segunda-feira, 11 de dezembro de 2017


AS TRÊS COLUNAS (SABEDORIA - FORÇA - BELEZA) - Texto sobre Maçonaria / Rosacruz / Martinismo

·         Postado por HERMES (ISSARRAR BEN KANAAN) em 13 maio 2014 às 18:30

 



Os Pilares Sabedoria, Força e Beleza


A lição imediata que o Iniciado Maçom recebe é da existência das três colunas mitológicas, a da Sabedoria, a da Força e a da Beleza. Colunas essas que representam também os três graus maçônicos, determinados na Constituição de Anderson.

Iniciando pelo Oriente, o Ven. M. está relacionado ao planeta Júpiter, visto que representa a Sabedoria. Júpiter rege a visão, a prosperidade, a  misericórdia, a liturgia, o sacerdócio, o mestrado e a felicidade. A sua função lhe confere prestígio, característica principal de Júpiter.

De forma óbvia, o 1º Vig. e o 2º Vig. são regidos, respectivamente, por Marte e Vênus, planetas da força e da beleza, simbologia das Colunas onde têm seus tronos. Marte rege o início, a coragem, o pioneirismo e o impulso. Vênus rege a harmonia, o prazer, a alegria, e a beleza como reflexo da manifestação do GADU (Grande Arquiteto do Universo).

O GADU trabalha a todo instante construindo o Templo Perfeito. Quando os maçons trabalham simbolicamente em Loja, para construir um Templo com "Colunas", com três "Pilares", simbolizando a Tríplice Natureza do Grande Arquiteto - Sabedoria, Força e Beleza - os dois reinos do espírito e matéria se unem, e a Grande Loja Eterna envia suas forças espiritualizantes para a Loja aqui em "baixo". É por isso que toda Loja Maçônica, ao encerrar sua reunião, distribui suas forças para o mundo. Tal como se dá com um reservatório que haja lentamente captado água de muitas pequenas correntes e por fim transborda, irrigando os campos, assim se dá com uma Loja Maçônica. Os maçons trabalham como instrumentos da "Grande Loja Eterna", pela qual são distribuídas forças para auxiliar os homens.

Segundo assinala René Guénon, nos antigos rituais operativos se necessitava a reunião ou o concurso de três mestres para que uma Loja pudesse trabalhar regularmente, representando cada um deles um determinado arquétipo espiritual ou Nome Divino Criador. Essa simbólica permaneceu na Maçonaria atual e esses três Mestres não são outros que o Venerável e os dois Vigilantes, cujas funções respectivas se vinculam com um Atributo, Aspecto ou Nome de Deus. Sabedoria, Força e Beleza são os nomes que recebem os três pilares ou três "pequenas luzes" situadas no centro da Loja, dispostas em forma de esquadro. Esses três pilares são chamados também de estrelas (alusão direta à sua simbólica celeste), as quais são feitas "visíveis" e presentes na Loja graças à invocação dos Nomes Divinos. O rito de acender estes pilares, acompanhado pela invocação dos Nomes Divinos, assinala o momento preciso em que a Loja, até então em sombras, torna-se plenamente iluminada, produzindo-se um passo das "trevas à luz". É, pois, um rito essencialmente cosmogônico, análogo ao "Fiat Lux" do Verbo criando a ordem cósmica ao fecundar o Caos Primordial, quer dizer o conjunto de todas as possibilidades de manifestação que se atualizam graças a essa ação do Demiurgo. 

Portanto a abertura da Loja descreveria de maneira simbólica um processo análogo ao da criação do mundo. Por outro lado o termo Loja procede de "Logos", a Palavra, ou Verbo, e também de termos linguísticos que designam a luz, como o grego "liké". De fato, o templo maçônico (como qualquer recinto sagrado) é uma imagem simbólica do cosmos, que por sua vez é o Templo Universal e a obra direta do Criador.

E assim como este "tudo disposto em número, peso e medida", a Loja se edifica com Sabedoria, Força e Beleza, ou com Fé, Esperança e Caridade, as três altas virtudes que se correspondem respectivamente com cada um dos três pilares. Na tripla invocação se apela à Sabedoria de Deus como verdadeiro artífice da obra de criação a que preside; a sua Força como a vontade que sustém e a regenera perenemente; e a sua Beleza como a energia que a adorna ao imprimir-lhe as medidas exatas e harmônicas que conformam sua ordem interna e externa, reveladas fundamentalmente através das estruturas geométricas e simbólicas. 

Com as invocações desses atributos divinos também se está recordando, ou reiterando na memória dos presentes, aquilo que se diz nos Salmos: "Se o Eterno não edifica a casa, em vão trabalham os que a edificam". Só depois dessas invocações e graças ao influxo espiritual que nelas se contém, o espaço da Loja (do Templo Universal), previamente "enquadrado" pelas "circunavegações" dos Vigilantes, fica iluminado ou ordenado em toda a extensão do mesmo. 

É a partir desse momento que se procede a abertura do Livro da Lei e a dispor sobre ele o compasso e o esquadro, o qual leva a cabo o Orador da Loja, Oficial ao qual se considera como o "guardião" do rito. O Livro e os dois instrumentos constituem as "Três Grandes Luzes" da Maçonaria situadas em cima do Altar dos Juramentos, quer dizer, no ponto geométrico de onde simbolicamente se efetua a união do céu e da terra, da vertical ao horizontal. 

Essa união está representada pela posição em forma de estrela de Davi, ou selo de Salomão, do compasso e do esquadro, ambos símbolos respectivos do céu e da terra. A Loja parece, assim, como o lugar de onde se manifesta a conjunção céu-terra e por conseguinte a comunicação entre o mundo superior e o mundo inferior. Nesse sentido, recordaremos que na rica iconografia descrita nos quadros da Loja Maçônica em ocasiões aparece uma escada (símbolo do eixo) apoiando sua parte inferior no altar com as três grandes luzes, enquanto sua parte superior toca os céus. Ao integrante da Loja se lhe indica assim qual há de ser o caminho que deve seguir em seu processo interno, um caminho vertical, para o "alto", sem esquecer, que essa ascensão só é possível graças à compreensão da doutrina tradicional. Esta se articula e se expressa através do ensinamento veiculado pelo Livro da Lei (que recolhe as revelações ou teofanias transmitidas aos componentes da "cadeia tradicional") e o compasso e o esquadro (instrumentos que servem para trazer as medidas prototípicas do céu e da terra aplicada à construção mediante o uso da geometria sagrada). 



