sexta-feira, 17 de novembro de 2017


Deus Nosso Pai
 
 
Honrar nosso pai é honrar também a Deus. O nosso Pai de Infinita Bondade.
No instituto doméstico, os filhos amadurecidos na experiência honorificam os pais, através das obrigações executadas no lar.
Na residência planetária, os filhos de Deus, edificados na compreensão de Suas Leis, dignificam o Todo-Misericordioso por intermédio dos deveres retamente cumpridos, diante da humanidade nos caminhos do mundo.
Amamos a Deus na pessoa do próximo.
Comecemos o exercício dessa abnegação que nos proporcionará o necessário acesso à Luz Divina.
Fomos feridos nas tarefas cotidianas? Saibamos esquecer as ofensas do companheiro que ainda ignora as consequências do mal.
Golpes de injúria desceram sobre nós, procurando exterminar-nos a esperança e a coragem?
Entendamos a inexperiência daqueles que desconhecem a força da sobra que desencadeiam para si mesmos e continuemos a colaborar no levantamento do bem de todos.
Quem vem lá, faminto ou desesperado, tentando encontrar socorro e consolação?
Pausemos para servir porque é nosso familiar que nos bate à porta, suplicando asilo e compreensão.
Que pensar do infeliz que passa na via pública enxovalhado por sarcasmo e condenação?
Nenhuma dúvida paira em nosso espírito quanto ao imperativo de entendê-lo e auxiliá-lo porquanto ele é nosso irmão pela Paternidade Divina e espera por nosso devotamento.
Deus, o Senhor Supremo da Vida, o Pai que nos recebe diariamente os protestos de fidelidade e de amor conta em verdade conosco e em verdade precisa de nós.
Espera confiantemente sejamos o amparo aos desajustados, a fortaleza dos fracos, a energia dos fatigados, a benção dos que foram lançados à solidão.
Deus necessita de nós e deseja recebermos a cooperação ainda que humilde.
Envia-nos os necessitados de toda espécie e de todas as procedências para que Lhe representemos a Providência Divina.
Em toda parte, é possível receber esse mandato sublime e desempenhá-lo.
É por isso que Jesus, o filho mais altamente consagrado ao Supremo Senhor que a Terra já conheceu, assim se expressou fazendo-nos sentir que Deus está conosco e espera por nós em todas as circunstâncias: “Todo o bem que fizerdes no mundo ao último dos pequeninos, em verdade, é a mim que o fizestes.”
 
Batuíra

quinta-feira, 16 de novembro de 2017



Charles Evaldo Boller

 

Sinopse: Incentivo a caminhada maçonicamente orientada.

 

Pode-se descrever a Maçonaria como instituição de formação cívica, moral, escola de deveres, ciência de busca da verdade divina, instituição orgânica de moralidade com objetivo de eliminar ignorância, realizar filantropia, combater vícios e inspirar amor na humanidade. Mas Maçonaria não é definível. Isto porque abrange todo o conhecimento humano conhecido e desconhecido. A marcha do simbolismo representa esta diversidade do pensamento como o sair da reta e retornar para ela. Cabe ao maçom duvidar de verdades, modifica-las e retornar fortalecido para a reta, em direção à sabedoria. O vaivém da dúvida define a Maçonaria Especulativa, a especulação do pensamento lato, a busca na racionalidade em respostas a questões que orientam e constroem o homem.

 

Inicialmente o maçom lida com o "conhece a ti mesmo", de Sócrates. Caminha na reta, busca conhecer-se. Aperfeiçoa o intelecto na materialidade onde se identifica como indivíduo. Desbasta a pedra bruta em sua manifestação material. Especula em torno de um espírito de condição melhorada onde desenvolve a admiração ao conceito de Grande Arquiteto do Universo. É caminhada para a espiritualidade. Vê a luz da sabedoria que solicitou ver e inicia uma amizade com esta sabedoria. Num segundo estágio trabalha o "penso, logo existo", de Descartes. Pensar é ser. O pensamento vai mais longe. Diagnostica o ser, transcende a si mesmo. Busca metas e conhecimentos fora da reta. Começa a especular e, com isso, adivinha outras belezas que o conhecimento ainda não determinou. Descobre que o pensamento busca a luz que solicitou e consubstancia riquezas que o tirano não pode usurpar. Busca o conteúdo interno da pedra que tende a transformar-se em pedra polida na relação direta com que especula sua realidade e razão de ser. Torna-se ainda mais amigo da sabedoria.

