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Salmo
133
CONSAGRAÇÃO
A DEUS
DAVI
Na
tradição hebraica, a figura de DAVI, rei de Israel, tem duplo significado; o
de fundador do poder militar judaico e o de símbolo da aliança entre Deus e
seu povo.
A
história de Davi é narrada na Bíblia, nos livros I e II de Samuel. Nascido em
Belém, na Judéia, entrou como harpista na corte de Saul, primeiro rei de
Israel. Na guerra contra os filisteus, o jovem Davi, armado com uma funda,
matou Golias, o gigantesco campeão dos inimigos.
Essa
vitória e outras que se seguiram despertaram o entusiasmo do povo e,
enciumado, o rei Saul resolveu eliminá-lo, embora este tivesse se casado com
sua filha Micol e fosse amigo de Jônatas. Davi então fugiu da corte, vivendo
em seguida em vários lugares. Depois da morte de Saul e Jônatas, Davi
regressou á Judéia e sua tribo o nomeou rei, ao mesmo tempo em que as tribos
restantes elegiam Isbaal, o outro filho de Saul.
Na
guerra que se seguiu, Isbaal foi morto e Davi tornou-se rei de Israel,
fixando a capital em Jerusalém e, para lá transferiu a Arca da Aliança, maior
símbolo religioso dos israelitas.
Vários
episódios dão á vida de Davi uma nota humana e realista, sobretudo seu
adultério com Betsabéia, mulher de Urias, para cuja conquista final teve de
liquidar, indiretamente, o marido, que era seu general e dessa ligação nasceu
Salomão.
Davi
era também extraordinário poeta e músico, e a ele se atribui boa parte dos
poemas que compõem o Livro dos Salmos. Na hora da morte, ungiu como rei seu
segundo filho, Salomão. Seu corpo foi levado para Belém e ali sepultado. Na
tradição posterior, Davi foi apresentado como garantia da união entre Deus e
o povo.
SALMO
133
“OH!
COMO É BOM E AGRADÁVEL VIVEREM UNIDOS OS IRMÃOS!
É
COMO O ÓLEO PRECIOSO SOBRE A CABEÇA, A QUAL DESCE PARA A BARBA, A BARBA DE
ARÃO E DESCE PARA A GOLA DE SUAS VESTES.
É
COMO O ORVALHO DO HERMON, QUE DESCE SOBRE OS MONTES DE SIÃO.
ALÍ
ORDENA O SENHOR A SUA BENÇÃO E A VIDA PARA SEMPRE.”
Este
salmo tem sido atribuído ao Rei David. Há quem afirme que é obra do período
pós exílio; época que em forte clima emocional, é retomado o culto a JAVEH em
plena Jerusalém. Importante é que o tempo não apagou nem alterou tão profunda
mensagem, tendo sido transmitida com o tradicional zelo judaico através de
gerações até chegar hoje, de forma familiar, a todo maçom.
O
Salmo encanta por sua singeleza, por sua mensagem direta, profunda, e pelas
objetivas analogias que encerra. Embora não nos seja familiar a imagem do
óleo descendo da cabeça até a gola das vestes sacerdotais ou o cenário do
orvalho que dos montes (como o portentoso Hermon), desceu até os vales.
Para
transmitir o que esta unidade fraternal em sua essência significa, a poesia
traz á consciência de cada um o paralelismo com duas figuras bem familiares
ao povo hebreu: A barba de Arão e o Monte Hermon.
ARÃO:
Arão
é o primeiro nome lembrado toda vez que se falar em religião judaica. A
citação do seu nome evoca um paradigma sacerdotal, a linhagem levita.
Arão,
é o irmão mais velho de Moisés e seu principal colaborador. A figura de Arão
possui, um peso próprio na tradição bíblica, devido ao seu caráter de
patriarca e fundador da classe sacerdotal dos judeus. Arão, membro destacado
da tribo de Leví, viveu em torno do século XIV A.C. De acordo com a descrição
do Exôdo, era filho de Amram e Jocabed e três anos mais velho que Moisés.
Segundo a maioria dos biblícistas, se Moisés encarnava a visão profética,
Arão simbolizava a necessidade de um poderoso testamento sacerdotal.
Durante
o exôdo do povo judeu, Arão é o escolhido por Deus para transmitir ao faraó e
ao povo a sabedoria por ele concedida a Moisés.
Em
Exôdo: 4: 16," Ele falará por ti ao povo; ele será a tua boca, e tu
serás para ele um deus".
Do
mesmo modo, Arão ajudou Moisés a tirar seu povo do Egito, atravessando o
deserto. Enquanto Moisés se achava no monte Sinai, onde recebeu Os Dez
Mandamentos, Arão deixou de lado as recomendações do irmão e, ante as
súplicas do povo, mandou construir a imagem do Bezerro de Ouro. Isso provocou
a cólera divina e Arão não teve permissão para entrar na Terra Prometida.
Apesar disso, Deus o consagrou sumo - sacerdote, fazendo com que de seu
cajado brotassem flores.
Foi
o primeiro sacerdote dos hebreus, o escolhido pelo Senhor para o sacerdócio,
introduzido no tabernáculo ainda no Egito.
Em
Números 3: 5-10, temos a declaração explicita de Jahveh:
"Disse
o Senhor a Moisés: Faz chegar a tribo de Levi, e põe-na diante de Arão, o
sacerdote para que o sirvam, e cumpram seus deveres para com todo o povo,
diante da tenda da congregação, para ministrar no tabernáculo.
Terão
cuidado de todos os utensílios da tenda da congregação, e, cumprirão o seu
dever para com os filhos de Israel no ministrar no tabernáculo.
Darás
pois os levitas a Arão e a seus filhos; dentre os filhos de Israel lhes são
dados. Mas a Arão e seus filhos ordenarás que se dediquem só ao seu
sacerdócio, o estranho que se aproximar morrerá."
Em
Exôdo: 40: 13-15, encontramos o comando de Jahveh a Moisés de forma
definitiva: "Vestirás a Arão das vestes sagradas, e o ungirás e o
consagrarás, para que me oficie como sacerdote.... e sua unção lhes será por
sacerdócio perpétuo durante as suas gerações”.