Gostaria de chamar a atenção sobre uma atividade concreta, levada a cabo durante todo o dia, que resulta especialmente susceptível de ritualizar-se e que pode ajudar mui discretamente a preparar os estados de Sabedoria, Força (ou Perfeita Solidão ou Silêncio) e Beleza, com o uso adequado da linguagem e o cultivo do silêncio. 

O uso da palavra, sendo algo cotidiano, no marco dos Ritos Atemporais toma, a sua vez, uma importância capital. Aludiremos aqui, a modo de exemplo, a uma invocação concreta pela qual, recitando de uma determinada maneira as palavras sagradas: Sabedoria, Força e Beleza é possível fechar a Cadeia de União. 

Estes três atributos representados por três Pilares Sagrados, segundo o Vedanta (para quem segue o hinduísmo), correspondem a outras tantas funções do Sannyasi (grau espiritual correspondente àquele que cumpriu a realização perfeita) as quais são: Balya, Panditya y Mauna. Funções que, a sua vez, correspondem a três shaktis da Trimurti. 

Balya, correspondendo-se com Lakshmi (shakti de Vishnu) equivale à Beleza. Estado de não expansão, onde todas as potências do Ser estão concentradas em um ponto, realizando em virtude de sua unificação uma simplicidade embrionária. É o retorno ao estado primordial, estado comparável a de um menino.

Panditya, correspondendo-se com Saraswati (shakti de Brahma) equivale à Sabedoria. Atributo relacionado com a função de ensinamento, ou qualificação para despertar em outros as possibilidades correspondentes. Supõe a perfeição do conhecimento teórico. 

Mauna, correspondendo-se com Parvati (shakti de Shiva) equivale à Força. Último grau, que representa o estado de Muní, do silêncio ou solidão, única condição na qual pode se realizar verdadeiramente a União. 

Esses 3 atributos invocados ritualmente encontram também suas equivalentes na tradição extremo-oriental na teoria das "Quatro Felicidades". Assim, a Beleza, ou restauração do estado primordial, corresponde às duas primeiras felicidades: Longevidade (perpetuidade da existência individual) e Posteridade (prolongação indefinida do indivíduo através de todas as modalidades). A Sabedoria encontra sua homóloga no Grande Saber. E a Força na Perfeita Solidão. A respeito do cultivo do silêncio é sobejamente conhecida sua implantação em toda Ordem Iniciática Tradicional.

Podemos fazer, ainda, alusão dos três pilares aos Arcanos do Tarô:
 

A Sabedoria corresponde ao Arcano II, a Sacerdotisa, ou Ísis mãe dos Iniciados. A ciência iniciática que é preciso saber descobrir por si mesmo. Ísis não confia a chave dos mistérios à não ser aos seus filhos. Os Filhos da Viúva, dignos de conhecer seus segredos.
 

A Força é por si só o arcano XI. É o Oficial que se fez forte por si dominando-se a si mesmo. A prova de fogo exterioriza a fogosidade interna. O Iniciado que por ela experimenta em si um vazio atraente para o agente dinâmico exterior. Por esse fato se aproxima da coluna Booz, da qual extrai a Força que executa.
 

A Beleza corresponde ao Arcano X, a Roda da Fortuna. No centro de si mesmo ao Iniciado percebe o ardente calor que corresponde à Coluna Jakin. Seu salário de aprendiz se expressa em uma energia de origem interior que o leva a empreender a tarefa com audácia, mas jamais inoportunamente, porque o maçom inicia a obra quando chegou a hora de começar os trabalhos.

Os três pilares também se ligam às Sephiroth da Árvore da Vida na Kabbalah:
 

A Sabedoria corresponde à 2ª Sephirah: Chochmah, que é a própria Sabedoria. É ligada ao número 2, à dualidade. É uma potência masculina ativa, refletida desde Kether (a 1ª Sephirah). Ela é representada pelo nome divino Yah (Essência de Ti Mesmo), e tem como hóspedes angélicos os Ophanim, ou Rodas que são aquelas rodas que Ezequiel teve em sua visão do Trono de Deus. A classe angélica dos Ophanim é a dos Cherubim, que ordenam e desimpedem o Caos Primordial. Eles dão ao homem a luz do pensamento, a força da Sabedoria, os altos ideais.
 

A Força corresponde á 5ª Sephirah: Gevurah. É ligada ao número 5, que emana da potência passiva feminina da própria Força. Corresponde ao Tribunal de Deus, ao cinto, ao braço esquerdo de Deus. É representada pelo nome divino Elohim Gibor (Deus Forte) e tem como hóspedes angélicos os Seraphim ou Potências. A classe angélica dos Seraphim é a das Potências que produzem os quatro elementos sutis: Fogo, Ar, Água, Terra. Dão ao homem seu apoio contra os inimigos exteriores.
 

A Beleza corresponde à 6ª Sephirah: Tiphereth, que é a própria Beleza. É ligada ao número 6. É representada pelo Nome Divino Eloah Va-Daath (Deus de Minha Sabedoria) e tem como hóspedes angélicos os Malikim ou Reis. A classe angélica dos Malikim é a das Virtudes, que produzem o reino mineral. Dão ao homem a força necessária para vencer as potências da mentira, e lhe dão a recompensa.

Mas, quiçá, o rito mais significativo e importante da clausura maçônica é a CADEIA DE UNIÃO, constituída por todos os membros da Oficina "enlaçados" uns com os outros ao redor dos três pilares: Sabedoria, Força e Beleza e do quadro da Loja, quer dizer, no centro do Templo. Certamente, e como se diz no ritual, esta cadeia é o símbolo da fraternidade maçônica, sem embargo poderíamos nos perguntar em base a que deve sua existência essa dita fraternidade e por que se manifesta através da Cadeia de União, pois sem dúvida alguma ela expressa outra coisa bem distinta a qualquer tipo de camaradagem ou coisa equivalente. 

