terça-feira, 10 de fevereiro de 2015


Salmo 133
 
CONSAGRAÇÃO A DEUS
 
DAVI
 
Na tradição hebraica, a figura de DAVI, rei de Israel, tem duplo significado; o de fundador do poder militar judaico e o de símbolo da aliança entre Deus e seu povo.
 
A história de Davi é narrada na Bíblia, nos livros I e II de Samuel. Nascido em Belém, na Judéia, entrou como harpista na corte de Saul, primeiro rei de Israel. Na guerra contra os filisteus, o jovem Davi, armado com uma funda, matou Golias, o gigantesco campeão dos inimigos.
 
Essa vitória e outras que se seguiram despertaram o entusiasmo do povo e, enciumado, o rei Saul resolveu eliminá-lo, embora este tivesse se casado com sua filha Micol e fosse amigo de Jônatas. Davi então fugiu da corte, vivendo em seguida em vários lugares. Depois da morte de Saul e Jônatas, Davi regressou á Judéia e sua tribo o nomeou rei, ao mesmo tempo em que as tribos restantes elegiam Isbaal, o outro filho de Saul.
 
Na guerra que se seguiu, Isbaal foi morto e Davi tornou-se rei de Israel, fixando a capital em Jerusalém e, para lá transferiu a Arca da Aliança, maior símbolo religioso dos israelitas.
 
Vários episódios dão á vida de Davi uma nota humana e realista, sobretudo seu adultério com Betsabéia, mulher de Urias, para cuja conquista final teve de liquidar, indiretamente, o marido, que era seu general e dessa ligação nasceu Salomão.
 
Davi era também extraordinário poeta e músico, e a ele se atribui boa parte dos poemas que compõem o Livro dos Salmos. Na hora da morte, ungiu como rei seu segundo filho, Salomão. Seu corpo foi levado para Belém e ali sepultado. Na tradição posterior, Davi foi apresentado como garantia da união entre Deus e o povo.
 
SALMO 133
 
“OH! COMO É BOM E AGRADÁVEL VIVEREM UNIDOS OS IRMÃOS!
 
É COMO O ÓLEO PRECIOSO SOBRE A CABEÇA, A QUAL DESCE PARA A BARBA, A BARBA DE ARÃO E DESCE PARA A GOLA DE SUAS VESTES.
 
É COMO O ORVALHO DO HERMON, QUE DESCE SOBRE OS MONTES DE SIÃO.
 
ALÍ ORDENA O SENHOR A SUA BENÇÃO E A VIDA PARA SEMPRE.”
 
Este salmo tem sido atribuído ao Rei David. Há quem afirme que é obra do período pós exílio; época que em forte clima emocional, é retomado o culto a JAVEH em plena Jerusalém. Importante é que o tempo não apagou nem alterou tão profunda mensagem, tendo sido transmitida com o tradicional zelo judaico através de gerações até chegar hoje, de forma familiar, a todo maçom.
 
O Salmo encanta por sua singeleza, por sua mensagem direta, profunda, e pelas objetivas analogias que encerra. Embora não nos seja familiar a imagem do óleo descendo da cabeça até a gola das vestes sacerdotais ou o cenário do orvalho que dos montes (como o portentoso Hermon), desceu até os vales.
 
Para transmitir o que esta unidade fraternal em sua essência significa, a poesia traz á consciência de cada um o paralelismo com duas figuras bem familiares ao povo hebreu: A barba de Arão e o Monte Hermon.
 
ARÃO:
 
Arão é o primeiro nome lembrado toda vez que se falar em religião judaica. A citação do seu nome evoca um paradigma sacerdotal, a linhagem levita.
 
Arão, é o irmão mais velho de Moisés e seu principal colaborador. A figura de Arão possui, um peso próprio na tradição bíblica, devido ao seu caráter de patriarca e fundador da classe sacerdotal dos judeus. Arão, membro destacado da tribo de Leví, viveu em torno do século XIV A.C. De acordo com a descrição do Exôdo, era filho de Amram e Jocabed e três anos mais velho que Moisés. Segundo a maioria dos biblícistas, se Moisés encarnava a visão profética, Arão simbolizava a necessidade de um poderoso testamento sacerdotal.
 
Durante o exôdo do povo judeu, Arão é o escolhido por Deus para transmitir ao faraó e ao povo a sabedoria por ele concedida a Moisés.
 
Em Exôdo: 4: 16," Ele falará por ti ao povo; ele será a tua boca, e tu serás para ele um deus".
 
Do mesmo modo, Arão ajudou Moisés a tirar seu povo do Egito, atravessando o deserto. Enquanto Moisés se achava no monte Sinai, onde recebeu Os Dez Mandamentos, Arão deixou de lado as recomendações do irmão e, ante as súplicas do povo, mandou construir a imagem do Bezerro de Ouro. Isso provocou a cólera divina e Arão não teve permissão para entrar na Terra Prometida. Apesar disso, Deus o consagrou sumo - sacerdote, fazendo com que de seu cajado brotassem flores.
 
Foi o primeiro sacerdote dos hebreus, o escolhido pelo Senhor para o sacerdócio, introduzido no tabernáculo ainda no Egito.
 
Em Números 3: 5-10, temos a declaração explicita de Jahveh:
 
"Disse o Senhor a Moisés: Faz chegar a tribo de Levi, e põe-na diante de Arão, o sacerdote para que o sirvam, e cumpram seus deveres para com todo o povo, diante da tenda da congregação, para ministrar no tabernáculo.
 
Terão cuidado de todos os utensílios da tenda da congregação, e, cumprirão o seu dever para com os filhos de Israel no ministrar no tabernáculo.
 
