quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Utilidade Pública


AVC - Acidente vascular cerebral

 

Acidente vascular cerebral (AVC) é uma interrupção do fornecimento de sangue a qualquer parte do cérebro. Um AVC também é chamado deataque cerebral, vamos falar de: - Causas - Fatores de risco - Sintomas e prevenção.

O AVC pode ter várias causas:

Malformação arteriovenosa ou aneurisma cerebral

Acidente vascular cerebral hemorrágico

Acidente vascular cerebral isquêmico e outros fatores secundários.

Fator de risco para AVC

A hipertensão arterial é o principal fator de risco para acidentes vascularescerebrais. Também podem aumentar o risco de AVC:
• Diabetes
• A história familiar de AVC
• A doença cardíaca
• O colesterol elevado
• O aumento da idade

SINTOMAS

• Mudança no estado de alerta (consciência) • Movimento de mudanças, geralmente em apenas um lado do corpo • Coma • Dificuldade de mover qualquer parte do corpo • Letargia • Perda de habilidades motoras finas • Sono • Náuseas ou vômitos • Estupor • Ansiedade extrema • Inconsciência • As alterações de sensação, geralmente em apenas um lado do corpo • Dificuldade para falar ou compreender os outros • Diminuição da sensação • Dificuldade de deglutição • Dormência ou formigamento • Dificuldade de leitura ou escrita • confusão súbita • Perda da coordenação • Fraqueza de qualquer parte do corpo • Perda de equilíbrio • alterações da visão • Perda da totalidade ou de parte da visão • Diminuição da visão.



Prevenção
Para ajudar a evitar um acidente vascular cerebral:

· Não beba mais de 1 a 2 doses de bebidas alcoólicas por dia.

· Exercite-se regularmente: 30 minutos por dia sevocê não estiver com sobrepeso, 60 – 90 minutos
por dia, se você está com sobrepeso.

· Tenha a sua pressão arterial verificada a cada 1– 2 anos, especialmente se a pressão arterial elevada é executado emsua família.


· Ter o seu colesterol controlado. Se vocêestá em alto risco de acidente vascular cerebral, o LDL colesterol “mau” deveser inferior a 100 mg / dL. Seu médico pode recomendar que você tentereduzir o colesterol LDL para 70 mg / dL.

· Siga as recomendações de tratamento o seu médico se você tem pressão alta, diabetes,colesterol elevado e doenças cardíacas.

· Pare de fumar.

Leia mais: http://longevidade-silvia.blogspot.com/2011/11/avc-acidente-vascular-cerebral.html#ixzz1eWuiD4mL
































terça-feira, 22 de novembro de 2011

Retorno ao Oriente Eterno

Betânia e Anchieta em foto recente.


Transcrevemos do Blog da Casa do Caminho a Nota de pesar pelo retorno ao Oreinte Eterno do maçom José de Anchieta Vieira.

Retorno ao Oriente Eterno 


A Comunhão Espírita Cristã A Casa do Caminho comunica o prematuro retorno à sua Casa espiritual, do irmão do caminho, José de Anchieta Vieira, Anchietão, ocorrido no dia 20.11.2011, às 12:15, em João Pessoa , em consequência de um acidente vascular cerebral.
Seu sepultamento ocorrerá no dia 21.11.2011, às 17:00, no cemitério São João Batista, da cidade de Sousa.
O irmão Anchieta era um trabalhador abnegado e assíduo na Casa do Caminho, sendo querido por todos os Idosos, funcionários e voluntários da Casa, sempre disposto, apto a ajudar, fazia com freqüência preces com todos os idosos, além de auxiliar pessoalmente em alimentar aos idosos com deficiência.

No trato com os Idosos ficou marcado pela sua simplicidade, respeito, alegria e o bom humor de que era portador.
Acima de tudo demonstrou pelo exemplo que era uma figura importante, além de um grande amigo.

O homem Anchieta aqui não mais está, mas Anchieta é imortal, foi criado por Deus para viver para sempre e a sua lembrança, os seus trabalhos, o seu Espírito, estarão sempre com aqueles que tiverem, firme e altamente, a bandeira da caridade que ele sempre soube respeitar.

Nossos sentimentos aos familiares e amigos.

Até breve, amigo Anchieta, até breve, saudades dos irmãos do Caminho e que DEUS o abençoe na sua nova tarefa.