Talvez a resposta esteja nas palavras e gestos que realiza o Venerável Mestre momentos antes de se formar a Cadeia de União: "Irmãos, seguindo o antigo costume não resta mais nada do que cerrar nossos segredos em lugar seguro e sagrado", e ato contínuo leva sua mão direita ao coração, como indicando que é aqui, no coração, no lugar mais puro e central do Ser e onde este se comunica com sua verdadeira essência, onde os segredos hão de guardar-se e cerrar-se. E já se sabe que o coração é o tabernáculo do Verdadeiro Templo, aquele que segundo as Escrituras "não é feito pela mão do homem", pois nada de individual ou particular pode penetrar nele. Portanto esses segredos não são só os que se referem especificamente aos da Ordem Maçônica e à Loja (e que devem ser salvaguardados dos "olhares indiscretos dos profanos"), senão também e poderíamos dizer, que ante tudo, a essência (ou quintaessência) mesma do que se recebeu do ensinamento tradicional veiculada pelos símbolos e os ritos, daquilo que verdadeiramente se compreendeu e assimilou no mais interno de si mesmo, em definitivo, da efetiva e íntima vinculação que cada ser mantém com seu Princípio Uno eterno. Isto seria, pois, o que enlaça ou une os Irmãos entre si, e por isso eles formam a cadeia de união, que é a união com a Unidade de Si mesmos.

Mas, não queríamos terminar sem oferecer um texto das Leituras do Rito de Emulação que resume vivamente o que até agora falamos sobre o Templo Maçônico: 

"Permita-me atrair vossa atenção sobre a forma da Loja, a qual é um paralelepípedo que se estende do Leste para o Oeste, de Este a Oeste, em largura entre o Norte e o Sul e em altura desde a superfície da terra até seu centro e, inclusive a tanta altura como os céus". 

"Uma Loja de maçons se descreve assim para mostrar a universalidade da Ciência e ensinamos que a caridade de um maçom não deve conhecer mais limites que os da prudência."

"Nossas Lojas devem estar orientadas de Leste a Oeste por que todos os Templos dedicados à adoração divina, como as Lojas dos maçons, estão ou devem estar assim orientadas."

"O Universo é o Templo do Deus que servimos. A Sabedoria, a Força e a Beleza sustêm seu Trono como pilares de Sua Obra, porque Sua Sabedoria é Infinita, Sua Força onipotente e Sua Beleza resplandecem na ordem e na simetria do Conjunto da Criação. Ele estendeu os céus ao infinito, como um vasto dossel; dispôs a terra como um estrado, coroou Seu Templo com as estrelas como uma diadema e de Sua Mão irradiam a Potência e a Glória. O Sol e a Lua são os mensageiros de Sua Vontade e toda Sua lei é o Amor." 


AHMAD



Bibliografia

A Astrologia na Maçonaria, de Juarez de Fausto Prestupa;

Os Ideais da Maçonaria, de C. Jinarajadasa;

La Obra del Cabalista, de Z'ev ben Shimon Halevi;

El Tarot de los Imagineros de la Edad Media, de Oswald Wirth;

Manual del Aprendiz, de Aldo Lavagnini;

La Kabbale Pratique, de Robert Ambelain;

La Kabbalah Desnudata, de Knorr de Rosenroth;

Rito de Emulação;

Alcorão Sagrado;

Bíblia Sagrada.




 

domingo, 10 de dezembro de 2017


Chico Xavier e o Ano Internacional da Criança

Chico Xavier/Emmanuel

 

Pedimos ao confrade Francisco Cândido Xavier uma declaração sobre o Ano Internacional da Criança.

Eis a mensagem que nos proporcionou:

 

- Acreditamos que esta legenda é um convite mais acentuado a nós todos que estamos encarnados no Planeta Terrestre, a que abramos os olhos para compreender a condição do Espírito que reinicia ou que inicia os seus passos na viagem da existência física.

Acreditamos que vamos, nós todos, com esta legenda – Ano Internacional da Criança – acordar o coração para o dever que nos cabe junto aos nossos pequeninos, especialmente quanto às mulheres, Às quais foi confiada a chave da vida.

Então, o espírito da maternidade, tão sublimado quanto possível, não do ponto de vista da santificação compulsória, mas de compromissos aos deveres assumidos, imaginemos, por exemplo, determinada mãe, muito jovem, com possibilidades de criar seu filho, com a robustez necessária, que peça os serviços de uma ama para acalentar ou nutrir a criança, subtraindo-se da presença da criança e fugindo ao diálogo com ela.

Não estamos julgando ninguém, mas acreditamos que nós todos, aqueles que nascemos de mães extremamente pobres no mundo material, tivemos o suficiente amor para crescer bendizendo o nome de Deus, e para não perdermos o nosso sentido de fé numa vida melhor, embora estejamos carregando, como sempre, muitas imperfeições.

Então, nossas irmãs de hoje, enriquecidas pela civilização, por patrimônios materiais, se pudessem fazer isto (não temos a menos idéia de desprestigiá-las), achamos que teríamos grandes vantagens em nos ajustar ao espírito de proteção à criança de que nós todos estamos necessitados, para não perder um fruto melhor. Porque Deus determina e cria, mas o homem e a mulher são cooperadores de Deus.

 

Quando se faz uma referência ao sexo, o confrade Francisco Cândido Xavier nos propiciou outra mensagem, dizendo:

- Acreditamos que o compromisso sexual entre duas pessoas dever ser profundamente respeitado. Uma terceira pessoa em qualquer compromisso sexual é uma dificuldade a superar, porque não podemos esquecer que a lesão sentimental é, talvez, mais importante que uma lesão física. E alguém que prometeu amor a alguém deve se desincumbir deste compromisso, com grandeza de pensamento e sem qualquer insegurança. Não compreendemos a promiscuidade. Mas entendemos perfeitamente o relacionamento de alma para alma, com o respeito que nós todos devemos uns aos outros.

 

Instado a manifestar-se também sobre os vícios, o confrade Francisco Cândido Xavier ensejou-nos nova e amorável mensagem:

- Não entendemos o vício como sendo m problema de criminalidade, mas como um problema de desequilíbrio nosso, diante das leis da vida.

E isto não apenas no terreno em que o vício é o mais claramente examinado.

Por exemplo: se falarmos demasiadamente, estamos viciados no verbalismo excessivo e infrutífero.

Se bebermos café excessivamente, estamos destruindo também as possibilidades do nosso corpo nos servir.

Quando falamos a palavra vício habitualmente logo nos recomendamos do sexo.

Mas do sexo herdamos nossa mãe, nosso pai, lar, irmãos, a bênção da família.

Tudo isso recebemos através do sexo. No entanto, quando falamos em vício, lembramo-nos logo do sexo e do tóxico...

Mas o tóxico é outro problema para nossos irmãos que se enfraqueceram diante da vida, que procuram uma fuga.

Não são criminosos. São criaturas carentes de mais proteção, de mais amor.

Porque, se os nossos companheiros enveredam pelo caminho do tóxico, eles procuram esquecer algo.