 

A Maçonaria Especulativa tem por objetivo espalhar os pensamentos da ordem maçônica para todos os cantos da Terra e é essencialmente conspiratória. Conspirações que, pelo pensamento especulativo iluminista mudou profundamente o desenho político nos séculos dezessete e dezoito onde promoveu a independência de países e fomentou a Democracia. Maçons especularam em templos maçônicos e realizaram magníficas obras em prol da sociedade. Não guardaram segredo da ação maçonicamente orientada. Divulgaram e agiram conforme o que debateram nos templos.

 

Maçom! Não permita que o fogo da Maçonaria Especulativa se apague dentro de ti. Não te restrinja ao cumprimento automático de rituais e estudos obrigatórios ou esqueça-se da essência do pensamento especulativo de onde nasce a capacidade de mudar a si mesmo e à sociedade. Teu dever é opor-se a obscurantismo, despotismo e tirania. Coloque em prática o que desenvolve em loja. Continue cada vez mais amigo da sabedoria, do grego "philos" "sophia". Ser maçom é filosofar! Para divulgar a filosofia da Maçonaria use de todos os meios disponíveis de comunicação. Os pensamentos que iniciam dentro de loja devem continuar em todos os recantos e até no espaço cibernético. Não divulgar o que se especula e conspira em loja torna sem propósito o reunir-se em templos maçônicos. O maçom especulativo livre não permite que lhe calem ou subjuguem o direito de pensar e expor seus pensamentos especulativos onde quer que seja! Romper com esta obrigação tomada por juramento é falhar consigo mesmo e a sociedade.

 

A caminhada pelo simbolismo da Maçonaria é o ensino fundamental no Rito Escocês Antigo e Aceito. Outras portas são abertas, numa preparação que pode levar até quinze anos para se chegar ao doutorado e então iniciar outra caminhada, com outros alvos de servir a Maçonaria Especulativa, a si mesmo, aos irmãos e a sociedade. A caminhada para manter vivas as três colunas do simbolismo que suportam o Rito Escocês Antigo e Aceito honram e glorificam a criação do Grande Arquiteto do Universo. Isto não se faz sem tornar-se amigo íntimo da sabedoria e divulgar a filosofia da Maçonaria a todos os cantos da Terra.

 

Bibliografia:

1. CAMINO, Rizzardo da, Simbolismo do Primeiro Grau, Aprendiz, ISBN 85-7374-076-0, primeira edição, Madras Editora limitada., 188 páginas, São Paulo, 1998;

2. FAGUNDES, Morivalde Calvet, Uma Visão Dialética da Maçonaria Brasileira, Coleção Pensamento Maçônico Contemporâneo, primeira edição, Editora Aurora Limitada, 64 páginas, Rio de Janeiro;

3. PIKE, Albert, Morals and Dogmas, primeira edição, 1076 páginas, Estados Unidos da América, 2008;

4. QUADROS, Bruno Pagani, O Pensador do Primeiro Grau, Coleção Biblioteca do Maçom, ISBN 978-85-7252-247-2, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 184 páginas, Londrina, 2007;

5. SOUTO, Élcio, O Iniciado, Drama Cósmico Maçônico, ISBN 85-7374-331-X, primeira edição, Madras Editora limitada., 106 páginas, São Paulo, 2001.

 

Data do texto: 13/09/2011.

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, autor, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná.

Rito: Rito Escocês Antigo e Aceito

Local: Curitiba.

Grau do Texto: Aprendiz Maçom.

Área de Estudo: Educação, Espiritualidade, Filosofia, Maçonaria, Pensamento.

terça-feira, 14 de novembro de 2017



Charles Evaldo Boller

 

Sinopse: Considerações a respeito do treinamento e uso da consciência.

 

O maçom é sempre obediente? Não! Ele obedece a uma treinada consciência voltada para o bem e baseada em princípios morais.

