quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Os Cataros II

Paulo Preti .·.

Nos meados do século XII, iniciou-se na Itália um movimento religioso denominado Catarismo (Albigenses), a doutrina dos cátaros era nitidamente diferente da Igreja Católica, numa reação à Igreja Católica e suas práticas, como a venda de indulgências, e a soberba vida dos padres e bispos da época.
 
Eles eram extremamente radicais e dualistas como os maniqueístas, acreditavam que a salvação vinha em seguir o exemplo da vida de Jesus, negavam que o mundo físico imperfeito pudesse ser obra de Deus, acreditavam ser o mundo criação do príncipe das trevas, rejeitavam a versão bíblica da criação do mundo e todo o antigo testamento, acreditavam na reencarnação, não aceitavam a cruz, a confissão e todos os ornamentos religiosos.
 
Com medo da repressão da Igreja, os Cataros mantiveram sua fé em segredo, porém em pouco tempo esta seita atraiu muitos seguidores. Cresceram bastante no sul da França e se estenderam a região do Flandres e da Catalunha, funcionaram abertamente com a proteção dos poderosos senhores feudais, capazes de desafiar até mesmo o Papa.
 
O chamado “Pays Cathare” (País Cátaro) se extendia pela zona chamada Occitania , atual Languedoc, em uma extensão fronteiriça com Toulouse até o oeste, nos Pirineus até o sul, e no Mediterráneo até o leste. Em definitivo, uma área política que, durante o século XIII, limitava-se com a Coroa de Aragão, França e condados independentes como o de Foix e Toulouse.
 
O mais curioso nesta cultura é a cautela por construir seus castelos e abadias em cima de precipícios e inacessíveis colinas, as mais elevadas possíveis, razão pela qual, na atualidade, os fazem muito atrativos por suas inabarcáveis vistas sobre o horizonte e pela observação de paisagens impressionantes.
 
Realizavam cerimônias de iniciação, suas cerimônias eram muito simples, consistia basicamente em um sermão breve, uma benção e uma oração ao Senhor, essa simplicidade influenciou posteriormente uma gama de segmentos protestantes. Possuíam duas classes ou graus.
 
Os leigos eram conhecidos como crentes, e a esses não eram exigidos seguir suas regras de abstinência reservada aos perfecti, ou bonhomes eleitos, que formavam a mais alta hierarquia do catarismo. Para ser um perfecti tinham que tanto homem quanto mulher, passar por um período de provas nunca inferior a 2 anos, e durante esse tempo, faziam a renúncia de todos os bens terrenos, abstinham de carne e vinho, não poderiam Ter contato com o sexo oposto, e nem dormirem nús. Depois deste período o candidato recebia sua iniciação conhecida com o nome de Consolamentum que era realizada em público. Essa cerimônia parecia com o batismo e continha também uma confirmação e uma ordenação.
 
Na idade média, marcada pela violência e pela sede de poder da igreja Católica Romana, o Catarismo chocou-se frontalmente com o dogmatismo da Igreja. A religião catara propunha, como aspectos básicos, a reencarnação do espírito, a concepção da terra como materialização do Mal, por encher a alma de desejos e prende-la às coisas efêmeras do mundo, e do céu como a do Bem, numa concepção dualista do mundo. Mas o principal ponto de discordância, e talvez o mais original, tenha sido a de que os cataros não admitiam qualquer tipo de intermediação entre o homem e Deus.
 
Esta crença chocou-se frontalmente com a religião hegemônica em toda Europa, a base da estrutura social, cultural econômica e religiosa do Feudalismo. Durante muito tempo os cataros foram relativamente poucos, com o tempo, começou a estender-se pela Occitania, até chegar a um ponto cujo resultado era demasiado incômodo tanto para Roma como para a França.
 
Um bastião religioso no centro da Europa não fazia mais que estorvar a cristalização do cristianismo de Roma no continente, e um território não católico era um pretexto ideal da Coroa da França para anexar as terras do Languedoc e expandir-se.
 
Por esta razão, e também pela força que assumiu o catarismo, a Igreja Católica fez tudo para combater sua expansão, classificando o movimento como heresia, em 1209, o infalível Papa Inocêncio II estimulou os fiéis a ir para as cruzadas contra os hereges, com cerca de 20.000 cavaleiros os cruzados massacraram o povo, muitos morreram torturados ou na fogueira, sendo esta a primeira cruzada feita contra cristãos e em território franco. O presente que o santo Papa prometeu em compensação para aqueles que participaram da campanha era a partilha e doação das terras aos barões que as conquistassem, ou seja, converter-se-iam em senhores feudais..
 
A Cruzada Albigesa (devido à cidade de Albi), comandadada por Simon de Montfort (1209 – 1224) e pelo Rei Luis VIII (1226-1229) durou 40 anos. A perseguição arrasou a região dos Cátaros, a resistência teve que enfrentar-se com duas forças enormes, o poder militar do Rei de França e o poder espiritual da Igreja Católica.
 
Na primeira fase da cruzada, foi destruída a cidades de Béziers (1209), onde 60.000 pessoas morreram. Destruída a cidade, os cruzados marcham para Carcassone, onde Simon de Montfort se apossa dos condados de Trencavel (Carcassone, Béziers), conquistando também Alzonne, Franjeaux, Castres, Mirepoix, Pamiera e Albi.
 
Em 1216, ouve outra investida contra os cataros. Simon morre em 1218, acabando também a cruzada, sem, entretanto, extinguir a heresia. Amaury, filho de Montfort, oferece as terras conquistadas por seu pai a Felipe Augusto, rei da França que as recusa, seu filho Luís VIII acabará aceitando as terras.
 
Em 1224 Luís VIII liderando os barões do norte, empreendeu uma nova cruzada que durou cerca de três anos alcançando muitas conquistas até chegar a Avignon, onde termina o cerco contra os hereges. O resultado dessa disputa foi um acordo imposto pelo rei da França aos Senhores feudais das áreas conquistadas e consequentemente os domínios disputados passariam para a coroa da França (Tratado de Meaux, 1229).
 
