sexta-feira, 5 de agosto de 2011

SILÊNCIO - A LÍNGUA DO MAÇOM


SILÊNCIO - A LÍNGUA DO MAÇOM



Duas coisas indicam fraqueza: calar-se quando é preciso falar, e falar quando é preciso calar-se.

É necessário lembrar-se do provérbio dos filósofos: as verdadeiras palavras não são sempre bonitas, mas as palavras bonitas nem sempre são verdades…

A tarefa mais difícil para um homem comum é guardar um segredo e permanecer em silêncio (Aristóteles 384-322 a.C)

Xenócrates (394 a 314 a.C) filósofo grego afirmava: Arrependo-me de coisas que disse, mas jamais do meu silêncio.

A própria palavra mistério (segredo) significa em linguagem religiosa, alguma coisa de separado, de secreto, de oculto e de que não é lícito falar.

A imposição do silêncio não é somente uma disciplina que fortalece o caráter, é também, e principalmente, o meio pelo qual o Iniciado pode entregar-se à meditação sobre os augustos mistérios que encerram as perguntas que todo o espiritualista se faz: donde vim? Quem sou? Para onde vou?

Perguntas essas que o Iniciado Maçom defronta desde o momento em que transpõe a porta da Câmara de Reflexão. É também o meio de melhor observar os ensinamentos maravilhosos contidos no Ritual.

Mesmo antes da própria admissão na Ordem, já se começa a exercitar o princípio do Silêncio. Nos momentos que precedem as Iniciações, quando o Candidato permanece na Câmara de Reflexão, o silêncio é fundamental.

Isso tem por finalidade o desenvolvimento da vontade e permite atingir um maior domínio sobre si mesmo. Não esqueçamos que somente um homem capaz de guardar o silêncio, quando necessário, pode ser seu próprio senhor.

Em Maçonaria define-se o SILÊNCIO como virtude maçônica, mediante a qual se desenvolve a discrição, corrige-se os defeitos próprios e usa-se prudência e tolerância em relação à faltas e defeitos de outros. Na Maçonaria se costuma simbolizá-lo pela trolha, com a qual se deve estender uma camada de silêncio sobre os defeitos alheios, tal qual faz o pedreiro vulgar com o cimento para descobrir as arestas do edifício em construção.

O silêncio deve ser rigorosamente mantido, não por força de disposições regulamentares ou pelos ditames da boa educação e das conveniências sociais, mas para que possa ser formado o ambiente de espiritualidade, próprio de um Templo. Ao ajudar a formação desse ambiente, tão propício à meditação, o Maçom beneficia-se a si mesmo e beneficia aos demais. A fecundação das idéias se faz no silêncio.

Devemos guardar e observar completo silêncio no decorrer dos Trabalhos. Não é de boa esquadria pelas normas maçônicas, tolerarem-se conversas paralelas, rumores, murmúrios de vozes, sussurros, chamadas de telefones celulares (que deveriam estar desligados), enquanto se desenvolve os trabalhos, observem que quando o Irmão falador desrespeita essas regras, a Oficina trava e quebra de imediato a Egrégora formada pelo som, pelo perfume do incenso e pelas vibrações dos presentes.

O Aprendiz deve por sua tenra idade simbólica não tomar parte ativa nas discussões entre seus maiores, a não ser quando interrogado ou solicitado.

O Aprendiz não pode tomar a palavra senão a convite do Venerável. Esta Lei do Silêncio deve ser por ele observada também fora do Templo, no que respeita à Ordem Maçônica.

O princípio do silêncio exigido dos Aprendizes e Companheiros tem por base filosófica: só deve falar quem sabe e, quem o sabe deve se omitir, pois, flui a sabedoria e os grandes ensinamentos, fonte dos nossos conhecimentos e alimentos para os nossos espíritos.

O aprendizado é o período de meditação e de silêncio. Saber falar com ética é sabedoria, mas saber ouvir é muito mais, pois o homem que sabe falar com respeito, com educação, com amor, naturalmente saberá também ouvir. A visão e a audição devem ser educadas, tanto quanto as palavras e as maneiras.

Em Maçonaria, ao prestar o seu compromisso iniciático, o Candidato promete guardar silêncio sobre tudo o que se passa no interior do templo maçônico. A fórmula é sempre a mesma, mas já propiciou ataques à instituição maçônica, como se ela se entregasse a práticas escusas, sobre as quais os seus filiados devessem se calar. Mas ela visa, apenas, resguardar Toques, Sinais e Palavras, para que eles não cheguem ao conhecimento de não maçons (profanos), os quais, com esse conhecimento, poderiam ingressar, indevidamente, num templo maçônico.

O Aprendiz maçom cultiva a virtude do silêncio, porque não tem ainda a capacidade do comentário; deve apenas ouvir, meditar e tirar as próprias conclusões, até poder digerir o alimento que lhe é dado.

O Maçom pensa duas vezes antes de emitir opinião, porque tem obrigação de emiti-la de forma correta e que jamais possa ofender a quem a ouve. Recorda que às vezes, o silêncio é a melhor resposta.

Segundo José Castellani (Consultório Maçônico X): O silêncio do Aprendiz é apenas simbólico, em atenção ao fato de que ele, simbolicamente, só sabe soletrar e não sabe falar. Todas as nossas práticas são simbólicas e não reais, como mostram, inclusive as provas iniciáticas.

Esse silêncio significa que o conhecimento que o mestre lhe transmite é absorvido sem qualquer dúvida ou reação, até o momento em que se torna capaz de emitir, por sua vez, conceitos superiores e que podem até conduzir ao sadio debate.

Há algumas coisas que são lindas demais para serem descritas por palavras. É necessário admirá-las em silêncio e contemplação para apreciá-las em toda a sua plenitude.

São necessárias tão poucas palavras para exprimir a sua essência. Na realidade, as palavras devem ser as embalagens dos pensamentos.

Não adianta fazer discursos muito longos para expressar os sentimentos de seu coração. Um olhar diz muito mais que um jorro de palavras. As grandes falas servem freqüentemente só para confundir. O silêncio é freqüentemente mais esclarecedor que um fluxo de palavras.

Olhe para uma mãe diante do seu filho no berço. Ele consegue muito bem tudo o que quer sem dizer nenhuma palavra. São necessários dois anos para que o ser humano aprenda a falar e toda uma vida para que aprenda a ficar em silêncio.

