sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Rivail maçom?(Kardec)

Allan Kardec


Rivail maçom?(Kardec)

Querem alguns biógrafos que Rivail pertenceu à franco-maçonaria, "ainda que nenhum traço de sua iniciação tenha sido descoberto", conforme ressalvou Jean Vartier.Tudo porque na sua obra espírita se encontram termos e expressões maçônicas, como "grande Arquiteto" (que é imitação de Platão), e, mais amiúde, "tolerância", "liberdade", "igualdade", "solidariedade", etc.

Com esse raciocínio, ninguém deixaria de ser maçom, inclusive nosso Padre Antonio Vieira, que igualmente usou, no século XVII, a expressão "supremo Arquiteto" como sinônimo de Deus.

Consideramos, assim, bastante insuficientes essas alegações, e mais: se na França daquela época todo mundo era maçom, logicamente se achavam muito disseminadas a linguagem e as idéias maçônicas. E Rivail, como é natural e compreensível, poderia ou deveria ter sofrido a influência do pensamento maçônico.

Parece que a primeira pessoa a maçonizar Rivail teria sido Mme.Calude Varèze, em sua obra "Lês Grands Illuminés"(Paris, 1948), e foi mais longe: afirmou que ele se iniciara na maçonaria martinista por intermédio do lionês Jean-Baptiste Willermoz (1730-1824), discípulo do fundador Martinès de Pasqually (1727-1774). Este místico, filho de gentil-homem francês de origem portuguesa, nascido em Grenoble, teve também outros seguidores ilustres, como Louis-Claude de Sanit-Martin. Nas lojas martinesistas, os maçons altamente graduados se punham em comunicação com os seres invisíveis, que, no entender deles, não eram seno os chamados anjos das igrejas.

Willermoz mantivera correspondência epistolar com Pasqually, Joseph de Maistre, Saint-Germain, Cagliostro, Savalette de Lange e outros notáveis místicos e ocultistas da época. Segundo René Lê Forestier, Willermoz "foi um desses magnetizadores espiritualistas que acreditaram encontrar no sonambulismo provocado o meio de comunicação com o mundo supra-sensível". Realizavam-se nas lojas martinistas e Willermozistas, em salas convenientemente preparadas, verdadeiras sessões espíritas, nas quais manifestações físicas e inteligentes do Além coroavam as reuniões dos irmãos "eleitos".

Em razão, talvez, de tudo o que expomos é que Mme. Calude Varèze se adiantara em estabelecer uma ligação entre Rivail e Willermoz, ligação que Jean Vartier contraria frontalmente, demonstrando sua inaceitabilidade e reconhecendo na autora excesso de imaginação.Todavia, Vartier não acha improvável que Rivail tenha tido formação maçônica, e pergunta se ele não teria sido obscuro irmão de uma loja ao mesmo tempo deísta e iluminista, ressaltando, no entanto, como o faz A. Moreil, que o ilustre pedagogo francês renunciara aos formalismos e simbolismos e a todo o aspecto ritual e secreto da maçonaria.

Recentemente o fascículo 58 da coleção "As Grandes Religiões", publicada por Abril Cultural S.A., de S. Paulo, registrou na margem da pagina 916 que Rivail, antes de vir a ser o Codificador do Espiritismo, pertencera à Grande Loja Escocesa de Paris. O ilustre confrade Doutor Canuto Abreu investigou o assunto e foi informado de que o autor daquela nota é o Prof. G. Mândelo, da Universidade de Turim(Itália), especialista em história de religiões e seitas.O referido fascículo chegou a estampar, em página inteira, os paramentos maçônicos que Rivail teria usado, fotografados, segundo a mesma publicação, na Sociedade dos Direitos Humanos, de Paris.

A nosso ver, porém, e escudados na longa e afanosa pesquisa que fizemos, inclusive nas coleções da "Revue Spirite", apenas existiu, entre Rivail e maçonaria, afinidade de princípios e ideais, sem jamais haver ele ingressado em loja alguma. É certo que sempre viu com simpatia a franco-maçonaria, mas isto não implica nem prova qualquer adesão oficial da parte dele.

Amigos maçons, alguns íntimos, ele os teve, antes e depois de codificar a Doutrina Espírita.A "Revue Spirite" de 1881, pág.; 101, cita, por exemplo, o nome de J. P. Mazaroz, autor de várias obras sobre a franco-maçonaria e cuja grande preocupação fora a reivindicação dos direitos do trabalhador.

Em 25 de fevereiro de 1864, estando presentes na Sociedade Espírita de Paris vários maçons estrangeiros (inclusive maçons espíritas), Rivail(Kardec) pergunta aos Espíritos acerca da cooperação que o Espiritismo pode encontrar na franco-maçonaria. Em três mensagens recebidas por médiuns diferentes, foi-lhe respondido que a doutrina espírita pode perfeitamente vincular-se às das Grandes Lojas do Oriente, e vice-versa, exatamente porque o Espiritismo realiza todas as aspirações generosas e caritativas da maçonaria, porque ele sanciona as crenças por ela professadas,fornecendo provas insofismáveis da imortalidade da alma,e, afinal, porque ele conduz a Humanidade ao mesmo fim que ela(maçonaria) se propõe: a união, a paz, a fraternidade universal, pela fé em Deus e no porvir.

Na verdade, as relações entre espíritas e maçons sempre foram as melhores possíveis, tanto assim que, em 1899, a abertura do Congresso Espírita e Espiritualista Internacional, em Paris, se deu precisamente no salão de festas do Grande Oriente de França, onde Jules Lermina foi empossado como presidente do Congresso.