Darás pois os levitas a Arão e a seus filhos; dentre os filhos de Israel lhes são dados. Mas a Arão e seus filhos ordenarás que se dediquem só ao seu sacerdócio, o estranho que se aproximar morrerá."
 
Em Exôdo: 40: 13-15, encontramos o comando de Jahveh a Moisés de forma definitiva: "Vestirás a Arão das vestes sagradas, e o ungirás e o consagrarás, para que me oficie como sacerdote.... e sua unção lhes será por sacerdócio perpétuo durante as suas gerações”.
 
Unção!
 
É ato de ungir, sagrar alguém ou algo para uma função ou atividade elevada. Na liturgia hebraica, a unção era atribuição privativa dos sacerdotes e estes; até a época de Salomão eram exclusivamente da tribo de Levi.
 
Disse também o Senhor a Arão: Na sua terra possessão nenhuma terás, e no meio deles nenhuma parte terás, eu sou a tua parte e a tua herança.
 
Os Levitas administrarão o ministério da tenda da congregação, e eles levarão sobre si a sua iniquidade; pelas vossas gerações estatuto perpétuo será.
 
Em Levitico: 8: 1-12, encontramos detalhes do ritual de sua “INSTALAÇÃO” como sumo - sacerdote, celebrada por Moisés, conforme as instruções recebidas do Senhor. Na etapa final desse que foi um dos mais solenes cerimoniais de "instalação" descritos no Velho Testamento, o texto assinala :
 
"Então Moisés tomou o óleo da unção, e ungiu o tabernáculo, e tudo o que havia nele, e o consagrou; e dele espargiu o altar e todos os seus utensílios, como também a bacia e o seu suporte, para os consagrar. Depois derramou do óleo da unção sobre a cabeça de Arão, ungiu-o para consagrá-lo.
 
TABERNÁCULO, OU TENDA DA CONGREGAÇÃO , era o templo provisório, móvel, utilizado por todo o período anterior á construção do Templo de Salomão, o que ocorreu por volta do ano 968 a.C.
 
Por todo esse histórico, Arão é personagem importante na história do povo judeu.
 
Como sacerdote, tinha o privilégio de participar do oficio e cerimoniais no tabernáculo, apresentando diante de Deus as oferendas em nome do povo. Na qualidade ainda de sumo - sacerdote tinha também a responsabilidade e suprema honra de ser o único a entrar uma vez por ano no local "santíssimo " onde se encontrava a Arca da Aliança.
 
Sua consagração como sacerdote foi feita pelo próprio Moisés por meio do derramamento do óleo sobre sua cabeça. O óleo que desceu sobre a sua barba até alcançar as suas vestes, reveste-se de singular simbolismo no contexto.
 
O corpo envolto no óleo, simbolizando a consagração sacerdotal, estaria capacitando Arão de representar todo o povo diante do Senhor. Era como se o povo judeu fosse, unido, representado por um corpo - um corpo ungido - perante o Altíssimo.
 
É a esse óleo que o Salmo da Fraternidade se refere como "precioso". Sua composição, transmitida pelo Senhor a Moisés, reúne apenas cinco ingredientes, em porções bem definidas:
 
"Tu pois toma para ti das principais especiarias: da mais pura Mirra quinhentos siclos, (Siclos: moeda dos hebreus, de prata pura que pesa- va seis gramas), de Canela aromática a metade, a saber, duzentos e cinquenta siclos; e, de Cálamo aromático, duzentos e cinquenta siclos; e de Cassia quinhentos siclos e de Azeite de Oliveiras um him.
 
Cumpre ressaltar, a natureza santa desse óleo.
 
O sentido do termo Santo é separado, sagrado, consagrado. Não é comum, profano ou vulgar, tanto que o próprio Deus adverte explicitamente:
 
EM Exôdo 30: 31-33 "Este me será o azeite da santa unção nas vossas gerações. Não se ungirá com ele a carne do homem, nem fareis outro semelhante conforme á sua composição: santo é, e será, Santo para vós. O homem que compuser tal perfume como este, ou que dele puser sobre um estranho, será extirpado dos seus povos."
 
De acordo com o livro dos Números, Arão morreu no monte Hor com 123 anos de idade.
 
Outras fontes bíblicas, porem, afirmam que ele morreu em Moserá.
 
MONTE HERMON:
 
“É COMO O ORVALHO DO HERMON, QUE DESCE SOBRE OS MONTES DE SIÃO.
 
ALÍ ORDENA O SENHOR A SUA BENÇÃO, E A VIDA PARA SEMPRE.”
 
A outra figura lembrada pelo salmista nos transporta ao portentoso e belo monte Hermon, e o orvalho que do seu topo se precipita aos montes de Sião.
 
Reputado como local sagrado pelos habitantes originais de Canaan, o monte Hermon situa-se na região norte da Palestina hoje, na fronteira do Líbano com a Síria e, se eleva a 2.800 metros de altitude. O cume do Hermon está permanentemente coberto de neve. Aos seus pés tem origem o rio Jordão, responsável por tornar fértil toda a região conhecida como vale do Jordão, que se estende da cidade de Dã até a região de Edom, ao sul do Mar Morto.
 
A fertilidade, isto é, a própria vida da região, é dádiva do monte Hermon. Se não fora o orvalho de suas vertentes, não existiria o Jordão. A região vizinha é inóspita e sem chuvas. As águas cristalinas do Jordão asseguram a irrigação e com ela a vida ao longo do vale verdejante.
 
É possível dai se entender o significado simbólico do "...orvalho do Hermon" e a paráfrase da conclusão:
 
"Alí ordena o Senhor a sua benção e a vida para sempre”.
 
