quinta-feira, 7 de dezembro de 2017


 


MAÇONARIA: TRABALHO VOLUNTÁRIO

Voluntário, conforme o dicionário [1], é aquele “que faz parte de uma corporação por mera vontade e sem interesse” e “que faz de boa vontade e sem constrangimento”. Essa definição, ao qualificar a ação voluntária como “sem interesse”, esbarra no debate filosófico da impossibilidade de ausência de interesse.

O altruísmo, termo criado por Augusto Conte, seria esse ato de ajudar alguém sem ter qualquer interesse individual envolvido, apenas por pura bondade. Nesse sentido, muitos filósofos têm defendido que não existe ato genuinamente altruísta, totalmente desinteressado.

Para ilustrar esse entendimento, se você acredita que atos de bondade, de caridade, que boas ações colaboram para sua evolução moral e/ou espiritual, então qualquer ato seu não será 100% altruísta, pois você tem um interesse pessoal, mesmo que mínimo, de evoluir com isso.

Até mesmo se não esperar tal evolução, mas se você se sente bem em ajudar o próximo, sua ação não será totalmente desinteressada, pois você, em algum nível, sente prazer em ajudar, se beneficiando de alguma forma com isso.  Nesse sentido, não existe ato voluntário sem interesse.

Já a ONU [2] fornece uma definição condizente com tal entendimento, ao declarar que voluntário é “o jovem, adulto ou idoso que, devido a seu interesse pessoal e seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração, a diversas formas de atividades de bem estar social ou outros campos”. Nesse caso, vê-se claramente que a ação voluntária parte de um interesse pessoal, mesmo que motivado pelo civismo.

A Maçonaria é uma oportunidade de trabalho voluntário, tendo nos maçons seus voluntários. A definição mais comum de Maçonaria em uso em todo o mundo é a de que Maçonaria é “um belo sistema de moralidade velado em alegoria e ilustrado por símbolos” [3] [4].

Essa definição é derivada de outra, de autoria de William Preston [5], que considera a Maçonaria “um sistema regular de moralidade, concebido em uma tensão de interessantes alegorias, que desdobra suas belezas ao requerente sincero e trabalhador”. Dessa forma, deve o maçom, logicamente, estar interessado em evoluir moralmente para ser voluntário em um “sistema regular de moralidade”.

Tais definições também indicam que o trabalho voluntário do maçom corresponde a atividades e práticas relacionadas a “alegorias e símbolos”, ou seja, a aprendizagem e execução do ritual, que é a ferramenta de ensino que contém as diversas alegorias e símbolos maçônicos.

Mas, como todo trabalho voluntário, Maçonaria é um trabalho “sem remuneração”, cujas atividades são realizadas por livre e espontânea vontade. Não se ganha na Maçonaria, se gasta. Você investe, além de seu tempo como voluntário, recursos financeiros para manter a estrutura de sua Loja e Obediência.

Por esse motivo, mais do que qualquer outro trabalho voluntário, o maçom deve estar realmente ciente do cunho moral da organização, interessado em tal aspecto, e realizar suas atividades a contento. Em outras palavras, precisa estar 100% comprometido. Assim como não existe um “mais ou menos” médico sem fronteiras, não dá pra ser “meio” maçom.

E o que é ser um maçom, esse voluntário da Maçonaria? É estudar o ritual, não apenas executando-o da melhor forma possível, mas principalmente o compreendendo. É participar ativamente das reuniões, contribuindo com suas ideias e opiniões. É se oferecer para ajudar nas diversas atividades em grupo, ou mesmo para realizar algumas atividades individuais dentro de suas competências, como ministrar uma palestra, criar um web site, pintar uma parede ou trocar uma simples lâmpada.

É ter ciência de que, sendo um trabalho voluntário, você não depende dele para sua sobrevivência e sustento de sua família, devendo, portanto, ir para a Maçonaria e permanecer nela somente se estiver realmente interessado. E cada vez que comparecer faça valer à pena, porque apenas assistir e criticar não pode ser considerado trabalho voluntário… é necessário colaborar.

NOTAS:

[1] PRIBERAM. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Acesso em: 22 de janeiro de 2013. Disponível em: http://www.priberam.pt/dlpo/default.aspx?pal=voluntário

[2] UNIC. United Nations Information Centre Rio de Janeiro. Acesso em: 22 de janeiro de 2013. Disponível em: http://unic.un.org/imucms/rio-de-janeiro/64/158/voluntariado.aspx

[3] GUNN, J.: Death by Publicity: U. S. Freemasonry and the Public Drama of Secrecy. Rhetoric & Public Affairs, Vol. 11, No. 2, pp. 243-277, 2008.