P.S.:
Fica a registrada o sentimento de gratidão pelo excelente trabalho realizado em favor da Instituição de Idosos, na cidade de Sousa (PB).





Com gratidão: A Casa do Caminho de Sousa












sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Dalai Lama


Alegria

· Dê mais às pessoas, MAIS do que elas esperam, e faça com alegria.

· Decore seu poema favorito.

· Não acredite em tudo que você ouve, gaste tudo o que você tem e durma tanto quanto você queira.

· Quando disser "Eu te amo" olhe as pessoas nos olhos.

· Fique noivo pelo menos seis meses antes de se casar.

· Acredite em amor à primeira vista.

· Nunca ria dos sonhos de outras pessoas.

· Ame profundamente e com paixão.

· Você pode se machucar, mas é a única forma de viver a vida completamente.

· Em desentendimento, brigue de forma justa, não use palavrões.

· Não julgue as pessoas pelo seus parentes.

· Fale devagar mas pense com rapidez.

· Quando alguém perguntar algo que você não quer responder, sorria e pergunte: "Porque você quer saber?".

· Lembre-se que grandes amores e grandes conquistas envolvem riscos.

· Ligue para sua mãe.

· Diga "saúde" quando alguém espirrar.

· Quando você se deu conta que cometeu um erro, tome as atitudes necessárias.

· Quando você perder, não perca a lição.

· Lembre-se dos três Rs: Respeito por si próprio, respeito ao próximo e responsabilidade pelas ações.

· Não deixe uma pequena disputa ferir uma grande amizade.

· Sorria ao atender o telefone, a pessoa que estiver chamando ouvirá isso em sua voz.

· Case com alguém que você goste de conversar. Ao envelhecerem suas aptidões de conversação serão tão importantes quanto qualquer outra.

· Passe mais tempo sozinho.

· Abra seus braços para as mudanças, mas não abra mão de seus valores.

· Lembre-se de que o silêncio, às vezes, é a melhor resposta.

· Leia mais livros e assista menos TV.

· Viva uma vida boa e honrada. Assim, quando você ficar mais velho e olhar para trás, você poderá aproveitá-la mais uma vez.

· Confie em Deus, mas tranque o carro.

· Uma atmosfera de amor em sua casa é muito importante. Faça tudo que puder para criar um lar tranquilo e com harmonia.

· Em desentendimento com entes queridos, enfoque a situação atual.

· Não fale do passado.

· Leia o que está nas entrelinhas.

· Reparta o seu conhecimento. É uma forma de alcançar a imortalidade.

· Seja gentil com o planeta.

· Reze. Há um poder incomensurável nisso.

· Nunca interrompa enquanto estiver sendo elogiado.

· Cuide da sua própria vida.

· Não confie em alguém que não fecha os olhos enquanto beija.

· Uma vez por ano, vá a algum lugar onde nunca esteve antes.

· Se você ganhar muito dinheiro, coloque-o a serviço de ajudar os outros, enquanto você for vivo. Esta é a maior satisfação de riqueza.

· Lembre-se que o melhor relacionamento é aquele em que o amor de um pelo outro é maior do que a necessidade de um pelo outro.

· Julgue seu sucesso pelas coisas que você teve que renunciar para conseguir.

· Lembre-se de que seu caráter é seu destino.

· Usufrua o amor e a culinária com abandono total.



Dalai Lama

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

É proibido

Pablo Neruda










É proibido


"É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual"

Pablo Neruda




quarta-feira, 16 de novembro de 2011

DESPERTAR É PRECISO


Vladimir Maiakóvski





DESPERTAR É PRECISO

Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.

Vladimir Maiakóvski

Vladimir Mayakovsky nasceu na Geórgia, então Rússia, em 1893.






Eugen Berthold Friedrich Brecht



BERTOLD BRECHT DEPOIS DE MAIAKOVSKI

Primeiro levaram os negros,
Mas não me importei com isso,
Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários,
Mas não me importei com isso,
Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis,
Mas não me importei com isso,
Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram uns desempregados,
Mas como tenho meu emprego,
Também não me preocupei.

Agora estão me levando,
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.



