quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Maçonaria, Uma Faculdade na Escola da Vida.


Maçonaria, Uma Faculdade na Escola da Vida.


A vida é uma escola. Desde a concepção no útero materno, estamos a aprender. Após o nascimento, o aprendizado se intensifica. Aprendemos a andar, a falar, somos alfabetizados, educados e vivemos em sociedade.

 
As leis dos homens regulam nossas condutas sociais. O uso e os costumes, a moral e as leis, traçam nosso comportamento. Dentro dessa escola da vida, alguns homens tem o privilégio de ingressarem numa faculdade, que se chama Maçonaria. Alguns terminarão o curso e receberão o diploma. Outros, desistem no início, no meio ou no fim. Outros ainda, são reprovados e perdem a oportunidade. São, o livre arbítrio e as regras do curso. A faculdade começa na iniciação e termina na diplomação, que é a comunhão total e final, cuja banca examinadora é o Tribunal de nossa consciência e a misericórdia do Grande Arquiteto do Universo.


A Maçonaria é uma faculdade na vida, que incentiva a pesquisa da verdade, o exercício do amor e da tolerância. Que recomenda o respeito às leis, aos costumes, às autoridades e, sobretudo, à opção religiosa de cada um. A Maçonaria não se preocupa em retribuir as ofensas injustas recebidas pelos que não a conhecem, mas, devemos nos defender mostrando aos nossos algozes o que é a Maçonaria. Filosófica, moral e espiritualista é a Maçonaria. Filosófica, porque leva o homem a se ajudar na busca da verdade que ele procura, a vencer suas paixões e submeter sua vontade à verdadeira razão. É moral, porque só aceita homens de bons costumes, que comem o pão com o suor de seus rostos. É espiritualista, por não admitir ateus em suas fileiras. Aliás, nossa Sublime Ordem é a única organização que transforma em irmãos pessoas de crenças religiosas diferentes, pois nela convivem harmoniosamente católicos, espíritas, protestantes, budistas, maometanos, judeus, etc…



Alguns apressados poderiam pensar que isso significa que os maçons sejam transformados em seres absolutamente passivos, submissos, sem o menor interesse pelo que se passa na sociedade, em nosso país e no mundo. Outra inverdade, pois os maçons se preocupam com tudo o que acontece, a Maçonaria é universal. Se os maçons têm como compromisso maior a busca incessante da verdade, é claro que precisam exercitar continuadamente o direito de pensar em soluções que possam eliminar o mal, sem destruir o homem. Ela tem seus métodos próprios de ação, conhecidos pelos verdadeiros maçons, os quais são agentes da paz e chamam os conflitos armados de a estupidez da guerra, da guerrilha, do terrorismo, do radicalismo e da ignorância.


A Maçonaria sempre se colocou a favor da liberdade, contrária a qualquer tipo de opressão que sonegue ao ser humano o direito de pensar. Jamais pode ser radical, pois a virtude mora no meio, no bom senso, na equidade e isonomia. Mas, como exige de seus adeptos uma vida de constante exercício de cavar masmorras aos vícios e erguer templos às virtudes, ela sabe que o maior ensinamento que os maçons possam oferecer reside no exemplo oferecido por cada pedreiro livre, que não se esquece do polimento da pedra bruta que somos e da necessidade de erigirmos nosso templo interior. É aí que valorizamos o entendimento de Cícero: Sou livre porque sou escravo da lei! “Andar na lei” é difícil, fácil é andar fora dela. O maçom sabe que uma vida digna equivale a um templo erguido à virtude e que somente terá vencido suas paixões quando houver aprendido a respeitar e a amar cada ser humano, nunca se acovardando quando tiver de exigir de qualquer um o cumprimento da lei. Principalmente diante da covardia de maiorias que procuram esmagar impiedosamente as minorias, ou fanáticos que usam métodos covardes para valerem suas condutas.

 

A Maçonaria combate a hipocrisia, o fanatismo, a intolerância. E combate esses males procurando conduzir os homens ao entendimento, única forma de se conseguir a paz permanente, pregando a misericórdia para com os vencidos. Para nossa Ordem, o vencedor deve ser sempre a humanidade. Portanto, todos os maçons são concitados a uma conduta de vida capaz de levar consolo a quem sofre, a comida a quem tem fome, o agasalho a quem tem frio, uma toalha macia para enxugar as lágrimas de nossos semelhantes, a levar o conhecimento a quem o deseja. Sabe a nossa Instituição que quanto mais se propagar a luz, menor será a ser o espaço a ser ocupado pela trevas. Com isso poderemos nos guiar mais seguramente na direção do GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO, luz irradiante que será o próprio caminho do amor, da fraternidade e da tolerância per omnia secula seculorum!