Duas figuras, o óleo que desce da cabeça de Arão e o orvalho do Hermon que também desce, eis as analogias feitas pelo poeta para comparar as benesses da vida em união. Tudo se passando como se ele tivesse dizendo que viver em união é como ter Arão como sacerdote, em intimo contato com o Criador, interpretando nossas dores e alegrias e oferecendo os sacrifícios. Ou então é como ter garantida a vida, que frui do Hermon até aos montes de Sião, assegurando a fertilidade da região de onde vem nosso sustento.
 
Com estas duas figuras entendemos o que o salmista nos traz. Viver em união, como irmãos, é a superação de todos os males. É sinônimo da máxima virtude humana. É quando os homens ascendem ao clímax da felicidade. É a realização do EU coletivo. Não o seremos "eus" mas "nós". A felicidade da vida em união é comparada com dois planos: o espiritual, simbolizado pelo óleo sobre a cabeça ungindo Arão, que permite o homem alcançar o plano do EU superior. E material, representado alegóricamente pela água que descendo do Hermon assegura a vida pela perene fertilidade do solo.
 
De um lado o espirito – o compasso - de outro o corpo - o esquadro, e no meio o homem plenamente harmonizado consigo mesmo, com os demais semelhantes, com a natureza (a terra) e com o Principio Criador. O óleo, o homem, o monte e a água formam os símbolos e alegorias, que nos levam a entender o significado da real união entre homens que se definem como irmãos.
 
O Salmo 133 consagra o puro e verdadeiro amor fraternal, essência para a construção dos novos tempos. "Ali ordena o Senhor a sua benção, e a vida para sempre". Ele retrata os mistérios da felicidade interior dos que vivem em harmonia com seus irmãos, tal como preconiza nossa ordem. Feliz aqueles que compreendem o essencial deste poema, para alguns oculto, e, muito mais do que isto, conseguem viver esta experiência.
 
O objetivo primário da Maçonaria é unir os Irmãos de tal forma que possam parecer um só corpo, uma só vontade, um só espírito, formando um Templo coeso, compacto, de partes heterogêneas formando um todo. Os Maçons, portanto, quando unidos pela Cadeia de União, não estão absorvidos nem diluídos, mas ligados através da soma das forças físicas e mentais, existindo individualmente no todo.
 
“Segui a palavra de Davi, é a voz de Deus na Terra ”.
 
Or.'. de Santo André, 04 de Novembro de 2001 E.'.V.'.
 
Irmão Antonio José Rodrigues
 
BIBLIOGRAFIA:
 
Texto elaborado a partir das fontes abaixo:
 
Bíblia.
 
Revista A Verdade nº 381.
 
Enciclopédia Britânica ( Barsa).
 
Dicionário Aurélio Eletrônico.
 
Revista 0 Milênio.
 
Ritual da Magia Divina - Os Salmos de Davi e suas Virtudes.
 
apoio e materiais fornecidos:
 
Cleanto Pereira : ARLS Lealdade Paulistana
 
Jair Mendes Ferreira : ARLS Cidade de São Paulo nº 416

 

 
O Lamento das Tumbas
 
Gibran Kahlil Gibranh
 
O Emir entrou na sala do júri e sentou-se na cadeira principal, enquanto à sua direita e à sua esquerda sentavam-se os homens mais destacados do país. Os guardas, armados com lanças e espadas, ficaram de sentinela, e o povo que veio assistir ao julgamento se levantou e curvou-se cerimoniosamente para o Emir, de cujos olhos emanava uma força que incutia horror em seus espíritos e medo em seus corações. Como a corte estava pronta e a hora do julgamento se aproximava, o Emir levantou a mão e ordenou: — Tragam os criminosos um a um, e digam-me que crimes cometeram. — A porta da prisão se abriu como a boca bocejante de uma besta feroz. Dos cantos obscuros da masmorra, qualquer um podia ouvir o eco do chocalhar das correntes, em uníssono com os gemidos e lamentações dos prisioneiros. Os espectadores estavam ansiosos para ver cada vítima da Morte emergindo das profundezas daquele inferno.
 
Alguns momentos depois, dois soldados vieram, trazendo um jovem com os braços amarrados atrás das costas. Seu rosto severo indicava nobreza de espírito e fortaleza de coração. Ele estava parado no meio da sala do tribunal, e os soldados recuaram alguns passos. O Emir encarou-o serenamente e disse:
 
— Que crime cometeu este homem, que está orgulhosa e triunfalmente de pé diante de mim?
 
— Um dos homens da corte responde:
 
— Ele é um assassino; ontem matou um dos oficiais do Emir, que estava numa missão importante, nas aldeias vizinhas; ele ainda segurava a espada ensanguentada quando foi preso.
 
— O Emir retorquiu com raiva:
 
— Levem o homem para o calabouço, amarrem-no com pesadas correntes e, de madrugada, cortem-lhe a cabeça com sua própria espada, joguem seu corpo no mato, para que os animais possam comer sua carne, e o ar possa carregar seu odor putrefato para as narinas de seus familiares e amigos.
 
— O jovem voltou para a prisão, enquanto o povo olhava para ele com olhos piedosos, pois era um homem jovem, na flor da idade.
 
Os soldados voltaram, trazendo então uma moça de beleza delicada e sem artifícios. Ela estava pálida e nas suas faces apareciam os sinais da opressão e da decepção. Seus olhos estavam molhados de lágrimas e a cabeça tombava sob a carga do seu pesar. Depois de olha-la de cima a baixo, o Emir exclamou:
 
— E essa mulher macilenta, que está de pé diante de mim como a sombra ao lado de um cadáver, o que fez?
 
— Um dos soldados respondeu-lhe dizendo:
 
— Ela é uma adúltera; a noite passada, seu marido encontrou-a nos braços de outro. Depois que o amante fugiu, o marido a trouxe para a lei.
 
