal na origem desse planejamento. Essas constatações tem sido facilitada pelos próprios métodos científicos utilizados por esses estudiosos em suas investigações, que mostram, na organização estrutural da matéria física, uma perturbadora semelhança com a organização do próprio universo em sua estrutura cósmica. Com essas coincidências, perfeitamente prováveis por medições científicas, já não é mais possível admitir, de pleno, que o universo seja regido unicamente por leis mecânicas, sem uma Vontade a organizar esse processo, como antes se admitia no meio científico. Laplace, por exemplo, dizia que Deus era uma hipótese perfeitamente desnecessária. Mas quando se olha a estrutura de um átomo e a estrutura de um sistema planetário, não se pode deixar de perceber a estreita semelhança entre as duas. É nesse sentido que a pesquisa da estrutura da íntimo da matéria tem revelado aos cientistas o segredo da constituição do universo, e nele cada vez mais se nota a presença de uma “Vontade” que o governa.     Hoje se sabe que o universo é constituído de tal modo que é difícil, se não impossível, não pensar em uma ordem natural a gerir o processo da sua formação. Essa constatação é feita pelo fato de que se pode reconhecer, no processo de geração da matéria universal, a existência de três funções que seriam impossíveis de ser encontradas em uma ordem puramente mecanicista: a complexidade, que permite aos elementos componentes da matéria física se organizar em graus de complexidade cada vez maiores; a mutabilidade, que permite a mudança gradativa de suas composições e a perenidade, que admite a mudança de sua estrutura sem, no entanto, eliminar as propriedades particulares de seus componentes. Tudo isso só é possível na existência de um Sistema perfeitamente planejado, como bem o definiu Mallowe.[1]

         


     Em um de seus mais interessantes trabalhos, o físico Stephen Hawking situa o início do tempo no momento de nascimento do universo conhecido, momento esse chamado de big-bang.[2] Assim, o tempo, para os cientistas, começou junto com o espaço, e por isso ele sempre é representado por duas linhas que começam em um ponto zero e se alongam na mesma proporção, em setas orientadas em duas dimensões: a dimensão do tempo, que nos faz pensar em eternidade e a dimensão do espaço, que nos faz pensar em infinidade.
       
     Quando se começa a especular sobre esse tema, surge a intrigante pergunta: Se foi Deus que fez o universo, o que Ele era e o que fazia antes de começar a fazê-lo? Ele já existia antes disso? Ou Ele “nasceu” junto com o universo?
     “Há cerca de 15 bilhões de anos”, escreve Hawking, “ todas (as galáxias) teriam estado umas sobre as outras, e a densidade teria sido enorme. Esse estado foi denominado átomo primordial pelo sacerdote católico Georges Lemaiter, o primeiro a investigar a origem do universo que agora chamamos de big-bang.” A partir desse momento, segundo essa tese, o universo, que estava contido nessa região extremamente carregada de energia, tornou-se uma imensa bolha de gás que nunca mais deixou de se expandir.[3]                                           
A Bíblia, ao registrar esse fato não é menos metafórica e misteriosa do que os compêndios científicos que procuram explicar como o universo nasceu. Ela fala que “no início Deus criou o céu e a terra. A terra, porém, estava informe e vazia e as trevas cobriam a face do abismo.” E então, do meio ás trevas Deus fez sair a luz. E Deus viu que a luz era boa e por isso a separou das trevas.[4]
O texto bíblico parece sugerir que Deus já existia antes de começar a fazer o universo. Assim, Ele não pode ser o universo, como sustentam os adeptos do panteísmo, que identificam Deus com a sua própria criação, como se esta fosse algo capaz de existir por si própria.[5]
A Bíblia identifica Deus como “o Espírito que movia-se sobre as águas.” Expressão enigmática que nunca pode ser explicada a contento dentro da lógica comum, já que, se o mundo ainda era pura trevas e a terra era informe e vazia, que “águas” eram essas sobre as quais o Espírito de Deus se movia? Pois, ao que parece, elas já existiam antes de Deus separar a luz das trevas. Assim, a Bíblia nos dá uma identificação e uma ideia do que era Deus antes de começar o mundo: Ele era “Espírito”, seja qual for o significado que o cronista bíblico quisesse dar á essa expressão. Mas não responde á segunda pergunta: O que Ele fazia antes de começar o mundo?
Essas especulações se tornaram tão intrigantes que os próprios rabinos israelenses, produtores e comentadores da Bíblia, tiveram que quebrar a cabeça para responder á multiplicidade de perguntas que surgiram a esse respeito. Foi então que nasceu, entre os mestres cabalistas, a chamada Grande Assembleia Sagrada, que se refere a um grupo de rabinos dedicados ao estudo da personalidade do Ser Supremo, sua natureza e seus atributos. Das especulações produzidas por esse grupo surgiu a chamada Siphra Dtzenioutha, conhecido como o “Livro do Mistério Oculto”, parte mais misteriosa do Sepher há Zhoar, a bíblia cabalista. [6]