ZêusWantuil e Francisco Thiesen

Allan Kardec-Meticulosa pesquisa biobibliográfica.

Editora FEB - Rio



Estou pesquisando em outras fontes. Breve postarei mais informações.

TFA

GERALDO FERNANDES



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

OS SETE DEGRAUS


Grãos Mestres de seis estados nordestinos reunidos em Lavras da Mangabeira - CE.


OS SETE DEGRAUS E SUA IMPORTÂNCIA SIMBÓLICA NO APRIMORAMENTO MAÇÔNICO.

Luis Henrique Miranda Griffo – M\M\

A complexidade e a diversidade dos símbolos que nos são apresentados na maçonaria são muitos e todos, sem exceção, nos servem para uma profunda reflexão visando principalmente o aprimoramento interior e a conseqüentemente evolução do Homem Maçom. Podemos classificar de uma forma geral este simbolismo maçônico em duas classes bem definidas: os símbolos materiais e as virtudes, ou idéias, que estes exprimem. Tal complexidade se dá pelo fato da maçonaria ter herdado de diversas escolas (sejam estas de cunho místico, esotérico, religioso ou político), uma grande quantidade de símbolos, sendo necessário ao Maçom um estudo constante e atencioso do momento histórico da humanidade quando este ou aquele símbolo foi introduzido em nossa Ordem.

O Templo maçônico é uma alegoria que nos remete a construção do Templo do Rei Salomão, sendo o mesmo dedicado a “morada” do Deus de Abraão, Isaac e Israel (Jacó), sendo esta casa antes prometida em diversas passagens bíblicas e efetivamente erguida por Salomão, filho de Davi. Temos diversas referências da arquitetura deste Templo no livro de Reis II, mas, ao observarmos seus utensílios não conseguimos ver ornamentos e paramentos como corda de 81 nós, pavimento mosaico, Delta luminoso, Estrelas, etc. Este fato nos atesta à influência que outras culturas deixaram ao passarem seus adeptos pela Maçonaria. O REAA baseia-se, fundamentalmente, nas origens israelita-salomônica, onde herdamos ensinamentos de altíssimo esoterismo.

Vamos agora, após esta breve introdução, voltarmos nossos esforços para o tema deste trabalho, qual seja, os sete degraus que dão acesso ao Trono de Salomão e sua importância no aprimoramento moral do Maçom.

Os quatro primeiros degraus estão situados no Ocidente e dão acesso ao Oriente, entre a balaustrada que divide os dois pontos cardeais no eixo da Loja. O primeiro degrau representa a Força, virtude esta que está relacionada com a vontade de empreender esforços ilimitados para sairmos da inércia que nos aprisionam em um determinado ponto que nos impede o progresso. É somente através da Força que iremos efetivamente acessar ao segundo degrau, que é o Trabalho. O Trabalho aqui pode ser decifrado como o resultado da Força antes empreendida, pois é através de seus resultados que podemos afirmar que todo o tipo do mesmo enobrece o Homem. O Trabalho aqui não é exclusivamente o que nos dá “o pão nosso de cada dia”, mais também o Trabalho incessante do Maçom, que está em desbastar constantemente a sua Pedra Bruta em busca de seu aprimoramento.

Uma vez concluído este trabalho toma o Maçom conhecimento da Ciência, que é o nosso terceiro degrau em ascensão ao Trono da Sabedoria. Ciência é à base das Artes ou Ciências Liberais, decomposta e, a saber: em trívio (Gramática, Retórica e Dialética); e em quatrívio (Aritmética, Geometria, Astrologia e Música), que formam à base do desenvolvimento e consolidação do nosso atual sistema educacional.

Avançando-se no estudo e compreensão da Ciência podemos então somá-la a Virtude, que em nossa concepção é um montante de conceitos latentes no Ser Maçom. Diz-se que a Virtude é o último degrau do Ocidente pelo fato de, somente após a escalada dos demais, pode o Maçom, através da introspecção, alimentar sua alma com os conceitos aprendidos anteriormente. Sem eles não teria como se ter princípio basilares para as principais Virtudes, onde podemos destacar, dentre outras, a Lealdade, a Fidelidade, a Honestidade, a Bondade, o Desapego e o Amor, dentre outras tão necessárias para que os Irmãos vivam em União Fraternal.

Acima deste “último degrau” do Ocidente observa-se uma superfície plana, onde a denominamos como Oriente. Ao analisarmos a linha que compreende entre o último degrau do Ocidente e o primeiro degrau que dá acesso ao Trono de Salomão temos, ao centro, o Altar dos Juramentos e, sobre este, o Livro da Lei. Não foi por acaso que este foi ali introduzido. Sua disposição atual deve nos remeter a reflexão de que nada terá real praticidade se não forem observados e cumpridos os códigos morais estabelecidos no Livro da Lei. Este cumprimento não deve aqui ser encarado como uma rigidez dogmática e inflexível. Devemos primeiro interpretar, já que a Bíblia é um livro complexo, a mensagem cifrada contida em seus infinitos ensinamentos. Há cerca de 2.000 anos, o mestre cabalista Rabi Shimon bar Yochai disse que “quem aceita o Tanach literalmente é um tolo”. Um dos problemas mais conflitantes das religiões ditas cristãs está justamente na forma como o líder destas interpretam as leis contidas em seu Livro Sagrado e, a seu “bel prazer”, conduzem o povo na ignorância e nas rédeas de um sistema intimidador e penitencial onde “deus” (com letra minúscula mesmo) castiga o homem que não dá seu dízimo em detrimento de seu crescimento espiritual e, principalmente, material. Maçonaria é tarefa de Libertação e em nada se assemelha a quaisquer sistemas escravocratas. O Livro da Lei nos serve como referência das grandes conquistas e a libertação de um povo em busca da Luz Permanente. E são estas lições e passagens que irão preparar o Maçom a ascender ao Trono de Salomão, ou o tão justamente denominado Trono da Sabedoria.