E esse algo; são eles mesmos.

Então, precisávamos, talvez, reformular nossas concepções sobre o vício.

Há pouco tempo perguntamos ao Espírito de Emmanuel como é que ele definia um criminoso.

Ele nos disse:

- “O criminoso é sempre um doente, mas se ele for culpado, só deve receber esse nome depois de examinado por três médicos e três juízes”.

 

Depois, a uma referência aos desequilíbrios políticos e sociais da Terra, o confrade Francisco Cândido Xavier fez este oportuno lembrete.

- Pensamos com aquela assertiva do nosso André Luiz, que é um Mentor que todos nós respeitamos:

“Se cada um de nós consertar por dentro tudo aquilo que está desajustado, tudo por fora estará certo”.

 

(Transcrito do SEI, no. 589 – “O Espírita Mineiro”, Belo Horizonte, Minas – julho/agosto/setembro – 1979).

 

 

 

 


 

sábado, 9 de dezembro de 2017


DESMONTE DA MAÇONARIA E DA SOCIEDADE

 

Ir Charles Evaldo Boller 

 

Os efeitos das evasões na Maçonaria, independente de obediência e país, é resultado de gradual desmonte. As estatísticas demonstram que desde a década de 1950 a Maçonaria é desmontada à semelhança do hodierno Estado brasileiro. Em termos globais o número de obreiros da Maçonaria e os valores da sociedade crescem à semelhança de rabo de cavalo! Os grupos de poder infiltrados na Maçonaria e na política mundial conduzem as instituições ao sabor de suas insidiosas pretensões. No Estado brasileiro é só ler o PNDH-3 e outros projetos e leis para identificar ideologias perniciosas que contribuem ao desmonte da sociedade brasileira. Os valores culturais do brasileiro estão em risco. O legislativo gradativamente altera a ordem cultural brasileira submetido a escusos interesses de poder e economia alienígena. Sociedades como os Estados Unidos da América fenecem debaixo da degradação de valores e princípios. E quando os valores da educação e hegemonia familiar são prejudicados, ao olhar a história da humanidade, em todas as civilizações, esta degradação define desmonte, sobraram de cada civilização apenas resquícios que "mais se parecem com as colunas de um templo druida em ruínas, rude e mutilado em sua grandeza". Por analogia, e devido ao fato do maçom ser parte desta sociedade em dissolução, implica que a ordem maçônica segue o roldão. 

 

A principal atividade da ordem maçônica é a de propiciar ambiente próprio para homens bons desenvolverem-se ainda mais, tornarem-se líderes na Maçonaria e na sociedade e obterem a educação necessária para oferecer oposição ao desmonte preconizado pelos que mandam no mundo. O que se vê na Maçonaria são manobras de distração, de mudança de foco da essência do que deveria ser realizado em loja. Se a divisão em novos ritos e obediências promove novas linhas de pensamentos ela é correta, vem ao encontro de salvar a atual civilização. Se a razão for dividir para conquistar poder, então a instituição segue o caminho da estagnação, mesmice, trivialidade. Basta observar em qual destes caminhos cada loja segue, para determinar a capacidade de sobrevivência de seus obreiros na ordem maçônica. Se não existirem elementos de atração para o maçom permanecer dentro da instituição, se os líderes da Maçonaria não efetuarem esforços hercúleos para motivar os maçons à prática da ação maçônica, vivemos o fim. 

 

Algumas causas de conhecimento geral de evasão de maçons das lojas são: Educação: não de conhecimento, mas de valores e princípios; pensamento: tíbio interesse para pesquisar, ler e escrever; instrução: aplicada de forma mecânica e sem cobrança; debate: descamba em queixume, lamúria e até explosão emocional; trabalho: aprendizes e companheiros ensinam. Acomodação: obreiro entra calado e sai mudo do templo; vaidade: cargo é motivado por sede de poder e distinção; recrutamento: proposto não tem perfil maçônico; sindicância: irresponsável e negligente; decepção: na maioria das propostas de iniciação busca-se por evolução humanística; desafio: ausência de projetos nas áreas de ciências humanas; prolixidade: oratória inócua, desfocada; voluntariado: não aceita cargo que exige trabalho, dedicação e assiduidade; propaganda: associação é espaço para divulgação de currículos, bens e serviços; proposta: é usual proporem a terceirização da responsabilidade civil individual; proselitismo: reiterada investida para atrair irmãos para religião ou ideologia. 

 

Albert Pike, em 1871, em "Morals and Dogma", relativo aos graus filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito, assim se dirigiu aos irmãos do grau quatro, Mestre Secreto: "Se o irmão estiver desapontado com os três primeiros graus, na forma como os recebeu, e, se pareceu que o desempenho não chegou até o que imaginava; se as lições de moralidade não são novas; onde a instrução científica é rudimentar e os símbolos são explicados de forma imperfeita; lembre-se que as cerimônias e as lições dos graus, com o tempo, foram se acomodando cada vez mais, por supressões e afundando na memória muitas vezes limitada da capacidade e intelecto do mestre e das necessidades do aprendiz recém-iniciado; que a simbologia veio até nós de uma época em que os símbolos eram usados, não para revelar, mas esconder; quando a aprendizagem mais comum foi confinada a uns poucos escolhidos e os mais simples princípios de moralidade pareciam verdades recém-descobertas. Onde esses graus, antigos e simples, agora mais se parecem com as colunas de um templo druida em ruínas, rude e mutilado em sua grandeza, em outras partes corroídas pelo tempo e desfiguradas pelas adições modernas e interpretações absurdas. Estes três graus iniciais, ditos simbólicos, são a entrada para o grande templo maçônico. São as três colunas do pórtico de entrada". 

 

Mesmo com a realidade de 1871, que é semelhante a atual, a Maçonaria cresceu durante as duas grandes guerras e depois começou a decair a partir de 1950, logo após a Segunda Guerra Mundial. Será que o maçom aguarda a eclosão da Terceira Guerra Mundial para motivar-se? Por mais forte que seja a Maçonaria esta não resistirá se seus homens se desumanizam, não pensam e não lutam. 

 

Rousseau iniciou a análise da alienação das pessoas, afirmando ser praticamente impossível escapar da possibilidade de submeter-se à vontade geral em detrimento da vontade individual. O cidadão, em nome da aprovação social e da sobrevivência castra sua vontade individual. Marx leva a questão da alienação ao extremo quando assenta sua filosofia na desumanização resultante do desenvolvimento capitalista, aonde o trabalho aliena do homem até seu próprio corpo, bem como, de sua natureza externa, mental e humana. Ao pensar sobre este tema o maçom acorda o que jaz adormecido em si e se posiciona. Posicionamento exige debate, estudo, ação. Posicionar-se significa perda de poder dos poderosos. 