— O Emir encarou-a, enquanto ela levantava o rosto sem expressão, e ordenou:
 
— Levem-na de volta ao calabouço e estendam-na sobre uma cama de espinhos para que possa lembrar-se desse lugar de repouso que ela sujou com sua falha; dêem-lhe vinagres misturados com bílis para beber, para que possa lembrar-se do gosto dos beijos doces. De madrugada, arrastem seu corpo nu para fora da cidade e apedrejem-no. Deixem que os lobos saboreiem a carne macia de seu corpo e os vermes penetrem nos seus ossos.
 
— Quando ela voltou para a cela escura, o povo olhou-a com simpatia e surpresa. Eles estavam assombrados com a justiça do Emir e preocupados com o destino dela.
 
Os soldados reapareceram trazendo um homem triste, cujos joelhos batiam e tremiam, como uma árvore nova face ao vento do norte. Ele tinha um olhar sem forças, fraco e amedrontado, e era pobre e miserável. O Emir o encarou com repugnância e inquiriu:
 
— E este homem imundo, que é como um morto entre os vivos, o que fez?
 
— Um dos guardas falou:
 
— Ele é um ladrão que arrombou o monastério e roubou os vasos sagrados, que os monges encontraram em seu poder, quando o prenderam.
 
Como águia faminta que olha para um pássaro de asas partidas, o Emir encarou-o e sentenciou:
 
— Levem-no de volta para a prisão e acorrentem-no, e de madrugada arrastem no até uma árvore bem alta e enforquem-no entre o céu e a terra. Assim, suas mãos pecadoras morrerão e os membros de seu corpo sem vida se transformarão em joguete do vento.
 
— Quando o ladrão cambaleou de volta às profundezas da prisão, o povo começou a cochichar entre si, dizendo:
 
— Como ousa tal homem fraco e herege roubar os vasos sagrados do monastério?
 
Nessa hora, a corte suspendeu a sessão e o Emir saiu, acompanhado por todos os seus dignitários, guardado pelos soldados, enquanto a assistência se dispersava e no lugar vazio se ouviam o lamentar e o gemer dos prisioneiros. Tudo isso aconteceu enquanto eu estava lá, de pé, como um espelho, diante dos fantasmas que passavam.
 
Eu pensava nas leis feitas pelo homem para o homem, testemunhando o que o povo chama de "justiça" e absorvido em profundos pensamentos sobre os segredos da vida. Tentei entender o sentido do universo. Eu me achava aturdido, sentindo-me como um horizonte envolvido entre as nuvens. Quando deixei o lugar, disse a mim mesmo: "O vegetal se alimenta dos elementos da terra, a ovelha come o vegetal, o lobo devora a ovelha e o touro mata o lobo, enquanto o leão devora o touro; também a Morte chama o leão. Há algum poder que se sobreponha à Morte e faça dessas brutalidades uma eterna justiça? Haverá uma força que possa converter todas essas coisas horríveis em coisas belas? Não existirá nenhum poder capaz de agarrar com suas mãos todos os elementos da vida e enlaça-los com alegria, como o mar prazerosamente engolfa todos os riachos nas suas profundezas? Não há nenhum poder que possa aprisionar o assassinado e o assassino, o traído e o traidor, o ladrão e o roubado, e trazê-los para uma corte mais elevada e mais capaz que a corte do Emir?
 
No dia seguinte, deixei a cidade e fui para os campos, onde o silêncio revela à alma o que o espírito está buscando, e onde o céu puro mata os germes do desespero gerados na cidade entre as ruas estreitas e os lugares escuros. Quando cheguei ao vale, vi um bando de corvos e abutres planando e descendo, enchendo o céu com o seu gralhar e o zunir e o bater das asas.
 
Quando prossegui, vi diante de mim o cadáver de um homem pendurado no alto de uma árvore, o corpo de uma mulher nua no meio de um amontoado de pedras e a carcaça de um jovem cuja cabeça cortada estava encharcada de sangue misturado com a terra. Foi uma visão horrível, que me cegou os olhos com espesso e denso véu de aflições.
 
Olhei em todas as direções e nada vi, exceto o espectro da Morte ao lado daqueles restos horrorosos. Nada se ouvia, só o gemido da não-existência, misturado com o gralhar dos corvos que rondavam as vítimas das leis humanas. Três seres, que ontem estavam nos braços da Vida, hoje tombam como vítimas da Morte porque quebraram as leis da sociedade. Quando um homem mata um outro, o povo diz que é um assassino; mas, quando o Emir o mata, o Emir é justo. Quando um homem rouba o monastério, dizem que é um ladrão; mas, quando o Emir lhe rouba a vida, o Emir é honrado. Quando uma mulher trai o marido, dizem que é uma adúltera; mas, quando o Emir a faz andar nua pelas ruas e ordena que a apedrejem, o Emir é nobre. O derramamento de sangue é proibido, mas quem o torna legal para o Emir?
 
Roubar o dinheiro de alguém é um crime, mas tirar a vida de uma pessoa é um ato nobre. A infidelidade a um marido pode ser uma ação horrorosa, mas apedrejar almas vivas é um maravilhoso espetáculo. Devemos combater o mal com o mal e dizer que isso é a Lei? Devemos combater a corrupção com a corrupção maior e dizer que isso é a Regra? Devemos subjugar os crimes com mais crimes e dizer que isso é a Justiça? Não matou o Emir nenhum inimigo na sua vida pregressa? Jamais roubou, de seus súditos fracos, dinheiro e propriedade? Não cometeu nenhum adultério? Era ele um homem sem faltas quando matou o assassino, enforcou o ladrão e apedrejou a adúltera? Quem são esses que enforcaram o ladrão na árvore? São anjos descidos do céu, ou homens saqueadores e usurpadores? Quem cortou a cabeça do assassino? São profetas divinos, ou soldados derramando sangue por onde quer que vão? Quem apedrejou aquela adúltera? Foram eremitas virtuosos que vieram de seu monastério, ou humanos que amam cometer atrocidades com alegria, sob a proteção de uma lei retrógrada? O que é a Lei? Quem a viu vindo como o sol da imensidão do céu? Que ser humano viu o coração de Deus e nele vislumbrou seus desejos e propósitos? Em que século os anjos andaram entre o povo, pregando: "Proíbam o fraco de aproveitar a vida, e matem os marginais com a lâmina afiada da espada, e pisem sobre os pecadores com pé de ferro"?
 