No primeiro degrau do Oriente temos a Pureza, pelo qual podemos associá-la a Fé. Só podemos cultuar a Fé quando estamos puros de todas as influências malignas, pois a Fé é um estado constante e divino de conexão com o GADU. Ser puro é limparmos nossos corações antes de comungarmos com o Criador nossas fraquezas e sucessos, pois “até o mais puro Mel azeda em um recipiente sujo”, e é sobre estas condições que subiremos ao segundo degrau.

Chegamos então na perspectiva da Luz, onde a Esperança nos faz julgar que existe um mundo melhor que este em que nosso corpo físico veste nossas almas. Ver a Luz é abrirmos nossas mentes para um novo conceito, para uma nova fase, para um verdadeiro renascimento; tendo em vista que devemos sepultar o velho homem que vivia nas trevas da ignorância. Na maçonaria a Luz nos é dada no momento de nossa Iniciação. Mas esta só nos é revelada em um momento oportuno. Estar na Luz é rasgar definitivamente o véu que protege o Sanctum Sanctorum e ver, face a face, a Verdade.

Este último degrau, a Verdade, só poderá ser alcançado após um longo período de aprimoramento interior. Todas as escolhas deverão ser fruto de intensa meditação, para então serem refinadas. A Verdade é o nossa maior conflito, posto que existem em um único acontecimento três perspectivas da mesma. Ou seja, a versão de um lado, a versão do outro e a Verdade de fato. E é neste ponto, a Verdade absoluta, que muito de nós se julgam mais sábios, mais conhecedores, mais sagazes que os outros. Como a Maçonaria está além do que os nossos cinco sentidos possam conceber, podemos considerar que a mesma é dotada de um “sistema de autodefesa”. Este dito “sistema” expurga de seus quadros os excessos e posturas não condizentes com seus princípios, sempre praticado por àquele que não se deixa iniciar. Não adianta dissimular, pois o GADU nos conhece na essência, forma etérea do Ser. Todos os nossos defeitos podem ser mascarados, mas ninguém consegue ser o que não é por muito tempo, e logo a Verdade vem à tona.

Deste aprendizado concluímos que a Caridade não é tão somente o que efetivamente fazemos para com os menos afortunados. A Caridade para com a Loja física também advém da Loja Celestial. Não é a nossa Oficina quem, através de um processo eleitoral, elege um irmão Mestre Maçom para o veneralato. Esta decisão não poderia ser unicamente através das falhas mãos humana, já que a figura do Venerável Mestre transcende as obrigações administrativas, tornando-se este também um líder espiritual do grupo. Uma espécie de “célula matriz” na formação do arquétipo da Loja, onde o sucesso e o fracasso do grupo dependem de sua Força, seu Trabalho, sua Ciência e sua Virtude, para que uma Sessão dedicada ao GADU seja plena em Pureza, Luz e Verdade.

Finalizando, após discorrer sobre todos os aspectos ora citados, podemos concluir que não é tão somente o tempo de Ordem que determina se um Irmão Maçom tem os preceitos para ser Venerável Mestre de Loja. Mais sim pelo fato do mesmo ter atravessado um percurso árduo até, por merecimento e experiência, tomar assento no Trono de Salomão. E o motivo para tal processo é louvável e necessário, pois uma vez ali posto este irmão representará a Sabedoria de todos nós. Deste processo dependeu, depende e sempre dependerá a Maçonaria Universal e, neste Universo de símbolos que estamos imersos, os sete degraus que estão em nosso Templo representam o caminho que deverá ser seguido por todos nós, com passos firmes, sempre para frente e para o alto.




Os maçons Marcelli Sena, João Marcelino e Walter Sarmento,
comemorando o Dia do Maçom.




























quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A Primeira Grande Loja

Primeira Loja Maçônica.

A Primeira Grande Loja

A primeira federação que reuniu as Lojas maçônicas sob uma obediência coletiva institucional, foi a Grande Loja de Londres, fundada em 24 de junho de 1717, através da associação participativa de quatro Lojas que, até essa data, se reuniam de modo independente.

Não havia rito com graus seqüenciais como temos no presente. Duas cerimônias apenas, faziam parte da caminhada evolutiva do maçom no seu processo Iniciático: a Recepção a um Candidato e a Passagem do Aprendiz para o Grau de Companheiro.

Além dessas, um evento especial, que era realizado uma vez ao ano após a eleição de um Companheiro para a presidência da Loja, marcava a exaltação do mesmo à condição de Mestre Instalado no cargo. O grau de Mestre Maçom ainda não havia sido criado.

Para os líderes da fundação da Grande Loja, a maçonaria era um culto secreto destinado a conservar e difundir a crença na existência de Deus, ajudar os maçons a ordenarem sua vida e orientarem o seu procedimento, segundo os princípios de sua religião.

Posteriormente, a idéia sobre fé religiosa tornou-se menos rígida entre os maçons anglo-saxões, que, não obstante, continuaram admitindo apenas os crentes monoteístas.

Valorizavam, essencialmente, a presença do Livro das Sagradas Escrituras durante os trabalhos, como símbolo da vontade revelada de Deus. O pensamento nuclear do maçom inglês hoje é a prática de uma moral capaz de unir todos os homens, sejam quais forem suas crenças.