Unção!
É
ato de ungir, sagrar alguém ou algo para uma função ou atividade elevada. Na
liturgia hebraica, a unção era atribuição privativa dos sacerdotes e estes;
até a época de Salomão eram exclusivamente da tribo de Levi.
Disse
também o Senhor a Arão: Na sua terra possessão nenhuma terás, e no meio deles
nenhuma parte terás, eu sou a tua parte e a tua herança.
Os
Levitas administrarão o ministério da tenda da congregação, e eles levarão
sobre si a sua iniquidade; pelas vossas gerações estatuto perpétuo será.
Em
Levitico: 8: 1-12, encontramos detalhes do ritual de sua “INSTALAÇÃO” como
sumo - sacerdote, celebrada por Moisés, conforme as instruções recebidas do
Senhor. Na etapa final desse que foi um dos mais solenes cerimoniais de
"instalação" descritos no Velho Testamento, o texto assinala :
"Então
Moisés tomou o óleo da unção, e ungiu o tabernáculo, e tudo o que havia nele,
e o consagrou; e dele espargiu o altar e todos os seus utensílios, como
também a bacia e o seu suporte, para os consagrar. Depois derramou do óleo da
unção sobre a cabeça de Arão, ungiu-o para consagrá-lo.
TABERNÁCULO,
OU TENDA DA CONGREGAÇÃO , era o templo provisório, móvel, utilizado por todo
o período anterior á construção do Templo de Salomão, o que ocorreu por volta
do ano 968 a.C.
Por
todo esse histórico, Arão é personagem importante na história do povo judeu.
Como
sacerdote, tinha o privilégio de participar do oficio e cerimoniais no
tabernáculo, apresentando diante de Deus as oferendas em nome do povo. Na
qualidade ainda de sumo - sacerdote tinha também a responsabilidade e suprema
honra de ser o único a entrar uma vez por ano no local "santíssimo
" onde se encontrava a Arca da Aliança.
Sua
consagração como sacerdote foi feita pelo próprio Moisés por meio do
derramamento do óleo sobre sua cabeça. O óleo que desceu sobre a sua barba
até alcançar as suas vestes, reveste-se de singular simbolismo no contexto.
O
corpo envolto no óleo, simbolizando a consagração sacerdotal, estaria
capacitando Arão de representar todo o povo diante do Senhor. Era como se o
povo judeu fosse, unido, representado por um corpo - um corpo ungido -
perante o Altíssimo.
É a
esse óleo que o Salmo da Fraternidade se refere como "precioso".
Sua composição, transmitida pelo Senhor a Moisés, reúne apenas cinco
ingredientes, em porções bem definidas:
"Tu
pois toma para ti das principais especiarias: da mais pura Mirra quinhentos
siclos, (Siclos: moeda dos hebreus, de prata pura que pesa- va seis gramas),
de Canela aromática a metade, a saber, duzentos e cinquenta siclos; e, de
Cálamo aromático, duzentos e cinquenta siclos; e de Cassia quinhentos siclos
e de Azeite de Oliveiras um him.
Cumpre
ressaltar, a natureza santa desse óleo.
O
sentido do termo Santo é separado, sagrado, consagrado. Não é comum, profano
ou vulgar, tanto que o próprio Deus adverte explicitamente:
EM
Exôdo 30: 31-33 "Este me será o azeite da santa unção nas vossas
gerações. Não se ungirá com ele a carne do homem, nem fareis outro semelhante
conforme á sua composição: santo é, e será, Santo para vós. O homem que
compuser tal perfume como este, ou que dele puser sobre um estranho, será
extirpado dos seus povos."
De
acordo com o livro dos Números, Arão morreu no monte Hor com 123 anos de
idade.
Outras
fontes bíblicas, porem, afirmam que ele morreu em Moserá.
MONTE
HERMON:
“É
COMO O ORVALHO DO HERMON, QUE DESCE SOBRE OS MONTES DE SIÃO.
ALÍ
ORDENA O SENHOR A SUA BENÇÃO, E A VIDA PARA SEMPRE.”
A
outra figura lembrada pelo salmista nos transporta ao portentoso e belo monte
Hermon, e o orvalho que do seu topo se precipita aos montes de Sião.
Reputado
como local sagrado pelos habitantes originais de Canaan, o monte Hermon
situa-se na região norte da Palestina hoje, na fronteira do Líbano com a
Síria e, se eleva a 2.800 metros de altitude. O cume do Hermon está
permanentemente coberto de neve. Aos seus pés tem origem o rio Jordão,
responsável por tornar fértil toda a região conhecida como vale do Jordão,
que se estende da cidade de Dã até a região de Edom, ao sul do Mar Morto.
A
fertilidade, isto é, a própria vida da região, é dádiva do monte Hermon. Se
não fora o orvalho de suas vertentes, não existiria o Jordão. A região
vizinha é inóspita e sem chuvas. As águas cristalinas do Jordão asseguram a
irrigação e com ela a vida ao longo do vale verdejante.
É
possível dai se entender o significado simbólico do "...orvalho do
Hermon" e a paráfrase da conclusão:
"Alí
ordena o Senhor a sua benção e a vida para sempre”.
Duas
figuras, o óleo que desce da cabeça de Arão e o orvalho do Hermon que também
desce, eis as analogias feitas pelo poeta para comparar as benesses da vida
em união. Tudo se passando como se ele tivesse dizendo que viver em união é
como ter Arão como sacerdote, em intimo contato com o Criador, interpretando
nossas dores e alegrias e oferecendo os sacrifícios. Ou então é como ter
garantida a vida, que frui do Hermon até aos montes de Sião, assegurando a
fertilidade da região de onde vem nosso sustento.
Com
estas duas figuras entendemos o que o salmista nos traz. Viver em união, como
irmãos, é a superação de todos os males. É sinônimo da máxima virtude humana.
É quando os homens ascendem ao clímax da felicidade. É a realização do EU
coletivo. Não o seremos "eus" mas "nós". A felicidade da
vida em união é comparada com dois planos: o espiritual, simbolizado pelo
óleo sobre a cabeça ungindo Arão, que permite o homem alcançar o plano do EU
superior. E material, representado alegóricamente pela água que descendo do
Hermon assegura a vida pela perene fertilidade do solo.