Para responder á intrigante pergunta de quem era Deus e o que fazia antes de começar a fazer o universo físico, esses estudiosos criaram os conceitos de “Existência Negativa” e “Existência Positiva” termos utilizados pelos cultores da Kabbalah mística para designar Deus “antes” e “depois” de fazer o mundo. Nesse sistema, Deus (Ain em hebraico), é visto como uma forma de "energia" que em dado momento expandiu-se para fora de si mesmo, tornando-se o universo material (Ain Sof Aur- אין סוף). Esse termo, na Kabbalah, significa Luz Ilimitada. É a luz que se espalhou pelo nada cósmico, dando origem a tudo que existe. Essa visão mística do nascimento do universo, expressa no Livro do Mistério Oculto (Siphra Dtzenioutha), é definida com a misteriosa frase “antes que o equilíbrio se consolidasse, o semblante não tinha semblante[7].
Aqui está inserta a estranha idéia de que antes de fazer o mundo, ou seja, antes de Deus manifestar-se como existência no mundo das realidades sensíveis, Ele já existia como potência, que embora não manifesta, já continha todos os atributos do universo manifestado. Ele já era todas as coisas, que viviam uma “existência negativa”, na qual a mente humana não pode penetrar justamente porque ela só pode conceber um plano de existência positiva, onde as ações podem ser identificadas e suas causas recenseadas.
Agora, como capturar uma realidade que está além da nossa capacidade de mentalização? Sabemos que ela existe porque suas manifestações emanam para o plano da realidade sensível e é causa de fenômenos observáveis e mensuráveis. Quem sabe definir o que é a eletricidade, por exemplo? Sabemos como ela se manifesta, como atua e até já aprendemos a usá-la para as nossas finalidades, mas o que ela é nenhum cientista, ou filósofo, até agora, ousou afirmar.
“Antes que o equilíbrio se manifestasse, o semblante não tinha semblante” é uma forma metafórica de explicar aquilo que a nossa linguagem não consegue articular num discurso lógico. Então os cabalistas recorrem á metáfora, ou ao símbolo, para dizer que a criação divina já existia antes de existir. Ou seja, antes que o universo adquirisse uma forma, ele já estava na Mente de Deus, como presença sem forma, sem nome, impossível de ser pensado pela mente humana. Era o próprio Caos primordial, no dizer dos filósofos gnósticos, que ao “vazar” para além de si mesmo adquiriu uma organização. 
Deus já era antes de ser o universo. Ou como diz Rosenroth “o universo inteiro é a vestimenta da Divindade: Ele não apenas contém tudo, mas também Ele mesmo é tudo e existe em tudo”. Essa é outra maneira de dizer que Deus, em sua Existência Negativa, é o “Espírito que se move sobre as águas” e na sua “Existência Positiva”, ele é o próprio universo.[8]
Outra visão dessa realidade pode ser posta em forma de analogia, seguida de um símbolo mediato. Os cultores da Kabbalah mística dizem que “Deus é pressão”, e que sua manifestação no mundo das realidades fenomênicas tem a forma de um círculo cujo centro está em toda parte e cuja circunferência está em parte alguma. Sabemos que todo círculo tem um centro e uma circunferência. O centro é o ponto de onde ele emana e a circunferência uma corda que o limita. Dizer que o centro do círculo está em toda parte e que sua circunferência está em parte alguma é falar de um espaço que não começa em ponto algum e não acaba em lugar nenhum, uma dimensão sem início nem fim. Ou como diz MacGregor Mathers, “ O oceano sem limites da luz negativa não procede de um centro, pois não o possui. Ao contrário, é essa luz negativa que concentra um centro, a qual é a primeira das sefiroths, manifestas, Kether, a Coroa.”  [9]
 
Assim, essa idéia da divindade supre a necessidade que a mente humana tem de situar um início para o universo e imaginar, não um fim para ele, mas uma finalidade. Destarte, a dimensão da Existência Negativa é um momento anterior á qualquer manifestação da Divindade no terreno das realidades positivas, ou seja, um estado latente de potência concentrada em si mesma, que em dado momento cedeu á “pressão” interna da sua própria potencialidade e “gerou a si mesmo”. Figurativamente, o big-bang seria o “parto de Deus”, o qual, simbolicamente poderia ser representado por um ponto dentro do círculo, como o faz Madame Blavatsky em sua cosmogonia da Criação.


                                

                                                        
                                                                                             Em analogia ao conceito bíblico de criação, poderíamos dizer que o big-bang dos cientistas equivale ao momento em que Deus “separou a luz das trevas”, ou seja, o momento em que o Grande Arquiteto do Universo “pensou” o universo, na tradição maçônica.
Essa é a base da formidável arquitetura universal que a inteligência dos sábios rabinos de Israel conceberam e que a sensibilidade mística dos espíritos que não se contentam em viver no estreito território que a linguagem lógica nos obriga a permanecer adotou. Entre estes estão os maçons espiritualistas, que veem na sua Arte muito mais do uma mera prática social derivada de uma tradição que incorpora ideias esotéricas.
     O conceito de que Deus é o Grande Arquiteto do Universo tem sido empregado em muitos sistemas de pensamento e o cristianismo místico o tem adotado em várias de suas manifestações. Ilustrações de Deus como o arquiteto do universo podem ser encontradas nas nossas Bíblias desde os primeiros séculos da Idade Média e tem sido regularmente empregadas pelos doutrinadores cristãos de todas as tendências.

São Tomás de Aquino, um dos mais respeitados filósofos da Igreja Católica, sustentou a existência de um Grande Arquiteto do Universo, que seria a Primeira Causa de todas as coisas. Por seu turno, João Calvino, um dos mais influentes divulgadores da Reforma Protestante, também se refere á Deus como sendo uma espécie de Arquiteto, pois seu trabalho de construção do universo material, o cosmo, e do universo espiritual (a humanidade em sua história moral) assemelha-se á construção de um grande edifício.[10]
Na Maçonaria, o termo Grande Arquiteto do Universo é uma metáfora que, na sua origem, tem inspiração cabalística. Era um termo aplicado á divindade pelos maçons operativos, construtores de catedrais e grandes obras públicas, que viam em Deus o autor dos planos estruturais do edifício cósmico e por analogia, da humanidade. Nesse sentido, o mundo físico e mundo espiritual eram construídos a partir de uma estratégia desenvolvida por Deus, que como se fosse um arquiteto, pensava os planos do universo e seus mestres (os anjos) e pedreiros (os homens) o construíam.
Essa era uma idéia extraída da interpretação cabalística da Bíblia, pois a Kabbalah vê o universo como se fosse um edifício sendo construído em dez etapas de manifestação da potência divina, que é simbolizada na chamada Árvore da Vida, ou Árvore Sefirótica, símbolo de extraordinário conteúdo esotérico, que se presta às mais diversas analogias e ilações, unindo a mística das antigas religiões do oriente com as modernas descobertas da física atômica.
O termo “Grande Arquiteto do Universo” também foi apropriado pela filosofia gnóstica, sistema de pensamento onde o Criador “gera” um casal real (Cristo e Sofia, o primeiro par de eons), a partir do qual a sabedoria (gnosis) é trazida para o mundo. Através da atuação desse “casal cósmico”, nascem os “eons” (anjos, para uns, arquétipos para outros) que orientam os homens em suas ações. Constrói-se assim, o mundo e o homem, com o Grande Arquiteto traçando os planos estruturais e seus agentes trabalhando para executá-los. 
Assim, o Grande Arquiteto do Universo, que os maçons, em sua linguagem simbólica, abreviam para G. '. A.' .D. '. U. '.
, é o termo utilizado para representar Deus em seu trabalho de arquitetura cósmica. Os anjos são seus mestres supervisores e os homens seus pedreiros. Fecha-se, dessa forma, o círculo místico que explica a forma maçônica de pensar um começo do universo e abre-se, para todos os temas do seu catecismo, uma justificativa do porque a Arte Real os trata desse modo.
O G.‘.
A.’. D.’. U.’., portanto, é um símbolo que representa a “Hipótese Deus” dos cientistas, pois somente através dessa ferramenta linguística a mente humana pode conceber realidades que estão fora do alcance da sua capacidade de lógicização. 
Qualquer coisa, para ser entendida, precisa ter um começo. Deus é o começo. Não satisfaz ao maçom pensar nele como um ancião de barbas brancas, semelhante a um velho patriarca bíblico, que procura criar e manter sua família confinada ás tradições de um clã, nem se comunga, na Maçonaria, com a visão – por muitos chamada de científica – que vê a Divindade orientando um processo de criação que se assemelha ao trabalho de um pecuarista selecionando crias para melhorar a sua espécie. Ao contrário, aqui a idéia é a de que aqui estamos como funcionários Dele, construindo alguma coisa que Ele arquitetou. Por isso o maçom é o pedreiro da obra universal e Deus é o Grande Arquiteto do Universo. 
Destarte, para a Maçonaria, a Hipótese Deus já está suficientemente provada. 