 

Consciência é capacidade humana que pode ser treinada e desenvolvida. É o utilitário de segurança mais usado pelo homem sábio com vistas à pureza moral. É ela quem efetua comparações com padrões de moral que freiam o mal. A constante convivência com pessoas detentoras de elevada moral injeta na mente comportamentos, pensamentos, crenças e diretrizes que a treinam. Estudar e filosofar temas morais também contribui na sua boa edificação. Mas não é suficiente! É necessário querer e estar disposto em aceitar mudanças, orientações e advertências. Quando certa ação conflita com o padrão desenvolvido no condicionamento moral, soa o aviso de alerta ao inicio da contenda, empunha-se a consciência como escudo. Ela acusa e defende o homem do proceder que prejudica. Deixa de funcionar se estiver cauterizada, tornada insensível por inúmeros atentados que a desrespeitam. A consciência gera culpa e esta imobiliza a ação errada. A companhia de pessoas promíscuas e praticantes de atos atentatórios à moral prejudica seu bom condicionamento. É semelhante ao arrancar de terminações nervosas da carne que fica destituída de tato. A ação da pessoa passa a ser controlada pelo temor a castigos e não mais ao sentimento de culpa que imobiliza a ação do mal.

 

No Rito Escocês Antigo e Aceito o adepto recebe de herança cultural a direção que preconiza a obediência de caserna, disciplina marcial e rígida, influência de vetustas ordens de cavalaria e profissionais. A companhia de pessoas boas e disciplinadas auxilia no desenvolvimento de boa consciência. Razão da boa e criteriosa escolha de novos obreiros. Profano que não possui estatura mínima em sentido moral é impedido de entrar na Maçonaria, daí a importância de rigorosas sindicâncias. Uma vez iniciado, a convivência pacífica e amorosa entre os maçons proporciona a sintonia fina da consciência sensível e inteligente. Quem não treina a sua consciência faz de si um animal incapaz de ocupar-se de outra coisa, a não ser daquela do destino próprio dos animais.

 

Se a consciência do maçom está afinada com a moral, este pode até dispensar o livro da lei no altar dos juramentos. O detentor de boa consciência tem um livro da lei escrito no coração e na mente. Para o cristão, a bíblia judaico-cristã é símbolo da sua consciência. Representa espiritualidade e racionalidade de todo homem bom dotado de consciência voltada ao bem. Aquele que passa por transformação em sentido lato, reunindo em si bons princípios morais, éticos, religiosos, emocionais, físicos e espirituais tem o alicerce de sua consciência construído sobre a rocha. O maçom usa da inteligência para educar-se e afinar a consciência ao que ditam as leis naturais estabelecidas pelo Grande Arquiteto do Universo. Desenvolve e entende a mensagem contida na filosofia da Maçonaria, em cuja escalada peregrina ao interior de si. Trabalha a pedra por dentro nos exercícios de individuação tornando-se consciente do milagre da vida que o anima. E nesse seu mundo interior desenvolve acurada consciência, instrumento que o desculpa e acusa, diferencia entre bem e mal, percebe certo e errado.

 

Na história da Maçonaria observa-se que quando de parte de maçons ocorreu desobediência civil, aconteceram fatos que promoveram melhorias às sociedades humanas. Treinado a consciência o maçom desobedece tudo o que possa bloquear o exercício da liberdade responsável, o bom uso da liberdade com possibilidades de escolhas. O maçom obedece mais à consciência criada pelo Grande Arquiteto do Universo que às leis, dogmas religiosos e ideologias políticas. Parte do princípio que aceitar de forma passiva às leis injustas as tornam legítimas. A sua espiritualidade associada à sua boa consciência levam-no a caminhar conforme os elementos de seu projeto existencial onde não obedece a ordens que conflitam com a moral guardada pela consciência. Tem o dever juramentado de rebelar-se contra leis e dominações injustas. Cultiva e condiciona sua consciência para a ação orientada ao amor fraterno; aquele sentimento em ação que soluciona a todos os problemas de relacionamento e humaniza o homem. O treinamento da consciência é atividade permanente do maçom e é por isso que ele começa cada tarefa invocando a glória do Grande Arquiteto do Universo.