Não somos – e estamos longe de sermos – uma confraria de anjos, arcanjos ou querubins. Simplesmente homens buscando a prática do bem sem olhar a quem, sem alarde, sem soar a trombeta. Uma faculdade na escola da vida, onde temos o privilégio de podermos conhecer a fé, a esperança e a caridade, sem necessidade de apegarmos a alguma religião ou seita. Conseguimos o que muitos acham impossível, ou seja, a reunião de homens de todas as crenças, unidos pelo laço da irmandade, pelo pensamento uníssono de que pela boa obra, se conhece o bom pedreiro. Enquanto algumas religiões se dizem donas da verdade, nós estamos à busca dela sem querermos ser seu dono. Não nos interessa a transmutação dos metais, não nos interessa interferirmos na fé alheia. O que nos interessa é o exercício da caridade, pois sabemos que sem ela não há salvação. Não existe fé sem caridade, sem esperança e sem amor. A fé nos põe em contato com o criador, na sintonia de emissor e receptor. Somente palavras ou pensamentos não nos põe em sintonia com Ele, pois se assim fosse, os fariseus que praticavam com grande pontualidade os ritos prescritos e a grande importância aos estudos das Escrituras, não teriam sido convidados a deixarem o templo, mencionados pelos Evangelhos como hipócritas e orgulhosos.


Podemos concluir sem medo de errar, que só a maldade e a desinformação são capazes de rotular a Maçonaria como contrária a fé. O comportamento digno que nossa Ordem impõem a seus membros honrará, certamente, a qualquer profissão de fé religiosa, pois cada um de nós tem o direito de professar e praticar sua religião no mundo profano. Garante a Constituição brasileira que é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de cultos e as suas liturgias. Em Templo Maçônico deixamos do lado de fora as diferenças religiosas e passamos à pratica comum da igualdade, liberdade e fraternidade. Oh! Como é bom agradável viverem unidos os irmãos.


Os rótulos nem sempre garantem o conteúdo. Por isso, nosso Templo Interior é que deve permanecer sempre limpo, livre da sujeira que as iniqüidades provocam, iluminado pelo verdadeiro amor, sempre nos permitindo lembrar que o nosso conhecimento é apenas uma gota diante de um oceano de coisas que ignoramos. Ensina-nos a Maçonaria que o GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO é uma fonte perene de amor, sempre pronto a permitir o soerguimento de qualquer um que queira se levantar. Como Ele saberá, a qualquer tempo, separar o joio do trigo, nós, os maçons, somos sempre recomendados a produzir mais trigo, mais trigo, mais trigo…

 

Baseado em artigos de autoria do maçom Pedro Campos de Miranda – Loja Maçônica Spinosa 181, com emendas do maçom Carlos Augusto Camargo da Silva Loja Maçônica Estrêla Caldense de Poços de Caldas/MG

 
Texto Extraído do site: www.estrelacaldense.org.br

Loja Maçônica Estrêla Caldense de Poços de Caldas/MG

Publicado na Edição 07 em Comportamento Maçônico 10 de Junho de 2010









terça-feira, 6 de dezembro de 2011

NUM MOMENTO DE RARA REFLEXÃO


NUM MOMENTO DE RARA REFLEXÃO

Dias atrás, fui procurado por um cidadão, até bem conhecido, sem ser amigo de verdade, nos seus aproximadamente cinquenta e cinco anos, com vida financeira bem definida e da criação da família também já bem encaminhada e com todos filhos muito próximo da definição de rumos, que me indagou sobre como é a maçonaria, o que maçons fazem dentro das lojas e fora delas, e eu, fui a cada indagação respondendo a meu modo e meus limites, até onde pode ser esclarecido para um profano. A conversa ia decorrendo bem, num bate papo que até achei que ele queria propor-me apadrinhá-lo numa loja maçônica, até que meu interlocutor indagou finalmente, e acho que era onde queria chegar, qual era as vantagens e regalias que uma pessoa leva ao entrar para a maçonaria. Exemplificou que em sua terra natal, Muriaé, todos os maçons da cidade eram pessoas de posses e com status, sendo pessoas admiradas e reconhecidas. De bate pronto falei a ele que com este pensamento a melhor vantagem e regalia que uma pessoa leva da maçonaria é não participar dela, porque ali não se trata de vantagens pessoais, muito menos de regalias e favores e sim de favorecer, com seu empenho, dedicação, trabalho, inteligência para construir uma sociedade mais justa e fraterna, criando e propagando os ensinamentos de justeza, de cidadãos comprometidos com o país e seu povo, lapidando seu eu, para tornar-se capaz de induzir em seu meio de convivência um ambiente salutar de se viver e etc. Disse a ele também, pedindo licença e desculpas pelas minhas posições, é claro, que não entendia o porquê de um pessoa com a idade e a posse que já possuía, ainda procurava por instituições e situações que o avantajasse de qualquer forma e não porque de dedicar seu tempo, trabalho, dedicação, apoio financeiro na proporção de não o comprometer, amor até, a instituições que dedicassem a um bem qualquer que não seja palpável como material, mas sim de retorno e felicidade imensurável para o ego pessoal.

Após este entrevero, o assunto passou a não interessar mais ao meu interlocutor e a conversa perdeu o rumo.

Ora, imaginem bem!!!

Um individuo com as qualificações acima citadas, ainda estar preocupada em levar vantagens ao participar de um grupo, sendo ele de crescimentos pessoal ou de serviços ou de qualquer outro, sabendo que onde quer que esteja ou atividade desenvolvida, onde alguém leva vantagem a contra parte fica em desvantagem, e isto não combina com o salutarismo do ambiente de convivência.Ademais, será porque é este ambiente promiscuo que boa parte das pessoas ainda preferem viver, será que é a disciplina que nossos antepassados nos passaram ou a cabecinha oca, proveniente da falta de cultura, fraternidade e o conceito de convivência em sociedade?.