Ouvimos que, em sua grande sabedoria, a natureza nos deu apenas uma língua e dois ouvidos para que escutemos mais e façamos menos discursos longos.

Se um texto não é mais bonito do que o silêncio, então é preferível não dizer nada. Esta é uma grande verdade sobre a qual os grandes dirigentes deste mundo deveriam meditar. Quanto mais o coração é grande e generoso menos palavras se tornam úteis…

O silêncio é a única linguagem do homem realizado. Pratiquemos moderação no falar. Isso é fecundo de várias maneiras. Desenvolverá amor, pois do falar descuidado resultam incompreensões e facções.

Quando é o pé que resvala, a ferida pode ser curada, mas quando é a língua, a ferida é no coração e perdura por toda a vida. Às vezes para manter a paz é preciso usar um poderoso aliado chamado silêncio.

Pitágoras (571 a 496 a.C) exigia o mais absoluto sigilo dos Aprendizes, pelo período mínimo de três anos. Estabeleceu vários conceitos que estão presentes em nossos manuais, como os quatro elementos fundamentais (terra, fogo, ar e água). A definição do Pentagrama, configurando a Estrela de cinco pontas que representa o homem, de braços e pernas abertas.

Quando de suas hastes se desprendem chamas, o pentagrama denomina-se Estrela Flamígera. Essa estrela simboliza um guia para o caminho que conduz ao templo. O maçom vê no Pentagrama a si mesmo dominando os impulsos da carne. Foram os filósofos Pitágoras e Platão que nos legaram o valor dos números, cujos cálculos, desde uma simples soma ou subtração aos mais complicados, hoje formulados eletronicamente, tendem a esclarecer os mistérios do Universo.

Pitágoras afirmava que quem fala semeia e quem escuta recolhe e esta era a obrigação dos novatos.

Se poucas palavras são necessárias dizer eu gosto de você, todas as outras que poderiam ser ditas são supérfluas…

Sim e Não são as palavras mais curtas e fáceis de serem ditas, mas são aquelas que trazem as mais pesadas conseqüências. Afirmar o bem, negar o mal; afirmar a verdade, negar o erro; afirmar a realidade, negar a ilusão; eis aqui, o uso construtivo da palavra.

Lembremo-nos de usar o silêncio quando ouvirmos palavras infelizes; quando alguém está irritado; quando a maledicência nos procura; quando a ofensa nos golpeia; quando alguém se encoleriza; quando a crítica nos fere; quando escutamos uma calúnia; quando a ignorância nos acusa; quando o orgulho nos humilha; quando a vaidade nos procura.

O silêncio é a gentileza do perdão que se cala e espera o tempo, por isso é uma poderosa ferramenta para construir e manter a paz.

Lojas há que incentivam Aprendizes e Companheiros a se exibirem em discursos repletos de lugares-comuns, ou tratando de assuntos profanos, fazendo assim perder o precioso tempo dos ouvintes. E chegam até considerar a recomendação do silêncio como se fora um atentado contra pretensos direitos maçônicos do Aprendiz.

Inútil será dizer que não tendo recebido nenhuma espécie de instrução maçônica, nada podem transmitir aos Neófitos. Assim, transformam as Sessões das Lojas em palavreado inútil que nada constroem, mas acumulam perigosos elementos para o incenso de orgulhos e vaidades e futuros desentendimentos.

O Juramento de Silêncio é um procedimento ritualístico e ao prestá-lo devemos todos, em atendimento a solicitação do Venerável.

Encerrados os Trabalhos, o Venerável Mestre ainda uma vez chama a si os Obreiros, confirmatoriamente. Pelo que está feito estes se manifestam em uníssono pelo sinal, pela bateria do Grau e pela aclamação. É, mais uma vez, a confirmação de cada um de seu juramento de Iniciação.

Fica em cada um a memória e a gratificação de mais um dia trabalhando em união fraterna na construção do templo da humanidade.

O resto é silêncio.


Klebber S Nascimento

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A CARIDADE MAÇÔNICA

Tronco de Beneficência



A CARIDADE MAÇÔNICA - Via Tronco de Beneficência



1) A Maçonaria atual está em muitos aspectos afastados dos seus valores antigos e tradicionais e, em especial em certos Usos e Costumes, os quais foram paulatinamente sendo através dos anos, totalmente distorcidos.

2) Sabe-se que a Maçonaria desde que apareceu, conseguiu sobreviver, no mundo, sempre em condições adversas, sofrendo perseguições e que seus primeiros componentes se protegiam como irmãos quer física, quer financeiramente. Qualquer membro da confraria era defendido em todos os sentidos e em caso de sua morte a família, viúva e filhos eram assistidos financeiramente nos mesmos moldes das confrarias de pedreiros, das guildas e outras entidades afins. Em algumas destas organizações havia até auxílio funeral além de outros atendimentos.

3) A Maçonaria não auxiliava Profanos de forma alguma, somente os Maçons, seus verdadeiros confrades, seus Irmãos e suas famílias, através de caixas ou fundos arrecadados especialmente para este fim.

4) No início do século XX a Maçonaria brasileira, alguns anos após a Proclamação da República, já sem outras metas maiores naquele momento, começou a competir com a Igreja Católica, Espírita e posteriormente com as Igrejas Evangélicas em matéria de caridade a Profanos.

TRONCO DE BENEFICÊNCIA


Desde a construção do templo por Salomão em Jerusalém o tronco já fazia parte dos rituais maçônicos. Naquela época foi criada pelos arquitetos uma coluna em miniatura, denominada de tronco, que girava por entre as bancadas recebendo as contribuições, a mão era introduzida pelo alto do capitel, que a ocultava, havendo uma fenda no cimo do fuste para a passagem da oferta.

Com o tempo passou a se denominar tronco da viúva, tronco de solidariedade ou tronco de beneficência. O tronco é o ato de recolher que se faz através de um saco ou bolsa e o seu produto é a medalha cunhada, também conhecida por óbolo (pequena moeda).

Tronco é uma palavra que deriva do francês “tronc”. Em época mais remota o Papa Inocêncio III, criou o tronco dos pobres que era uma caixa que existia nas entradas das igrejas.