 

A Maçonaria preconiza a fundamentação filosófica que se use como referência a natureza humana e que se estudem os limites e interesses humanos. Para o maçom e Protágoras, o homem é a medida das coisas quando reconhece suas limitações e assim dimensiona sua ação maçônica dentro de sua capacidade. Os símbolos maçônicos falam ao erudito como aos sem erudição num mesmo nível, cada um responde conforme seus referenciais. Coloca-se o homem no centro da realidade e do saber quando se propiciam oportunidades iguais para todos e se respeitam as limitações individuais. Este laboratório recheado de símbolos existe em todos os ritos da Maçonaria, é só viver o dia-a-dia de cada loja. Levar outros a posicionarem-se é outro dos objetivos que a Maçonaria faz e os poderosos abominam. 

 

Se a Maçonaria caminha para a estagnação, seria porque o "conhece-te a ti mesmo", de Sócrates e da Maçonaria, foge aos interesses dos que realmente mandam no mundo? Os ignorantes são facilmente conduzidos aos redis dos poderosos, salvo uns poucos que observam fatos e dados de ângulo mais elevado. Da maioria ouvem-se brados de ordem e revolta, muita lamúria e pouca ação maçônica. Quando se diz que cada maçom deve permitir que a Maçonaria penetre em si mesmo, significa ação proativa para consigo mesmo e a sociedade, significa: educação, pensamento, debate, trabalho e luta. Ao libertar-se da alienação e passar a pensar por conta própria corta-se o poder dos poderosos, dos alienadores, e disto eles estão cientes; é a razão das hostes inimigas sitiarem e atacarem a Maçonaria, desmontando-a. O desmonte ocorre de dentro para fora. Os piores inimigos, os mais terríveis demolidores da Maçonaria são maçons! Alguns destes maçons nem sabem que são joguetes nas mãos dos poderosos, são até honestos em suas intensões, mas não pensam e não deixam os outros pensarem. Ou então babam pelo poder! Quando não são vítimas de suas próprias paixões servem de instrumento para desfigurar a Maçonaria com "adições modernas e interpretações absurdas". 

 

A ideologia do igualitarismo da Maçonaria e Aristóteles define que os homens devem ser tratados da mesma maneira, mas que a retribuição deve ser proporcional à contribuição individual usando como referência: mérito, necessidade e solidariedade. Desta forma o maçom se humaniza sabendo da necessidade de ação para obter mérito. Sem ação ele se torna peso para os outros maçons. A Maçonaria não é sociedade de auxílio mútuo. Há necessidade de trabalho e ação social. A ação social não está restrita a benemerência que pode ser terceirizada, o objetivo é fazer cada maçom posicionar-se na sociedade como multiplicador de novos pensamentos. Como adquirirá novos pensamentos sem leitura, debate, estudo e escrita? É na autorealização, o último estágio das necessidades de Maslow, que o maçom se motiva e continua perseverante em sua atividade, obtida com ação maçônica constante. Diz o sábio maçom: "lugar de maçom é em loja"! 

 

Um grande iniciado do primeiro século, e muitos outros antes e além dele, chegaram à única conclusão que é apenas pelo amor fraterno que se resolvem todos os problemas da humanidade. Creia na proteção do Grande Arquiteto do Universo, mas, por favor, tranque a porta! - diz o sábio. O caminho para aumentar em número com qualidade é a ação maçônica em todos os sentidos: beneficente, conspiratória, erudita, espiritual, filosófica, fraterna, iniciática, política, social, e por aí afora. Nada se faz sem luta, sem ação. A luta através da ação maçônica não tem necessidade de nova guerra global, basta que cada maçom usufrua e coloque em prática o que desenvolve junto com seus irmãos em sua loja. A diversificação de ritos, lojas e obediências serve para o propósito de oferecer albergue para todas as linhas de pensamento. É só olhar para a história que se deduz que é em resultado de autoconhecimento, de educação - desenvolvimento físico, intelectual e moral - que o homem se liberta da escravidão. A educação liberta o cidadão e, por consequência, o Estado. Resultado: lojas cheias. Apenas quando a absoluta maioria dos cidadãos agirem à glória do Grande Arquiteto do Universo é que a Maçonaria pode ser desmontada; até lá permanece a única fortaleza a opor-se aos poderosos. 

 

Bibliografia: 

 

CASTELLANI, José, A Ação Secreta da Maçonaria na Política Mundial, ISBN 85-88781-02-6, 1a edição, Editora Landmark, 204 páginas, São Paulo, 2001. 

 

CHAVES, Pablo Bonilla, Uma Leitura do Papel da Educação à Luz da Constituição Brasileira de 1988, O Processo Educativo como Elemento Propulsor da Cidadania e da Sociedade, ISBN 978-85-60520-53-4, 1a edição, Núria Babris Editora, 216 páginas, Porto 

 

COSTA, Frederico Guilherme, Maçonaria, um Estudo da sua História, No 12, 1a edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 184 páginas, Londrina, 1991. 

 

Estatística da variação de obreiros na maçonaria norte-americana desde 1924; Masonic Membership Statistics; http://www.msana.com/msastats.asp 

 

ESTULIN, Daniel, A Verdadeira História do Clube Bilderberg, título original: La Verdadera Historia del Club Bilderberg, tradução: Lea P. Zylberlicht, ISBN 85-7665-169-6, 1a edição, Editora Planeta do Brasil Ltda., 320 páginas, São Paulo, 2006. 

 

FERREIRA, Antônio do Carmo, A Função do Maçom na Sociedade, ISBN 978-85-7252-272-4, 1a edição, Editora Maçônica a Trolha Ltda., 148 páginas, Londrina, 2009. 

 

FERRER-BENIMELI, José Antonio, Arquivos Secretos do Vaticano e a Franco-maçonaria, História de uma Condenação Pontifícia, título original: Les Archives Secrètes du Vatican et la Franc-maçonerie, tradução: Sílvio Floreal de Jesus Antunha, ISBN 978-85-370-0288-9, 1a edição, Madras Editora Ltda., 832 páginas, São Paulo, 2007. 

