sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Os Ensinamentos Maçônicos

 
 
Os ensinamentos maçônicos devem ser amplamente difundidos entre todos os Maçons e sua metodologia deve ser explicada previamente aos que pretendem ingressar na Ordem Maçônica. Os Mestres deverão estar preparados para a missão devendo expô-la quando da visita de avaliação prévia do pretendente. Esta informação possibilitará ao pretendente saber antecipadamente o que a Ordem poderá lhe oferecer, possibilitando-lhe analisar se realmente a metodologia e o direcionamento dos ensinamentos maçônicos são os que buscam para a sua evolução pessoal. O pretendente ao ingresso na Ordem deve estar convicto de que vai participar de uma sociedade voltada ao aprimoramento individual e que os demais participantes tem a mesma preocupação, o que não os inibe, ao contrário, prepara-os às atividades coletivas.  O desconhecimento desse fundamental objetivo dos ensinamentos maçônicos poderá levar o pretendente, após o seu ingresso, ao defrontar-se com posturas pessoais discordantes das suas ou desiludir-se com o que pensou ser a Ordem, desligar-se intempestivamente.
Os ensinamentos maçônicos devem ser transmitidos com a constância e repetições necessárias para o seu perfeito entendimento.
Características dos ensinamentos maçônicos:
  1. – Exclusivamente individual; 
  2. – Repetitivo e paulatino; mostra o caminho, mas não exige a caminhada.
  3. – O maçom é um voluntário;
Os ensinamentos maçônicos devem ser constantes, paulatinos e repetitivos para que sejam sempre oferecidos aos recém-admitidos.  Os maçons de antigamente não eram letrados e os procedimentos litúrgicos eram memorizados. As funções dos administradores e dos auxiliares eram sempre repetidas no inicio de cada reunião para conhecimento de todos e para a sua preservação. Com o advento dos rituais escritos, este procedimento passou a fazer parte integrante das reuniões, o que perdura até os dias de hoje.
Os ensinamentos maçônicos também estão fundamentados nas práticas cristãs, mas não tem a mesma metodologia de ensino adotado pelas associações cristãs de evangelização. Os ensinamentos maçônicos são voltados ao indivíduo, oferecendo a cada um a oportunidade de evolução pessoal. As associações religiosas evangelizadoras procuram maximizar as suas atividades, priorizando a divulgação dos seus ensinamentos através das pregações em massa. São metodologias de características diferentes e, se não entendidas cada uma no seu contexto, podem tornar-se conflitantes no íntimo de cada estudioso, mesmo ambas tendo o mesmo objetivo: a felicidade do homem.
Evangelização é a pregação do Cristão (a mensagem cristã) e, por extensão, qualquer forma de pregação e  proselitismo, com fins de adquirir adeptos, produzir conversão ou mudanças de hábitos, crenças e valores. No cristianismo, a evangelização é o sistema, baseado em princípios e métodos apresentados no  Novo Testamento, pelo qual se comunica o  Evangelho (Boa Nova) Cristo a (todo) pecador sob a liderança e poder Espírito Santo.  Afirma o apóstolo Paulo: “Como crerão em Jesus se ninguém lhes anuncia?” (Rom. 10,14). Está em Atos dos Apóstolos, capítulo 14 14:21: “Depois de pregar a Boa Nova ali, e de fazer muitos discípulos, eles voltaram a…”
O processo de evangelização cristã sempre teve como foco  “o outro”. Os costumes, a moral e os valores sociais da sociedade ocidental atual são decorrentes dessa forma de pregação. No ocidente, quase a totalidade dos jovens tiveram a sua formação com base na metodologia evangélica das pregações nas escolas paroquiais levando-os a analisar todos os acontecimentos dentro dessa metodologia, onde se avalia o que pode ser corrigido na atitude dos outros antes de avaliar o que pode ser corrigido em si.
Assim formados desde a infância, não raro passam a avaliar mais como os outros estão agindo do que a suas próprias ações. Na análise de suas convicções e interesses, surgem julgamentos e conselhos para corrigir as atitudes dos outros, conselhos que nem sempre são seguidos por quem aconselha. Na máxima cristã “Ama o próximo como a ti mesmo” não está implícito  que o “próximo”  tenha que ser  “como ti” para ser amado. A fraternidade, o principal ensinamento do Mestre Jesus, resumida na máxima: “Amai-vos uns aos outros”, nem sempre é priorizada nas atitudes. Por formação filosófica, a sociedade ocidental é mais preocupada em oferecer aos outros a oportunidade de corrigir-se do que em corrigir a si própria.
A evangelização e os ensinamentos maçônicos não são conflitantes. A metodologia dos ensinamentos maçônicos é voltada ao aperfeiçoamento do indivíduo, trazendo a tona as suas qualidades latentes e aumentando a sua autoestima, tornando-o consciente da sua capacidade de amar o “próximo” como o “próximo é” e de, pela evangelização, levar-lhe a crença cristã.
O conteúdo dos ensinamentos maçônicos permite-nos afirmar que a Maçonaria é uma escola de aperfeiçoamento exclusivamente individual. Este é o principal fundamento dos ensinamentos maçônicos.
No Grau de Aprendiz, que é o primeiro contato da Ordem com o recém-admitido, é apresentada toda a essência dos ensinamentos maçônicos.
 