Era costume nas antigas “guildas” recolher contribuições dos que podiam ofertá-la, para socorrer os congregados, entre os quais se encontravam todos os tipos de homens: senhores, trabalhadores e serviçais. A proteção se estendia às viúvas, órfãos, inválidos e servia até para defesa judicial dos membros. Essa tradição passou à Maçonaria.

A função caritativa da Maçonaria se tornou tão destacada que a ordem passou a ser identificada como benemérita pela pratica da filantropia, se ouvia falar que a imagem da Maçonaria era Fraternidade e Caridade.

Não descuidando de nosso foco, devemos entender o significado de nossas ações: a prática da filantropia alcança os infelizes e necessitados pela entidade beneficente que a praticou, benemérita é a loja que proporciona a pratica dessa beneficência pelo elevado espírito de nossa fraternidade.

A filantropia por mais autêntica que seja não engloba a fraternidade, uma vez que a filantropia arrasta por tradição nuclearmente o conceito de esmola, porquanto a prática da fraternidade é um sentimento que possui em seu núcleo o amor fraterno da união dos maçons.

Assim podemos dizer que a fraternidade é diferente da filantropia, mas não a exclui e ambas devem coexistir.

O templo não é lugar de esmola, mesmo que o óbolo seja uma manifestação mínima que se possa dar, este deve ser evitado, pois se nos organizarmos financeiramente iremos colaborar bem mais que o mínimo.

Vejamos o preceito bíblico em (Mateus 6:2-4)

Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa. “ Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.”






As interpretações dessa passagem bíblica são muito amplas e não se faz necessário entrar no mérito para buscar a verdade dessa doutrina, o certo é uma profusão de sentimentos nesse sentido.

Devido à multiplicidade de orientações religiosas dos maçons, a ordem é adogmática; assim a nossa participação no tronco ocorre com neutralidade de espírito onde se participa com liberdade e isenção, a compaixão a generosidade e a solidariedade falam mais alto em nossos corações vindo a dispensar quaisquer recompensas por este ato.

Este momento é mágico, todo especial que envolve uma elevada mística vibracional para a formação do tronco como observou em seu post o Ir∴ José Maurício Lima da A∴ R∴L∴S∴ José Antonio Guimarães nº 192, do Grande Oriente do Estado do Rio de Janeiro: no momento em que se inicia a circulação do tronco algo mágico desprende do hospitaleiro como se fosse um incenso queimado é como se fosse o somatório de nossas energias, emocional, mental, psíquicas, na forma de papel moeda para que esta energia possa ser objeto de transformação de pessoas, de condutas, então o que você chama de dinheiro, nós temos um nome muito mais profundo para isso, pois na maçonaria se trabalha com mentes, que partilham energias com as pessoas menos favorecidas, não é o ato de colocar a prata é muito mais amplo, lembra a lei de Amra – causa e efeito.

O tema filantropia, beneficência e Fraternidade, para muitos não é pacífico, primeiro pela falta de entendimento do seu conceito, segundo pela nossa capacidade de escolher a política mais adequada para o enfrentamento dessas questões e terceira a própria conjuntura atuais das Lojas e obediências: casos de inadimplência mórbidos, pagadores com atraso, lojas que descuidam de seus compromissos junto à obediência, estes exemplo são reflexos existenciais entre o primo e o irmão:

“quando vos conto do primo notem que é mais triste a minha fala, porque o primo é uma mala mas pensa que é um arrimo. É mais liso que limo e floresce em qualquer chão, mas lhes digo de antemão garnizé nunca foi galo, petiço não é cavalo e primo não é irmão” ... e seguem assim os versos de um poema gauchesco.

Frente ao estado de necessidade não há razão alguma para juízo de valor, a ação pelo amparo me parece mais adequado, assim é o trabalho filantrópico, de outra banda não havendo estado de necessidade a atuação fraterna dá margem a juízos de valor sobre o pleito solicitado. Eis aqui a grande diferença no tratamento para assuntos similares, mas muito diferentes na sua essência, pois nem tudo é o que parece ser.

Esta realidade esta diretamente relacionada com a nossa capacidade de enfrentamento onde podemos quantificar o valor das medalhas cunhadas pelo tronco em nosso País:

Tomando-se por base a média de 20 obreiros por sessão,

Considerando a média do óbolo é de R$ 5,00 por obreiro, a

4 sessões ao mês

E uma plataforma aproximada de 5.627 lojas no Brasil têm:

20x5, 00= R$100,00 por sessão de loja

100x4= R$ 400,00 a. m. por loja

400,00x 5.627 = R$ 2.250.800,00 a.m

X 12= R$ 27.009.600,00 anual

Conclusão:

a. O número parece gigantesco, VINTE E SETE MILHÕES ANUAIS, porém diluídos por loja parece muito pouco, não dá para fazer muita coisa, todavia ameniza qualquer situação em auxílio-concreto, tornando-se muito eficiente.

b. Aqui não estão computados os trabalhos sociais desenvolvidos pelas Lojas e potências e também não é considerada a verba de captação.

c. Se nos contentarmos com o óbolo puro e simples chegaremos facilmente a conclusão que:

NESTE TEMA HÁ MAIS RETÓRICA QUE AÇÃO.

Voltando às considerações:


A proposta de priorizar o atendimento ao público interno é matéria vencida para a maçonaria bem antes da idade moderna, mesmo que tenhamos entendimentos diversos, o bom senso demonstra que os assuntos devem ser tratados separadamente.

Se a nossa satisfação é limitada pela arrecadação da Loja nos moldes apresentados e a sua utilização for canalizada para atender o nosso público interno, estaremos como instituição dando as costas aos flagelos que atingem à sociedade.

Há inúmeras maneiras de transpor esta barreira, basta usar a imaginação e por a mão na massa, pois somos aquilo que desejamos ser, ou seja, o que somos hoje é o produto de ontem.

A maçonaria nada mais é do que princípios.

Ela não é como eu quero e como penso que deve ser a maçonaria se materializa pelo produto de nosso trabalho quando agimos de acordo com o nosso coração.

Na maçonaria não existe prato feito, temos que trabalhar constantemente sempre em busca do consenso.

O consenso tem como limite a legislação onde se emprega a tolerância ilimitadamente para a livre manifestação do pensamento, e nunca para justificar comportamentos equivocados, fatos errados, descumprimento de normas como, por exemplo: o não depósito de metais junto à tesouraria da Loja.