Enquanto minha mente sofria dessa forma, ouvi ruído de passos que se aproximavam pelo caminho. Prestei atenção e vi uma jovem vindo de trás das árvores; ela olhou cautelosamente em todas as direções, antes de se acercar dos três corpos que lá estavam. Logo seus olhos caíram sobre a cabeça cortada do jovem.
 
Ela chorou convulsivamente, ajoelhou-se e a abraçou com seus braços trêmulos; de seu rosto desciam lágrimas, enquanto ela acariciava com seus dedos suaves os cabelos anelados e emaranhados com o sangue, chorando com uma voz que vinha do fundo de um coração despedaçado. A jovem não pôde mais suportar a visão. Arrastou o corpo até uma vala, colocou-lhe a cabeça delicadamente entre os ombros, cobriu-o todo com terra e sobre a cova improvisada colocou a espada com a qual a cabeça do infeliz tinha sido decepada.
 
Como a moça fizesse menção de partir, dirigi-me a ela. A jovem tremeu quando me viu, e seus olhos estavam cheios de lágrimas. Ela suspirou e disse:
 
— Leve-me até o Emir, se quiser; para mim é melhor morrer e seguir aquele que salvou a minha vida das garras da desgraça, do que deixar seu cadáver como alimento para os animais ferozes.
 
— Respondi-lhe:
 
— Não tenha medo de mim, pobre garota, condói-me da morte desse jovem antes de você o fazer. Mas diga-me, como ele a salvou das garras da desgraça?
 
— A moça replicou, com uma voz cautelosa e débil:
 
Um dos oficiais do Emir veio à nossa fazenda para coletar o imposto; quando me viu, olhou-me como um lobo olha para uma ovelha. Ele cobrou a meu pai um imposto tão pesado, que mesmo um homem rico não poderia pagar. Fui então detida e levada em penhor para o Emir em garantia do ouro que meu pai não podia dar. Imporei-lhe que me poupasse, mas ele não se comoveu, pois era friamente impiedoso. Gritei então por socorro, e esse jovem que está morto aqui agora veio em meu socorro, e salvou-me de uma morte em vida. O oficial tentou mata-lo, mas meu protetor golpeou-o com uma velha espada que estava pendurada na parede de nossa casa. Ele não fugiu como um criminoso; ao contrário, ficou junto ao corpo do oficial morto até a lei chegar e leva-lo sob custódia.
 
Depois de ter proferido essas palavras que fariam qualquer coração humano sangrar de compaixão, ela virou o rosto e foi embora.
 
Pouco tempo depois vi um jovem que se aproximava com o rosto envolvido por um manto. Quando se aproximou do cadáver da adúltera, ele desdobrou o manto e colocou-o sobre o corpo nu. Então tomou uma adaga que trouxera escondida e cavou um buraco, no qual colocou com carinho e cuidado a moça morta; cobriu-a com terra, sobre a qual ia derramando suas lágrimas. Ao acabar a tarefa, o jovem arrancou algumas flores e colocou-as reverentemente naquele túmulo tosco. Quando ia sair, eu o detive dizendo:
 
Que tipo de relação você tinha com a adúltera? E o que o impeliu a pôr a vida em perigo, vindo até aqui para proteger-lhe o corpo nu contra os animais ferozes?
 
— Quando me encarou, seus olhos pesarosos estampavam seu infortúnio, e ele explicou:
 
Eu sou o homem desgraçado por amor de quem ela foi apedrejada. Eu a amava e ela me amava desde a infância; crescemos juntos; o Amor, a quem nós servimos e reverenciamos, era o dono de nossos corações. O Amor uniu-nos e enlaçou nossas almas. Um dia ausentei-me demoradamente da cidade, e quando voltei descobri que seu pai a obrigara a casar com um homem que ela não amava. Minha vida tornou-se uma luta perpétua, e todos os meus dias foram convertidos numa longa e escura noite. Tentei dar paz a meu coração, mas meu coração não se conformava.
 
Finalmente, fui vê-la secretamente; meu único propósito era ter uma breve visão de seus olhos maravilhosos e escutar o som da sua voz serena.
 
Quando cheguei à sua casa, encontrei-a sozinha, lamentando-se. Sentei-me a seu lado, o silêncio era a nossa importante conversação e a virtude, a nossa companheira. Uma hora de mudo entendimento se passara, quando seu marido entrou. Eu o adverti para conter-se, mas ele a arrastou para a rua e gritou: "Venham, venham e vejam a adúltera com seu amante!" Todos os vizinhos se precipitaram, e mais tarde veio a Lei e levou-a até o Emir; mas eu nem fui tocado pelos soldados. A Lei ignorante e os costumes estúpidos puniram a mulher pela falta de seu pai e perdoaram o homem.
 