Todos os autores maçônicos referem-se ao simbolismo da “pedra bruta” que deve ser desbastada e preparada para sua utilização na construção de uma sociedade mais justa, mais igualitária e mais fraterna. É comum ouvir do Maçom a expressão: “Estou trabalhando a minha “pedra bruta”, quando se refere aos seus estudos e práticas maçônicas. Dito dessa forma poderá dar margem ao entendimento de tratar-se de dois personagens distintos; o Aprendiz e a “pedra bruta”. Este entendimento é divergente do ensinamento maçônico, pois o Aprendiz é a “pedra bruta”. O Aprendiz é o objeto a ser desbastado.
A direção que se deve dar ao cinzel é a si.
Em nenhum momento, nos rituais maçônicos, há indicação que o cinzel deva ser voltado aos outros. Em si as pancadas no cinzel são dadas de acordo a sua sensibilidade; se nos outros, o agente não colocará no maço o mesmo peso que coloca quando desbasta a si mesmo, certamente seria mais pesado. Não é atitude maçônica direcionar o cinzel para corrigir imperfeições alheias.
Para a Maçonaria são escolhidos os “bons” nas mais diversas atividades humanas oferecendo-lhes a oportunidade de tornarem-se “melhores”
Há diferença entre o aprendiz de pedreiro (maçom) operativo (que trabalhava nas atividades de construção) e o Aprendiz Maçom. Este não tem necessariamente atividade nas construções. A representação do aprendiz de pedreiro operativo é um jovem trabalhando para desbastar uma pedra bruta. Já, as esculturas e os desenhos clássicos representando um aprendiz das escolas de mistérios sempre mostram a figura de um homem esculpindo a si mesmo.
O Aprendiz Maçom, para esculpir a escultura do homem que deseja ser, terá que utilizar a matéria prima que recebeu por desígnio da Providência, potencializar os recursos disponíveis na Natureza e trabalhar com a Vontade representada pelo “maço e o cinzel” utilizados para aparar a arestas que escondem no interior de seu ser o homem perfeito ali contido.
Na Maçonaria, esta confusão entre o aprendiz operativo e o aprendiz admitido por processo de Iniciação pode ser observada em trechos das cerimônias de recepção do candidato. Em alguns rituais maçônicos, o Iniciando à Ordem, ao ser levado para executar a sua primeira lição no desbaste da “pedra bruta”, é orientado para dirigir corte do cinzel à pedra disforme que faz parte da decoração templo, em vez de direcioná-lo a si.
Este procedimento poderá induzi-lo, desde o seu primeiro aprendizado, a intuir que seu trabalho é desbastar o que vê a sua frente (o outro) e não o que está em si. Tendo a pedra bruta do templo como uma representação simbólica de seu estado naquele momento, o Iniciando deveria direcionar o cinzel sobre si e então trabalhar com o maço.  A pedra bruta que se encontra na decoração do templo, bem como a pedra polida e prancheta, são as joias fixas que devem estar presentes para o funcionamento da Loja.
Um Maçom é um Obreiro da Arte Real que está concluindo a Obra projetada pelo Grande Arquiteto do Universo, que é Deus. Essa obra é “ele”. Trata-se de uma transformação individual, resultado do seu esforço e da sua vontade pessoal. Esta obra só estará concluída quando ele transformar-se de “pedra bruta” em “pedra polida” e como tal for reconhecido pelos “outros” (os Irmãos, a sociedade, etc..). Não é ele que se avalia como pronto. São os outros que como tal o avaliam. As ferramentas simbólicas maçônicas são instrumentos de uso específico para o desenvolvimento pessoal. Dependendo de como cada Obreiro preparou-se e de acordo com o seu ajuste às necessidades dos projetos da comunidade, será reconhecido pelos outros como adequado àquele projeto. São os outros que avaliarão se a “pedra” poderá ser utilizada ou não nas obras a serem realizadas.
A “pedra” só estará pronta quando não houver necessidade do mínimo ajuste nas pedras vizinhas para o seu perfeito ajuste.
Se houver necessidade de interferir no polimento e características das outras contíguas para o seu ajuste, ela não está pronta. Permanecerá ao lado até que o trabalho de escultura seja refeito de modo que se ajuste às outras pedras, sem que estas precisem de reparos.  Se o desbaste está incompleto, é apenas uma pedra no meio do caminho dos que precisarão fazer manobras para evitar que as suas asperezas e seus desajustes possam ameaçar o resultado da obra desejada. A “pedra” ainda bruta certamente ficara em um canto qualquer da sociedade, causando-lhe instabilidade e desarmonia.
O maçom não propõe que os outros mudem para que ele seja feliz, procura mudar o possível em si para que todos sejam felizes. Esta é a essência do ensinamento maçônico.
 
Está subentendido nos ensinamentos maçônicos a máxima: “O que eu devo mudar em mim para que ele (o próximo) seja feliz”, independente de se o outro é bom ou mau; réu ou julgador. Ser viciado ou virtuoso é uma escolha pessoal de cada um, que ao Maçom não compete julgar ou tomar atitudes para obrigá-lo a proceder de acordo com os valores, sempre pessoais, que crê serem os corretos. Pela lei da “causa e efeito” cada um é responsável por suas ações e pensamentos.
Maçonicamente cada um é responsável pessoal e único pela sua evolução. Os ensinamentos maçônicos oferecerão a oportunidade de correção. Quando concluída será reconhecida como tal pelos outros. Nesta ideia está embutido o conceito de amor universal. O amor fraterno dará aos seus Irmãos maçons a tolerância para aceitarem as tentativas de uma “pedra” ainda bruta para ajustar-se à obra, orientando-a se assim ela desejar, para o seu perfeito desbaste e ajuste. Se as imperfeições permanecerem, a “pedra” não será utilizada, mas sempre lhe será fraternalmente oferecida nova oportunidade de reajuste.
A não ser quando em cumprimento de atividade e funções especificamente instituídas na legislação da Ordem ou da comunidade que pertence, o Maçom não julga e não critica posturas pessoais de outrem. Se solicitado, fará ponderações sobre o solicitante, jamais sobre terceiros. Não é uma atitude maçônica interferir na postura pessoal dos outros, achando que estes devem ou não fazer isto ou aquilo. A cada um cabe reconhecer os que estão em condições de compartilhar projetos comuns e convidá-los.
O Maçom deve formar-se para depois colocar-se ao serviço da comunidade. Aprender e praticar. O desconhecimento dos ensinamentos maçônicos dificulta o relacionamento dos maçons entre si e dos maçons com a Ordem. Quanto menor é o preparo individual, maior será a dificuldade na participação das atividades da Ordem e mesmo fora dela.
Cada Maçom tem a sua individualidade respeitada: sua cultura, seus pontos de vista políticos, suas convicções religiosas e suas características psíquicas. Todo maçom é um homem livre, ciente da capacidade de realizações, um cidadão bem sucedido e respeitado por suas atividades profissionais e sociais que o levam a ser convidado a ingressar na Ordem.
O maçom é um voluntário.
Não é obrigado a fazer qualquer coisa que seja. Ingressou na Ordem por livre vontade e com isso assumiu uma responsabilidade financeira como em qualquer organização, sendo livre para sair a qualquer momento; até que caracterize abandono, frequenta a Loja com a assiduidade que deseja; estuda se quiser; atinge os graus mais elevados se assim o desejar; ocupa cargos que aceitou por que quis: é eleito por que se candidatou; pode mudar de Loja se assim julgar conveniente; nem as contribuições para benemerência são obrigatórias se não aprovadas em assembleias de que participa.
Centralizados no aperfeiçoamento individual, os ensinamentos maçônicos preparam o estudante para o convívio entre diferentes num conjunto harmônico; prepara para a tolerância com os contrários; para o respeito pelas convicções individuais e para a convivência entre atitudes divergentes.
Desbastado de suas imperfeições, o Maçom está pronto para servir à sua comunidade, oferecendo-se quando solicitado ou apresentando sugestões para as mudanças que julgar necessárias para o bem estar e a harmonia da Ordem e ou da comunidade.  Como sugestões são opiniões pessoais devem ser tratadas como tal. Se traduzirem as aspirações dos envolvidos, a concretização terá o consenso espontâneo da maioria dos indivíduos e aquele que a propôs certamente será convocado para liderar a sua implantação. 
Não é fácil o comando onde os comandados são voluntários e não há recompensa financeira pelo trabalho realizado. O sucesso da empreitada está associado à capacidade de conseguir motivar a maioria para acompanhá-lo. Para a administração de uma sociedade constituída por voluntários há necessidade de lideranças que aglutinem as ansiedades e administrem as diversidades individuais, dirigindo suas energias ao trabalho comum.  
A principal característica do líder de voluntários é fazer o que o grupo quer.
 