Militarmente, apesar de terem o apóio de pequenos condados, os cataros não conseguiram resistir ao genocídio das cruzadas, mas elas não conseguiram erradicar o Catarismo de forma definitiva. Foi a Inquisição, a instituição que realmente conseguiu exterminar definitivamente o catarismo.
 
No chamado País Cátaro viviam outras pessoas cuja religião era o catolicismo, Perguntado sobre como distinguir entre os hereges e os outros, o legado papal (inquisidor) respondeu:
 
“Matem-nos a todos. Deus se encarregará dos seus”.

terça-feira, 22 de novembro de 2016


Os Cataros – Rebeldes da Religião Institucional

Carlos Antonio Fragoso Guimarães
 
 
“On entend par fanatisme, une folie religieuse, sombre et cruelle; c’est une maladie qui se gagne comme la petite vérole.”
Voltaire
 
 
 
Monumento em forma de megalito às inocentes vítimas cátaras na cidade de Minerve, França.
 
Durante a imersão da Europa, pelo colapso cultural da Civilização Greco-Romana, na estagnação intelectual e sedimentação do poder feudal na Idade Média, apesar dos rígidos padrões de controle do pensamento e da reflexão pela estrutura eclesiástica, surgiram vozes que se levantavam contra o abuso e a arrogância do poder da Religião de Roma, vestígio do intento de Constantino de transformá-la no braço espiritual do Império. Ainda haviam pontos isolados de luzes e de pensamento, que, como centelhas dispersas, vez por outra se juntavam. Estes movimentos conheciam boa parte da tradição espiritual do ocidente, ecos do pensamento de Heráclito, Pitágoras e Platão, e procuravam recuperar a pureza do cristianismo primitivo, sem as pesadas roupagens da ritualística e dos dogmas romanos. Entre as mais famosas dessas correntes rebeldes, predecessoras da Reforma Protestante e do movimento de liberdade de consciência, base da separação moderna entre Igreja e Estado, temos o movimento da Igreja Cátara, que representou de fato – por sua proposta quase socialista, e da responsabilidade individual – uma séria ameaça à hegemonia da Igreja Católica. Outro movimento, porém de alcance menor e menos “subversivo”, mas não menos potencialmente renovador, parece ter sido o da Ordem dos Templários, contemporâneo dos Cátaros, de início, apoiada pela própria Igreja de Roma.
 
Antes de nos voltarmos a estas duas, temos de precisar o que foi e como se fez o poderio da Igreja Romana na Europa.
 
A Ascensão da Igreja Católica Romana
 
O movimento cristão – de início, um movimento emergido no seio do judaísmo na palestina, e logo espalhado por outras regiões do Império, Ásia Menor e Norte da África – deitou raízes em vários quadrantes, de onde surgiram vários grupos com suas próprias tradições interpretativas da mensagem de Jesus. As comunidades da Ásia Menor, da Grécia, de Alexandria e de Roma formavam Igrejas independentes, ainda que mantivessem contato umas com as outras. Porém, devido à sua localização, a comunidade de Roma tinha um certo destaque, que seria ainda mais reforçado quando Constantino reconheceu e oficializou o Cristianismo, tendo em mente, entre outras, a utilizá-lo como cimento espiritual do Império. Logo após, porém, Constantino dividiu o Império em duas partes, a do Ocidente, com capital e Roma, e a do Oriente, em Constantinopla. A Igreja igualmente teria duas cabeças principais, uma em Roma, tendo por língua oficial o Latim, e outra em Constantinopla, tendo por língua oficial a mesma que já vinha sendo a língua geral desde o início do Império, o Grego (que também foi a língua em que foram escritos e traduzidos os primeiros livros cristãos). Roma teria o Bispo, chamado posteriormente de Papa, e Constantinopla, de Patriarca. O que, de início, começou como uma religião dos oprimidos do império, indo dos povos colonizados, passando pelos escravos e grande maioria de plebeus, constituía, apesar da perseguição oficial do Império, uma crescente comunidade no sentido lato do termo, um comunismo autêntico, gerado pela compreensão da dor mútua e da partilha de ideais de igualdade e fraternidade. Porém, os dominados passaram a ser muito mais numerosos que os dominantes e, com a entrada destes, por interesses políticos diante da transformação do Império, os dominadores acabaram tornando-se novamente preponderantes e passaram a exigir que o Cristianismo abrigasse práticas e detalhes dos antigos cultos pagãos. Daí os sacerdotes católicos com seus altares, missais, estolas, mitras, etc. O fator político-econômico passou a moldar o Cristianismo oficializado, tendo seus aspectos originais sido deturpados pela simbiose Cristianismo de Constantino/religião pagã.
 
Ao longo do século V, porém, a Igreja Romana viveu sérias ameaças à sua sobrevivência e, por volta de 490, a situação tornou-se desesperadoramente precária, isto porque, com a mudança da maior parte das pessoas para Constantinopla, a ex-grande cidade ficava à mercê das invasões bárbaras do norte da Europa. E a igreja de Roma estava ainda muito longe de ter a hegemonia do poder espiritual na cristandade dentro e fora do Império, processo inevitavelmente ligado à implosão ocidental deste – agravada pelo fato de Constantino haver transferido a corte de Roma para Constantinopla. Pouco antes da transferência, entre 384 e 399, com o apóio oficial, o bispo de Roma já era denominado papa, mas isto não significava muito, pois sua condição oficial, em termos de cristandade, era bem diferente do que passou a ser alguns séculos mais tarde quando passou a desempenhar o papel de líder e cabeça suprema do cristianismo ocidental – Os gregos e outras comunidades do leste europeu e da África e Ásia jamais aceitaram esta condição, no que resultou no cisma entre as Igrejas Católica Romana e Católica Ortodoxa no século XI. Na verdade, até o século V o papa era uma figura que representava apenas uma função centralizadora de interesses velados do colégio eclesiástico romano, que já possuía e investia pesado em uma supremacia teológico-política. Mas esta era apenas uma escola dentre muitas outras linhas do cristianismo, todas lutando por manterem-se vivas e adotarem livremente seus pontos de vista a respeito da mensagem do Cristo. A Igreja de Roma, sob pressão de Constantino, que a rigor, continuava sendo um crente dos cultos a Mitra e do Dol Invictus, cuja festa máxima era comemorada no solstício de inverno, no dia 25 de dezembro, lutava desesperadamente para sobressair-se dentre as demais, combatendo uma grande variedade de pontos-de-vista teológicos diferentes dos seus. A pesar de encravada no coração do Império, de início a Igreja de Roma não possuía moralmente maior autoridade que outras, como, por exemplo, a Igreja Grega ou a Igreja Celta. E sua autoridade não era maior que a de outras correntes cristãs ainda mais distantes, do leste e o oeste de Roma.
 