De
um lado o espirito – o compasso - de outro o corpo - o esquadro, e no meio o
homem plenamente harmonizado consigo mesmo, com os demais semelhantes, com a
natureza (a terra) e com o Principio Criador. O óleo, o homem, o monte e a
água formam os símbolos e alegorias, que nos levam a entender o significado
da real união entre homens que se definem como irmãos.
O
Salmo 133 consagra o puro e verdadeiro amor fraternal, essência para a
construção dos novos tempos. "Ali ordena o Senhor a sua benção, e a vida
para sempre". Ele retrata os mistérios da felicidade interior dos que
vivem em harmonia com seus irmãos, tal como preconiza nossa ordem. Feliz
aqueles que compreendem o essencial deste poema, para alguns oculto, e, muito
mais do que isto, conseguem viver esta experiência.
O
objetivo primário da Maçonaria é unir os Irmãos de tal forma que possam
parecer um só corpo, uma só vontade, um só espírito, formando um Templo
coeso, compacto, de partes heterogêneas formando um todo. Os Maçons,
portanto, quando unidos pela Cadeia de União, não estão absorvidos nem
diluídos, mas ligados através da soma das forças físicas e mentais, existindo
individualmente no todo.
“Segui
a palavra de Davi, é a voz de Deus na Terra ”.
Or.'.
de Santo André, 04 de Novembro de 2001 E.'.V.'.
Irmão
Antonio José Rodrigues
BIBLIOGRAFIA:
Texto
elaborado a partir das fontes abaixo:
Bíblia.
Revista
A Verdade nº 381.
Enciclopédia
Britânica ( Barsa).
Dicionário
Aurélio Eletrônico.
Revista
0 Milênio.
Ritual
da Magia Divina - Os Salmos de Davi e suas Virtudes.
apoio
e materiais fornecidos:
Cleanto
Pereira : ARLS Lealdade Paulistana
Jair
Mendes Ferreira : ARLS Cidade de São Paulo nº 416
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
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O
Lamento das Tumbas
Gibran
Kahlil Gibranh
O
Emir entrou na sala do júri e sentou-se na cadeira principal, enquanto à sua
direita e à sua esquerda sentavam-se os homens mais destacados do país. Os
guardas, armados com lanças e espadas, ficaram de sentinela, e o povo que
veio assistir ao julgamento se levantou e curvou-se cerimoniosamente para o
Emir, de cujos olhos emanava uma força que incutia horror em seus espíritos e
medo em seus corações. Como a corte estava pronta e a hora do julgamento se
aproximava, o Emir levantou a mão e ordenou: — Tragam os criminosos um a um,
e digam-me que crimes cometeram. — A porta da prisão se abriu como a boca
bocejante de uma besta feroz. Dos cantos obscuros da masmorra, qualquer um
podia ouvir o eco do chocalhar das correntes, em uníssono com os gemidos e
lamentações dos prisioneiros. Os espectadores estavam ansiosos para ver cada
vítima da Morte emergindo das profundezas daquele inferno.
Alguns
momentos depois, dois soldados vieram, trazendo um jovem com os braços
amarrados atrás das costas. Seu rosto severo indicava nobreza de espírito e
fortaleza de coração. Ele estava parado no meio da sala do tribunal, e os
soldados recuaram alguns passos. O Emir encarou-o serenamente e disse:
—
Que crime cometeu este homem, que está orgulhosa e triunfalmente de pé diante
de mim?
—
Um dos homens da corte responde:
—
Ele é um assassino; ontem matou um dos oficiais do Emir, que estava numa
missão importante, nas aldeias vizinhas; ele ainda segurava a espada
ensanguentada quando foi preso.
— O
Emir retorquiu com raiva:
—
Levem o homem para o calabouço, amarrem-no com pesadas correntes e, de
madrugada, cortem-lhe a cabeça com sua própria espada, joguem seu corpo no
mato, para que os animais possam comer sua carne, e o ar possa carregar seu
odor putrefato para as narinas de seus familiares e amigos.
— O
jovem voltou para a prisão, enquanto o povo olhava para ele com olhos
piedosos, pois era um homem jovem, na flor da idade.
Os
soldados voltaram, trazendo então uma moça de beleza delicada e sem
artifícios. Ela estava pálida e nas suas faces apareciam os sinais da
opressão e da decepção. Seus olhos estavam molhados de lágrimas e a cabeça
tombava sob a carga do seu pesar. Depois de olha-la de cima a baixo, o Emir
exclamou:
— E
essa mulher macilenta, que está de pé diante de mim como a sombra ao lado de
um cadáver, o que fez?
—
Um dos soldados respondeu-lhe dizendo:
—
Ela é uma adúltera; a noite passada, seu marido encontrou-a nos braços de
outro. Depois que o amante fugiu, o marido a trouxe para a lei.
— O
Emir encarou-a, enquanto ela levantava o rosto sem expressão, e ordenou:
—
Levem-na de volta ao calabouço e estendam-na sobre uma cama de espinhos para
que possa lembrar-se desse lugar de repouso que ela sujou com sua falha;
dêem-lhe vinagres misturados com bílis para beber, para que possa lembrar-se
do gosto dos beijos doces. De madrugada, arrastem seu corpo nu para fora da
cidade e apedrejem-no. Deixem que os lobos saboreiem a carne macia de seu
corpo e os vermes penetrem nos seus ossos.
—
Quando ela voltou para a cela escura, o povo olhou-a com simpatia e surpresa.
Eles estavam assombrados com a justiça do Emir e preocupados com o destino
dela.
Os
soldados reapareceram trazendo um homem triste, cujos joelhos batiam e
tremiam, como uma árvore nova face ao vento do norte. Ele tinha um olhar sem
forças, fraco e amedrontado, e era pobre e miserável. O Emir o encarou com
repugnância e inquiriu:
— E
este homem imundo, que é como um morto entre os vivos, o que fez?