 

GEORGE, Susan, O Relatório Lugano, Sobre a Manutenção do Capitalismo no Século XXI, título original: The Lugano Report, tradução: Afonso Teixeira Filho, ISBN 85-85934-89-1, 1a edição, Boitempo Editorial, 224 páginas, São Paulo, 1999. 

 

ISRAEL, Jonathan I., Iluminismo Radical a Filosofia e a Construção da Modernidade 1650-1750, Radical Enlighttenment, Philosofy, Making of Modernity, 1650-1750, tradução: Cláudio Blanc, ISBN 978-85-370- 0432-6, 1a edição, Madras Editora Ltda., 878 páginas, São Paulo, 2009. 

 

KAMEL, Ali, Não Somos Racistas, ISBN 85-209-1923-5, 1a edição, Editora Nova Fronteira S/A, 144 páginas, Rio de Janeiro, 2006.

 

Livro com a íntegra do PNDH-3, Programa Nacional de Direitos Humanos, Versão três, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Federativa do Brasil: http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf 

 

MASI, Domenico de, Criatividade e Grupos Criativos, título original: La Fantasia e la Concretezza, tradução: Gaetano Lettieri, ISBN 85-7542-092-5, 1a edição, Editora Sextante, 796 páginas, Rio de Janeiro, 2003.

 

MASI, Domenico de, O Futuro do Trabalho, Fadiga e Ócio na Sociedade Pós-industrial, título original: Il Futuro del Lavoro, tradução: Yadyr A. Figueiredo, ISBN 85-03-00682-0, 9a edição, José Olympio Editora, 354 páginas, Rio de Janeiro, 1999. 

 

PIKE, Albert Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry, prepared for the Supreme Council of the Thirty Third Degree for the Southern Jurisdiction of the United States, Charleston, 1871. 

 

Biografias

 

Abraham Maslow, psicólogo de nacionalidade norte-americana. Também conhecido por Abraham H. Maslow. Nasceu em Nova Iorque em 1 de abril de 1908. Faleceu em Califórnia, em 8 de junho de 1970, com 62 anos de idade. Conhecido pela proposta hierarquia de necessidades de Maslow. 

 

Albert Pike, advogado, autor, escritor, historiador, maçom e poeta de nacionalidade norte-americana. Nasceu em Boston, Massachusetts em 29 de dezembro de 1809. Faleceu em Washington, em 2 de abril de 1891, com 81 anos de idade. Reorganizador de todos os rituais do Rito Escocês Antigo e Aceito, do grau quarto ao trinta e três. 

 

Jesus Cristo, líder religioso, rabino e rei de nacionalidade judia. Também conhecido por O Salvador. Nasceu em Belém em 4 a. C. Faleceu em Jerusalém, em 29. É tido pelos cristãos como o Salvador, aquele que nasceu para sacrificar-se e assim redimir os pecados do homem. 

 

Karl Marx ou Karl Friedrich Marx, compositor, economista, filósofo, revolucionário e teórico político de nacionalidade alemã e judia. Nasceu em Trier, Renânia em 5 de maio de 1818. Faleceu em Londres. Inglaterra, em 14 de março de 1883, com 64 anos de idade. Ideólogo do marxismo. 

 

Protágoras ou Protágoras de Abdera, filósofo de nacionalidade grega. Nasceu em Abdera em 480 a. C. Faleceu, em 411 a. C. Foi o primeiro pensador a chamar-se de sofista. 

 

Rousseau ou Jean-Jacques Rousseau, ensaísta, escritor, filósofo, pedagogo e sociólogo de nacionalidade francesa. Nasceu em Genebra, Suíça em 28 de junho de 1712. Faleceu, em 2 de julho de 1778, com 65 anos de idade. Foi de suma influência na Revolução Francesa e no Romantismo. 

 

Sócrates ou Sócrates de Atenas, filósofo de nacionalidade grega. Nasceu em Atenas em 468 a. C. Faleceu, em 399 a. C. Um dos mais importantes pensadores de todos os tempos. 

 

Fonte: JB Informativo nº 0074

 

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017



 

Irmão  Francisco Mello Siqueira

 

Em todas as religiões orientais herméticas, desde as praticadas na China, Índia, Egito, Grécia e outras, o processo de ensinamento consta de duas vertentes: a primeira, é o discurso livre, exotérico, para o conhecimento de todos, do povo em geral, sem reservas, em que pese o seu singelo estado cultural. O outro, é o processo esotérico, reservado aos homens rigorosamente selecionados, segundo o seu maior potencial e mais adiantado estado cultural, para a "iniciação" nos mistérios religiosos. Esses serão preparados devidamente para entrar na posse do conhecimento da verdade. Neste último ensinamento é que reside a exigência do "Sigilo", para que os mistérios religiosos não sejam divulgados àqueles que não estão preparados para conhecê-los.

 

Como teria surgido nas religiões antigas a necessidade de se manter sigilo?

 

Presume-se que nos idos do pós Dilúvio, quando prevalecia na terra as religiões na forma de idolatria, os judeus decidiram formar uma ordem religiosa distinta, a qual acolheria não somente os filhos de Israel mas, também, os gentios que tradicionalmente professavam a fé no mesmo Deus. Num dado momento em que a prática da religião tornou-se perigosa, para fugir à perseguição, para preservar os seus segredos, tiveram que lançar mão do artifício de ministrar os seus ensinamentos religiosos através de símbolos. Dentre os povos idólatras, os segredos religiosos sempre estiveram somente nas mãos dos sacerdotes, os quais praticavam a iniciação de adéptos sob o maior segredo. Mais tarde, a mesma prática foi adotada pelos devotos de outras religiões herméticas, chegando no correr dos tempos até à Maçonaria.

 

Dentre as práticas das religiões antigas o "Sigilo" foi um dos subsídios absorvidos pela nossa Sublime Ordem, conservados que foram os mesmos conceitos, até hoje.