Eugen Berthold Friedrich Brecht, nasceu em Augsburg, 10 de Fevereiro de 1898 Baviera Império Alemão.



terça-feira, 15 de novembro de 2011

Associação dos Pedreiros Livres


Associação dos Pedreiros Livres



“Irmãos! Em nome da fé que depositaste em nós, elegendo-nos para este supremo cargo, convido-vos a rejeitar as propostas de Inácio de Loiola, e a proclamar aqui, nesta nossa santa assembléia, que a ordem do Templo se transforma na sociedade secreta dos Pedreiros Livres!

— Viva a Maçonaria! — gritou o príncipe de Conde, saudando com este nome francês, tradução da denominação proposta por Burlamacchi, a origem de uma sociedade, que depois havia de ter tanta influência sobre os destinos do mundo.

Quase todos os presentes repetiram o grito de Conde e saudaram e aclamaram Burlamacchi.

Beaumanoir usou então da palavra.

— Não nos esqueçamos, irmãos, de que neste concilio todos somos livres. Ninguém é obrigado a aceitar qualquer mudança, que não seja aprovada pelo seu pensar e pela sua consciência. Que respondes a isto, irmão Inácio de Loiola?

— Respondo — disse com altivez o peregrino — que estas cisões não me dizem respeito.

Fui irmão da ordem do Templo, observei fielmente os seus estatutos: agora, que o Templo acabe retiro-me da instituição que lhe sucede, e em face da Maçonaria, que acabais de proclamar, declaro instituída a Companhia de Jesus!

Este nome, que mais tarde devia tornar-se tão terrível, repercutiu sonoramente sob aquelas abóbadas; tão forte e solene fora voz com que Loiola o pronunciara!

— Ninguém — disse Beaumanoir — ninguém quer acompanhar o nosso irmão no caminho a que ele quer aventurar-se sozinho?

Seis cavaleiros se levantaram, e foram colocar-se ao lado de Inácio de Loiola, que os olhou com um ar triunfante.

— Somos sete! — disse ele com um ar inspirado. — Pois bem, convosco, primeiros irmãos, que acreditastes em mim, reparto eu o império do mundo. Somos bastantes para vencer, e teríamos a certeza da vitória, se não tivéssemos de lutar contra os nossos antigos companheiros. Irmãos, o beijo de paz!

Entretanto, a voz de Beaumanoir pronunciava friamente os nomes dos que se tinham declarado prontos a aceitar a proposta de Loiola.

— Pedro Lefèvre, de Villaret, na Sabóia.

— Francisco Saverio, cavaleiro de Navarra.

— Jacopo Laynez, de Almazar.

— Afonso Salmeron, de Toledo.

— Nicolau Afonso, de Bobadila.

— Simão Rodrigues, de Avedo.

Na medida que iam sendo pronunciados os nomes daqueles poucos, Inácio ia-os inscrevendo num pequenino livro, que tinha na mão.

— E agora — disse Beaumanoir — agora, que os dissidentes nos abandonaram, repitamos, irmãos, o juramento de há pouco, e declaremos que a ordem do Templo se transformou na associação dos Pedreiros Livres.

Os cavaleiros presentes ergueram a mão.

— Adeus, irmãos; — disse Loiola, com uma voz a que não pôde, por mais que fizesse, tirar um certo tom de tristeza — por muito tempo estivemos unidos e concordes e agora estamos divididos em dois campos, que pugnarão com ferocidade sem par um contra o outro. Pois bem! eu ainda tenho esperança, e peço a Deus que reconheçais finalmente o vosso erro e vos acolhais todos sob a nossa bandeira, sob a bandeira de Jesus.

— Terás que esperar! — resmungou Burlamacchi, o mais indignado, ao que se via, pela traição de Loiola.

Inácio dispunha-se para partir com os seus companheiros, quando o presidente lhe fez sinal para que esperasse.

— Monge, — disse ele — deixaste de pertencer ao Templo, mas os juramentos que prestaste à nossa Ordem têm sempre vigor. Ai de ti, se o segredo que juraste guardar fosse violado.

Inácio voltou-se cheio de desdém, estremecendo como um cavalo, ao qual o chicote fustiga.

— Beaumanoir, — murmurou ele num tom de voz que a raiva fazia tremer, — em má hora me lembraste, a mim, que não pensava em violá-los, os juramentos que prestei à Ordem.