Nas sociedades constituídas por voluntários, são os operosos que a fazem atingir os seus objetivos. São raros os casos das organizações que conseguem uma participação efetiva da maioria de seus membros. Geralmente os resultados obtidos são decorrentes de atividades isoladas de membros dedicados. São sempre os mesmos que participam de quase todas as atividades. A comunidade está habituada a conviver e a reconhecer a dedicação daqueles que sempre participam.
É próprio da tradição maçônica o reconhecimento pelos Irmãos. Este é o salário do Obreiro da Arte Real: o reconhecimento. Não há outro salário na Maçonaria. Para o Maçom é gratificante a satisfação da missão cumprida e de ser reconhecido por isso.
Cada um dos Membros reconhece o novo integrante que ingressa na ordem. A Ordem reconhece o trabalho do Maçom que por isso, quando chega a Mestre, recebe um diploma e uma medalha. Não foi sem méritos. O novo Mestre pode não ter tido uma brilhante história, mas atingiu o que desejava. Todos os Maçons sabem quais os que se dedicam e frequentemente os elogiam. É o reconhecimento dos membros de suas Lojas ou de outras a que serviu.  Esta é a recompensa que o Obreiro leva de retorno ao seu lar, com uma alegria nem sempre entendida e participada pelos seus familiares. 
Quando o trabalho do Maçom extrapola os limites da sua Loja é reconhecido pelos Grandes Orientes com a concessão de diploma ou medalha, como se, na entrega, em nome de todos seus membros aquele Grande Oriente afirmasse: “Como um Maçom operoso os Maçons deste Grande Oriente o reconhecem”.
É próprio do ser humano desejar ser reconhecido pelos seus feitos. O clube social reconhece seu membro pelos muitos anos de apoio e trabalho com a entrega do diploma de Sócio Emérito; o Poder Municipal, em nome de todos os munícipes que o reconhecem como um cidadão participante e premia-o com a entrega do Diploma de Cidadania.  Em cada diploma, medalha ou troféu maçônicos recebidos está presente a máxima maçônica: “o reconhecimento de meus Irmãos”.
A falta de divulgação dos feitos que justificassem a homenagem pode gerar uma interpretação duvidosa sobre o seu merecimento. Não há casos da entrega de diploma e medalhas aos que nada fazem. A Maçonaria é uma sociedade justa cuja assembléia é sábia. Os maçons homenageados devem ostentar com altivez as suas medalhas para que os Aprendizes, os Companheiros e os novos Mestres o tenham como exemplo, solicitando-lhe contar a história do conjunto de suas obras, que somado as de outros Maçons “medalhados”, constituem a historia da Maçonaria. 
A Maçonaria é o conjunto das ações de seus membros. É o somatório do que cada um dos seus membros é sem representá-los individualmente.
Os Maçons que receberam distinções e homenagens compreenderam o verdadeiro significado dos ensinamentos maçônicos e aplicaram-nos e por isso foram reconhecidos como tal. Há aqueles que criticam os que ostentam nas Lojas as suas muitas medalhas afirmando ironicamente: “eles andam arcados com o peso das medalhas”. Mas, vejamos: os condecorados por seu trabalho voluntário e dedicado têm como alternativa ostentar ou não as medalhas por merecido recebidas. 
O pretendente a maçom é conhecido antes de ser convidado a participar da Ordem. A sua admissão é o reconhecimento pelos membros, da sua postura moral, da sua vontade de aperfeiçoamento pessoal e da sua capacidade econômica e financeira para sobreviver. Um conhecido jargão afirma: “Para a Maçonaria são escolhidos os “bons” nas mais diversas atividades humanas oferecendo-lhes a oportunidade de tornarem-se “melhores”. 
Ao Companheiro Maçom, conhecedor de todas as ferramentas simbólicas, compete usá-las para construir.
Nos rituais maçônicos não há indicação de que as ferramentas simbólicas devam ser utilizadas para destruir. Se um projeto não atende aspiração pessoal de algum Membro, não quer dizer que não deva ser executado. Se há quem queira realizá-lo e que encontra quem queira auxiliá-lo, certamente o projeto atenderá aspirações de seus executantes. Neste caso, quem não concorda com o projeto, não deve atrapalhar ou impedir a sua execução, respeitando a diversidade e a individualidade das opiniões. Compete à assembleia da Loja a decisão final dos assuntos conflitantes, geralmente resolvidos com justiça, dentro da maior harmonia possível,
O Mestre é o conhecedor dos ensinamentos maçônicos e está apto a ensiná-los. O Mestre é o Companheiro que recebeu um diploma de professor, sendo-lhe transmitidas as Lendas Maçônicas que, como parábolas, serão o instrumento didático adotado para a difusão dos ensinamentos.
A máxima de São Francisco de Assis “é dando que se recebe” representa a essência da responsabilidade do Mestre. O ensinamento esotérico contido nesta máxima refere-se à Dualidade. Tudo o que entra deverá sair para abrir espaço para novas entradas. A capacidade de aprender é aumentada quando é ensinado o que se sabe. Só é “retido” o que é “doado”. O conhecimento fixa-se quando é ensinado. Tudo o que se lê nem sempre é retido na memória, mas uma vez ensinado, jamais será esquecido. Patrick Byrne, em seu livro “O Ouro dos Templários” (Editorial Estampa – Lisboa-2007-pg. 257), cita o ditado que capta a essência do conceito cabalístico: “Quando alguém se deixa penetrar pela luz, mas não a liberta, cria-se uma sombra”.
Recebendo sem distinções os intelectuais, cientistas, religiosos, livres pensadores, inventores e operários, jovens e idosos, para um convívio comum, a Maçonaria tornou-se a depositária de todo conhecimento científico e oculto produzido pelas civilizações em todos os tempos. Instituição de caráter universal, seu Quadro é composto por profissionais de todas as áreas da atividade humana, que colocam os seus conhecimentos à disposição da Humanidade. Esse conhecimento pode ser encontrado nas atividades das Lojas, seja apresentado individualmente por seus membros ou contido no simbolismo e alegorias de seus Graus e Ordens. Compete ao maçom desvendá-los e praticá-los em benefício de sua evolução pessoal e da Humanidade.
 