 

Bibliografia:

 1. ALMEIDA, João Ferreira de, Bíblia Sagrada, ISBN 978-85-311-1134-1, Sociedade Bíblica do Brasil, 1268 páginas, Baruerí, 2009;

 2. BAYARD, Jean-Pierre, A Espiritualidade na Maçonaria, Da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências, tradução: Julia Vidili, ISBN 85-7374-790-0, primeira edição, Madras Editora limitada., 368 páginas, São Paulo, 2004;

 3. CAMINO, Rizzardo da, Reflexões do Aprendiz, Coleção Biblioteca do Maçom, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 157 páginas, Londrina, 1992;

 4. RODRIGUES, Raimundo, A Filosofia da Maçonaria Simbólica, Coleção Biblioteca do Maçom, Volume 04, ISBN 978-85-7252-233-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 172 páginas, Londrina, 2007.

 

Data do texto: 08/12/2011.

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, autor, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 62 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná.

Rito: Rito Escocês Antigo e Aceito

Local: Curitiba.

Grau do Texto: Aprendiz Maçom.

Área de Estudo: Comportamento, Consciência, Educação, Espiritualidade, Filosofia, História, Liberdade, Maçonaria, Política.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Amor Fraternal, Amparo e Verdade



Há poucos meses, circulou em um blog maçônico norte-americano a notícia de que um irmão de Washington, de apenas 26 anos de idade, maçom dedicado à sua Loja, a “Colonial #1821”, da Grande Loja do Distrito de Columbia, estava na fila por um transplante de rim. Um irmão de 32 anos de idade, pai de família, que não conhecia Chris e nunca tinha ido a Washington, leu a notícia e fez contato, se voluntariando a fazer os exames de compatibilidade. Era Richard, Segundo Diácono da Loja “Golden Spike #6”, da Grande Loja de Utah. Após a confirmação dos exames, no último dia 09 de outubro as cirurgias ocorreram com sucesso.
 
Quando questionado sobre a razão de estar doando um rim para um desconhecido, Richard disse que, ao ler a notícia, de um irmão tão jovem necessitando de ajuda e solidariedade, apenas cumpriu com seu juramento. Assim, a tríade do lema maçônico original foi ilustrada, de forma sublime, na ação desse irmão, pois o amparo dado foi um verdadeiro ato de amor fraternal.
 
E você aí com preguiça até de ir pra reunião, né? A quantidade de graus que você tem é equivalente à quantidade de juramentos que você prestou. Mas se cumprir com maestria apenas o do grau de Aprendiz, já estará fazendo a diferença e colaborando para uma sociedade melhor. Não deixe que nossas cerimônias sejam apenas fórmulas vazias. Leve-as em sua mente e coração, usando-as para esquadrar suas ações.
 
Obrigado, irmão Richard. Você, com certeza, salvou bem mais do que a vida de um irmão. Seu nobre ato nos recorda da importância de nossa Fraternidade, pois para socorrer um necessitado não precisa ser maçom… mas para ser maçom precisa-se socorrer os necessitados. Em outras palavras, o que para os outros é uma opção, para o maçom é uma obrigação.

domingo, 12 de novembro de 2017


MAÇONARIA  - O SEGREDO DOS FILHOS DA LUZ

MAÇONARIA

O SEGREDO DOS FILHOS DA LUZ

A iniciação é considerada pelos maçons, como um novo nascimento. Um parto em que o candidato tem o seu primeiro contato com a luz que vem do leste.
O processo das provas e viagens são os meios utilizados para esclarecer ao futuro maçom, sobre as finalidades da Ordem Maçônica, dos deveres de seus membros.
       A luz que simbolicamente é dada ao neófito servirá para iluminar o caminho na senda a ser percorrida, abrir a mente para o conhecimento e semear conceitos sólidos para o desenvolvimento espiritual e moral de seus integrantes.
Mas, já não estamos conseguindo praticar o que pregamos, os conceitos da Sublime Instituição são puros, relevantes, espirituais, justos e perfeitos. A Ordem Maçônica é constituida por seres humanos, que são imperfeitos e estão relegando a um segundo plano o seu conteúdo espiritual e a estão transformando em uma instituição puramente materialista.
Então, as brigas pelo poder começam e passam a ocorrer divisões de potências e obediências, com vários líderes pregando a prática de sectarismo. Assim, a intolerância passa a imperar, a Fraternidade deixa de ser praticada, e o amor não é praticado entre os que se dizem irmãos.
       Nada do que é ensinado dentro dos sagrados templos é praticado por seus membros quando estão fora das reuniões. A grande maioria só quer saber dos seus direitos, não se preocupam com os deveres de cada um para com a humanidade.
È incrível o numero de maçons que não entendem as mensagens ocultas nas entrelinhas dos rituais, que não sabem interpretar o simbolismo existente dentro dos templos, e não sabem diferenciar o que são lendas e o que é história. Não se pode amar aquilo que se desconhece. 
O conhecimento de todo esse conjunto é o que faz o “Segredo Maçônico”. Poucos são os que o conhecem, são os denominados “Filhos da Luz”, os verdadeiros detentores da ciência sagrada.