—
Um dos guardas falou:
—
Ele é um ladrão que arrombou o monastério e roubou os vasos sagrados, que os
monges encontraram em seu poder, quando o prenderam.
Como
águia faminta que olha para um pássaro de asas partidas, o Emir encarou-o e
sentenciou:
—
Levem-no de volta para a prisão e acorrentem-no, e de madrugada arrastem no
até uma árvore bem alta e enforquem-no entre o céu e a terra. Assim, suas
mãos pecadoras morrerão e os membros de seu corpo sem vida se transformarão
em joguete do vento.
—
Quando o ladrão cambaleou de volta às profundezas da prisão, o povo começou a
cochichar entre si, dizendo:
—
Como ousa tal homem fraco e herege roubar os vasos sagrados do monastério?
Nessa
hora, a corte suspendeu a sessão e o Emir saiu, acompanhado por todos os seus
dignitários, guardado pelos soldados, enquanto a assistência se dispersava e
no lugar vazio se ouviam o lamentar e o gemer dos prisioneiros. Tudo isso
aconteceu enquanto eu estava lá, de pé, como um espelho, diante dos fantasmas
que passavam.
Eu
pensava nas leis feitas pelo homem para o homem, testemunhando o que o povo
chama de "justiça" e absorvido em profundos pensamentos sobre os
segredos da vida. Tentei entender o sentido do universo. Eu me achava
aturdido, sentindo-me como um horizonte envolvido entre as nuvens. Quando
deixei o lugar, disse a mim mesmo: "O vegetal se alimenta dos elementos
da terra, a ovelha come o vegetal, o lobo devora a ovelha e o touro mata o
lobo, enquanto o leão devora o touro; também a Morte chama o leão. Há algum poder
que se sobreponha à Morte e faça dessas brutalidades uma eterna justiça?
Haverá uma força que possa converter todas essas coisas horríveis em coisas
belas? Não existirá nenhum poder capaz de agarrar com suas mãos todos os
elementos da vida e enlaça-los com alegria, como o mar prazerosamente engolfa
todos os riachos nas suas profundezas? Não há nenhum poder que possa
aprisionar o assassinado e o assassino, o traído e o traidor, o ladrão e o
roubado, e trazê-los para uma corte mais elevada e mais capaz que a corte do
Emir?
No
dia seguinte, deixei a cidade e fui para os campos, onde o silêncio revela à
alma o que o espírito está buscando, e onde o céu puro mata os germes do
desespero gerados na cidade entre as ruas estreitas e os lugares escuros.
Quando cheguei ao vale, vi um bando de corvos e abutres planando e descendo,
enchendo o céu com o seu gralhar e o zunir e o bater das asas.
Quando
prossegui, vi diante de mim o cadáver de um homem pendurado no alto de uma
árvore, o corpo de uma mulher nua no meio de um amontoado de pedras e a
carcaça de um jovem cuja cabeça cortada estava encharcada de sangue misturado
com a terra. Foi uma visão horrível, que me cegou os olhos com espesso e
denso véu de aflições.
Olhei
em todas as direções e nada vi, exceto o espectro da Morte ao lado daqueles
restos horrorosos. Nada se ouvia, só o gemido da não-existência, misturado
com o gralhar dos corvos que rondavam as vítimas das leis humanas. Três
seres, que ontem estavam nos braços da Vida, hoje tombam como vítimas da
Morte porque quebraram as leis da sociedade. Quando um homem mata um outro, o
povo diz que é um assassino; mas, quando o Emir o mata, o Emir é justo.
Quando um homem rouba o monastério, dizem que é um ladrão; mas, quando o Emir
lhe rouba a vida, o Emir é honrado. Quando uma mulher trai o marido, dizem
que é uma adúltera; mas, quando o Emir a faz andar nua pelas ruas e ordena
que a apedrejem, o Emir é nobre. O derramamento de sangue é proibido, mas
quem o torna legal para o Emir?
Roubar
o dinheiro de alguém é um crime, mas tirar a vida de uma pessoa é um ato
nobre. A infidelidade a um marido pode ser uma ação horrorosa, mas apedrejar
almas vivas é um maravilhoso espetáculo. Devemos combater o mal com o mal e
dizer que isso é a Lei? Devemos combater a corrupção com a corrupção maior e
dizer que isso é a Regra? Devemos subjugar os crimes com mais crimes e dizer
que isso é a Justiça? Não matou o Emir nenhum inimigo na sua vida pregressa?
Jamais roubou, de seus súditos fracos, dinheiro e propriedade? Não cometeu
nenhum adultério? Era ele um homem sem faltas quando matou o assassino,
enforcou o ladrão e apedrejou a adúltera? Quem são esses que enforcaram o
ladrão na árvore? São anjos descidos do céu, ou homens saqueadores e
usurpadores? Quem cortou a cabeça do assassino? São profetas divinos, ou
soldados derramando sangue por onde quer que vão? Quem apedrejou aquela
adúltera? Foram eremitas virtuosos que vieram de seu monastério, ou humanos
que amam cometer atrocidades com alegria, sob a proteção de uma lei retrógrada?
O que é a Lei? Quem a viu vindo como o sol da imensidão do céu? Que ser
humano viu o coração de Deus e nele vislumbrou seus desejos e propósitos? Em
que século os anjos andaram entre o povo, pregando: "Proíbam o fraco de
aproveitar a vida, e matem os marginais com a lâmina afiada da espada, e
pisem sobre os pecadores com pé de ferro"?
Enquanto
minha mente sofria dessa forma, ouvi ruído de passos que se aproximavam pelo
caminho. Prestei atenção e vi uma jovem vindo de trás das árvores; ela olhou
cautelosamente em todas as direções, antes de se acercar dos três corpos que
lá estavam. Logo seus olhos caíram sobre a cabeça cortada do jovem.
Ela
chorou convulsivamente, ajoelhou-se e a abraçou com seus braços trêmulos; de
seu rosto desciam lágrimas, enquanto ela acariciava com seus dedos suaves os
cabelos anelados e emaranhados com o sangue, chorando com uma voz que vinha
do fundo de um coração despedaçado. A jovem não pôde mais suportar a visão.