Se a Igreja de Roma quisesse sobreviver à derrocada do Império (na verdade, tendo uma tentativa de manter alguma coisa deste) que se esfacelava diante das invasões bárbaras e, ainda, criar uma hegemonia sobre todo o pensamento cristão, exercendo uma grande autoridade e poder, ela necessitaria do apóio de um reino forte e de uma poderosa figura secular que pudesse representá-la resgatando um pouco da mística do Império dos Césares, impondo grande reverência e respeito. Daí que, para que o mundo cristão evoluísse segundo a doutrina romana, a Igreja Católica deveria ser disseminada, implementada e imposta por meio da força secular – uma força suficientemente poderosa para enfrentar e finalmente extirpar o desafio das outras escolas cristãs.Por volta de 486, um rei bárbaro, o rei franco-merovíngeo Clóvis, tinha expandido extraordinariamente a extensão de seus domínios, anexando reinos e principados adjacentes e vencendo várias tribos rivais. Cidades importantes passaram a fazer parte de seu reino, como Troyes, e Amiens, nas regiões da Gália. Em pouco mais de 10 anos de conquistas, Clóvis era o chefe mais poderoso da Europa Ocidental. E foi em Clóvis que a Igreja Católica tinha achado um campeão para seus interesses. E foi através de Clóvis que a Igreja Católica finalmente iria conseguir estabelecer uma supremacia que não foi seriamente questionada – devido à “Santa” Inquisição – na Europa por mais de mil anos.
 
O pacto estabelecido entre Clóvis e a Igreja assegurou um triunfo político para ambas as partes. Ao primeiro assegurava legitimidade numa época em que os ideais cristãos suplantavam os pagãos, e à segunda era assegurada sua sobrevivência, consolidando-a como igual, em condições, à Igreja Ortodoxa Grega, de Constantinopla (muito influente por conta do Império Romano do Oriente, vivo e palpitante até o século XV). Isto faria a Igreja de Roma estabelecer-se como a suprema autoridade espiritual – com base na força militar do reino franco-merovíngeo – na Europa Ocidental.
 
A conversão e o batismo de Clóvis marcariam o nascimento de um novo Império Romano, pretensamente cristão, baseado na Igreja de Roma e administrado, ao nível secular, pelo reino franco e pela linhagem merovíngea – posteriormente traída e derrubada pela própria Igreja. Com poderosa eficiência, a fé católica foi imposta pela espada, e os traços das outras igrejas foram, a partir de então, afrontados pela força e irremediavelmente apagados (em parte) da história; com a sanção da Igreja, o reino franco expandiu-se para o leste, englobando a maior parte da França, Alemanha e outros países modernos.
 
Dois séculos mais tarde, a Igreja já era suficientemente poderosa para achar que a linhagem merovíngea de Clóvis começava a ser um empecilho. Dagobert II, descendente de Clóvis, foi um rei forte que conseguiu domar a anarquia que, antes dele, começava a dominar o reino franco, restabelecendo a ordem, e reconhecendo os interesses políticos e, portanto, cada vez mais menos espirituais da Igreja. Tanto assim que ele parece ter abortado deliberadamente as tentativas desta de se expandir ainda mais. E, em virtude de se ter casado com uma princesa visigoda (cujo povo, apesar de declarar fidelidade a Roma, tinham um imensa simpatia por idéias consideradas “heréticas”, ou seja, por interpretações da mensagem de Cristo não aceitas pela ortodoxia latina) havia adquirido um imenso território, onde hoje é o Languedoc, região Sul da atual França e base dos futuros Cátaros. Dagobert parece ter adquirido algumas das tendências arianas que questionavam a autoridade da Igreja. Com tudo isso, não é de se estranhar que ele tenha obtido inúmeros inimigos políticos, entre eles seu chanceler, Pepino, o Gordo, que, alinhando-se com outros inimigos e com a Igreja, planejaram o assassinato de Dagobert e o extermínio da linhagem merovíngea. Cabe salientar que, dois séculos após sua morte, Dagobert II foi canonizado, como uma forma de encobrir a traição visível da Igreja ao pacto que fizera com Clóvis.
 
Os Cátaros
 
Nas palavras da Igreja Romana, no século XII a região do Languedoc estava “infectada” pela heresia de um movimento considerado por ela como nocivo, chamado de catarismo pela Igreja de “a lepra louca do sul”(não suportava a Santa Madre Igreja qualquer concorrência ao seu domínio espiritual e político nem tolerava qualquer interpretação espiritual fora das instruções romanas). Embora fosse sabido por todos, em especial nas regiões adjacentes ao Langedoc, que os adeptos dessa heresia fossem essencialmente pacíficos e muito estimados pela população local, tendo muitos nobres entre eles. Tal movimente se constituía, para os doutores do Vaticano, uma grave ameaça à autoridade romana, a mais grave que Roma encontraria nos três séculos seguintes, até a chegada de Martinho Lutero. Por volta de 1200, a popularidade do movimento era tal que havia realmente a possibilidade real de que o catolicismo romano fosse substituído, como forma predominante de cristianismo, no Languedoc, pelo catarismo que estava se irradiando para outras partes da Europa.
 