Depois de assim ter falado, o jovem caminhou em direção à cidade. Permaneci meditando sobre o cadáver do ladrão pendurado naquela árvore imponente, o qual se movia levemente cada vez que o vento batia nos galhos, esperando talvez por alguém que o descesse e o estendesse na superfície da terra ao lado do Defensor da Honra e da Mártir do Amor. Uma hora depois, uma frágil e miserável mulher apareceu, chorando. Ela parou em frente ao homem enforcado e rezou reverentemente. Então subiu na árvore e roeu com os próprios dentes a corda de linho até que ela arrebentasse e o morto caísse no chão como se fosse um invólucro macabro; depois desceu, cavou uma vala e enterrou o ladrão ao lado das duas outras vítimas. Em seguida cobriu-o com terra, pegou dois pedaços de madeira, fez uma cruz e colocou-a na cabeceira.
 
Quando ela se dirigia para a cidade, iniciando uma caminhada, eu a detive falando-lhe:
 
— O que a fez vir aqui e enterrar o ladrão?
 
— Ela me olhou intensa e tristemente e justificou:
 
— Ele é meu fiel marido e companheiro dedicado; é o pai de meus filhos: cinco rebentos que morrem de fome; o mais velho tem oito anos, e o mais novo é ainda de colo.
 
Meu marido não era um ladrão, mas um camponês que trabalhava na terra do monastério, sustentando-nos com a pouca comida que os padres e monges lhe davam, quando ele voltava para casa, ao anoitecer.
 
Ele trabalhava para eles desde a juventude, e quando ficou fraco os padres o demitiram, aconselhando-o ir para casa e a mandar seus filhos tomar seu lugar, assim que estivessem mais velhos. Meu marido implorou em nome de Jesus e dos anjos do céu para que o deixassem ficar, mas não deram atenção ao apelo.
 
Não tiveram pena dele, nem de seus filhos famintos, que estavam desesperadamente chorando por comida. Meu companheiro dirigiu-se então para a cidade em busca de emprego; mas foi tudo em vão, pois o rico só emprega aquele que está forte e saudável. Então, ele foi sentar-se na rua poeirenta, estendendo a mão aos que passavam, pedindo e repetindo-lhes a triste cantilena da sua derrota na vida, sofrendo fome e humilhação; mas as pessoas se recusavam a ajudá-lo, considerando-o como um daqueles preguiçosos que não merecem esmolas.
 
Uma noite, a fome torturava dolorosamente os nossos filhos, principalmente o menor, que tentava inutilmente mamar no meu seio já seco. Então a expressão do rosto de meu marido mudou e ele saiu de casa, protegido pela escuridão da noite. Entrou no depósito do monastério e arrastou para fora um saco de trigo. Assim que saiu, os monges acordaram de seu sono leve e o prenderam, depois de o surrar impiedosamente. De madrugada, levaram-no até o Emir e queixaram-se de que ele fora até o monastério para roubar os vasos de ouro do altar. Prenderam-no, e o enforcaram no segundo dia.
 
Ele estava apenas tentando alimentar seus pequenos famintos, com o trigo que colheu de seu trabalho; mas o Emir o matou e usou sua carne para encher o estômago dos pássaros e dos animais.
 
— Dizendo isso, ela me deixou sozinho, espiritualmente arrasado, e partiu.
 
Fiquei parado diante das covas, como um orador atacado de súbita mudez, enquanto tentava fazer um necrológico. Eu estava mudo, mas minhas lágrimas, que rolavam, substituíam as palavras e falavam por minha alma.
 
Meu espírito rebelou-se quando tentei meditar por algum tempo, porque a alma é como uma flor que deixa suas pétalas caírem quando anoitece, e não exala seu aroma para os fantasmas da noite. Pareceu-me que aquela terra que envolvia as vítimas da pressão, naquele lugar solitário, enchia meus ouvidos com os lamentos das almas sofredoras e me impedia de falar.
 
Recorri ao silêncio, pois se as pessoas entendessem o que o silêncio lhes revela estariam tão junto de Deus quanto as flores do vale. Se as chamas que incendiavam minha alma melancólica tivessem tocado as árvores, elas se moveriam de seus lugares e marchariam como um exército poderoso para lutar contra o Emir brandindo seus galhos, e demoliriam o monastério sobre as cabeças desses padres e monges.
 
Fiquei ali meditando, e percebi que o doce sentimento da misericórdia e a amargura do pesar jorravam de meu coração sobre os recém-cavados túmulos. O túmulo de um jovem que sacrificou sua vida defendendo uma frágil donzela, cuja existência e honra ele salvou do meio das patas e das garras de um ser humano selvagem; um jovem cuja cabeça foi cortada como recompensa de sua bravura; e sua espada foi colocada sobre seu túmulo pela pessoa que ele salvou, como um símbolo de heroísmo ante a face do sol que brilha sobre um império mergulhando na estupidez e na corrupção. O túmulo de uma jovem cujo coração já estava inflamado de amor, antes de seu corpo ser arrebatado com avidez, ser usurpado pela luxúria e ser apedrejado pela tirania.... Ela manteve a sua fé até a morte; o seu amado colocou-lhe flores no túmulo para que enquanto murchassem fossem um depoimento sobre essas almas que o Amor escolheu e abençoou, destacando-as dentre as pessoas cegas pelas coisas terrenas e emudecidas pela ignorância.
 
O túmulo de um homem miserável exaurido pelo trabalho árduo e longo na terra do monastério, que pedira pão para alimentar os filhos famintos, e que lhe fora negado. Esse infeliz recorrera à mendicância, mas ninguém lhe dera atenção.
 
Quando sua alma o impeliu a reaver uma pequena parte da safra que plantara e colhera foi aprisionado e surrado até a morte. Sua pobre viúva erigiu uma cruz sobre seu túmulo como um símbolo no silêncio da noite e ante as estrelas do céu, a testemunhar contra esses padres que converteram o bom ensinamento de Cristo em afiadas espadas com as quais cortam o pescoço do povo e rasgam os corpos dos fracos. O sol desapareceu atrás do horizonte como se estivesse cansado dos problemas do mundo e sentisse aversão pela submissão humana.
 