 

A Maçonaria Universal, a nossa Sublime Ordem, na sua milenar sabedoria, ministra os seus mistérios através de um processo gradual de ensinamento, o processo esotérico, absorvido das religiões antigas, o qual é dado a conhecer aos seus membros ao longo de todos os seus graus. Dentre as recomendações transmitidas, duas delas merecem especial destaque neste trabalho. Em primeiro lugar, a recomendação da Moral Maçônica, que é o comportamento que os membros deverão observar, não somente nos templos maçônicos mas, o que é mais importante, nas suas atividades profanas, como homens livres e de bons costumes, para contribuírem como paradigmas na construção do bem estar social da Humanidade A segunda recomendação está inserida na primeira, é a do Sigilo Maçônico, o qual já é exigido do neófito no seu primeiro contato co a Maçonaria, no juramento que presta na sua Iniciação, como de resto é, também, exigido de todos os membros permanentemente no encerramento dos trabalhos das Lojas

 

O Sigilo é, senão o mais importante, pelo menos um dos conceitos mais atacados pelos opositores da Maçonaria. Essa oposição teve início depois da Constituição de 1723, a conhecida Constituição de Anderson, o qual, coadjuvado por Desagulliers, modificou os rituais da Ordem, já, então, começando esta a ser dominada. pelos intelectuais, pelos aristocratas e pelos dissidentes religiosos. Começou aí a maçonaria especulativa. A partir de então teve início o confronto com as igrejas anglicana e católica. Isso aconteceu provavelmente porque a Constituição de Anderson não considerou o aspecto cristológico das Old Charges, as quais eram o esteio da Maçonaria Operativa desde o século XIV.

 

Nessa ocasião, no correr dos séculos XVIII e XIX, a Maçonaria, como ordem dita secreta, tornou-se muito poderosa, tendo sido responsável pelos movimentos revolucionários que eclodiram no mundo todo, dos quais fez parte os ocorridos no Brasil, sendo o mais conhecido o movimento contra o jugo português, o da Inconfidência Mineira.

 

No que respeita ao significado do vocábulo "sigilo", se nos valermos do Dicionário Aurélio verificaremos que os verbetes relacionados em seguida querem significar, em suas raízes a mesma coisa. São praticamente sinônimos, encontram-se entrelaçados em seus mais diversos significados. São eles Mistério, Secreto, Reserva, Cautela, Precaução, Confidencial, Sigilo, Segredo, Enigma, Oculto.

 

Para os leigos e de um modo geral para o grande público, esses termos passam a tomar significados diferentes, na medida em que tocam mais ou menos as emoções de cada um. Assim, alguns desses vocábulos, tais como Reserva, Cautela e Precaução, transmitem idéias normais, sem grande rigor na sua observância. Todavia, outros como Mistério, Secreto, Oculto e Enigma, representam idéias muito fortes e estremadas, de atividades pagãs,anti-cristãs, demoníacas, ligadas ao sobrenatural e que extrapolam os sentidos humanos. Esses vocábulos levam o homem a relaciona-los mais ao ocultismo, no seu sentido mais de feitiçaria, magia, adivinhação, quiromancia etc. Outros, ainda, como Sigilo e Segredo transmitem idéias medianas, cuja observância, entretanto, fica determinada, fica exigida.

 

Assim é que a adjetivação usada pelos inimigos da Maçonaria, rotulando-a de religião ou organização secreta, objetiva impactar os sentimentos, as emoções do grande público incauto, transmitindo-lhe sempre o sentido "negro" do ocultismo.

 

Como pode ser secreta a Maçonaria, quando as suas Constituições são registradas em cartório? Como pode ser secreta a Maçonaria, quando ela dispõe de CGC? Como pode ser secreta a Maçonaria, quando você, meu caro Irmão, eventualmente paga os seus compromissos com a sua Loja, em banco, através de Ficha de Compensação nominal? Como pode ser secreta a Maçonaria quando o seu endereço, através dos templos maçônicos, são notoriamente conhecidos? Esses templos pagam os seus impostos (IPTU) e as taxa de consumo de água e luz. A Maçonaria é, portanto, conhecida dos povos e de todos os governos onde ela é praticada livremente.

 

Ao contrario de nossa Sublime Ordem, as organizações secretas operam na clandestinidade, na ilegalidade, sem paradeiros, sem endereços, em locais "subterrâneos", desconhecidos e não sabidos. E mais, reúnem-se com fins escusos.

 

Vejamos o sentido figurado do vocábulo "subterrâneo", segundo o Dicionário do mestre Aurélio:

 

Verbete: subterrâneo. [Do lat. subterraneu.] Adj. 3. Fig. Feito clandestinamente; secreto, ilegal: 4. Fig. Feito às ocultas com o fim de solapar, comprometer ou destruir alguém ou algo: 5. Fig. Obscuro; misterioso: ~V. drenagem -a, lençol - e lençol de água -a. ~V. subterrâneos.

 

A Maçonaria já esteve na clandestinidade mais de uma vez, principalmente em países totalitários. Mesmo no Brasil, pelas mãos do Imperador D. Pedro I, a Maçonaria, que o elevou ao alto cargo de Grão-Mestre da Loja Grande Oriente do Brasil, em 1822, foi fechada, por problemas políticos. O movimento maçônico estava procurando a liberdade do povo, não mais que isso.

 

Dizer-se que a Maçonaria é uma organização secreta, dentro desse conceito ocultista usado pelos seus detratores que sofismam na sua argumentação é realmente mera especulação.

 

Como pode ser secreta uma organização que promove solenidades "brancas", trazendo para os seus templos autoridades dos três poderes do governo, como convidados ou como palestrantes e, até mesmo, como homenageados?

 

Como pode ser secreta uma organização que não tem um poder central, como as praticadas por àquelas marginais e herméticas e por muitas organizações religiosas, inclusive as suas inimigas?

 

Como se sabe, muitos livros escritos por Irmãos de nossos quadros, por Irmãos que deixaram nossas colunas e, até mesmo, por leigos estudiosos da Maçonaria, estão aí enchendo as prateleiras das livrarias, à disposição de quem queira adquiri-los. Esses livros contam tudo? Sim, quando se trata de Irmãos descontentes. Contam; contam quase tudo, quando se trata de autores verdadeiros e justos maçons. Neste caso, só não contam o essencial, aquilo que só aos iniciados cabe conhecer e que são os nossos mistérios, guardados do grande público, através da prática do sigilo.

 

Mas a segurança da Maçonaria é frágil. Ela pode e tem sido facilmente penetrada. Como poderemos, então, guardar os nossos segredos? A porta de penetração é a seleção de profanos para tomarem lugar entre nós. Por isso que a infidelidade maçônica começa na má indicação de candidatos, passando pela sindicância mal feita. Esse é o ponto Aqueles que foram mal selecionados, certamente não permanecerão por muito tempo na nossa Sublime Ordem. Esses, via de regra, são potencialmente os que mais provavelmente não titubearão em dar a público o pouco conhecimento que chegaram a ter acesso. São esses maus maçons que até mesmo nos "passos perdidos" aproveitam a oportunidade para solapar a Maçonaria. Como deveremos reagir contra esses que, através da ignorância, da inveja, da insatisfação e do ciúme, denigrem a nossa Sublime Ordem?