E, 1165 a Igreja havia condenado formalmente o catarismo na cidade de Albi, no Languedoc. Daí por que os conhecemos também por albigenses. Muitas de nossas informações sobre eles provêm de fontes eclesiásticas católicas, e criar um quadro correto dos cátaros a partir destes documentos é como compreender a resistência estudantil brasileira, no tempo da Ditadura, a partir dos relatórios dos militares e do DOI-CODI, ou compreender a Resistência Francesa, na Segunda Guerra Mundial, a partir dos relatórios da Gestapo. Em geral, os cátaros acreditavam na doutrina da reencarnação e reconheciam Deus não como um princípio com traços antropomórficos puramente masculino, mas como tendo, igualmente, princípios femininos. Na verdade, Deus estava bem acima das limitações do entendimento humano (o que nos remete, em parte, à doutrina dos Druidas e Pitágoras e Platão). Tanto que os pregadores e professores das congregações cátaras, conhecidos como parfaits, eram de ambos os sexos. Sendo o ser humano criação e filiação da divindade, as polaridades masculinas e femininas não seriam antagônicas, mas complementares, e, portanto, igualmente importantes.
 
Seu principal texto teológico era o Evangelho de João e um outro texto (talvez o mesmo Evangelho de João) que eles chamava de o Evangelho do Amor. Ao mesmo tempo, rejeitavam veementemente a autoridade da Igreja Católica e negavam a validade das hierarquias clericais, ou de intercessores oficiais entre Deus e o homem. Diziam eles que não encontravam em parte alguma dos Evangelhos justificação para a estrutura eclesial romana. No centro desta oposição residia um principio extremamente importante: a fé só é real se vivida e sentida como uma experiência mística direta, sem passar por uma segunda mão. Além do mais, a única fé real era que produzisse obras, e os cátaros ficaram famosos e adquiriram imensa popularidade pela ação social que promoveram no Languedoc, dando tratamento gratuito de saúde e educação a todos, e sendo tolerantes com membros de outros credos, inclusive judeus, que viviam em paz na região. Em tal ênfase na experiência mística direta e aplicada em uma ética socialista vemos claramente a influência do neoplatonismo, em especial Plotino no pensamento captarão, mas talvez seja mais correto ainda dizer que aqui provavelmente a influência mais direta veio do Cristianismo puro. Hoje diríamos que os cátaros buscavam vivenciar uma experiência de comunhão com Deus, ou uma experiência de transcendência, num domínio Transpessoal, que, antes, chamávamos de místicas.
 
Esta experiência chamava-se gnosis, que em grego significa “conhecimento”, e era privilegiada sobre todas as outras formas de credos e dogmas pelos cátaros. A ênfase na experiência direta com o transcendente, o transpessoal, tornava supérfluos padres, bispos e quaisquer outras autoridades eclesiásticas.
 
Assim, a Igreja, sentindo-se realmente ameaçada, tomou a iniciativa de formar uma Cruzada (a primeira dentro da Europa e contra irmãos cristãos ocidentais, já que cristãos orientais foram trucidados, com as bênçãos de Roma, junto com árabes e judeus nas estúpidas Cruzadas clássicas à Terra Santa) com o fim de extirpar de vez com a “heresia” cátara: a Cruzada Albigense.
 
Em 1209, um exército de mais de 30 mil homens, desceu do norte da Europa em direção ao Languedoc, no sul da França, para executarem uma das maiores carnificinas da história humana. Na guerra que se seguiu, a população tomou a espada e defendeu com ênfase os cátaros contra o despotismo católico.
 
Diz-nos o professor Hermínio C. Miranda que:
 
“Na verdade, a calamidade que se abatera sobre a região atingia em cheio também os católicos (locais). E não apenas aqueles que davam certa cobertura aos ‘heréticos’ e os respeitavam e até tinham por eles claras simpatias. Em repetidas oportunidades, a população lutou (e morreu) unida, contra o inimigo comum – independentes de preferências religiosas. Aliás, como temos visto, o povo convivia muito bem com os cátaros, tinha entre eles amigos e parentes e deles recebia atenção, ensinamentos, assistência social, religiosa e tratamento de saúde, fossem ou não croyants” (MIRANDA, 2002, p 240).
 
Igualmente interessante é a observação do escritor H. G. Wells no volume II de História da Civilização, à página 380:
 
“E é assim que vemos o espetáculo de Inocência III a pregar uma cruzada contra esses desafortunados sectários e a permitir o alistamento de todos os desclassificados, vagabundos e desordeiros da época, na obra de levar o fogo e a espada, a violência e o rapto e todos os ultrajes concebíveis aos mais pacíficos súditos do rei da França. As descrições das crueldades e abominações dessa cruzada são de leitura bem mais terrível do que qualquer narração dos martírios dos cristãos pelos pagãos e possuem, além disso, o acrescido horror que lhes vem de as sabermos indiscutivelmente verdadeiras”.
 
A região do Languedoc, porém, era independente da França, tendo mais ligações com a Espanha. A cruzada, anexando toda a região à França, além das barbaridades cruéis contra pessoas de bem, revoltou ao extremo toda a população local, incluindo os católicos, que lutaram ao lado e a favor dos cátaros. Assim, quando finalmente o temido e odiado líder militar da cruzada, Simon de Montfort, foi finalmente abatido (conta-se, quando uma pedra de catapulta lançada por uma guarnição feminina da resistência lhe esmagou a cabeça), toda a cidade de Tolosa (atual Toulouse) explodiu de alegria. Uma canção popular da época, em língua Occitana, ou “Oc”, muito parecida com o português – daí Languedoc, ou língua de oc – assim comemorava:
 
Montfort
Es mort
Es mort
Es mort!
Viva Tolosa
Ciotat Gloriosa
Et Poderosa!
Tornan lo paratge et l’onor!
Monfort
Es mort!
Es mort!
Es mort!
 