Não percebe ainda que leva desta vida é somente aquilo de bom e precioso que se fez ou proporcionou a alguém fazer de bom e que a grande memória que deixamos gravada em nossos entes e amigos são o que de felicidades, crescimento em suas vidas de fraterno e sentimentos de afeto conseguimos imprimir neles.

Para finalizar perguntemos a nós mesmos, porque será que somos tão interessados a adquirir tantos bens e as vezes não importa a forma, esquecendo que somos parte de uma célula onde o bem viver de cada um resulta na felicidade de todos.

PENSEM NISTO.

Escrito por Nilton Soares.

Num momento de rara reflexão.

Fonte: Site da GLMMG.ORG.BR

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Fundamentos filosóficos da Maçonaria

Fundamentos filosóficos da Maçonaria



Nossa Augusta Ordem é uma instituição em que o filosofar é tarefa que requer todo o nosso interesse e reclama todo o nosso esforço. Em cada um de nossos símbolos, em cada página de nossos Rituais e em cada etapa da História Maçônica, temos sempre algum vestígio ou princípio de caráter filosófico. Não se pode ser maçom autêntico sem adentrar ao estudo filosofia, especialmente no Grau de Companheiro.

Perguntaram, certa vez, a um filósofo: “Para que filosofia?” E ele respondeu: “Para não darmos nossa aceitação imediata às coisas, sem maiores considerações”. A primeira resposta à perguntas “ O que é filosofia? “ pode ser, pois, a decisão de não aceitar como óbvias e evidentes as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência cotidiana; jamais aceitá-los sem antes havê-los investigado e compreendido. Em outras palavras, distinguir o real do aparente.

A filosofia começa dizendo não às crenças e aos preconceitos do senso comum, e, portanto, começa dizendo que não sabemos o que imaginávamos saber. Por isso Sócrates, o patrono da Filosofia, afirmava que a primeira e fundamental verdade filosófica é dizer: “Sei que nada sei”.

Preliminarmente, busquemos conhecer suas origens. A palavra filosofia é grega, composta pela junção de duas outras: Philo e Sophia. Philo significa amizade, amor fraterno. Sophia que dizer sabedoria e dela vem a palavra sophos, sábio. Filosofia significa, portanto, amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. O filósofo é aquele que ama a sabedoria, que tem amizade pelo saber, que deseja saber.

Os Historiadores de Filosofia dizem que ela nasceu no século 7º e início do século 6º antes de Cristo, embora não seja um fato especificamente grego.



Em verdade, a Filosofia grega tem dívida com a sabedoria dos orientais, não só porque as viagens colocaram os gregos em contato com os conhecimentos produzidos por outros povos (sobretudo os egípcios, persas, babilônios, assírios e caldeus), mas também porque os dois maiores formadores da cultura grega antiga, os poetas Homero e Hesíodo, encontraram nos mitos e nas religiões dos povos orientais, bem como nas culturas que precederam a grega, os elementos para elaborar a mitologia grega que, depois, seria transformada racionalmente pelos filósofos.

É que os gregos imprimiriam mudanças de qualidade tão profundas no que receberam do Oriente e das culturas precedentes, que até parece terem criado sua cultura a partir de si mesmos. Dessas mudanças, podemos mencionar algumas que nos darão a idéia da originalidade grega:

Os gregos transformaram em matemática (aritmética, geometria, harmonia) o que eram expedientes práticos para medir, contar e calcular; transformaram em astronomia (conhecimento racional da natureza e do movimento dos astros) aquilo que eram práticas de adivinhação e previsão do futuro; transformaram em medicina (conhecimento racional sobre o corpo humano, a saúde e a doença) aquilo que eram práticas de grupos religiosos secretos para a cura milagrosa das doenças.

Os gregos, diante da herança recebida, inventaram a idéia ocidental da razão como um pensamento sistemático que segue regras, normas e leis de valor universal, isto é, válidas em todos os tempos e lugares. Assim, por exemplo, em qualquer tempo e lugar 2+2 será sempre igual a 4; o triângulo terá sempre três lados; o Sol sempre será maior do que a terra, ainda que pareça menor do que ela etc.

Os gregos não inventaram apenas a ciência ou a filosofia. Mas inventaram também a política (palavra que vem de polis, que, em grego, significa cidade organizada por leis e instituições), instituindo práticas pelas quais as decisões eram tomadas a partir de discussões e debates públicos e eram adotadas ou revogadas por voto em assembléias públicas; estabeleceram instituições públicas (tribunais, assembléias, separação entre a autoridade do chefe de família e autoridades pública, entre autoridade político-militar e autoridade religiosa) e, sobretudo, criaram a idéia da lei e da justiça como expressão da vontade coletiva pública e não como imposição da vontade de um só ou de um grupo, em nome de divindades.

Analisemos a Filosofia grega em seus dois primeiros períodos: o pré-socrático, ou cosmológico, e o socrático, ou antropológico.