 
Ir.·. Luis Henrique Griffo





terça-feira, 23 de agosto de 2011

Sessão Maçônica Motivadora



Sessão Maçônica Motivadora

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Considerações a respeito promoção de sessões maçônicas motivadoras imprescindíveis para a sobrevivência da Maçonaria.

O objetivo do maçom em loja é participar de sessão maçônica motivadora para realimentar sua alma na vivência do dia-a-dia. Sessões com assuntos administrativos reduzidos ao mínimo para sobrar mais tempo para degustar bons pensamentos em animadas atividades que visam o crescimento e a autoeducação. O tempo de instrução e estudos é a alma da sessão maçônica!

Cabe apenas aos aprendizes e companheiros maçons a tarefa de manterem acesa a chama do pensamento maçônico? Aprendizes e companheiros são pessoas sedentas de informações e conhecimentos ou os instrutores nas sessões? Instrução é dever do mestre maçom! Ultimamente os aprendizes e companheiros, e só estes, por obrigação regimental, apresentam peças de arquitetura, trabalhos de cunho intelectual visando aumento de salário. Por que os mestres maçons não se encontram motivados para tal? Faltam provocações! Carecem de debates e conversas informais dos assuntos da Maçonaria dentro e fora da loja. Tristemente, são comuns os aprendizes e companheiros ensinarem de forma proativa enquanto os mestres maçons dormem! Como aconteceu isto? Porque o mestre maçom está tão desmotivado? São as sessões maçônicas desmotivadoras! Ou o mestre desce do pedestal em que ele foi colocado em resultado de sessões monótonas ou deixa de ser o eterno e motivado aprendiz ou deixa a ordem maçônica! Esta última é a realidade universal!

Mestre motivador e motivado nasce do atrito com os outros intelectos que o acompanham numa sessão maçônica, daí a importância de debates. A tarefa dos embates por pensamentos em animadas argumentações é arrancar lascas de imperfeição das pedras uns dos outros, o polimento exige trabalho, atividade em equipe - não é assim que são formadas as pedras roladas dos fundos de rios? Uma pedra vai batendo na outra até que todas adquirem formas harmoniosas, quase lisas, nunca perfeitas, apenas aperfeiçoadas. São pancadas ora suaves ora bruscas, mas continuas! O resultado são pedras diferentes umas das outras: grandes, pequenas, achatadas, ovais, arredondadas, mas nunca perfeitas. Cada pedra mantém sua forma própria e reflete a luz com maior ou menor intensidade, dependendo de quanto ela rolou em contado com outras pedras maiores e menores, até com pedras tão pequenas como grãos de areia. Todas se modificam pelo atrito constante. Não há necessidade de erudição elevada, apenas conhecimento médio já é suficiente numa motivadora sessão maçônica, é semelhante à diversificação das pedras do fundo dos rios. Em verdade, basta apenas uma mente sadia - qualquer mente humana! O objetivo deve ser o canteiro de obras movimentado onde cada obreiro é aprendiz, um eterno aprendiz, mesmo que seja apenas um grão de areia em erudição ele vai influir no pensamento de seu irmão.

Promover debate em loja é retornar à prática da Maçonaria especulativa, que preconiza o filosofar, o estudo teórico, o raciocínio abstrato e investigativo, que usos e costumes deturparam a ponto de descaracterizar as sessões maçônicas. Urge despertar nos irmãos a salutar capacidade em desenvolver o pensamento em animadas discussões das coisas da sociedade e da ordem maçônica. O propósito central das sessões motivadoras é eliminar o inconformismo gerado pelo comparecimento semana após semana em loja apenas para ouvir o som seco, duro, impessoal dos malhetes, em detrimento do trabalho no polimento das pedras chocando-se umas nas outras no exercício do pensamento. Sessões sem debate e instrução mecânicas revelam perda de tempo; são vazias e sem propósito; devem ser defenestradas do templo. O obreiro da pedra deve terminar seu dia em loja com algo novo e consistente dentro da mochila que ele leva de volta para casa. Urge acabar com a mente desocupada, oca, vazia, cheia de lacunas em resultado de atividade passiva e deixar a capacidade de pensar fazer sua parte na construção do templo ideal da sociedade, onde cada homem é apenas uma pedra. Atividades motivadoras em loja levantam a egrégora, um campo de força do pensamento em uníssono e vibrante, algo revelado no brilho dos olhos dos participantes. Como é possível ver os olhos do irmão que dorme o sono dos anjos? O objetivo da Maçonaria é despertar o equilíbrio da razão, emoção e espiritualidade - quando poderão fazer isto se suas mentes estão adormecidas pelo enfadonho e repetitivo som monótono das mesmas ideias repetidas vez após vez?

O obreiro deve voltar à prática do salutar e edificante afiar da espada, a língua, e praticar o manuseio do maço e do cinzel, dar tratos à capacidade de pensar, que há muito foi substituído por outras atividades nada motivadoras; mesmices, tão entediantes que apenas embalam o sono dos ouvintes passivos. Urge incrementar a qualidade das sessões maçônicas de modo a torna-las motivadores de tal forma que estabeleçam contágio para edificantes conversas entre irmãos, o que é de fato o real objetivo da Maçonaria especulativa com sua filosofia e liturgia.

Mestres maçons devem ser compelidos na confecção de peças de arquitetura? Não! Ninguém é obrigado a fazer nada além do determinado pelas leis que regem a loja. O mestre maçom só confeccionará peças de arquitetura quando estiver inspirado para isto. Tais construções surgem no canteiro de obras principalmente se esta for a sua vontade e depois do obreiro se ver provocado por novas inspirações provindas em loja dos irmãos, das outras pedras, pedriscos e grãos de areia.