Todo o território da região ao redor de Toulouse e Carcassonne foi pilhado e as cidades e vilarejos arrasados sem dó nem piedade. Fogueiras imensas eram acessas e nelas, homens, mulheres e jovens eram assados em uma selvageria e sede de morte sem igual. Em algumas cidades, mais de 400 pessoas morreram desta forma “cristã” em uma única noite. Esta febre fanática constituía o fervor cruzado, pois foi prometido pelo Papa que todos os que participassem da “Santa Cruzada” por 40 dias e demonstrassem eficácia contra a heresia teriam não só seus pecados perdoados, como ainda obteriam benefícios materiais legítimos pelo saque. Só na cidade de Beziers, por exemplo, 15 mil homens mulheres e crianças foram exterminados, muitos até mesmo dentro de igrejas. Quando um oficial perguntou a um representante espiritual do papa Inocêncio III, o cínico Arnaud Amaury, arcebispo de Narbonne, como ele iria reconhecer um herege dos crentes verdadeiros, a resposta foi: “Mate-os todos. Deus reconhecerá os seus”. Este ainda escreveu orgulhoso a Inocêncio III que “nem idade, nem sexo, nem posição foram poupados”…. Depois os hereges maléficos eram os cátaros….
 
Ainda assim, os inocentes cátaros e todos os que conviviam na região sofreram abusos indescritíveis. Mesmo assim, “como nos primeiros tempos do cristianismo, os cátaros continuavam a pregar suas idéias pelos campos, nos bosques, em esconderijos e em casas de um ou outro mais corajoso simpatizante e até nas cavernas, numa trágica simetria com as catacumbas frequentadas pelos cristãos primitivos. Não se entregavam, não renegavam suas idéias, nem mesmo quando se lhes oferecia a escolha final entre a vida e a fogueira, ou seja, entre a fé e a morte. A opção de todos – com ínfimas exceções, uma unanimidade – era pelo sacrifício supremo, sem um gemido, temor ou angústia” (MIRANDA, 2002, p. 252).
 
A guerra cruel durou cerca de quarenta anos. Quando terminou, toda a Europa caiu numa espécie de modorra e barbárie, e a Igreja se impôs, pelo espetáculo desumano que cometera, como a única legítima representante de Deus, exercendo poder até mesmo em assuntos civis e de estado, e para que se evitasse um ressurgimento da novas ameaças ao domínio da Igreja, foi criado uma das mais cruéis, vergonhosas e desumanas instituições da História: a “Santa” Inquisição, de triste memória, e que deu nomes de porte de um Torquemada. Oficialmente extinta, a Inquisição, porém, continua com outro nome: Congregação para a Defesa da Fé, tendo feito, no século XX, novas vítimas, entre elas Pierre Teilhard de Chardin e, mais recentemente, Leonardo Boff. O seu atual mentor se consolida na figura do Cardeal Joseph Ratzinger. Ainda não queimando mais corpos, ainda pode queimar obras e proibir idéias nas universidades católicas e nas editoras mantidas pela Igreja, usando ainda veículos impressos e outras mídias para anematizar que pensar diferente…
 
Tendo sedimentado seu total controle na Europa ocidental, a Igreja dominante constituía-se em uma instituição poderosa econômica, política e militarmente. Equiparava-se a um gigantesco feudo, e sua organização impunha uma violenta censura e controle espiritual e intelectual (ou crer ou morrer), submissão total 0à autoridade eclesiástica, etc. Em brutal e explícita oposição ao socialismo humanista dos primeiros cristãos, a Igreja de Roma punha-se com toda a violência que dispunha contra todos os que questionassem a legitimidade cristã de tais atitudes.
 
Um dos movimentos que mais tinha certas ligações com os cátaros era a Ordem dos Templários, criado na Terra Santa, e que representavam uma associação militar cristã, oficialmente protetora das peregrinações religiosas e responsável pela guarda e câmbio de bens, mas igualmente aberta ao estudo e discussão de assuntos místicos. Mas este é uma outra história, e aconselho o leitor a ler mais sobre ambas as ordens.
 
 
Bibliografia:
 
 
Michael Baignet, Richard Leigh e Henry Lincoln, cujo livro O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, Editora Nova Fronteira, 1997, serviu de inspiração e motivação para esta página
Hermínio C. Miranda, em seu excelente livro “Os Cátaros e a Heresia Católica” faz um fabuloso e cativante resumo de quase tudo o que já foi escrito sobre o catarismo. Editora Lachâtre, 2002.
Graham Simmas, Marylin Hopkins e Tim Wallace-Murphy retomam a temática de O Santo Graal e a Linhagem Sagrada em seu excelente livro “Rex Deus”, aprofundando as motivações políticas da Igreja na perseguição aos cátaros e aos templários.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016


No Campo de Provas

 

Ferir o corpo com a desculpa de conquistar a ascensão da alma é operar o suicídio indireto, pelo qual menosprezamos a Infinita Bondade que no-lo empresta, a fim de que o sol do progresso nos assinale a existência.

Atendendo as sugestões dessa ordem, copiaremos, insensatos, a decisão infeliz do lavrador que destruísse a enxada que o serve, na suposição de auxiliar ao campo, ou o impulso delituoso do operário que desorganizasse as peças da máquina que o obedece, a pretexto de ser mais útil.

O engenho físico é o templo em que somos chamados à escola da regeneração.

Nele possuímos a harpa da vida, em cujas cordas podemos desferir a melodia do trabalho e do sacrifício, da abnegação e do amor, preparando o próprio acesso à exaltação da imortalidade.

O cilício mais precioso ao nosso grande futuro será sempre o da própria renunciação em benefício da felicidade dos outros, aprendendo a ceder de nossas opiniões ou de nosso conforto em auxílio dos corações que nos partilham o calor do teto, os quais, muitas vezes, em provação mais árdua do que a nossa, nos reclamam entendimento e bondade ao preço de nossa dor.

Saibamos sorrir entre lágrimas, fatigar-nos no amparo aos que Deus nos confia, emudecer nossa excessiva agressividade, abraçar quem nos fere e apagar nossos próprios sonhos, a fim de que a segurança e a tranquilidade se façam junto de nós naqueles que nos comungam a experiência e somente assim nossa exaustão corpórea será compreensível e justa, porquanto, de nosso cansaço terá nascido a ventura daqueles que atravessam conosco o vale da sombra terrestre, à procura da luz inextinguível, que reina, soberana, na Espiritualidade Maior.

 

Quanto mais clara a nossa luz, mais alta a nossa dívida para com as sombras. Quanto mais sublime as nossas noções do bem, mais imperiosos os nosso deveres de socorro às vítimas do mal.
 