Os principais expoentes do período cosmológico foram Tales de Mileto, Pitágoras e Parmênides. Como principais características dessa época, podemos destacar a explicação racional sobre a origem, ordem e transformação da natureza, da qual os serem humanos fazem parte;a afirmação de que “nada vem do nada e nada volta ao nada “, isto é, que o mundo (cosmo) ou a Natureza é eterno; que nada se cria ou tudo se transforma sem jamais desaparecer; e a afirmação de que todos os serem além de serem gerados e serem mortais estão em contínua transformação, sem por isso perder sua ordem, sua forma e sua estabilidade. A mudança – nascer, morrer, mudar de qualidade ou de quantidade – chama-se movimento. E o mundo está em movimento permanente.

Já o filósofo Sócrates, considerado o patrono da Filosofia, propunha que antes de querer conhecer a Natureza e antes de querer persuadir os outros, cada um deveria, primeiro, conhecer-se a si mesmo. A expressão “conheça-te a si mesmo”, gravada no pórtico do Templo de Apolo, patrono grego da sabedoria, tornou-se a divisa de Sócrates.




Sócrates


 
Por fazer do autoconhecimento ou do conhecimento que os homens têm de si mesmos a condição de todos os outros conhecimentos verdadeiros, é que se diz que o período socrático é antropológico, isto é, voltado para o conhecimento do homem, particularmente do seu espírito e de sua capacidade para conhecer a verdade.

O retrato que a história da Filosofia possui de Sócrates foi traçado por seu mais importante aluno e discípulo, o filósofo ateniense Platão. Segundo ele, Sócrates era um homem que andava pelas ruas e praças de Atenas, pelo mercado e pela assembléia, indagando a cada um: “Você sabe o que é isso que você está dizendo?” “Você acha que conhece realmente aquilo em que acredita, aquilo em que está pensando, aquilo que está dizendo?” “Você diz”, falava Sócrates, “o que a coragem é importante, mas o que é a justiça?” Você acredita que a justiça é importante, mas que é a justiça? Você diz que ama as coisas e as pessoas belas, mas o que é beleza?

Sócrates fazia perguntas sobre as idéias, sobre os valores nos quais os gregos acreditavam e que julgavam conhecer. Sua perguntas deixavam os interlocutores embaraçados, pois quando tentavam responder, descobriam surpresos, que nunca tinham pensado em suas crenças, seus valores e suas idéias.

Mas o pior não era isso. O pior é que as pessoas esperavam que Sócrates respondesse por elas ou para elas, mas Sócrates, para desconcerto geral, dizia: “Eu também não sei, por isso estou perguntando”.

A consciência da própria ignorância é o começo da Filosofia. O que procurava Sócrates? Procurava a essência verdadeira da coisa, da idéia, do valor. Procurava o conceito e não a mera opinião.

Qual a diferença entre uma opinião e um conceito?

A opinião varia de pessoa para pessoa, de lugar para lugar, de época para época. É instável, mutável, depende de cada um, de seus gostos, e preferências. O conceito, ao contrário, é uma verdade intemporal, universal e necessária que o pensamento descobre, após análise racional, reflexão isenta de preconceitos e pela prática da meditação.

Ao fazer suas perguntas e suscitar dúvidas, Sócrates fazia os atenienses pensar, não só sobre si mesmos, mas também sobre a polis. Aquilo que parecia evidente acabava sendo percebido como duvidoso e incerto. Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo. Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis.

Levado perante a assembléia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno – a cicuta – e obrigado a se suicidar. Por que Sócrates não se defendeu? “Porque”, dizia ele, “se eu me defender, estarei aceitando as acusações, e eu não as aceito. Se eu me defender, o que os Juízes vão exigir de mim? Que eu pare de filosofar. Mas eu prefiro a morte a ter de renuncia à Filosofia”. Essa narrativa consta da obra Apologia de Sócrates, isto é, a defesa de Sócrates feita por seus discípulos, contra Atenas.

Ao longo da história, o pensamento filosófico percorreu os mais variados caminhos, seguiu interesses diversos, elaborou muitos métodos de reflexão e chegou a várias conclusões, em diferentes sistemas. É verdade que muitos desses sistemas filosóficos e até mesmo religiosos tidos como doutrinas verdadeiras acabaram por se tornar equivocados, na medida em que se arrogaram detentores exclusivos da Verdade, surgindo daí os dogmas, isto é, os pontos indiscutíveis de qualquer doutrina ou sistema, que devem ser aceitos sem exame e sem crítica.

Ocorre que a Verdade, esse mistério inatingível, que nos atrai com força irresistível, é muito vasta, muito vivaz, muito livre e muito sutil para deixar-se prender, imobilizar e petrificar na rigidez de um sistema filosófico. Cada ser humano detém a sua verdade, que é a concepção do momento em torno de um assunto, problema ou equação. As verdades científicas, então, são as mais mutáveis. Basta lembrar que em determinado momento da história da humanidade acreditava-se que a Terra era quadrada. Em outra época, que ela era o centro do Universo, com os demais planetas girando em seu redor.