Nesse momento, o entardecer começou a tecer um delicado véu das fibras de silêncio e o colocou sobre o corpo da Natureza. Estendi minha mão em direção aos túmulos, apontando os seus símbolos; ergui os olhos em direção ao céu e exclamei:
 
— Oh, Bravura, esta é a tua espada, enterre-a agora na terra! Oh, Amor, esta são as flores, queime-as com o fogo! Oh, Jesus, esta é a Tua Cruz, mergulhe-a na obscuridade da noite!
 
(Do Livro "Espíritos Rebeldes")

 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Lição de vida – A empresária e o mendigo

Certo dia, uma mulher avistou um mendigo, sentado numa calçada na Rua..
Aproximou-se dele, e como o pobre coitado, já estava acostumado a ser chacoteado por todos, a ignorou..
Um policia, observando a cena , aproximou-se :
– Ele está a incomodar a senhora?
Ela respondeu:
– De modo algum – eu é que estou tentando levá-lo até aquele restaurante, pois vejo que está com fome e até sem forças para se levantar. O senhor Policia ajuda-me a levá-lo até ao restaurante?
Rapidamente, o policia a ajudou, e o pobre homem, mesmo assim, não querendo ir, pois, não acreditava que isso estava a acontecer!
Chegando ao restaurante, o garçom, que foi atendê-los, disse sem pestanejar :
– Desculpe Senhora, mas ele não pode ficar aqui.. Vai afastar os meus clientes!!!
A mulher abaixou e levantou os olhos e disse:
– Sabe aquela enorme empresa ali em frente? Três vezes por semana, os diretores de lá juntamente com clientes, vêm fazer reuniões neste restaurante, e sei que o dinheiro que deixam aqui, é o que mantém este restaurante . Pois é, eu sou a proprietária daquela empresa. Posso fazer a refeição aqui, com o meu amigo.. ou não?
O garçom fez um gesto positivo com a cabeça, o policia que estava de longe observando ficou boquiaberto, e o pobre homem, deixou cair nesse momento, uma lágrima de seus sofridos olhos.
Quando o garçom, se afastou, o homem perguntou:
– Obrigado Senhora, mas não entendo esse gesto de bondade.
Ela segurou nas suas mãos , e disse :
– Não se lembra de mim, João ?
– Me parece familiar – respondeu – mas não me lembro de onde.
Ela, com lágrimas nos olhos, disse:
– Há algum tempo atrás, eu recém formada, vim para esta cidade… Sem nenhum dinheiro no bolso… Estava com muita fome… Sentei-me naquela praça, aqui em frente, por que tinha uma entrevista de emprego naquela empresa, que hoje é minha. Quando se aproximou de mim, um homem, com um olhar generoso. Lembra-se agora João?
Ele, em lágrimas, afirmou que sim.
– Na época , o senhor trabalhava aqui. Naquele dia, fiz a melhor refeição da minha vida, pois estava com muita fome, e até sem forças. Toda hora, eu olhava para o senhor, pois estava com medo de prejudicá-lo , pois estava ali a comer de graça. Foi quando ví, o senhor a tirar dinheiro do seu bolso e colocar na caixa do restaurante. Fiquei mais aliviada. E sabia que um dia poderia retribuir. Alimentei-me, fui com mais forças para a minha entrevista.
Na época, a empresa ainda era pequena… Passei na entrevista, especializei-me, ganhei muito dinheiro, acabei comprando algumas ações da empresa, e com o passar do tempo, fiquei a proprietária, e fiz a empresa ser o que ela é hoje.
Procurei pelo senhor, mas nunca o encontrei… Até que hoje, o vi nessa situação. Hoje, o senhor não dorme mais na rua! Vai comigo para a minha casa… Amanhã, compraremos roupas novas, e o senhor vai trabalhar comigo!
Se abraçaram, a chorar.
O policia, o garçom e as demais pessoas, que viram essa cena, emocionaram-se diante da grande Lição de vida, que tinham acabado de presenciar!!!
 
MORAL DA HISTÓRIA:

Hoje sou eu a precisar . . . amanhã podes ser Tu !
Faz sempre o BEM… Um dia ele retornará em dobro para Ti !
 
Partilha e faz com que os teus amigos APRENDAM algo importante!
 
Fonte: https://temporecord.wordpress.com

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Quadro de Aprendiz

"Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que
ensina” (Cora Coralina)