Emmanuel

domingo, 20 de novembro de 2016



ENTRE COLUNAS

“Entre Colunas” - Aquele que estiver “entre colunas” está ocupando um ponto da linha de equilíbrio perfeito e deve ser consciente disso. Ali deve sentir que não é lícito pender para lado nenhum dos extremos dos que formam as colunas laterais. Aprende-se nessas duas colunas a tornar-se consciencioso e firme tanto nas ideias respeitáveis como nas ações dignas. O Irmão que esteja participando de uma reunião maçônica pode solicitar ao Venerável Mestre o direito de ocupar a posição “entre colunas” e esse direito sob nenhum pretexto lhe pode ser negado, desde que haja razões válidas para tal fim. O falar “entre colunas” é erroneamente interpretado como um poder de fazer o que se deseja. Na realidade, ao fazer essa escolha, o Ir,', assume a responsabilidade pelos seus atos e pelas consequências.

Responsabilidade - Nenhum ponto é tão importante quanto aquele, pois retrata não apenas um ponto, mas uma coluna inteira, o local mais divino depois do altar. Ainda que o Irmão ache certo e seguro, reveja e observe com muita atenção todo o procedimento. Não será demasiado checar todos os passos que precisarão ser dados; este é um momento em que a ingenuidade não deve participar. O momento requer sabedoria para não banalizar uma ferramenta de tão importante utilização e ver seu usuário ser reduzido a categoria de bufão, o bobo de sua própria corte. Há pessoas que costumam se queixar com tanta facilidade que se torna difícil discernir os verdadeiros pedidos de ajuda daqueles que são só lamúrias pelo que foi incapaz de produzir por si mesmas. Estando “entre colunas” é lícito ao Ir.'. falar aquilo que bem queira e entenda. Pode acusar, defender a si e a outrem, pedir e julgar; assim como comunicar algo que necessite de sigilo absoluto. Porém, deve ser direto e franco, sem deixar qualquer margem de dúvida e estar cônscio daquela condição em que está revestido e consequentemente da grande responsabilidade por tudo aquilo que disser ou fizer no que possa comprometer sua credibilidade. Comete crime ante as Leis maçônicas se faltar com o decoro e a justiça, a verdade, a moral. Deve falar a verdade, ser justo em todos os sentidos e equilibrado nas suas emoções, não podendo sob nenhum pretexto ser interrompido nem submetido a qualquer limitação de tempo de permanência, ou condições outras ditadas por qualquer dignidade, nem mesmo pela própria Loja. Mas algo que venha a dizer ou fizer sem que haja alguma razão licita e necessária, naquela condição deve ser rigorosamente pesado e medido. Uma simples inverdade, sem grandes consequências, pode nada significar para um Irmão, porém, por menor que ela seja, por menos significativa, se for dita “entre colunas” constitui falta da mais alta relevância, pelo que será julgado. Direitos e Obrigações - Se é direito usar aquela posição sem qualquer interferência da parte de alguma autoridade da Loja, de igual modo a nenhum Obreiro, é facultado recusar-se ir “entre colunas” quando para isto for legalmente solicitado. Lá ele não poderá se negar responder qualquer pergunta, por mais íntima que a considere e não poderá responder com uma inverdade. Não importando as razões ou motivos que o levaram a tal atitude. Por motivos pessoais, sem que haja alguma razão lícita e necessária; por perseguição ou com finalidade de ofender, desafiar, agravar, humilhar. Normalmente um Maçom pode se negar a responder aquilo que não lhe convier, mas se a indagação for formulada “entre colunas”, nenhuma razão justificará qualquer resposta infiel. Transparência - Nenhuma razão justificará que seja mantido silêncio por aquele que tenha algo a responder. Qualquer Maçom presente que tiver conhecimento de algo está obrigado a declarar. A luta por liderança leva a decisões nem sempre sensatas e coerentes com a realidade. É patético verificar que um Irmão que só olha para o próprio umbigo tem a “coragem” de, publicamente, demonstrar sua ignorância e seu egoísmo ao criticar medidas apoiadas pela grande maioria. As possibilidades de uso do “entre colunas” são muitas e amplas. É uma fonte de direito, liberdade e garantia, desde que sejam obedecidas as normas que regem aquele direito. Contudo, o recorrente deve instruir-se nos princípios e práticas maçônicas, pois não há como esconder que se não optar por razões justas e direitos legítimos, ao sair de “entre colunas”, se sentirá menor, menos igual, menos importante, menos convincente e mais desgastado do que antes de pronunciar seu discurso ensaiado.



Para garantir direitos, extinguir dúvidas, solicitar e receber satisfação de atos passíveis de esclarecimentos entre os membros da Loja, não precisa se apoiar no recurso do “entre colunas”. Tem uma série de estratégias e possibilidades disponíveis. Existem recursos para isso mais eficazes: O XIII Landmark– O direito de recurso de cada maçom das decisões de seus Irmãos, em Loja, para a Grande Loja ou Assembleia Geral dos Irmãos, é um Landmark essencial para a preservação da Justiça e para prevenir a opressão; também Cap. VI -CONSELHO DE FAMÍLIA do Regulamento Geral (GLESP) e outros. Orgulho - É preciso ter amor próprio e orgulho, mas em demasia deprava o espírito e corrompem o coração. Se não estivesse tão ressentido, tão cego, tão obstinado, tão orgulhoso, não se atreveria a guiar quem também é ignorante das coisas maçônicas. O orgulho e a humildade são os dois polos do coração humano: um atrai todo o bem; o outro, todo o mal; um tem calma, o outro, tempestade; e a consciência é a bússola que indica a rota conducente a cada um deles: a Fé e a Razão. Compreensão - Muitas e muitas vezes julgamos erroneamente o proceder de um Irmão por não termos percebido quais foram as suas intenções. O bom senso e a compreensão tem o condão de alimentar a nossa percepção.

Existem boas intenções e más intenções. Aquele que ingressa em nossa Ordem com segundas intenções, dificilmente deixa de se transformarem ponto de discórdia. O certo é que a compreensão nos levará a aceitar nosso Irmão com suas qualidades e com seus defeitos.