Tudo isso nos leva a concluir que a Verdade Absoluta é algo inatingível, é uma abstração. Aliás, a essência da Filosofia não é a verdade absoluta, senão a busca da mesma, o que o Maçom faz, incessantemente, a partir da Iniciação. O saber filosófico maçônico nunca está findo ou concluso, pois filosofar é buscar o saber. As perguntas têm, na filosofia maçônica, maior importância que as respostas, pois, valendo-se do valor dos símbolos, toda resposta provoca e gera outra pergunta.
Uma fórmula moderna do que se deve entender por filosofa é conversar consigo mesmo, refletir sobre os próprios pensamentos e meditar para, finalmente, encontrar a sua verdade. São atividades interiores cujos resultados tem se revelado dos mais promissores, posto que brota e floresce da própria consciência. Infelizmente, a atividade filosófica não surge para todos os Maçons, nem se faz presente no momento da Iniciação, uma vez que nem todos estão sintonizados com esses valores.

Essa flexão corre porque o homem vive submerso e afogado na vida puramente substantiva e animal, ocupado em satisfazer suas necessidades vitais. Essa maneira de viver é fomentada, na atualidade, pelo mundo da ciência e da tecnologia. Somos escravos do relógio.

Trabalhamos como máquinas, obedecemos cegamente a hábitos e rotinas, cumprimos atos triviais e sem sentido, desenvolvemos o ritual em Loja sem nos preocuparmos com o seu real significado. Não podemos “perder tempo” ouvindo um amigo, olhando as estrelas, brincando com uma criança ou vendo um por-do-sol.

Pitágoras contava três tipos de pessoas que compareciam aos jogos olímpicos, a festa mais importante da Grécia: as que iam praticar o comércio durante os jogos, ali estando apenas para servir a seus interesses, sem preocupação com os jogos ou com as disputas; as que iam para competir, isto é, os atletas e os artistas, pois havia também competições de dança, poesia, música e teatro; e finalmente as que iam para contemplar os jogos e torneios, para avaliar o desempenho e julgar o valor dos que ali se apresentavam. Esse terceiro tipo de pessoa,dizia Pitágoras, é o filósofo.

Com isso, Pitágoras queria dizer que o filósofo não é movido por interesses financeiros, não coloca o saber como propriedade sua, como uma coisa para ser comprada e vendida no mercado. Também não é movido pela competição, quer dizer, não faz das idéias e dos conhecimentos uma habilidade para vencer competidores ou atletas intelectuais, mas é movido pelo desejo de observar, contemplar,julgar e avaliar as coisas, as ações, a vida. Em resumo: pelo desejo de saber. A verdade não pertence a ninguém, ela é o que buscamos e está diante de nós para ser contemplada e vista, se tivermos olhos do espírito para vê-la.

O Maçom há de ser um filósofo, na medida em que deve amar a sabedoria, buscar incessantemente a verdade, ir além das aparências, combater a ignorância e os preconceitos, discutir idéias e não coisas, e, principalmente, refletir sobre o Enigma da Vida: “De onde viemos, o que somos, para onde vamos?” Qual o verdadeiro sentido da vida? Qual o nosso papel na sociedade em que vivemos? Quais as nossas possibilidades, quais as nossas responsabilidades? Estamos colocando à Glória do Grande Arquiteto – e a serviço da humanidade – os talentos que Ele nos dotou? Estamos ajudando a construir uma sociedade mais justa e perfeita?

Cada um que tire suas conclusões...

Ir.´. Ricardo Aparecido dos Reis
fonte: Blog Formadores de Opinião




domingo, 4 de dezembro de 2011

O Que São Os Vedas?


O Que São Os Vedas?

Os Vedas são as escrituras mais antigas do mundo, mas sua data de origem nunca pôde ser fixada, nem poderá, pois eles são eternos. Enquanto outras religiões clamam que sua autoridade foi dada por Deus ou um representante dEle, os Vedas clamam que não devem sua autoridade a ninguém: eles mesmos são a autoridade, sendo eternamente o conhecimento de Deus. Eles nunca foram escritos ou criados, tendo existido por todo o tempo; assim como a criação é infinita e eterna assim também é o conhecimento de Deus. E esse conhecimento é o que significa Veda (=conhecimento, em sânscrito). Os Vedas formam um guia prático de como viver bem neste mundo, com um mínimo de esforço e tensão, e ser elevado ao mundo espiritual (o reino de Deus) no final da vida. Eles pavimentam o caminho para a liberação final (moksha) pela boa conduta e, assim, sua mensagem passa por todas as barreiras de país, credo ou tempo. Eles são universais em seu significado e apelo, pertencem a toda a humanidade e são para todas as épocas. O grande pensador alemão Max Müller disse: "Eu afirmo que para um estudo do homem, não há nada no mundo igual em importância com os Vedas. Eu afirmo que para todos que prezam a si mesmos, a seus antepassados, a sua história ou a seu desenvolvimento intelectual, o estudo da literatura védica é indispensável."



Código de Hamurábi



As leis sumérias de Dungi deram origem ao Código de Hamurábi.

Este código foi achado por um historiador francês, em 1901.


 
Trata-se de um bloco de diorita (espécie de rocha), de 2,40m de altura, no qual estão gravadas 3500 pequenas linhas verticais de sinais cuneiformes, que correspondem a 282 artigos de leis.

O bloco tem forma irregularmente cilíndrica.