Pedro Neves .’. M.’. I.’. 33.’. MRA
Membro Efetivo da Cadeira 001 – Patrono: Arlindo dos Santos
da
Academia Maçônica de Letras do Brasil – Arcádia Belo Horizonte
Preceptor da Suprema Ordem Civil e Militar dos Cavaleiros Templários

Para aquisição do livro Análise do Ritual de Aprendiz Maçom – REAA, solicite através do site maçônico: www.pedroneves.recantodasletras.com.br e veja em livros à venda, ou pelo site do Mercado Livre: www.mercadolivre.com.br em livros maçônicos.

SITES:
www.pedroneves.recantodasletras.com.br
www.periclesneves.recantodasletras.com.br
www.academiamaconicadeletrasdobrasil.blogspot.com
www.trabalhosmaconicos.blogspot.com
www.cavaleirostemplariosbhmg.blogspot.com

sábado, 11 de novembro de 2017


Ser Maçom sem Sê-lo.

Charles Evaldo Boller

 

É possível ser maçom sem sê-lo? A pergunta é comum. Para o maçom é motivo de séria reflexão em si mesmo. Como responderia o homem treinado nas coisas da Arte Real? Poderia formular o seguinte raciocínio? - Já viu em algum lugar uma estátua representando uma pessoa vigorosa portando um malho e um cinzel a esculpir-se de dentro de uma pedra? Esta é a representação simbólica da auto educação da Maçonaria. Não é fácil explicar o funcionamento do processo. Também não constitui segredo. Em resumo a educação maçônica pode apenas ser vivida; é resultado de salutar convivência. Para dar uma ideia superficial do que ocorre na Maçonaria é interessante imaginar o homem em sua origem e de como ele provavelmente construiu sua convivência social.

 

Na era do homem da caverna, quando o sol se colocava no horizonte, acendiam-se fogueiras para aquecer, assar alimentos e iluminar o ambiente. Ao redor destas fogueiras reunia-se a tribo. Trocavam ideias do cotidiano, da caça, da colheita, dos perigos, e passavam conhecimentos novos de uns para os outros. Nestas reuniões, pelo debate, por conversas, em resultado de atos judicativos, e outras comunicações verbais, cada um desejava sobressair-se ao outro com vistas a estabelecer sua vontade, e principalmente, de obter a aprovação dos demais membros do clã, de identificar-se. Esta necessidade de aprovação do grupo fazia com que o indivíduo se adaptasse ao grupo e aceitasse códigos de ação e conduta que o identificassem. Trocavam segredos, confidências de novas técnicas de caça e truques para os mais diversos fins. Quem traísse tais segredos e os divulgasse a outros de fora do grupo, no mínimo seria expulso do clã, quando não o matavam. Isto foi usado por tanto tempo que acabou gravado indelevelmente nos genes do homem, e assim, passa de geração para geração.

 

O indivíduo, ao forçar uma modificação em si mesmo, às vezes até contra suas próprias inclinações, praticava o que se faz numa loja maçônica; se auto educava; é o que significa a alegoria do escultor de si mesmo. O que ocorre dentro da loja é esta força do grupo sobre o indivíduo. Há quem o designe uma força mística. Mágico mesmo é quando se observam pessoas a se modificarem gradativamente para o bem, e isto sem que elas o percebam. O grupo reunido é uma força poderosa para modificar pessoas. - Somos seres sociais por excelência! Sociais porque o grupo exerce uma força incrível sobre cada um de seus membros. Isto é verificável nos grupos de jovens: usar "piercins", cortar cabelo de forma bizarra, tatuagem, e outros sinais de identificação externa, são apenas algumas das modificações forçadas pelos seus iguais. Transfira-se isto para características internas de valores e princípios, espiritualidade, emoções e tem-se o que ocorre dentro de uma loja maçônica. É por isso que não tem como aprender Maçonaria a partir de livros; estes possuem apenas conhecimento, informação; e isto não é educação. Para tal é necessária a convivência.