Arrastou o corpo até uma vala, colocou-lhe a cabeça delicadamente entre os
ombros, cobriu-o todo com terra e sobre a cova improvisada colocou a espada
com a qual a cabeça do infeliz tinha sido decepada.
Como
a moça fizesse menção de partir, dirigi-me a ela. A jovem tremeu quando me
viu, e seus olhos estavam cheios de lágrimas. Ela suspirou e disse:
—
Leve-me até o Emir, se quiser; para mim é melhor morrer e seguir aquele que
salvou a minha vida das garras da desgraça, do que deixar seu cadáver como
alimento para os animais ferozes.
—
Respondi-lhe:
—
Não tenha medo de mim, pobre garota, condói-me da morte desse jovem antes de
você o fazer. Mas diga-me, como ele a salvou das garras da desgraça?
— A
moça replicou, com uma voz cautelosa e débil:
—
Um dos oficiais do Emir veio à nossa fazenda para coletar o imposto; quando
me viu, olhou-me como um lobo olha para uma ovelha. Ele cobrou a meu pai um
imposto tão pesado, que mesmo um homem rico não poderia pagar. Fui então
detida e levada em penhor para o Emir em garantia do ouro que meu pai não
podia dar. Imporei-lhe que me poupasse, mas ele não se comoveu, pois era
friamente impiedoso. Gritei então por socorro, e esse jovem que está morto
aqui agora veio em meu socorro, e salvou-me de uma morte em vida. O oficial
tentou mata-lo, mas meu protetor golpeou-o com uma velha espada que estava
pendurada na parede de nossa casa. Ele não fugiu como um criminoso; ao
contrário, ficou junto ao corpo do oficial morto até a lei chegar e leva-lo
sob custódia.
—
Depois de ter proferido essas palavras que fariam qualquer coração humano
sangrar de compaixão, ela virou o rosto e foi embora.
Pouco
tempo depois vi um jovem que se aproximava com o rosto envolvido por um
manto. Quando se aproximou do cadáver da adúltera, ele desdobrou o manto e
colocou-o sobre o corpo nu. Então tomou uma adaga que trouxera escondida e
cavou um buraco, no qual colocou com carinho e cuidado a moça morta; cobriu-a
com terra, sobre a qual ia derramando suas lágrimas. Ao acabar a tarefa, o
jovem arrancou algumas flores e colocou-as reverentemente naquele túmulo
tosco. Quando ia sair, eu o detive dizendo:
—
Que tipo de relação você tinha com a adúltera? E o que o impeliu a pôr a vida
em perigo, vindo até aqui para proteger-lhe o corpo nu contra os animais
ferozes?
—
Quando me encarou, seus olhos pesarosos estampavam seu infortúnio, e ele
explicou:
—
Eu sou o homem desgraçado por amor de quem ela foi apedrejada. Eu a amava e
ela me amava desde a infância; crescemos juntos; o Amor, a quem nós servimos
e reverenciamos, era o dono de nossos corações. O Amor uniu-nos e enlaçou
nossas almas. Um dia ausentei-me demoradamente da cidade, e quando voltei
descobri que seu pai a obrigara a casar com um homem que ela não amava. Minha
vida tornou-se uma luta perpétua, e todos os meus dias foram convertidos numa
longa e escura noite. Tentei dar paz a meu coração, mas meu coração não se
conformava.
Finalmente,
fui vê-la secretamente; meu único propósito era ter uma breve visão de seus
olhos maravilhosos e escutar o som da sua voz serena.
Quando
cheguei à sua casa, encontrei-a sozinha, lamentando-se. Sentei-me a seu lado,
o silêncio era a nossa importante conversação e a virtude, a nossa
companheira. Uma hora de mudo entendimento se passara, quando seu marido
entrou. Eu o adverti para conter-se, mas ele a arrastou para a rua e gritou:
"Venham, venham e vejam a adúltera com seu amante!" Todos os
vizinhos se precipitaram, e mais tarde veio a Lei e levou-a até o Emir; mas
eu nem fui tocado pelos soldados. A Lei ignorante e os costumes estúpidos
puniram a mulher pela falta de seu pai e perdoaram o homem.
Depois
de assim ter falado, o jovem caminhou em direção à cidade. Permaneci
meditando sobre o cadáver do ladrão pendurado naquela árvore imponente, o
qual se movia levemente cada vez que o vento batia nos galhos, esperando
talvez por alguém que o descesse e o estendesse na superfície da terra ao
lado do Defensor da Honra e da Mártir do Amor. Uma hora depois, uma frágil e
miserável mulher apareceu, chorando. Ela parou em frente ao homem enforcado e
rezou reverentemente. Então subiu na árvore e roeu com os próprios dentes a
corda de linho até que ela arrebentasse e o morto caísse no chão como se
fosse um invólucro macabro; depois desceu, cavou uma vala e enterrou o ladrão
ao lado das duas outras vítimas. Em seguida cobriu-o com terra, pegou dois
pedaços de madeira, fez uma cruz e colocou-a na cabeceira.
Quando
ela se dirigia para a cidade, iniciando uma caminhada, eu a detive
falando-lhe:
— O
que a fez vir aqui e enterrar o ladrão?
—
Ela me olhou intensa e tristemente e justificou:
—
Ele é meu fiel marido e companheiro dedicado; é o pai de meus filhos: cinco
rebentos que morrem de fome; o mais velho tem oito anos, e o mais novo é
ainda de colo.
Meu
marido não era um ladrão, mas um camponês que trabalhava na terra do
monastério, sustentando-nos com a pouca comida que os padres e monges lhe
davam, quando ele voltava para casa, ao anoitecer.
Ele
trabalhava para eles desde a juventude, e quando ficou fraco os padres o
demitiram, aconselhando-o ir para casa e a mandar seus filhos tomar seu
lugar, assim que estivessem mais velhos. Meu marido implorou em nome de Jesus
e dos anjos do céu para que o deixassem ficar, mas não deram atenção ao
apelo.