Autor: Ir∴ Edison Barsanti, 33º • M∴I∴

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

            
god_the_geometerA proibição de discussão religiosa em loja é assunto reiteradamente debatido. Não há, todavia, como o exemplo para ilustrar o princípio. Quando procurava uma ocorrência - real ou fictícia - que não soasse forçada, recebo um simpático cumprimento feito por um leitor aqui num dos comentários: "Que o Senhor lhe conceda discernimento para encontrar a verdade que liberta e está em Cristo Jesus!". Nem de propósito. Este cumprimento, feito sem qualquer dúvida com a melhor das intenções, consubstancia, precisamente, o tipo de discurso que, apesar de socialmente admissível fora de loja, não o é numa loja maçônica.
 
Mas porque é que um simples cumprimento como este - que até é auspicioso, traduzindo os desejos de que suceda ao seu destinatário uma coisa que o emissor tem por positiva - não é admissível em loja? Vejamos com mais atenção o que se diz. "Que o Senhor"... Até este início insuspeito pode gerar controvérsia; se, por exemplo, se pertencer a uma religião que denomine a Divindade de uma outra forma, é quanto basta para que se sinta a expressão como estranha. Nesse sentido, não é difícil imaginar uma situação em que alguém interprete isto como sinônimo de "que o meu Deus - que não é o teu - te conceda isto e aquilo". "... a verdade que liberta ...", esta sim, é uma quase certa fonte de discórdia, por causa da sua mais pequena palavra: "a". Referir-se "a" verdade que liberta, especialmente junto de um nome comumente associado a certa religião, implica ser esta verdade algo de único, que não há outra, e que muito menos há várias. Referirmos a existência de um único caminho certo implica que quem não o percorra estará a ir... por caminhos errados - o que é contrário à ideia de que cada um deva sentir ser respeitadas as suas crenças de forma que não haja preponderância de quaisquer outras sobre estas - ou destas sobre quaisquer outras. Isto faz-nos chegar à última parte: "... e está em Cristo Jesus". Se a todas as outras fórmulas se poderia, eventualmente, fazer "vista grossa" quando utilizadas em loja, esta última não é, de todo, passível de ser aceite, por ser indiscutivelmente própria de uma religião, e por isso sentida como estranha por quem professe uma fé diversa.
 
Cada religião tem uma terminologia própria para referir a(s) divindade(s) a quem presta culto. Forçar seguidores de várias crenças a utilizar a terminologia de uma delas seria algo de muito pouco paritário.
 
Para ultrapassar esta dificuldade, a maçonaria decidiu adotar uma nomenclatura própria, alheia a qualquer crença ou religião - e por isso equidistante de todas estas - para designar a Divindade. Assim, em vez de um dizer Elohim, outro Deus e outro Jesus Cristo; em vez de invocar Allah ou Jeová, Krishna ou Zoroastro, Thor, Zeus - ou a Divindade por qualquer outro nome - os maçons dizem "Grande Arquiteto do Universo". Essa expressão designa não um qualquer "deus maçônico" - pois tal não existe - mas constitui apenas um mesmo nome através do qual todos os maçons se referem cada um ao seu próprio Deus.
 
De fora fica também, evidentemente, tudo o que é próprio desta ou daquela religião. Não faria sentido dizer-se "invoquemos Maria, mãe do Grande Arquiteto do Universo", ou "O Grande Arquitecto do Universo é grande, e Mohammed é o seu profeta".
 
Assim, em loja, apenas nos referimos ao "Grande Arquiteto do Universo". As pranchas maçônicas - na maçonaria regular - começam sempre: "À G.·.D.·.G.·.A.·.D.·.U.·. ", uma vez que todo o trabalho é feito "À Glória Do Grande Arquiteto Do Universo". Cada um dedica o trabalho que fez ao Deus da sua predileção, mas todos sob uma "alcunha" comum. Um pouco como cada adepto se refere ao respetivo clube como "o Glorioso"...
 
Um dos momentos altos de cada sessão é a Cadeia de União. Uma vez formada, um dos irmãos profere uma curta oração, que não deve ser própria de nenhuma religião, e é, as mais das vezes, espontânea. Pode ser algo como: "Agradeçamos ao Grande Arquiteto do Universo a graça de estarmos todos aqui, juntos uma vez mais, e recordemos todos quantos já partiram para o Oriente Eterno".
 