[4] ZELDIS, Leon. Illustrated by Symbols (New York, NY: Philalethes, The Journal of Masonic Research & Letters, Vol. 64, No. 02, 2011), p. 72-73.

[5] PRESTON, William. Illustrations of Masonry. New York: Masonic Publishing and Manufacturing Co., 1867.

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Fonte: https://focoartereal.blogspot.com.br/2017/10/maconaria-trabalho-voluntario.html

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017


 

 

 

 

TRABALHO  E  DESCANSO


 

 

Faze o que deves fazer

Em teus projetos no Bem.

O Tempo é igual para todos,

Mas não espera a ninguém.  

Deraldo Neville

 

 

Trabalho, em termos gerais,

É caminho nobre e são;

Quem possui tempo demais

É que atrai a tentação.  

Pedro Silva

 

 

Pessoa que não trabalha

E que de tudo tem medo?

A vida se lhe embaralha

E a morte busca mais cedo.  

Boris Freire

 

 

Nesta amargosa sentença

É que esta dupla se faz:

Onde a preguiça aparece

A penúria vem atrás.  

André Rodrigues

 

 

Eis a nota conhecida

Da mendiga Conceição:

- “Gente, o que eu quero é comida,

Comida, trabalho não.”  

João Moreira da Silva

 

 

Repouso para o doente

É prêmio justo e sadio,

Mas descanso simplesmente

É tempo incerto e vazio.  

Lourenço Prado

 

 

Até hoje, ninguém sabe

Decifrar este embaraço:

Onde termina a preguiça

E onde começa o cansaço.  

Lobo da Costa

 

 

 

Li, no Além, num leito pobre:

- “Aqui está João Magriço,

Viveu em necessidade,

Mas nunca aceitou serviço.”  

Leandro Gomes de Barros

 

 

Viveu milhares de dias

O amigo Antonio Mombaça:

- “Treze anos para a escola,

Cinqüenta para a cachaça.”  

Lulú Parola

 

 

- “Quando é que você trabalha?”

Disse à Preguiça o João Trunca.

E a Preguiça respondeu:

- “Só no dia de São Nunca.”  

Cornélio Pires

 

 

Luz e sombra, Sol e Noite

Fazem constante harmonia,

Entre o repouso e o trabalho

É que Deus nos fez o dia.  

Auta de Souza

terça-feira, 5 de dezembro de 2017


O que mais Sofremos

Albino Teixeira

 

O que mais sofremos no mundo

Não é a dificuldade. É o desânimo em superá-la.

Não é a provação. É o desespero diante do sofrimento.

Não é a doença. É o pavor de recebê-la.

Não é o parente infeliz. É a mágoa de tê-lo na equipe familiar.

Não é o fracasso. É a teimosia de não reconhecer os próprios erros.

Não é a ingratidão. É a incapacidade de amar sem egoísmo.

Não é a própria pequenez. É a revolta contra a superioridade dos outros.

Não é a injúria. É o orgulho ferido.

Não é a tentação. É a volúpia de experimentar-lhe os alvitres.

Não é a velhice do corpo. É a paixão pelas aparências.

Como é fácil de perceber, na solução de qualquer problema, o pior problema é a carga de aflições que criamos, desenvolvemos e sustentamos contra nós.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017


 
A PRECE DE UMA VIÚVA
 
É costume os maçons se intitularem filhos da viúva. Muitos, porém, o fazem sem intuírem a instituição maçônica como uma coisa viva, que transcenda a materialidade que os nossos cinco sentidos físicos conseguem captar.
 
Esta prece foi escrita considerando-se a instituição maçônica como uma viúva que, movida de um infinito amor por seus filhos, dirige-se ao Criador a implorar perdão para aqueles que, não sabendo ou não querendo guardar seus ensinamentos, se deixaram levar pela vaidade, pelo vício e passaram a cultuar a medalha cunhada.
 
Oh! Senhor e Grande Arquiteto do Universo! A teus pés me prostro súplice pelos meus amados E desvirtuados filhos.
 
Bem sabes com que zelo os orientei no caminho da retidão, No amor pelo ideal da liberdade, Na busca incessante da igualdade E na comunhão eterna da fraternidade.
 
Quantas vezes mostrei-lhes o quão bela, Fortalecida e suave É a vida em união E que só a ti é devida toda honra e toda glória.
 