Muitas vezes a Loja é reflexa de seus dirigentes, o V∴ M∴ prestou um compromisso solene de cumprir as Leis, normas e regulamentos, ele não pode prevaricar, tem que passar o seu povo a prumo.

Os casos isolados, as exceções devem receber um tratamento especial com acompanhamento da comissão de beneficência da Loja, inclusive apontando soluções saneadoras para impedir a recorrência ou difícil resolução. Não há e nunca houve restrição alguma em auxiliar um irmão ou parente porque estes são os próximos mais próximos que temos.

Cabe aqui salientar uma lição do Ir∴ Aderbal Bate Bergo M∴ M∴ ARLS LUX AETERNA Nº 236 GLESP.

“Dentre os caminhos que elevam o ser humano na espiritualidade, a primeira das virtudes é a CARIDADE.

Principalmente a caridade de dimensão ESPIRITUAL na medida em que se consegue ajudar o próximo por amor a Deus.

O Compasso é o símbolo: você está na ponta do centro, sobe para Deus e desce para os outros homens, sem muitas preferências, todos devem estar mais ou menos à mesma distância de nossa bem-querência, do nosso amor, da nossa fraternidade, mas sempre passando por Deus.

O Compasso, que é um dos nossos símbolos principais, não estabelece uma ligação direta de uma pessoa com seu semelhante.

“O Compasso é a ida de nosso pensamento ao Grande Arquiteto do Universo, e este pensamento, abençoado por Ele, volta para ajudar os semelhantes, que simbolicamente estão na outra ponta.”

Somos múltiplos e devemos agir em várias frentes ao mesmo tempo, temos qualificação e aptidão para isso.

Somos capazes, instruídos, e fomos devidamente escolhidos para entrar na ordem através de um padrinho que nos avaliou segundo os nossos costumes e leis, detendo-se inclusive com a nossa capacidade honrar com esses novos compromissos.

Hoje tudo é previsível, assim sendo não se transfere as nossas responsabilidades para as mãos dos outros irmãos.

Os fatos isolados devem ser administrados pela loja ao arrepio do tronco de solidariedade, por uma chamada extra ou outros mecanismos que podem ser adotados:

a. A loja deve possuir contas correntes necessárias para sua gestão, mas no mínimo deve ter duas contas bancárias atualizadas.

A primeira para a gestão da Loja e a segunda para a gestão da conta Fraternidade, sem desvio de finalidade (este é o entendimento de nossa obediência).

b. O V∴ M∴ possui a disponibilidade de colocar preferencialmente na presidência das comissões um M∴ M∴ (I) ou na falta deste um mestre mais antigo.

Como construtores sociais, sabemos o nosso papel na ordem e na sociedade.

A ordem não pode e não deve voltar-se a proteção somente de seu umbigo, não devemos cultivar somente a introspecção e sim continuarmos a ser progressistas, fomentar a nossa família a fim de ocuparmos melhores espaços sociais, ou seja, é melhor dar do que pedir, para tanto devemos estar preparados para o dia de amanhã onde os degraus foram feitos para ser galgados, respeitando sempre as condições contextuais de cada um, cada realidade é uma realidade.

Enganam-se quem entra na maçonaria para ser ajudado, a maçonaria nos exige muito mais, devemos nos doar muito e com responsabilidade, a maçonaria tem que entrar em nós.



As Lojas são independentes, suas histórias são diversas e seus assuntos devem ser resolvidos a coberto, mas excedido a capacidade da Loja, é nosso dever sair em socorro de nossos irmãos, quer onde se encontrem segundo a nossa capacidade de ajuda.

Assim, não há como tratar desiguais com medidas iguais, as realidades das Lojas não são as mesmas, a Carta de Londrina pode ser adequada aquele momento histórico e não deve ser entendida como um produto pronto e acabado, até porque seu foco é quebra de paradigmas, por exclusão deste.

Por derradeiro o assunto pode ser observado pelo silogismo:

1) O homem criou os PRINCÍPIOS;

2) Pelos PRINCÍPIOS o homem criou a MAÇONARIA;

3) O Choque de LIBERDADES é o princípio gerador do CAOS;

4) A reorganização do CAOS se dá através do CONTROLE;

5) O CONTROLE só é possível através do PODER;

6) O PODER é delegado por quem detém a LIBERDADE;

7) A LEI e os REGULAMENTOS limitam à liberdade;

Logo é NATURAL a existência de várias interpretações como um processo natural do comportamento humano frente às atividades da maçonaria, porém a maçonaria é filantrópica porque não está constituída para obter lucro pessoal de nenhuma classe, senão, pelo contrário, suas arrecadações e seus recursos se destinam ao bem-estar do gênero humano, sem distinção de nacionalidade, sexo, religião ou etnia. Procura conseguir a felicidade dos homens por meio da elevação espiritual e pela tranqüilidade da consciência, portanto como ela não faz distinção não podemos discriminar.

Aplaudo a Loja que auxilia o seu público interno quando se faz necessário, não descuidando da finalidade do tronco de beneficência como determina o nosso estatuto.

A filantropia, a beneficência e a fraternidade devem andar de mãos dadas o tempo todo e para todo o sempre para que tudo permaneça justo e perfeito.

Adil Moura – M∴M∴ (I)