O salão é o mesmo, as músicas e o ritmo é que devem mudar. O baile será alegre e trará prazer aos dançarinos se a sessão for motivadora e entusiasta! O que interessa é cada músico dar o que tem de bom em si e animar o baile ao sabor de seus pensamentos temperados com alegria. O que se objetiva é alimentar com o sadio, construtivo e consistente alimento da filosofia maçônica. A sede de conhecimento maçônico deve ser aplacada para que o homem produza frutos. O gênio da motivação vem do ritmo impelido pelos músicos e maestro, onde todos participam da orquestra e ao mesmo tempo dançam ao som de seus pensamentos, sonhos e até devaneios. E assim, os dançarinos vão se movimentando na pista do tempo construído à semelhança de um rio e onde cada pedra lustra a outra para honra e à glória do Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:

1. DANTAS, Marcos André Malta, Do Aprendiz ao Mestre, Primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada, 248 páginas, Londrina, 2010;

2. PUSCH, Jaime, ABC do Aprendiz, segunda edição, 146 páginas, Tubarão Santa Catarina, 1982;

3. RODRIGUES, Raimundo, A Filosofia da Maçonaria Simbólica, Coleção Biblioteca do Maçom, Volume 04, ISBN 978-85-7252-233-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 172 páginas, Londrina, 2007.

Data do texto: 23/08/2011.

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, autor, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná.

Rito: Rito Escocês Antigo e Aceito

Local: Curitiba.

Grau do Texto: Aprendiz Maçom.

Área de Estudo: Cultura, Educação, Filosofia, Maçonaria, Pensamento.

Publicado no Blog Segredo Maçônico: http://segredomaconico.blogspot.com/2011/08/sessao-maconica-motivadora.html







segunda-feira, 22 de agosto de 2011




Charles Evaldo Boller


Vingança ou Justiça?

Charles Evaldo Boller

Sinopse: Repudiar a vingança e estabelecer o amor fraterno com educação como solução para os problemas da concorrência por recursos enfrentada pela humanidade.

A sociedade não deve punir para vingar, sua obrigação é a de ensinar o homem a melhorar cada vez mais. "Educai as crianças e não será necessário castigar os homens" (Pitágoras de Samos). O que se deduz da vida em sociedade real de hoje é que ela não ama seus componentes, embrutecida e insensibilizada pela ganância e o poder tornou-se subserviente a economia e espreme a todos até sobrar apenas bagaço.

É evidente que o homem é naturalmente bruto, fera sanguinária cuja única força limitadora atenuante de sua natural violência provém da lei e da intimidação que ela exerce. Lei escraviza. Lei é artifício para selar uma espécie de acordo entre os cidadãos de uma determinada sociedade. Concebida com o propósito dos cidadãos de determinadas sociedades não sucumbirem devido aos exageros dos mais fortes e bem dotados. Surgiu da necessidade de estabelecer regras de convivência que determinam, a priori, o que não é aceito em nome da convivência pacífica por uma sociedade específica, bem como as penalidades impostas àqueles que as desrespeitam. Cada sociedade estabelece suas próprias leis. O que é aceito em uma pode ser condenada em outra; não existe uniformidade universal; tentam, mas não conseguem devido à diversificação moral que é característica de cada grupo social. As leis vão crescendo em graus de complexidade até que se tornam uma carga muito pesada para ser suportada pelo cidadão comum, a exemplo do que aconteceu com a antiga lei mosaica que, na visão ocidental, o Cristo veio cumprir e que com sua morte foi totalmente eliminada, remanescendo apenas a lei do amor fraterno. As leis transformaram-se numa espécie de escravidão a que todo homem, que se diz civilizado, é submetido compulsoriamente.

As decisões que cada um tomava de sua própria iniciativa no Direito Natural passou a ser arriscado no jogo de azar da interpretação de um terceiro, um juiz, nem sempre competente e com frequência suscetível às influências dos donos do poder ou das amizades. Um avilte ao direito natural intuitivo. Com isto a sociedade tomou para si o direito de vingar do indivíduo e criou o que se denomina justiça - com letra minúscula. Em todos os tempos, em todas as sociedades, a Justiça foi usada pelos poderosos para oprimir os mais fracos e sem recursos. Mesmo que sua definição seja a busca do equilíbrio entre as partes, independente de condição social dar a cada indivíduo o que lhe pertence, em tempo algum ela ocupou esta posição, salvo nas ideologias e utopias teóricas, ou na concepção de uns poucos otimistas.

Existem os que ainda acreditam que a Justiça da sociedade está a seu dispor, isto é falácia! Na realidade a Justiça dos homens está a favor do dinheiro, do poder, da influência e da amizade. O engodo atravessa eras, em todas as sociedades a Justiça não só é usada por vingança, mas também para usurpar a liberdade do homem de ir e vir, tomando para si um direito de judiar e matar, usurpando o direito natural do individuo. "Platão disse: meu caro amigo Antíoco, pode-se perdoar de bom grado a confissão de qualquer homem amar-se excessivamente, mas, dentre os vários vícios que nascem desse amor próprio, um dos mais perigosos é aquele que impede um julgamento equilibrado e imparcial de si mesmo; pois a amizade deixa-nos facilmente cegos a respeito do que amamos, a menos que uma educação sábia tenha-nos acostumado a preferir o que é belo e honesto em si mesmo ao que nos interessa pessoalmente" (Plutarco o Biógrafo Grego).