 

A escola que só transmite conhecimento sem o aporte de princípios, valores e virtudes, não educa, e às vezes sequer transmite conhecimentos. Transmitir conhecimento não é educação. Informação serve quase que exclusivamente para prover o sustento. E como existe apenas a auto educação, cada um só muda quando decide e age para estabelecer uma mudança. E quando esta alteração no seu eu (self) tem o apoio do ego (livre arbítrio) tem-se a auto educação pura e proativa. É sempre orientada para o bem porque a auto educação exige sempre sacrifício, sair da zona de conforto e partir para a ação contra a tendência natural de aderir a vícios, exige força de vontade hercúlea. Sozinho é difícil, mas não impossível. Em grupo a tarefa é facilitada exatamente pela pressão advinda da reunião de diversas pessoas, da energia do pensamento emitido pela coletividade; é genético. O estímulo vem sempre dos irmãos maçons; membros do mesmo grupo social influenciam seus iguais; é um provocando o outro para o bem. E como se tratam quais irmãos, demonstram profundo amor entre si, o perfeito vínculo de união, é certo que onde se reúnem, manifesta-se aquilo que conhecem pelo conceito de Grande Arquiteto do Universo; espírito que permite reunir numa mesma sala pessoas das mais variadas linhas de pensamentos e religiões para discutirem assuntos da sociedade sem que se matem. É uma grande ideia; a maior herança que a Maçonaria recebeu do Iluminismo Francês.

 

É possível ser maçom mesmo sem portar avental, o símbolo do trabalho em si mesmo, da auto educação. O maçom sabe que colocar um avental exige um tácito juramento, formal e sagrado, com trágicas e sérias implicações para consigo mesmo se falhar. O simples fato de ser iniciado na Maçonaria, de portar avental não gera um homem perfeito. Cada loja é a união de homens imperfeitos, livres e de boa vontade, com uma vontade imensa de buscar a perfeição, de se ver aprovado pelos iguais. A virtuosidade aflora quando se entende o benefício da associação e de como empunhar as ferramentas certas na auto educação. O dia-a-dia do maçom é tomado pelo salutar trabalho em si mesmo; trabalha a pedra. Enquanto uma mão empunha o malho e golpeia com força, a outra mão, conduzida pela razão, empunha firme e delicadamente o cabo do cinzel. A ponta afiada do cinzel elimina gradativamente nódoas e excessos da pedra imperfeita, revelando do interior da rocha disforme o homem aperfeiçoado, exemplar obra de arte do Grande Arquiteto do Universo. Esta é a representação do pedreiro esculpindo-se da rocha, é a representação da sua auto educação pelo uso da razão equilibrada pela emoção e espiritualidade.

 

Então é possível tornar-se maçom sem sê-lo? Se faltarem os camaradas de caminhada é difícil, mas possível. Existem muitos homens que nunca viram o piso de um templo maçônico, são maçons sem avental cujo comportamento probo e valioso para a sociedade os faz agirem quais obreiros da pedra, faz deles membros da ordem maçônica sem formalizar sua aderência pela iniciação. Quando identificados, a Maçonaria os convida a fazerem parte da Instituição para reforçarem as colunas de seus templos, de somar força com outros homens de igual disposição mental e espírito servidor da humanidade. É o motivo da entrada na Ordem Maçônica ocorrer sempre em resultado de um convite e não de vontade explicita do pretendente. É este acúmulo de líderes sociais num só lugar a razão de com frequência ouvir-se que a meta de todo maçom deveria ser o de acabar com a Maçonaria; fechar seus templos. Utopia? Mas, e se todos os homens se tornarem perfeitos, qual será então a utilidade da Ordem Maçônica?

sexta-feira, 10 de novembro de 2017


O PRIMEIRO MAÇOM

 

 

Nas pedreiras de antigamente, o trabalho de cortar, desbastar e lavrar pedras era uma atividade de caráter iniciático. Trabalhava-se com maço, ponteira e  cinzel em etapas distintas, conforme se quisessem pedras para alicerce, para parede ou para acabamento.