Não
tiveram pena dele, nem de seus filhos famintos, que estavam desesperadamente
chorando por comida. Meu companheiro dirigiu-se então para a cidade em busca
de emprego; mas foi tudo em vão, pois o rico só emprega aquele que está forte
e saudável. Então, ele foi sentar-se na rua poeirenta, estendendo a mão aos
que passavam, pedindo e repetindo-lhes a triste cantilena da sua derrota na
vida, sofrendo fome e humilhação; mas as pessoas se recusavam a ajudá-lo,
considerando-o como um daqueles preguiçosos que não merecem esmolas.
Uma
noite, a fome torturava dolorosamente os nossos filhos, principalmente o
menor, que tentava inutilmente mamar no meu seio já seco. Então a expressão
do rosto de meu marido mudou e ele saiu de casa, protegido pela escuridão da
noite. Entrou no depósito do monastério e arrastou para fora um saco de
trigo. Assim que saiu, os monges acordaram de seu sono leve e o prenderam,
depois de o surrar impiedosamente. De madrugada, levaram-no até o Emir e
queixaram-se de que ele fora até o monastério para roubar os vasos de ouro do
altar. Prenderam-no, e o enforcaram no segundo dia.
Ele
estava apenas tentando alimentar seus pequenos famintos, com o trigo que
colheu de seu trabalho; mas o Emir o matou e usou sua carne para encher o
estômago dos pássaros e dos animais.
—
Dizendo isso, ela me deixou sozinho, espiritualmente arrasado, e partiu.
Fiquei
parado diante das covas, como um orador atacado de súbita mudez, enquanto
tentava fazer um necrológico. Eu estava mudo, mas minhas lágrimas, que
rolavam, substituíam as palavras e falavam por minha alma.
Meu
espírito rebelou-se quando tentei meditar por algum tempo, porque a alma é
como uma flor que deixa suas pétalas caírem quando anoitece, e não exala seu
aroma para os fantasmas da noite. Pareceu-me que aquela terra que envolvia as
vítimas da pressão, naquele lugar solitário, enchia meus ouvidos com os
lamentos das almas sofredoras e me impedia de falar.
Recorri
ao silêncio, pois se as pessoas entendessem o que o silêncio lhes revela
estariam tão junto de Deus quanto as flores do vale. Se as chamas que
incendiavam minha alma melancólica tivessem tocado as árvores, elas se
moveriam de seus lugares e marchariam como um exército poderoso para lutar
contra o Emir brandindo seus galhos, e demoliriam o monastério sobre as
cabeças desses padres e monges.
Fiquei
ali meditando, e percebi que o doce sentimento da misericórdia e a amargura
do pesar jorravam de meu coração sobre os recém-cavados túmulos. O túmulo de
um jovem que sacrificou sua vida defendendo uma frágil donzela, cuja
existência e honra ele salvou do meio das patas e das garras de um ser humano
selvagem; um jovem cuja cabeça foi cortada como recompensa de sua bravura; e
sua espada foi colocada sobre seu túmulo pela pessoa que ele salvou, como um
símbolo de heroísmo ante a face do sol que brilha sobre um império
mergulhando na estupidez e na corrupção. O túmulo de uma jovem cujo coração
já estava inflamado de amor, antes de seu corpo ser arrebatado com avidez,
ser usurpado pela luxúria e ser apedrejado pela tirania.... Ela manteve a sua
fé até a morte; o seu amado colocou-lhe flores no túmulo para que enquanto
murchassem fossem um depoimento sobre essas almas que o Amor escolheu e
abençoou, destacando-as dentre as pessoas cegas pelas coisas terrenas e
emudecidas pela ignorância.
O
túmulo de um homem miserável exaurido pelo trabalho árduo e longo na terra do
monastério, que pedira pão para alimentar os filhos famintos, e que lhe fora
negado. Esse infeliz recorrera à mendicância, mas ninguém lhe dera atenção.
Quando
sua alma o impeliu a reaver uma pequena parte da safra que plantara e colhera
foi aprisionado e surrado até a morte. Sua pobre viúva erigiu uma cruz sobre
seu túmulo como um símbolo no silêncio da noite e ante as estrelas do céu, a
testemunhar contra esses padres que converteram o bom ensinamento de Cristo
em afiadas espadas com as quais cortam o pescoço do povo e rasgam os corpos
dos fracos. O sol desapareceu atrás do horizonte como se estivesse cansado
dos problemas do mundo e sentisse aversão pela submissão humana.
Nesse
momento, o entardecer começou a tecer um delicado véu das fibras de silêncio
e o colocou sobre o corpo da Natureza. Estendi minha mão em direção aos
túmulos, apontando os seus símbolos; ergui os olhos em direção ao céu e exclamei:
—
Oh, Bravura, esta é a tua espada, enterre-a agora na terra! Oh, Amor, esta
são as flores, queime-as com o fogo! Oh, Jesus, esta é a Tua Cruz, mergulhe-a
na obscuridade da noite!
(Do
Livro "Espíritos Rebeldes")
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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Lição de vida – A empresária e o mendigo
Certo dia, uma mulher avistou um mendigo, sentado numa calçada na Rua..
Aproximou-se dele, e como o pobre coitado, já estava acostumado a ser chacoteado por todos, a ignorou..
Um policia, observando a cena , aproximou-se :
– Ele está a incomodar a senhora?
Ela respondeu:
– De modo algum – eu é que estou tentando levá-lo até aquele restaurante, pois vejo que está com fome e até sem forças para se levantar. O senhor Policia ajuda-me a levá-lo até ao restaurante?
Rapidamente, o policia a ajudou, e o pobre homem, mesmo assim, não querendo ir, pois, não acreditava que isso estava a acontecer!
Aproximou-se dele, e como o pobre coitado, já estava acostumado a ser chacoteado por todos, a ignorou..
Um policia, observando a cena , aproximou-se :
– Ele está a incomodar a senhora?
Ela respondeu:
– De modo algum – eu é que estou tentando levá-lo até aquele restaurante, pois vejo que está com fome e até sem forças para se levantar. O senhor Policia ajuda-me a levá-lo até ao restaurante?
Rapidamente, o policia a ajudou, e o pobre homem, mesmo assim, não querendo ir, pois, não acreditava que isso estava a acontecer!