Fonte: Filhos de Hiram






























































































































































quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Loja de Mesa


Loja de Mesa



I – PREÂMBULO

Loja de Mesa ou de Banquete, é a sessão ritualística em que os maçons se confraternizam em torno de uma mesa de refeições. É comumente chamada de banquete ritualístico, embora José Castellani considere que este termo é impróprio.
Os Maçons têm por tradição reunirem-se muitas vezes após os trabalhos para realização de um ágape – termo que designa o repasto dos primitivos cristãos. A palavra “banquete” surgiu desse hábito, “pois ela deriva do italiano ‘banqueto’, que era o banquinho em que os primeiros cristãos sentavam-se, durante as ceias comunitárias nas catacumbas, onde se escondiam” .
A dinâmica da vida atual, principalmente nos grandes centros, tem levado muitas Lojas a não realizar os ágapes ao final dos trabalhos maçônicos. Contudo, algumas Lojas têm mantido a tradição da realização anual da Loja de Mesa, tradição que vem da Maçonaria de ofício, ou operativa, e dos primeiros Maçons aceitos, da moderna Maçonaria, coloquialmente conhecida, no meio maçônico, como Maçonaria especulativa.
Joaquim Gervásio de Figueiredo diz que o banquete é uma festividade maçônica realizada em Loja ou Oficina de Banquete, em grau de Aprendiz, para que dele possam participar todos os maçons. Ele afirma, ainda, que “embora seja uma tradição muito antiga, as primeiras regras normativas dessa cerimônia datam de 1721 e referiam-se aos banquetes anuais realizados no dia de São João Batista, por motivo da eleição do Grão-Mestre da Grande Loja de Inglaterra...”
Quanto aos ágapes o mesmo autor assim se expressa, in verbis:
“ÁGAPES (gr.). Refeição em que os cristãos primitivos se reuniam para comemorar a última ceia de Jesus Cristo com seus discípulos, e davam-se mutuamente o ósculo de paz e fraternidade. Estava associada à Eucaristia. Ambas essas cerimônias foram depois separadas, e por último os ágapes foram suprimidos pela Igreja, alegando prática de abusos. A Maçonaria o conserva nos graus capitulares.” (o destaque é da transcrição)
Rizzardo da Camino , em síntese, assim se manifesta sobre o banquete: A Maçonaria moderna (1723) elegia os seus dirigentes por ocasião das reuniões convocadas para o banquete, tendo sido sempre ao redor de uma mesa que se tomavam as decisões importantes e como exemplo cita a Ceia do Senhor e a dos Cavaleiros da Távola Redonda.
Segundo este autor, o vocábulo banquete está em desuso entre nós, tendo sido substituído pela palavra “ágape”, como, por exemplo, ocorre após as Iniciações, quando deve haver uma confraternização festiva e essa abrange o comer e o beber com moderação.
Rizzardo da Camino diz ainda que “a origem da palavra é simplória; como para tomar um lugar na mesa, com comodidade é preciso sentar-se, isso era feito nos ‘bancos’, de onde derivou a palavra Banquete”.
Quanto ao ágape, assim se expressa o autor:
“ÁGAPE – De origem grega, significando, amor; termo usado nos tempos do cristianismo primitivo; reunião para refeições entre os que se amam. Nessas refeições, e o exemplo marcante foi a Santa Ceia, os Discípulos reuniram-se com o Mestre para comer o cordeiro pascal, com pão e vinho; o significado de hoje seria a comunhão litúrgica.
Ágape, com acentuação proparoxítona, é o termo usado em maçonaria para as reuniões de refeição; no Grau 18, o de Príncipe Rosa Cruz, os trabalhos são conclusos com esse Ágape.”


II – INTRODUÇÃO

Como visto, ágape era uma refeição que os antigos (primitivos) cristãos faziam em comum. Eles se reuniam em torno de uma mesa disposta em formato de ferradura, pois para eles esta disposição transmitia a idéia de imagem do céu em suas épocas solares.
Assim, a reunião de mesa tinha o cunho ritualístico religioso. Era o Kidush.
O Kidush (da raiz hebraica kodesh = sagrado ) significa “santificação, sagração” e era realizado na véspera de uma festa religiosa, ou na véspera do shabat (sábado), para realçar a santificação do dia.
A última ceia de Jesus com os apóstolos foi um Kidush, que precedeu à Pêssach (Páscoa).
A realização de Kidush, muito comum entre os essênios, deu origem à eucaristia, haja vista que a Igreja herdou muitas das práticas hebraico-judaicas. Assim, a Liturgia Eucarística da Missa é uma das partes em que a influência hebraica mais se manifesta . A Oração Eucarística é considerada o ponto central da ação de graças e consagração em que se revive a última Ceia de Jesus, quando, lançando as bênçãos sobre o pão e o vinho, ele os distribui entre os convivas; depois da devida preparação, realiza-se a Comunhão entre os fiéis, que se reveste do recebimento do corpo e do sangue do Cristo, como alimento espiritual.
Também, entre os demais povos da antiguidade, os banquetes eram freqüentes. Qualquer evento extraordinário se transformava em motivação para que uma família, uma associação ou um grupo social se reunisse, para comemorar ao redor de uma mesa.
Além dos hebreus, que demonstravam particular prazer com suas festividades, os egípcios e os gregos as celebravam, com singular recolhimento de convidar os deuses para os seus banquetes sagrados. De igual forma, os romanos não se esqueciam de convidar os Deuses festins, colocando-os em leitos que circundavam as mesas guarnecidas com iguarias.
Os Maçons, co-participando dos banquetes primitivos, mantiveram as tradições antigas, realizando um belo culto ao simbolismo em seus dias festivos.
Segundo Castellani , “por herança recebida dos membros das organizações de ofício, que, tradicionalmente, costumavam comemorar os solstícios, essa prática chegou à Maçonaria moderna, mas já temperada pela influência da Igreja sobre as corporações operativas. Como as datas dos solstícios são, aproximadamente, 22 de junho e 22 de dezembro, muito próximas das datas comemorativas de São João Batista - 24 de junho - e de São João Evangelista - 27 de dezembro – elas acabaram por se confundir com estas, entre os operativos, chegando a atualidade. Hoje a posse dos Grão-Mestres das Obediências e dos Veneráveis Mestres das Lojas realiza-se a 24 de junho, ou em data bem próxima; e não se pode esquecer que a primeira obediência Maçônica do mundo, a Premier Grand Lodge, foi fundada em 1717, em Londres, no dia de São João Batista”.
Há que ser feito um registro, ainda que não diretamente vinculado ao tema, mas para que possa ter uma visão ampla, e não estreita, do assunto envolvendo a Loja de Mesa ou Banquete Ritualístico.
A Maçonaria da atualidade, denominada como especulativa, deveria, na verdade, ser conhecida como Maçonaria dos Aceitos, haja vista que a forma atual da instituição maçônica somente se iniciaria no final do século XVI, quando foi aceito o primeiro homem não ligado à arte de construir, em 1600, na “St. Mary’s Chapell Lodge” (Loja da Capela de Santa Maria), em Edimburgo, na Escócia.
Desde então, as organizações operativas, devido ao declínio da arquitetura gótica, para sobreviver passaram a admitir homens não ligados à arte, em geral pessoas de destaque na sociedade, os quais passaram a ser denominados de Maçons Aceitos.
Este processo de aceitação progrediu com tal velocidade que ao final do século XVII o contingente de aceitos superava, largamente, o de operativos, propiciando a criação da primeira Obediência Maçônica da história, a Premier Grand Lodge, de Londres, no início do século XVIII, precisamente no dia 24 de junho de 1717.
A Premier Grand Lodge foi fundada por quatro Lojas de Londres, mas esta novidade (sistema obediencial) não foi bem aceita pelos demais Maçons ingleses, das Lojas livres, os quais criticavam, entre outras coisas, a descristianização dos Rituais, passando a tratar os membros da Grande Loja como “modernos”.
A 17 de julho de 1751, para combater os “Maçons Modernos”, uma assembléia de Maçons declarava a intenção de reviver a Antiga Arte Real, segundo os verdadeiros princípios maçônicos. Na seqüência foi instalada uma outra Grande Loja denominada de Grande Loja dos “Antigos”, formada, em sua maioria, por Maçons Irlandeses, residentes em Londres.
Em 27 de dezembro de 1813, ou seja, mais de sessenta anos depois, foi consumada a união das duas Obediências Maçônicas, da qual resultou a United Grand Lodge of England (Grande Loja Unida da Inglaterra).
Daí, então, a adoção pela Maçonaria das datas de 24 de junho e 27 de dezembro e, provavelmente, por conseqüência, os dois São João – o Batista e o Evangelista – terem se tornado os padroeiros das Lojas de aceitos, de diversos Ritos até a atualidade. Apesar de Castellani dizer que “essas Lojas são chamadas de São João, provavelmente em decorrência do título que as corporações de construtores tinham, na Idade Média: Confraternidades de São João”.
O que é de conhecimento geral é que as festas de São João Batista, a 24 de junho – solstício de inverno, em nosso hemisfério – e de São João Evangelista – solstício de verão, em nosso hemisfério – são celebradas pelos Maçons com Sessões Especiais.
Como não se sabe a qual São João grande parte da Maçonaria honra como padroeiro, os dois são aceitos como tal. Mas, a maioria dos autores destaca São João Batista como o verdadeiro padroeiro, por ter sido ele tomado como patrono pelos membros das sociedades de construtores romanos – os “collegiati” – convertidos ao cristianismo, e ainda pelo fato de os colégios de arquitetos celebrarem, assim como os povos da antiguidade, naquele hemisfério (Norte), o solstício de verão. Esta tese foi reforçada pela fundação da primeira Obediência Maçônica do mundo – a Premier Grand Lodge – a 24 de junho de 1717.