Esqueceste talvez de que para nós, filiados nos terceiros mistérios, para nós, que somos os Sete Senhores, não existe lei moral nem positiva? Esqueceste de que a nossa elevação ao supremo grau nos libertou de todos os deveres?

— Pois então — disse ameaçadoramente o ancião — lembra-te de que, se o juramento te não fizer calar, nós te faremos calar doutra maneira. Temos irmãos por toda a parte, Loiola.

Inácio sentiu um calafrio penetrá-lo até à medula dos ossos mas o rosto não manifestou senão um profundo desprezo. Um momento depois, pela escarpada encosta de Mont-Serrat caminhavam os sete homens que, conduzidos pelo gênio de Inácio de Loiola, viam constituir a famosa Companhia de Jesus, cujos atos e tenebrosas tiranias haviam de causar o assombro e o terror do mundo.

Copiado do livro O Papa Negro, de Ernesto Mezzabota.
(1848)

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Fragmentos históricos da Companhia de Jesus



Papa Clement-XIV

Fragmentos históricos da Companhia de Jesus

— O padre Ricci que se apresente imediatamente!. . . — ordenou o sumo pontífice.

Clemente falava excitado, imperioso, como um homem que procede sob a influência de uma espécie de febre. A sua ordem foi imediatamente cumprida.

Entrou o padre Ricci, geral dos jesuítas.

Era um homem de estatura elevada, magro, seco, com a vasta fronte desguarnecida de cabelos. Aqueles olhos profundos, a ossatura do rosto, e especialmente do queixo, indicavam uma natureza cautelosa e regrada; verdadeiro chefe de uma tribo de privilegiados, que resistia ao assalto de todo o mundo.

— Padre Ricci — disse o Papa em voz sacudida — recebestes o resumo que vos mandei entregar das acusações que de toda a parte se levantam contra a Companhia?

O Papa Negro inclinou-se com um sinal afirmativo.

— Pois bem, eu impus à Companhia que obtemperasse aos abusos indicados nessas queixas. Que tem feito a Companhia para dar satisfação às legítimas exigências dos príncipes católicos, e às minhas ?

— Nada, beatíssimo padre — disse com imperturbável calma o geral.

— Nada! — exclamou Lourenço Ganganelli, cujo rosto purpureou-se de cólera. — Às minhas ordens, às recomendações feitas para bem da cristandade, responde-se dessa maneira?

— A Companhia dá a todo o mundo o exemplo do respeito e do acatamento à Santa Sé. Que o Sumo Pontífice faça um sinal, e todos os jesuítas, desde o geral até ao último noviço, afrontarão com prazer o martírio pela honra do Papado.

— E para o honrar — disse Clemente encolerizado — começais por desobedecer às suas ordens ?

— Nós cumprimo-las escrupulosamente, Beatíssimo Padre — afirmou com serenidade o jesuíta.

— Cuidado, padre!. . . Eu não estou disposto a tolerar as cavilações da vossa casuística!. . .

— Não há nisto cavilações, Santidade — disse o geral, a quem a chicotada daquela acusação fez purpurear as faces. — O Papa ordenava-nos que déssemos de mão às nossas miras ambiciosas, que expulsássemos dentre nós os irmãos corrompidos, simoníacos, concusores; que volvêssemos para as coisas do céu a nossa atividade que aplicávamos à satisfação das nossas ambições políticas. . .

— E então?

— Então, Santidade, não existem ambiciosos na Companhia Jesus; não existem entre nós Jesuítas manchados das graves culpas, que com toda a justiça o Sumo Pontífice quer reprimir. Por isso não tivemos ocasião de castigar, porque não existiam tais culpas.

Clemente ficou algum tempo confundido pela audácia desavergonhada daquele homem.

Negar as ambições políticas de uma companhia que, para conseguir os seus fins, não recuara diante assassínio de um rei como Henrique IV, e que ainda agora estava fundando na América, à custa das coroas de Portugal e de Espanha, o império do Paraguai, era uma audácia de que só seria capaz um homem como o padre Ricci.

Todavia, Clemente bem depressa readquiriu o seu terrível sangue frio:

— Está bem. Louvo a diligência do geral da ordem, e não duvido de que ela tenha sido grandíssima, apesar de não ter dado resultado algum. Mas as informações que eu tenho são diferentes, fundado nelas, tomei acerca da Companhia as decisões que ides rever. . .