 
 
[1] Eugene Franklin Mallove (1947 – 2004) The Quickening Universe  –St Martins Pr; 1º edition, 1987.
[2] Stephen Hawking- Uma Breve Históriado Tempo- Círculo do Livro, 1988
[3] O universo em uma casca de nóz, citado, pg. 22
[4] Gênesis, 1: 3
[5] O panteísmo é a crença de que Deus é a própria natureza e não se distingue dela como entidade. Nesse sentido, Deus(theos) é o “tudo”(pan), e só existe como um princípio, uma energia, que dá geração a tudo que existe, mas não existe independente desse tudo. Nesse sentido, Deus seria o próprio universo, com suas leis físicas e morais.
[6] Knor Von Rosenroth-  A Kabbalah Revelada- Madras, 2010
[7] Idem, pg. 65                                                                    
[8]  A Kabbalah Revelada, op citado, pg 63
[9] Citado por Dion Fortune- Cabala Mística, pg 36
[10] Institutos da Religião Cristã , 1536.

DO LIVRO KABBALAH PARA MAÇONS- NO PRELO
 
João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 06/11/2015
Alterado em 09/11/2015
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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Os Preceitos da Religião Muçulmana

Os Preceitos da Religião Muçulmana


O Cinco Pilares do Islã, segundo Roger Garaudy na Obra "Promessas do Islã", publicada no Brasil pela Nova Fronteira em 1988, podem ser assim resumidos:

1. Profissão de Fé: "Existe um único Deus e Maomé é seu profeta". Nenhuma outra divindade se não Deus: Maomé, seu mensageiro. O universo inteiro ganha assim um sentido, o absoluto revelando-se no relativo sob a forma de "sinais", de símbolos. A natureza e os homens, do mesmo modo que a palavra do Alcorão, eram uma aparição, uma manifestação de Deus. "Não há nada que não cante seus louvores, mas vocês não compreendem seu canto" (XVII, 44).

2. Oração: a prece é e a participação consciente do homem no canto de louvor que liga todas as criaturas ao seu criador. "Volte a si mesmo para encontrar toda a existência resumida em você."
A prece integra o homem de fé a essa adoração universal: realizando-a, com o rosto voltado para Meca, todos os muçulmanos do mundo e todas as mesquitas cujo nicho do mirhab designa a direção da Kaaba são assim integrados, por círculos concêntricos, a essa vasta gravitação dos corações rumo ao seu centro.
A ablução ritual, antes da prece, simboliza o retorno no homem à pureza primitiva pela qual, rejeitando a si mesmo tudo o que pode macular a imagem de Deus, ele se torna seu perfeito espelho.

3. Jejum durante o mês sagrado do Ramadã. O jejum, interrupção voluntária do ritmo vital, afirmação da liberdade do homem em relação ao seu "eu" e aos seus desejos, e ao mesmo tempo lembrança da presença em nós mesmos daquele que tem fome, como de um outro eu mesmo que devo contribuir para tirar da miséria e da morte.

4. Zakat. Não é esmola, mas uma espécie de justiça interior institucionalizada, obrigatória, que torna efetiva a solidariedade dos homens da fé, isto é, daqueles que sabem vencer em si mesmos o egoísmo e a avareza. O zakat é a lembrança permanente de que toda riqueza, como tudo, pertence a Deus, e que o indivíduo não pode dispor dela à vontade, que cada homem é membro de uma comunidade.

5. A peregrinação a Meca, enfim, não apenas concretiza a realidade mundial da comunidade muçulmana, mas, dentro de cada peregrino, vivifica a viagem interior em direção ao centro de si mesmo.

O tema central do Islã, em todas as suas manifestações, é esse duplo movimento de fluxo do homem em direção a Deus e de refluxo de Deus em direção ao homem, sístole e diástole do coração muçulmano: "Na verdade, somos de Deus e a Ele retornamos" (II, 156)

Todos os preceitos que devem ser seguidos encontram-se reunidos no Alcorão (a grafia "Corão" também é considerada correta), livro sagrado escrito a partir das sínteses dos ensinamentos de Maomé. Trata-se de um livro com conotações nitidamente político--religiosas, assumindo o caráter de uma verdadeira constituição para o povo islâmico. Os feitos de Maomé foram reunidos por seus familiares em um livro denominado Suna, no qual se encontram as bases da tradição, formuladas a partir dos exemplos dados por Maomé durante sua vida. Destaca-se, entre os preceitos básicos da Suna, a Djihad. Por vezes mal compreendida, a Djihad ou Jihad, pode ser traduzida realmente como "Guerra Santa". Segundo ainda Roger Garaudy, filósofo franco-argelino convertido ao islamismo, há duas grandes formas de se fazer a Guerra Santa preconizada pelo Profeta. Há a "Grande Jihad" ou luta contra o ego e a "Pequena Jihad" que é a busca de persuasão do infiel aos caminhos do Profeta. Seguindo ainda aquele autor, "idolatria é adorar como se fosse Deus algo que não é Deus". Neste sentido, a egolatria é uma das formas mais condenáveis de idolatria e a Grande Jihad volta-se a dar combate a esta forma de idolatria. A "Pequena Jihad" busca, principalmente pela persuasão, mas à força se necessário, proteger o Islã e trazer novos crentes para o Islã.

A partir da existência de dois livros sagrados, o mundo muçulmano dividiu-se em dois grandes grupos: os xiitas, seguidores exclusivamente do Alcorão, que negam qualquer outra fonte de ensinamento; e os sunitas, que adotam como fonte de ensinamento, além do Alcorão, as Sunas, coletânea de relatos acerca das práticas adotadas por Maomé e seus seguidores.

Breve cronologia:
570: nascimento de Maomé.
610: Maomé tem a primeira visão do arcanjo Gabriel.
622: Hégira - início do calendário muçulmano.
630: Maomé destrói os ídolos da Kaaba; nascimento do Islã.
632: Ascenção de Maomé aos céus a partir da Cúpula do Rochedo, em Jerusalém ou, segundo informes da historiografia ocidental, "morte de Maomé em Medina".
 