Dificilmente alguém poderá sentir-se posto de parte perante tal fórmula, e é precisamente o que se pretende: fomentar a união, a identificação apesar da diversidade, e o foco naquilo que, de facto, é comum a todos. Não faria sentido, apesar de a esmagadora maioria dos maçons da nossa loja ser cristã, rezar-se um "pai-nosso" na cadeia de união - até porque um dos nossos irmãos é judeu, e sentir-se-ia certamente desconfortável. E mesmo que todos fôssemos cristãos, o princípio é para manter - basta recordar que recebemos frequentemente visitas de irmãos de outras lojas, e nunca sabemos que fé professam...
 
Esta limitação de expressão pode tornar-se problemática para os seguidores de certas religiões que tenham por princípio o testemunho permanente perante os outros dos valores, princípios e verdades da sua religião - e, no limite, tentar converter os demais para a sua fé, expondo as fraquezas de uma crença e exaltando a outra. Quem sinta essa obrigação não poderá sentir-se bem na maçonaria, pois esta não lho permite.
 
Apesar de tudo o que disse ser regra apenas vigente em loja e em sessão ritual, o que acaba frequentemente por suceder é - por força do hábito por um lado, pela interiorização dos princípios pelo outro, e por último pela generalização da sua aplicação - desenvolver-se um certo comedimento nas palavras, e acabar por se evitar a utilização de expressões manifestamente próprias de uma ou outra religião, substituindo-as por outras menos passíveis de fazer o nosso interlocutor sentir-se desconfortável. Assim, não posso senão agradecer o cumprimento, e retribuir: "Que o Grande Arquiteto do Universo lhe conceda o discernimento para encontrar - e saber manter - a Luz!"

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

POR QUE A MAÇONARIA NÃO INICIA MULHERES?

POR QUE A MAÇONARIA NÃO INICIA MULHERES?

Há, basicamente, dois fundamentos para a Maçonaria não aceitar mulheres como membros:
1º -  origem Operativa  na Ordem,
2º - por ser a Maçonaria um rito solar (masculino).

Origem Operativa
A origem da Maçonaria moderna está nas Corporações de Ofício – espécies de sindicatos, na Idade média. Especificamente, a corporação de pedreiros. A palavra “Maçonaria” em francês, Maçonnerie”, é derivada do francês “maçon”, pedreiro. Ou, como preferem alguns, no inglês “Masonry” (Maçonaria) e “mason”, igualmente, pedreiro.
Pode-se inferir que, seus primeiros integrantes operavam, materialmente, em construções, obras - eram trabalhadores especializados, construtores de Templos, de Igrejas, de Pontes, de Moradias, etc os quais, desde a Antigüidade, detinham conhecimentos especiais e constituíam uma espécie de aristocracia do trabalho. Eram os profissionais mais qualificados da Europa, e mantinham as técnicas de seu ofício, em segredo. Esta fase da Maçonaria é conhecida como Operativa”, porque seus membros trabalhavam em construções – eram obreiros. Na Idade média havia dois tipos de pedreiros: o “rough mason”, pedreiro bruto que trabalhava com a pedra sem extrair-lhe forma ou polimento, e o “free mason”, pedreiro livre, que detinha o segredo de como polir a pedra bruta. 
A Ordem Maçônica, atualmente Maçonaria Especulativa, não inicia mulheres, pois tendo evoluído da maçonaria Operativa, adotou a antiga regulamentação que previa o seguinte (por entender que, a mulher não é afeita ao trabalho árduo de pedreiro, ofício original dos primeiros integrantes. As corporações de pedreiros eram constituídas, exclusivamente, por pessoas do sexo masculino):
“As pessoas admitidas como membros de uma Loja devem ser homens bons e de princípios virtuosos, nascidos livres, de idade madura, sem vínculos que o privem de pensar livremente, sendo vedada a admissão de mulheres assim como homens de comportamento duvidoso ou imoral”.
Apesar da Constituição de Anderson (1723), que é o marco inicial da Maçonaria Especulativa, não permitir a admissão de mulheres, há algumas correntes maçônicas que admitem o fato como sendo um princípio antigo. No Egito e na Índia, pelas pinturas nas tumbas e pelos manuscritos do Antigo Egito, a esposa está presente quando o marido, como sacerdote, executa cerimônias. Nas tradições das sociedades iniciáticas antigas, tanto homens como mulheres de qualquer posição social e cultural, podiam ser iniciados, e a única exigência era a de que deveriam ser puros e de conduta nobre.
Porém, na Idade Média, (final do século XVI) havia restrições quanto ao ingresso da mulher na Maçonaria.
A Maçonaria, em 1730, na França, criou o movimento da “Maçonaria de Adoção”. A Maçonaria de adoção foi um fenômeno da última metade do século XVII. Uma Loja de Adoção, era conduzida por uma Loja Maçônica regular que promovia sessões especiais, no curso das quais as mulheres eram admitidas em Loja e participavam de rituais quase maçônicos.
Tais Lojas foram particularmente bem sucedidas na França, onde houve uma revitalização da Maçonaria de Adoção depois da Revolução e que continuou pelo século seguinte. A própria imperatriz Josefina, esposa de Napoleão Bonaparte, era a Grã-Mestra da Loja de adoção Santa Carolina.
Porém, a Maçonaria, atualmente, conserva a regulamentação - conforme reza a Constituição de Anderson, de não iniciar mulheres.