— Mas Vossa Santidade. . .

— Eu julgo como soberano, e inapelavelmente — disse com altivez o Papa. — Desapareceu o momento de discutir, agora chegou o de obedecer.

O geral sentou-se, e o Papa ditou:

“São suprimidos os conventos dos jesuítas em todos os sítios onde o governo católico do país o exigir por justos motivos de interesse público;

“Nos outros países o número das casas professas e dos noviciados será reduzida à metade;

“Será vedado aos jesuítas receberem noviços de idade inferior a vinte anos, quando tenham o consentimento dos pais; e a vinte e cinco, se faltar esse consentimento;

“Os jesuítas estarão, em todas as dioceses, sujeitos à autoridade do bispo, e deixarão de ter efeito todas as dispensas e privilégios em contrário”.

“É concedido indulto pleno e inteiro aos governos que até hoje se têm apoderado dos bens dos jesuítas, contanto que o produto deles tenha sido aplicado a obras de caridade e de religião”.

Ricci escrevera este fulminante decreto, que num momento destruía a obra de dois séculos, sem que o seu rosto de mármore traísse a menor comoção. Mas quando o Papa lhe ordenou que assinasse, o geral ergueu-se.

— Vossa Santidade consinta que eu não assine — disse o geral, pálido e com os dentes cerrados.

—- Vós haveis de assinar, padre Ricci. O geral da Ordem deve-me obediência absoluta, segundo o seu juramento, e vós sabeis as penas que se aplicam aos perjuros.

— Eu já não sou geral da Ordem. Queira Vossa Santidade aceitar a minha demissão, e proceder à nomeação do meu sucessor.

— Tende cuidado, padre Ricci!. . . — disse ameaçadoramente Clemente XIV — lembrai-vos de que esta reforma, se for lealmente aceita, é a última esperança de salvação da Companhia.

— Os meus irmãos não aceitarão a salvação oferecida por tão alto preço. A Companhia de Jesus foi instituída por Inácio de Loiola, sobre as atuais bases, imutáveis; os jesuítas não podem alterá-las sem faltarem ao seu dever. Sint ut sunt, aut non sint — ficam como estão, ou deixam de existir.

— Pois bem! deixarão de existir! — exclamou Clemente XIV, no auge da indignação.

E correu para a mesa, onde estava já pronta a Bula para a supressão da Companhia de Jesus, maravilhoso documento de perspicácia, de lógica, de verdadeiro sentimento cristão, formidável libelo contra os jesuítas, dirigido por um Papa a todo o orbe católico.

Clemente assentou-se e assinou na parte em branco do pergaminho:

“Dada em Roma, sob o anel do Pescador. . .

Clemente, Papa XIV”.

— Padre Ricci, curvou-se, como se aquela declaração, que convertia num simples frade um homem até então mais poderoso do que todos os Reis da terra, não lhe causasse a mínima impressão.

— Vossa Santidade resolveu na sua alta sabedoria; — disse e1e com humildade — a nós só nos cumpre curvar a cabeça e obedecer. Não me resta senão perguntar a Vossa Santidade que convento me destina para refúgio da minha velhice.

Clemente tocou a campainha.

— O capitão das guardas suíças — ordenou ele ao criado. Quando entrou o capitão, um homenzarrão de aspecto marcial, o Papa disse-lhe, apontando para o frade:

— Capitão, tende o cuidado de conduzir o reverendo à fortaleza do Castelo de Santo Ângelo. Levai convosco os homens necessários para o cumprimento da vossa missão.

O capitão curvou-se.

— Entregai esta carta ao governador do castelo — acrescentou Clemente, que naquele meio tempo tinha escrito algumas linhas num papel. — Dizei-lhe que a cabeça dele me responde pela execução dessas ordens.

— Vossa Santidade será obedecida — disse o capitão, aproximando-se do frade, para, se fosse preciso, lhe deitar a mão.

Mas o geral dos jesuítas recuou, e com um olhar altivo deteve o capitão a distância; inclinou-se respeitosamente diante do Papa, depois cruzou os braços sobre o peito e saiu, acompanhado pelo suíço, como um embaixador que se faz reconduzir pelo seu capitão das guardas.