III – LOJA DE MESA

Passemos, então, ao conjunto de procedimentos que são utilizados no decorrer de uma Loja de Mesa ou, como coloquialmente vem sendo denominado, de um Banquete Ritualístico.
O que é um Banquete Ritualístico? É a sessão ritualística em que os maçons se confraternizam em torno de uma mesa de refeições.
De maneira geral, o Banquete Ritualístico deve ser realizado nos edifícios maçônicos, em salas apropriadas. Pode, todavia, ter lugar em qualquer outro edifício, contanto que tudo esteja disposto de maneira que, de fora, nada se possa ver e ouvir; isso significa que o Banquete Ritualístico deve estar a coberto dos olhos profanos, já que se trata de uma sessão ritualística.
Como dito, o Banquete Ritualístico, antigo costume maçônico, deveria ser realizado pelo menos uma vez por ano, de preferência no solstício de inverno (no hemisfério Sul), ou de verão (no hemisfério Norte). Os solstícios ocorrem quando o Sol atinge sua posição mais afastada do equador terrestre: para o hemisfério sul, o solstício de verão ocorre quando o Sol atinge sua posição mais austral (meridional, sul), enquanto o solstício de inverno ocorre quando o Sol atinge sua posição mais boreal (setentrional, norte).
O solstício de inverno, em nosso hemisfério, ocorre a 21 de junho, que é, então, a época mais propícia para o Banquete Ritualístico, embora muitas Oficinas o realizem no dia 24 de junho, aproveitando o solstício e homenageando o padroeiro de muitos ritos maçônicos, São João, o Batista, conforme visto na Introdução deste trabalho.
O Banquete Ritualístico também pode ser realizado no solstício de inverno no hemisfério norte, 21 de dezembro, ou a 27 de dezembro, em homenagem a São João, o Evangelista.
Tudo o que é usado no Banquete Ritualístico tem um nome simbólico, ligado à arte de construir, aos materiais de construção e aos instrumentos necessários ao trabalho de edificação, são seguintes os nomes simbólicos:
• Areia amarela: a pimenta do reino
• Areia branca: o sal
• Armas, ou Canhões: os copos
• Bandejas: as travessas
• Bandeja grande: a mesa do banquete
• Bandeiras: os guardanapos
• Bandeira grande: a toalha de mesa
• Barricas: as garrafas
• Demolir os materiais: comer
• Espadas, ou Alfanjes: as facas
• Fazer fogo: beber
• Materiais: as iguarias servidas na Loja de Mesa
• Picaretas: os garfos
• Pólvora amarela: a cerveja
• Pólvora forte: o vinho, ou o licor
• Pólvora fraca: a água
• Pólvora preta: o café
• Telhas: os pratos
A mesa do banquete é disposta em forma de ferradura, com as extremidades correspondendo ao Ocidente e a cabeceira (mesa de honra), ao Oriente.
O Venerável Mestre ocupa o centro da parte da mesa que constitui o Oriente, tendo, à sua esquerda, os Mestres Instalados e, se for o caso, o Venerável de Honra, e, à sua direita, as Dignidades do Simbolismo, presentes à sessão.
Os demais Oficiais e Dignidades, colocam-se como em Loja, ou seja: O Orador e o Secretário colocam-se nas extremidades da mesa de honra, frente a frente; ao lado deles, colocam-se o Chanceler e o Tesoureiro, tendo, junto a si, o Hospitaleiro; o 2º Vigilante senta-se na metade do lado Sul, ou na extremidade ocidental, ou sudoeste, da mesa (da ferradura); na metade da mesa do lado Norte, coloca-se o Experto; o 1º Vigilante ocupa a extremidade noroeste da mesa, variando a posição, conforme o rito (inversão dos lugares dos Vigilantes, Orador, Secretário, etc.); o Mestre de Cerimônias fica próximo à extremidade, ao Norte, junto ao 1º Vigilante e à disposição deste; finalmente, o Cobridor fica na extremidade sudoeste, de frente para o Oriente (se ali estiver o 2º Vigilante, ficará ao lado dele).
Os demais obreiros colocam-se à vontade, em torno da mesa, sempre na parte externa da ferradura, com Aprendizes e Companheiros ocupando o mesmo local que lhes compete nos templos. Se o espaço na parte externa não for suficiente, admite-se a ocupação de alguns lugares na parte interna.
Na mesa deve ter uma fita estreita, azul ou encarnada, conforme o Rito, indicativa do alinhamento das armas.
Na parte interna da mesa, sobre um pedestal colocado junto à mesa de honra, à frente do Venerável Mestre, estarão as Três Grandes Luzes Emblemáticas da Maçonaria (o Livro da Lei, o Esquadro e o Compasso), dispostas no grau de Aprendiz Maçom. Isso é fundamental, pois não pode haver sessão ritualística sem a presença das Três Grandes Luzes Emblemáticas.
Sobre a mesa de honra, diante do Venerável, estará um candelabro de sete braços (o menorá hebraico), um pedaço de pão e um copo de vinho tinto; à frente do 1º Vigilante, estará um candelabro de cinco braços e, à frente do 2º Vigilante, um candelabro de três braços. A presença do pão e do vinho é uma lembrança do ritual hebraico de kidush , incrementado pelos essênios.
Todos os participantes da Loja de Mesa estarão paramentados e as Dignidades e Oficiais usarão as jóias de seus cargos. Algumas Obediências costumam recomendar que não sejam usados os aventais, pois eles seriam reservados para os trabalhos da Loja no templo; isto, todavia, não é correto, pois, em qualquer sessão ritualística, o maçom deve portar o seu avental, sem o qual será considerado como se estivesse nu.
Também recomendam, muitas Obediências, principalmente européias, que, além do banquete ritualístico, realizado por ocasião do solstício de inverno, seja realizado um outro, em forma "profana", por ocasião do solstício de verão. Nessa oportunidade, é recomendada uma excursão ao campo, para o reencontro com o Sol e a Natureza, em sua plenitude, seguida de banquete, com a presença de familiares e amigos dos maçons da Loja.