As características essenciais do código de Hamurábi eram:

· Lei do talião ("olho por olho, dente por dente");

· Desigualdade perante a lei: a sentença variava de acordo com a classe a que pertencia o indivíduo (nobre, homem livre, escravo).



Logo a seguir vem alguns casos descritos de como funcionava as leis.

A morte de um nobre merecia pena severa, enquanto que a de um homem livre, ou de um escravo, tinha menos importância.

O código estabelecia a pena do talião. Mas não fazia distinção entre o homicídio acidental e o voluntário. O acusado, porém, não era castigado com a pena de morte, mas devia pagar, à família da vítima, uma multa estipulada.

Castigavam--se com a pena de morte: ladrões, homens que fugiam do serviço militar, vendedores de bebidas que desrespeitassem o tabelamento (vendendo a preços superiores aos estabelecidos pela lei).

Cortavam-se as mãos do filho que tivesse batido no pai.

Quando não se conseguia descobrir os autores de um roubo, a vítima fazia uma relação dos objetos furtados e o governador da região devia reembolsá-la da quantia correspondente a esses objetos.

O Código de Hamurábi vigorou durante uns 15 séculos.

Apesar de sua severidade, o código indica a existência de uma sociedade civilizada. O código foi escrito pelo rei da Babilôlia Hamurábi, em aproximadamente 1763A.C.

Este é um dos primeiros códigos de lei da história da humanidade, e também, a primeira forma de um sistema legal escrito que tem muito paralelismo com o sistema de justiça americano.



Fonte: www.direitosocial.com













sábado, 3 de dezembro de 2011

A Maçonaria é ainda relevante?


A Maçonaria é ainda relevante?

Irø Daniel Doron, 33°
Grande Loja de Israel

Traduzido por Rafael Rocca dos Santos

A questão de se a Maçonaria ainda é relevante em nossa sociedade em constante mutação é frequentemente colocada em fóruns maçônicos e por profanos. Isso indica que é de importância a muitos, a maioria Irmãos. Além disso, a questão é frequentemente colocada quando se discute as condições nas quais nossas Lojas estão atualmente; talvez até mesmo um desespero ante o que parece ser o futuro da Maçonaria. Na minha opinião, esse é um aspecto um tanto limitado de “relevância,” isto é, a habilidade de contribuir positivamente à solução dos problemas ou entraves defrontados pela Maçonaria e pelos Irmãos, como tais, em suas vidas diárias.

O dicionário Webster define “relevante” como:

“Etimologia: Latim medieval relevant-, do latim, particípio presente de revelare alçar. 1. Ter suporte significativo e demonstrável no assunto em questão 2. Suprir evidências tencionando provar ou desprovar qualquer assunto em debate ou sob discussão 3. Ter relevância social 4. A qualidade ou estado de ser relevante; pertinência; aplicabilidade.”

Para os propósitos deste trabalho, eu enfatizaria as últimas duas definições. Apesar de tudo, queremos nos certificar de que o que fazemos vale nossos esforços!

Tentarei lidar com essa questão principalmente de seus aspectos morais. No entanto, seria quase impossível apresentar um tratado completo em artigo. Uma discussão completa necessita provas de toda alegação ou opinião, o que está além do escopo de minhas presentes reflexões. O que permanece é um esforço para apontar brevemente diversos ângulos possíveis de “relevância” e deixar para os leitores desenvolverem essas questões.

Quando discutindo a “relevância” em nossas vidas de sermos maçons, devemos distinguir entre quatro aspectos principais:

a. a Maçonaria é relevante para minha vida diária?

b. outras pessoas consideram o fato de eu ser maçom como afetando minhas atitudes e ações, o que prova sua relevância a mim?

c. tem a Maçonaria, como uma organização, qualquer relevância às sociedades atuais, da forma que ela existe?

d. a sociedade considera nosso corpo maçônico como relevante para resolver os problemas presentes ou futuros da sociedade humana?

No texto a seguir tentarei lidar apenas com o primeiro aspecto acima. Parece-me que aquilo que as outras pessoas pensam acerca de nós como maçons ou de nossa organização não causa dúvidas sobre nossa relevância entre irmãos. Somos nós quem temos de nos convencer de que pertencer à Maçonaria é de valor para nós como indivíduos.

A maioria de nós nos defrontamos com expressões de dúvidas ou mesmo de ridículo quanto à Maçonaria. Às vezes, podemos também duvidar da relevância de nosso Ofício Antigo à nossa célere e mudadiça sociedade. Quando usamos a frase “um peculiar sistema de moralidade,” levamos estimamos os ensinamentos morais de nosso sistema como relevantes para nossas vidas e para os julgamentos morais que temos de fazer, ou é tudo passeé? A fim de responder essas questões, devemos voltar aos nossos ancestrais, que se encontravam para espiritualizar ou moralizar, como costumavam chamar seu filosofar. Parece que nós temos de nos fazer quatro perguntas:

a. a necessidade de socializar do homem com os outros mudou?

b. a necessidade de sentimentos fraternais próximos deu completamente lugar à necessidade apenas de conquistas pessoais?

c. a necessidade de se discutir ou ponderar sobre questões morais deixou de existir?

d. todas essas mudanças necessitam de uma alteração de nossos princípios morais?