Fonte: templomaconico

quarta-feira, 25 de novembro de 2015


OS INSTRUMENTOS DE TRABALHO DO 1° GRAU

Os Instrumentos de trabalho do 1° Grau ao serem apresentados ao Ir\acabado de se iniciar, constituem-se em um dos mais belos e vívidos episódios da cerimônia, ao mesmo tempo em que as frases com que se descreve estes instrumentos, tomadas das Sagradas Escrituras, são das mais formosas do Ritual. Quase todo o mundo está familiarizado com estes instrumentos, porém, poucos são os que as associaram com as significações mais profundas que as indicadas pelo 2º Vig\. No entanto, em nossa interpretação da Franco-Maçonaria, temos como especial propósito, o de nos aprofundar, tanto quanto possível, nos significados mais ocultos de nossos símbolos, propósito esse que torna possível darmos significação espiritual a objetos e atos tornados costumeiros. Com este exercício imaginativo chegaremos a compreender gradualmente, que toda a ação e todo o objetivo de nossa vida vulgar, têm uma significação espiritual ao mesmo tempo em que material.


Quando começamos a estudar os instrumentos de trabalho do 1º Grau e meditamos a respeito deles, nos apercebemos, quase de relance, que eles nos foram escolhidos ao azar, entre os instrumentos úteis aos
pedreiros. Ao contrario, sua significação filosófica e simbólica é tão profunda que nos transporta diretamente ao coração, o núcleo de nossos mais fundamentais conceitos sobre a vida e o trabalho.


Antes de entrar na matéria, bom será que anotemos de passagem, a evidente correspondência existente entre os três Instrumentos de trabalho do 1° Grau e os três principais OOf\da Loja. Assim, a
r\d\v\q\p\que se emprega para medir e planejar a obra corresponde à Sabedoria do V\M\que também medirá e planejará, quando dirige. O m\que se utiliza para golpear, tem relação com o 1º Vig\cuja qualidade é a Força e cuja missão consiste na transmissão de energia. O c\corresponde ao 2º Vig\porque, assim como este representa o atributo da Beleza, assim o c\é o instrumento com que o Maçom cinzela a pedra bruta, criando nela, linhas, superfícies e molduras para o embelezamento do ofício.




Se estudamos mais profundamente a significação de nossos Instrumentos de trabalho, descobrimos que representam o conjunto da vida manifestada em três aspectos; cognição (conhecimento), Emoção e Atividade.


O eu possui três modalidades de consciência, quando entra em relação com o nosso EU; pois tem condições de conhecer, sentir e agir. Nós não conhecemos nenhuma modalidade além da consciência, pois a vida que nós experimentamos se acha compreendida nesta tríplice possibilidade de conhecer, sentir, e agir. Pois bem, o conhecimento se deriva da observação que se obtém ao utilizar a r\d\v\q\p\, de uma ou de outra forma. A ação é a aplicação da força que levamos a cabo por meio do m\, ao passo que o c\é o instrumento com que nos pomos em com;ato com a matéria do mundo externo e com o qual executamos nossa vontade nela, contanto que, em termos de consciência, é a qualidade de sentir. De maneira que nós "conhecemos" como a r\d\v\q\p\, “sentimos” como o c\e "agimos" como o m\.


E, se aprofundarmos mais, descobriremos que há três coisas necessárias em toda a obra inteligente; a primeira é nosso plano ou projeto; a segunda, a energia ou força que nos propusemos empregar, dedicar à
nossa tarefa, a terceira, o instrumento real com que executamos o trabalho. Claramente se vê que estes três elementos se simbolizam graficamente por nossos instrumentos de trabalho. Porque fazemos o nosso plano com a r\d\v\q\p\, aplicamos nossas forças por meio do m\ e levamos a cabo realmente o trabalho com o c\.




De maneira que além de úteis, são arquétipos de toda a possível variedade de instrumentos pertencentes às três referidas classes.




Porém, estudemos agora, detalhadamente, estes três instrumentos de trabalho, começando pela r\d\v\q\p\, que é a mais fundamental e transcendental de todas para o homem. A função desta consiste, naturalmente, em medir a longitude; pois bem, a medida de longitude é a base das medidas de todo o gênero em todos os departamentos da vida, como sabem muito bem os homens de ciência. Não existe nem conhecemos outra base possível. Unicamente é quando medimos a longitude dos objetos, que chegamos a compreender o que estes são. Isto não só se aplica às linhas, senão, como e natural também, às superfícies, volumes e ângulos, visto que as unidades nas quais estes se expressam, se baseiam em último termo, na medida de longitude. Assím também, temos de dizer que a única forma de localizar ou determinar a posição de um objeto em relação a outros, se baseia no emprego da medida da longitude, como, por exemplo, r\d\v\q\p\. A forma dos corpos não se pode descrever se não se recorrer aos termos da medida longitudinal.


Ainda mais: não só os objetos materiais como também todo o acontecimento ou fenômeno da natureza, só se pode descrever e medir em termos de medida longitudinal, em última análise. Por exemplo, a luz e a cor só se podem medir, por conseguinte descrever, pela longitude ou velocidade de suas ondas, cujas duas qualidades implicam a medida de longitude como essencial ingrediente.


O mesmo se pode dizer a respeito de todas as outras formas, como o calor, o som e a eletricidade. O peso de um corpo não é mais que uma maneira de descrever a força da gravidade. Tão importante para o
maçom é saber que tudo sé mede em termos de unidade de longitude. Todas as propriedades da matéria conhecidas por nós, representando-se finalmente, em termos de medida de longitude, já se trate de textura, dureza, elasticidade, calor específico, durabilidade ou de que quer que seja. Idêntico princípio se aplica à medição da velocidade e dos movimentos de todo o gênero, trate-se de átomos e moléculas, de trens, planetas e estrelas.


Quando medimos a energia dos músculos, do vapor, da eletricidade, da energia inter-atônica ou da rádioatividade, não conhecemos outro modo de expressar as observações ou cálculos que não seja o da régua.


Outro fator científico bem conhecido é: o tempo não se pode medir senão em termos de espaço, posto que, a única maneira de estimar seu transcurso consiste em registrar fenômenos de movimento; movimento, como natural, que só se pode expressar com termos de dependentes da medida longitudinal. Se carecêssemos de nosso sistema de medição de espaço, não saberíamos como registrar o transcorrer do tempo.


De maneira que o tempo e o espaço, a matéria e a força, e todas as combinações conhecidas destes elementos primários com que se elabora nossa vida ordinária, unicamente se pode medir, conhecer e
compreender, valendo-se da medida longitudinal da r\d\v\q\p\; isto é, que a base de toda a ciência ou conhecimento se radica no emprego da régua. Este princípio é aplicável a todos os departamentos da
experiência e do conhecimento humano, posto que, até quando se trate de arte, filosofia ou religião, é preciso reconhecer que, as únicas idéias conhecíveis e inteligíveis relativas a estas manifestações humanas, são as que podem medir ou estimar de algum modo, já que, onde a medição termina e onde começa a ignorância ou a conjectura. Nosso saber é tanto como a nossa habilidade de medir, quer se trate de pesar um pedaço de pedra, quer apreciar o valor espiritual de uma idéia.