Chegando ao restaurante, o garçom, que foi atendê-los, disse sem pestanejar :
– Desculpe Senhora, mas ele não pode ficar aqui.. Vai afastar os meus clientes!!!
A mulher abaixou e levantou os olhos e disse:
– Sabe aquela enorme empresa ali em frente? Três vezes por semana, os diretores de lá juntamente com clientes, vêm fazer reuniões neste restaurante, e sei que o dinheiro que deixam aqui, é o que mantém este restaurante . Pois é, eu sou a proprietária daquela empresa. Posso fazer a refeição aqui, com o meu amigo.. ou não?
O garçom fez um gesto positivo com a cabeça, o policia que estava de longe observando ficou boquiaberto, e o pobre homem, deixou cair nesse momento, uma lágrima de seus sofridos olhos.
– Desculpe Senhora, mas ele não pode ficar aqui.. Vai afastar os meus clientes!!!
A mulher abaixou e levantou os olhos e disse:
– Sabe aquela enorme empresa ali em frente? Três vezes por semana, os diretores de lá juntamente com clientes, vêm fazer reuniões neste restaurante, e sei que o dinheiro que deixam aqui, é o que mantém este restaurante . Pois é, eu sou a proprietária daquela empresa. Posso fazer a refeição aqui, com o meu amigo.. ou não?
O garçom fez um gesto positivo com a cabeça, o policia que estava de longe observando ficou boquiaberto, e o pobre homem, deixou cair nesse momento, uma lágrima de seus sofridos olhos.
Quando o garçom, se afastou, o homem perguntou:
– Obrigado Senhora, mas não entendo esse gesto de bondade.
Ela segurou nas suas mãos , e disse :
– Não se lembra de mim, João ?
– Me parece familiar – respondeu – mas não me lembro de onde.
Ela, com lágrimas nos olhos, disse:
– Há algum tempo atrás, eu recém formada, vim para esta cidade… Sem nenhum dinheiro no bolso… Estava com muita fome… Sentei-me naquela praça, aqui em frente, por que tinha uma entrevista de emprego naquela empresa, que hoje é minha. Quando se aproximou de mim, um homem, com um olhar generoso. Lembra-se agora João?
Ele, em lágrimas, afirmou que sim.
– Na época , o senhor trabalhava aqui. Naquele dia, fiz a melhor refeição da minha vida, pois estava com muita fome, e até sem forças. Toda hora, eu olhava para o senhor, pois estava com medo de prejudicá-lo , pois estava ali a comer de graça. Foi quando ví, o senhor a tirar dinheiro do seu bolso e colocar na caixa do restaurante. Fiquei mais aliviada. E sabia que um dia poderia retribuir. Alimentei-me, fui com mais forças para a minha entrevista.
Na época, a empresa ainda era pequena… Passei na entrevista, especializei-me, ganhei muito dinheiro, acabei comprando algumas ações da empresa, e com o passar do tempo, fiquei a proprietária, e fiz a empresa ser o que ela é hoje.
– Obrigado Senhora, mas não entendo esse gesto de bondade.
Ela segurou nas suas mãos , e disse :
– Não se lembra de mim, João ?
– Me parece familiar – respondeu – mas não me lembro de onde.
Ela, com lágrimas nos olhos, disse:
– Há algum tempo atrás, eu recém formada, vim para esta cidade… Sem nenhum dinheiro no bolso… Estava com muita fome… Sentei-me naquela praça, aqui em frente, por que tinha uma entrevista de emprego naquela empresa, que hoje é minha. Quando se aproximou de mim, um homem, com um olhar generoso. Lembra-se agora João?
Ele, em lágrimas, afirmou que sim.
– Na época , o senhor trabalhava aqui. Naquele dia, fiz a melhor refeição da minha vida, pois estava com muita fome, e até sem forças. Toda hora, eu olhava para o senhor, pois estava com medo de prejudicá-lo , pois estava ali a comer de graça. Foi quando ví, o senhor a tirar dinheiro do seu bolso e colocar na caixa do restaurante. Fiquei mais aliviada. E sabia que um dia poderia retribuir. Alimentei-me, fui com mais forças para a minha entrevista.
Na época, a empresa ainda era pequena… Passei na entrevista, especializei-me, ganhei muito dinheiro, acabei comprando algumas ações da empresa, e com o passar do tempo, fiquei a proprietária, e fiz a empresa ser o que ela é hoje.
Procurei pelo senhor, mas nunca o encontrei… Até que hoje, o vi nessa situação. Hoje, o senhor não dorme mais na rua! Vai comigo para a minha casa… Amanhã, compraremos roupas novas, e o senhor vai trabalhar comigo!
Se abraçaram, a chorar.
O policia, o garçom e as demais pessoas, que viram essa cena, emocionaram-se diante da grande Lição de vida, que tinham acabado de presenciar!!!
Se abraçaram, a chorar.
O policia, o garçom e as demais pessoas, que viram essa cena, emocionaram-se diante da grande Lição de vida, que tinham acabado de presenciar!!!
MORAL DA HISTÓRIA:
Hoje sou eu a precisar . . . amanhã podes ser Tu !
Faz sempre o BEM… Um dia ele retornará em dobro para Ti !
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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Quadro de Aprendiz
"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o queensina” (Cora Coralina)
a) O QUADRO DO APRENDIZ
Este “Quadro” deveria figurar em todas as Lojas do Primeiro Grau e ser comentado pelos 1ºs Vigilantes, cuja missão é
despertar nos aprendizes o sentido simbólico. Só quando o Aprendiz conhecer bem o simbolismo de tudo o que diz respeito a seu grau é que ele estará apto a galgar o segundo grau, que fará dele um Companheiro.
No início, qualquer local podia ser transformado em Templo. Bastava desenhar com giz, no chão, o “Quadro” simbólico do grau em que a Oficina trabalhava. Após cada reunião, esse “Quadro” era apagado.
Mais tarde, fez-se uso de uma tela pintada, que era desenrolada por ocasião das reuniões; atualmente, o Templo reproduz todos os símbolos do “Quadro”.