 

Cada tipo de pedra era trabalhado por operários especialmente treinados para o mister. Daí as graduações que se estabeleceram entre aprendizes e profissionais. Mais tarde, a atividade do artesão do maço (o maçom), evoluiu para um tipo mais sofisticado de trabalho, que já se podia chamar de arte.

 

Foi quando ele começou a tirar da pedra outras formas, imitando a natureza no seu trabalho de formatação das realidades físicas. Esse tipo de trabalho demonstrava que o homem possuía uma inteligência criadora e que sua consciência podia ser refletida na natureza através das obras de suas mãos. 


A história da aplicação do engenho humano nas pedras se confunde com a história da evolução do seu próprio psiquismo. O termo maçom é derivado dessa ocupação e a espiritualidade que acompanha essa profissão é decorrente dessa projeção da consciência sobre a matéria, formatando coisas e objetos, numa imitação da própria atividade criadora de Deus.


primeiro maçom foi o homem que desbastou a primeira pedra bruta, transformando-a em material de construção. Daí dizer-se que a Maçonaria é tão antiga quanto a presença humana sobre a terra, pois ela é uma prática que pode ser considerada contemporânea dos primeiros grupos humanos.

 

É bom que se diga, entretanto, que essa antiguidade só pode ser colocada enquanto prática operativa e atividade especulativa. Não é a Maçonaria como instituição, porquanto esta só apareceu no inicio do século XVIII a partir do trabalho de Anderson e seu grupo [1]

É também nesse sentido que podemos definir a Maçonaria como a arte de interar a mente humana com os elementos da natureza para produzir obra de criação. Como prática operativa ela é o trabalho que constrói o mundo, e como atividade especulativa uma fórmula que aprimora o espírito. Em ambos os sentidos ela é arte de construir, é arquitetura.  


Nos antigos canteiros de obras do Egito e da Mesopotâmia já se costumava separar os trabalhadores em grupos distintivos pelos seus graus. Aprendizes não comungavam com Companheiros nem estes com seus Mestres Um sistema de senhas e códigos eram usados nos diversos níveis profissionais, garantindo dessa  forma o segredo profissional e o método de transmissão dos ensinamentos. [2]

 

No próprio canteiro de obras do Rei Salomão, por ocasião da construção do Templo de Jerusalém, havia, segundo a Bíblia, profissionais e aprendizes de todos os tipos, desde cavou queiros para abrir as valas, serventes para acarretar e transportar cargas, até mestres arquitetos e fundidores, como Hiram e Adoniram, este último também administrador da obra.

 

E foi a partir dessas antigas fontes que nasceu a tradição iniciática que inspirou a divisão da Loja Simbólica dos maçons modernos em Aprendizes, Companheiros e Mestres.  Assim, podemos dizer que a organização da maçonaria tem inspiração nos antigos canteiros de obras egípcios e especialmente em suas pedreiras, cuja hierarquia contemplava essa divisão, sendo a congênere medieval – as antigas corporações de ofício, que congregava os pedreiros livres- uma adaptação de suas ancestrais egípcias.


De outra forma, podemos dizer também que a tradição iniciática que acompanha a profissão do construtor foi desenvolvida mais por necessidade prática do que por motivos religiosos, Constituía um sistema pedagógico, que ao mesmo tempo em que proporcionava segurança aos seus membros, representava um meio de defesa para os seus mercados, pois além de regular o exercício do ofício, mantinha um número ideal de profissionais.


Essa tradição foi repassada aos canteiros de obras medievais. Foi nestes últimos que a tradição de separar os trabalhadores por seus graus de profissionalização sacralizou-se, especialmente pelo fato das organizações dos pedreiros medievais estarem estreitamente ligadas á Igreja.

 

Sendo a época medieval um tempo de intensa busca espiritual, a prática do ofício de construtor passou a ser uma forma de ascese, onde o trabalho da mente se unia ao esforço das mãos para construir a obra externa, que era o edifício propriamente dito, e a obra interna, que era o próprio espírito do construtor. É dessa época a ideia de considerar o corpo humano como uma morada de Deus, da mesma forma que o era a Igreja.

O primeiro maçom especulativo

Não há consenso entre os historiadores de quem teria sido o primeiro maçom especulativo, ou seja, a primeira pessoa não pertencente aos quadros profissionais dos pedreiros livres a ser admitida como membro em suas Lojas.