Não obstante, existe ainda outro campo de aplicação da r\d\v\q\p\. Por necessidade, há de ser ela o primeiro Instrumento de trabalho dos MM\, já que, enquanto esta não seja aplicada, não se pode aplicar
utilmente, nenhum outro. Todo o trabalho útil se realiza, aplicando os Instrumentos de trabalho onde correspondem, o que unicamente pode ser bem realizado, valendo-se da r\. Sé assim não fosse, aqueles se converteriam em instrumentos destrutivos. A arte da vida consiste em aplicar nossos poderes e faculdades que são os nossos instrumentos, no sítio e momento precisos.


Creio que é claríssima a razão pela qual a r\d\v\q\p\seja o primeiro Ins\de T\que se entrega ao Ap\. Ela é naturalmente, a primeira coisa essencial na execução de obras de todo o gênero e o é também na
aquisição do saber, na qual se baseia à habilidade de todo o artífice. Se nos apercebermos bem da natureza e objetivo da r\d\v\q\p\, nos será revelado maravilhoso tesouro de significação existente nos símbolos vulgares da Franco-Maçonaria. Este estudo preliminar do primeiro Ins\de T\com que tropeçamos em nossa vida maçônica, há de facilitar o caminho para chegarmos a compreender os outros instrumentos deste Grau, (o m\e o c\) que iremos estudar em continuação, a começar pelo m\.




Vimos antes, que o m\representa o poder ou a forca, uma vez que é o instrumento que serve para golpear. Representado o método mais simples e elementar de aplicação da força, e o símbolo de todas as formas
físicas morais e espirituais da mesma. O fato de isto assim seja é esclarecido, quando sé exploram os Ins\de T\no primeiro Grau, dizendo que são símbolos de trabalho manual, ao mesmo tempo que da parte superior da natureza humana, ou seja, da consciência.




Pois bem, a vida do homem consiste em mover a matéria, em transladá-la de um lugar para outro, princípio que se pode aplicar tanto às formas supremas de trabalho filosófico ou espiritual, como às atividades puramente mecânicas ou manuais. Toda ação se reduz, em último extremo, a mover a matéria, quer se trate de substância da terra e de todos os objetos que com ela fabricamos, quer da matéria das mentes humanas, das substâncias das almas e, até da trama imaginativa com que se criam os sonhos. A força vibrada pelo homem e o poder que ele exerce sobre a matéria e os acontecimentos, consta, ao fim de tudo, que possa mover a matéria de um lugar ao outro. O primeiro instrumento que o homem primitivo imaginou para mover a matéria do plano material, foi o m\, e quando fabricou o m\ou martelo rudimentar, que provavelmente consistiria em um pedaço de pedra que fazia com a mão, inaugurou uma nova era: a era das ferramentas, a era em que começou a valer-se das coisas alheias ao corpo, para conseguir o que se propunha. Este passo dado na evolução foi tão importante, que, alguns homens da ciência definiram o homem como (homo faber), o animal fabricador de instrumentos. E traduzindo esta definição em linguagem maçônica, poderíamos dizer que: o homem é um ser que leva o m\na mão. O fato de que o homem atrevesse a agarrar este m\é um ato de significação importantíssima, uma vez que ele deu começo à aurora da consciência do poder, aurora em que o homem teve o primeiro vislumbre de sua divindade latente. Hoje em dia, o M\da Loja é o homem que traz o m\na mão, para simbolizar o direito que tem a dirigir a L\. Permita-se-nos uma pequena digressão no campo da ciência natural, pois quiçá seja interessante examinar como todo o fenômeno, assim como todas as atividades do homem e das máquinas, se derivem do m\, da descarga de um golpe. Todas as forças da natureza são descargas ou golpes. A luz consiste em uma forma de impulso dado ao éter ou aos corpúsculos; o mesmo vem a ser o som, a eletricidade, o magnetismo e, provavelmente, a afinidade química e a gravitação. O vento é o golpeio de umas partículas do ar contra as outras, as músicas das árvores são o choque de seus ramos; as ervas floridas e as árvores abrem caminho na terra, à força de pressão; as ondas se arremetem contra a costa e as partículas água se empurram, ao descer pelo leito do rio pana o oceano. Em todo o fenômeno se observa as partículas de matéria a se golpearem e se empurrarem entre si, incessantemente. A natureza assim, traz um m\em cada uma de suas infinitas mãos.




Também as máquinas fabricadas pelos homens são m\aperfeiçoados, uma vez que todas elas se baseiam na projeção ou descarga de golpes ou impulsos.




Ele faz com que o fogo lance partículas de combustível e que produza calor e gazes. Faz com que o vapor impulsione o pistão e que, cada membro da máquina empurre o que lhe convém. Faz com que a força
magnética obrigue girar a armadura e que produza eletricidade. Faz com que a eletricidade fenda o éter e transmita sua mensagem por toda a terra. Nas primeiras etapas da evolução humana, o homem é o m\de si mesmo e utiliza a força de seus próprios músculos; porém, à medida que sua alma se desenvolve, vai se apoderando dos mm\da Natureza e ordena a esta que lhe obedeça, concentrando as energias para que o sirvam, a Natureza termina por converter-se em seu m\, em sua serva.




Esta é a primeira lição ao m\. A lição da força ou poder do músculo, a sensação, a emoção, o intelecto e a espiritualidade. Este poder e ilimitado, porque dentro de nós existe uma reprodução do G\A\D\U\, cujo poder é onipotente, como nos diz na abertura da Loja. Mais tarde trataremos disto, quando estudarmos a significação especial do m\ao trabalhar em conjunção com o c\, porque a individualidade do maçom encontra na expressão do fio do c\.




Estudemos agora o c\. O fundamental do c\ consiste em seu poder de cortar, de abrir passo na matéria. Para poder realizar sua função perfeitamente, deve possuir um fio cortante e resistente em proporção à
obra a realizar, e além disso, há de ser capaz de receber e transmitir a força que se aplique por meio das diferentes classes de malhos.




Em todas as artes, ofícios e indústrias, se utilizam instrumentos cortantes e basta examiná-los cuidadosamente, para perceber que todos eles se baseiam no c\e são modificações e aplicações desta ferramenta. Para compreender isso melhor, estudemos a arte de trabalhar a madeira, o metal ou a pedra.