Oh! Senhor, com que alegria eu via os meus filhos Dominarem com garbo o verbo, Crescerem em graça e companheirismo E humildes se fortalecerem mestres! Com o passar dos anos, porém, Cresceram as tribulações profanas. E alguns dos meus diletos sucumbiram ante as tentações mundanas, Alucinaram-se ante a pompa das honrarias, do brilho do metal e do prazer delituoso do vício.
 
Esquecidos de que a caridade cristã é tesouro imperecível e de que só a prática constante da virtude, que enobrece e dignifica, é caminho seguro a teu redil. Ergueram templos à vaidade, à promoção pessoal, Ao poder econômico e cultuaram a medalha cunhada.
 
Enchafurdando-se na lama do orgulho mesquinho E da insensatez, Difundiram a cobiça, semearam a discórdia E espalharam a desconfiança.
 
Cegos e dementes, julgam-se visionários e gênios.
Em seu desvairo intitulam-se precursores de uma nova era.
 
Oh! Senhor, permita que minhas lágrimas sejam o bálsamo redentor. Que, como o orvalho de Hermon, o meu carinho seja o refrigério Dos atormentados espíritos dos amados do meu coração! Que, com o óleo precioso, eu os purifique até a orla de suas vestes E que por graça lhes seja dada a benção e a vida para sempre.
 
Assim seja!
José Geraldo de Matos
Publicado em O Cinzel
Informativo Fundado em 01/06/2007
Or. . . São João Evangelista—MG
A. . .R. . .L. . .S. . . São João Evangelista – 134
Contato: ocinzel@yahoo.com.br
Tel: (33) 3412-2664
***Publicação restrita ao meio maçônico***
Ano III - Nº 27 - Setembro/09. E. . .V. . .

sábado, 2 de dezembro de 2017


Lenda Maçônica

 

Diz uma lenda que, morreram dois maçons de uma única loja. O primeiro tinha todos os graus existentes, comendas, títulos honoríficos e recitava todos os rituais com uma precisão incrível. Não havia assunto que não dominasse, era um doutrinador mesmo.  Leis, códigos, livros, regulamentos, postura,  nomes e símbolos era com ele. Sua oratória durava horas e rebuscada. O segundo maçom era calado, chegou somente ao grau 3 e ficava sempre ouvindo e calado, apesar de muito tempo na ordem não tinha nenhum título e falava só o necessário. Terminava a reunião ele sumia, ninguém o via, mas também não falavam mal dele. No céu, diante do GADU o segundo maçom foi recebido com tanta honraria que parecia ter chegado lá um Rei. O primeiro maçom entrou e foi recebido como todos.  Então, o GADU que tudo vê, sondou o coração do primeiro maçom e percebeu sua indignação, então perguntou:  "O que te aborrece?,  ele respondeu,  "Eu na terra fui o mais mais de todos o top dos top e ao chegar aqui, quase não perceberam minha presença.  O outro que, nem do grau 3 passou, foi recebido e ovacionado por toda a hierarquia celestial.  Eu sabia tudo da arte real, pregava, falava! "Esse outro, nem a boca abria. O GADU em sua paciência infinita disse:  "Lembra quando ele sumia?  Ninguém o via?  Pois é, ele estava praticando tudo que ouvia na Loja." (Desconheço autor)

Enviado pelo Ir.· Sávio Rego.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

MENTES MAÇÔNICAS OU PROFANAS ?

     


Sempre que chega a oportunidade, apraz-nos visitar Lojas Maçônicas de diversas potências, e para surpresa nossa, ressaltamos a alegria fraterna e a receptividade costumeira na alma do Irmão Maçom.


Observamos Templos bem cuidados, a parte física da Loja, com raríssimas exceções, é motivo de aplausos, por todos os visitantes. Não obstante, a construção do Templo Interior, levantar templos a virtude e cavar masmorras aos vícios, aparentemente, salvo, melhor juízo, anda a bancarrota.


Vejamos, os trabalhos em diversas Lojas, na quase totalidade, existe uma pressa infinita de encerrar os trabalhos, sob a justificativa do avançar das horas, quando existiu atraso para o inicio dos trabalhos por motivos alheios a quase totalidade dos irmãos presentes.


Devemos convir, como princípio maçônico pétreo, inerente a todo Irmão, que o direito de falar, a liberdade de transmitir, ensinar, ouvir, aprender, quase sempre o presidente dos trabalhos utiliza ao seu bel-prazer, determinando o encerramento dos trabalhos para não atrasar o inicio de outra etapa programada que é comer, comer, comer, beber, beber e beber.