Ritos Masculinos e Ritos Femininos
Grupo de primatas, do qual descendemos, provém de um tronco insetívoro. Esse grupo subdividiu-se: alguns tornaram-se herbívoros e outros carnívoros. Esses carnívoros tiveram que lançar-se na competição com outros animais terrestres e, tornaram-se melhores caçadores. Começaram a utilizar instrumentos e aperfeiçoaram as técnicas de caça, com a cooperação social. Diferentemente dos lobos, os humanóides não se dispersavam após o ataque  e, o grupo caçador era formado por machos. As fêmeas estavam muito ocupadas em cuidar da prole, e não podiam participar ativamente da perseguição e captura das presas. Assim, o papel de cada sexo tornou-se diferenciado.
Socialmente, os machos aumentaram a necessidade de comunicação e cooperação com os companheiros, e desenvolveram expressões faciais e vocais - em seus grupos caçadores, exclusivamente formados por machos.
Com o advento da agricultura e da domesticação de vários animais, os machos foram alijados de suas funções caçadoras. Essa falta, muito provavelmente, foi compensada pelo trabalho e por associações masculinas - proporcionando oportunidade para a interação entre machos e para atividades em grupo. Nessas associações, há um forte sentimento emocional de união masculina. O mesmo não ocorre com as mulheres. esses grupos, associações, preocupam-se com a união entre machos, que já existia nos primitivos grupos de caçadores cooperativos - essas entidades exercem um importante papel na vida de machos adultos, revelando a manutenção de instintos básicos ancestrais.
Muitas mulheres ressentem-se quando seus maridos saem para compartilhar sua masculinidade essencial - ou desejam fazer parte dessas associações, o que é um equívoco, porque trata-se apenas da necessidade moderna da tendência ancestral da espécie para formar grupos de machos caçadores. É interessante observar, que grande parte desses encontros masculinos, termina com um jantar, um lanche, etc - o sucedâneo da partilha da comida (caça).
Assim, mulheres e homens, geneticamente, possuem necessidades diferentes. E, criaram-se mistérios masculinos e femininos. Para a mulher a maternidade, a comunhão com a flora, etc. Para o homem  a caça, a guerra, a comunhão com a fauna. A mulher, a Lua; o homem, o Sol. Porém, para recriar os ciclos da natureza, o princípio feminino e o masculino juntam-se: diferentes, porém complementares.
A Maçonaria reverencia o feminino - seus Templos, apresentam O Sol e a Lua como símbolos: o positivo e o negativo. O Sol e a Lua são símbolos herméticos e alquímicos (ouro e prata). O Sol é a vida, o masculino – A Lua, sua complementaridade, o feminino.
A Maçonaria é uma Ordem Solar (masculina), porém, os maçons, trabalham à noite em suas Lojas, sob a energia feminina, equilibrando os dois pólos. O Sol deve estar presente na decoração do Templo, no teto, mostrando a Luz que vem do Oriente, com a Lua, que representa a Mãe Universal que fertiliza todas as coisas. A mulher
é a formadora, a que reúne, rega e ceifa - a natureza do princípio passivo, é reunir e fecundar. As forças da Lua são magnéticas, opostas e complementares às do Sol, que são elétricas.
Atualmente, há maçonarias mistas, mas não regulares. A Ordem, por ter uma origem muito, muito antiga, respeita a diversidade entre as energias masculinas e femininas.
Os maçons usam três pontos dispostos em triângulo como símbolo - símbolo solar, símbolo masculino. Os Três Pontos têm uma origem bem antiga  nos objetos celtas do século IX a. C e, muito antes, nas cerâmicas egípcias e gregas. A tradição grega considerava o triângulo a imagem do céu. Os três Pontos traduzem a concepção piramidal egípcia. Símbolo sexual masculino completo (pênis mais testículos). O sexo em função procriativa - procriação: masculino e feminino.
A Maçonaria, mesmo não iniciando mulheres, demonstra um grande respeito à energia feminina.

Martha Follain - Formação em Direito,
Neurolingüística, Hipnose, Regressão.
Terapia Floral de Bach e Aromaterapia - para animais e humanos.
CRT 21524.
 
Fonte: Por entre Pilares

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

  
 Os maçons na História Americana 
american_freemasons
Muitos dos patriotas que escreveram a história Americana eram maçons, bem como os treze signatários da Constituição Americana e catorze dos Presidentes Norte-americanos, das quais se destaca George Washington.
Hoje, os vários milhões de maçons existentes no mundo são oriundos de todas as profissões, religiões e classes sociais - dentro da Irmandade, são todos considerados como iguais. Vêm das mais diversas ideologias politicas e religiosas, mas reúnem-se como amigos. Vêm das mais diversas religiões, mas acreditam todos no Grande Arquitecto do Universo.
Um dos aspectos mais fascinantes sobre a Maçonaria tem sido a forma como homens das mais distintas origens, se encontram em paz, sem manterem discussões de carácter religioso ou politico, conduzindo os seus "trabalhos" em harmonia e amizade, tratando-se entre si como IRMÃOS.
Na história Americana, há alguns nomes que se destacam pelo seu contributo e que foram Maçons:
  • John Adams - (Favorável à Maçonaria, embora nunca tenha aderido)
  • Samuel Adams - (Tinha relações priveligiadas com Hancock, Revere e outros Maçons)
  • Ethan Allen - Maçon
  • Edmund Burke - Maçon
  • John Claypoole - Maçon
  • William Daws - Maçon
  • Benjamin Franklin - Maçon
  • John Hancock - Maçon
  • Thomas Jefferson - (Deista, mas com algumas provas de ligações à Maçonaria)
  • John Paul Jones - Maçon
  • Robert Livingston - Maçon
  • James Madison - (Algumas dados apontam para que tenha sido Maçon)
  • Paul Revere - Maçon
  • Coronel Benjamin Tupper - Maçon
  • George Washington - Maçon
  • Daniel Webster - (Algumas dados apontam para que tenha sido Maçon)

SIGNATÁRIOS DA DECLARAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA:

  • Reconhecidos como Maçons (8): Benjamin Franklin, John Hancock, Joseph Hewes, William Hooper, Robert Treat Payne, Richard Stockton, George Walton, William Whipple.
  • Com ligações à Maçonaria ou tidos como Maçons (7): Elbridge Gerry, Lyman Hall, Thomas Jefferson, Thomas Nelson Jr., John Penn, George Read, Roger Sherman
É verdade que estes membros representam unicamente 27% dos signatários, mas incluídos nestes 27%, estão os principais "motores" da revolução, das quais se destacam Benjamin Franklin e Thomas Jefferson, os ideólogos da Declaração de Independência.