Esse “Quadro” comporta duas Colunas, encimadas por Romãs, enquadrando uma Porta à qual conduzem três Degraus; estes, seguidos de um Adro em mosaico. Vêem-se ai também Três Janelas, uma Pedra bruta e uma Pedra cúbica pontiaguda. Uma corda com três nós emoldura esse “Quadro”, que compreende, além disso, o Sol e a Lua, as duas Luminárias, o Esquadro e o Compasso, a Perpendicular e o Nível, o Malhete e o Cinzel, a Prancha de traçar. No Painel da Loja se condensam todos os símbolos que devemos conhecer; e, se bem os interpretarmos, fáceis e muito claras ser-nos-ão as Instruções subseqüentes.
A Loja Maçônica, possui três JÓIAS MÓVEIS que são: o Esquadro, o Nível e o Prumo, assim chamadas porque são transferidas, cada ano, aos novos Veneráveis e Vigilantes, com a passagem da Administração.
As JÓIAS FIXAS são três: a Prancheta da Loja, a Pedra Bruta e a Pedra Polida.
A Prancheta da Loja serve para o Mestre desenhar e traçar. Simbolicamente, exprime que o Mestre guia os Aprendizes no trabalho indicado por ela, traçando o caminho que eles devem seguir para o aperfeiçoamento, a fim de poderem progredir nos trabalhos da Arte Real. (A expressão Arte Real é um termo que tem diversas definições). Entre elas: “A Maçonaria chama-se Arte Real, porque ensina aos homens a se governarem a si mesmos”; “a Arte Real é aquela que leva o homem à perfeição humana”.
A Pedra Bruta (no painel acima o 9), serve para nela trabalharem os Aprendizes, marcando-a e desbastando-a, até que seja julgada polida, pelo Mestre da Loja; A Pedra Polida ou Cúbica é o material perfeitamente trabalhado, de linhas e ângulos retos, que o Compasso e o Esquadro (06) mostram estar talhado de acordo com as exigências da Arte. Representa o saber do Homem no fim da vida, quando a aplicou em atos de piedade e virtude, verificáveis pelo Esquadro da Palavra Divina e pelo Compasso da própria consciência esclarecida.
b) A PEDRA BRUTA
À direita e à esquerda do “Quadro do Aprendiz” figuram uma Pedra Bruta e uma Pedra Cúbica pontiaguda. Se certos símbolos maçônicos provocaram poucos comentários, a Pedra bruta e a Pedra cúbica não estão nesse caso. Aqui as dissertações abundam e os cursos de moral se inflam, transformando-se em rios.
A Pedra Bruta simboliza as imperfeições do espírito e do coração que o Maçom deve se esforçar por corrigir.
A Pedra bruta, com efeito, pode ser considerada como o símbolo da Liberdade, e a Pedra talhada como o símbolo da Escravidão.
Vemos o profano apresentar-se à porta do Templo e pedir Luz. Uma Loja, justa e perfeita, proporciona-lhe essa Luz e, ao mesmo tempo, liberta-o iniciaticamente da servidão. Livre, o neófito simbolizará sua liberdade por uma “pedra bruta”, com a qual se identificará. E a Pedra talhada, terminada, feita de todos os preconceitos, de todas as paixões, de toda intransigência das fórmulas absolutas, aceitas sem controle como expressão de uma verdade inexpugnável e única, fazem do homem o escravo de seu meio. Sim, o Aprendiz, pela Iniciação maçônica, que é um novo nascimento, reencontra o estado da natureza; ele se liberta de tudo o que ela lhe tirou de espontâneo e de bom. (No hermetismo, a pedra bruta simboliza a primeira matéria, a “matéria-prima” que servirá para a elaboração da “Pedra Filosofal”. – Hermetismo – Doutrina esotérica que tira o seu nome de Hermes Trismegisto e que os primitivos gregos teriam ensinado aos iniciados). Ele reencontra a “Liberdade de Pensamento”, e, com os “Instrumentos” que lhe são fornecidos, desbastará ele próprio a “sua pedra” e conseguirá torná-la perfeita, imprimindo-lhe um caráter de personalidade que será seu e único.
Na Maçonaria, contrariamente ao que ocorre na maioria dos outros agrupamentos humanos, cada Irmão conserva sua inteira liberdade; ele não pode nem deve receber nenhuma palavra de ordem suscetível de influenciar seus atos. Os anti-maçons, que pretendem o contrário, mostram com isso um desconhecimento total acerca da verdadeira Maçonaria.
c) TRATAMENTO FRATERNO
O tratamento fraterno de você (tratamento íntimo entre iguais) é geralmente adotado pelos Maçons.
O tratamento cerimonioso do mundo profano levanta uma barreira entre os homens e também entre os irmãos. O ideal seria a introdução obrigatória do tratamento coloquial na Loja, porque isso garante a igualdade de todos os irmãos e permite o nascimento de um verdadeiro sentimento de união. Se uma pessoa julgou-se digna de ser recebida como Franco-Maçom, ela é igualmente digna de ser colocada em pé de igualdade com todos os seus irmãos. Se ela se mostra indigna dessa familiaridade, é igualmente indigna de permanecer na Loja. Aquele que se nega a ser chamada de você dá provas de uma vaidade deveras deslocada em nosso meio.
Para a Maçonaria o maior será sempre aquele que mais disposto estiver a servir, o que mais se dedique ao bem comum.
EPÍLOGO
Coloquemos o Grande Arquiteto do Universo em nossas vidas, em nossas Lojas e não apenas em nossas palavras. Não recusemos a prece e o estudo. Pratiquemos todo o bem de que sejamos capazes.
É preciso dedicação e estudo. Conhecimento e exercício. Sem exercitarmos o que parece termos aprendido jamais aprenderemos.
Somos igualmente iniciados para construir o Reino do Grande Arquiteto do Universo, a principiar de nós mesmos.
Trabalhemos por mais luz no nosso próprio caminho.
Valdemar Sansão
Fontes consultadas:
- Ritual do Aprendiz Maçom – GLESP;
- “A Simbólica Maçônica” – Jules Boucher;
- “O DESPERTAR PARA A VIDA MAÇÔNICA
Extraído do Blog MSMACOM
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