Pena de Prisão

Uma das grandes judiações é a pena de prisão. É hipócrita, sórdida, desumana porque exclui o condenado da sociedade por muitos anos e até o resto da vida do infeliz. Por vingança a Justiça prende os que pecam contra a sociedade em lugares horrendos, afastando-os da sociedade. Hipocritamente a isto denominam ressocialização, tentativa de recuperar o homem para a sociedade. Entretanto, além de tomar um dos bens inalienáveis do homem, sua liberdade, esta ação cria uma sociedade de reclusos que, apartados da sociedade, concentram o mal em pequenos espaços; onde aumenta a concorrência, a disputa para definir qual é o mais malvado e cruel. As mazelas surgem exatamente porque a sociedade, desde tempos imemoriais se amontoa, e devido a isso disputa, guerreia e luta pelo espaço físico. Colocam-se homens uns ao lado de outros em prisões, propiciando condições muito piores para restaurar um desvio de conduta em sua maioria diminuto e que pela convivência piora; prolifera o contágio do mal. Muitos condenados são resultados da falta de educação, de cultura, de oportunidades, ou da melhor distribuição dos recursos. Ao amontoar o lixo social humano só se propicia a fermentação dos piores desvios de conduta. "O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele" (Immanuel Kant).

Prostituição Histórica da Justiça

Quantas mentes brilhantes foram caladas pelo despotismo de governantes e quantos santos foram queimados por praticarem o bem em desacordo com a vontade do grupamento humano em que viviam. Os assassinatos foram cometidos ao longo do tempo com todos os poderes de comum acordo: Religião, Legislativo, Executivo e Justiça. Uma prostituição continua ao longo das eras que em nome de um deus, do rei ou da pátria matou milhões de inocentes. A promiscuidade é perceptível ao se permitir a formação de grupos de meliantes que desafiam qualquer governo, que debocham daquelas instituições que alienaram o direito natural do homem e o transformaram em instrumento de vingança.

Diante desta horrenda realidade a Maçonaria em sua filosofia busca conscientizar seus adeptos da necessidade de não tomar a Justiça em suas próprias mãos, o que tornaria a vida insustentável em meio aos extremos de concorrência por mais recursos. A própria natureza já começa a mostrar os efeitos da característica extrativista do homem que nada colabora com a sustentabilidade e a exaure ao limite. Para conter o desastre, algumas lojas da Maçonaria Universal promovem debates e estudos do que pode ser realizado para minorar o sofrimento humano, mas é insuficiente. Deve-se primar por ação e não por reação. Já é tardia a reação à violência que assalta diariamente o cidadão correto e honesto. As prisões estão tão cheias que tem ladrão saindo pelo ladrão!

Ficam os questionamentos: deve-se deixar o povo morrer de fome; um bilhão de seres humanos de hoje padecem fome crônica todos os dias? Estaria a solução em mais uma guerra global, como era realizado na antiguidade? Que fazer no Brasil do carnaval e futebol onde a miséria enfeita vergonhosamente os barrancos das metrópoles? Aumentar a altura do muro, grades e alarmes monitorados evitam a violência? Pena de prisão resolve?

Penas de prisão em nada contribuem, antes aumentam o inchaço do problema onde a Justiça não tem força e com isto tornou-se impotente, demorada, inexistente. Na eventualidade de surgimento de sistema ditatorial, a força sem a Justiça se reduz a tirania. Sobra para sociedade investir em educação. Não confundir educação com aquisição de conhecimento. Assim como dito já nos tempos de Pitágoras, a educação preconizada pela Maçonaria atua junto aos seus adeptos. Em seus templos são cultuados virtudes e valores que permitem ao homem edificar-se com ferramentas simbólicas que incentivam arrancar as nódoas do homem para com isto glorificar a criação efetuada pelo Grande Arquiteto do Universo.

Bibliografia:

1. GAVAZZONI, Aluisio, História do Direito, Freitas Bastos Editora, 2005;

2. OLIVEIRA FILHO, Denizart Silveira de, Comentários aos Graus Filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito, 1997;

3. REALE, Giovani e ANTISERI, Dario, História da Filosofia, Editora Paulus, 1990;

4. ROUSSEAU, Jean-Jacques, A Origem da Desigualdade entre os Homens, Editora Escala, 2006;

5. SACADURA ROCHA, José Manuel de, Fundamentos de Filosofia do Direito, Editora Atlas, 2006.

Biografia:

1. Kant, conferencista, filósofo, maçom, professor e teólogo de nacionalidade alemã. Immanuel Kant nasceu em 22 de abril de 1724 em Königsberg. Faleceu em 12 de fevereiro de 1804 em Königsberg, com 79 anos de idade. O último grande filósofo dos princípios da era moderna, um dos pensadores mais influentes;

2. Pitágoras, filósofo e matemático de nacionalidade grega. Pitágoras de Samos nasceu em 26 de novembro de 582 a. C. Em Ásia Menor. Faleceu em 500 a. C. Fundador da Escola de Crotona, responsável pela criação dos números irracionais e do Teorema de Pitágoras;

3. Plutarco, biógrafo e ensaísta de nacionalidade grega. Plutarco o Biógrafo Grego nasceu em 46 em Queronéia, Beócia. Faleceu em 125, com 78 anos de idade. Tornou-se famoso pela sua obra Vidas paralelas dos gregos e romanos ilustres.

Data do texto: 02/03/2011.

Sinopse do autor: Charles Evaldo Boller, autor, engenheiro eletricista e maçom de nacionalidade brasileira. Nasceu em 4 de dezembro de 1949 em Corupá, Santa Catarina. Com 61 anos de idade.

Loja Apóstolo da Caridade 21 Grande loja do Paraná.

Rito: Rito Escocês Antigo e Aceito

Local: Curitiba.