Os variadíssimos instrumentos idealizados para polir os materiais ou para fazer estrias ou molduras, consistem em cinzéis de diferentes modelos fixos em cabos ou asas. Similarmente, todas as classes de trado, verrumas brocas ou barrenas, abrem caminho no material por meio da borda chanfrada do cinzel existente no extremo da ferramenta. Todas as variedades de limas, grozas e serras, possuem também, numerosos cinzéis, pois cada dente é um cinzelzinho que corta, precisamente, como o fazem todos os cinzéis. O agricultor se vale de um cinzel sob forma de arado, grade ou enxada, para sulcar a terra; e as foices, gadanhos, ceifadeiras mecânicas, etc., não são mais que cinzéis aos quais se deu a forma adequada de acordo com o que delas se exige. As tesouras e tenazes dos obreiros são cinzéis úmidos aos pares. Até mesmo todas as formas de pulverização de moagem, de polimentos que constituem a base de muitos ofícios, se fundamentam no princípio do cinzel, pois as diminutas partículas da rosca atuam como pequeníssimos cinzéis que fragmentam o material com os quais entram em contato.




Não é necessário prosseguir para se aperceber que todos os instrumentos cortantes utilizados pelo homem são cinzéis, cuja forma depende da natureza do trabalho que se há de realizar.




A aplicação do princípio desta ferramenta aos mundos moral e mental é fácil de descobrir. Assim como o cinzel do trabalhador da pedra deve ser fabricado com material bem temperado, possuir um fio bem cortante e ser capaz de receber e transmitir a energia que se descarrega sobre o cabo, assim também, deve o maçom especulativo possuir qualidades morais, faculdades mentais e poderes espirituais com características correspondentes. O homem só pode atuar sobre o mundo que o rodeia, inclusive, sobre sua própria natureza, aplicando os poderes que possui em si mesmo, por meio dos órgãos de suas diversas faculdades. O material que produzirá estas faculdades deve ser sadio; sentimentos generosos e bons, uma natureza espiritual, profunda e pura. Em todos os atos que ele realizar, seus poderes devem dirigir-se a um ponto ou fio, concentrando-se na obra; porque, se não houver concentração, a força se dispersa e torna-se impossível o êxito. O homem deve abrir caminho, límpida e puramente, através do labirinto da vida, sem consentir jamais, desviar-se do propósito traçado. No referente à moral, não se deve afastar da estrita linha da virtude; no mental, sua mente não se deve torcer nem perder a direção: há de abrir caminho entre o falso e o aparente, desdenhando o que não é essencial, para concentrar-se no que o é; no espiritual, há de possuir veráz e penetrante discernimento, de maneira que possa se aprofundar no coração das coisas e ver o invisível através do visível.


Além disso, os poderes do homem devem estar em condições de resistir à prova das dificuldades, abstrações e golpes produzidos pelas desilusões e fracassos, porque então, quando se põe verdadeiramente à prova, a verdadeira têmpera (índole), e a qualidade daqueles poderes fica, às vezes, destroçada, ao fazer um esforço violento, do mesmo modo que o fio do cinzel falha e é desviado de seu propósito. A natureza do homem pode consumir-se ou despedaçar-se como o material de uma ferramenta deficientemente fabricada, ou pode resistir seu labor sem desviar-se, com perfeita elasticidade e rebate como o aço bem temperado.


Uma vez estudados os IIns\de T\, em separado, e com algum detalhe, quiçá seja conveniente comparar e contrastar as funções pertencentes a cada um dos membros do grupo.




A princípio, não podemos senão nos pasmar face às diferenças fundamentais e radicais existentes entre a função da r\d\v\q\p\e as do m\e c\. O primeiro: é um instrumento essencialmente estático e os outros dois são dinâmicos. Aquele indica o caminho, estes o percorrem. A r\d\v\q\p\só se pode empregar bem, quando está estacionária, enquanto que os outros instrumentos só são úteis, quando se põe em movimento.


A r\é rígida, inflexível e fixa, além disso sua virtude está determinada de uma vez para sempre; os outros dois são essencialmente móveis e capazes de se adaptarem, infinitamente, às necessidades do trabalho e do operário.


A r\é impessoal ao passo que no m\e no c\se infunde à personalidade do indivíduo que com eles trabalha.




O Ap\se apercebe facilmente o que tudo isso significa. Na vida há sempre pólos de espírito e matéria, enquanto os princípios da vida são fixos, as aplicações dos mesmos ao trabalho prático serão infinitamente flexíveis. Os ideais impessoais devem dirigir as energias pessoais. E assim como, cada golpe dado com o m\sobre o c\há de ter por objetivo o cortar a pedra, na medida assinalada pela r\d\v\q\p\, assim também, os atos dos Maçons obedecerão fielmente os mandatos da mente. Toda a obra inteligente deve ser precedida de um projeto, cuja tarefa só pode ser realizada com a mente, a qual toma as suas medidas e dirige todas as atividades para o fim proposto.




Assim pois, os três IIns\de T\do primeiro Grau representam a tríplice natureza do homem ou, pelo menos, sua tríplice natureza externa, ou seja, o corpo, os sentimentos e a mente. O homem se diferencia dos animais, por sua mente, sua inteligência, seu poder de planejar coisas, em uma palavra, por sua r\d\v\q\p\ que é necessariamente e sempre, o primeiro instrumento e o mais importante de que se serve o pedreiro e determina o uso que este faz das demais ferramentas; assim também a mente é de suprema importância para o homem, uma vez que, de seu correto enprego depende sua natureza de homem. A função da inteligência consiste em dar ordens, e a dos desejos e do corpo, em obedecer.




Estudando detidamente a significação do m\e do c\como instrumentos de utilização ajustada, pode-se descobrir coisas de grande valor para os Maçons; porém se tal fizéssemos, elevaríamos o nosso estudo a um grau
superior.


Estude o Ap\ sua própria natureza, com paciência e perseverança, separando em sua consciência, tão distintamente quanto lhe seja possível, os três fatores de seu eu externo: o corpo, os sentimentos ou sensações e a mente. Logo há de ver no maçom a representação simbólica de todo o poder que lhe dá energia, a qual deve aprender a manejar. Neste poder descobrirá a Força Onipotente. No c\verá todas as faculdades, as quais deve desenvolver, educar e temperar aos propósitos da obra que tem diante de si que não outros que a construção do Templo Sagrado. É, na sua r\d\v\q\p\descobrirá sua humanidade, Divino poder da razão que adornar-se-á da morada corpórea, dirigindo todas as coisas para o único grande objetivo: ao serviço do homem e à gloria do G\A\D\U\. E, a medida que pondere sobre todas estas coisas e aperfeiçoe suas faculdades, de tal forma que, a energia nele existente possa obedecer, por meio destas, aos mandatos da mente, realizando belas obras de artifício, descobrirá o segredo de sua individualidade que, ao emergir no mesmíssimo fio de seu c\, o capacite para traçar (delinear) sua marca única e singular, sinal de sua propriedade exclusiva por direito de nascimento, que só ele pode traçar.