Sabemos que o desbaste da “pedra bruta” durará enquanto vivo formos, uma vez que, sendo finitos, somos imperfeitos e, em sendo imperfeitos, por mais qualidades positivas que tenhamos, estaremos sempre carregados de defeitos. O difícil é enxergarmos nossos próprios defeitos, enquanto que enxergamos as imperfeições dos outros com uma facilidade incrível. A compreensão entre os maçons está na dependência direta de que cada maçom consiga compreender a si próprio. Relacionamento - Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto, às vezes ganhamos e em outras perdemos. Se sofrermos com determinada perda, isso estará, apenas, aborrecendo e nada mais. Ocorre que para chegarmos a compreender a nós mesmos, precisamos penetrar em nosso interior, vasculhá-lo minuciosamente, buscando retirar dele tudo aquilo que deva ser extirpado. Por aí se vê que não é fácil a busca de um aperfeiçoamento que nos proporcione os meios para que possamos viver em perfeita e constante fraternidade. Uma coisa muito relevante quando se está falando de relacionamento, é se colocar no lugar do outro, para entender sua posição, e aí tomar a melhor decisão consensual com ele. Assim não se precipitar nas decisões, antes escutar o outro. O consenso não é fácil, mas é possível chegar a uma melhor posição para poder tomar a decisão precisa no caminho para a Paz e eliminação de conflitos. O maçom tem que saber que possui virtudes e defeitos, daí porque deve ser humilde e procurar por todos os meios ao seu alcance, perdoar os defeitos dos outros. Que os IIr.'. instrutores incentivemos Neófitos a lerem e meditarem sobre seus direitos e deveres. Finalizando – Ser Maçom não é ser melhor nem pior do que ninguém. É desempenhar num conflito ações apaziguadoras. É ter palavras simples para dizer a verdade. É não ter espírito de hostilidade e vingança, é não ser leviano e prepotente. É saber conciliar e perdoar, é oferecer sua mão amiga e tolerante. É ser como o bambu que vergastado pelos vendavais, serenada que seja a borrasca, volta sempre à sua posição primitiva, aprumada e firme no mesmo lugar em que em que se enraizou. E que fácil seria, caríssimos Irmãos, alcançar um mundo melhor em que todos os homens pudessem viver como Irmãos e apenas regendo nossas vidas pelas sublimes palavras, ditas há dois mil anos, por aquele humilde carpinteiro da Galileia, simples, descalço, sem revestimentos ou condecorações: “Amai-vos uns aos outros”! Mas infelizmente entendemos mal, confundimos os termos, e o que fazemos?

“Armamo-nos uns contra os outros”. O Maçom não deve deixar de dizer a verdade e nem deve deixar de ouvi-las. Nós Maçons devemos ser reconhecidos por muito nos amarmos. Afinal, a resposta “MM.'.II.'.C.'.T.'.M.'.RR..'.” define nossas atitudes se somos ou não maçons!

Ir.·. Valdemar Sansão

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Meu Deus! Não me deixe acusar os meus Irmãos, apodando-os de traidores, porque não partilham o meu critério. Ensina-me a amar os outros como a mim mesmo e a julgar-me como faço com os outros. Se causar dano a alguém, dá-me a força da desculpa, e se alguém me causa dano, dá-me a força do perdão e da clemência. Meu Deus... se me esquecer de Ti; Tu não te esqueças de mim! (Mahatma Gandhi)

Fonte: Jornal do Aprendiz

EDIÇÃO DE 2014 NOVEMBRO ANO VI Nº 65: PRODUZIDO PELA ARLS AMPARO DA VIRTUDE, 0276

sábado, 19 de novembro de 2016


EM FAVOR DE VOCÊ.

 

 

Trabalhe sempre, mas não fuja ao serviço que você já iniciou.

Ajude a todos, mão não se esqueça dos deveres imediatos.

Sofra resignado, mas não faça ninguém sofrer.

Exalte o perdão, mas olvide o ressentimento.

Auxilie a quem errou, mas não esmiúce o erro do próximo.

Procure acertar, mas não desculpe a própria irreflexão.

Busque o êxito, mas regozije-se com a vitória dos outros.

Troque ideias, mas não censure aquilo que você não entende.

Estude o que puder, mas não recuse aplicar a lição nobre.

Assuma compromisso, mas não deixe ninguém a esperar por você.

Escreva aos amigos, mas não exija resposta.

Guarde eficiência, mas não vive apressado.

Use o dinheiro, mas não abuse.

Cultive a bondade, mas crie a própria disciplina para o serviço do bem.

 

ANDRÉ LUIZ.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016


A MAÇONARIA PODE PRODUZIR BONS FRUTOS

 

Em Loja maçônica deve prevalecer a unidade, a obediência e a disciplina. Porque em nossa instituição, nunca se elege a ignorância, fraqueza, incapacidade ou pequenez qualquer para desertar da missão a que somos chamados. Qualquer que seja o cargo ocupado em Loja, ele é imprescindível na execução dos trabalhos. Tenha sempre em mente que não existem cargos menores, mesmo se tiver de ser Cobridor Externo, que seja o melhor. Não esqueça que você foi escolhido para ser maçom porque é um líder, uma pessoa especial na vida profana, você se destaca entre seus pares e se aqui chegou é porque tem um valor, faça então valer esse tesouro que você traz em seu coração. A cada reunião, reafirmamos que estamos na Maçonaria, para cavar masmorras ao vício e levantar templos à virtude, e é isso, verdadeiramente que chamamos transformar a pedra bruta em pedra polida, nesta luta não há lugar para os fracos. Qualquer que seja nossa luta interna, enfrente e será verdadeiramente construtor de um novo mundo. A crise atual é mundial, e a crise de homens, na verdadeira acepção do vocábulo, e o maçom é um homem especial. Mas fazemos parte da república universal, somos um membro da Humanidade. Tudo se constrói; tudo envelhece, desgasta, desagrega. A suprema tarefa humana é a constante construção, conservação e reconstrução. Um imenso trabalho cumpre-se no Universo e o nosso dever é participar dele. Para com a Humanidade temos o dever de solidariedade com todos os membros da grande república universal. Nós Maçons ainda acreditamos que padrões éticos devem ser restabelecidos rapidamente entre os maçons para que nossa influência possa frutificar. Devemos sim, começar a falar de ética e também voltar a estudar e recuperar o verdadeiro sentido das coisas, enfim, divulgar pelos meios disponíveis, mas, sobretudo, cobrar de nossos Irmãos em cargo de poder, uma conduta ética que se transforme em exemplo para todos, profanos e iniciados, e trabalharmos sempre com Amor e Tolerância, visando ao bem da Fraternidade. O Maçom tem deveres com a Pátria. Devemos obedecer às Leis e respeitar as autoridades legalmente constituídas, contribuir para as despesas públicas pelo pagamento pontual e exato dos tributos, concorrer para a sua defesa pelo cumprimento de nossas obrigações militares e civis.