IV – CONCLUSÃO

A Loja de Mesa ou Banquete Ritualístico reveste-se de uma cerimônia sagrada, que deveria ser praticada pelas Lojas, anualmente, com toda solenidade, nas duas grandes festas tradicionais e, eminentemente simbólicas, que são as chamadas Festas Solsticiais ou de São João. Nessas festas são celebrados os Banquetes Fraternais.
Algumas Lojas realizam, anualmente, o Banquete Ritualístico, por ocasião da data de sua fundação. Este é o caso da Augusta Respeitável, Estrela da Distinção Maçônica, Loja Simbólica Águia do Planalto, fundada em 7 de setembro de 1969, que realiza, desde o ano de 1999, o seu banquete ritualístico em data próxima à de fundação.
O Banquete Ritualístico, como visto, tem reminiscências antiqüíssimas – Ceia dos Apóstolos, Ceia Pascoal dos Judeus e os Ágapes do Amor dos Cristãos – razão pela qual deve se revestir da maior seriedade. Não é uma brincadeira. É uma comunhão fraternal, razão pela qual é realizado longe das vistas profanas, portanto, deve ser evitado o excesso de bebida e de comida. Infelizmente, em algumas ocasiões, tem se presenciado, neste tipo de Ágape Sagrado, mera festa de comilança.
O Banquete Ritualístico é um momento de confraternização, que é exercer uma confraternidade, em nome de todos os Maçons do orbe terrestre, de salientar os laços que unem os Irmãos dessa Ordem Universal. Neste momento deve-se estar conectado com o Grande Arquiteto do Universo, entendendo que, no momento dessa confraternização, dever-se-ia estar recebendo o mesmo alimento espiritual, alimento propiciador de uma ligação espiritual forte, mantenedora de um laço invisível e inquebrantável, que deve estar isento de qualquer mácula, pois advém de seres Iniciados.

Colaboração do Ir.´. Altair da Silva Carvalho - M.´.I.´.
Fonte; http://www.lealdadeeluz.org.br/loja_de_mesa.html



segunda-feira, 1 de agosto de 2011

RESSIGNIFICAR A MAÇONARIA


RESSIGNIFICAR A MAÇONARIA

"É PRECISO QUE A MAÇONARIA ASSUMA SEU PAPEL DE REPRESENTATIVIDADE SOCIAL, INTEGRANDO-SE ÀS DEMAIS FORÇAS E INSTITUIÇÕES DA SOCIEDADE MODERNA"



RESSIGNIFICAR.



Meus caros irmãos, nas dificuldades da vida nos deparamos com mais uma: o termo RESSIGNIFICAR.

Não é uma novidade, coisa passageira, mas é o novo que muda.

O NOVO NOS FAZ PESSOAS MELHORES PORQUE NOS FAZ NOVAS PESSOAS.

Os ensinamentos, os termos nos são passados como verdades e por muito tempo se mantinham na nossa vida, como tal.

Dificultando as investigações científicas ou os pensamentos da coletividade, por algum interesse ou porque não havia motivo para questionar o "status quo" - SEMPRE FOI ASSIM!

Mas, precisamos Ressignificar.

As nossas práticas ritualísticcas, as nossas instruções, eram passadas e organizadas para as gerações futuras como conquistas imutáveis, não sendo permitido falar e questionar.

Virou unanimidade tal prática, adormecendo as idéias, a argumentação, e assim limitando o conhecimento, nos levando a uma apatia e inércia mental.

Mas, no mundo hoje, de grande transição, com milhões de descobertas, onde amanhecemos muitas vezes em situações diversas daquelas em que nos recolhemos ao leito, onde as notícias chegam a nós no mesmo instante do ocorrido, mesmo que a milhões de distância nossa.

É PRECISO RESSIGNIFICAR.

Dar um sentido novo a um porvir de esperanças e completude interior.

VER COM NOVOS OLHOS.

Precisamos na Maçonaria ressignificar para sermos capazes de reconstruir e mesmo construir algo que a sociedade moderna nos pede, uma ação mais fraterna e abrangente, onde será possível mostrar o que aprendemos nos Templos.

Sem nenhuma necessidade de mostrar ou revelar nossas posturas herméticas.