Grau do Texto: Aprendiz Maçom.

Área de Estudo: Consciência, Educação, Filosofia, Justiça, Maçonaria.

Publicado no blog Segredo Maçônico: http://segredomaconico.blogspot.com/2011/08/vinganca-ou-justica.html



domingo, 21 de agosto de 2011

PLENITUDE


São João Batista




PLENITUDE

Depois de algum tempo você percebe a diferença, a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.

Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.Depois de um tempo, você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...

E aceita que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso. Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.

E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam. Percebe que seu amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, sempre devemos nos despedir das pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto. Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.

Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não te ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte... pois o tempo não é algo que possa voltar para trás.Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores. E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe, mesmo depois de pensar que não se pode ir além.

William Shakespeare

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Sobre os Primórdios da Maçonaria


Loja Maçônica Branca Dias.


Sobre os Primórdios da Maçonaria



Como estudiosos da filosofia, sabemos, há muito, que Vico é o pai da “Filosofia da História”, estereotipando-a com princípios de uma ciência nova. Sabemos mais que a “Filosofia da História” é, ainda agora, dominada por conceitos metafísicos, que dificultam a compreensão dos leigos no assunto. Vejam bem: falamos em conceitos metafísicos e não em “Conceitos Invencionistas”. O verdadeiro historiador não inventa nada!

Aliás, a “Filosofia da História” surge já no século XVIII, quando se chegou à conclusão de que, do conjunto dos fatos históricos, se poderia tirar uma lei geral do desenvolvimento da humanidade. Daí porque, pensamos nós, os historiadores maçônicos podem mesclar seus trabalhos com considerações gerais acerca da marcha evolutiva dos acontecimentos maçônicos.

Isto, porém, não significa que alguém tenha o direito de sair por aí “fabricando” uma história que lhe saia da imaginação, buscando dar-lhe contornos de História verdadeira. De nossa parte, fazemos questão de gritar aos quatro ventos que não somos e nem temos pretensões de chegar a ser historiador. Somos, isto sim, aqueles pesquisadores que se interessam pela verdade histórica. Se a História não aceita invencionices, a filosofia não admite mentiras. Desculpem-nos a força do termo.

O certo é que, se dizemos que a Maçonaria nasceu com os Essênios, ou com os Templários, ou com os Collegia Fabrorum, estaremos afirmando algo que não podemos provar, logo, podemos estar difundindo alguma coisa que seja pura invencionice. Se a História e a “Filosofia da História” não admitem inverdades, o que dizer então da Maçonaria?

O que desejamos deixar bem claro é que só pode-remos falar em Maçonaria Antiga, quando pudermos escudar-nos em documentos fidedignos. O mais antigo documento que se conhece da chamada Maçonaria Antiga, ou Operativa, ou de Ofício é o Poema Régio, que é de 1390, portanto, século XIV. Tudo o que se disser anterior a essa data não passa de pressuposição. É mister que nos acautelemos com as invencionices de quem não teve ou não tem coragem de investigar, de buscar a verdade em documentos que mereçam fé. Há muita gente que vai atrás do “ouvi dizer”. A verdade é que ainda há escritores Maçons que propagam que a “origem da Maçonaria” se perde nas “névoas da antigüidade”.

Nenhum pesquisador honesto embarca na canoa furada daqueles que teimam em afirmar que a Sublime Instituição existe há milhares de anos. Só os “inocentes” podem acreditar na absurda afirmação de Anderson, no seu primeiro livro das “Constituições”, de que – Adão – nosso primeiro pai, criado à imagem e semelhança de Deus, devia ter possuído as ciências liberais, principalmente a geometria, escritas em seu coração. Baseado nisto, ainda hoje, há quem ensine que a Maçonaria tem seu início no Paraíso terrestre.

Jean Palou reconhece que as origens da Maçonaria estão muito longe de serem claras e não poderia ser de outra forma, e acrescenta: “Anderson faz remontar a Franco-Maçonaria a Adão, sem dúvida por não poder ir mais longe e por lhe faltar a ousadia de atribuí-la ao próprio Jeová”.

É evidente que a falta de documentos e registros dignos de crédito, envolve a Maçonaria numa penumbra histórica, o que faz com que os fantasistas, talvez pensando em engrandecê-la, inventem as histórias, sem pé nem cabeça, sobre os primórdios de sua existência. Há aqueles que ensinam que ela teve início na Mesopotâmia, outros confundem os movimentos religiosos do Egito e dos Caldeus como sendo trabalhos maçônicos. Há escritores que afirmam ser o Templo de Salomão o berço da Maçonaria.

O que existe de verdade é que a Maçonaria adota princípios e conteúdos filosóficos milenares, que foram adotados por instituições como as “Guildas” (na Inglaterra), Compagnonnage (na França) e Steinmetzen (na Alemanha). O que a Maçonaria fez foi adotar todos aqueles sadios princípios que eram abraçados por instituições que existiram muito antes da formação de núcleos de trabalho que passaram à história como o nome de Maçonaria Operativa ou de Ofício.

O Ir.·. Darley Worm, em excelente trabalho intitulado “Nuvens Preocupantes nos Horizontes da Maçonaria”, assinala com muita propriedade que “Para obtermos a idade da Maçonaria, temos de distinguir a Instituição, dos seus conteúdos, estes sim, milenares, conforme alguns autores; eternos, segundo outros... Os conteúdos que a Maçonaria assumiu já eram milenares quando Salomão nasceu na casa de Davi e é puro delírio febril alguns historiadores falarem em Maçonaria Arcaica, Antiga ou Arqueológica. Os conteúdos com que lidamos hoje, já eram veneráveis para as Escolas de Mistérios (Elêusis, etc.), para os teosofistas, para os rosacruzes, para os gnósticos, para os alquimistas, para os Collegia Fabrorum; ainda que tenham um grande número de pontos em comum. Mas nem Pitágoras, nem Jesus, nem Platão, etc., eram Maçons, pela simples razão de que a Maçonaria (como Instituição) nem havia sido criada”.