FONTE: TEMPLOMACONICO.BLOGSPOT.COM.BR

terça-feira, 24 de novembro de 2015

O Orgulho, a Vaidade e a Ira no "Meio Maçônico"

      
     
O PECADO é uma atitude humana contrária às leis divinas tendo sido definido pela Igreja Católica no final do século VI, durante o papado de Gregório Magno que anunciou para o mundo profano, os sete pecados capitais provenientes da natureza humana: avareza, gula, ira, luxúria, preguiça, soberba e vaidade.
 
Posteriormente, no século XIII, foram definitivamente incorporados e firmados pelo teólogo São Thomás de Aquino. Por questões práticas, no sentido de alcançar o nosso objetivo relativamente ao tema destacado, trataremos apenas dos três pecados capitais que permeiam com maior realce no nosso meio.
 
Neste sentido, necessário se faz que definamos cada pecado ou pelo menos identifiquemos suas principais características. Usamos o termo meio maçônico, entre aspas, no título deste artigo para destacar o antagonismo existente entre a postura que deve ser adotada nesse meio e os pecados capitais ou vícios de conduta citados, os quais, infelizmente, os percebemos.
 
Um dos sete pecados capitais que se manifesta nas pessoas na forma de ORGULHO e ARROGÂNCIA é a SOBERBA, termo que provém do latim -  superbia, é um sentimento negativo caracterizado pela pretensão de superioridade sobre as demais pessoas, levando à manifestações ostensivas de arrogância, por vezes sem fundamento algum em fatos ou variáveis reais.
 
As manifestações de soberba podem ser demostradas de forma individual ou em grupo. Nos casos de grupos, escolhidos ou eleitos, se firma na crença de que é superior.
 
A manipulação da soberba, do orgulho e da pretensão de superioridade de um grupo pode mobilizar conflitos sociais, onde os sentimentos de uma massa humana pouco crítica servem aos interesses políticos, econômicos, ideológicos de seu líder.
 
O soberbo quer superar sempre os outros, mas quando é superado, logo se deixa dominar pela inveja. Quando se sente ameaçado, atingido, procura depreciar os outros e vangloriar-se, sem que para isso se estruture para se superar ou até fazer uma avaliação da vida, dando-se em determinado momento por satisfeito.
 
O soberbo produz desarmonia na sociedade como estratégia para manter a soberba e se colocar sempre em evidência. A sociedade se tornando harmônica, com todos os indivíduos sendo e vivendo de maneira igual, liberta e fraterna, não propíciará espaço para a soberba.
 
Agindo com humildade se consegue combater a soberba nas suas mais diversas formas, evitando a ostentação, contendo as vaidades e fazendo com que o soberbo olhe o mundo não apenas a partir de si, mas principalmente ao redor de si.
 
O orgulho como uma das formas de manifestação da soberba se traduz pela satisfação incondicional do soberbo ou quando seus  próprios valores são superestimados, acreditando ser melhor ou mais importante do que os outros, demostrando vaidade e ostentação que em limite extremo transforma-se em arrogância.
 
A arrogância é uma outra forma de manifestação da soberba. É o sentimento que caracteriza a falta de humildade. É comum conotar a pessoa que apresenta este sentimento como alguém que não deseja ouvir os outros, aprender algo de que não saiba ou sentir-se ao mesmo nível do seu próximo.
 
O orgulho excessivo e a vaidade sem limites que se traduz na arrogância,  se mostra na forma de luta pelo poder econômico, pela posição social e pela perpetuação no poder.
 
Quando chega a ocupar cargo eletivo ou de nomeação busca impressionar os incautos, realçando o depotismo que trata  os súditos como escravos.
 
Diferentemente da ditadura ou da tirania, o depotismo não depende de o governante ter condições de se sobrepor ao povo, mas sim de o povo não ter condições de se expressar e auto-governar, deixando o poder nas mãos de apenas um, por medo e/ou por não saber o que fazer.
 
No Despotismo, segundo Montesquieu, apenas um só governa. É como não houvesse leis e  regras, arrebata tudo sob a sua vontade e seu capricho.
 
A VAIDADE humana, como um dos sete pecados capitais, se manifesta nas pessoas pela preocupação excessiva com o aspecto físico para conquistar a admiração dos outros, pela posição social que busca ocupar na sociedade ou através de ocupação de cargos.
 
Uma pessoa vaidosa pode ser gananciosa, por querer obter algo valioso, mas é só para promover ostentação perante os outros.
 
Um ser humano invejoso, por sua vez, identifica com bastante facilidade um ser humano vaidoso, pois os dois vicios se complementam, um é objeto do outro.
 
Nos Ensaios de Montaigne há um capítulo sobre vaidade. Um escritor brasileiro, Flávio Gikovate, tem se dedicado a analisar a influência da vaidade na vida das pessoas e seus impactos na sociedade.
 
Uma das abordagens da vaidade na literatura é feita por Oscar Wilde no livro “O Retrato de Dorian Gray”, onde o principal tema é a vaidade do personagem Dorian, onde o jovem é ao mesmo tempo velho, e o velho é ao mesmo tempo novo.
 
Por fim, trataremos da IRA como pecado capital.
 
A ira é uma atitude que às pessoas manifestam pelo sentimento de vingança, de ódio, de raiva contra seus semelhantes ou às vezes até contra objetos.
 
É uma emoção negativa que aniquila a capacidade de pensar e de resolver os problemas que a originam.
 
Sempre que projetamos a ira a outro ser humano, produz-se a derrubada de nossa própria imagem e isto nunca é conveniente no mundo das inter relações.
 
A ira combina-se com o orgulho, com a presunção e até com a auto suficiência.
 
A frustração, o medo, a dúvida e a culpa originam os processos da ira. A ira humana facilmente se torna pecaminosa.
 
Quando começamos a defender nosso Ego, quando atacamos alguém ao invés de atacar o erro dele, quando a chama da ira é alimentada, ela se torna um fogo que destrói.
 
Feitas as devidas considerações sobre o conjunto de alguns vícios da conduta humana ou pecados capitais, vamos nos transportar para o meio maçônico e estabelecer uma relação de homomorfismo para que possamos fazer uma reflexão sobre algumas práticas que constatamos no nosso cotidiano.
 
O comportamento de um maçom, segundo os ditames da nossa Sublime Ordem, deve ser irreparável.
 
Não se deve, nem se pode, adotar ação alguma que realce soberba, vaidade e ira, sobretudo quando essa ação é praticada por irmão que é autoridade maçônica, que ocupa cargo maçônico eletivo ou de nomeação.
 
Em caso de comportamento ou ação que comprometem a imagem da nossa ordem e atentam contra os postulados universais da Maçonaria.
 