SIGNATÁRIOS DA CONSTITUIÇÃO:

  • Reconhecidos como Maçons (9): Gunning Bedford, Jr., John Blair, David Brearly, Jacob Broom, Daniel Carrol, John Dickinson, Benjamin Franklin, Rufus King, George Washington.
  • Com ligações à Maçonaria ou tidos como Maçons (13): Abraham Baldwin, William Blount, Elbridge Gerry, Nicholas Gilman, Alexander Hamilton, Thomas Jefferson, John Lansing, Jr., James Madison, George Mason, George Read, Robert Morris, Roger Sherman, George Wythe
  • Tornaram-se Maçons posteriormente (6): William Richardson Davie, Jr., Jonathan Dayton, Dr. James McHenry, John Francis Mercer, William Patterson, Daniel of St. Thomas Jenifer

INFLUÊNCIAS MAÇÓNICAS NA HISTÓRIA AMERICANA:

  • Lafayette, o oficial Francês de ligação com as colónias, cuja ajuda foi fundamental para o ganhar da guerra, era Maçon.
  • A maioria dos Comandantes da Armada Continental eram Maçons e membros de "Lojas da Armada".
  • A maioria dos generais ao serviço de George Washigton eram Maçons.
  • A famosa "Boston Tea Party" foi planeada na taberna "Green Dragon", que também era conhecida como "Freemasons' Arms" e como "o quartel-general da Revolução".
  • George Washington (Maçon) foi ajuramentado como primeiro Presidente dos Estados Unidos da América, por Robert Livingston, Grão Mestre da Loja Maçónica de Nova York. A Bíblia que foi utilizada era a da sua Loja Maçónica.
  • A Pedra Angular do edifício do Capitólio foi colocada pela Grande Loja de Maryland.
  • Fonte: Respeitavel Loja Mestre AFFONSO DOMINGUES

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Quite


 
QUITE
Escrito por Rui Bandeira

Um maçom deve estar sempre quite para com a sua Loja, isto é, ter cumpridas as suas obrigações para com esta. As obrigações mínimas do maçom perante a Loja respeitam ao dever de assiduidade, isto é, à comparência em todas as sessões de loja para que for convocado, e o pontual pagamento da quota mensal.

Estar quite é cumprir estes deveres SEMPRE. Sempre que um obreiro injustificadamente falte a uma sessão, viola o dever de assiduidade e, portanto, não está quite. Sempre que se inicia um mês do calendário civil sem ter pago a sua quota do mês anterior, não está quite.

Não está quite perante si próprio, perante a sua consciência. Porque, incumprindo o seu dever de assiduidade, sem justificação para tal, incumprindo, podendo fazê-lo, o seu dever de pagar a sua quota mensal, o obreiro está, antes de mais, a faltar aos compromissos que assumiu, respetivamente, de assiduidade e de comparticipação para o Tesouro da Loja. E o cumprimento dos compromissos livremente assumidos é uma questão de honra! Logo, o maçom que injustificadamente falte a uma sessão de Loja para que foi convocado, que se deixa, sem razão que o justifique, entrar em mora no cumprimento do seu dever de contribuição para as despesas da Loja, antes de tudo e cima de tudo sente-se ele próprio desonrado.

O atraso no pagamento das quotas pode ser remediado: basta pagar o que está em dívida e ficar-se-á quite. Já o incumprimento do dever de assiduidade causa sempre prejuízo. À Loja porque fica privada do contributo do maçom. E todos os contributos de todos os maçons da Loja são inestimáveis e imprescindíveis. Do Mestre mais antigo ao Aprendiz mais recente, todos e cada um são essenciais para o aperfeiçoamento de cada um e global da Loja. Mas o incumprimento do dever de assiduidade prejudica sobretudo o próprio incumpridor. E, de alguma forma, é incompreensível: pois não tomou o maçom a decisão de pedir a Iniciação para beneficiar da ajuda da Loja no seu crescimento pessoal, na sua jornada própria? E vai prejudicar a sua demanda, prescindir do contributo do grupo não comparecendo? O tempo não para, não se pode rebobinar o filme. A única forma de remediar a falta sem motivo é diligenciar pelo estrito cumprimento do dever de assiduidade. Assim se diluirá o atraso, assim se recuperará o trabalho que ficou um dia por fazer. Assim se fica, de novo, quite. Quite para com a Loja. Mas sobretudo – e principalmente! – quite perante si próprio!

O maçom tem, a todo o tempo, direito a que a sua Loja certifique que se encontra quite. Se o fizer na constância e na permanência da ligação à sua Loja, é-lhe emitida uma declaração de good standing, com a qual poderá provar, perante qualquer outra Loja que visite, ser um maçom quite, em boa posição, de pé e à ordem, perante a Loja, a Maçonaria e ele próprio. Se o fizer no âmbito do processo de desvinculação da sua Loja – que é um direito que todo o maçom a todo o tempo pode exercer -, seja por entender dever adormecer, isto é, suspender a sua atividade maçónica ou por decidir mudar de Loja, é-lhe então emitido um atestado de quite. Com esse documento, fica ultimada a sua desvinculação da Loja. O maçom pode assim pedir a sua admissão a outra Loja, comprovando perante a mesma estar quite de todas as suas obrigações perante a Loja de que se desvinculou. Ou, se simplesmente pretender suspender a sua atividade maçónica, pode, se e quando o entender, retomá-la reintegrando-se na mesma ou em outra Loja, comprovando que cumpriu os seus deveres enquanto esteve em atividade maçónica, pelo que saberá voltar a cumpri-los ao retomá-la.

Mas, no fundo, o atestado de quite é apenas uma declaração num papel. O que verdadeiramente interessa é que o maçom se sinta, ele próprio, pessoalmente, perante si mesmo, sempre quite. E é para que assim seja que a Loja existe e se disponibiliza e auxilia e coopera. Porque a razão de ser da Loja, da Obediência, da Maçonaria é, afinal, simplesmente, o maçom. Cada um deles. Cada um de nós. Livre, especial, insubstituível e... quite!
Fonte:

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

O que é Maçonaria?


 
Acácia Amarela.

O que é Maçonaria?

Autor: Arthur C. Parker, 32\, indígena norte-americano, escrito em 1919.

Vamos refletir um pouco:

O que é Maçonaria?

Para a resposta a esta pergunta depende-se de interpretação pessoal, regional e universal de Maçonaria.

Maçonaria é somente a operação de certo ritual?