De algum tempo para cá, após a criação da Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil”, de Londrina, têm surgido historiadores e pesquisadores Maçons que se têm dedicado, de corpo e alma, como lá se diz, à busca de documentos primários ou secundários que possam trazer luzes aos mistérios que envolvem a Maçonaria primitiva. Frederico Guilherme Costa, historiador maçônico de primeira água, no seu livro “Maçonaria na Universidade- 2”, diz que “O conjunto de organizações de Ofício, principalmente medievais, é conhecido com o nome de Maçonaria Operativa ou de Ofício. Sempre existiram, no passado remoto, associações de operários ligados à arte de construir, mas não eram organizadas na forma das futuras corporações com sentido corporativista. Alguns autores sustentam o ponto de vista de que a primeira associação organizada por rígidos estatutos foram as dos Collegia Fabrorum romanas, criadas no séc. VI a. C.. Na antiga Roma, os colégios representavam corporações profissionais tidas como fundadas por Numa Pompílio. Apesar de alguma semelhança nos costumes dos colégios com a futura Maçonaria do período operativo, nada nos autoriza a identificação destes colégios com a futura Ordem Maçônica, sequer como paradigma”.

Frederico Guilherme Costa, depois de muita pesquisa, chega à conclusão honesta de que sequer pode tomar os Collegia Fabrorum como modelo, quando se pensa em Maçonaria Operativa. Já outros escritores, não historiadores, afirmam doutoralmente que os Collegia Fabrorum são a base onde repousa a Maçonaria Operativa.

É certo que os historiadores e os pesquisadores cons-cientes se baseiam, acima de tudo, nas Old Charges. As mais citadas pelos bons autores são:

• Manuscrito de Halliwell ou Regius, séc. XIV;
• Manuscrito de Cooke, séc. XV;
• Manuscrito de William Watson, séc. XV;
• Manuscrito de Tew, séc. XVI.

Sabe-se que existem, na Grã-Bretanha, cerca de oitenta e sete manuscritos de Old Charges. Seria, realmente, o Poema Régio, também chamado de “Manuscrito de Hallliwell” o mais antigo documento da Maçonaria de Ofício? Os melhores autores, aqueles em quem podemos confiar, dizem que sim. Citaremos apenas dois, para não nos alongar em demasia.

Le document authentique le plus ancien date, lui, des annés 1390-1400; c’est le fameux Peème Maçonnique connu également sous les noms de Manuscrit Regius (Royal) ou Manuscrit Halliwell, (du nom de son prémier éditeur)... (Serge Hutin, in “Les Francs Maçons”, Collections Le Temps qui Court – Éditions du Seuil – Paris, p. 53). *

O mais antigo texto é o Regius, manuscrito real, como seu nome o indica conservado no Museu Britânico de Londres. O Regius dataria dos anos 1388-1445. (Jean Palou, “A Franco-Maçonaria Simbólica e Iniciática”, Ed. Pensamento, tradução do francês, edição de 1964, São Paulo, p. 33).

Pode-se supor que as Confrarias Alemãs de Cons-trutores – cujas mais antigas eram a de Magdebourg, criada em 1211, e a de Colônia, criada por volta de 1250 – fossem organizações maçônicas. Vejam que dissemos “pode-se supor”.

É certo que a maior dificuldade que se põe diante do pesquisador honesto é a falta de documentos primários que lhe atestem a existência, em determinada época, da instituição pesquisada. Muitos documentos primários se perderam na poeira inexorável do tempo. Muita coisa deixou de ser escrita porque era preciso estabelecer a lei do silêncio, como um meio de autodefesa das confrarias. Quais seriam os segredos do Maçom operativo? Cremos que eram segredos exclusivamente profissionais, guardados com rigor, sobre a arte de construir. É bem de ver-se que, na Idade Média, só se conhece um tratado de arquitetura, totalmente incompreensível aos que não fossem grandes conhecedores do assunto.

Finalmente, para que se entenda as razões pelas quais muitos documentos desapareceram, vamos transcrever numa tradução nossa o que diz Serge Hutin, no seu “Les Francs-Maçons”, pág. 53:

[A raridade de documentos maçons, anteriores à Maçonaria especulativa, explica-se, sem dúvida, pelo auto-de-fé realizado em 24 de junho de 1719, pelo pastor Desaguliers, então Grão-Mestre da Grande Loja da Inglaterra. Este pastor protestante resolveu destruir todos os documentos que, a seu ver, estivessem impregnados de “papismo” e, assim, dissimular as alterações que ele já havia feito nas regras fundamentais da Maçonaria.].

E quantos e quantos documentos antigos não teriam sido destruídos pela ignorância ou pela má fé? Pre-catemo-nos, todos os que amamos a verdade histórica, com as afirmações e ensinamentos que não se estruturem em documentos que mereçam fé. Não nos esqueçamos, jornalistas, articulistas, escritores, historiadores que verba volant, scripta manent.n

* O documento autêntico mais antigo data dos anos de 1390-1400; é o famoso poema maçônico conhecido igualmente sob os nomes de Manuscrito Regius (Real) ou Manuscrito Halliwell, (nome de seu primeiro editor).

Ir.·. Raimundo Rodrigues
Or.·. de São Paulo – SP