Deve seu autor ser alertado por qualquer irmão que perceba o desvirtuamento no sentido de que o mesmo possa proceder a correção do seu comportamento ou ação.
 
O Irmão alertado deve receber a observação de forma natural entendendo que o irmão que o alertou o fez no sentido de promover a sua melhoria, o seu crescimento.
 
Nunca deve reagir com ira.
 
A excelência da Maçonaria se ergue sobre o suporte da Fraternidade e não do Ódio.
 
O irmão deve ter humildade suficiente para compreender o reparo. Não deve ser soberbo nem vaidoso e receber a crítica como construtiva, principalmente pelo fato de ocupar cargo maçônico.
 
Não há demerito para a autoridade maçõnica quando é alertada por um irmão hierarquicamente inferior. Em primeiro lugar está o irmão maçom não a autoridade maçônica.
 
O Maçom tem por dever cavar masmorras aos vícios em todas as suas formas, inclusive aos vicios de conduta aqui anunciados, pois assim, estará levantando templos às virtudes e, por conseguinte, fazendo novos progressos.
 
As atitudes que expressam, com clareza, esses pecados capitais, esses sentimentos pífios e inconseqüentes, que levam ao desânimo àqueles maçons que podem afirmar com toda propriedade “MEUS IRMÃOS COMO TAL ME RECONHECEM”, devem ser banidas do nosso meio.
 
As autoridades Maçônicas constituídas têm que asseverar a hierarquia sim, mas não cometer excessos.
 
Tem que conhecer, e conhecer bem a disciplina.
 
A disciplina e a hierarquia são sustentáculos da Maçonaria, logo, o verdadeiro Maçom deve ser um homem disciplinado e que respeita a hierarquia.
 
O  Maçom disciplinado é instruído, não é propenso a soberba, nem a vaidade e nem a ira.
 
O Maçom não tem orgulho, tem honra. O Maçom não tem vaidade, tem felicidade. O Maçom não tem ira, tem irresignação.
 
A disciplina se constitue de um conjunto de ações planejadas e coordenadas que obedecem regras, leis.
 
Portanto, para execitar a dsiciplina precisamos nos deter aos ensinamentos maçônicos contidos na Prancheta de Traçar, na régua de 24 polegadas, no esquadro e no compasso.
 
Não podemos agir de forma desordenada, indiciplinada e exigirmos que os outros façam de forma diferente. Os nossos atos falam mais do que as nossas próprias palavras.
 
A Pior coisa que existe é o Maçom dar um bom conselho e em seguida um mal exemplo.
 
Valendo-me das sábias palavras do meu pranteado pai, que dizia: “meu filho se você quizer saber quem é a pessoa, não preste atenção o que ela diz, preste atenção o que ela faz”, pelo direito hereditário que me assite, vou plagiar a maxima do meu velho e dizer: “meus irmãos se quizeres saber quem é o maçom, não preste atenção ao que ele diz e escreve, preste atenção ao que ele faz”.
 
O verdadeiro maçom se faz ser reconhecido, não pelas suas palavras, mas sim, pelos seus atos.
 
A maior autoridade é o exemplo. Quando recebemos críticas, sobretudo críticas construtivas, precisamos ser disciplinados para ouví-las, processá-las, fazer uma auto-avaliação e uma reflexão para melhorar nossos procedimentos, adequando-os as regras do bom convívio.
 
Precisamos dar bons exemplos, principalmente, para Aprendizes e Companheiros, eles precisam de bons ensinamentos, eles precisam serem bem instruidos, eles precisam de referência para defederem a nossa Sublime Instituição.
 
Um Maçom disciplinado, instruído, é um maçom humilde, dedicado, útil, competente nos Augustos Mistérios.
 
Não é soberbo, não tem vaidade e não tem ira.
 
Nunca oportunista e inconsequente, nunca com comportamento de desrespeito aos Irmãos e aos nossos Templos Sagrados. Temos que fazer de nossos Templos, além do natural relicário da Fraternidade, centros operativos de Cultura e Civismo, na sustentação dos supremos fins de Liberdade, Justiça e Paz.
 
Um Maçom disciplinado, instruído, dificilmente será manipulado para se tornar massa de manobra e se deixar levar por ofertas de medalhas, títulos, cargos e elogios.
 
Um Maçom disciplinado e instruído ao ocupar cargos maçônicos jamais se transformará em um déspota.
 
Um Maçom disciplinado respeita às autoridades constituídas e os seus irmãos outros por entender, na essência, o estado democrático de direito, a importância administrativa e política desses cargos e o papel de cada um desses irmãos no processo de democratização da sociedade.
 
O maçom disciplinado entende que a livre expressão do pensamento como direito fundamental do homem em qualquer seguimento da sociedade moderna, sobretudo em uma sociedade maçônica, deve ser exercido na sua plenitude para transformação da sociedade na busca de melhores dias.
 
Um maçom disciplinado e instruído ver na autoridade maçônica, primeiro um irmão, não um superior hierárquico, e por este fato, exige comportamento maçônico deste.
 
As autoridades constituídas, mais que os demais irmãos maçons que não ocupam cargos, tem por obrigação dar bons exemplos.
 
A hierarquia e a disciplina, sobretudo a disciplina, têm levado a nossa Sublime Ordem a obter a confiança e o respeito da sociedade em todo orbi terrestre, contudo, é necessário que se saiba que de quando em vez nos deparamos com alguns irmãos que atropelam os limites e passam a claudicar no exercício do seu desiderato, promovendo a desarmonia, provocando a discórdia e, conseqüentemente, gerando a indisciplina.
 
O maçom pode e deve discordar de uma autoridade maçônica constituída quando esta não desempenha o seu cargo com dignidade, probidade, humildade e competência.
 
Logicamente, é ´preciso que seja feito dentro dos padrões de civilidade e de urbanidade, sem ira, com contestações fundamentadas e nunca levianas, uma contestação responsável que exija dessa autoridade o fiel cumprimento dos encargos que o cargo lhe impõe por estrita obrigação do dever.
 
O respeito à hierarquia deve acontecer visando servir à instituição e não à pessoas.
 
A nossa capacidade de opinar sobre a vida política e administrativa da nossa Obediência obtém maior expressividade no ato do voto, que é secreto, quando elegemos nossos representantes, quando elegemos um irmão para um cargo maçônico.
 
Lamentamos que os membros dos tribunais maçônicos, ainda, não sejam eleitos pelo povo maçônico.
 
ORGULHO, VAIDADE e IRA, essa trilogia não é nossa. Precisamos bani-la do nosso meio. Só depende de você, só depende de nós.
 
Ir. Otacílio Batista de Almeida Filho* (33) – M.I
 
*Membro da ARLS Obreiros da Justiça n.º 3209, Oriente de Campina Grande - PB