Posturas essas tão necessárias para a vida da instituição e para que tenhamos noção de grupo ou de corporação numa linguagem mais atualizada.

Verdades absolutas, destinos inevitáveis ou rumos traçados que não possam ser mudados para o bem da humanidade, não servem mais. Um plano, um conhecimento que não pode ser mudado ou não se aperfeiçoa, não é um bom plano.

A Maçonaria foi feita para o Maçom e é este Homem, o Maçom, que precisa de uma nova ressignificação no seu trabalho, na sua oficina, para que possa atuar em condições de tornar feliz a humanidade, começando pela sua família.

A Maçonaria precisa estar junto com a família e a família precisa estar junto da Maçonaria.

Nossa educação formal já não supre a sede de conhecimento e a nossa instituição, com todo respeito, com didática desatualizada é incapaz de oferecer os subsídios necessários a esse Homem Maçom, que busca algo mais para se desenvolver melhor.

A Maçonaria é muito mais abrangente que o ritual.

Precisamos ressignificar a doutrina social que a Maçonaria nos proporciona.

Vencendo a incredulidade, o Homem Maçom saiu a campo para encontrar outros conhecimentos complementares ou não, para satisfazer e preencher o seu espírito, que está inquieto, não permitindo que ele se fixe onde não lhe permitam o diálogo, o raciocínio e a inquirição, pois nada mais é como antes.

A Internet, por exemplo, democratizou o conhecimento, tornando-o acessível a partir de nossa própria casa. Sabendo selecionar teremos a chance do descobrir, e isto é de suma importância.

Como diz o sobrinho Lucas, a Internet não se aprende, se descobre.

E nós ainda estamos tentado ensinar Maçonaria , esquecendo que ela descoberta possui muito mais valor. Estamos tentando ensinar aquilo que é preciso aprender pelo interesse.

Precisamos saber qual o motivo de estarmos aqui e torná-lo real.

Para que serve a Maçonaria, para que eu sirvo para Maçonaria?

Umberto Eco, nos fala que o Homem do futuro será aquele que sabe separar o que serve, daquilo que não serve. Isso é atualização pura do que está na Livro da Lei , que é saber separar o bem do mal, ou o joio do trigo.

A Maçonaria terá que se adequar a esse novo mundo e a esse novo membro que chega ansioso por entender, por trocar informações e principalmente construir uma nova rede de conhecimento, tão necessário para o real significado à sua existência.

De onde viemos, onde estamos e para onde vamos. Talvez a chave da existência.

Não acham meus irmãos?

A Maçonaria é o grande elemento para esse homem, essa humanidade cheia de violência, desencantada, triste e sem um norte em seu cotidiano. Nossa ação política, como nação e como um todo, está lamentável.

Neste novo mundo a percepção de tempo está diferente, muito rápida e há necessidade de capacitar o Homem Maçom a fazer frente a esses novos paradigmas, há necessidade de uma visão holística do Mundo, da Sociedade, para que não venhamos a ter melancolia, que é viver do passado ou ansiedade, que é viver no futuro, nos esquecendo do presente.

É preciso uma ressignificação da Loja , dos trabalhos e da ação Maçônica para que possamos acolher o Homem Maçom, capacitá-lo e assim devolvê-lo a seu meio em condições de torná-lo feliz pelo seu exemplo e responsabilidade social.

Outro termo necessário para que nos atualizemos é responsabilidade social, uns acham que deve ser para o nosso meio, via ajuda do tronco de solidariedade ou bolsa de beneficência, outros para fora, via creche, asilos, etc. Mas que precisamos desta responsabilidade social, precisamos.

É o meio de materializar e realizar o conhecimento Maçônico.

A Maçonaria precisa ser uma praça de diálogo para as soluções sociais que se fazem necessárias, afeto, compreensão e reforço espiritual para os que lá já estão ou para os novos que chegam diariamente. Isto é Ressignificar à Loja, é ver com novos olhos, dar objetivos novos e mais atuais, nada de conceitos préestabelecidos, afinal estamos na Maçonaria para despertar e não engessar o conhecimento e o pensamento.

Ressignificar é uma nova iniciação a todos nós e aos que chegarão, onde poderão saber que somos progressitas a bem do Homem Maçom. O mundo, a sociedade passa a ser entendida com um grande buril, onde seres diferentes com concepções e aprendizados diversos vão estabelecendo trocas que possibilitarão o progresso coletivo, tornando a todos nós felizes.

Estamos na Maçonaria para sermos felizes e não para termos razão.

Impulsos mais nobres nos nortearão neste RESSIGNIFICAR, nossa responsabilidade de amparar o próximo na sociedade se tornará mais fraterna, educando melhor nossos sentimentos e emoções.

A Maçonaria possui em sua doutrina as ferramentas para que possamos ressignificar nosso entendimento sobre Homem Maçom e suas necessidades.

Mas, para adequá-la, é necessário RESSIFIGNAR conceitos, as verdades e as certezas e acima de tudo, colocá-los a serviço da Humanidade.

A AÇÃO SE FAZ NECESSÁRIA. QUEM NÃO FAZ, NÃO RESSIGNIFICA.

O Ressignificar Maçônico passa por uma melhoria de nossas sessões, mais confiança entre nós, mais diálogo sem reserva mental, troca de informações, uma maior fraternidade entre os irmãos , sem a vaidade de paramentos que escondem a essência, já que o Homem Maçom vale pelo que ele é e não pelo que ele usa.

O MAIS IMPORTANTE NUM ÁGAPE É QUEM ESTÁ À FRENTE PARA DIALOGAR E NÃO O QUE ESTÁ NO PRATO.

Ressinigficar, meus irmãos, é dar sentido novo em direção a um provir de esperanças e completude interior.

"Eurípedes Barsanulfo- Lírios de Esperança."

Assim levo aos irmãos esta reflexão para que possamos avançar irmanados.

Gratos pela paciência, nos colocamos à disposição.

Abraços Fraternais.

Inspiração a partir do artigo Ressignificar de Ionilda Velloso de Carvalho, Médica, Professora Universitáira e Oradora Espírita em Campos dos Goytacazes - Rio de Janeiro.

Revista Espírita de Campos - REC 78 jun-2006.

Carlos Augusto Gabesh Pereira da Silva.

Ex-Venerável Mestre da LOJA OBREIROS DE SÃO JOÃO Nº 42.