Vamos tentar examinar essas quatro questões.

a. A necessidade do homem de socializar

Quanto à primeira pergunta, espero que você concorde comigo em que a necessidade do homem de socializar certamente não desapareceu. Os motivos podem ter mudado, talvez os propósitos para socializar com os outros servem para outros fins também, mas a necessidade real do indivíduo ainda existe. O homem continuou um animal social e, a despeito dos meios de comunicação modernos, ainda precisamos de contato humano direto.

Ao mesmo tempo, devemos entender que as implicações da ênfase de sermos uma fraternidade, de reter relações fraternais. Sem uma longa discussão de significados sociológicos, pode-se seguramente dizer que tal relacionamento é baseado em um laço emocional. Jaz na esfera das interrelações familiares e apenas pode existir quando há envolvimento pessoal. Quando encontramos um estranho pela primeira vez, todos sabemos o que sentimos assim que descobrimos que esse estranho é um Irmão. Pense em quanto logo nos abrimos um para com o outro, trocando experiências. Em minha visão, isso é uma prova da importância que vinculamos ao pertencer à nossa fraternidade antiga e ao seu sistema de princípios morais.

b. Competitividade versus fraternidade

Sem dúvida, nas democracias modernas ocidentais vivemos em uma sociedade competitiva, uma sociedade orientada à conquista. Espero que concorde comigo em que esses aspectos de nossa vida moderna não anulam, de modo algum, nossa necessidade de socializar. A sociedade moderna fez-nos mais competitivos e com uma necessidade clara de provar a nós mesmo aquilo que fazemos. No entanto, devemos nos perguntar se conquistas pessoais se tornaram, em todos os casos, mais importantes do que o contato (emocional) pessoal. Tornou-se predominante em nossas atividades diárias, sobrepassando todo o resto? Em minha visão, a resposta é: NÃO. Ainda temos a necessidade de nosso lugar.

Ao mesmo tempo, devemos entender que quando usamos o termo “Irmão” queremos dizer uma ligação emocional, típica de grupos pequenos como nossa célula familiar. Sem investigar exaustivamente as teorias sociológicas acerca de grupos pequenos[1], espero estar sendo claro a todos, por suas experiências pessoais, que, em tais grupos sociais pequenos, forças aumentando a coesão são entendidas como legítimas e devem ser reforçadas, enquanto que a competição dentro de tal grupo pequeno é considerada ilegítima e é fortemente censurada. Não só é considerada ilegítima, mas também origina antagonismos emocionais muito fortes. Segue que, tão logo haja duras competições entre irmãos dentro de uma Loja, elas originarão reações emocionais muito fortes. Pode-se reduzir uma Loja a migalhas. Uma caracterítica típica de grupos pequenos é que eles são monolíticos e não permitem diversidade. Em oposição a isso, nossa sociedade moderna é baseada na diversidade. Por que motivo pregamos tolêrancia e moderação? Certamente esperamos que os irmãos deixem seus antagonismos do lado de fora das portas da Loja, para que se conserve a harmonia.

Do que eu acabei de dizer devemos perceber que aí existe uma tensão inerente entre nossa competitividade e nosso comportamento orientado à conquista fora da Loja e o envolvimento fraterno entre nós como Irmãos na Loja e como maçons. No mais, ela pode indicar porquê competições dentro de nossas Lojas frequentemente originam tensões fortes e porquê é oposta ao que consideramos relações fraternas.

c. A necessidade de se discutir assuntos gerais

Apesar de nos comprometermos não discutir política e religião (fé) nas Lojas, parece-me que a troca de visões acerca de questões morais é ainda uma necessidade do homem moderno. Pode até ser uma das atrações da Maçonaria. Moralizar, como nossos ancestrais o fizeram.

O que parece a mim ser de extrema importância é que entramos em uma Loja, e na Maçonaria, para satisfazer outras necessidades. Um neófito Iniciado geralmente sente que ele tem oportunidades suficientes para competir fora da Maçonaria e da Loja. Parece que quando tudo é dito e feito, depois de cuidarmos de nossas necessidades materiais, depois de garantirmos todas as nossas necessidade pessoais e familiares, ainda precisamos satisfazer nossas necessidades sociais e espirituais. É isso que temos como objetivo atingir nos tornando irmãos desse laço místico. Tornando-nos Maçons.

Em minha visão, um dos fatores influenciando a força ou a fraqueza da Maçonaria hoje é nossa percepção de que devemos satisfazer essa necessidade ou fazer perder o interesse de muitos Irmãos jovens. Aqueles que vêm buscando relações intelectuais – pelo menos como fator adicional – desapontar-se-ão e logo saem. Esse é o motivo pelo qual considero satifazer as necessidades intelectuais como uma parte importante de nossas Lojas.

d. Devemos mudar nossos princípios de moralidade?

Vamos nos voltar à questão de princípios morais e se eles, também, mudam rapidamente no ritmo em que sociedade moderna muda. Começemos concordando que não apenas a sociedade humana muda ao longo do tempo, mas que o grau de mudança aumentou imensamente, criando novas condições e novos problemas. A situação a qual chamamos de “A Vila Global,” com seus meios modernos de comunicação, sem dúvida mudou muitos aspectos de nossa vida. Entretanto, espero que concorde comigo em que os princípios básicos de moralidade permaneceram inalterados, mesmo que suas utilizações possam ter mudado ao longo do tempo.