 

Ir.'.André Bessa

 

Fonte: JORNAL DO APRENDIZ EDIÇÃO Nº 85 JULHO 2016

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A Ingratidão


Conta uma lenda Judaica:

Uma certa vez um homem foi condenado à morte. Na prisão, este homem foi acertado por muitas vezes com grandes pedras atiradas por carrascos. O réu suportou em silêncio o terrível castigo. Nenhum grito se ouviu dele. Na sua condição, compreendia que a desgraça havia caído sobre ele e que seus gritos de nada serviriam.

Passou por ali um homem que havia sido seu amigo. Pegou uma pequena pedra e atirou na direção do condenado. Somente para demonstrar que não era do seu partido. O pobre condenado, atingido pela diminuta pedra, deu um grito estridente.

O rei, que assistia tudo, ordenou que um dos seus lacaios perguntasse ao réu porque ele gritara quando atingido pela pequena pedra, depois de haver suportado sem se perturbar as grandes.

O condenado respondeu: as pedras grandes foram atiradas por homens que não me conhecem, por isso me calei. Mas o pequeno seixo foi jogado por um homem que foi meu companheiro e amigo. Por isso gritei. Lembrei de sua amizade nos tempos de minha felicidade. E agora vi sua felicidade quando me encontro em desgraça.

O rei compadeceu-se e ordenou que o pusessem em liberdade, dizendo: solte-o, mais culpado do que ele era aquele que abandonara na desgraça.


Meus Irmãos, um relacionamento em que não há reciprocidade nos bons modos, dificilmente poderá evoluir além da tolerância.

Conforme definição do dicionário, gratidão é o “reconhecimento de uma pessoa por alguém que lhe prestou um favor ou auxílio”. Em outras palavras, é alguém mostrar-se agradecido por aquilo que lhe foi dado como um benefício.

Se perguntarmos às pessoas se elas se acham ingratas, talvez por vergonha ou por não se dar conta disso, a maioria não admita tal característica em sua personalidade.

Quase sempre, a ingratidão é manifestada por meio de pequenas atitudes. Para quem é vítima desse destrato, tal ato é sinal de pobre retribuição ao carinho recebido e, na maioria dos casos, uma grande falta de educação.

Um relacionamento em que não há reciprocidade nos bons modos, dificilmente poderá evoluir além da tolerância, porque será regido apenas pelas práticas da boa educação.

Como já estudamos na escola, para toda ação há uma reação, entretanto, muitas vezes, parece que nos esquecemos dessa regra quando saímos das leis da física e entramos nas relações interpessoais. Dentro do convívio, ao percebermos constantes respostas de indiferenças e ingratidão da parte de quem prestamos algum favor, com o tempo, naturalmente, nosso interesse em continuar lhe ajudando diminuirá.

Por outro lado, os sinais de afabilidade, presteza e reconhecimento, manifestados em nossos diferentes níveis de relacionamentos, alimentam e potencializam o nosso desejo de estreitar os laços favorecidos pela convivência. Vamos aprendendo, pouco a pouco, com essa proximidade a aprimorar nosso modo de ser.

No que diz respeito aos nossos hábitos pouco virtuosos, tentemos nos encarregar de extirpá-los de nossa vida, já que não produzem bons frutos.

O bom entrosamento em nossos relacionamentos cresce à medida que as pessoas se dispõem a nutri-los com pequenos gestos de carinho. No entanto, quem insiste em fechar-se em si e em suas verdades, certamente, já deve ter percebido a superficialidade e a frieza do tratamento recebido e os poucos amigos conquistados. Isso acontece em razão da falta de interesse e reciprocidade destas em viver um vínculo mais profundo nos relacionamentos, além dos estabelecidos pelas situações exigidas no trabalho, na escola ou em outras atividades sociais.

Amar é um esforço que passa pela atitude de nos reconhecermos gratos por aquilo que recebemos.

Não tenho dúvida de que a gratidão é a alma do relacionamento, o ingrediente que ajuda na construção de compromissos duradouros. Dessa forma, se não nos esforçarmos para dar uma resposta diferente aos novos desafios da convivência correremos o risco de esvaziar o nosso círculo de amizades e maior será o desgaste dentro dos demais relacionamentos já estabelecidos.

Transfira agora estes ensinamentos para a nossa Amada Ordem, à Maçonaria, à nossa Loja, e verás que a ingratidão, tem imperado. Ela se acostou devagar, entre irmãos, que pouco a pouco vai deixando o seio da mãe Loja, e dando as costas aos irmãos da Loja e os da Maçonaria.

Agora não tem mais tempo, não atende telefone, não responde e-mail,não convida mais para encontros e festas, enfim nos esquecem e nos evitam. Até ontem éramos tudo, hoje não somos mais nada.

A estes irmãos ingratos, deixo minhas lágrimas e meu pranto, pois sinto falta de sua voz, da suas palavras, da sua presença e de sua energia.

Irmão ingrato, sei que não somos perfeitos, se fossemos não trabalharíamos na pedra bruta, 24 horas do dia.

Irmão ingrato, volte...Mas, se não quiser voltar, lembre-se deste chato e velho irmão. Que te ama de verdade!

Um tríplice e fraternal abraço!

Ir:. Denilson Forato MI