Maçonaria é somente a prática arbitrária de um rito dentro das paredes de uma Loja, sem relação alguma com a conduta no mundo dos homens?

Em essência, Maçonaria são apenas ato e impulso espirituais.

Se admitirmos que a essência da Maçonaria resida na prática de seus ensinamentos morais e filosóficos, então podemos estar dispostos a acreditar que estas verdades podem ser apresentadas em trajes coloridos e tons variados. Dependendo estes como da cor e a fragrância da rosa do ar que se respira, da água que se bebe e do solo do qual ela verte, bem como sobre seus impulsos tetracinéticos(1).

Não é a lenda ou a alegoria que é o essencial na Maçonaria universal: é a moral e a verdade que é apontada.

É importante não o que traz a verdade à mente e consciência, mas a ação virtuosa que segue as verdades especiais que têm sido inculcadas pelo rito.

Deixe-se aos maçons experientes lembrarem onde os primeiros se tornaram maçons, o que através seus olhos tenham visto ou daquilo que suas mentes conceberam das belezas do rito maçônico.

Ainda uma vez, tendo visto e compreendidas as crenças anteriores, os maçons moldaram, pelo ritual, um plano de ação que, confirmado pelo poder da fé, levam o homem a evoluir.

Maçons aprendem a partir de homens que foram capazes de se tornarem maçons. A associação é indutiva e essencial para os maçons serem reconhecidos como tal e a aprenderem princípios maçônicos especiais(2). Tudo corre por intermédio de rituais que refletem a experiência e sabedoria de irmãos mais antigos e sábios no que é considerado maçônico em sentido aceito e lato.

Notas

1.       As quatro energias internas e externas de cada ser: do ambiente inorgânico; do organismo em desenvolvimento; da cromatina da célula germinal; e do ambiente.

2.       Esotéricos: perceptíveis num conjunto de tradições e interpretações filosóficas que desvendam um sentido oculto, revelado apenas ao iniciado devidamente treinado e preparado.

Fonte

1.             American Indian Freemasonry By Arthur C. Parker, 32, Buffalo Consistory, A. A. S. R. N. M. J. U. S. A., 1919.

 

Colaboração de  Charles Evaldo Boller.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ética - Uma Missão Impossível?



Laercio Bezerra Galindo

Ética - Uma Missão Impossível?  Missão Impossível?
A ética tem sido objeto de muito debates, preocupações e críticas nos últimos tempos e nos mais variados meios da sociedade brasileira, na Família, no futebol, nos Escritórios, na Política, no Judiciário e por ai vai.
 
Ao que parece, a Ética não tem sido muito praticada, encontrando-se os valores da sociedade completamente distorcidos. Será isso uma verdade? Será que isso só acontece nas noticias do Jornal Nacional, bem distante da nossa honestidade, lisura e honradez? Será que estamos praticamente no dia-a-dia aqueles mesmos valores que cobramos dos outros?
 
Bem, antes de tudo, e sem pretensão de tecer uma crítica psicológica-evolutiva do homem moderno, precisamos saber o que é ser Ético e com se comporta alguém considerado um cidadão Ético, dentro do conjunto de valores aceitos pela sociedade como certo ou errado.
 
O Marques de Tamandaré, nos idos do século passado disse:
 - “Hora é a força que nos impede a prestigiar a nossa personalidade. É o sentimento avançado do nosso patrimônio moral, um misto de brio e de valor. Ela exige a posse da perfeita compreensão do que é justo e respeitável, pela elevação da nossa dignidade; a bravura para desafrontar perigos de toda a ordem, na defesa da verdade, do direito e da justiça”.
 
O tom desse discurso talvez pareça um tanto amarelado pelo tempo, mas se observamos com atenção é exatamente disso que estamos sentindo falta nos homens e mulheres dos nossos dias. Estamos carentes de dignidade, de bravura, de honra, de respeito, de altivez, de brio.
 
Ser Ético, mais do que um conjunto de valores e princípios preciso ser verbo e deve indicar conduta, comportamento, forma de agir.
 
Ser Ético é ter o propósito de agir direito, é fazer o certo sem prejudicar os outros. Mais não dá para ficar apenas no discurso... Seria demagogia demais... A Ética precisa ser vivenciada nos atos e ações das nossas existências. Não existe ser Ético para algumas coisas e “meio-Ético” para outras. Ou se é ou não se é!
 
Alguns exemplos de comportamento éticos.
 
SEJA HONESTO EM QUALQUER SITUAÇÃO -
 
A honestidade é a primeira virtude a ser diuturnamente cultivada. Ela é fundamental para se ocupar quaisquer cargos ou posições - de pai, de mãe, de marido, de esposa, de advogado, de presidente da República, de Juiz,... Mais precisa vir acompanhada da eficiência para viabilizar a produtividade e qualidade dos serviços que presta, seja aos filhos, seja aos clientes, à Maçonaria, seja à Nação.
 
ASSUMA RESPONSABILIDADES - pense, analise (bem) os riscos antes de tomar qualquer decisão, porque, depois de tomada, ser ético é assumir a responsabilidade por seu resultado, seja ele qual for, sem jamais prejudicar os outros por um erro de cálculo. Por isso, meça cuidadosamente as consequências dos seus atos em relação a todos os envolvidos. Isso vale para seus clientes, seus subordinados, sua família e a sociedade como um todo.
 
SEJA EDUCADO - Aja de acordo com os seus princípios, mesmo nos momentos mais críticos e difíceis.
 
Seja o que diz uma música da Banda Capital Inicial - ( O que faz quando ninguém te vê fazendo? O que você queria fazer se ninguém pudesse te ver? )
Ser íntegro é agir corretamente em qualquer circunstância.
Portando, não faça nada que não possa assumir em público.
Não desgaste a imagem da Instituição a que pertence e tenha discrição ao prestar informações ou fazer comentários sobre ela. Seja comprometido com a verdade e a decência nas relações interpessoais, não leve para fora as deficiência do seu procedimento, isso é um tiro do pé.
 
Extraído do Jornal O APRENDIZ
JORNALISTA RESPONSÁVEL E FUNDADOR:
Ir.´. Laercio Bezerra Galindo - DRT/PE 1713 :