 

O mais antigo registro de uma iniciação desse tipo é o de John Boswell, lorde de Aushinleck  que, em 8 de junho de 1600 foi recebido como maçom aceito na Saint Mary’s Chapell Lodge (Loja da Capela de Santa Maria), em Edimburgo, na Escócia. Essa Loja teria sido fundada em 1228, no canteiro de obras preparado para a construção da Capela de Santa Maria, naquela cidade, que então era a mais importante da Escócia.

 

Era costume, naquela época, a organização de Lojas entre os pedreiros, pois assim se chamavam às assembleias dos obreiros que se reuniam para discutir sobre os assuntos referentes às obras e à profissão.


Após a iniciação de Lorde Bosswel, o processo de aceitação de maçons não profissionais se tornaria comum.

 

Logo se espalharia pelos canteiros de obras da Escócia, Inglaterra, Alemanha, França e outros países, de tal maneira que, ao final do século XVI, o número de maçons aceitos- então chamados de especulativos   ultrapassasse, os operativos. Assim, na primeira metade do século XVII, encontram-se registros de várias pessoas importantes sendo admitidas nas Lojas dos pedreiros livres.

 

Nomes como os de William Wilson, aceito em 1622, Robert Murray, tenente-general do exército escocês, recebido, em 1641, na Loja da Capela de Santa Maria, que se tornou posteriormente, Mestre Geral de todas as Lojas do Exército; o coronel Henry Mainwairing, recebido, em 1646, numa Loja de Warrington, no Lancashire e o famoso antiquário e alquimista Elias Ashmole, recebido na mesma Loja e no mesmo dia (16 de outubro) que o coronel Henry.


Na área da arquitetura os maçons operativos já haviam perdido a maior parte do seu prestígio, já que a forma arquitetônica tradicional deles, a gótica, já havia caído em desuso, eclipsada pela modelo neoclássico. Porém, em 2 de setembro de 1666, um grande incêndio irrompeu na cidade de Londres, destruindo mais da metade da cidade -cerca de quarenta mil casas e oitenta e seis igrejas.

 

Nessa ocasião, os maçons operativos foram chamados para participar do esforço de reconstrução da cidade, sob a direção do renomado mestre arquiteto Cristopher Wren, que foi logo iniciado maçom.  Foi no canteiro de construção da igreja de S. Paulo, que ele presidia que em 1691, foi fundada a Loja São Paulo (em alusão à igreja), conhecida como Loja da taberna "O Ganso e a Grelha", uma das quatro Lojas que, em 1717, iria, juntamente com as outras três Lojas londrinas, se unir para a fundação da Grande Loja de Londres. Nasceria dessa fusão a Maçonaria moderna. Londres só iria terminar em 1710.

  

[1] Anderson, por exemplo, situa o nascimento da Maçonaria no Éden e indica seu filho Seth como sendo o primeiro maçom histórico. “Entretanto, antes do nascimento da moderna maçonaria, com a fusão das Lojas Londrinas e o advento das Constituições de Anderson, havia Lojas que atribuíam essa primazia ao rei Nenrode, citado na Bíblia como “poderoso caçador” perante o Eterno”,  pela construção da famosa Torre de Babel.

 

Há também os que sustentam ser Moisés o primeiro maçom pelo fato de ele ter fundado a primeira e verdadeira fraternidade do mundo, ou seja, a nação de Israel. Da mesma forma, existem teses que conferem esse título a Zorobabel, o rabino judeu que liderou a reconstrução de Jerusalém após a volta do cativeiro da Babilônia. Esse parece ter sido o pensamento de André Michel de Ransay, por exemplo.
 

[2] Em nosso trabalho “Lendas da Arte Real”, identificamos Moisés com Osarseph, um líder dos trabalhadores das pedreiras, que organizou e liderou essa classe de trabalhadores no Egito, fundando uma poderosa organização. Isso teria ocorrido no século XIV AC, época em que a maioria dos historiadores acredita ter ocorrido o Êxodo israelita. Segundo Apion, esses trabalhadores, escravos na maioria, eram estrangeiros e as regras estabelecidas por Osarseph eram bastante semelhantes às que Moisés escreveu para os israelitas.

 

Por: João Anatalino

Fonte: https://focoartereal.blogspot.com.br/