Mal o padre Ricci tinha desaparecido, o visconde de Savedra, embaixador de Portugal, que do lugar onde estivera escondido não perdera uma sílaba daquele colóquio, saiu do seu esconderijo e lançou-se aos pés do Papa.

— Vossa Santidade — disse o português — foi muito além das minhas esperanças. Nunca a autoridade e a majestade de um soberano e de um Pontífice encontraram expressões mais nobres. O mundo inteiro, Santo Padre, há de aplaudir a vossa magnânima resolução!

Clemente estava absorvido em profundos pensamentos.

— Vedes esta Bula, visconde?. . . — perguntou ele num tom de voz triste ao embaixador de Portugal.

— A Bula para a supressão dos jesuítas?... o monumento que há de eternizar o nome de Clemente XIV?

— Pode ser — disse Clemente, sorrindo com melancolia — mas no entanto lembrai-vos bem disto, visconde, e recordai-o quando chegar a ocasião. . . Assinando hoje este pergaminho, — e pôs a mão sobre a Bula — eu firmei a minha sentença de morte!

A Cúria e as ordens religiosas tinham prejudicado grandemente o prestígio da Igreja; Clemente XIV pensava em reformar a Cúria, em olhar com um cuidado severo pelas plantas parasitas das ordens religiosas, suprimindo sem o menor escrúpulo aquelas que não fossem compatíveis com as exigências do tempo.

A ordem mais temida e naturalmente mais odiada era a dos jesuítas.

Havia dois séculos que em todo o mundo católico a Ordem formava uma barreira insuperável contra qualquer reforma que implicasse progresso ou liberdade. Os reis que aceitavam o domínio jesuítico eram escravos da Ordem; os que repeliam esse domínio tinham a certeza de que, cedo ou tarde, haviam-se de acabar mal.

Desde que Henrique IV — o rei querido do seu povo como nenhum o fora até então, o chefe da Europa liberal cristã — desde que Henrique IV fora assassinado por um agente da Companhia de Jesus, Ravaillac, nenhum príncipe podia ter a certeza de que, em caso de resistência às vontades da Companhia, o não esperasse um pouco de veneno ou uma punhalada.

Apesar disso, durante muito tempo não explodiu a ira dos poderosos contra os Jesuítas.

Clemente XIV, que num ímpeto do seu coração generoso expusera a vida para libertar a humanidade de um vampiro insaciável, pagou aquele seu heróico cometimento.

Assaltou-o uma doença misteriosa. Em toda a Europa se faziam votos ardentes para cura do ilustre pontífice, do santo sucessor dos apóstolos, mas esses votos não foram ouvidos.

Afinal, o povo, com o seu instinto infalível, não se enganou. O povo sabia de que moléstia morria o infeliz Pontífice Clemente XIV morria envenenado.

Do fundo do seu cárcere, no castelo de Santo Ângelo, o padre Ricci dirigia a vingança. Não se contentaram com ver morto o vigário de Cristo, quiseram que a morte dele fosse acompanhada de horríveis sofrimentos, para que de futuro nenhum outro se arriscasse a tentar nada contra a Companhia.

Porque, apesar de suprimida e dispersa, a terrível sociedade existia sempre. Ela já não tinha nem existência oficial nem hábito particular, mas os seus filiados enchiam os salões do Vaticano, rodeavam o mártir moribundo, e misturavam-lhe o veneno na comida e na bebida.

Mas quando afinal Clemente foi morto, quando a implacável crueldade que o tinha ferido já não tinha diante de si senão um cadáver, então é que se manifestou o poder da Companhia de par com a sua ferocidade.

Os médicos tinham descoberto o veneno; terríveis ameaças obrigaram-nos a calarem-se, e o Papa foi enterrado sem pompa e sem que o vingassem.

E não foi só isso; apenas ele desceu à sepultura, a satânica alegria dos filiados venceu a cauta prudência habitual da Ordem.

Em breve saíram à luz folhetos e poesias, em que a horrível morte do mal aventurado Pontífice era apresentada como um justo castigo, que a Providência quisera aplicar ao destruidor dos jesuítas. A memória do Papa foi dilacerada por calúnias sem conto, e os jesuítas, livres do seu grande inimigo, trataram de recomeçar a interrompida obra da conquista do mundo.

Copiado do livro O Papa Negro, de Ernesto Mezzabota.

(1848)