Podemos até compreender esta segunda etapa, com naturalidade, desde que, a liberdade de falar em Loja não fosse tolhida, assemelhando-se de que a frente da Loja, encontra-se um tirano e não um Guia Espiritual. Lamentavelmente, do aprendiz, companheiro e mestre, todos tem o direito de falar conforme os nossos landmarks.


Falar por falar, para aparecer, para demonstrar ou afirmar superioridade, como se tivesse num areópago de Atenas, apenas para anunciar o seu conhecimento intelectual, não representa o objetivo de nossa Ordem. Certamente, a finalidade de todos expressarem-se é congregar, comungar, sintonizar com o Bom, o Belo e o Justo, sempre em direção ao GADU.


O aprendizado Maior, na verdade, é abrir o coração, sem reservas nem ressalvas, apoiar ou enriquecer o pronunciamento de qualquer irmão que atravessam provas dificílima, sobremaneira, a palavra nobre esclarecedora e verdadeira virá apoiá-lo e fortalecê-lo para prosseguir na caminhada.


Certamente, podem perceber minha imaturidade pelo pálido ensaio. Conforme o escritor Dostoievski, brilhante em suas Obras, ele afirmava de que "para escrever é necessário sofrer", justificado assim, que ainda não sofri o suficiente para escrever algo que tenha realmente valor e sirva de aprendizagem.


Permitam-me relembrar, como forma de lição quando presenciei uma iniciação maçônica, de um querido amigo, precisamente na noite de 20.03.2010, em determinada potência maçônica, em que aos iniciados não lhes foram concedida a palavra para manifestarem-se sobre a sessão magna de iniciação, como também, não foi permitido a nenhum Irmão visitante ou do quadro, tecer comentários sobre a Iniciação ou dirigir a palavra para demonstrar a alegria, o regozijo, pela admissão dos recém-iniciados. Atitude Infeliz. Imprópria a Arte Real.


O que é mais importante na Ordem? As virtudes ou bebe/come/bebe. Em verdade, caso a finalidade seja a segunda, é preferível permanecer no Lar para afogar seus instintos animalescos e grotescos. A virtude tem, todavia, a explicação de sua escassez em nossos Templos, a fraternidade não é somente para ser pronunciada em discursos, pelos portadores de graus filosóficos avançados, que se arvoram como os portadores da Luz e arvoram de proceder no papel de verdadeiro maçom, contudo - salvo melhor juízo -, deveríamos nos comportar semelhante ao exemplo do verdadeiro médico que não tem necessidade de mostrar seus diplomas, mas, contentar-se em curar.


A Luz existente na maçonaria é tão forte, tão rica, que muitas vezes ofusca, cega momentaneamente, àquele que carregado de medalhas, inadvertidamente, obnubila, acreditando sê a própria Luz, quando na Ordem aprendemos que aquele é virtuoso, nem sabe que o é, aliás, virtude não é palpável, material e aparente, mas, intrínseca na alma, transbordante de serenidade, fraternidade, caridade e bondade.


Sempre é bom recordar que começamos batendo martelo, trabalhando a pedra bruta na busca da simplicidade, da humildade, da verdade, na pobreza e na singeleza da pureza do princípio evolutivo do ser.


Precisamos despertar desta embriagues do orgulho, da vaidade, da sabedoria, da prepotência, que nos faz aparentemente grande, quando grande aos olhos do GADU só o é aquele que Ama.


Precisamos nos fortalecer nesta escola de Amor, chamada Maçonaria, na verdade, ainda continua sendo a Escola Cósmica mais rica na face da Terra.


A Humanidade está doente, não podemos vacilar, em nossa Ordem existem gigantes espirituais, corações generosos e sinceros, e, obviamente, os identificaremos através de expressões fraternas e sinceras, humildes, meigos e de palavras justas e delicadas, sem nenhum sofismas, pois, sua boca fala do que sente o seu coração.


Caso nos mantivermos cegos das Verdades Eternas, como poderemos auxiliar os necessitados que batem a nossa porta, mendigando a Luz. Um filósofo já questionou: Pode um cego guiar outro cego?.



Ao refletir nesta importantíssima ocorrência educativa, estamos buscando levar aos queridos Irmãos um questionamento salutar, sem denegrir ou ofuscar momentaneamente a autoridade maçônica, aliás, o sábio Platão(Foto acima) faz a seguinte alusão: "Uma vida não questionada não merece ser vivida".


Elevemos o nosso pensamento ao GADU e roguemos união e humildade.



Walter Sarmento de Sá Filho
Mestre-maçom

Loja Maçônica Calixto Nóbrega nº 15 - Sousa(PB).