Consideremos dois exemplos. A questão da igualdade é o primeiro princípio que vem à minha mente. No século XVIII, “todos os homens nascem iguais” significava apenas a nobreza. Então se incluiu a burguesia e finalmente todos os homens foram incluídos, apesar de mulheres não serem consideradas “iguais”: foram as últimas a ser incluídas.

É mais provável que nós fomos os originadores do direito à auto-determinação, que se tornou lentamente aplicável aos direitos nacionais no século XIX e seguinte, e o direito das nações influenciaram a questão das minorias e de seus direitos. Como podemos ver, o princípio começou aplicável apenas a uma parte da sociedade e lentamente se ampliou para englobar todos os seres humanos.

Esses são apenas dois exemplos. O princípio da igualdade fora discutido em Lojas maçônicas e adotado por reformistas sociais. Começou com a igualdade de direitos (políticos e judiciais), mas é agora aplicado como igualdade de oportunidades a todos, sem considerar raça, religião e sexo. A idéia do estado de bem-estar social é uma descendente direta dos princípios morais adotados primeiramente por maçons. Agora, como maçons que se “encontram no nível,” acreditamos que ele se aplica apenas a nossos irmãos, ou aceitamos a aplicabilidade mais abrangente do princípio da igualdade? Como maçons, temos algo a dizer sobre a desigualdade na sociedade fora de nossa Loja? Temos o que dizer sobre abusos dos direitos da minoria? Isso não é relevante para nós como cidadãos?

Espero que concordem comigo em que o que acabamos de dizer significa que a necessidade de se discutir questões morais com os outros permaneceu inalterada. Eu dou um passo mais além e digo que há uma necessidade de se avaliar constantemente os princípios de si mesmo e os ajustar quando necessário para novas situações. Em outras palavras: quando falamos do princípio do governo da maioria, também predominante na Maçonaria, estamos na verdade discutindo princípios morais maçônicos que tipificam qualquer sistema democrático de vida. É a necessidade constante de um cidadão democrático conferir os limites de sua liberdade contra aqueles do seu próximo; os direitos dele contra aqueles de outros; os limites que devem ser colocados sob o governo da maioria. Então, também aqui, devemos concluir que os princípios de nosso “peculiar sistema de moralidade” ainda são válidos como o eram há décadas. Nosso sistema é “peculiar” no modo pelo qual é ensinado através de símbolos e alegorias. Essa é a única peculiaridade de nosso sistema.

Então, a Maçonaria ainda é relevante?

O que tudo o escrito acima tem com a Maçonaria? Tudo! A Maçonaria é um sistema de moralidade que nos ajuda a nos reformar de acordo com princípios morais ideais. Fazer o que Sócrates chamou de “viver a boa vida,” significando: a única vida que vale ser vivida, uma vida de acordo com os princípios morais de si mesmo. Temos todos sucesso? Certamente não! Sendo seres humanos normais – pelo menos espero que sejamos -, temos nossas fraquezas humanas. Nem sempre conseguimos o que esperamos, mas ao menos nos empreendemos a tentar chegar o mais próximo a esse objetivo. Não é melhor assim, mesmo se somente um pouco?

É interessante que a Maçonaria floresce em sociedades na quais homens têm crenças arraigadas e um senso de compromisso. Uma atmosfera na qual alguém tem como seu dever lutar pelas causas nas quais ele acredita. A Maçonaria não pode florescer em uma sociedade na qual haja uma atmosfera de apatia devido à visão de que nada pode ser feito para alterar injustiças, nem da qual o homem se sinta alienado.

Deve-se talvez perceber que novos movimentos de extremistas políticos e religiosos, de fundamentalismo, têm crescido por todo o globo e estão tentando obter supremacia. O que nós, como maçons, temos a dizer sobre isso, baseado em nossos princípios morais?

Preciso dizer mais? Parece-me que em toda sociedade moderna a Maçonaria pode contribuir para uma melhor atmosfera social e uma maior sensibilidade às necessidades de todos os membros dessa sociedade. Especialmente os fracos e os necessitados. Como maçons, devemos nos orgulhar disso.

Como organização, nós nos abstemos de nos envolver em assuntos políticos e religiosos, mas maçons – como pessoas físicas – são parte de uma fraternidade internacional de homens que expressaram seu compromisso com certos princípios morais e com sempre os conservar, de homens que poderiam influenciar a sociedade dando bons exemplos. Não pregamos nem damos publicidade a nossas contribuições. Por outro lado, empreendemo-nos em nos certificar e re-certificar constantemente, e tentar ser dignos do título “homo sapience.” Estamos prontos para ser – ao menos em parte do tempo – mais atenciosos com os outros e mais críticos de nós mesmos, e não dos outros? Nossa própria vida se tornará mais rica como resultado de sermos maçons em ações e em pensamentos?

Bem, deixo para que cada um de vocês reflita sobre isso.

[1] Ver qualquer livro sobre pequenos grupos sociais, em particular as obras de Emile Durkheim.

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011