 

Entendo que a fórmula certa para evitar essas desastrosas atitudes de homens não preparados para integrar a nossa Sublime Ordem é, realmente, aumentar a segurança, apertar o cerco da escolha. É depurar rigorosamente na seleção, inclusive divulgando e submetendo as propostas às outras Lojas, tal como já o fazem as Lojas coligadas da Baixada Santista. Propor somente àqueles de boa formação moral, espiritual, justos, honestos, livres de consciência, de bons costumes, àqueles que já nasceram "maçons". Essa é talvez a maneira de enobrecermos nossa colunas, a maneira de preservarmos e mantermos a intimidade de nossa Sublime Ordem. Não será com quantidade que haveremos de fortalecer nossas colunas. Precisamos nos libertar desses intrigantes.

 

Veja-se, em I Co 15:33, o que o apóstolo Paulo, a propósito do "diz que me disse", recomenda aos Coríntios:

 

33 Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes.

 

Foi num trabalho de um nosso Irmão norte americano que encontrei uma sábia resposta. A de que os verdadeiros segredos da Maçonaria são intangíveis.

 

A Maçonaria tem sim os seus segredos, não há o que negar. Mas longe está de ser uma organizão secreta. A exigência de sigilo de seus segredos começa no juramento do recipiendário, do profano que está sendo iniciado nos mistérios da Maçonaria, o qual segue, resumido: "... jurais e prometeis, ... em presença do Grande Arquiteto do Universo: e de todos os Maçons ... nunca revelar os Mistérios da Maçonaria que vos forem confiados...?

 

Bem, mas o que há de extraordinário nisso? Qual a organização, seja ela religiosa, comercial, intelectual ou familiar, que não tenha segredos ou não pratica reservas ou sigilo de algumas coisas ou fatos? Isso começa a ser praticado na célula social, a família. Todas, inclusive a nossa, evidentemente, mantém no recôndito de sua intimidade fatos, negócios, particularidades físicas e espirituais de seus membros. Esse é o sigilo. É o recatamento natural, inerente ao ser humano. Todos os governos têm os seus assim chamados "segredos de estado" e nem por isso são de caráter ocultista. E, no mundo dos negócios a "alma" é o segredo.

 

Os nossos segredos maçônicos sujeitam até mesmo os nossos Irmãos. São segredos de câmaras, tratados em níveis diferentes, especificamente nas Loja de cada grau. A Maçonaria proclama o cuidado que se deve ter no trato dos assuntos, sejam eles filosóficos, morais, ritualísticos, administrativos e, o que é muito comum e particularmente importante, os assuntos pessoais de Irmãos, cuja câmara específica para analisar e decidir sobre os mesmos é o Conselho de Família. Por isso que, para resguardar o sigilo da Ordem, não se encontram segredos escritos em nossos rituais. A sua transmissão é oral. É de boca para ouvido. É o sigilo de "confessionário"! De resto é isso que nos permite reconhecermo-nos discretamente.

 

Não seria demais citarmos que o próprio Jesus Cristo, o nosso amantíssimo Redentor, no seu ministério aqui na terra usava as duas formas, a exotérica e a esotérica, nos seus ensinamentos ao povo e aos discípulos, respectivamente. Quando falava aos discípulos, pedia-lhes sigilo daquilo que ensinava. Entre tantas citações que se encontram na Bíblia a esse respeito, vale mencionar pelo menos a que se encontra em Mt. 17: 9, a qual registra as palavras de Jesus a Pedro, Tiago e João, depois da transfiguração:

 

9 Enquanto desciam do monte, Jesus lhes ordenou: A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja ressuscitado dentre os mortos.

 

A prática do sigilo é permanentemente lembrada nas Lojas. Por exemplo, nas Lojas vinculadas a Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo, e cujo rito praticado é o Escoces Antigo e Aceito (REAA), qualquer que seja o grau trabalhado, o encerramento dá-se sempre pelo Veneravel Mestre pronunciando as seguintes palavras, que resumimos: "... Antes, porém. de nos retirarmos, juremos o mais profundo silêncio sobre tudo quanto aqui se passou!"

 

Já, em outra potência, o Grande Oriente do Brasil, por exemplo, essa preocupação não é tão grande. Os manuais omitem esse juramento.

 

Se nos reportarmos aos graus filosóficos, particularmente no REAA, o Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito da Maçonaria para a República Federativa do Brasil, encontraremos lá, sistematicamente, em todos os graus, a mesma preocupação, mas, não tão forte.. Quando do encerramento, o presidente da Loja pede o juramento dos Irmãos, com uma, também, pequena diferença,: no lugar de "o mais profundo" usado pela Maçonaria Simbólica é dito "o mais conveniente".

 

Como vimos, nos três casos acima citados, há três maneiras diferentes de tratar o sigilo na Maçonaria. Provavelmente em razão de modificações dos rituais, ao longo do tempo. Em que pese a validade de suas diferentes colocações, entendemos que o "sobre tudo" não pode ser tomado ao pé da letra, pois nem tudo o que é tratado em Loja é segredo. Essa colocação não deve transpor os limites de uma força de expressão! Trata-se, como entendo, de um princípio, no sentido de um axioma e não de uma regra, no sentido de lei. Entretanto, já tenho percebido Irmãos que tratam o assunto sob forte emoção.

 

Isso me faz lembrar de algumas pessoas que exarcebam o sentido das palavras do apóstolo Paulo na sua primeira epístola aos Tessalonicenses, em I Ts 5:16-18. Só para citar um exemplo de como é necessário marter-se o bom senso, transcrevemos abaixo apenas o versículo 17:

 

17 orai sem cessar;

 

Como pode alguém orar sem cessar? E, então, como isso deve ser entendido? Deve ser entendido como princípio e nunca como prática permanente ou como costume, como regra, como lei. Mas a nossa alma deve viver o clima da oração, valendo-nos dela sempre que oportuno ou necessário.

 

O cuidado de preservar os nossos segredos, o nosso sigilo, é muito importante e deve merecer de todos Irmãos uma grande e firme atenção, para assegurar à nossa Sublime Ordem uma eficiente, tranquilizadora e cada vez maior segurança. Isso é parte indispensável do comportamento maçônico. Como no caso da oração, devemos estar sempre alertas, para preservar o "sigilo maçônico".