 a) O QUADRO DO APRENDIZ



Este “Quadro” deveria figurar em todas as Lojas do Primeiro Grau e ser comentado pelos 1ºs Vigilantes, cuja missão é 
despertar nos aprendizes o sentido simbólico. Só quando o Aprendiz conhecer bem o simbolismo de tudo o que diz respeito a seu grau é que ele estará apto a galgar o segundo grau, que fará dele um Companheiro.
No início, qualquer local podia ser transformado em Templo. Bastava desenhar com giz, no chão, o “Quadro” simbólico do grau em que a Oficina trabalhava. Após cada reunião, esse “Quadro” era apagado.
Mais tarde, fez-se uso de uma tela pintada, que era desenrolada por ocasião das reuniões; atualmente, o Templo reproduz todos os símbolos do “Quadro”.
Esse “Quadro” comporta duas Colunas, encimadas por Romãs, enquadrando uma Porta à qual conduzem três Degraus; estes, seguidos de um Adro em mosaico. Vêem-se ai também Três Janelas, uma Pedra bruta e uma Pedra cúbica pontiaguda. Uma corda com três nós emoldura esse “Quadro”, que compreende, além disso, o Sol e a Lua, as duas Luminárias, o Esquadro e o Compasso, a Perpendicular e o Nível, o Malhete e o Cinzel, a Prancha de traçar. No Painel da Loja se condensam todos os símbolos que devemos conhecer; e, se bem os interpretarmos, fáceis e muito claras ser-nos-ão as Instruções subseqüentes.
A Loja Maçônica, possui três JÓIAS MÓVEIS que são: o Esquadro, o Nível e o Prumo, assim chamadas porque são transferidas, cada ano, aos novos Veneráveis e Vigilantes, com a passagem da Administração.
As JÓIAS FIXAS são três: a Prancheta da Loja, a Pedra Bruta e a Pedra Polida.
A Prancheta da Loja serve para o Mestre desenhar e traçar. Simbolicamente, exprime que o Mestre guia os Aprendizes no trabalho indicado por ela, traçando o caminho que eles devem seguir para o aperfeiçoamento, a fim de poderem progredir nos trabalhos da Arte Real. (A expressão Arte Real é um termo que tem diversas definições). Entre elas: “A Maçonaria chama-se Arte Real, porque ensina aos homens a se governarem a si mesmos”; “a Arte Real é aquela que leva o homem à perfeição humana”.
A Pedra Bruta (no painel acima o 9), serve para nela trabalharem os Aprendizes, marcando-a e desbastando-a, até que seja julgada polida, pelo Mestre da Loja; A Pedra Polida ou Cúbica é o material perfeitamente trabalhado, de linhas e ângulos retos, que o Compasso e o Esquadro (06) mostram estar talhado de acordo com as exigências da Arte. Representa o saber do Homem no fim da vida, quando a aplicou em atos de piedade e virtude, verificáveis pelo Esquadro da Palavra Divina e pelo Compasso da própria consciência esclarecida.
b) A PEDRA BRUTA
À direita e à esquerda do “Quadro do Aprendiz” figuram uma Pedra Bruta e uma Pedra Cúbica pontiaguda. Se certos símbolos maçônicos provocaram poucos comentários, a Pedra bruta e a Pedra cúbica não estão nesse caso. Aqui as dissertações abundam e os cursos de moral se inflam, transformando-se em rios.
A Pedra Bruta simboliza as imperfeições do espírito e do coração que o Maçom deve se esforçar por corrigir.
A Pedra bruta, com efeito, pode ser considerada como o símbolo da Liberdade, e a Pedra talhada como o símbolo da Escravidão.
Vemos o profano apresentar-se à porta do Templo e pedir Luz. Uma Loja, justa e perfeita, proporciona-lhe essa Luz e, ao mesmo tempo, liberta-o iniciaticamente da servidão. Livre, o neófito simbolizará sua liberdade por uma “pedra bruta”, com a qual se identificará. E a Pedra talhada, terminada, feita de todos os preconceitos, de todas as paixões, de toda intransigência das fórmulas absolutas, aceitas sem controle como expressão de uma verdade inexpugnável e única, fazem do homem o escravo de seu meio. Sim, o Aprendiz, pela Iniciação maçônica, que é um novo nascimento, reencontra o estado da natureza; ele se liberta de tudo o que ela lhe tirou de espontâneo e de bom. (No hermetismo, a pedra bruta simboliza a primeira matéria, a “matéria-prima” que servirá para a elaboração da “Pedra Filosofal”. – Hermetismo – Doutrina esotérica que tira o seu nome de Hermes Trismegisto e que os primitivos gregos teriam ensinado aos iniciados). Ele reencontra a “Liberdade de Pensamento”, e, com os “Instrumentos” que lhe são fornecidos, desbastará ele próprio a “sua pedra” e conseguirá torná-la perfeita, imprimindo-lhe um caráter de personalidade que será seu e único.
Na Maçonaria, contrariamente ao que ocorre na maioria dos outros agrupamentos humanos, cada Irmão conserva sua inteira liberdade; ele não pode nem deve receber nenhuma palavra de ordem suscetível de influenciar seus atos. Os anti-maçons, que pretendem o contrário, mostram com isso um desconhecimento total acerca da verdadeira Maçonaria.
c) TRATAMENTO FRATERNO
O tratamento fraterno de você (tratamento íntimo entre iguais) é geralmente adotado pelos Maçons.
O tratamento cerimonioso do mundo profano levanta uma barreira entre os homens e também entre os irmãos. O ideal seria a introdução obrigatória do tratamento coloquial na Loja, porque isso garante a igualdade de todos os irmãos e permite o nascimento de um verdadeiro sentimento de união. Se uma pessoa julgou-se digna de ser recebida como Franco-Maçom, ela é igualmente digna de ser colocada em pé de igualdade com todos os seus irmãos. Se ela se mostra indigna dessa familiaridade, é igualmente indigna de permanecer na Loja. Aquele que se nega a ser chamada de você dá provas de uma vaidade deveras deslocada em nosso meio.
Para a Maçonaria o maior será sempre aquele que mais disposto estiver a servir, o que mais se dedique ao bem comum.
EPÍLOGO
Coloquemos o Grande Arquiteto do Universo em nossas vidas, em nossas Lojas e não apenas em nossas palavras. Não recusemos a prece e o estudo. Pratiquemos todo o bem de que sejamos capazes.
É preciso dedicação e estudo. Conhecimento e exercício. Sem exercitarmos o que parece termos aprendido jamais aprenderemos.
Somos igualmente iniciados para construir o Reino do Grande Arquiteto do Universo, a principiar de nós mesmos.
Trabalhemos por mais luz no nosso próprio caminho.
Valdemar Sansão
 
Fontes consultadas:
- Ritual do Aprendiz Maçom – GLESP;
- “A Simbólica Maçônica” – Jules Boucher;
- “O DESPERTAR PARA A VIDA MAÇÔNICA
 
Extraído do Blog MSMACOM